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"Amazônia - Fotografias de Sebastião Salgado", reúne uma série de fotografias em grande formato inéditas, fruto de uma imersão na floresta amazônica em viagens para doze comunidades indígenas no Acre, Roraima, Amazonas e Mato Grosso, ao longo de seis anos. A exposição também contempla projeções de fotografias digitais com trilha sonora de Rodolfo Stroeter e grupo Pau Brasil, e entrevistas com Sebastião Salgado e a curadora Lélia Wanick Salgado. Um pouco da cultura dos povos que vivem na Amazônia será apresentada através de um documentário com depoimentos de oito líderes indígenas. O projeto faz um pequeno recorte, trazendo a experiênciaque é a Amazônia para o grande público.
Após ter terminado o “Gênesis”, sua exploração fotográfica da natureza ainda intacta do nosso planeta, Sebastião Salgado orientou seu olhar em direção ao seu país natal, o Brasil, e mais precisamente Amazônia. A fim de realizar esse novo projeto, ele passou longas temporadas junto com doze comunidades indígenas isoladas, navegou no gigantesco rio Amazonas e seus afluentes e sobrevoou a densa floresta tropical com suas fronteiras montanhosas mais áridas. Foram seis anos de trabalho ao término dos quais todas as fotos e imagens ficaram prontas. “Amazônia” é o resultado dessa odisseia, que será apresentada na forma de uma exposição, com curadoria de Lélia Wanick Salgado. Chamada de “pulmão do mundo”, a floresta tropical absorve grandes quantidades de dióxido de carbono, sendo fundamental na luta contra o aquecimento global. A transpiração da Amazônia forma enormes “rios aéreos”, que influenciam o clima de outros continentes. Certamente, um dos principais tesouros brasileiros, abriga cerca de 10% da fauna e da flora do planeta, e 169 grupos étnicos – muitos dos quais nunca tiveram contato com o mundo exterior. Ao longo dos últimos anos, Sebastião Salgado fotografou doze tribos em diversas regiões remotas e distantes umas das outras: os Kuikuro, Kamayura e Waura no Alto-Xingu Sul, os Macuchi Alto-Xingu Norte, os Zoé, Yanomami e Suruwara no coração da Amazônia, os Ashaninka e Yawanawa no Sudeste, os Marubo e Korubo no Oeste, e os Awa no Leste. Nas palavras da curadora Lelia Wanick Salgado: “Nosso objetivo não é somente o de expôr fotografias do Sebastião Salgado, mas o de oferecer uma aproximação holística desse milagre que é a Amazônia”.
1.0 Objetivo Geral "Amazônia" contempla a produção de uma exposição de fotografias inéditas de autoria de Sebastião Salgado, que será realizada nas cidades de São Paulo (SP), em uma das unidades do SESC São Paulo, e no Rio do Janeiro (RJ), no Museu do Amanhã. Futuramente, a exposição viajará para outras capitais brasileiras, além de edições nos EUA, França e Inglaterra. Com o intuito de representar a vida cotidiana dos povos indígenas, Salgado viajou durante seis anos para diversas regiões da floresta amazônica, retratando doze povos indígenas distintos. Para representar a magnitude da floresta, "Amazônia" traz cerca de 160 imagens em grande formato, além de uma sala especial com projeções de centenas de imagens e trilha sonora composta por Rodolfo Stroeter e o grupo Pau Brasil _ além de uma música do compositor francês Jean-Michel Jarre _, e um documentário com líderes de povos indígenas contando em primeira pessoa seus modos de ver e viver a vida. "Amazônia" é um registro artístico da maior floresta tropical do mundo, feita por um dos maiores fotógrafos do mundo, que é também brasileiro e, portanto, não apenas enxerga a importância deste patrimônio nacional, mas também compreende _ e sente _ seu valor. A exposição permite que os próprios brasileiros, grande parte sem oportunidade de visitar pessoalmente a floresta, o façam através do olhar de Sebastião Salgado e conheçam sua terra e seu povo _ ao todo, Sebastião fotografou doze povos indígenas, são eles: os Kuikuro, os Kamayura, os Waura, os Macuchi, os Zoé, os Yanomami, os Suruwara, os Ashaninka, os Yawanawa, os Marubo, os Korubo e os Awa. Na contramão dos tempos contemporâneos, "Amazônia" chama a atenção para um tema relevante através de aspectos positivos. O projeto "Amazônia" foi desenvolvido a quatro mãos pelo fotógrafo Sebastião Salgado e pela curadora e autora da concepção de projeto gráfico Lélia Wanick Salgado. Também contempla ações educativas e de acessibilidade, ampliando a democratização do acesso à cultura e ao patrimônio cultural e histórico brasileiro. 2.0 Objetivos Específicos 2.1 Exposição de fotografia OBRAS DE ARTE As fotografias artísticas de Sebastião Salgado serão divididas em obras em impressão fineart e obras digitais projetadas em uma sala especial. Serão cerca de 160 obras em impressão fineart em papel algodão em grande formato, com cerca de 100 cm x 150 cm, adesivadas, com moldura padrão de 2 cm x 3,8 cm. Entre 500 a 1000 obras digitais serão projetadas em uma tela de 4 m x 2,25 m, com trilha sonora original (verificar item "trilha sonora" abaixo). CENÁRIO A exposição será composta por fotografias em grande formato com cerca de 100 cm x 150 cm, expostas em painéis de madeira com cerca de 11 m x 3 m (h), além de textos, de autoria de Leão Serva, e mapas da região indicando a área total da floresta amazônica brasileira, as áreas reservadas às unidades de proteção e às reservas indígenas, e pequenos monitores com depoimentos de Sebastião e Lélia. ILUMINAÇÃO O projeto de iluminação será desenvolvido por Fernanda Carvalho, que trabalha com o conceito de "lighting design", indo além de apenas encontrar a melhor forma de iluminar as obras, mas também criando, sempre que possível, uma relação entre o projeto de luz e a temática das obras. Além de soluções técnicas adaptáveis às instituições _ em alguns casos, o espaço é um patrimônio tombado com restrições de produção. SALAS DE PROJEÇÃO 1 E 2 Os materiais audiovisuais, composto pelo documentário com as lideranças indígenas e a série de fotos com trilha sonora inspirada em sons e músicas amazônicas, serão exibidos em uma salas especiais com projetores com telas de cerca de 4 m x 2,25 m, equipamento de reprodução de áudio e 16 bancos de madeira. 2.2 Documentário "Amazônia" (título provisório) Dirigido por Juliano Salgado _ co-diretor, ao lado de Wim Wenders, do premiado documentário "O Sal da Terra" _, o documentário "Amazônia" retrata o depoimento de oito líderes indígenas dos povos Kuikuro, Kamayura, Ashaninka, Yawanawa, Yanomami, Korubo e Marubo, residentes em reservas localizadas nos estados do Amazonas, Acre, Roraima e Mato Grosso, os quais relatam seus costumes e a forma como funciona a vida em uma comunidade indígena, e sua visões sobre o futuro. As entrevistas foram feitas por Leão Serva, diretor de jornalismo da TV Cultura. Juliano também entrevistou Sebastião Salgado e a curadora Lélia Wanick Salgado sobre o projeto que se dedicam desde 2013, um dos poucos com uma temática focada em apenas um país: o país de origem de ambos e sobre as origens deste país. 2.3 Vídeo-arte (projeções) A maior parte das imagens que compõem o projeto _ entre 500-1000 fotografias inéditas _ serão exibidas em uma tela de 4 m x 2,25 m, em uma sala especial equipada com projetor e equipamento de som, a qual será acompanhada pela trilha sonora de Rodolfo Stroeter e grupo Pau Brasil, além de uma composição inédita do francês Jean-Michel Jarre. TRILHA SONORA A atmosfera da floresta será completada pela trilha sonora composta por Rodrigo Stroeter e grupo Pau Brasil, além de uma composição de Jean-Michel Jarre, a qual tem como base uma pesquisa sobre as sonoridades e músicas amazônicas, e composições do maestro Heitor Villa-Lobos, cuja obra é profundamente inspirada pela natureza e, em especial, pela floresta amazônica. 2.4 Educativo Produção de oficinas e material educativo, com formação de monitores/educadores das instituições e treinamento para realização de ações e visitas monitoradas. O material produzido trabalhará tanto a arte da fotografia com oficinas básicas, quanto a história e relevância da floresta amazônica e dos povos indígenas habitantes da região. 2.5 Acessibilidade O projeto de acessibilidade será desenvolvido por uma empresa de consultoria em inclusão por uma arte-educadora e museóloga, o qual contempla: - Mapa tátil e texto curatorial com dupla leitura (braile e letra ampliada em relevo) e audiodescrição; - Legendas de obras e sinalização em dupla leitura e audiodescrição; - Piso tátil; - Reproduções de 8 obras em relevo texturizado com audiodescrição; - Janela de LIBRAS para o vídeo-depoimento com Sebastião e Lélia; - Janela de LIBRAS para documentário "Amazônia" (título provisório); - Formação de educadores das instituições (SP e RJ) com o tema "Ações Educativas inclusivas em Exposições de Arte"; - Oficina de produção de recursos de acessibilidade para monitoramento dos recursos disponíveis. 2.6 Material de Divulgação - Produção de convite digital; - Produção de páginas oficiais customizadas em mídias sociais; - Produção de cartaz oficial; - Produção de folders e convites impressos para distribuição gratuita (outras unidades do SESC, museus e instituições parceiras etc.).
Ao longo de cinquenta anos de carreira, o fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado retratou as realidades de povos do mundo, apresentadas ao público na forma de exposições e livros, sucesso de público e crítica no mundo todo. Difícil eleger a obra mais importante de Sebastião Salgado. Talvez possamos dizer que "Gênesis" (2013), "Terra" (1997), "Êxodos" (2000) e "África" (2007) sejam os mais conhecidos mundialmente _ como a menina de olhos claros e cabelos desgrenhados da capa de "Terra" _, mas como não citar "Trabalhadores" (1996), "Serra Pelada" (1999), "Outras Américas" (2000) ou "Retratos de Crianças do Êxodo" (2000)? Salgado conta que a foto que o tornou famoso _ o registro do atentado contra o presidente norte-americano Ronald Regan _ foi feita por acidente. Um "instinto" o fez sair do local onde estavam todos os fotógrafos e, acidentalmente, dirigir-se exatamente para onde o atentado aconteceria. É como se o fotógrafo se posicionasse não apenas tecnicamente no melhor local, mas sim compreendesse qual o ponto de vista que conta melhor aquele recorte da história. Assim parecem feitas as fotografias de Salgado, que não são apenas um registro do cotidiano _ englobam o envolvimento do fotógrafo com aquela realidade. São semanas, às vezes meses, imerso dentro da comunidade para que passe a fazer parte do cotidiano das pessoas. Dentro do possível, deixando de ser o completo estrangeiro para as pessoas da comunidade, e perdendo parte da visão do estrangeiro, compreendendo sua cultura e seus costumes. As ferramentas da sociedade urbana _ o estúdio improvisado no meio da floresta _ servem para pôr em destaque os homens e mulheres indígenas, dado que mesmo uma simples folhagem acaba por distrair o olhar curioso de quem vê a exuberância da Amazônia pela primeira vez. Em "Amazônia", esta imersão ocorreu ao longo de seis anos, no período de 2013 a 2019, dedicada à apenas uma região do país, como poucas vezes o fez em sua carreira _ "Êxodos", por exemplo, têm retratos de cerca de 40 países diferentes. Dezenas de viagens para retratar doze povos indígenas, habitantes da floresta amazônica no Acre, Amazonas, Roraima e Mato Grosso, de povos já integrados com a cultura do homem branco a povos cujo contato com a civilização se resume aos técnicos da FUNAI e ao exército brasileiro. Salgado, inclusive, ressalta a importância tanto da FUNAI quanto do exército nessa região tão complexa e inóspita para o homem urbano. Longe dos olhos de grande parte da população é onde acontece o trabalho mais importante do exército brasileiro: cuidar de nossas terras e, principalmente, de nossas fronteiras. Muitas vezes, o fotógrafo ficou em quarentena nas dependências do exército e/ou da FUNAI para que pudesse ter acesso aos povos sem contaminá-los com doenças da cidade. Em outras tantas, apenas voando com o exército ou pegando uma "carona" nos barcos da FUNAI é que Salgado conseguiu ter acesso a determinadas regiões. Atualmente, em meio à crise global, a Amazônia têm sido tema de debates e discussões acaloradas sobre o seu futuro e sua importância. Salgado a traz de volta ao centro do debate, porém revelando suas belezas, na tentativa de reproduzir a experiência da floresta para a grande população. Sua imensidão reproduzida em uma seleção de 160 imagens inéditas impressas em grande formato, além de centenas de imagens que serão projetadas em uma sala especial com trilha sonora original assinada pelo compositor Rodrigo Stroeter e o grupo Pau Brasil, e um documentário com entrevistas com lideranças indígenas, além de entrevistas com o próprio fotógrafo Sebastião Salgado e com a curadora e autora da concepção do projeto gráfico, Lélia Wanick Salgado. Ao longo de sua carreira, Sebastião Salgado recebeu praticamente todos os prêmios mais importantes da fotografia no mundo, tendo sua história registrada no filme "O Sal da Terra", dirigido por Wim Wenders e Juliano Salgado, indicado ao Oscar 2015 de Melhor Documentário. Sebastião Salgado é também conhecido por colaborar com diversas instituições como Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, (ACNUR), a Organização Mundial da Saúde (OMS), a ONG Médicos sem Fronteiras e a Anistia Internacional. Além disso, as exposições de Salgado atraem um grande público, atingindo marcas acima de 1 milhão de visitações. Para "Amazônia", dentro do contexto atual, prevemos um público aproximado de 300 mil pessoas por edição _ São Paulo e Rio de Janeiro _, o que acaba por tornar o custo por pessoa baixo (média de R$ 12,5 por pessoa). As exposições serão abertas com ingressos a preços populares. Por tratar-se de uma exposição de fotografia inédita, de um artista reconhecido internacionalmente, o qual contempla imagens que registram um dos maiores patrimônios brasileiros _ a floresta amazônica e os povos originários _, o projeto "Amazônia" atende aos requisitos da Lei 8.313/91, conforme o Art. 1º, parágrafos I, III, IV, VI, VII, VIII e IX, e ao Art. 3º, parágrafo II, alínea "c", e parágrafo III, alínea "d", conforme abaixo: Art. 1° Fica instituído o Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac), com a finalidade de captar e canalizar recursos para o setor de modo a: I - contribuir para facilitar, a todos, os meios para o livre acesso às fontes da cultura e o pleno exercício dos direitos culturais; III - apoiar, valorizar e difundir o conjunto das manifestações culturais e seus respectivos criadores; IV - proteger as expressões culturais dos grupos formadores da sociedade brasileira e responsáveis pelo pluralismo da cultura nacional; VI - preservar os bens materiais e imateriais do patrimônio cultural e histórico brasileiro; VII - desenvolver a consciência internacional e o respeito aos valores culturais de outros povos ou nações; VIII - estimular a produção e difusão de bens culturais de valor universal, formadores e informadores de conhecimento, cultura e memória; IX - priorizar o produto cultural originário do País. Art. 3° Para cumprimento das finalidades expressas no art. 1° desta lei, os projetos culturais em cujo favor serão captados e canalizados os recursos do Pronac atenderão, pelo menos, um dos seguintes objetivos: II - fomento à produção cultural e artística, mediante: c) realização de exposições, festivais de arte, espetáculos de artes cênicas, de música e de folclore; III - preservação e difusão do patrimônio artístico, cultural e histórico, mediante: d) proteção do folclore, do artesanato e das tradições populares nacionais;
AMAZÔNIA por Sebastião Salgado Ao meu ver, a Amazônia sempre representou uma última fronteira, um universo misterioso onde era possível sentir o imenso poder da natureza muito mais do que em qualquer outro lugar do mundo. A floresta tropical é corretamente chamada de pulmão do mundo, por conta das grandes quantidades de dióxido de carbono que ela absorve, um dos fatores chaves na luta contra o aquecimento global. Graças aos tais “rios aéreos”, a simples força da humidade e da evaporação dessa rede hidrográfica gera precipitações que afetam os comportamentos meteorológicos para além de suas fronteiras. A floresta, que contém um décimo de todas as espécies vivas de flora e fauna, é o maior laboratório natural do mundo. E dentro desse ambiente único, vivem 169 grupos étnicos que falam 130 línguas, somando uma população total de aproximadamente 310 000 pessoas. Muitos desses índios vivem ainda seguindo o modo de vida de seus antepassados e mais de 103 grupos não tiveram contato com o mundo exterior. Mas a Amazônia está em perigo, mais do que nunca. Um forte aumento dos incêndios na floresta e, paralelamente, existem também os danos causados pelos grileiros e pelos exploradores florestais ilícitos. E as comunidades indígenas que tentam resistir às invasões de suas terras são quase sempre vítimas de violência e de doenças trazidas por esses intrusos. Nosso projeto fotográfico não consiste em mostrar esses aspectos negativos, aproximadamente 80% da floresta amazônica brasileira ainda está intacta. Temos a intenção de mostrar a beleza incomparável dessa extensa região e de insistir na importância de sua proteção assim como de seus habitantes em perigo. Cada um dos nove países entre os quais a Amazônia se divide geograficamente, têm poder absoluto sobre essas regiões. Mas acredito que a humanidade inteira tem a responsabilidade de cuidar dos seus recursos universais. Concentrei meu trabalho nos 65% da floresta tropical situados no território brasileiro. Meu maior desafio foi de apresentar através das minhas fotos a vida cotidiana das comunidades indígenas espalhadas nesse imenso território. Algumas comunidades só podiam ser alcançadas de barco, depois de várias semanas de viagem, ou graças à pequenos aviões monomotores que conseguiam aterrissar em terrenos estreitos abertos no meio do mato, seguido de longas caminhadas em plena floresta. Certa vezes precisei ficar de quarentena durante vários dias para garantir que eu estivesse saudável, antes que pudesse ser aceito dentro da tribo. Para realizar esses encontros inestimáveis contei com a ajuda da FUNAI cujos membros fazem um trabalho heróico de proteção e ajuda social às comunidades. Ao longo desses últimos anos, fotografei 12 tribos em diversas regiões remotas e distantes umas das outras: os Kuikuro, Kamayura e Waura no AltoXingu Sul, os Macuchi Alto-Xingu Norte, os Zoé, Yanomami e Suruwara no coração da Amazônia, os Ashaninka e Yawanawa no Sudeste, os Marubo e Korubo no Oeste, e os Awa no Leste. Os índios do Alto-Xingu já foram expostos à influência externa, eles se vestem com roupas ocidentais a não ser quando participam de cerimônias rituais ou festividades específicas de suas comunidades. Alguns de seus chefes conseguem comunicar com os visitantes num português rudimentar. Mas outras tribos têm um modo de vida milenar, eles usam cocares de penas, pintam seus corpos nus, caçam com arco e flecha e falam somente em sua língua natal. O que eles têm em comum é um profundo respeito pela natureza. Eles entendem instintivamente que estar em harmonia com seu ambiente é a razão de sua sobrevivência. A floresta e seus córregos, a riqueza de sua flora e fauna, os fazem viver e em troca eles se tornaram os maiores guardiões desse ambiente exuberante porém frágil. Passei semanas inteiras por lá, com cada tribo que visitei. Aguardando pacientemente que eles me aceitassem e depois fotografando calmamente suas atividades cotidianas - os vínculos calorosos das famílias, as caças e pescas, as preparações e o compartilhamento das refeições, as diferentes maneiras de pintarem seus corpos e rostos, a importância de seus pajés, as danças e rituais, a sua gentileza. Também escolhi focar nos indivíduos, homens, mulheres e crianças desses grupos, ao fazer seus retratos, tanto individualmente quanto em grupo. Através desses retratos, nossos olhos, que dessa vez não estão distraídos por uma atividade, podem observar seus rostos, suas roupas e acessórios como armas, cocares, decorações corporais, mas também sua maneira de fazer pose, sua solenidade e a clara autoridade de seus habitantes mais velhos. Em alguns casos usei folhagens como tela de fundo. Mas outras vezes usei um tecido de fundo para criar uma atmosfera de estúdio. Dessa forma, isolando as pessoas de seu habitat natural – a floresta – por alguns instantes, consegui trazer a tona suas identidades como indivíduos. Era sempre difícil para mim ter que deixar as tranquilas comunidades para trás e voltar para a vida urbana. Mas era também muito importante para mim poder me distanciar dos índios para poder estudar o extraordinário fenômeno da natureza que é a Amazônia. Pude fazer isso ao cruzar a região pelos rios, fotografando dessa forma à beira d’água, a floresta e seus céus. Quando vivemos nas ocas indígenas, a imensa mata que as rodeiam acabam bloqueando a vista, inclusive o céu, que por conta das árvores gigantescas, fica pouco visível. Ao navegar num igarapé ou rio, eu podia fotografar a vegetação sob diversos aspectos, com a dramatização de um céu constantemente renovado, por nuvens que se unem e se desfazem em chuvas torrenciais. Escolhi ir durante a época das chuvas pois é quando se torna possível navegar mesmo nos igarapés mais estreitos. Durante meu último trajeto pelas águas eu não pisei uma só vez em terra firme, ao longo de quatro semanas. Mas a dimensão inimaginável da região amazônica não pode ser realmente percebida se não for vista do céu. Dessa forma, graças à helicópteros emprestados pelas forças armadas, pude percorrer grandes distâncias e chegar longe, com frequentes paradas em postos militares isolados para coletar combustível, claro. Talvez a imagem mais familiar que exista da Amazônia é aquelas dos rios serpenteando um rico tapete de verdura. Uma imagem que lembra a que ponto a bacia amazônica é um vasto território de terras planas que gradualmente drenam suas águas no rio Amazonas. Durante a seca é possível observar uma mudança marcante quando ilhas começam a aparecer onde os rios antes corriam e de repente grandes afluentes parecem se transformar em estuários. Ao voar pela região, acabei chegando ao norte, perto das montanhas com seus topos planos, próximas da fronteira com a Venezuela. E por lá o terreno é de repente completamente diferente. A floresta abre espaço para uma estranha paisagem árida que me lembrou Mongólia. A erosão esculpiu fendas gigantescas nas encostas das colinas cujas laterais parecem deslizamentos de lava. A única interrupção nesse panorama marrom e monótono era a aparição de linhas verdes onde as árvores se apertam nas beiras dos córregos. E isso também é a Amazônia, completamente diferente do que eu já tinha visto antes. Viajei pelo mundo todo para meus projetos anteriores, como Êxodos e Gênesis, mas é a primeira vez que minha esposa Lélia e eu dedicamos tanta atenção à um só assunto: a Amazônia. Sendo brasileiros, nós temos um apego especial por aquilo que consideramos como o maior presente da natureza para o nosso país. Mas também nos sentimos profundamente responsáveis por fazer tudo que estiver em nosso poder a fim de ajudar a preservar essa floresta tropical única e proteger seus habitantes ancestrais. As fotografias que serão representadas na exposição são nossa contribuição. Para o Brasil e para o mundo.
AMAZÔNIA EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIAS 180 fotografias (aprox.) Dimensões | 100 x 150 cm 2 salas com projeções (Documentários + projeção de imagens inéditas - aprox. 90 minutos cada) Material de divulgação | folders, convites, cartaz, convite virtual Período de visitação | 12 semanas Local de realização | SESC São Paulo/SP (unidade a definir) Horário de visitação | terça a domingo, das 10h às 18h Valor do ingresso | gratuito Público estimado | 100 mil visitantes Educativo | Realização de visitas monitoradas e atividades para visitantes e estudantes de escolas públicas e privadas. Acessibilidade | Infraestrutura (banheiros acessíveis, rampas e elevadores), recursos de acessibilidade (mapa tátil, convite acessível, legendas em duas leituras) e equipe de monitores treinadas. Ingresso gratuito para acompanhante de pessoa com deficiência.
O projeto “Amazônia”, conforme previsto no Art. 18, da Instrução Normativa N. 2, de 23 de abril de 2019, regulamentado pela Lei N. 13.146/2015 e Decreto N. 9.404/2018, contempla medidas de acessibilidade, abaixo descritas: - Mapa tátil - 08 obra em alto relevo - Legendas com dupla leitura - Sinalização em braile e audiodescrição Conforme parágrafos únicos 1º e 2º, os custos foram incluídos no orçamento do projeto, bem como as informações sobre a disponibilidade das medidas de acessibilidade constarão em todo o material de divulgação.As unidades da rede SESC contemplam infraestrutura para pessoas com deficiência física e seus acompanhantes como: rampas, elevadores, sanitários acessíveis, equipe capacitada, espaço para circulação para cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida.
Tendo em vista a ampliação e democratização do acesso, o projeto “Amazônia” será realizado em um espaço de fácil acesso via transporte público, com entrada gratuita, além da distribuição gratuita de cotas de ingressos, conforme art. 20, da Instrução Normativa N. 02, de 23 de abril de 2019, divididas da seguinte forma: - 20% (vinte por cento) exclusivamente para distribuição gratuita com caráter social, educativo ou formação artística; - 10% (dez por cento) para distribuição gratuita por patrocinadores; - 10% (dez por cento) para distribuição para divulgação; - 10% (dez por cento) para comercialização em valores que não ultrapassem o valor do Vale-Cultura, nos termos do art. 8º da Lei nº 12.761, de 2012; - 50% (cinquenta por cento) do quantitativo de produtos culturais, sendo o preço médio do ingresso ou produto limitado a R$ 225,00 (duzentos e vinte e cinco reais). Em consonância com o art. 21, da referida Instrução Normativa N. 02, a proposta contempla ações, conforme parágrafos I, III, IV, V, VII, VIII e X: - Autorização para os visitantes realizarem registro fotográfico e postagem em mídias sociais; - Registro da exposição por um fotógrafo profissional e postagem nas páginas oficiais do projeto; - Capacitação de equipe educativa da instituição em ações culturais e educativas, e em recursos de acessibilidade da exposição; - Realização de visitas monitoradas e atividades com visitantes, pessoas com deficiência, estudantes de escolas públicas e privadas, e estudantes universitários; - Acesso gratuito à exposição e atividades educativas. A exposição também será registrada por um fotógrafo profissional, em alta qualidade, as quais serão disponibilizadas nas páginas oficiais, gratuitamente, ampliando acesso para pessoas residentes de outras localidades.
FICHA TÉCNICA Fotografia artística | SEBASTIÃO SALGADO Curadoria | LÉLIA WANICK SALGADO Direção Geral | ALVARO RAZUK Coordenação de Produção | ADELAIDE D’ESPOSITO E WALERIA DIAS Produção local | a contratar Assistência de Produção local | a definir Projeto Gráfico | LÉLIA WANICK SALGADO Designer | ALEXANDRE BENOÎT Comunicação Visual | ALEXANDRE BENOÎT Projeto Expográfico | ALVARO RAZUK Arquitetura | ALVARO RAZUK Produção (Arquitetura) | DANIEL WINIK E LIGIA ZILBERSZTEJN Projeto Luminotécnico | FERNANDA CARVALHO Produção Gráfica | a definir Textos | LEÃO SERVA Tradução e Revisão | CHRISTOPHER MACK E CRIS FINO Montagem | GALA Trilha Sonora | PAU BRASIL E RODOLFO STROETER Fotografia | EVERTON BALLARDIN Vídeo de registro | a contratar Produção (Conservação, manutenção e desmontagem) | FABIANA ODA Impressão | IPSIS E OLHO DIGITAL Assessoria de Imprensa | POOL DE COMUNICAÇÃO Assessoria Jurídica | ETAD Produção Geral e Produção Executiva | MARÉ PRODUÇÕES Produção | PINK PINEAPPLE Depoimento SEBASTIÃO SALGADO E LÉLIA WANICK SALGADO Produção | ACARI FILMES Direção e Produção Executiva | JULIANO SALGADO Documentário LIDERANÇAS INDÍGENAS Produção | ACARI FILMES Direção e Produção Executiva | JULIANO SALGADO Entrevistas | LEÃO SERVA EDUCATIVO Curadoria e Projeto Pedagógico | ALEBRE Educadores/Monitores | Instituição (SESC) CURRÍCULOS DA EQUIPE SEBASTIÃO SALGADO Fotografia Artística Iniciou a carreira nos anos 1970, como fotojornalista para agências como Sygma e Magnum. Encarregado de cobrir os 100 dias de Ronald Regan, realizou a foto que o deixaria famoso. Passou então a realizar as séries que se tornariam emblemáticas, como “Trabalhadores” (1996), “Terra” (1997), “Outras Américas” (1999), “Retratos de Crianças do Êxodo” (2000), “Êxodos“ (2000), “África” (2007) e “Gênesis” (2013). Recebeu centenas de prêmios de fotografia, como o Prêmio World Press Photo (1989), o Prêmio Internacional da Fundação Hasselblad (1989) e o Prêmio World Photo Oskar Branck (1991, 1992, 1985), além do Prêmio Jabuti (1998), na categoria Reportagem, e o Prêmio Unesco. É fundador da organização sem fins lucrativos Instituo Terra e colabora com organizações humanitárias como o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, (ACNUR), a Organização Mundial da Saúde (OMS), a ONG Médicos sem Fronteiras e a Anistia Internacional. É também membro da Academia de Belas Artes da França. LÉLIA WANICK SALGADO Concepção do Projeto Gráfico e Curadoria Formada em arquitetura pela Ecole National Supérieure de Beaux Arts e Urbanismo, da Universidade Paris VIII, é curadora, autora e produtora gráfica. Fundou as revistas Photo Revue e Longue Vue, além da agência de imprensa fotográfica Amazonas Images. Assina os projeto gráficos e a curadoria das exposições e livros de arte “Gold” (1999), “Retratos de Crianças do Êxodo” (2000), “África” (2007) e “Gênesis” (2013), de Sebastião Salgado. Ao lado do fotógrafo, criou o Instituto Terra, organização ambientalista que visa promover a restauração do vale do Rio Doce e também realiza ações nas áreas de educação ambiental, pesquisa científica e desenvolvimento sustentável. ALVARO RAZUK - (Responsável Legal - Proponente) Direção Geral e Produção Executiva Formado em arquitetura, desde 1989 desenvolve projetos museográficos, cenográficos e arquitetônicos no Brasil e em diversos países, além da direção e coordenação de produção. Dentro os principais projetos, destaque para “Gênesis - Sebastião Salgado” (Rio de Janeiro e São Paulo, 2013), “Ocupação Artigas” (Itaú Cultural, 2015) e “Millôr Fernandes – Obra Gráfica” (IMS RJ, 2016), “32ª Bienal de São Paulo – Incerteza Viva” (Pavilhão da Bienal, 2016), “Rever – Augusto de Campos” (SESC Pompeia, 2016), “Anita Malfatti: 100 anos de arte moderna” (MAM São Paulo, 2017), Rivane Neuenschwander: alegoria do medo” (Alemanha, 2018) e “Marc Ferrez – Território e Imagem” (IMS, 2019). ADELAIDE D’ESPOSITO Coordenação de Produção - Arte Formada em Arquitetura pela FAU – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, atua na coordenação de produção de exposições de arte desde 2008. Tem ampla experiência em montagem e desmontagem de exposições, e conservação, com passagem pela Fundação Bienal de São Paulo (2014-2017), Grand-Duché de Luzembourg Consulat Général (2017-2019) e Galeria Nara Roesler (2018-2019). Fundou a produtora de arte Pink Pineapple (2018), realizando a coordenação de exposições como “Ernesto Neto Soplo – Museo Malba” (Pinacoteca do Estado de São Paulo, 2019), “Entrevendo Cildo Meirelles” (SESC Pompeia, 2019) e “GOLD Serra Pelada – Sebastião Salgado” (SESC Birigui, 2020). WALERIA DIAS Coordenação de Produção - Arquitetura Tradutora de formação, realiza produção de eventos e exposições de arte desde 2008. Durante dez anos, realizou produção e coordenação de produção para a Fundação Bienal de São Paulo. Em 2018, fundou a produtora de arte Pink Pineapple, pela qual realizou exposições como “Ernesto Neto Soplo – Museo Malba” (Pinacoteca do Estado de São Paulo, 2019), “Entrevendo Cildo Meirelles” (SESC Pompeia, 2019) e “GOLD Serra Pelada – Sebastião Salgado” (SESC Birigui, 2020). LEÃO SERVA Textos e Entrevistas Mestre e doutor em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP, com trabalhos sobre Jornalismo de Guerra, e pós-doutorando em Neuroestética das imagens sobre fotografias de guerra, na ESPM. É Diretor de Jornalismo da TV Cultura de São Paulo e colaborador da Folha de S.Paulo. Publicou os livros “Um Tipógrafo na Colônia” (Publifolha, 2014), “A Desintegração dos Jornais” (Reflexão, 2014), “Como Viver em São Paulo Sem Carro (3 edições)” (Santa Clara Ideias, 2012, 2013, 2014), “#MalditosFios” (Santa Clara Ideias, 2013), “Jornalismo e Desinformação” (Senac, 2001), “Babel – A Mídia antes do Dilúvio...” (Mandarim, 1997), “A Batalha de Sarajevo” (Scritta, 1994) e “Mensagens da Virgem Maria em Medjugorje” (1989). RODOLFO STOETER Direção e Produção Musical – Trilha Sonora Contrabaixista, compositor e produtor artístico, trabalha no cenário musical brasileiro desde o final da década de 70. É um dos músicos fundadores do grupo Pau Brasil (1978), além de ter integrado a formação de dois grupos instrumentais históricos, o Divina Increnca e o Grupo UM. Pelo selo musical Pau Brasil Music, fundado em 1994, produziu artistas como Joyce, Gilberto Gil, Banda Mantiqueira, Sérgio Santos, Marlui Miranda, Mônica Salmaso, entre outros. Foi diretor artístico da orquestra Jazz Sinfônica do Estado de São Paulo entre 1991 e 1995. É também compositor de trilhas sonoras para espetáculos como “IllumiNations” e “Jardim Oriental dos Primeiros Desejos”, do diretor Ismael Ivo, da companhia Balé da Cidade de São Paulo. JULIANO SALGADO Direção Audiovisual e Produção Executiva – Documentário Diretor, Roteirista e Produtor, formou-se na London Film School. Seu primeiro filme, “Suzanna” (1996), realizado para a rede de televisão ARTE, retratava as mina antipessoais terrestres em Angola. Realizou documentários em diversos países como Etiópia, Afeganistão e Brasil. Seu ultimo documentário, “O Sal da Terra”, co-dirigido por Wim Wenders, foi distribuído em todo o mundo tendo sido premiado na Sessão “Um Certo Olhar”, da Mostra Oficial do Festival de Cannes, onde recebeu o prêmio especial do Júri. Recebeu ainda os Prêmios de Público no Festival de San Sebastian, o Prêmio de Melhor Documentário no Cesar 2015, entre outros. Em 2015, foi nomeado ao Oscar de Melhor Documentário.
PROJETO ARQUIVADO.