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PRONAC 201739Projeto encerrado por excesso de prazo sem captaçãoMecenato

Velho Chico mineiro

IVAN ALVES FILHO
Solicitado
R$ 200,0 mil
Aprovado
R$ 200,0 mil
Captado
R$ 0,00
Outras fontes
R$ 0,00

Análise IA

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Eficiência de captação

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Classificação

Área
—
Segmento
Livros ou obras de referência - valor Humanístico
Enquadramento
Artigo 18
Tipologia
Projetos normais
Ano
20

Localização e período

UF principal
MG
Município
Tiradentes
Início
2020-07-01
Término
2021-04-30
Locais de realização (3)
Belo Horizonte Minas GeraisSão João del Rei Minas GeraisTiradentes Minas Gerais

Resumo

Este projeto propõe a reedição do Livro Velho Chico mineiro, de autoria do historiador Ivan Alves Filho e do fotógrafo Maurício Bueno Seidl, publicado em 2002. Trata-se de um livro de viagens, um gênero que marcou enormemente a literatura e a ciência brasileira nascentes, ainda na primeira metade do século XIX. Com efeito, grandes naturalistas e geógrafos, como o francês Auguste de Saint-Hilaire e o britânico Richard Burton, percorreram o rio, relatando minuciosamente tudo o que viram, para as gerações futuras. São informações relevantes sobre as populações ribeirinhas, seus hábitos, crenças e esperanças. Também a fauna e a flora da região foram fielmente retratadas por esses intrépidos viajantes, que não recuavam diante de nada, imbuídos que estavam de uma missão _ a de estudar as coisas do Brasil. Hoje, é preciso reatar o fio da meada, buscando revelar ao país, mais uma vez, transcorridos quase dois séculos, a beleza de uma de suas mais importantes regiões.

Sinopse

Trata-se de reeditar um livro de viagem à parte mineira do rio São Francisco, a qual cobre cerca de dois terços de sua extensão. Realizada no início de 2002, a viagem se apresenta como um retrato fiel das populações ribeirinhas, seus ofícios, festas e tradições, assim como das próprias das condições ecológicas do rio, configurando-se como um documento fiel de toda uma época histórica. Público - Todos Segue abaixo a obra a ser reeditada sem as alterações. VELHO CHICO MINEIRO DIÁRIO DE UMA VIAGEM ÀS CIDADES BARRANQUEIRAS DO RIO SÃO FRANCISCO Mauricio Seidl e Ivan Alves Filho Este livro é a voz de Minas, com suas histórias reais e fantasiosas. Seus momentos dramáticos, como a rebelião comandada pela patriota Maria da Cruz contra os desmandos dos poderosos da época. E, também, os seus momentos bucólicos, como o demonstram as encantadoras paisagens da Serra da Canastra, tão bem retratadas aqui. Vão surgindo das páginas deste Velho Chico Mineiro os mais diversos tipos humanos, os quais, dia após dia, fazem a grandeza do rio São Francisco e das nossas Minas Gerais: são carranqueiros, bordadeiras, humildes lavradores, barqueiros, músicos populares, a gente de Minas enfim. Trata-se, na verdade, de um passeio pela nossa terra, revelando toda a riqueza de suas tradições e a poesia de suas festas e folguedos, como as folias de reis e as modas de viola. Temos a nítida impressão de que os Autores percorreram todas as veredas do nosso grande sertão. Emerge desta obra corajosa e bem pesquisada uma Minas Gerais bela como um copo de ouro, conforme sentenciou certa vez Guimarães Rosa. Mais: emerge das páginas deste livro como que um grito de alerta pelo rio São Francisco. Uma das maneiras que temos de revigorá-lo – estou plenamente convencido disso – implicaria retomar o transporte hidroviário, outrora o grande responsável pela pujança do rio São Francisco. Li com muito interesse este Velho Chico mineiro, um trabalho que impressiona pela densidade e também pelo compromisso com a alma popular. O estado de Minas Gerais, que represento na qualidade de Governador, sente-se honrado com mais esta importante contribuição para o conhecimento do seu passado e, sobretudo, do seu presente. O historiador Ivan Alves Filho e o fotógrafo Maurício Bueno Seidl, os Autores da obra, atingiram plenamente o seu objetivo, e o fizeram com muita sensibilidade e senso de responsabilidade social. A Secretaria de Transportes e Obras Públicas, a grande incentivadora deste projeto, está de parabéns. Recomendo este livro a todos aqueles que têm verdadeiro apreço pelo chão mineiro e pelas águas do São Francisco. Itamar Franco GOVERNADOR DE MINAS GERAIS UMA SIMPLES FAIXA... Foi um Deus nos acuda! A colocação de uma faixa num prédio centenário da Praça da Liberdade foi considerada quase um ato de heresia. Na faixa proclamei, em letras, garrafais: “ O Velho Chico está doente. Vamos salvá-lo”. Recebi, no primeiro dia, vários telefonemas. A maioria protestando. Reclamaram de tudo: da ousadia de instalar faixa no velho casarão verde; de conclamar a população, pedindo ajuda para um rio distante de Belo Horizonte, quando temos córregos poluídos em plena capital e outras coisas do gênero. A faixa, contudo, não veio como uma ação isolada. Imediatamente, lancei um site na internet para recolher sugestões de como revitalizar o Velho Chico e o número de mensagens recebidas e, principalmente, a qualidade das mesmas nos encorajou a partir para a terceira etapa do projeto, que é , justamente, a publicação deste livro. Para tanto, reunimos um historiador consagrado e um fotógrafo de grande talento. O resultado está aí na mão dos senhores: um documento para ser lido, apreciado e guardado, com carinho para as gerações futuras. Por que a Secretaria de Transportes e Obras Públicas está patrocinando um livro? Perguntaram-me mais uma vez, os questionadores de plantão. Um livro, sim – respondi – por vários motivos, entre os quais por que, através de livros, divulgamos nossas idéias e nossas proposições. O atendimento ao usuário e a multimodalidade passaram a se constituir nos pontos básicos de nossa ação a frente dessa Pasta. Os automóveis, caminhões e ônibus, agora, convivem com os aviões, trens, empurradores e barcaças, e aqui precisamos dos rios. Revitalizado, o Velho Chico vai nos proporcionar uma navegação plena e regular o ano inteiro já que é um rio perene. O rio da integração nacional vai permitir o uso intenso da modalidade de transporte que apresenta os menores custos operacionais. Com resultados altamente expressivos dos projetos de colonização, que já se implantaram junto ao rio, e o escoamento da produção através da hidrovia, os produtos chegarão mais baratos à mesa dos brasileiros e ganharão competitividade no mercado externo, gerando empregos e renda para o nosso povo. Espero em breve colocar outra faixa no nosso casarão centenário com os dizeres: “obrigado, amigos, por nos ajudar a salvar o Velho Chico.” Aguardem. Marco Antonio Marques de Oliveira SECRETÁRIO DE ESTADO DE TRANSPORTES E OBRAS PÚBLICAS PREFÁCIO O rio São Francisco tem praticamente a idade do Brasil: 500 anos, completados no final de 2001. Genuinamente nacional, o rio banha somente terras brasileiras, ao longo de exatos 2.624 km de extensão. Mais do que isso, o São Francisco – carinhosamente chamado de Velho Chico - é o rio da unidade nacional, ligando o Sudeste à Zona da Mata do Nordeste. Esses fatos, devido à sua crucial importância, não podem ser ignorados. Pelo contrário. Como escreveu certa vez o historiador João Ribeiro, "excluído o mar, caminho de todas as civilizações, o grande caminho da civilização brasileira é o rio São Francisco; é nas suas cabeceiras que pairam as grandes bandeiras". Daí surgir o desejo de realizar um livro sobre o rio, fartamente ilustrado, abrangendo em uma primeira etapa a parte que lambe Minas Gerais. Sob forma de diário ou caderno de anotações, procuramos registrar as nossas observações e emoções, às quais se somaram informações de caráter histórico, econômico, ecológico e cultural. O objetivo central foi o de documentar a rica realidade humana de uma das regiões de maior densidade histórica de Minas Gerais e de todo o Brasil. E esse objetivo só pôde ser realmente cumprido devido ao interesse e apoio da Secretaria de Transportes e Obras Públicas do Estado de Minas Gerais e da Belgo-Mineira, que se sensibilizaram com a situação do rio. A sobrevivência da cultura ribeirinha depende diretamente da sobrevivência do próprio rio. E é sempre bom lembrar que a vegetação nativa cobre apenas, hoje, um terço da outrora densa vegetação do Norte de Minas. Trata-se, na verdade, de um livro de viagens, um gênero que marcou enormemente a literatura e a ciência brasileira nascentes, ainda na primeira metade do século XIX. Com efeito, grandes naturalistas e geógrafos, como francês Auguste de Saint-Hilaire e o britânico Richard Burton, percorreram o rio, relatando minuciosamente tudo o que viram, para as gerações futuras. São informações relevantes sobre as populações ribeirinhas, seus hábitos, crenças e esperanças. Também a fauna e a flora da região foram fielmente retratadas por esses intrépidos viajantes, que não recuavam diante de nada, imbuídos que estavam de uma missão – a de estudar as coisas do Brasil. O gênero de literatura de viagem é tão marcante entre nós que, a rigor, o primeiro documento conhecido sobre o Brasil – a carta de Pero Vaz de Caminha, escrivão da frota de Pedro Álvares Cabral – foi também um recito de viagem. E as viagens simplesmente mudaram o conhecimento que os homens tinham do mundo. Hoje, é preciso reatar o fio da meada, buscando revelar ao país, mais uma vez, transcorridos quase dois séculos, a beleza de uma de suas mais importantes regiões. Por isso, confrontamos, sempre que possível, a realidade de hoje com aquela percebida pelos viajantes, estabelecendo um constante vaivém entre o mundo atual e o passado. Buscamos relatar em nossa viagem – implementada por via fluvial, evidentemente, mas também por terra, já que nem todos os trechos do rio são navegáveis e também por que queríamos ter um contato mais estreito com a população local - em um texto cronologicamente alinhado, organizado em função do ritmo e ao sabor da viagem. Em poucos dias, vivemos a vida de dezenas de pessoas, como se houvera transcorrido vários anos, tamanha a intensidade dos nossos contatos com as populações ribeirinhas. Foi nossa intenção destacar a realidade dessas populações, em luta constante por melhores condições de existência. Para o geógrafo Milton Santos, o drama social é sempre "mais visível através do território do que qualquer outra instância da sociedade". É o que confirma a experiência com o rio São Francisco. Como vivem essas pessoas, concretamente? Quais as suas crenças, as suas esperanças? Qual a sua cultura? Que lendas e mistérios existem na região? O que essas populações comem? No que elas acreditam? Como e em quê trabalham? São perguntas que mereciam respostas. E essas respostas pressupõem, esquematicamente, o aprofundamento de um certo número de questões, as quais tocam, fundamentalmente, à história da ocupação do rio e à formação do rico imaginário popular local. De outra parte, o livro procurou reproduzir receitas tradicionais da região, bem como descrever processos artesanais de trabalho, dando a palavra ao povo que cria e isso com o objetivo expresso de valorizar o homem ribeirinho. Foi o que procuramos fazer, com a única arma que estava ao nosso alcance: o olhar. Pois ver é fundamental, é o primeiro passo para o conhecimento, no entender dos antigos. Basta dizer que theorein vem de oran, que significa ver em grego, justamente. E agora chegou o momento de ver. Ivan Alves Filho. “E, CÁ DE RIBA, O POVO ESCUTOU A VOZ DELE LÁ LONGE, MUITO LONGE...EU VOU RODANDO RIO-ABAIXO, SINHÁ... EU VOU RODANDO RIO-ABAIXO, SINHÁ..." DE UM CONTO DE JOÃO GUIMARÃES ROSA ANDAR E SONHAR “O verbo da vida é andar”, sentenciou certa vez Álvaro Moreyra. A observação procede. Isso talvez tenha que ver com o arrependimento. Explico: o homem nunca se conformou muito com o sedentarismo. Ficar parado não é com ele. No fundo, o homem sente nostalgia dos tempos em que era nômade, quando caminhava solto pelo mundo, com a alma livre. É o que a História revela. Os índios Tupi do Brasil, ao perceberem que alguma força estranha os conduzia à sedentarização, trataram de inventar um mito – a Terra sem Males – para justificar as suas eternas andanças. Segundo o mito, era fundamental encontrar o Paraíso, localizado em algum ponto do atual território brasileiro, e não necessariamente no céu. Na Terra sem Males, juravam os sacerdotes então em confronto aberto com os guerreiros da tribo, os homens não careciam de procurar os alimentos, que caíam espontaneamente do céu. Ninguém precisava trabalhar para viver. Fabuloso, realmente. Mas era preciso andar. Andar o tempo todo. Era uma sociedade móvel aquela. E com isso evitava-se a formação de qualquer embrião de Estado. Sempre penso no mito da Terra sem Males quando viajo. E agora não está sendo diferente. O quê nos impulsionou, Maurício e eu, a realizar essa aventura pelo rio São Francisco senão a necessidade, por um breve momento que fosse, de reatar com um modo de vida nômade, andarilho, que ficou definitivamente alojado no passado do homem (mas que ainda povoa o seu inconsciente coletivo)? O antropólogo Claude Lévi-Strauss disse, na abertura do seu belíssimo Tristes trópicos, “odiar as viagens e os viajantes”. Logo ele, um estudioso das sociedades sem classes, andarilhas como todas as sociedades sem classes que se prezam. Mas, como entender os sábios, que tudo entendem? Não sei se odeio ou não as viagens. Apenas constato que elas ainda movem os homens, senão o mundo. O que encontraremos pelo caminho, não podemos saber ou sequer imaginar. Mas uma coisa é certa: viveremos por quase um mês a existência dos nômades, abraçando veredas, espiando as curvas dos rios, ouvindo o canto dos pássaros, olhando nos olhos das populações ribeirinhas, admirando a sagacidade dos peixes, desafiando os pantanais. E essa perspectiva é atraente, muito atraente, confesso. Pois se a vida tem mais de um verbo, este verbo é sonhar. 9 DE JANEIRO PIRAPORA – Viajamos do Rio para Beagá e daí para Pirapora. As cidades se sucedem: Pedro Leopoldo, Matosinhos, Sete Lagoas, Paraopeba. No caminho, muito milho e algum gado. E quase nada mais. A natureza só vai se mostrar um pouco mais rústica, perdendo parte de sua exuberância inicial, a partir de Curvelo e Lassance (onde existe, por sinal, uma bela igreja). Às proximidades de Pirapora predomina a mata, mas não vejo ainda nenhuma indicação de vegetação do tipo cerrado. Após sete horas de viagem, chegada a Pirapora, que em tupi significa “salto do peixe”. Fomos recebidos na rodoviária local por Heidavid, antigo seminarista, que logo nos inspirou confiança. A cidade é banhada pelo rio São Francisco. “A natureza adora esconder-se”, disse certa vez Heráclito. Isso, porque o filósofo grego não conheceu o rio São Francisco, esparramado à minha frente. UMA MAJESTOSA PONTE DE FERRO – A Ponte Marechal Hermes, de quase 700 metros de extensão faz a ligação de Pirapora com Buritizeiros, na margem esquerda do rio. Notei que o rio possui belas corredeiras naquele trecho. Aqui e ali, alguns pescadores de tarrafa em punho. Um deles faz pose para a lente do Maurício. Como os cientistas alemães Spix e Martius já haviam notado, na primeira metade do século XIX, “o rio São Francisco começa a encher em novembro, cresce até fevereiro, e começa abaixar de novo em março”. Até hoje é assim. Chegamos na boa hora. O município de Buritizeiros possui um dos mais extraordinários cemitérios indígenas do Brasil, citado pelo médico e naturalista austríaco Johann Emmanuel Pohl quando de sua passagem por ali, em 1820. O Cemitério da Caixa- D’Água é hoje um dos principais sítios arqueológicos do país. Pirapora começou a ser ocupada pelos portugueses no século XVIII, por intermédio de uma política de concessão de sesmarias na região. Há notícias de que várias bandeiras cruzaram o espaço de Pirapora atual por essa época, ou mesmo pouco antes. Mas os índios Cariri, provenientes do Ceará, opuseram uma grande resistência à penetração branca, até serem completamente destroçados. Distrito já em 1861, Pirapora tornou-se município no século seguinte. O RIO – Nascendo em Minas Gerais, mais precisamente na Serra da Canastra, no município de São Roque, o rio São Francisco torna-se realmente navegável somente a partir de Pirapora. É o terceiro rio brasileiro, após o Amazonas e o Paraná. E o décimo-oitavo do mundo. Descoberto a 4 de outubro de 1501, pelo navegante florentino Américo Vespúcio, a ocupação do rio São Francisco pelos portugueses se daria de forma relativamente rápida, diante das condições da época : já em 1522 surgia a vila de Penedo, às margens alagoanas do rio, por iniciativa de Duarte Coelho, o primeiro donatário de Pernambuco. No Regimento de Tomé de Sousa, certamente a primeira “Constituição” brasileira, a Coroa ordena às autoridades locais para que vasculhem as terras banhadas pelo rio São Francisco e verifiquem “que rios e águas há nelas, e quantas e que disposição tem para se poderem fazer engenhos de açúcar e outras benfeitorias”. E o Regimento aconselhava: “entrem no São Francisco com línguas da terra e pessoas de confiança”, como que antevendo a resistência oposta pelos índios. Fora isso, há informações de incursões militares na região são-franciscana por volta de 1550, sob o comando de Miguel Henrique, que combateria ali os índios Gê ou Tapuia. Em 1554, uma expedição comandada por Francisco Bruza Espinoza saiu de Porto Seguro, em demanda do rio São Francisco. Tendo acompanhado o grupo, o Padre Aspilcueta Navarro indicava, por carta datada de 24 de junho de 1555 e endereçada ao padre José de Anchieta, ter percorrido parte de “um rio mui caudal por nome Pará, que, segundo os índios informaram, é o rio de S. Francisco”. Com o tempo, grandes proprietários da fase colonial , como Garcia D’Ávila e Guedes de Brito, possuiriam levas de terra na região. O testemunho é do jesuíta André João Antonil, no início do século XVIII. Diz ele: “A Casa da Torre tem duzentas e sessenta léguas pelo rio de São Francisco acima, à mão direita, indo para o Sul; e indo do dito rio para o Norte chega a oitenta léguas. E os herdeiros do Mestre de Campo Antonio Guedes possuem, desde o Morro do Chapéu até a nascença do Rio das Velhas, cento e sessenta léguas”. Contrariamente ao que imaginavam as autoridades coloniais, a ocupação da área se daria, sobretudo, por meio da criação de gado. Introduzido de Cabo Verde e da Ilha de São Tomé, na África, do gado bovino tudo se aproveita. Além da carne e do leite, aproveitam-se ossos, cascos, chifres. E, de certa forma, o gado fixa o homem à terra são-franciscana. A descoberta do ouro em Minas Gerais, paradoxalmente, não beneficia esse rio mineiro, uma vez que o comércio de Minas toma o caminho do Rio de Janeiro, nova capital colonial e sede de importante porto marítimo. Além do que, a Coroa temia as atividades de contrabando no sertão, proibindo o comércio na região já em 1701. Foi para efetivamente assegurar o controle sobre a região que Portugal criou, em 1720, a Capitania de Minas Gerais. Como escreveu Wilson Lins, “inteiramente ilhados dentro do sertão sem dono, aqueles homens que procediam da Bahia, de Pernambuco, de São Paulo e até de Goiás perdiam contato com o resto do mundo para se tornarem apenas são-franciscanos”. E a História ensina que o Velho Chico resistiu, abraçando hoje cerca de 150 cidades e localidades, onde vivem mais de dez milhões de brasileiros. E isso não é pouco. ROTÍLIO MANDUCA E CARLOS LAMARCA – Logo que deixamos Buritizeiros, Heidavid nos conduziu ao sítio de D. Geralda Manduca, localizado a apenas 150 metros do rio. Nascida em Araçatuba, São Paulo, mas de origem mineira e baiana, D. Geralda criou os doze filhos na beira do rio, onde mantiha uma pensão. Ela conta que, normalmente, as pessoas aguardavam o trem para Belo Horizonte, São Paulo e outros pontos na própria pensão. O marido trabalhava na companhia de navegação, como fiscal de porto. Toda uma vida em função do rio São Francisco. Para se fazer uma idéia melhor, basta dizer que a cidade chegou a ter cerca de 30 embarcações, na década de 40. Ora, esse intenso movimento fez a grandeza e, também, a decadência do rio, uma vez que o combustível do vapor era a lenha, provocando o desmatamento que se vê hoje na região. As matas ciliares, pela sua própria proximidade com o rio, eram as mais atingidas pelos cortes de madeira. A tragédia do rio São Francisco teve início justamente aí. O primeiro vapor a navegar no rio São Francisco foi o Saldanha Marinho, em 1871. Antes, o rio pertencia às canoas indígenas e às barcas. Essas últimas deram surgimento às célebres carrancas, um verdadeiro símbolo do rio. - Havia gaiolas que carregavam 300, 400 pessoas, lembra um dos filhos de D. Geralda, Paulo Barreto, que trabalha em uma ONG ambiental em Pirapora e defende a retomada da navegação hidroviária. Somente a tripulação computava cerca de 40 pessoas, entre marinheiros, chefe de máquinas, contra-mestre, foguista, caldeireiros, taifeiros... Além do transporte de passageiros, havia também o transporte de cargas, gêneros alimentícios e outros. Nunca é demais lembrar que as gaiolas eram as embarcações a vapor tradicionais do rio São Francisco, aquelas das poéticas rodas d’água. Hoje, apenas uma delas, o Benjamin Guimarães, está em condições de voltar a navegar. Em tempo: durante a conversa com D. Geralda, tomei conhecimento de que ela era sobrinha de ninguém menos que Rotílio Manduca, personagem de Guimarães Rosa em Grandes sertões, veredas. Rotílio inspirou o temível Zé Bebelo, um homem de indiscutível coragem pessoal. Outro personagem célebre que teria passado por Pirapora seria o ex-capitão do Exército e líder guerrilheiro Carlos Lamarca. - Há uma história que o capitão Lamarca desceu por aqui naquela época, foi quando se passou a pedir a identidade dos passageiros, que até então não era exigida, explica Paulo Barreto. OS PROBLEMAS DO RIO – O ambientalista Paulo Barreto critica o plantio desordenado na beira do rio e considera que o problema maior do São Francisco está em suas nascentes e veredas, hoje largamente contaminadas. E o pior é que as famílias ribeirinhas consomem água poluída, irrigam suas roças com ela. A solução, garante, estaria na proteção das matas ribeirinhas. A mata ciliar, diz, “está para o rio como os cílios estão para os nossos olhos, é a proteção dele”. A mata ciliar funciona como verdadeiro filtro do material que vai sendo desviado das chuvas. Mas há ainda uma outra questão séria: a esmagadora maioria dos municípios da bacia hidrográfica do São Francisco não possui rede de esgoto. Poluição, desmatamento, assoreamento talvez tudo isso já esteja hoje acima da capacidade de diluição que o próprio rio possui. Aliás, em 1867, o aventureiro britânico Richard Burton já se espantava com “a fumaça das queimadas”. O interesse federal pelo rio São Francisco é recente: data da redemocratização política do país, em 1946. De lá para cá, com exceção de algumas poucas obras de infra-estrutura, quase nada tem sido feito pelo Governo Federal na região, que segue sendo uma das mais abandonadas do país. O Governo de Minas Gerais, no bojo da comemoração dos 500 anos do rio em outubro de 2001, tem manifestado interesse crescente na sua revitalização, incentivando as prefeituras locais a terem uma maior participação na sua recuperação. 10 DE JANEIRO UMA VISTA EXCEPCIONAL – A jornada começa cedo e, por volta das oito horas da manhã, já nos encontramos na casa de Oscar Barreto, também ele filho de D. Geralda Manduca. Primeiramente, a casa. Dificilmente haverá, na cidade de Pirapora, uma vista tão bonita quanta aquela que desfrutamos dessa casa debruçada sobre o rio São Francisco. Lá de cima há uma profundidade de campo de causar inveja aos pintores renascentistas italianos. Personalidade local, ex-dono de restaurante na beira do rio por mais de 20 anos, Oscar Barreto se expressa bem e tem uma visão do rio semelhante àquela de seu irmão, Paulo. Para ele, as pessoas, quando desmatavam as margens do rio para obter lenha para as embarcações a vapor, “não tinham a menor noção do desastre que estava se armando”. Vale dizer, as madeiras eram tão abundantes que ninguém se preocupava em procurá-las em algum outro lugar que não fosse a beirada dos rios. Ora, com o desmatamento, a areia não ficava presa mais às margens, indo se alojar dentro do leito do rio. “Há partes do rio com apenas um metro e meio de água”, lamenta. Não estamos falando de lama (um rico nutriente, aliás, para o rio, que costuma ir buscá-la nas margens) e, sim, de desmatamento, de desbarrancamento, sobretudo. Oscar espera um milagre: o renascimento do rio. “A integração da região Norte com o Centro-Sul se dava pelo rio São Francisco”, lembra, saudoso. CARRANCAS – Carrancas são esculturas usadas nas proas dos barcos para espantar os maus espíritos do rio São Francisco. Hoje, elas possuem um caráter meramente decorativo, mas imperaram por quase um século nas barcas que deslizavam nas águas do rio. Como eram feias, espantavam mesmo, não havia espírito que ousasse chegar perto das embarcações. E olha que espírito é o que não faltava – como não falta ainda - no São Francisco. O inglês Richard Burton, que desceu o rio em uma canoa na segunda metade do século XIX, enumerou quase uma dezena deles: Goiajara, Angaí, Capetinha, Mãe-d’água, Minhocão e por aí vai. “A carranca bem feita, quando é vista no espelho d’água, se mexe como coisa viva”, já dizia o mestre Guarany. . A originalidade das carrancas reside exatamente na sua feiúra, que tem de ser superior à feiúra do próprio monstro que ela pretende espantar. Mas é possível conjeturar que as carrancas tenham tido também, desde o início, uma dimensão estética. Ou até mesmo de propaganda, uma vez que as barcas, um serviço comercial, se faziam anunciar pelas carrancas na proa. O lúdico e o utilitário. Também a beleza das carrancas residia, paradoxalmente, na sua feiúra. Oscar Barreto tem belas carrancas e nos permitiu fotografá-las. Algumas delas foram talhadas em umburama de cambão por um artesão chamado Expedito. Da umburama de cambão se faz também a canga do boi. Madeira de lei, ela é ao mesmo tempo leve e resistente. Expedito costuma trabalhar sem emenda, isto é, talha direto em peça única, sem etapa. MAIS UMA VEZ, ROTÍLIO MANDUCA - Abordei com o Oscar a história de Rotílio Manduca. O quê sabia sobre ele? Bem, Rotílio nascera em Remanso, na Bahia, e viera para Minas Gerais no início do século XX, ao mesmo título que seu irmão, Pedro. Era coronel de patente comprada. Escalado para combater os cangaceiros, resolveu se unir a eles e acabou sendo perseguido também. Morreu dentro de um vapor, na cidade da Barra, na Bahia. Deixou uma filha, Indígena do Brasil, tia de Oscar, que teve de trocar de nome, por causa das perseguições que passou a sofrer. Indígena do Brasil passou a se chamar Fidalga – exatamente o seu contrário. Morreu no ano 2000. Seu pai lhe deixara cerca de dez mil alqueires de terra no município de Formosa, em Goiás. Mais uma informação interessante: a casa onde Rotílio se escondera da polícia por cerca de 20 anos ainda continuava de pé, no caminho para Ibiaí. SURUBIM NA BRASA, A RECEITA - Eu não poderia ir embora sem pedir ao mestre-cuca Oscar uma receita de surubim na brasa, ou churrasco de surubim. Então lá vai: Cortar o filé de surubim em postas de dez centímetros (normalmente a espessura é de cinco centímetros). Temperar o peixe com limão, leite de coco e sal a gosto. Ao levar o peixe para assar, nunca colocá-lo direto na brasa, e sim em um ponto mais alto, para que seja assado apenas com o calor do fogo. À medida que o surubim for assando, pincelar com manteiga de leite ou, então, manteiga de garrafa, o que é ainda melhor. Quando o peixe começar a secar, pincelar de novo, até que ele adquira um tom amarelado, sinal de que está chegando no ponto. O ideal é servir com o pirão do próprio peixe. Para obtê-lo, pegar o espinhaço do peixe (isto é, o que sobrou após a retirada do filé) e pôr para cozinhar, passando depois na peneira, tirando aquele caldo ou aquele resto de carne que fica entre os ossos do peixe. Depois, é só engrossar as sobras do espinhaço com farinha e está pronto o pirão. DAVID MIRANDA – À tarde, encontro com David Miranda, mestre carranqueiro dos mais conceituados da região são-franciscana e que trabalhou com Guarany, considerado o pai da carranca moderna, decorativa. Como ele define a carranca? - É uma estrutura disforme, antropomorfa. Mas não representa nenhum animal preciso, para dizer a verdade. David acredita piamente nos poderes protetores das carrancas: - Se a pessoa tem uma crença, isso acontece. As carrancas não podem perder esse vínculo com o mistério, esse primitivismo. A carranca, apesar de ter uma cara feia, é muito bonita, filosofa. Para ele, a melhor madeira para se talhar a carranca é o pequizeiro. “Ela não racha”, assegura, “só superficialmente, profundamente não”. David faz carrancas desde 1964, mas agora anda sem tempo, já que é o chefe da banda de Pirapora. Mas não tem sequer uma carranca em casa para nos mostrar. “A banda me absorve muito”, desculpa-se. Tomando embalo da conversa com o David Miranda, vou visitar a Associação dos Artesãos, hoje inteiramente representada pelos carranqueiros. O objetivo dos artesãos ali reunidos – cerca de 20 profissionais, inclusive algumas mulheres e crianças, que trabalham peças mais leves –é o de resgatar as tradições culturais e, também, lutar pelo barateamento do preço das madeiras. Os carranqueiros trabalham no próprio balcão montado pela Associação. Uma peça de um metro e meio é talhada em apenas dois dias, em média. O Maurício comprou duas peças de cortar o fôlego (uma delas, em sucupira, pesa cerca de 130 kg!) e eu comprei um pequeno São Francisco que só falta falar, tamanha a expressividade do seu olhar. PEPEH, CANTOR BARRANQUEIRO – Volto para a beira do rio, em demanda do músico Pepeh, que eu conhecera poucas horas antes na Secretaria de Cultura. Pepeh é o próprio barranqueiro, um homem do rio. Nascido na cidade de Barra, na Bahia, emigrou aos sete anos de idade para Petrolina, em Pernambuco, onde considera que a sua personalidade musical se moldou, no repique do repente. “Captei esse sentimento da barranquice”, afirma. Aos 14 anos, estabeleceu-se definitivamente em Pirapora, plantando sua casa na frente do rio. E novas experiências musicais foram sendo absorvidas, com destaque para a toada mineira, as serestas e o samba carioca, introduzido na região do São Francisco pelos marinheiros que vinham trabalhar na capitania dos portos. Sua música barranqueira, melodiosa e calma, tem versos profundamente líricos: “Quem me dera que eu fosse um riacho correndo e você leito doce o dia amanhecendo...” É preciso ter um pouco mais de confiança na geografia. Pois ela apresenta, muitas vezes, soluções melhores que aquelas estampadas pela própria história. Na verdade, o homem parece que busca, constantemente, desprezar o habitat, criando fronteiras artificiais. Isso ocorre na África, na Ásia e também na América Latina. Mesmo a Europa unida não está imune aos caprichos da história. Acredito cada vez mais em um mundo de regiões, no qual as pessoas vão sendo moldadas ao sabor da natureza. Brasileiro ou argentino, o Pampa não deixa de ser o Pampa, de horizonte infinito. Italiano ou austríaco, o Tirol é sempre o Tirol, com suas montanhas magníficas, seus desfiladeiros que fascinam e metem medo. E a mesma coisa diríamos da Patagônia, do Himalaia e – por que não? – da região são-franciscana, unidades culturais desenhadas pela força de uma natureza comum. O mundo das regiões talvez se imponha um dia ao mundo das nações. O verdadeiro entrelaçamento cultural passa pelas regiões. Artistas como Pepeh talvez simbolizem esse novo tempo, de homens menos partidos, mais naturais. Um tempo em que o sentimento de região finalmente possa florescer. Pepeh vai longe, seguindo as águas do Velho Chico. A conversa na casa do Peph, que teve uma de suas músicas selecionadas em um CD sobre o São Francisco, juntamente com Caetano Veloso e Sá e Guarabira, fluiu tranqüila, à maneira do rio São Francisco. À mesa, muitos contaram “causos” e as mais exageradas histórias de pescadores. Guardei um “causo” de um pescador que tinha avistado pela manhã, realmente digno de registro. Conto o milagre, mas omito o nome do santo, como se diz . Foi assim. Um homem estava pescando, mas estava pescando um peixe tão forte que acabou tendo de largar o anzol. A substituição do anzol por um outro com uma corda bem resistente amarrada na ponta tampouco resolveu o problema. O jeito foi tentar pegar o peixe com um anzol de ferro, com uma espécie de corrente de ferro no lugar da linha. Mas o peixe continuava puxando, obrigando o pescador a amarrar a corrente em volta de um bloco de pedra, bem na curva lá do rio. E o peixe o que fez, então? “Endireitou o rio”, disse o nosso imaginativo pescador, “que voltou para o seu curso normal”. Quer dizer, o peixe desentortou o rio todo... OS VARGAS DE PIRAPORA – Também há Vargas em Pirapora – nem só de São Borja vive o famoso e influente clã. E os Vargas de Pirapora nada têm que ver com a política – mas pintam e bordam. Mesmo. Literalmente. É que estamos falando de uma família de artesãos, reunindo um pintor, uma escritora, diversas bordadeiras, não necessariamente nessa ordem. D. Antônia Dumont é a matriarca da família. Um pouco tímida no início, pouco a pouco foi desabrochando – pois D. Antônia Dumont possui a delicadeza de uma flor. Aprendeu a bordar ainda menina e dá aulas de bordado nas escolas da cidade. No começo dos anos 90, diz ela, “todo mundo resolveu bordar”, surgindo assim uma parceria com os filhos Demóstenes, Marilu, Ângela, Sávia e Martha. O grupo escreve e ilustra histórias infantis. O último livro de Jorge Amado, A bola e o goleiro, foi todo ilustrado pelo clã. Muitas dessas ilustrações têm por base os bordados. D. Antônia Dumont se inspirava nos materiais que coletava nas revistas. “Tenho um arquivo volumoso, de mais de 40 anos”, afirma. Aliás, o escritor irlandês Oscar Wilde considerava o bordado a maior das artes, aquela que exigia maior destreza do ser humano. D. Antônia Dumont botou a família toda na linha... Demóstenes Vargas, o filho, não fugiu à regra. É ele quem faz os desenhos para a mãe bordar. Mas às vezes borda também. Nisso, segue uma tradição bem mineira. Afinal, os homens bordavam em Minas na época colonial. Vejamos esse trecho do belíssimo poema pastoril Marília de Dirceu, em que o conjurado Tomás Antônio Gonzaga, do fundo de uma masmorra, declara: “ Vou-me, ó Bela, deitar na dura cama, De que nem sequer sou o pobre dono: Estende sobre mim Morfeu as asas, E vem ligeiro o sono. Os sonhos, que rodeiam a tarimba, Mil coisas vão pintar na minha idéia; Não pintam cadafalsos, não, não pintam Nenhuma imagem feia. Pintam que estou bordando um teu vestido; Que um menino com asas, cego, e louro, Me enfia nas agulhas o delgado, O brando fio de ouro. “ - Interessante isso - diz Demóstenes, ao saber das inclinações de Gonzaga -, pois o homem que borda passa, geralmente, por um processo de solidão, de grande questionamento interno. Demóstenes tem 42 anos. Estudou artes plásticas em Belo Horizonte, com antigos alunos de Guignard. “O meu trabalho tem tudo que ver com o dele”, confessa. De fato, as semelhanças são muito grandes. Em ambos, o romantismo, a pureza das formas, a singeleza dos conteúdos. Tanto nos trabalhos de Guignard quanto naqueles de Demóstenes e de todo o clã, as casinhas coloniais mineiras parecem que vão desabar a qualquer momento das encostas, de tão delicadas que elas são. Eu concebo o trabalho, faço os desenhos para a minha mãe bordar. Mas é um trabalho livre, pois é ela quem escolhe a cor, o pano, o estilo de bordar, pois cada pessoa tem um jeito próprio de bordar, assegura Demóstenes, que estudou ainda artes plásticas durante alguns anos em Varsóvia, Polônia. Há quem considere, como a poetisa Cecília Meireles, que o Alvará de 1785, ao proibir o uso de teares no Brasil, atingiu em cheio a arte dos bordados. Para as autoridades metropolitanas, cetins e tafetás conspiravam contra a ordem vigente. Mais: o famigerado documento teria inibido a prática do bordado até nossos dias. Pode ser. Nesse caso, a atitude só poder ser uma: Inconfidentes, uni-vos! ENTRA EM CENA O PAI - Demóstenes pai não é artista – só torce pelo sucesso da família. Mas conhece como poucos os problemas do rio São Francisco. Denuncia, por exemplo, o massacre cometido contra o cerrado e as veredas, diminuindo assim o volume de água do rio. Pois os cerrados são grandes retentores de água. E aponta para um outro problema: as estradas vicinais construídas com técnicas precárias, que acabam funcionando como canaletas, conduzindo a água para os córregos em grande quantidade e em grande velocidade, provocando enormes enchentes. Curiosamente, Demóstenes é contra o reflorestamento artificial. E diz porque: - O caminho correto implica impedir que o fazendeiro derrube árvores, faça pasto na beira do rio. É o mais prático. Aí, quatro anos depois, como não vai haver roça, vira tudo capoeira. Com 20 anos, já temos um capoeirão. E, com 50, é mata de novo. Então, a mata se forma sem nenhuma despesa e de maneira absolutamente natural. 11 DE JANEIRO NAVEGANDO PELO VELHO CHICO – Hoje pela manhã saímos de barco pelo Velho Chico. Apesar de ser o período das precipitações pluviométricas, não chovia há dias na região e este fato nos animou bastante. Pelo menos na saída de Pirapora, as águas do rio são limpas e há uma grande presença de mata ciliar. Sobretudo na margem esquerda do rio. Trata-se de uma mata muita bonita, e de vez em quando a paisagem natural é interrompida pela presença de uma ou outra casinha de sapê escondida na mata. Nessa época do ano há muitas plantações nas vazantes, ou seja, aquelas partes mais próximas das margens do rio. No trecho de Pirapora, há cerca de 350, 400 metros de uma margem a outra do rio. Em outras partes, o rio chega a atingir 800 metros de largura. Com apenas dez minutos de viagem começam a aparecer sinais de poluição no rio, devido à proximidade de indústrias, junto à sua margem direita. Há claramente dejetos químicos na água, cuja profundidade, nesse trecho, é de apenas três metros. Pouco mais adiante, avistamos uma embarcação de sucção, que retira areia e cascalho do fundo do rio para venda. Assim que ultrapassamos a área das indústrias e do pequeno porto, as águas se tornam um pouco mais limpas novamente, apesar de manterem uma coloração barrenta. Dênio, o barqueiro, conduz agora o barco do meio do rio para a sua margem esquerda e com isso podemos apreciar ainda melhor a natureza. Impressiona a exuberância das árvores. O tamboril é a árvore de copa mais alta e generosa da região e sua madeira é utilizada na fabricação dos barcos que navegam pelo São Francisco. Quanto ao jatobá, outra árvore muito frondosa, ele está muito mais presente nos afluentes do São Francisco. Os antigos navegantes costumavam se guiar pelas copas das árvores, as mais altas delas lhes servindo de guia. O nosso barqueiro acredita piamente na força sobrenatural do rio. -A gente sente, em determinados lugares, uma certa força positiva ou, mesmo, negativa. Eu já pude observar isso. Há alguma coisa. Navego há mais de 20 anos e notei isso. Esse rio é um rio místico. O vento começa a bater mais forte, provocando uma agradável sensação de liberdade e agitando muito as águas. Com meia-hora de trajeto, a uma velocidade média de 30 km, nos deparamos com um acampamento dos sem-terra, que lutam há um ano pela regularização de sua situação junto aos órgãos federais. A área está toda plantada: tomate, pimentão, abóbora, milho, mandioca, todos os gêneros de primeira necessidade do povo brasileiro. A cada dois ou três quilômetros, em média, avistamos, em ambas as margens, pequenos ranchos, todos plantados. As pessoas só plantam nas vazantes. Na época das chuvas é impossível plantar. Dá para sentir que a população barranqueira é trabalhadora. Há algumas ilhas no rio. Mas são poucas as que realmente vingam, ou tornam-se habitáveis. A maioria é engolida pelas águas e tem vida efêmera. A solidão do rio é grande. Levamos mais de 20 quilômetros até cruzar com uma canoa, conduzida por três remadores. Apesar de o rio São Francisco ser muito piscoso, os peixes permanecem bem abaixo da linha das águas, limitando-se a saltar nas áreas de cachoeiras ou encachoeiradas. Estamos distantes cerca de 40 km de Pirapora e Dênio afirma que, exatamente nesse trecho, encalhou com um ilustre passageiro a bordo: Luís Ignácio Lula da Silva. É que o rio não estava com mais de 80 centímetros de profundidade. E talvez, ainda, pelo fato de lula não se criar bem em água doce... As margens do rio voltam a apresentar sinais de sujeira. Mas não se trata de poluição. Acontece que o rio subiu e, à medida que ele foi descendo, foi também trazendo grandes quantidades de barro dos barrancos. Realmente, os barrancos estão altos, sinal de que o rio andou baixando. Eles podem atingir até cinco metros de altura. É interessante observar que, no trecho mineiro, o São Francisco possui muito mais afluentes do que em outras partes, o que permite renovar ou “lavar” mais as suas águas, evitando com isso o acúmulo de mais dejetos ou poluição. Fora isso, o rio é muito regulado pela represa Três Marias: quando enche a represa, enche também o São Francisco. Na época da cheia, a água passa a quase oito km por hora, quadruplicando, por vezes, a sua velocidade normal. Noto que as duas margens do São Francisco desenham como que duas manchas verdes, paralelas. O rio não parece estar muito desbarrancado por aqui. O babaçu está muito presente na paisagem. Constatei a mesma coisa em 1982, no Norte de Goiás, praticamente dominado por essa bela palmeira. O babaçu parece estar espetando o céu. O CANAL DO RIO DAS VELHAS – Após uma hora e meia de viagem, nos deparamos com a Serra do Cabral. Ela comportaria uma das maiores reservas de diamantes do mundo, o que já teria sido devidamente detectado por sucessivas equipes de geólogos e engenheiros especializados. Seja como for, começamos a deixar o rio São Francisco e entramos no canal do rio das Velhas, um rio de águas muito sujas. Acontece que Belo Horizonte, distante cerca de 300 quilômetros daqui, despeja seus esgotos no rio das Velhas. Mas o próprio rio vai processando a limpeza das suas águas a partir do seu movimento e, já à altura de Lassance, ele começa a ficar mais limpo. Mesmo assim, o rio das Velhas chega em estado lamentável nas proximidades do rio São Francisco. O desbarrancamento aqui é grande. A árvore que mais resiste é a mangueira, cujas raízes são muito profundas. “O porto não passava de uma barranca devidamente recoberta de vegetação”, escreveu o inglês Richard Burton a propósito da Vila do Guacuí, na segunda metade do século XIX. Continua tudo igual: visitar Guacuí significa ter disposição para enfiar o pé na lama e levar escorregões. Mas compensa e como! A IGREJA SURREALISTA DE FERNÃO DIAS – Fica em Barra de Guaicuí e é um verdadeiro delírio. É que lá se encontram as ruínas da igreja de Pedras Bom Jesus de Matosinhos, uma obra inacabada, concebida pelos jesuítas na segunda metade do século XVII. Fernão Dias Paes, o caçador de esmeraldas, teria passado por ali. Até hoje não se sabe bem por que motivo os padres abandonaram a construção. Teriam sido atacados pelos índios? Tudo é possível. Mas uma coisa é certa: a igreja é uma das construções mais formidáveis que alguém possa ver na vida. Curiosamente, se fosse restaurada um dia - o que duvido – não provocaria tanto impacto como agora. A particularidade maior da igreja é que ela possui – literalmente – uma árvore plantada no seu topo. A árvore simplesmente dominou a construção, com o passar dos anos, atestando a força da natureza, em eterno confronto com o homem. Ela germinou ali. E o tronco continua a crescer, isto é, as raízes continuam a descer, escorrendo, em espetáculo alucinante, pelas paredes inacabadas da Igreja. É a natureza e é, também, Salvador Dalí. As paredes da igreja são de pedra, mas as suas colunas são de pedra-sabão. Ora, pelo menos hoje não existe pedra-sabão por aqui. Deve ter sido trazida de outras partes de Minas especialmente para ser utilizada na construção da Igreja. Há uma lenda que diz que o caboclo d’água mora há 200 metros das ruínas da Igreja de Guaicuí. Mas o duende não deu o ar de sua graça. Há construções interessantes na região, no estilo tradicional mineiro ou bandeirante. Muitas são alpendradas. Mas, somente na margem direita do rio. A outra margem é muita alagadiça, inviabilizando a construção. Na pequena vila estaria enterrado Fernão Dias Paes, na igreja de taipa de Porteiras. Bandeirante dos mais determinados, Fernão Dias não recuava diante de nada: mandou enforcar o próprio filho, que, segundo ele, ameaçava o seu poder sobre as bandeiras e, acima de tudo, ambicionava o ouro que ele já havia amealhado em suas andanças e disputas... A população de Guaicuí é composta de pescadores e descendentes dos antigos tangedores de gado da região. A pobreza é grande por ali. PIRAPORA, O RETORNO – Quando estávamos entrando de volta no rio São Francisco, surgiu uma garça da margem esquerda. O pássaro decidiu acompanhar a nossa canoa, voando apenas dois ou três metros à nossa frente, antes de alçar vôo de vez. Foi uma cena bonita, em que o pássaro mais parecia um batedor. Todos nós nos sentimos muito importantes. A subida do rio é mais lenta, já que ela se dá contra a corrente. A conversa passa a girar em torno dos peixes do rio (que evitam a correnteza, justamente). Além de surubim, tem piau, piaba, mandim, curimatá, uma grande variedade. E existem dois tipos de piranha, a branca, que ataca, e a amarela, que não ataca o homem. Pelo que os pescadores afirmam, quando as águas das lagoas esquentam, as piranhas ficam, digamos, excitadas, e saem cortando tudo que vêem pelo caminho. Senão, as pessoas pescam piranhas normalmente, com linha, na beira do rio. Sem problema algum. Navegar no São Francisco não é perigoso. Os animais, por exemplo, nunca se aproximam das embarcações. Mas há exceções: o mergulhão ou biguá ataca os homens nas embarcações. É um grande predador. De toda forma, é preciso ter cuidado também com os bancos de areia, pois podem virar os barcos. O barqueiro reconhece pé do banco, o raso, pelo risco que ele faz no rio. Nós mesmos constatamos isso várias vezes. LENDAS E TRADIÇÕES - “A lenda é como o limo que enverdece a pedra, nasce não se sabe donde, nem quando, nem como...” Quem assim se exprime é Renato de Almeida, estudioso da cultura popular brasileira. Não obstante, a lenda do “minhocão” tem endereço preciso: nasce das águas barrentas–e essas, juntamente com a beleza delas, formam a única certeza que temos. No rio São Francisco a lenda do “minhocão” é uma das mais incríveis. Trata-se de um “minhocão” mesmo, mas que também vira surubim, de mais de 300 anos, que derruba barrancos e vira a embarcação. É o senhor das águas. Os habitantes da região garantem que há um caboclo d’água em Guaicuí assim como há uma mãe-d’água em São Francisco, no fundo da cachoeira... Lenda é o que não falta na região. De fato, dos apavorantes lobisomens às terríveis mulas sem cabeça, e dessas às envolventes mães-d’água, dir-se-ia pode-se que no rio São Francisco tudo nasceu para acabar em lenda. Nesse sentido, a nossa conversa com o Sr. Gregório foi muito esclarecedora. Exemplar, até. Antigo catador de diamante, 78 anos de idade, esse senhor conhece histórias saborosas sobre o rio. Pergunto de chofre: - O senhor já viu o caboclo d’água? A resposta também é dada de chofre: - Já vi. Ele apareceu no meio do rio, diante do povo quase todo do vapor, do Venceslau Brás, um dos maiores que tinham por aqui. Foi no dia em que o pessoal foi localizar a barragem do Sobradinho, na Bahia. Uma gente com muito estudo. Quando ele apareceu lá, correu todo mundo para tirar fotografia dele. “Tirem uma fotografia desse cara”, gritavam. E bate foto daqui, bate foto dali. Correu todo mundo pra frente do vapor e o vapor quase afundou. “O vapor vai virar, gente, pelo amor de Deus!”, gritou o caboclo d’água, avisando todo mundo. Chegou a entrar dois metros d’água embaixo do vapor. O caboclo d’água é uma pessoa. Ele tem o cabelo caído nos ombros, é pequeno, um menino assim “pequenozinho”. - E o que ele faz? - Ele roda, roda, remexe as águas do rio. Não faz maldades, mas faz travessuras. As pessoas têm medo dele porque ele é invisível. No outro dia, quando revelaram as fotos não deu nada. Ele não é desse mundo não. O senhor sabe o que é o caboclo d’água? Ele era um vaqueiro velho, que morreu. Ele ajuda as pessoas, os pescadores. Hoje ele é uma alma. Mas ele se apresenta como pessoa e conversa como pessoa. Isso é provado. Depois, ele some. Os “causos” foram se sucedendo. Teve história da Iara, história de aparição de escravo supliciado pelo senhor. Ah, Sr. Gregório, o mundo ficaria mais triste sem o senhor e suas histórias! Mais: ele é uma garantia de que as histórias continuarão por muitos e muitos anos mais. Afinal, o nosso contador teve 19 filhos, 92 netos e 45 bisnetos. Isso, até agora. Mas essa já é uma outra história. 12 DE JANEIRO A CASA DE ZÉ BEBELO – Deixamos Pirapora, rumo a Ibiaí. De carro. No meio da viagem, a três km de Lagoa dos Patos, passamos pela casa de Rotílio Manduca, temido coronel-jagunço, amigo e personagem de João Guimarães Rosa: “... Zé Bebelo era inteligente e valente. Um homem consegue intrujar de tudo; só de ser inteligente e valente é que muito não pode. E Zé Bebelo pegava no ar as pessoas. Chegou um brabo, cabra da Zagaia, recomendado. – “Tua sombra me espinha, Juazeiro!” – Zé Bebelo a faro saudou. E mandou amarrar o sujeito, sentar nele uma surra de peia. Atual, o cabra confessou: que tinha querido vir drede para trair, em espreita encobertada. Zé Bebelo apontou nos cachos dele a máuser: estampido que espatifa – as miolagens foram se grudar longe e perto. A gente pegou cantando a moda-do-boi...” Também Diadorim, ajudante de ordem de Rotílio Manduca, morou naquela casa “...Diadorim a vir – do topo da rua, punhal em mão, avançar...”. A morada, de taipa, fora toda reformada. Fica à beira do São Francisco. Existem ainda alguns móveis da época de Rotílio e o que mais me impressionou foi o velho lustre de madeira, na realidade um maravilhoso trabalho em talha. Hoje, a morada foi transformada na sede da moderna Fazenda Baluarte. Rotílio Manduca se escondeu ali durante cerca de 20 anos. Marta de Jesus Dourado, que toma conta da casa, diz que Rotílio “era muito lutador, um pouco de jagunço”. Ela se lembra ainda de duas frases escritas pelo próprio Rotílio, reproduzidas à mão em duas paredes da casa, hoje caiadas de branco. Diz a primeira: “Viver você já sabe, viver é muito perigoso”. A outra era assim: “Você conheceu aquele menino, vestido de cidadão, tipo batalhão, de mãozinhas pequenas, pezinhos pequenos, depois de 1.200 mortes no ano, do Grande Sertão Veredas. Guimarães Rosa agora paz”. O mais curioso é que Marta de Jesus Dourado – uma mulher cujo porte altivo e digno nos remete a algo que só podemos definir como uma nobreza popular –guardou tudo isso de cor, na memória, por mais de duas décadas. Apesar de ficar à beira do São Francisco, a casa de Rotílio Manduca nunca sofreu com as constantes enchentes do rio. Os moradores da área atribuem isso – uma vez que as enchentes não poupavam as outras propriedades – a uma velha carranca plantada a poucos metros da margem do rio. “O rio enche, mas não passa até hoje da carranca de jeito nenhum”, é o que se ouve dizer. Quem somos nós para discordar – “...que las hay las hay...” Retomamos o caminho de Ibiaí, atingimos o povoado de Barreto do Campo. Ali, Maurício fotografa uma família de roceiros. O Brasil dos grotões, de um passado ainda presente. Mais adiante, garboso em seu cavalo, perfila-se na nossa frente mais um personagem de Guimarães Rosa. Alguém que certamente escapuliu de alguma página de livro e que o povoado de Barreto do Campo capturou, sem mais delongas. Grande sertão. CHEGADA A IBIAÍ - Ibiaí tem uma pracinha de conto de fadas. Uma verdadeira tela naïf às margens do São Francisco. Conhecido inicialmente por Extrema, depois Borda do Rio, o lugar é bem antigo. O famoso Mapa da Capitania de Minas Gerais com suas divisas e comarcas”, datado de 1778, já incorpora a “Fazenda da Extrema”. Ibiaí viveu muitos anos do comércio de sal e da criação de gado. Hoje, depende muito da ajuda federal. Puxo conversa com as pessoas que estão sentadas nos bancos da praça, uma delas o ex-prefeito Ranulfo Macedo, o idealizador da praça, justamente. O homem pegou a cidade com pouco mais de cinqüenta casas em 1960 e planejou o seu crescimento. Hoje, Ibiaí tem mais de duas mil casas. “O Senhor é, então, o JK de Ibiaí”, brinco com ele. E o sorriso vem largo. Uma roda se forma e o assunto é o rio e seus dramas. Sua morte tantas vezes anunciada. Tantas vezes adiada. Um pescador, Adelino Pereira Lima, afirma que as lagoas são o principal problema. - O peixe desova na lagoa. O peixe cria na lagoa e vai pro rio depois. Manter viva as lagoas, recuperar as suas águas com um equipamento possante já seria resolver grande parte do problema. Até as aves voltariam ao rio, para pescar. Não existe lugar melhor para se criar os peixes do que as próprias lagoas, afirma. O povo ribeirinho sabe das coisas – só precisa ser ouvido com mais atenção. Na mesma praça, conversamos com Marco Amorim Ximenes, veterinário de Belo Horizonte e que se fixou como fazendeiro em Ibiaí. Ele nos convida para comer uma carne de búfalo na sua pro

Objetivos

Objetivo geral ● propor uma reedição do livro Velho Chico mineiro com um CD encartado, revisado, após uma avaliação de seu conteúdo e eventuais mudanças para atualizá-lo; ● devolver (primeira edição esgotada) para o público alvo uma obra de referência sobre o Rio São Francisco; ● deixar documentado, nessa reedição, a rica realidade humana de uma das regiões de maior densidade histórica de Minas Gerais e de todo o Brasil; ● sensibilizar o público alvo para a questão fundamental de reativar o transporte hidroviário, para que o Velho Chico possa renascer e recuperar a sua antiga pujança; ● disponibilizar um instrumento indispensável para o conhecimento das bases da nacionalidade brasileira e certamente é de grande auxílio aos estudantes, professores, comunicadores sociais e pesquisadores da nossa realidade. ● democratizar o acesso ao livro e à leitura; ● desenvolver ações de fomento à leitura e a produção textual para alunos e professores de escolas públicas e municipais, constituindo-se um livro paradidático; ● oportunizar aos educadores condições de aquisição de obras literárias; ● incentivar o acesso à leitura às populações ribeirinhas; ● promover a formação de mediadores de leitura; ● implementar bibliotecas nas escolas inserindo acervos bibliográficos que abordem temáticas sobre a realidade da região mineira do Rio São Francisco; ● apoiar e incentivar as Instituições na realização de ações de incentivo à leitura e produção textual no Estado de Minas e no Brasil; ● promover ações, nas formações continuadas, que incorporem o uso das tecnologias de informação e comunicação no incentivo à leitura e produção textual. Objetivo específico • Reedição, publicação e distribuição gratuita de 1.000 exemplares do livro de história do Rio São Franciscoa com mais de 50 textos, de Ivan Alves, ricamente ilustrados com fotografias de Maurício Seidl. • Realização de lançamento do livro em circuito de centros culturais, bibliotecas de Minas Gerais, passando por Tiradentes, São João del Rei e Belo Horizonte.

Justificativa

Citar em quais incisos do Art. 1º da Lei 8313/91 o projeto se enquadra. I - contribuir para facilitar, a todos, os meios para o livre acesso às fontes da cultura e o pleno exercício dos direitos culturais; VIII - estimular a produção e difusão de bens culturais de valor universal, formadores e informadores de conhecimento, cultura e memória; IX - priorizar o produto cultural originário do País. Objetivo do Art. 3° da LEI Nº 8.313, DE 23 DE DEZEMBRO DE 1991. II - fomento à produção cultural e artística, mediante: b) edição de obras relativas às ciências humanas, às letras e às artes; A reedição do livro Velho Chico mineiro se justifica pelo fato de sua primeira edição ter se esgotado rapidamente, em menos de quatro meses. A procura pelo livro foi muito significativa. Temos informações que vários ministérios solicitaram exemplares da obra da Secretaria de Estado de Transportes de Minas Gerais. E o mesmo lograram fazer diversas instituições universitárias de vários pontos do país. Essas manifestações revelam que o nosso trabalho é considerado obra de referência. Nossa intenção foi destacar a realidade das populações ribeirinhas, em luta constante por melhores condições de existência. Como vivem essas populações, concretamente? Quais as suas crenças, as suas esperanças? Qual a sua cultura? Que lendas e mistérios existem na região? O que essas populações comem? No que elas acreditam? Como e em que trabalham? São perguntas que mereceram respostas. E essas respostas requereram, esquematicamente, aprofundamentos de um certo número de questões, as quais tocaram, fundamentalmente, à história da ocupação do rio e a formação do rico imaginário popular local. Essa segunda edição do Velho Chico mineiro se justifica pelo caráter documental que o livro adquiriu, enquanto testemunho de um período dado. Emergem das páginas desta obra falares e saberes populares, frutos de uma rica cultura barranqueira, de acentuada dimensão etnográfica. Eis o que tem uma importância vital para a preservação patrimonial do estado, uma vez que muitas dessas manifestações já desapareceram e só permanecem vivas nas páginas deste livro. Algumas, talvez, possam ser resgatadas do fundo da História justamente por isso. O mesmo vale para as fotografias, que compõem, por seu turno, uma espécie de painel de todo um patrimônio visual também em parte desaparecido. Por tudo isso, o livro alcançou ampla repercussão à época, com destaque para programas de rádio e matérias no jornal estado de Minas e em suplementos literários do Jornal do Commercio, então dirigido pelo escritor e jornalista Cícero Sandroni, posteriormente presidente da Academia Brasileira de Letras. Reeditar essa obra constitui uma responsabilidade sociocultural e histórica devido à importância do rio São Francisco como ‘rio da unidade nacional’.

Estratégia de execução

· Palestra com o autor, Ivan Alves Filho, relatando sobre a viagem realizada no início de 2002 à parte mineira do rio São Francisco, a qual cobre cerca de dois terços de sua extensão. · Exposição de fotografias de Mauricio Seidl, fotógrafo do Livro ‘Velho Chico Mineiro. → 15 fotos 30 x 40 → Região: São João del-Rei, Tiradentes e Belo Horizonte → Público alvo: estudantes, historiadores, pesquisadores e interessados pelo assunto

Especificação técnica

Livro 01 1.000 Livro C/Costura-orelha - "Velho Chico Mineiro" - 30X23CMCAPA REV.: 68x30cm, 4x1 cores, Tinta Escala em Couche Liso. 150g. Prep. Arquivo Aberto. Prova DigitalEpson. Cópia Xerox (imposição).MIOLO: 160 pgs, 30x23cm, 4 cores, Tinta Escala e Verniz Ir Fosco F/V em Couche Fosco. 150g. Prep.Arquivo Fechado(PDF). Prova Digital Epson. Cópia Xerox (imposição).GUARDAS: 8 pgs, 30x23cm, 4 cores, Tinta Escala e Verniz Ir Fosco F/V em Couche Fosco. 170g. Prep.Arquivo Fechado(PDF). Prova Digital Epson. Cópia Xerox (imposição).PROT.GUARDAS: 2 folhas, 30x23cm, sem impressão em Offset 180g.PAPELÃO: 2 folhas, 30x23cm, sem impressão em Papelao Paraná.SOBRECAPA: 70x30cm, 4x0 cores, Tinta Escala em Couche Liso. 170g. Prep. Arquivo Aberto. Prova DigitalEpson. Cópia Xerox (imposição).Lombada:19mm, Laminacao Fosca, Nº Lados: 1(CAPA REV.), Verniz UV localiz, numero de lados 1(CAPAREV.), Dobrado(MIOLO), Intercalação(MIOLO), Costurado(MIOLO), Lombada Quadrada PUR(MIOLO),Vinco(GUARDAS), Colar(GUARDAS), Laminacao brilho, Nº Lados: 1(PROT.GUARDAS), Laminacao brilho,Nº Lados: 1(SOBRECAPA), Corte/vinco(SOBRECAPA), Shrink Individual(MIOLO).Obs.: CAPA DURA CARTONADA EM PAPELÃO PARANÁ.MIOLO FTO. FECHADO 30X23CM E ABERTO 60X23CM. SOBRECAPA "FRANCESA" ENCARTADA

Acessibilidade

· Acessibilidade física: Infelizmente, o problema da falta de acessibilidade nos locais de lançamento não é nosso. É nacional. Os locais destinados aos lançamentos nas cidades de Tiradentes/MG e São João del-Rei/MG não possuem acessibilidade para portadores de deficiência física, por serem prédios centenários. O acesso ao Espaço Cultural do Aimorés e da Academia de Letras é pela escada. No caso de se acoplar uma rampa, dependeríamos de autorização do IPHAN, por serem prédios tombados, o que é quase impossível de se obter. O da Biblioteca Pública do estado de Minas Gerais em Belo Horizonte/MG atende perfeitamente às normativas da Lei de acessibilidade — LEI Nº 10.098 - DE 19 DE DEZEMBRO DE 2000. Ações propostas: · nas áreas externas dos locais de lançamento, destinadas a garagem e a estacionamento de uso público, deverão ser reservadas vagas próximas dos acessos de circulação de pedestres, devidamente sinalizadas, para veículos que transportem pessoas portadoras de deficiência com dificuldade de locomoção permanente; · pelo menos um dos acessos ao interior da edificação deverá estar livre de barreiras arquitetônicas e de obstáculos que impeçam ou dificultem a acessibilidade de pessoa portadora de deficiência ou com mobilidade reduzida; · pelo menos um dos itinerários que comuniquem horizontal e verticalmente todas as dependências e serviços dos locais de lançamento, entre si e com o exterior, deverá cumprir os requisitos de acessibilidade. · Acessibilidade de conteúdo auditivo: Intérprete de libras nos lançamentos. · A Acessibilidade de conteúdo visual: Produção do Áudiolivro (Gravação, narração e prensagem do cd com material gráfico). II - proporcionar condições de acessibilidade a pessoas idosas, nos termos do art. 23 da Lei nº 10.741, de 1º de outubro de 2003, e portadoras de deficiência, conforme o disposto no art. 46 do Decreto nº 3.298, de 20 de dezembro de 1999: os locais dos lançamentos do livro serão pautados em locais/ culturais que garantam medidas de acessibilidade para idosos e portadores de necessidades especiais. Caso haja alguma outra necessidade, a produção se responsabilizará pela providência de medidas de acessibilidade e segurança. III - promover distribuição gratuita de obras ou de ingressos a beneficiários previamente identificados que atendam às condições estabelecidas pelo Ministério da Cultura: 30 % será distribuído gratuitamente.

Democratização do acesso

Inciso/medida do art. 21 da IN nº 02/2019 do Ministério da Cidadania a proposta irá adotar como ação de ampliação do acesso. I - doar, além do previsto na alínea "a", inciso I do artigo 20, no mínimo, 20% (vinte por cento) dos produtos resultantes da execução do projeto a escolas públicas, bibliotecas, museus ou equipamentos culturais de acesso franqueado ao público, devidamente identificados; IV - permitir a captação de imagens das atividades e de espetáculos ou autorizar sua veiculação por redes públicas de televisão e outras mídias; ● distribuição gratuita de 100% da tiragem pensando que a leitura é um direito humano essencial para a conscientização, a curiosidade e o empoderamento das pessoas; ● garantir a distribuição da obra para bibliotecas públicas; ● garantir a distribuição da obra para bibliotecas de escolas públicas e municipais da região e entorno; ● garantir a distribuição de 05(cinco) exemplares da obra para as cidades da Trilha dos Inconfidentes.

Ficha técnica

Ivan Alves Filho - Autor e administração do projeto Nascido no Rio de Janeiro, Brasil, em 1952, Ivan Alves Filho é historiador, licenciado pela Universidade Paris-VIII (Sorbonne) e pela Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais de Paris, onde obteve uma maîtrise em História da América Latina e um DEA (Diploma de Estudos Aprofundados, equivalente aos créditos dedoutorado e aprovação de um projeto de tese) em História.É Autor de 16 livros, entre os quais Brasil, 500 anos em documentos (apresentado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, obra considerada pela Universidade de Varsóvia, em 2010, como uma das vinte mais representativas da historiografia das três Américas, da Espanha, de Portugal e dos países africanos de expressão portuguesa), Memorial dos Palmares (com apresentação de Barbosa Lima Sobrinho), História dos estados brasileiros, Velho Chico mineiro (obra prefaciada por Itamar Franco) e O historiador e o tapeceiro.Participou de dez outros livros de caráter coletivo, um dos quais editado pela Unesco, em Portugal. Lançou, em 1998, juntamente com o historiador Nelson Werneck Sodré, o livro Tudo é política, o último trabalho desse respeitado cientista social. Tem cerca de 40 ensaios e artigos históricos publicados em importantes revistas brasileiras, como Encontros com a Civilização Brasileira, Ecologia e Desenvolvimento. E tem prontos dois novos livros.Concedeu, entre 1988 e 2019, dezenas de entrevistas sobre o seu trabalho a diversos órgãos da imprensa brasileira e, mesmo, internacional. Seus livros vêm sendo resenhados e comentados pelas principais publicações do Brasil desde a segunda metade dos anos 80 do século passado (entre elas poderíamos citar o Estado de São Paulo, a Folha de São Paulo, o Jornal do Brasil, O Globo, a Gazeta Mercantil, o jornal Zero Hora, e as revistas Época e Isto É). Muitos de seus livros estão catalogados em prestigiosas bibliotecas do mundo inteiro, sendo adotados em currículos acadêmicos de universidades e institutos de pesquisa da França, da Itália, dos Estados Unidos, da Polônia e da Alemanha, por exemplo. Fora isso, alguns de suas obras foram roteirizadas para cinema e documentários (caso de Memorial dos Palmares e Aparecida Azedo - Uma pintura de conto de fadas). Nomes conceituados da cultura brasileira e internacional contemporâneas - e podemos citar o poeta Ferreira Gullar, o arquiteto Oscar Niemeyer, o historiador Stuart Schwarz e a antropóloga Berta Ribeiro - fizeram referências a seus livros e ensaios. Muitos de seus livros estão catalogados em prestigiosas bibliotecas do mundo inteiro, sendo adotados em currículos acadêmicos de universidades e institutos de pesquisa da França, da Itália, dos Estados Unidos, da Polônia e da Alemanha, por exemplo. Maurício Seidl - Fotógrafo Nascido em São Paulo em 1954, Mauricio Bueno Seidl, estudou fotografia na Universidade de Paris-XIII na França entre 1976 e 1977. Em 1978, inicia carreira de repórter fotográfico em Moçambique onde foi fotografar as primeiras eleições após a indepedência. De volta ao Brasil na década de 80, participou como fotógrafo de cena dos filmes, “By by Brasil” de Cacá Diegues, e “Rio Babilônia” de Neville de Almeida; De 1985 à 2001 volta a trabalhar como repórter-fotográfico na Assessoria de Imprensa da Infraero - Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim - RJ; Em 2002 publica em co-autoria com o historiador Ivan Alves Filho o livro“Velho Chico Mineiro”; Lecionou nas escolas de fotografia, Ateliê da Imagem e Sociedade Fluminense de fotografia entre os anos 2003 e 2008. Hoje, atua como “freelancer”. Fotografa principalmente para artistas plásticos e galerias de artes, produzindo catálogos de exposições, e filmes sobre suas artes. Editou vários vídeos de curtas metragens dentre eles: “Marcelo Cerqueira O Advogado da Anistia”, “Vôo de Artista” sobre o trabalho de um artista na oficina de escultura do Museu do Ingá em Niterói-RJ. Participou de várias exposições; individuais: “Índios” na Funiarte, em Niterói - RJ, 1993; “Velho Chico Mineiro” no Espaço Cultural do BDMG - BH - MG e CREA - RJ, 2002; “De Janeiro Para o Rio” na Kasa Galeria de Arte – RJ, 2011. coletivas: “Carnaval Novo Milênio”, no Espaço Cultural do Aeroporto Internacional Tom Jobim-RJ, 2001; “10º Salão Nacional de Arte Fotográfica”, AABB-Niterói-RJ, 2001; “Niterói Arte Hoje”, no MAC-Museu de Arte Contemporânea de Niterói, Niterói,RJ, 2002; “Porto do Rio”, Centro de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro-RJ, 2002; “Campo de Inserção” Galeria de Arte UFF-Niterói-RJ, 2003; “Uma Cor”, Sociedade Fluminense de Fotografia, Niterói-RJ, 2003; “Imaginário Periférico”, Estação Central do Brasil, RJ, 2003; “Mafuá” Poética da Miscigenção, Galeria de Arte UFF, Niteroi – RJ, 2004; “Niterói Artes de Portas Abertas”, Ateliê de Luzia Veloso, Niterói – RJ, 2004; “Mostra o Teu que Eu Mostro o Meu”, Casa França-Brasil, Rj, 2004; “Artistes Contemporains Brèsiliens”, ano do Brasil na França, Carros-Nice, França, 2005; “Entorno do Entorno”, Museu do Ingá, Niterói, RJ, 2006. “ Metropole” Galerie D’Art de L’Aliance Fransaise à Hanói, Vietnam 2009 “Metropole” Centre Culturel CFDT - Paris, França, 2010 “Paisagens Contemporâneas” – Tiradentes-MG, 2017 Fotografias - O caminho do alferes Tiradentes um viagem pelas Trilhas dos Inconfidentes - Ivan Alves Filho - 2018 Márcia Heliane Gomes - Revisão e produção executiva ►HABILITAÇÃO: • Licenciatura Plena em Filosofia, Sociologia e História - Especialização em História / UFSJ ►ATIVIDADES PROFISSIONAIS: • Professora de História / Filosofia e Sociologia – 1981 a 2013 - • Secretária Municipal de Educação – Prefeitura de Tiradentes – 1990 a 1993 - • Diretora de Escola – 2004 a 2009 •Assistente de Pesquisa - Projeto de Educação Patrimonial – IHGT / BNDES – Abril de 2013 até 2015 •Coordenadora Técnica – Projeto Ponto de Memória – Batuques – Associação Afrobrasileira Casa do Tesouro – IBRAM – Junho a Novembro de 2014 •Coordenadora Técnica – Projeto Afromemórias - Associação Afrobrasileira Casa do Tesouro – Fundação Cultural Palmares – Ministério da Cultura – Julho a Dezembro de 2014 • Professora Oficina “Memória e Tradições Populares” – Módulo II – 30 h/a – Projeto Educação Patrimonial – IHGT/BNDES – outubro de 2015 • Participação na elaboração do relatório ICMS Cultural de Tiradentes/MG - 2015 e 2016. Ênfase na coordenação do desenvolvimento do conteúdo Educação Patrimonial nas Escolas da Rede municipal de Ensino de Tiradentes/MG • Produtora Assistente da intervenção ‘Janelas da Memória’ no Projeto 1º FESTIVAL DE ARTES E TRADIÇÕES DE TIRADENTES / LEI FEDERAL DE INCENTIVO À CULTURA – 06/ 2018 . • Historiadora responsável pela elaboração e feitura de Registros de Bens Imateriais ICMS Cultural 2019 – Secretaria Municipal de Cultura e Turismo de São João del-Rei/MG – Julho a Dezembro de 2019 • Professora no Curso de Educação Patrimonial para professores da Rede Municipal de Ensino de Tiradentes e Guias Turísticos – Realização Instituto Cultural Biblioteca do Ó/ICBÓ – Maio a dezembro de 2019 ►TRABALHOS PUBLICADOS: •“O Gosto da Memória” - Pesquisa e Fotografia / Projeto Educação Patrimonial – IHGT/BNDES – Tiradentes, 2013 • “Memória Tropeira” - Redação e Revisão de Textos / Projeto Educação Patrimonial – IHGT/BNDES – Tiradentes, 2015 • “Recortes de Memórias” - Adaptação de Textos / Projeto Educação Patrimonial – IHGT/BNDES – Tiradentes, 2015 • “Glossário do Patrimônio de Tiradentes” - Pesquisa, Textos e Revisão / Projeto Educação Patrimonial – IHGT/BNDES – Tiradentes, 2015 • “Manual de Preservação e Manutenção de Patrimônio” – Pesquisa, Textos e Revisão / Projeto Educação Patrimonial – IHGT/BNDES – Tiradentes, 2016 • “Memória e Tradições Populares” – Pesquisa, Textos e Revisão / Projeto Educação Patrimonial – IHGT/BNDES – Tiradentes, 2016 • “Registros Documentais” / DVD – Organização e Seleção / Projeto Educação Patrimonial – IHGT/BNDES – Tiradentes, 2016 • “O caminho do alferes Tiradentes - uma viagem pela Trilha dos Inconfidentes” – Produção - Realização Instituto Cultural Biblioteca do Ó/ICBÓ – Tiradentes, 2019 Demétrio Campos Bissulle - Designer, diagramação e edição Trabalha com Designer Gráfico, tratamento de imagem, tratamento de fotografia e formatação - desde 1992 Experiência profissional Design Letreiros - 1992 / 1996 Proprietário Responsável pela criação e aplicação Designer Gráfico freelancer tendo como principais clientes: - Gráficas; - Laticínios; - Agências; - Lojas de Móveis - Grupo Magalhães - Criação gráfica; - Desenvolvimento de Logomarcas; - Identidade visual; - Diagramação de material institucional; - Criação de campanhas internas e externas; - Campanhas de Marketing; - Tratamento de imagens; - Fechamento de arquivos; Agência Affinity - 2005/2010 Sócio Proprietário - Responsável pela área de designer, marketing e publicidade. Principais clientes: - Laticínios - Polo Moveleiro de Ubá; - Gráficas; - Lojas de Móveis - Grupo Magalhães Designer Gráfico Freelancer 2010 ATÉ HOJE Principais clientes: - Gráficas; - Laticínios; - IHGT Tiradentes - MG - Agências; - Lojas de Móveis - Grupo Magalhães. Livros pelo IHGT - 1.CRUZ, L. A. Luiz Cruz (Org.) ; Maria José Boaventura (Org.). Manual de Técnicas de Preservação e Manutenção de Patrimônio. 1. ed. Tiradentes: IHGT, 2016. v. 2000. 152p . - 2.CRUZ, L. A.; Maria José Boaventura (Org.) . Memória e Tradições Populares. 1. ed. Tiradentes: IHGT, 2016. v. 2.000. 112p . - 3. CRUZ, L. A.. Memória Ferroviária - Railway Memories. 01. ed. Tiradentes: Mandala Produção, 2016. v. 1.000. 156p . - 4.CRUZ, L.A. CRUZ, L. A. . Serra de São José - Educação patrimonial. 1. ed. Tiradentes: Mandala Produção, 2016. v. 1.000. 90p . - 5. CRUZ, L. A.Maria José Boaventura . Memória Tropeira. 01. ed. Tiradentes: IHGT, 2015. v. 3000. 68p . - 6.CRUZ, L. A. Maria José Boaventura (Org.). Glossário do Patrimônio - Tiradentes - Minas Gerais. 1. ed. Tiradentes: IHGT/BNDES, 2015. v. 3000. 160p . - 7. CRUZ, L. A.. Recortes de Memórias. 01. ed. Tiradentes: , 2015. v. 2000. 252p - 9. CRUZ, L. A. Maria José Boaventura . O Gosto da Memória. 1. ed. Tiradentes: IHGT, 2013. v. 3000. 112p . Outros - O Caminho do alferes Tiradentes - uma viagem pelas trilhas dos Inconfidentes -Escritor Ivan Alves Filho - janeiro 2018. - Um Olhar em Cada Canto - Rosângela Alves de Oliveira- 2018 Simone Senra - Coordenadora Gráfica e ISBN FORMAÇÃO - Curso de Matemática pela FAFI BH – 1986, - Curso Incompleto geologia - UFMG - Curso de extensão em Administração Pública da Cultura - EAD - 2015 - Ministério da Educação - Universidade Federal do Rio Grande do Sul - OUTROS CURSOS - Pós-Graduada em Política e Estratégia - 1992. - Canto Coral no Sesiminas - 1993 a 1995. - Seminário – O Setor Cultural na Economia Brasileira – 1998 - 5º Encontro Verde das Américas – 2005 - Diversas palestras relaciona-das com as Leis de Incentivo à Cultura e a Cultura em geral. - Prestação de contas no Fundo Estadual de Cultura - 2008 - Capacitação Edital/2013 ministrados pela Superintendente da SFIC, Sra. Nora Vaz de Mello, pela Diretora da Lei Estadual de Incentivo à Cultura - DLIC, Sra. Sônia Valadares e pela equipe técnica da DLIC – 2013 - Fórum Mineiro de Festivais – 2012/2013 - Oficina sobre o Sistema Nacional de Informações e Indicadores Culturais (SNIIC) ministrada por Evaristo Numes - 06/ 2013 - Palestra com o diretor da Cidadania e da Diversidade Cultural da Secretaria da Cidadania e da Diversi-da-de Cultural do Ministério da Cultura, Pedro Vasconcelos. Com o tema Programa Cultura Viva - Novas possibilidades de parcerias a partir da Portaria 118, de 30 de dezembro de 2013. do Fórum de Políticas Culturais de Minas Gerais - Funarte -BH -25/02/2014 - Participou do Encontro " A Nova Instrução Normativa da Lei Rouanet - Conheça, Aplique e sugira me-lhorias", realizado em 17/05/2017 em BH.- Feira Max de Áudiovisual - 2017/2018. - Programa Oficinas de Artes Cênicas na Funarte na oficina Produção e Administração Teatral - ministrada pelo (a) professor (a) Ana Velloso - Novembro de 2018 - Realização do Festival Viva Jeceaba! na função de Coordenação Geral, projetos e financeira - dezembro de 2019 - Produção do show do compositor Sidney Grandi no Teatro da Assembleis legislativa de MG – agosto de 2019 - Apresentação do espetáculo O Tubarão Martelo apresenta “Os habitantes do fundo do mar” – Teatro do Minas Tênis Clube – Maio de 2019 - Produção do show do compositor Sidney Grandi no Centro Cultural da UFMG – junho de 2019 - Apoio administrativo e produção "Manutenção da Lira Imaculada Conceição” pela Lira Imaculada Conceição de São Tiago - FEC/MG – 2018/2019. - Apoio administrativo, elaboração do livro e projeto "O Caminho do Alferes Tiradentes” de Ivan Alves Filho pelo Instituto Cultural Biblioteca do Ó de Tiradentes - FEC/MG – 2018/2019. - Apoio na produção dos lançamentos do livro Drummond & Bracher: Canto Mineral na Fliaraxá, BH e Ouro Preto de 29/06 a 05/07/2018. - Produção e apoio administrativo no show de lançamento do CD “Meu Interior” do Compositor Sidney Grandi no Teatro Izabela Hendrix em Belo Horizonte – 26/06/2018. - 2016- Coordenação Gráfica Memória Ferroviária de Luiz Antonio da Cruz; - 2016 - Coordenação Gráfica do livro “Memória e tradições Populares”; - 2016 - Acompanhamento técnico - Registros Documentais – Projeto educação patrimonial de Tiradentes - 2016 - Coordenação Gráfica do livro "Manual de Manutenção e Técnicas de Preservação do Patrimônio"; - 2015 - Direção de Arte, Produção executiva e coordenação financeira - Documentário "OURO PRETO OLHAR POÉTICO" de CARLOS BRACHER - Direção Blima Bracher; - 2015 - Coordenação Gráfica dos livros - "Recortes de Memórias e Glossário do Patrimônio"; - 2015 - Produção executiva e coordenação financeira dos shows do CD "Meu Ideal" de Sidney Grandi - 2015 - Coordenadora financeira do projeto do DVD “O Tubarão Martelo"; - 2014 – Prod. Exec. e coord. Financeira do lançamento do CD "Meu Ideal" de Sidney Grandi - Teatro Alterosa - Abril - 2014 – Prod. Exec. shows de lanç. do CD "Meu Ideal" de Sidney Grandi em Entre Rios de Minas, São Brás do Suaçuí e Varginha;

Providência

PROJETO ARQUIVADO.