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PRONAC 204687Apresentou prestação de contasMecenato

LYSON GASTER NO BOROGODÓ temporada popular

THEATRON-MARCOS THADEUS PRODUCOES LTDA
Solicitado
R$ 386,7 mil
Aprovado
R$ 386,7 mil
Captado
R$ 384,0 mil
Outras fontes
R$ 0,00

Análise IA

Relacionamentos

Incentivadores (3)
CNPJ/CPFNomeDataValor
17948578000177LUIZA LAB CONSULTORIA EM INOVACAO LTDA.1900-01-01R$ 280,0 mil
07746953000142Luizaseg Seguros S.A1900-01-01R$ 70,0 mil
61381554000170Razzo Ltda1900-01-01R$ 34,0 mil

Eficiência de captação

99.3%

Classificação

Área
—
Segmento
Apresentação ou Performance de Teatro
Enquadramento
Artigo 18
Tipologia
Projetos normais
Ano
20

Localização e período

UF principal
SP
Município
São Paulo
Início
2021-04-01
Término

Resumo

Temporada popular do espetáculo Lyson Gaster no Borogodó. Publicação e lançamento de um livro com a dramaturgia do texto e fotos do espetáculo e Oficinas teatrais gratuitas.

Sinopse

A peça retrata a história da atriz Lyson Gaster, nome artístico de Agostinha Belber Pastor, espanhola criada em Piracicaba, que com sua companhia de teatro de revista viajou o Brasil nos anos 20, 30 e 40. Tudo o que representa o Teatro de Revista e suas convenções estão preservadas na montagem. O espetáculo tem a proposta de retratar aspectos da vida da atriz Lyson Gaster, revigorando fatos importantes dos palcos brasileiros e resgatando parte da história cultural do País. LYSON GASTER no borogodó Dramaturgia: FÁBIO BRANDI TORRES CENA 01 A luz sobe enquanto ouvimos La Cumparsita e vemos Lyson e Viviani dançando. A dança continua por algum tempo, intensa. LYSON – Lá eu não fico mais! VIVIANI – Eu não saio. LYSON – Lá você também não fica! VIVIANI – Dois desempregados? LYSON – Como você pensa pequeno! Lyson retoma a dança, guiando Viviani, que tenta retomar o controle. Sem conseguir, ele para novamente a dança. VIVIANI – Lyson, me ouve! Isso é loucura! LYSON – É desrespeito! Ele me trocou! VIVIANI – Não foi bem assim. LYSON – Por uma menina, mal saída das fraldas! VIVIANI – Mas você ainda tem o seu lugar. LYSON – Em segundo plano! VIVIANI – Melhor o segundo plano na Companhia do Sebastião Arruda, do que o primeiro no Atelier da Madame Dinorah! LYSON – Eu não vou fazer figuração praquela fedelha! VIVIANI – Vai mesmo voltar a ser modista então? LYSON – Jamais! Lyson pega um girassol e põe entre os dentes. Voltam a dançar. VIVIANI – E se a gente falar com o Arruda? LYSON – Tentei, ele não me ouviu. VIVIANI – Última tentativa! LYSON – Não vou me rebaixar! VIVIANI – A gente fala com a menina, essa Violeta Ferraz! LYSON – Não tenho nada pra falar com ela. VIVIANI – Mas você é uma estrela, ela... Ela é uma menina! LYSON – Se o Arruda quer transformar a companhia dele em creche, não é problema meu! VIVIANI – E o que é que a gente vai fazer? Lyson dá o girassol para Viviani, que pega sem entender. CENA 02 A luz se apaga sobre eles e começa a subir sobre o tableau com as vedetes, enquanto a música muda para Abre-Alas, cantada por todas. Ó abre alas Que eu quero passar Ó abre alas Que eu quero passar Lá pro seu Arruda Eu não vou voltar Lá pro seu Arruda Eu não vou voltar Ó abre alas Que eu quero passar Ó abre alas Que eu quero passar Lyson Gaster É que vai ficar Lyson Gaster É que vai ficar Durante a música, as vedetes descem para a plateia. Quando voltam, um dos atores continua na plateia, entre o público. O número termina com a entrada de Eusébio, trazendo malas. CENA 03 EUSÉBIO, fechando uma enorme carteira – Ave Maria! Trinta mil-réis pra nos trazê da estação da estrada de ferro até aqui. Esta gente pensa que dinheiro se cava! O Gerente entra pelo outro lado. O GERENTE – Olá! Temos hóspedes! EUSÉBIO – Deus Nosso Sinhô esteje nesta casa! Entram Fortunata, Quinota e Juquinha. FORTUNATA – É um casão! QUINOTA – Um palácio! JUQUINHA – Eu to com fome! Quero jantá! FORTUNATA – Menino, não começa a reiná! O GERENTE – Desejam quartos? EUSÉBIO – Eu sou Nhô Eusébio, fazendeiro, essa aqui é minha muié, Dona Fortunata. FORTUNATA – Uma sua serva. O GERENTE – Folgo de conhecê-la, minha senhora. E esta moça? É sua filha? EUSÉBIO – Nossa. FORTUNATA – Nome dela é Quinota... Joquina... Mas a gente chama ela de Quinota. QUINOTA – Cala a boca, mamãe. O senhor não perguntou nada. EUSÉBIO – É muito estruída. Teve três professô... Este é meu filho.. Tem cabeça, qué vê? Diz um verso, Juquinha! JUQUINHA – Ora, papai! FORTUNATA – Diz um verso, menino! Não ouve teu pai tá mandando? QUINOTA – Diz o verso, Juquinha! Você parece tolo! JUQUINHA – Não digo! FORTUNATA – Diz o verso, diabo! (Dá-lhe um beliscão. Juquinha faz grande berreiro.) EUSÉBIO – Tá bom! não chora! Tá muito cheio de vontade... Ah! Mas eu hei de endireitá ele! O GERENTE – Não será melhor subirem para os seus quartos? EUSÉBIO – Sim, sinhô. O hotezinho parece bem bão. O GERENTE – O hotelzinho? Um hotel que seria de primeira ordem em qualquer parte do mundo! O Grande Hotel da Capital Federal! CENA 04 Entram cantando A Rua do Ouvidor. Não há rua como a rua Que se chama do Ouvidor Não há outra que possua Certamente seu valor! Sendo assim tão mal calçada Tão estreita como é Pode até ser comparada Com qualquer beco chulé! Mas o caso é que esta rua Atrações tem rivais Quem a ela se habitua Não a deixa nunca mais! Muita gente há que se masse Quando, seja por que for, Passe um dia sem que passe Pela Rua do Ouvidor. Entra Lola. CENA 05 LOLA – Fin de siècle, fin de siècle! (Declama) Eu tenho uma grande virtude: sou franca, não posso mentir! Comigo somente se ilude quem mesmo se queira iludir! Porque quando apanho um sujeito ingênuo, simplório, babão, necessariamente aproveito, fingindo por ele paixão! Engolindo a pílula, logo esse imbecil põe-se a fazer dívidas e loucuras mil! Quando enfim, o mísero já nada mais é, eu sem dó aplico-lhe rijo pontapé! Eu tenho uma linha traçada, e juro que não me dou mal... Desfruto uma vida folgada e evito morrer no hospital. Descuidosa, venturosa, com folias sem amar, passo os dias a folgar! Só conheço as alegrias, sem tristezas procurar! CENA 06 EUSÉBIO – Boa nôte, madama! Deus esteja nesta casa! Sumana passada eu precurei a madama um bandão de vez sem conseguir le falá... LOLA – E por que não veio esta semana? EUSÉBIO – Sumana santa... Eu então esperei que rompesse as aleluia! Eu pensei que a madama embrulhasse língua comigo, e eu não entendesse nada que a madama dissesse, mas tô vendo que fala muito bem o português... LOLA – Eu sou espanhola e... O senhor sabe... O espanhol parece-se muito com o português; por exemplo: hombre, homem; mujer, mulher. EUSÉBIO, mostrando o chapéu que tem na mão - E como é chapéu, madama? LOLA – Sombrero. EUSÉBIO – Quase a mesma coisa! E cadeira? LOLA – Silla. EUSÉBIO – E janela? LOLA – Ventana. EUSÉBIO – Muito parecida! LOLA – Mas não foi para aprender espanhol que o senhor veio à minha casa... CENA 07 O ator que havia ficado na plateia, transformado em Alegoria, avança para perto do palco. ALEGORIA – Parou! Parou tudo! LOLA – Que foi, criatura? ALEGORIA – Tá tudo errado! Entra o Pesquisador, trazendo uma pasta. PESQUISADOR – O que é que tá acontecendo aqui? Não se pode parar uma peça! ALEGORIA – Pode, sim, se ela estiver toda errada! PESQUISADOR – Errada onde? Errada como? Errada por quê? Não existe uma vírgula errada em cima desse palco! ALEGORIA – Lyson Gaster nunca fez A Capital Federal! Fez várias burletas, sainetes, burletas-sainetes, revistas, operetas, foi Mimosa Roceira, foi Maria Bonita, Zezé, Celinda, Alba, Manacá, foi também Rosa, Durvalina, Nelly, Betty, Cumparsita ou Hemengarda, Juracy e até o Tejo! Mas Lola ela nunca foi! PESQUISADOR – Isso foi só pra dar uma introdução, porque a família dela... ALEGORIA – A gente precisa retomar o foco desse espetáculo, voltar pra Lyson, que é a razão de tudo isso! PESQUISADOR – Mas afinal, quem é você? ALEGORIA – Se eu usar um crachá te ajuda? PESQUISADOR – Crachá? Alegoria veste uma faixa. ALEGORIA – Eu tô aqui pra te mostrar a vida de Lyson como ela é! No caso aqui, é a vida como ela foi, claro. PESQUISADOR – E nós também! Nos est... Espera! A vida como ela é! Nelson Rodrigues! Quer ver só? Até Nelson Rodrigues celebrou a grande Lyson Gaster! Eu devo ter aqui, eu sei que eu tenho! O Pesquisador abre sua pasta, tirando diversas folhas de dentro. ALEGORIA – Olha, não precisa mesmo... PESQUISADOR – Aqui! Olha o que Nelson disse sobre ela: ALEGORIA – Amor, detesto citação em espetáculo. PESQUISADOR – Mas ele diz que ela era linda, encantadora... ALEGORIA – A gente tem que mostrar, não falar. Mostrar a vida como ela foi! PESQUISADOR – E estamos fazendo isso! Olha lá! CENA 08 Aponta para um canto do palco, onde Viviani entra e se dirige a um microfone, como se estivesse em um estúdio de rádio. VIVIANI – Meu nome é Luís. Luís xv, rei de França. Estou aqui para reclamar da falta de imaginação das pessoas daquela época, que botavam o nome de Luís em tudo que era rei, só de Luíses a França teve 23. A confusão que fazem com o meu nome é terrível. Já cortaram a minha cabeça e eu nunca fui guilhotinado. Chamam-me de "Rei Sol", e o Rei Sol era o Luís XIV. Já me puseram para dormir com a Maria Antonieta, uma tarada que tinha a mania de atirar pão de queijo para o povo. Ou seriam brioches? E ela nem era minha mulher, era do XVI. Mulheres, sim, tive duas e ambas madames: a Pompadour e a Du Barry, que, se fosse do barril, nem era mulher, era chope. De vez em quando, esses meninos que fazem vestibular distribuem minhas mulheres sem a menor cerimônia. Um já deu a Du Barry para o Luís XIII e a Pompadour já foi parar na cama do Luis XVIII. Resultado: quando acabou o vestibular, eu, Luis xv, era o maior corno de Paris! ALEGORIA – Olha aí! Não tô falando? Esse aí é o segundo marido da Lyson, o Viviani muitos anos depois, trabalhando em rádio! E num texto do Max Nunes! Só pra você ter ideia do absurdo, o Max Nunes nasceu em 22! 1922! A gente tem que voltar pro começo! PESQUISADOR – Entendi, você gosta de tudo certinho, quadradinho. Quer que seja do começo? ALEGORIA – É como tem que ser! PESQUISADOR – Começo, começo mesmo? ALEGORIA – Começo é começo, oras! PESQUISADOR – Que seja feita a sua vontade! CENA 09 O Pesquisador aponta para um ponto do palco e entram Rafael e Maria Antonia, empurrando o carrinho de bebê onde está Lyson, com um ano de idade. MARIA ANTONIA - ¿Que lugar es ese? ¿Donde estamos? RAFAEL – ¡Aquí es donde nos estableceremos y construiremos nuestras vidas! Pi... Pira... Entram torcedores do XV, cantando: Cárxara de forfe, Cúspere de grilo, Bícaro de pato, Abre a porteira crec Fecha a porteira nhec Treis veiz cinco Quinze, quinze, quinze! TORCEDOR – Viva o XV de Piracicaba! Os outros torcedores gritam e saem de cena. RAFAEL – Piracicaba! Es eso! MARIA ANTONIA, com medo – ¿Y crees que es seguro? RAFAEL – Por supuesto que si! Mas temos que falar só a língua daqui. Logo, a nossa filha vai dizer a sua primeira palavra. Aposto que vai ser papá! Ou papai! MARIA ANTONIA – Ou mamá! De fora de cena, vem o pregão do Vendededor. Rafael e Maria Antonia ouvem, intrigados. VENDEDOR – Pamonhas, pamonhas, pamonhas! Pamonhas de Piracicaba. É o puro creme do milho verde, venham experimentar estas delícias. Pamonhas quentinhas, pamonhas caseiras, pamonhas de Piracicaba. RAFAEL – Que é isso? MARIA ANTONIA – No compreendo. LYSON – Pamonha. Rafael e Maria Antonia se viram para o carrinho, incrédulos. RAFAEL – Ela falou? MARIA ANTONIA – Ela falou! OS DOIS – Ela falou! MARIA ANTONIA – Ela falou... pamonha! RAFAEL – Pamonha! No, nos és possible! VENDEDOR, entrando – Pamonhas, pamonhas, pamonhas! RAFAEL – Ah, cabrón! O que é isso? VENDEDOR – Pamonha! RAFAEL – És su madre! Vai partir para cima do vendedor, Maria Antonia o segura. MARIA ANTONIA – Que isso, rapaz? Isso é jeito de falar? Ele só fez uma pergunta, nós não somos daqui, queremos saber o que você está fazendo. VENDEDOR – Eu vendo pamonha, sô! RAFAEL – E o pamonha que você tá vendo sou eu? Parto-lhe a cara agora! VENDEDOR – O senhor não entendeu nada. LYSON – Pamonha. RAFAEL – Me segura, mujer! MARIA ANTONIA – Calma, hombre! VENDEDOR – Eu estou vendendo pamonhas, moço! Pamonha, o puro creme do milho! Vai me dizer que não conhece não? LYSON – Pamonha. RAFAEL, indo para o carrinho – Ah! Que tragédia! Olha aí! A primeira palavra... MARIA ANTONIA, pegando uma pamonha – Ah... Isso é que é pamonha? Esse creme embrulhadinho aí? RAFAEL – Não! Não vem querendo me enganar, não! Me disseram que pamonha é um sujeito mole, frouxo... VENDEDOR – Pode ser, mas também é o nome disso aqui. Sabia não? RAFAEL – No. No sabia. LYSON – Pamonha. MARIA ANTONIA – Quieta, menina! LYSON – Pamonha! RAFAEL – Me disseram que a língua era parecida, que era fácil aprender, mas já tô achando tudo muito complicado! Não sei se vai dar certo, não. LYSON e VENDEDOR – Pamonha. Rafael olha feio, o Vendedor sai. VENDEDOR – Pamonhas, pamonhas, pamonhas! MARIA ANTONIA – Agora, é começar a trabalhar. RAFAEL – Mas não vai ser na roça. Não levo jeito. LYSON – Pamonha. RAFAEL – Como é? MARIA ANTONIA – Boa ideia! A gente podia fazer pamonha pra vender. RAFAEL – Isso é verdade, comida é coisa que sempre dá dinheiro... Mas bebida dá mais! Já sei, vamos abrir um bar! MARIA ANTONIA – Bar dá muito trabalho, não sei se eu aguento. LYSON – Pamonha. RAFAEL – Isso, pamonha! MARIA ANTONIA – A gente vai vender pamonha? RAFAEL – Não, tu é que és pamonha! Mas vai deixar de pamonhice, porque a a gente vai mesmo abrir o bar. A criançada ajuda! MARIA ANTONIA – Que criançada? RAFAEL – A Agostinha aqui, que já vai crescer e ainda temos o nosso primogênito, o Antonio, as duas meninas que vão vir depois e o menino também. Aliás, tá na hora do trabalho. Vamos lá, criançada! Lyson sai do carrinho e entram também Antonio, Maria, Laura e João, que começam a montar o bar. (Sugestão: todos podem sair do carrinho, se possível) CENA 10 Entram Nicolau e um amigo, que traz um violão. Todos em cena cantam: Oh, lua branca de fulgores e de encanto Se é verdade que ao amor tu dás abrigo Vem tirar dos olhos meus o pranto Ai, vem matar essa paixão que anda comigo Oh, por quem és desce do céu, oh lua branca Essa amargura do meu peito, oh, vem, arranca Dá-me o luar de tua compaixão Oh, vem, por Deus, iluminar meu coração E quantas vezes lá no céu me aparecias A brilhar em noite calma e constelada E em tua luz então me surpreendias Ajoelhado junto aos pés da minha amada E ela a chorar, a soluçar, cheia de pejo Vinha em seus lábios me ofertar um doce beijo Ela partiu, me abandonou assim Ó, lua branca, por quem és, tem dó de mim Ela partiu, me abandonou assim Ó, lua branca, por quem és, tem dó de mim Durante a música, Lyson serve uma bebida a Nicolau e trocam olhares. Nicolau se levanta e dança com Lyson. Para de dançar, vai até a mesa e vira o copo que foi servido. Enquanto isso, as irmãs de Lyson colocam uma grinalda na cabeça dela. O amigo de Nicolau coloca uma cartola nele. Lyson e Nicolau se encontram no centro do palco e ficam de braço dado, caminhando lentamente, como se estivessem saindo da igreja, após o casamento. Nicolau vai beber mais uma vez e quando volta, Lyson está com um filho no colo. Ele pega o filho, feliz. Toma mais um gole na mesa. O bar começa a ser desmontado. Quando se aproxima de Lyson, ela está com outro filho nos braços. Nicolau apenas devolve o filho e vai pegar uma garrafa. Dá um grande gole. Lyson se aproxima dele, com os dois filhos, mas ele se afasta, cambaleando. Laura, uma das irmãs para ao lado de Lyson, segurando uma mala. Trocam um olhar e saem. Nicolau a vê saindo e canta sozinho os últimos versos: Ela partiu, me abandonou assim Ó, lua branca, por quem és, tem dó de mim A luz se apaga sobre Nicolau, enquanto ele bebe da garrafa. A luz se acende sobre Lyson chegando à casa de Maria Antonia, acompanhada por Laura, que leva a mala. CENA 11 MARIA ANTONIA – Mas minha filha! Você vai fazer o quê? Vai viver aqui em São Paulo? LYSON – Adoro Piracicaba, mas pra lá eu não volto! MARIA ANTONIA – Minha filha, marido não se abandona! LYSON – Dependendo do marido, se abandona, sim! MARIA ANTONIA – Mas o que é que vão dizer? LAURA – Já estão dizendo, olha só. Não quero nem ouvir! CENA 12 Laura sai com a mala. Aparecem as vizinhas. (em janelas ou focos ou passando). VIZINHA 1 – Abandonou o marido, acredita? VIZINHA 2 – Perdida! VIZINHA 1 – Um homem tão bom, como ela faz isso? VIZINHA 2 – Desvairada! VIZINHA 1 – E agora, vai ser o que na vida? VIZINHA 2 – Puta! CENA 13 LYSON – Elas que falem! Ninguém paga as minhas contas. MARIA ANTONIA – E quem vai pagar? O que é que você vai fazer? LYSON – A gente tá em São Paulo, oras! Vou procurar trabalho. MARIA ANTONIA – E o seus filhos? Lyson entrega as crianças para a mãe. LYSON – Esse vai ser engenheiro, esse vai ser médico. Agora, dá licença que eu tô atrasada pro trabalho. MARIA ANTONIA – Trabalho? CENA 14 Entra Madame Dinorah, empurrando um manequim com um vestido. A cena muda para um atelier. MADAME DINORAH – Agostinha! LYSON – Sim, Madame Dinorah! MADAME DINORAH – Termine o bordado desse vestido. A cliente vem buscar ainda hoje! LYSON – Que lindo, Madame! De quem é? MADAME DINORAH – É de uma bailarina que está se apresentando no Casino Antartica, a Ana Kremser! Ela é um amor, você vai adorar! LYSON, encantada – Bailarina? MADAME DINORAH – Eu atendo muitos artistas aqui no meu atelier, não sabia? Mas vamos lá, rápido! Madame Kremser vai usar esse vestido na apresentação dessa noite! Sai. Lyson olha encantada para o vestido. LYSON – Bailarina... Artista... Como deve ser subir em um palco, ficar assim, com um vestido tão lindo, na frente de um monte de gente? CENA 15 Ana Kremser coloca a cabeça sobre o manequim. ANA KREMSER – Você nunca pensou nisso? LYSON – Eu? Artista? Imagina! ANA KREMSER – Por que não? Você é tão linda! LYSON – Bondade sua! ANA KREMSER – Não é bondade, é olho! Eu reconheço um talento quando vejo. Eu posso te apresentar lá no Casino Antártica. Tenho certeza que eles vão te adorar. LYSON – Mas eu nunca fiz nada parecido! ANA KREMSER – Você não canta? LYSON – Só no chuveiro! ANA KREMSER – Ótimo! Umas aulinhas e você vai estar pronta! LYSON – Não , eu não posso! O que é que vão dizer se eu virar artista? ANA KREMSER – É com isso que você tá preocupada? CENA 16 Lyson sorri. Ana sai de trás do vestido e pega Lyson pela mão, levando-a até onde estava, atrás do vestido. Lyson canta Mimosa. Mimosa Tão delicada e melindrosa Mimosa, mimosa, mimosa Deus que te fez assim formosa Deu-te o perfume de uma rosa Mimosa, mimosa Quando tu passas pela estrada Ou pela fresca madrugada Ou pela noite enluarada Minha alma fica magoada E o meu amor te apoteosa, maldosa Mimosa És minha luz e minha estrela Fada dava-te tudo sem ter nada Linda amor assim quem viu ainda Hei de cantar-te em verso e prosa Mimosa CENA 17 Termina de cantar no palco, usando o vestido. Ana entra, entusiasmada, segurando um jornal. ANA KREMSER – Agostinha! Agostinha, você é um sucesso! LYSON – Não, não é. Agostinha é uma espanhola de Piracicaba, que não fez um grande casamento e acabou trabalhando em um atelier de costura. ANA KREMSER – Mas foi nesse atelier que nasceu Lyson Gaster! LYSON – Graças à sua ajuda. ANA KREMSER – Graças ao seu talento! Não param de escrever sobre você! Até os jornais em italiano estão cantando a sua glória (lê): Avrà luogo la sera del 24 uno spettacolo in onore della brava Lyson Gaster. Quest'artista, che ha debuttato per la prima volta al Casino Antarctica si é affermata subito un'artista di valore ed acquistato tutte le simpatie del publico che non si stanca mai di udirla da molte sere.* * Na noite do dia 24, será realizado um espetáculo em homenagem à grande Lyson Gaster. Esta artista, que fez sua estreia no Casino Antártica, imediatamente se estabeleceu como uma artista de valor e conquistou a simpatia do público, que não se cansa de ouvi-la noites seguidas. LYSON – Espero que estejam falando bem, porque entendi foi nada! ANA KREMSER – Estão dizendo que você é uma estrela. Agora, é hora de brilhar nos palcos. CENA 18 A luz se apaga, entra La Cumparsita. Um foco se acende sobre Viviani, que olha para um girassol que tem nas mãos. Lyson vai até ele. VIVIANI – Os Girassóis? LYSON – Não gostou do nome? VIVIANI – É bom, não é ruim. Mas uma dupla, Lyson? LYSON – É o que a gente precisa agora, nesse momento. Rodar esse país, só você e eu. VIVIANI – Uma dupla? LYSON – Os Girassóis! VIVIANI – Uma dupla... LYSON – Um casal de artistas, marido e mulher no palco! O público vai adorar! VIVIANI – Pode ser. Mas eu gosto de companhia grande, gosto de gente, gosto de palco cheio. LYSON – Também gosto, mas pode ser a hora de experimentar alguma coisa diferente. Desde que eu saí do atelier, eu já viajei muito por esse país, excursionei até pelo Uruguai, fiquei em cartaz no Rio, entrei e saí de companhias. Tudo isso pra entrar em uma companhia grande como a do Arruda, virar estrela e depois ser trocada por uma meninota! VIVIANI – Então, que seja! LYSON – O quê? Uma dupla? VIVIANI – Os Girassóis! Viviani passa o girassol para Lyson e voltam a dançar La Cumparsita. Param novamente de dançar. VIVIANI – Você tinha razão! Que sucesso! O público sempre quer mais! Já rodamos o país todo! LYSON – Não param de chegar convites para Os Girassóis. VIVIANI – A gente não pode nem pensar em aceitar mais nenhum! Acabamos de fechar essa temporada grande no Cassino Miramar. LYSON – Acho que a gente tem que aproveitar esse momento. VIVIANI – Pra investir em novos números, novos textos e fortalecer a dupla? LYSON – Não, pra acabar com ela. VIVIANI – Acabar com a dupla? Você quer se separar? LYSON – Quero juntar! VIVIANI – Juntar? Juntar o quê? Juntar quem? Você tem outro, Lyson? LYSON – Nós vamos ter. Muitos outros, vamos juntar todo mundo de novo! VIVIANI – Tô ficando confuso. LYSON – A gente vai montar uma companhia, a nossa companhia! Vamos chamar minhas irmãs, meu irmão! Vamos trabalhar juntos novamente! VIVIANI – Mary Gaster, Lilian Gaster e... João Gaster. Ele vai mesmo continuar com esse nome? LYSON – Ele gosta. VIVIANI – Maria virou Mary, Laura virou Lilian, por que João não pode virar Johnny? LYSON – Deixa ele. E depois, ele prefere cuidar da contabilidade a ir pro palco. VIVIANI – É bom ter alguém de confiança nessa parte. LYSON – É ótimo! Porque assim que a gente terminar a temporada no Cassino, nós vamos rodar o Brasil! VIVIANI – Companhia Lyson Gaster! Que tal esse nome? LYSON – Você acha? VIVIANI – Você merece! LYSON – E você acha que vai dar certo? CENA 19 PESQUISADOR, entrando – Claro que vai! O Correio da Noite vai chamar vocês dois de “Os Bandeirantes do Teatro”! Isso em 1946! ALEGORIA, entrando – Ou seja, daqui a 20 anos! A gente ainda te em 1926! Se isso não é spoiler, eu não sei o que é! PESQUSIADOR – Você vai ser conhecida como o “Anchieta de saias”! O próprio Procópio Ferreira vai te chamar assim! ALEGORIA – Mas tudo isso vai ser depois! Antes disso, vocês têm todo esse país pra rodar! Manaus, Cuiabá, Goiânia, Porto Alegre! PESQUISADOR – Mas não vai ser fácil! Vão ter que pegar navio, trem, gaiola, avião... VIVIANI – Avião? ALEGORIA – Mais pra frente, mais pra frente! E também vão ter que dormir em cima do palco, sem conforto! LYSON – Não tem problema! Eu tô pronta! VIVIANI – Eu também! ALEGORIA – Então, é hora de botar o pé na estrada! CENA 20 Alegoria entrega uma mala para Lyson e outra para Viviani. Entra “Luar do Sertão” e começa a coreografia com as malas. Durante as coreografias, vão passando os cartazes das apresentações. Dois atores deixam as malas e se encontram no meio do palco. CENA 21 PORTUGUÊS 1 – Então não sabes o que é cacófato? PORTUGUÊS 2 – Não! PORTUGUÊS 1 – Cacófato é o seguinte: "Alma mais pura e nobre do quea tua"... Alma mais... Mamais. PORTUGUÊS 2 – Mamais? PORTUGUÊS 1 – Mamais! Isto é que é um cacófato. Outro exemplo: "Alma minha gentil que te partiste..." do grande Camões. Onde é que está o cacófato? PORTUGUÊS 2 – Alma minha... Alma minha... Maminha... Maminha... Maminha! PORTUGUÊS 1 – Maminha é cacófato, muito bem. Outro exemplo: "Ao sentir o hálito da boca dela...” PORTUGUÊS 2 – Agora tu meteste uma cadela aí. PORTUGUÊS 1 – Pois foi. PORTUGUES 2 – Pois se juntares todos estes teus cacófatos, temos que "Mamais na maminha da cadela!" CENA 22 Volta a coreografia. PESQUISADOR – Segundo Eva Todor, “Lyson não era uma pessoa que se limitava a trabalhar somente nos grandes centros. Lyson descentralizava o teatro”! CENA 23 Outros dois atores se encontram no centro do palco. 1 – Cumpadre, aquela árvore de Natal que tava lá na sua casa é artificial? 2 – É natural. 1 – A árvore é natural? 2 – Artificial! 1 – Quer dizer que é plantada artificialmente? 2 – Naturalmente, sô! 1 – Calma, cumpadre! Parece que ocê tá zangado! 2 – Mas é natural. Mas me diga ocê uma coisa. O terno que o cumpadre mandou fazer pro Natal é escuro? 1 – Claro. 2 – O terno é claro? 1 – Escuro! 2 – O terno é escuro? 1 – É claro! 2 – O terno é escuro ou claro! 1 – Mas é claro que é escuro! 2 – Calma, que num precisa ficar aborrecido! CENA 24 Os dois se separam e volta a coreografia com as malas. Volta o Pesquisador, lendo uma anotação que tira de sua pasta. PESQUISADOR – “Lyson Gaster impressionava por sua versatilidade. Tanto interpretava uma dama de alta sociedade como uma caipira. Cantora, agradava as plateias com comunicação magnífica, a ponto de todos cantarem junto com ela.” CENA 25 Entra Lyson e canta Casa de Caboclo. Você tá vendo essa casinha simplesinha Toda branca de sapê Diz que ela véve no abandono não tem dono E se tem ninguém não vê Uma roseira cobre a banda da varanda E num pé de cambucá Quando o dia se alevanta Virge Santa Fica assim de sabiá Deixa falá toda essa gente maldizente Bem que tem um moradô Sabe quem mora dentro dela Zé Gazela O maió dos cantadô Quando Gazela viu siá Rita tão bonita Pôs a mão no coração Ela pegou não disse nada deu risada Pondo os oinho no chão E se casaram, mas um dia, que agonia Quando em casa ele voltou Zé Gazela via siá Rita muito aflita Tava lá Mané Sinhô Tem duas cruz entrelaçada bem na estrada Escrevero por detrás: “Numa casa de caboclo um é pouco Dois é bom, três é demais” CENA 26 Lyson sai. Entra o próximo número. 1 – Cumpadre, me diz uma coisa: a Lalá tá cá e a Cacá tá lá ou a Lalá tá lá e a Cacá tá cá? 2 – Sei lá! Lalá lá ia, mas a Cacá cá vinha, só que a Lalá lá foi e a Cacá cá veio. O Véio veio c’a Lalá e quem tá lá é a Tatá. 1 – A Tatá tá lá c’o bebê? 2 – A Tatá tá lá c’a Vavá e o bebê tá cá c’a babá. 1 – A babá que comeu o bobó com tutu da Lalá? 1 – O bobó com tutu não era lá da vovó? 2 – A vovó da Lalá ou da Cacá? 1 – A vovó é da Cacá, caus’que a Lalá tem vovô, que é o véio que veio com ela lá da Lili. 2 – Ah, a Lili, dona da Lulu e do Totó? 1 – Pó pará! Lili deu Lulu lá pra Lalá e o Totó cá pra Tatá, já a babá papou o bobó com tutu da vovó da Cacá, enquanto o véio veio cá c’a Lalá, que ficou lelé caus’que a Lili deu loló lá pro Lulu. Tendeu? 2 – Tendi nada não! 1 – Isplico de novo. 2 – Xapralá! CENA 27 Saem. Pesquisador volta. PESQUISADOR – E agora, senhoras e senhores, uma das maiores atrações da Companhia Lyson Gaster! O internacional Maestro Ostronoff, o Louco dos teclados! Assistimos a uma performance do Maestro Ostronoff, tocando I Want My Mama! CENA 28 Em seguida, já emenda com o número do pudim de ouro. ATRIZ – Mestre-cuca tem segredos Faz delicias sem igual Tudo o que lhe saia dos dedos É gostoso, especial... Faz manjares saborosos Pratos bem originais Faz os doces mais gostosos E quem prova pede mais COZINHEIRO – Vamos parar de mexer. Chega! Pra que mexer tanto? ATRIZ – Estamos tentando fazer um pudim de ouro e é preciso mexer até chegar no ponto. COZINHEIRO – Tá bem. Vocês fiquem mexendo que quando chegar no ponto que eu digo. Quem é você? AÇÚCAR – Não está me reconhecendo pelo saco? Eu sou o açúcar! COZINHEIRO – E a manteiga que está faltando? MANTEIGA – De Paris fui enviada Para o pudim falada Dar todo o meu sabor Estou muito satisfeita Vejo à minha direita Um chef que é um amor... ATRIZ – Você vai é pra forma, o Chef vai te levar. MANTEIGA – O Chef indo, eu vou. Confessso que sou mole Que quando alguém me bole Dá logo a tremedeira No calor eu amoleço E só endureço Se vou pra geladeira. CHEF – Antes que a senhora se derreta toda, vamos pra forma. MANTEIGA – Me bota, me bota, me bota na forma. ATRIZ – Sou um pudim delicioso Muito gostoso Quem quer provar Minha receita Ninguém rejeita E quem começa Não quer parar Pudim de creme Que treme, treme Todos me querem Sou o maior Mesmo por fora Agrado em cheio Mas o recheio Ainda é melhor Minhas ameixas São redondinhas São moreninhas Mesmo um colosso Pode comê-las Sem mastigar Que estas ameixas Não tem caroço Todos me querem E me preferem Porque eu sou doce Até o fim Só me cortejam Porque desejam Passar o dedo Neste pudim CENA 29 VIVIANI – Que sucesso, Lyson! LYSON – Que cansaço, Viviani! VIVIANI – Cansar, cansa, isso lá é verdade. Mas ouvir esses aplausos não tem preço! LYSON – Isso também é verdade. Mas já se passaram mais de vinte anos desde que a gente fundou a nossa companhia. Tô um pouco cansada. ALEGORIA, entrando – Eu avisei, eu avisei! PESQUISADOR, entrando, com mais páginas nas mãos – Mas os elogios continuam! Olha só o Mario Lago (lê): “Lyson e Viviani são dessa turma heroica que foi levando o teatro brasileiro pelo interior do país, permitindo que populações de cidades pequenas conhecessem o que se vinha fazendo nos grandes centros. Isso lhes proporciona grande mérito, porque levar cultura no Brasil, mais do que heroísmo, exige esforço de estivador e atleta.”. LYSON – Estivador e atleta... É isso. É como têm sido esses anos. VIVIANI – Você se arrepende? ALEGORIA – Melhor a gente deixar eles sozinhos. PESQUISADOR – Mas eu ainda tenho um monte de depoimentos pra ler! (Alegoria olha feio para ele) Bom, sempre posso mostrar mais tarde... Alegoria puxa o Pesquiasador e saem. VIVIANI – Você se arrepende? LYSON – De jeito nenhum! Não entendo um ator que não goste de viajar, de levar a sua arte para todas as plateias possíveis, de entrar nesses vilarejos que entramos, às vezes tão pequenos, às vezes tão longe de tudo, e então abrir as cortinas e transformar aquelas vidas, fazer nascer um sorriso, brotar uma lágrima, mostrar um outro mundo, outras vidas, outras possibilidades. VIVIANI – É disso que eu sempre gostei, do pó da estrada, de levar o teatro até o público, não de esperar que o público venha ao teatro. LYSON – Mas a gente já fez a nossa parte, ninguém excursionou mais do que a nossa companhia. Estamos com os filhos criados, o Osiris já é médico e o Romeu é engenheiro, você tá trabalhando na Rádio Nacional, podemos morar na nossa casa em Teresópolis. O que você acha? VIVIANI – Teresópolis... Não sei, tenho que pensar. Mas olha, isso não é conversa pra se ter numa coxia. Já estão te chamando, é a sua vez. Vai lá. CENA 30 Lyson sorri e vai até um microfone, onde canta Rancho Fundo. No rancho fundo Bem pra lá do fim do mundo Onde a dor e a saudade Contam coisas da cidade No rancho fundo De olhar triste e profundo Um moreno canta as mágoas Tendo os olhos rasos d'água Pobre moreno Que de noite no sereno Espera a lua no terreiro Tendo um cigarro Por companheiro Sem um aceno Ele pega na viola E a lua por esmola Vem pro quintal Desse moreno No rancho fundo Bem pra lá do fim do mundo Nunca mais houve alegria Nem de noite, nem de dia Os arvoredos Já não contam Mais segredos E a última palmeira Já morreu na cordilheira Os passarinhos Hibernaram-se nos ninhos De tão triste esta tristeza Enche de trevas a natureza Tudo por que Só por causa do moreno Que era grande, hoje é pequeno Pra uma casa de sapê Se Deus soubesse Da tristeza lá na serra Mandaria lá pra cima Todo o amor que há na terra Porque o moreno Vive louco de saudade Só por causa do veneno Das mulheres da cidade Ele que era O cantor da primavera E que fez do rancho fundo O céu melhor Que tem no mundo Se uma flor desabrocha E o sol queima A montanha vai gelando Lembra o cheiro Da morena CENA 31 Lyson termina e agradece os aplausos. VIVIANI – Vai conseguir viver longe desses aplausos? LYSON – Posso tentar. VIVIANI – Agora? Ainda dá tempo pra uma despedida? LYSON – Claro, a gente ainda tem muitos compromissos. VIVIANI – Que tal a gente fazer aquela peça que você escreveu? LYSON – A Mimosa Roceira? Acho ótimo! Faz tanto tempo que a gente não faz! VIVIANI – Ótimo! E vamos fazer onde? São Paulo? Não! Melhor! Na capital federal, no Rio de Janeiro! LYSON – Piracicaba. VIVIANI – Piracicaba? LYSON – Foi onde a minha história começou. Terminar lá vai ter um significado muito especial pra mim. VIVIANI – Então, não se discute mais! E vamos começar esse ensaio! Onde é que tá todo mundo? O que é que tão esperando? CENA 32 Entram os atores para o ensaio, já fazendo a cena. JURACY, na janela – Não tem ninguém, pode sair! GASTÃO – Adeus, meu amor! JURACY – Vê lá se não faz que nem ontem, que não apareceu o dia todo! Já não gosta de mim? GASTÃO – Não diz uma coisa dessas! Tava muito ocupado! JURACY – Os homens são tão mentirosos! GASTÃO – Eu preciso ir! Tio Ambrósio vem vindo. Se eles nos vê, em meia hora não há na vila quem não saiba de nós. O velho tem uma língua! JURACY – Tio Ambrósio gosta muito de mim e por minha causa, é capaz de fazer qualquer sacrifício. E você não tem nada a perder, eu sim. GASTÃO – Eu tenho que ir. Adeus! CENA 33 Sai. Entra Tio Ambrósio. AMBRÓSIO – Bom dia, Juracysinha! Você madrugou! Moça bonita que levanta cedo é porque teve insônia ou então... JURACY – Tio Ambrósio já está querendo falar mal. AMBRÓSIO – Eu até não tenho esse custume de falar mal da vida alheia. É que vi um vurto sair daqui... Era o fio do patrão? JURACY – É... Era seu Gastão. AMBRÓSIO – Já tava desconfiado. JURACY – Eu estava na janela, ele passou e começou a conversar. AMBRÓSIO – Ele é namoradero e quando encontra uma moça assim como ocê... Tem que ter cuidado... Pode havê circuite... JURACY – O sinhô é que precisa ter cuidado com o circuite. Já andam dizendo por aí que Nhá Orora... AMBRÓSIO – Credo em cruzi! Onde é que se viu tamanha farsidade! Sempre fui serlibatário... Agora vô me enrascá com uma véia? Vê lá se eu vô comer resto de defunto! JURACY – Mas ela tem muito dinheiro! AMBRÓSIO – Credo! Sartei de banda! Dinheiro amardiçoado! Essa veia toda sexta vira mula-sem-cabeça! Juro que já vi! JURACY – Viu nada! Nhá Orora é boa muié! Arrespeitada! Um bão partido! AMBRÓSIO – Tem fazenda, tem dinheirama, mas também tem uma fia! JURACY – E que tem a fia? AMBRÓSIO – Vão dizê que a menina não é minha! JURACY – E não é mesmo! Ela é viúva! AMBRÓSIO – Ah, não é? Eu pensei que cesse... Mas vortando à vaca fria. Você gosta de Nhô Gastão? JURACY – Ah, assim que nem irmão. AMBRÓSIO – Você sabe que eu gosto muito de você... JURACY – Pudera, quem me deu de mamá foi o sinhô! AMBRÓSIO – Não fala isso, se alguém passa, vai achar que eu sou ama de leite! É que você era menina quando seu pai morreu e nóis tudi te criemo. Por isso que lhe digo, desconfie de Nhô Gastão. JURACY – Isso é ciúme! AMBRÓSIO – Eu sei o que to falano! Essa famia não presta! Meu pai deixou uma herança e o patrão não me deu satisfação até hoje! JURACY – O senhora gosta de falar de todo mundo! Eu vou fazer um café pro sinhô tomá! AMBRÓSIO – Não! Já tomei na casa de Nhá Justina. Eta café ruim! Ela côa na frarda da camisa! JURACY – Credo! O sinhô viu isso! AMBRÓSIO – Ver, não vi, mas me dissero... JURACY – Bão, com licença, vou preparar o café. O sinhô espera aí! Sai Juracy. VIVIANI, entrando – Perfeito! Vamos repetir só mais uma vez! CENA 34 Viviani começa a dar instruções para o elenco enquanto a luz cai e ouvimos a locução de rádio. RÁDIO - ...e a grande Lyson Gaster, expoente máximo do teatro brasileiro, dileta filha de Piracicaba, volta ao seu torrão natal para uma importantíssima apresentação, talvez, a mais importante de toda a sua gloriosa carreira. Será a sua despedida dos palcos, onde pisará as tábuas do Santo Estevão, levando a sua Mimosa Roceira para a plateia piracicabana, que com certeza a brindará com aplausos eloquentes e calorosos. Volta a luz e começa a Cena da Festa de Mimosa Roceira. Ao terminar, Viviani entra aplaudindo e puxando os aplausos, enquanto as flores começam a entrar. CENA 35 VIVIANI – Eles adoraram, Lyson! Ouve só esses aplausos! A plateia te ama! Você vai ter mesmo coragem de parar? Lyson? Lyson? Onde é que ela foi? Lyson? A música muda. As flores continuam a passar. Viviani anda pelo palco. Ao fundo, entra a Atriz, em cima das escadas. CENA 36 ATRIZ – Descendo, descendo sempre. Há cinquenta anos que venho descendo, dia a dia, degrau a degrau esta escada que não acaba nunca. Um pintor morre e seus quadros ficam. Um músico morre e suas melodias não se esquecem. Os séculos passam e as cidades continuam. Só eu vou descendo na escuridão, no silêncio, no abandono. Quem sou eu? Um fantasma! Onde estão as flores que juncavam o palco quando acabava uma peça? Aplaudiam com paixão, tinha nos olhos lágrimas de compreensão e alegria; gritavam o meu nome! O meu nome? Como era mesmo o meu nome? Já ninguém sabe! Nem eu própria me recordo dele. E a minha voz? Onde está minha voz quando em Romeu e Julieta, gritava a Romeu: “Ó Romeu, por que te chamas Romeu? Renega teu pai e recusa teu nome, Romeu...”. Eu tinha vinte anos... Depois fui vivendo mil vidas. Fui a Dama das Camélias com toda a renúncia que existia em minha alma. Fui frívola e generosa como Zazá... Lembro-me como fui ardente e sensual gritando para o Profeta? “Deixa-me beijar tua boca, Iocanã!” Matei por amor como Floria Tosca e dei de beber a Jesus Cristo como a Samaritana. Sim, fui tudo isso e hoje, quando passo na rua, me chamam de bruxa, de espantalho! Espantalho que nem serve pra lembrar os homens que estão vivendo uma época de ferocidade e destruição! Sim, sou a sombra de uma época em que o Homem acreditava no Amor! Ali estão eles, estou ouvindo! Espantalho! Espantalho! Querem que eu morra na indigência, como um espantalho, não é? Mas não, não, não! (tira a cabeleira branca e os trapos) Querem a verdade? Tudo isso é mentira! Porque eu sou uma atriz e uma atriz, tenha vinte ou setenta anos, mantém acesa no coração a alegria da eterna mocidade! CENA 37 Trazem a roupa da apoteose, que vestem na atriz e entra Aquarela do Brasil / Tico-Tico no Fubá. CENA 38 Depois, volta Mamãe eu Quero.

Objetivos

OBJETIVO GERAL: Apresentações com ingressos populares do espetáculo teatral LYSON GASTER NO BOROGODÓ, com dramaturgia de Fabio Brandi Torres e direção de Carlos ABC, que esteve em cartaz na cidade de São Paulo. A montagem retrata a história da atriz Lyson Gaster, nome artístico de Agostinha Belber Pastor, espanhola criada em Piracicaba, que com sua companhia de teatro de revista viajou o Brasil nos anos 20, 30 e 40. O espetáculo retrata parte da história do teatro brasileiro do século passado. Também será lançado um livro com a dramaturgia e fotos do espetáculo. E oficinas teatrais gratuitas como contrapartida. OBJETIVO ESPECÍFICO: - 12 sessões com ingressos populares do espetáculo LYSON GASTER NO BOROGODÓ. Todas as sessões do espetáculo contarão com preços populares de R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (meia). 03 sessões terão Intérprete de Libras e 01 sessão terá audiodescrição. - 10 oficinas teatrais gratuitas com duração de 3h/cada, com 40 participantes/cada. - 01 livro impresso com 112 páginas, sendo 40 coloridas no tamanho 20,5 x 27,5 cm, com tiragem de 1000 exemplares. - 01 audio livro, com duração de aproximadamente 1:15 h.

Justificativa

O texto narra a história da vida e obra da atriz Lyson Gaster, pioneira em excusionar com suas montagens nos rincões brasileiros, a montagem também retrata parte da história teatral brasileira e suas linguagens cênicas. O lançamento do livro com a dramaturgia e fotos do espetáculos além de servir como retrato da história do teatro brasileiro, suas linguagens cênicas e suas dramaturgias, também servirá como objeto de pesquisa para alunos de gradução e pos graduação na área artística para resgate e preservação deste momento artístico. Na Lei Rouanet, 8313/91, o projeto enquadra-se: Artigo 1º: I - contribuir para facilitar, a todos, os meios para o livre acesso às fontes da cultura e o pleno exercício dos direitos culturais; II - promover e estimular a regionalização da produção cultural e artística brasileira, com valorização de recursos humanos e conteúdos locais; IX - priorizar o produto cultural originário do País. Artigo 3º: II - fomento à produção cultural e artística, mediante: c) realização de exposições, festivais de arte, espetáculos de artes cênicas, de música e de folclore; V - estímulo ao conhecimento dos bens e valores culturais, mediante: a) distribuição gratuita e pública de ingressos para espetáculos culturais e artísticos

Especificação técnica

Principal: O espetáculo teatral LYSON GASTER NO BOROGODÓ terá 12 sessões com aproximadamente 1:10 h de duração, sendo 03 sessões com intérprete de libras e 01 com audiodescrição. Contrapartida: 10 oficinas gratuitas com duração de 3 h/cada para 30 participantes/cada. Livro: 01 livro com tiragem de 1000 exemplares, tamanho 20,5 x 27,5 cm, com 112 páginas sendo 40 coloridas e as demais em P&B. Audiolivro com duração de aproximadamente 1 h.

Acessibilidade

ESPETÁCULO TEATRAL ACESSIBILIDADE FÍSICA: As sessões da temporada serão em um teatro com banheiros adaptados e rampas de acesso para portadores de necessidades especiais. ACESSIBILIDADE PARA DEFICIENTES VISUAIS: 01 sessão com audiodescrição. ACESSIBILIDADE PARA DEFICIENTES AUDITIVOS: 03 sessões com intérprete de libras. LIVRO: ACESSIBILIDADE FÍSICA: O lançamento será em equipamento cultural com banheiros adaptados e rampas de acesso para portadores de necessidades especiais. ACESSIBILIDADE PARA DEFICIENTES VISUAIS: Será disponibilizado um Audiolivro. CONTRAPARTIDA SOCIAL ACESSIBILIDADE FÍSICA: As oficinas teatrais gratuitas serão em equipamento cultural com banheiros adaptados e rampas de acesso para portadores de necessidades especiais. ACESSIBILIDADE PARA DEFICIENTES VISUAIS: 01 oficina com audiodescrição. ACESSIBILIDADE PARA DEFICIENTES AUDITIVOS: 01 oficina com intérprete de libras.

Democratização do acesso

ESPETÁCULO TEATRAL PARA ATENDIMENTO DO ARTIGO 21 da IN 02/2019: Inciso III O espetáculo será gravado e disponibilizado na internet através do youtube: https://www.youtube.com/channel/UCQwQYv3hkY7OusrGkqqgxwQ?view_as=subscriber e no site: www.theatron.com.br LIVRO PARA ATENDIMENTO DO ARTIGO 21 da IN 02/2019:Inciso IIIO livro será disponibilizado em formato digital no site: www.theatron.com.br CONTRAPARTIDA SOCIAL PARA ATENDIMENTO DO ARTIGO 21 da IN 02/2019:Inciso IIIA oficina teatral será gravada e disponibilizada na internet através do youtube: https://www.youtube.com/channel/UCQwQYv3hkY7OusrGkqqgxwQ?view_as=subscriber e no site: www.theatron.com.br

Ficha técnica

O proponente será remunerado em: Agenciamento, Direção de Produção, Coordenação do projeto e Ator, sendo responsável pela administração financeira do projeto e prestação de contas. LYSON GASTER NO BOROGODÓ Dramaturgia: Fábio Brandi TorresCoordenação Artística: Maria Eugênia de Domenico Direção e composição musical: Tato FischerAgenciamento, Direção de Produção e Coordenação do projeto: Marcos Thadeus Direção artística: Carlos ABC Elenco: André Kirmayr, Giovani Tozi, Marcos Thadeus. Músicos: Tato Fischer Cenografia: Marcos Thadeus NESTE ITEM O PROPONENTE TRABALHARÁ VOLUNTARIAMENTE. Figurinos: Carlos ABC Iluminação: André Lemes CURRÍCULOS DA EQUIPE: MARCOS THADEUS é mestre em Teoria e Prática do Teatro pela ECA-USP e pós-graduado em Gestão Cultural pela FAINC – Santo André e estudou e atuou na CETA – Companhia Estável de Teatro Amador de Piracicaba onde trabalhou com Marcília Rosário, Reinaldo Santiago, Gustavo Trestini e Simoni Boer. Em 2011 atuou no espetáculo “O Mentiroso” de Carlo Goldoni, sob direção de Maria Eugênia de Domênico. Como Produtor Cultural realizou: “Paixão de Cristo de Piracicaba”, 2007 a 2018; Exposição: “Um panorama do trabalho de Cyro Del Nero em mais de 60 anos de cenografia”, em 2011; Programador Cultural, Teatro Commune, 2009 e 2010, São Paulo; Exposição: “A máscara teatral na Arte dos Sartori”, 2008. Em 2011 e 2015 foi professor do SENAC no curso Técnico de Artes Dramáticas, disciplina Produção e Gestão Cultural. Coordenador Editorial do livro: “Paixão de Cristo, Paixão de Piracicaba”, 2015. Tato Fischer - Direção e COmposição Musical - Cantor e compositor. Nascido em Penápolis (SP) e formado pelo Conservatório Musical de Lins (SP), está no teatro desde 1972; seu primeiro show como cantor foi em 1979, tendo sido anteriormente o primeiro pianista da Banda Secos & Molhados, com Ney Matogrosso, João Ricardo e Gerson Conrad, até julho de 1973. Membro do Clube Caiubi de Compositores desde 2003, Mágico desde os 10 anos de idade, quando partner de seu pai "Dr. Abramus". Sua ligação com o Teatro o faz produzir "Música de Cabaré". Um dos fundadores do legendário Grupo Mambembe de Teatro, com Carlos Alberto Soffredini e muitos outros. MARIA EUGÊNIA DE DOMÊNICO - Coordenação Artística Atriz e Diretora Teatral, formada pela EAD – USP. Trabalhou no teatro com os diretores: Antunes Filho, Marcos Caruso, José Renato, Emílio Di Biasi, Roberto Vignati, Miriam Muniz, Kiko Jaez, Carlos A. Soffredini, Fausi Arap, Jorge Takla, Renato Borghi e Silney Sinqueira, entre outros. Na televisão trabalhou nas emissoras Tupi, Cultura, Record, Bandeirantes, SBT e Globo, atuando em tele-teatro, mini-séries, novelas e especiais. TRABALHOS REALIZADOS EM TEATRO: “O Jardim das Cerejeiras” de Anton Tchecov, direção de Jorge Takla; “Laços Eternos” de Zíbia Gasparetto, direção de Renato Borghi; “A Vida é uma Ópera” de Jandira Martini, direção de Celso Nunes; “S.O.S. Brasil” de Antonio Ermírio de Moraes, direção de Marcos Caruso; “Jogo de damas” de J. E. Vendramini, direção de Vendramini e Marcelo Braga. Direção Teatral: “O mentiroso” – Carlo Goldoni, 2011, “O Judas em Sábado de Aleluia” – Martins Pena. 2012; “O Doente Imaginário” – Molière; 2013; “Noite Feliz” – Vera Karan; 2013 e “Fuenteovejuna” – Lope de Vega, 2014. Curadora em Leituras Dramáticas da Caixa Cultural de 2007 à 2010. Professora da EAD – USP. Ganhou os prêmios: Governador do Estado – atriz coadjuvante por “Allegro Desbum” e Colunistas – interpretação feminina por comercial “Correios”. CARLOS ABC - Direção artística e figurinos DRT: 3.775. Diretor de teatro e Produtor artístico e cultural. Atua nas artes cênicas desde 1974. Iniciou sua carreira em Piracicaba, atuando também em São Paulo, posteriormente, viajando por todo o Brasil, Argentina, Chile, Espanha e Itália, de onde partiu em turnê por vários países da Europa. Em festivais de teatro regionais, nacionais e internacionais, recebeu 8 prêmios de melhor ator, 22 de melhor diretor, 9 como cenógrafo e 19 como figurinista, entre outros. Recebeu também três Moções de Aplauso da Câmara de Vereadores de Piracicaba. Trabalhou com indústrias, empresas e redes de ensino, ministrando aulas de comunicação pessoal e de expressão corporal. Foi Diretor do Teatro Municipal, Coordenador Municipal de Formação Artística e Secretário de Cultura de Piracicaba. Giovani Tozi - Ator. Iniciou sua carreira como bailarino de dança contemporânea em 2000. Dirigiu e atuou em espetáculos de dança até 2011. Estreou no teatro em 3 de janeiro de 2007 no espetáculo Arlecchino Servitore di Due Padroni, a célebre commedia de Carlo Goldoni, dirigida por Neyde Veneziano. A dança surgiu como forma de aliviar as tensões do jovem, que se preparava para enfrentar o vestibular na área de comunicação, mas acabou ganhando um protagonismo inesperado e se tornou a base de seu futuro profissional. Em 30 de julho de 2005, no Teatro do Sesi Sorocaba, assinou a concepção e a direção de seu primeiro trabalho: Corpo Estranho. A coreografia, segundo entrevista de Tozi ao Jornal Cruzeiro do Sul, "se desenvolveu a respeito de temas como corporeidade e relações entre natureza e cultura, além de estudos fisiológicos sobre anticorpo e antígeno". Corpo Estranho foi indicado a cinco Prêmios no IX Festival Nacional Curta Dança naquele mesmo ano e sagrou-se vencedor em três: Melhor Espetáculo (Tozi Produções), Melhor Coreografo (Giovani Tozi) e Melhor Bailarina (Luciana Bollina). No fim de 2006 conheceu a diretora teatral Neyde Veneziano nos testes para a montagem brasileira de Arlecchino Servitore di Due Padroni (Arlequim e Seus Dois Patrões, na adaptação da diretora). Em 2007 foi selecionado para o Núcleo Experimental de Artes Cênicas do SESI e trabalhou com vários diretores teatrais, entre eles, Felipe Hirsch e Georgette Fadel. O ano de 2009 foi decisivo na trajetória do ator. Tozi participou dos testes de Vladimir Capella para o espetáculo O Colecionador de Crepúsculos, texto do diretor, baseado na vida e obra de Câmara Cascudo e foi selecionado para um dos papéis principais, ao lado dos veteranos atores Luiz Damasceno e Selma Egrei. Por essa atuação, Giovani Tozi recebeu o Prêmio Coca-Cola Femsa. Capella foi fundamental na formação de Tozi. Com o diretor, além de O Colecionador de Crepúsculos que permaneceu em cartaz de 2009 a 2012, Tozi foi produtor executivo de Píramo e Tisbe, durante as viagens pelo interior paulista. Em 2015 Tozi se preparava para ser novamente dirigido por Vladimir Capella em um texto inédito, mas o projeto foi cancelado devido ao precoce falecimento do diretor.[4] Em 2016 Giovani Tozi foi dirigido por Jô Soares em Troilo e Créssida, comédia sinistra de William Shakespeare. O primeiro encontro de Tozi e Jô se deu em 2012 durante os ensaios de Atreva-se Uma comédia de Mistérios de Mauricio Guilherme. Tozi trabalhou como produtor executivo na montagem e, desde então, assinou a direção de arte gráfica dos espetáculos de Jô Soares. Em 2018 foi convidado por Jô para integrar o elenco de The Night of January 16th, de Ayn Rand, A Noite de 16 de Janeiro na versão do diretor. Na montagem Tozi também foi assistente de direção de Jô Soares. Em 2019 Giovani Tozi estreou cinco espetáculos em São Paulo, quatro deles como ator e um como assistente de direção para Léo Stefanini, em Mãos Limpas com a dupla Juca de Oliveira e Fulvio Stefanini no palco. Do humor radiofônico de Dario Fo, passando pela tragédia de Bernard-Marie Koltès e pelo Teatro de Revista brasileiro, Giovani Tozi transita entre os gêneros. Segundo o crítico Fernando Pivoto do Site Aplauso Brasil "Giovani Tozi mostra versatilidade e competência em pular de um personagem para o seguinte." ANDRÉ KIRMAYR - Assistente de direção Ator e apresentador, formado pelo Curso de atores da escola de atores Wolf Maia e pela faculdade Anhembi Morumbi em Radio, TV e Internet, fez treinamento para atores no studio com a mestra Cristina Mutarelli. Passou por cursos com grandes nomes do exterior como Eve Due Bruce e Francesca Della Monica. Atuou em algumas peças como, “Piramo e Tisbe” dir. Vladimir Capella no teatro popular SESI-SP em 2011, “Boca de Ouro” de Nelson Rodrigues, dir. Ruy Cortez – teatro Nair Bello – 2012, “Com a Pulga atras da orelha” dir. Ruy Cortez - teatro Nair Bello – 2013, “A Falecida” de Nelson Rodrigues”, dir. Marco Antonio Braz, temporada teatro popular do SESI por diversas cidades do interior de São Paulo 2014, “O caso dessa tal Mafalda”, dir. Nelson Baskerville – teatro Nair Bello – 2014, “A jornada de Orfeu”, Cia. Coexistir, Diretora e escritora Patricia Teixeira 2014/2015, "Meteoros" de Max Heinert, direção Rita Giovanna no Viga espaço cênico, "Sete gatinhos e Toda nudez será castigada" de Nelson Rodrigues, direção Cesar Ribeiro. Como assistente de produção na peça “Valéria e os passaros” da Velha cia de teatro, direção de Kiko Marques. Foi integrante na CIA POMPACOMICA, atuando em mais de 5 peças pela companhia nos CÉUS e interior de São Paulo com dir. Sergio Carrera. Atuou na Série Natureza Morta – Canal Brasil Tv dir. Flavio Frederico, longa GLS Dir. Ernani Nunes estreou em 2017 e na Série “Chamado Central” 2 temporada na Multishow 2017. Atuando também em campanhas publicitárias. Apresentador do canal Petlove desde 2014. Fez parte do processo de oficinas e ensaios para o projeto QUASIMODO com direção de Eric Lenate. Em temporada como Diretor assistente de Março Antônio Pâmio na peça "Jardim de Inverno" adaptação do romance de Richard Yates no teatro Raul Cortez.

Providência

Prestação de Contas final apresentada, aguardando análise.

2022-12-31
Locais de realização (1)
São Paulo São Paulo