| CNPJ/CPF | Nome | Data | Valor |
|---|---|---|---|
| 42283770000139 | ICATU SEGUROS S/A | 1900-01-01 | R$ 451,2 mil |
| 22315180000133 | ICATU CONSULTORIA DE INVESTIMENTOS LTDA | 1900-01-01 | R$ 158,8 mil |
| 00905036000114 | Icatu Consultoria Ltda. | 1900-01-01 | R$ 90,0 mil |
| 68622174000120 | Icatu Hartford Administração de Recursos | 1900-01-01 | R$ 20,0 mil |
"Judy: O Arco-Íris É Aqui": é um monólogo teatral, que costura clássicos da música popular americana, contando, não linearmente, a vida da grande atriz e cantora Judy Garland de forma original e burilada. O produto principal é apresentação deste espetáculo com objetivo de entreter o público e o produto secundário é o CD das músicas que serão cantadas no espetáculo, além da contrapartida social.
Texto da Obra: Classificação: 12 anos Num palco aberto, vemos pequenas luzes espalhadas pelo chão, dois pianos – um em cada extremidade do palco – um “trunk” de pé aberto no centro do palco, parecendo um biombo, três banquinhos – dois altos, de bar, perto de cada piano e um baixinho perto do “trunk”. Um único pano de boca vermelho está recolhido do lado direito do palco, enquanto o fundo é composto por uma delicada treliça coberta por luzinhas de árvore de natal. À medida em que o público vai entrando no teatro, a atriz/narradora/mestre-de-cerimônias já está sentada no proscênio, recebendo-o, vestida de forma muito casual: uma grande camisa social masculina branca, meias pretas e sapatilha preta – não por acaso, um dos figurinos que Judy Garland usa em “Nasce Uma Estrela”. Enquanto os espectadores vão entrando, a atriz vai improvisando um “boa-noite” aqui, um “que bom que você veio” acolá, um “bem-vindo ao teatro” até que, quando entra uma determinada senhorinha, a atriz intencionalmente se confunde e... ATRIZ: Tia Arminda? A senhora veio? (CAINDO EM SI) Ah, me desculpe... Pensei que era a minha tia Arminda... A senhora é muito parecida com ela... A tia Arminda adora a Judy Garland... Sempre quis que eu fizesse... E continua mais um pouco em seu improviso com os outros espectadores que vão se instalando. De repente, ouve-se o terceiro sinal. Caem as luzes da plateia e o espetáculo, propriamente dito, começa. ATRIZ: (EM TOM DE CONVERSA COM O PÚBLICO) Desde pequena me acham parecida com a Judy Garland. Mas quem era parecida mesmo com ela era a minha avó. Acontece que, como eu era muito parecida com a minha avó... já viu né? Sobrava pra mim! A família inteira falava nisso o tempo todo. Todo natal, todo aniversário, tinha sempre alguém que falava em “Over The Rainbow”... E quem mais insistia nesse assunto era... a tia Arminda! (E APONTA PARA A INFELIZ ESPECTADORA QUE VAI SER A “PELE” DO ESPETÁCULO) Um dia, anos atrás, tonta que sou, comentei, sem querer, essa historia da semelhança física com um amigo meu, autor-diretor – e os olhos dele brilharam, iiihhh, se animou todo... (REENCENANDO A REAÇÃO DELA) “Não! Pode parar! Não inventa! Ninguém mais sabe quem é Judy Garland! Tem que falar que é a mãe da Liza Minnelli, senão, não rola!.” (PARA O PÚBLICO) Anos depois, ele insistiu. E eu respondi: (REENCENANDO) “Olha: outro dia mesmo, eu falei na Judy, e, pra poupar tempo, fui logo dizendo que era a mãe da Liza. Sabe o que me responderam? “Quem é Liza?” (PARA O PÚBLICO) Não adianta, gente! Ainda estamos nos tempos da tecla SAP: Sertanejo, Axé e Pagode. Esse mundo da Judy e da Liza acabou. Mas aí o inesperado fez uma surpresa. Veio a Renée com o filme, o Oscar e tudo o mais. Mesmo quem não sabia quem era Judy, foi ver o filme. E eu fiquei sem desculpas pra fugir da raia. Quando dei por mim, já estava ensaiando. E, quando vi, já estava aqui. Vocês entendem a minha hesitação, né? Homenagear um dos maiores ícones da história do show business assusta qualquer um. Mas esse meu amigo, o tal autor-diretor, veio com um papo todo sedutor... (REENCENANDO O MOMENTO E IMITANDO, COM ELEGÂNCIA, O AUTOR-DIRETOR) “Ah... você não precisa mimetizar a Judy Garland, porque isso a Renée já fez à perfeição. Nem teria mais sentido. Você vai evocar a Judy, sugerir a imagem dela e também vai se colocar, pessoalmente, como atriz, expondo a sua vida - pra aproximar tudo da nossa realidade... E nem precisa cantar igualzinho à ela! (COMEÇA A ENTRAR A INTRODUÇÃO INSTRUMENTAL DE “Se Eu Quero, Vou Cantar”) Não há necessidade disso... Até porque a sua voz é mais aguda que a dela...” (PARA O PÚBLICO) Aí, eu comecei a ganhar uma certa confiança... “Se Eu Quero, Vou Cantar” Se eu quero, vou cantar Tra-la-la, só pra vocês Aqui vou tentar emitir o meu som, Dentro do tom, Numa versão que já foi em inglês Se eu vou cantarolar, Lá rá ri ri, lá rá rá Cantando um do-re-mi-fa-sol-la-si Não quero ser a Judy Nem tentar ser a Barbra Muito menos ser Abba Mas se quero, vou cantar Lá rá ri ri, lá rá rá Hum, hum, hum, hum, hum, hum, hum Aqui vou tentar emitir o meu som, Dentro do tom, Numa versão que já foi em inglês Se eu vou cantarolar Lá rá ri rá, lá, rá, rá Me olho no espelho e canto um dueto Balanço o esqueleto E com boa vontade Pois eu digo a verdade! Se eu vou assoviar (faz que vai assoviar, mas cantarola) Lá, rá, rá, Lá, rá, rá... Se você veio aqui s’entreter Lá-rá-rá, por prazer Pode se sentir jovial, Piar como um bacurau E não é necessário Se fazer aniversário Hoje não é um dia especial Se eu quero, vou cantar Lá, rá, rá, lá, rá, ri, lá, rá, rá... E não me queiram... mal! Lá, rá, rí, rá, lá, rá, rá... Se eu quero, vou cantar... ATRIZ: Eu já andei cantando por aí nos teatros da vida. Não que muita gente tenha notado... Mas eu cheguei a fazer uma Elza Soares branca, o que, hoje em dia, seria impensável, politicamente incorretíssimo; até já cantei “a capella” num espetáculo em que a Zélia Duncan ficava calada! Mas me meter a cantar, assim, um clássico americano atrás do outro ao vivo, é a primeira vez. Ao contrário de mim, a Judy Garland sempre cantou: Aos dois anos, em plena era do music-hall, ela já fazia oito shows por dia, ao lado das irmãs, as Gumm Sisters. Porque o verdadeiro nome dela, como alguns de vocês devem saber, era Frances Gumm. Quando chegava o Natal, o show das crianças era particularmente requisitado. E, naquela época, já era difícil tirar a pequena Judy de cena... (ELA SE VIRA DE COSTAS PARA A PLATEIA, ESTALA OS DEDOS, AS LUZES DA TRELIÇA SE ACENDEM , ELA SE VOLTA E COMEÇA A CANTAR:) JUDY: (“a capella”) “Jingle bells, jingle bells, jingle all the way! Oh, what fun it is to ride in a one-horse-open-slay!” A pequena Judy agradece e sai de cena, mas logo volta: JUDY: “jingle bells, jingle bells, jingle all the way! Oh, what fun it is to ride in a one-horse-open-slay!” A pequena Judy agradece e sai de cena, mas logo volta: “Jingle bells, jingle bells, jingle all the way! Oh, what fun it is to ride in a one-horse-open-slay!” A pequena Judy não para de agradecer e não sai de cena. Até que entra um contra-regra, todo de preto, e a arrasta para fora de cena. (Segundos depois, a atriz madura, misto de narradora e mestre de cerimônias, volta para o palco, sorrindo.) ATRIZ: A Judy já era fominha de palco aos dois anos! Muitos anos depois, ela mesma admitiria: (ENTRA UM REFLETOR ESPECIAL) “Eu só me sinto realmente viva quando estou sob a luz do refletor.” (SAI REFLETOR) Os americanos têm uma expressão que define Judy com muita precisão: “Born in a trunk”. “Trunk”, como alguns de vocês devem saber, quer dizer, mala, baú, aquele tipo de mala grande que se usava pra viajar de navio, antigamente. Como essa aqui, ó. (APONTA PARA A MALA QUE ESTÁ DE PÉ, ABERTA, NO PALCO) “Nascida numa mala”... Como assim? Porque, desde criança, Judy Garland já fazia incessantes turnês. Vivia viajando, se apresentando, fazendo e desfazendo malas. A mãe estava determinada a transformar a pequena Judy numa estrela mirim, numa criança-prodígio. O pai não tinha força suficiente para enfrentar o furacão materno... (T) Minha mãe não era um furacão – muito menos meu pai, um cavalheiro discreto e gentil. Mas, verdade seja dita, foi a mamãe, uma sonhadora urbanoide e algo neurótica, quem me apresentou aos musicais da Judy...(SONHADORA) Nossa, minha mãe adoraria ver isso aqui... Não sei dizer até que ponto os musicais da Judy pesaram, mas só sei que, aos oito anos, eu já estava fazendo a “Princesinha Papelotes”, no Teatro Isa Prates, no papel-título. De lá fui pro Colégio Andrews, onde eu fiz o Puck do “Sonhos de uma Noite de Verão” e a Carol do “Tempo e os Conways”. Em 1985, chegou a hora da minha estreia profissional... e vocês estão me aguentando aqui até agora. Hoje, acho que tenho uns sete fãs. (OLHANDO PARA A PLATÉIA) Que, pelo visto, se esgotaram na noite de hoje... Mas na segunda metade da década de 30, toda adolescente americana, e do mundo inteiro, na verdade, era fã do Clark Gable por causa do “Vento Levou”. E a Judy Garland não fugia à regra. Chegou a gravar e a cantar num filme uma música dedicada a ele: “You Made Me Love You (Dear Mr. Gable)”. Já eu, na minha adolescência, era completamente louca pelo... Marcos Paulo! Eu sei, eu sei, que era moda ser fã do Francisco Cuoco e do Tarcísio Meira. Mas o que é que eu posso fazer? Eu gostava do Marcos Paulo! O Brad Pitt e o Cauã podiam reencarnar lá trás na minha frente, pintados de ouro, que eu só tinha olhos pro Marcos Paulo. (ELA SE ENCAMINHA ATÉ O PIANO, PEGA UM GRANDE PORTA-RETRATO COM UMA FOTO DO MARCOS PAULO E MOSTRA PARA TODA A PLATÉIA.) Talvez alguns de vocês não estejam juntando o nome à pessoa. Olha ela aqui... Ah, fala sério... Não é uma beleza? (COMEÇA A INSTRODUÇÃO INSTRUMENTAL DE “YOU MADE ME LOVE YOU”.) Como fã profissional que era, cheguei a escrever muitas cartas pra ele... (VOLTA PARA O PIANO, COLOCA O PORTA-RETRATO EM CIMA, SENTA-SE NO BANQUINHO, PEGA LÁPIS E PAPEL E CANTA PARA ELE, ENQUANTO ESCREVE.) - “You Made Me Love You (Dear Marcos Paulo)” Dear Marcos Paulo I am writing this to you And I hope that you will read it, so you’ll know My heart beats like a hammer And I stutter and I stammer, Everytime I see you at the picture show. I guess I’m just another fan of yours, And I thought I’d write to tell you so… (PARA DE ESCREVER) You made me love you I didn’t wanna do it I didn’t wanna do it You made me love you And all the time you knew it, I guess you always knew it You made me happy sometimes You made me glad, But there were times, sir, You made me feel so sad. You made me sigh, ‘cause I didn’t wanna tell you I didn’t wanna tell you I think you’re grand, that’s true, Yes I do Deed I do You know I do I must tell you what I’m feeling, The very mention of your name sends my heart reeling, You know you made me love you… RECITATIVO: Ah, gee, dear Marcos Paulo, eu não queria incomodar o senhor, porque eu sei que deve ter um monte de meninas querendo te dizer a mesma coisa, e se o senhor não quiser ler isto, não tem importância, eu vou entender, mas eu precisava contar ao senhor quando o vi, pela primeira vez, fazendo a novela “Carinhoso”, com a Regina Duarte e Cláudio Marzo. O senhor fazia o Eduardo, aquele piloto de corridas, lindo de morrer. Nossa! Cada vez que o senhor pegava naquele volante, eu pensava: “Puxa, porque ele não tá pegando em mim?” Até hoje, eu não entendo como é que a Regina Duarte preferiu o Cláudio Marzo ao senhor. Ela já devia ser louca naquela época. É a única explicação. E depois o senhor fez aquele engenheiro, o Rômulo Vieira, que chegava em Salvador, todo moderno, em “Gabriela”. Como o senhor fazia época bem... Nossa! E o senhor acabou se envolvendo com a Malvina... Que ódio da Elizabeth Savalla! Teve uma vez que eu vi o senhor em pessoa! O senhor era convidado para uma estréia e eu tava parada lá, esperando o senhor chegar. Quando o senhor saiu do carro e... quase me derrubou. Ah, mas a culpa não foi sua não... era EU que tava no seu caminho, mas o senhor olhou pra mim e... sorriu... É, o senhor SORRIU pra mim! E eu voltei pra casa chorando só porque o senhor sorriu pra mim porque eu tava no seu caminho...Ah, dear Marcos Paulo... Eu nunca vou me esquecer desse dia... O senhor é o meu ator favorito! (CANTANDO) I don’t care what happens, let the whole world stop As far as I’m concerned you’ll always be the top, ‘cause You know you made me love you! ATRIZ: Nessa época, a Judy já estava contratada pela Metro. Era uma adolescente que trabalhava 16 horas por dia, filmava sem parar e, ao mesmo tempo, fazia, com seus coleguinhas da mesma idade, o Mickey Rooney e a Deanna Durbin, a famosa “escolinha” da Metro Goldwyn Mayer, onde eles complementavam sua educação formal com aulas de canto, dança, sapateado, comportamento social e aprendiam até a dar entrevista. Foi aí, com o consentimento materno, que o pesadelo começou: as receitas das pílulas – para emagrecer, para dar energia, para dormir, para acordar, sem falar uma dieta rigorosa e uma disciplina férrea. Nenhum organismo seria capaz de ingerir tanto produto químico, sem danos colaterais. Principalmente numa adolescente. E as aulas se sucediam uma atrás da outra, preparando a pequena Judy para o estrelato, a qualquer preço. Tudo precisava ser treinado, inclusive o senso de espírito, a verve, a capacidade de improvisação e até a arte do insulto. Afinal, uma língua ferina era uma ferramenta fundamental para sobreviver naquela selva, para derrubar as rivais e para preparar Judy para o veneno da Hollywood daquele tempo... Ela tinha que ter a resposta na ponta da língua quando o ataque surgisse daonde menos se esperasse... - Ela já tingiu o cabelo tantas vezes que até a sua caspa é em technicolor. - De que adianta contar para ela uma piada com duplo sentido? Ela não vai entender mesmo nenhum dos dois... - Acho que ela deve ter um sexto sentido. O que eu duvido é que tenha os outros cinco... - Quando ela nos dá um tapinha nas costas, prepare-se! É porque está procurando o melhor local para enterrar a faca. - Não é que ela tenha um complexo de inferioridade – ela é inferior mesmo. - Os dez melhores anos da vida dela foram entre os 29 e os trinta. (Nesse momento, quase como um comentário irônico ao que se acabou de ouvir. começa a entrar a introdução instrumental de “I Got Rhythm” . E Judy canta:) JUDY: Sol todo dia E sempre a brilhar Cante e sorria a Dançar Gente que canta, A plenos pulmões, Males espanta, Tensões. Não quero me queixar Tudo me sorri Só tenho que explicar O meu frenesi... I got rhythm, I got music, I got my man Who could ask for anything more? VOZ OFF DE BUSBY BURKELEY: Mais olho, Judy! Parece uma mosca morta! Mais olho! I got daisies in green pastures, I got my man Who could ask for anything more? VOZ OFF: Não, não, Judy! Muito ruim! Mais brilho! Tá muito inexpressiva! Mais olho! JUDY: Eu tô tentando, tio Bus! Tô tentando! (CANTANDO) Old man trouble, I don’t mind him You won’t find him ‘round my door VOZ OFF: Assim não é possível, Judy! Tá muito sem energia ! É uma música alegre, pra cima! JUDY: Um instantinho só! Volto já, tio Bus! (Judy corre até um canto do palco, onde um contraregra lhe dá uma pílula. Ela toma e volta correndo para o centro do palco.) JUDY: (PARA A BANDA) Da capo, por favor! (CANTANDO) I got rhythm, I got music, I got my man Who could ask for anything more? VOZ OFF: Mais Judy! Mais! Essa alegria tem que chegar no coração das pessoas! (CANTANDO) I got daisies in green pastures, I got my man Who could ask for anything more? VOZ OFF: Fraco! Ainda tá fraco! Mais, Judy, mais! (NESSE MOMENTO, JUDY CAI NO PALCO, DESMAIADA. FICA ASSIM POR ALGUNS SEGUNDOS. ATÉ QUE LEVANTA A CABEÇA, VIRA-SE A PLATÉIA E, AINDA DEITADA, VEMOS QUE NÃO É MAIS A JUDY QUE CONVERSA COM O PÚBLICO...) ATRIZ: Ah, se algum diretor me tratasse assim... Eu acho que dava um tapa na cara dele... Né, tia Arminda? Tia Arminda me conhece bem, sabe que eu não levo desaforo pra casa não... Uma vez, eu dei uma passa-fora num professor, cujo nome eu não digo pra vocês nem que vocês me cortem a cabeça... Ele chegou pra mim e disse, mais ou menos, assim: (REENCENANDO) “Eu não sei por que você insiste em ser atriz! Você é tão baixinha... Não tem tanto papel assim pra gente da sua altura!” (PARA O PÚBLICO) Aaaaahhh... (REENCENANDO COMO ATRIZ) “Escuta aqui: O senhor não está na função de me dizer se eu sou alta ou baixa, gorda ou magra, loura ou morena. O seu papel aqui é de ensinar e de estimular! Não de jogar água fria na cabeça de uma estudante! E tem mais! Eu tenho a altura da Judy Garland, tá?” (PARA O PÚBLICO) Ele ainda sobreviveu mais alguns anos. Mas, logo depois, morreu. Agora, vocês imaginem a Judy Garland passar por aquilo que vocês viram... Ela já estava com vinte anos, já era uma estrela, o diretor, o Busby Berkeley, era aquele louco meticuloso que bolava aquelas coreografias geométricas, milimetricamente marcadas, a conhecia desde criança – tanto que ela o chamava de “tio Bus” – pra que aquela maluquice toda? Aquele abuso de poder? Hoje em dia, ele seria processado por “bullying”. E a carreira dele teria acabado. Mas, naquela época, os diretores faziam o que bem entendiam e o Louis B. Mayer, dono da Metro, tirava o sangue dos seus contratados como escravos filipinos. O Mickey Rooney sempre dizia para a amiga: “Nós não somos gente, Judy, somos propriedades da Metro.” Acho que foi daí que o Hitchcock inventou aquela história que “ator é gado”. Naquela altura, a Judy já tinha feito até o “Mágico de Oz”. Fez tanto sucesso, que a Academia deu a ela um Oscar mirim, pequenininho, que ela chamava de “duende”. Talvez porque ela justamente vivesse cercada por duendes no “Mágico de Oz”. E Judy canta um trecho de “We’re Off To See The Wizard”: We’re off to see the wizard The wonderful wizard of Oz We hear he is a whiz of wiz If ever a wiz there was If ever, oh ever a wiz there was The wizard of Oz is one because Because because because because because Because of the wonderful things he does We’re off to see the wizard The wonderful wizard of Oz! A alegria da estrada de tijolos amarelos do “Mágico de Oz”, na companhia do leão covarde, do homem de lata e do espantalho, era tão distante da vida real de Judy quanto um mar de rosas. Seu pai, tão querido e carinhoso, morreu muito jovem, como um passarinho, quando ela tinha apenas 14 anos. Foi um baque profundo na vida de Judy, como vocês podem imaginar. A adolescente chegou a visitar o pai no hospital várias vezes, numa tentativa de adiar o adeus final. Numa dessas visitas, a pedido dele, ela cantou a música que a levou a ser contratada pela Metro e que a acompanharia pelo resto da carreira... (COMEÇA A ENTRAR A INTRODUÇÃO INSTRUMENTAL DE “ZING! WENT THE STRINGS OF MY HEART”) Como eu queria que o meu pai estivesse aqui, agora, para poder ouvir isso... Ele ia adorar... “Zing! Went The Strings of My Heart” Dear, when you smiled at me, I heard a melody It haunted me from the start Something inside of me, started a symphony Zing! Went the strings of my heart ‘Twas like a breath of spring, I heard a robin sing About a nest set apart All nature seemed to be in perfect harmony Zing! Went the strings of my heart Yours eyes made skies seem blue again What else could I do again? But keep repeating through and through: “I love you! I love you!” I still recall the thrill, I guess I always will I hope ‘twill never depart Dear, with your lips to mine, a rhapsody devine Zing! Went the strings of my heart… ATRIZ: Enquanto Judy chorava a perda do pai, a mãe logo arranjou um namorado, que, por uma dessas incríveis coincidências, já zanzava lá pela casa dela há algum tempo, e se casou. Mas, para a Judy. foi um pouco mais difícil. JUDY: Eu também precisava afogar as minhas mágoas, mas as filhas da puta sabiam nadar! Acabei arranjando um namorado também. Mas só porque eu nunca fui de desistir fácil. O nome dele era Artie Shaw, popular músico da época, que me conquistou quando me disse assim: “Judy: Você não canta. Você se torna a canção.” (PARA P PÚBLICO) Quem é que pode resistir à uma cantada dessa? Eu era uma menina carente, que vivia entupida de bola, que trabalhava duro e sustentava a casa e a família. Era irresistível pra mim. Foi uma época divertida. A gente circulava e saía muito. Por um tempo, esqueci que eu não tinha direito a uma vida própria: eu era uma propriedade da Metro, como dizia o meu amigo Mickey Rooney. Mamãe acabou ligando para o poderoso chefão, Louis B. Mayer, e fez queixa do meu comportamento, dizendo que eu não parava mais em casa, que vivia na rua, me divertindo etc... essas coisas que mãe diz... Quer dizer, minha própria mãe me dedurou para o patrão! (Nesse momento, a luz de um forte refletor recai sobre ela. Judy contracena com esta luz poderosa, que vem do alto:) JUDY (MEIO INFANTILIZADA): Eu sei, seu Mayer, eu sei que o senhor fez um enorme investimento em mim... (T) Também sei que eu assinei um contrato... (T) Cláusula moral? Não, não sabia... A Metro é a companha da família americana... Sei, mas eu não tenho feito nada de mal, seu Mayer. Só me divertido um pouquinho como qualquer garota da minha idade. (T) Mas eu sempre fui tão bem comportada... (CHORAMINGA) Eu sei que o senhor gosta de mim como se fosse meu pai... Não, não, eu sei que o senhor fez tudo por mim... Também sei que o papel da Dorothy no “Mágico de Oz” era pra ser da Shirley Temple... Mas eu também quase morri sufocada e de fome naquele figurino... Não, não, eu prometo que não vou partir seu coração... Mas o senhor precisa entender que o Artie conquistou o meu coração... Não é fácil arranjar namorado pra mim... Eu não sou bonita como a Heddy Lamarr... Sou baixinha, tenho perna comprida, tronco pequeno, nariz estranho... Mas ele gostou de mim mesmo assim...” A luz poderosa que vem do alto some e a atriz se volta para a plateia. ATRIZ: No mês seguinte, Artie Shaw fugiu com Lana Turner. Por mais que a Judy “se tornasse a canção” e fosse uma baixinha jeitosa, a curvilínea miss suéter- loura fatal levou a melhor. Um golpe duro na auto-estima da nossa heroína. Que mergulhou no trabalho feito uma louca, acumulando cinema e oito shows por semana. “Rock-A-Bye Your Baby With a Dixie Melody” Rock-a-bye your baby with a Dixie melody When you croon, croon a tune, from the heart of Dixie Just hang my cradle, Mammy mine Right on that Mason Dixon Line And swing it from Virginia To Tennessee with all the love that’s in ya “Weep No More, My Lady”, sing that song again for me And “Old Black Joe” just as though you had me on your knee A million baby kisses I’ll deliver The minute that you sing “The Swanee River” Rock-a-bye your rock-a-bye-baby with a Dixie melody…! ATRIZ: “Weep No More, My Lady” é o lindo título de uma das inúmeras biografias escritas sobre Judy. Esta é assinada pelo seu quinto e último marido. Judy sempre esteve em busca do amor incondicional. Que, como todos nós sabemos, é um artigo que não está dando muita sopa no mercado. No caso da Judy, então... nunca bateu à sua porta com muita facilidade. Vinha sempre acompanhado de uma pegadinha que não estava no script. Mas a carência era tanta que ela costumava dar um desconto. Como no caso do seu segundo marido, o extraordinário diretor de cinema Vincente Minnelli, que chegou cercado de “rumores” por todos os lados e com o roteiro de “Agora Seremos Felizes” debaixo do braço. Seria o terceiro filme dirigido por ele, enquanto ela já era uma estrela – com quase vinte títulos na bagagem. Em compensação, o filme de estréia dele, “Uma Cabana No Céu”, foi o primeiro da História do Cinema a ter um elenco inteiramente negro. Era o casamento perfeito: o prestígio de Minnelli e a popularidade de Judy. Agora seremos felizes? (ATRIZ VAI PARA TRÁS DO BIOMBO/TRUNK TROCAR DE FIGURINO) JUDY: (PARA UM SUPOSTO VINCENTE) Mas eu já li o roteiro, com toda a atenção do mundo, várias vezes, Vincente! É o mesmo papel da mocinha romântica e sonhadora que eu fiz a vida inteira! Você me disse que ia ser um divisor de águas na minha carreira! As músicas são muito boas, você tem razão... Mas eu preciso amadurecer como atriz... Já estou com 22 anos... Não posso continuar fazendo a ingênua Dorothy do “Mágico de Oz” pro resto da vida! Não é possível que não exista outra coisa além do arco-íris! (T) O que? Eu não perco por esperar? Eu vou entrar uma mocinha e sair uma mulher? Uma linda mulher? AO SOM DA INTRODUÇÃO INSTRUMENTAL DE “Trolley song”, JUDY SAI DE TRÁS DO TRUNK/BIOMBO COM SEU FIGURINO CLÁSSICO DO “SUMMER STOCK”: PERNA DE FORA, MEIAS PRETAS, ESCARPINS PRETOS, UM BLAZER TRESPASSADO PRETO, UM FOULARD ROSA BEBÊ, BRINCOS E ANEL PARA CANTAR “TROLLEY SONG”. Clang, clang, clang went the trolley Ding ding ding went the bell Zing zing zing went my heart strings As we started for Huntington Dell Chug chug chug went the motor Bump bump bump went the brakes Thump thum thump went my heartstrings As we glided by Huntington Lake Ele passou e quis sentar Eu num instante ofereci o meu lugar Qual o seu nome, eu perguntei Ele sorriu, eu não cai porque não sei, não sei Tché Tché Tché vai chegando Blém blém blém na estação Ai ai ai no meu peito Qualquer coisa parou quando o vi Levantar pra descer Quis falar sem poder Quis gritar, quis chamar Ele então me fitou Pôs a mão sobre a minha E foi ao fim da linha!!! JUDY: E não é que o Vincente cumpriu a sua promessa? Com aquele filme eu deixava de ser a mocinha ingênua e passava a ser uma mulher... Uma linda mulher... (OLHANDO PARA SI) Bom... Talvez nem tanto... Não é que eu tenha virado uma Julie Roberts ou coisa assim... Faltaram alguns centímetros... Mas eu não podia reclamar... Ele era tão inteligente, tão gentil, tinha tantos planos profissionais lindos pra mim e, ainda por cima, me adorava... E a verdade é que eu preciso ser adorada... Fui treinada pra isso desde que a Metro me contratou aos 13 anos de idade... Ele gostava tanto de mim que eu nem dei bola pros tais “rumores” e... me casei com ele! Ah, casei! Não quis nem saber! Casei mesmo! De papel passado e tudo! E pouco tempo depois estava tendo a minha primeira filha... Consegui abandonar as pílulas durante todo o período de gravidez... Vincente me dizia que ele e a nossa futura filha precisavam de toda a minha força... Eu não sei daonde eu havia tirado a força de vontade e tenacidade pra me livrar das drogas... Mas consegui! Naquela altura dos acontecimentos, eu já tinha feito 22 filmes em apenas 10 anos e não sei mais quantas centenas de shows pelos Estados Unidos. Eu era uma jovem de 24 anos à beira da exaustão... Mas minha filha nasceu linda e saudável, a cara do pai, e jurei pra mim mesma que, ao contrário do que a minha mãe fez comigo, eu nunca a obrigaria a entrar para o show-business. Nisso eu não fui muito bem sucedida... O nome dela é Liza Minnelli. ATRIZ: Eu também tenho duas filhas lindas. Que já estão grandes, são meu maior orgulho e minha grande razão de viver. Ao contrário da minha mãe, que era meio ausente, eu procurei ser o mais presente na vida das minhas filhas. Não sufocantemente presente como a mãe da Judy. Mas presente o bastante pra elas notarem que eu estaria sempre do lado delas, pro que desse e viesse. Graças a Deus, nenhuma delas se meteu nessa maluquice que é o show-business. Não que eu tenha tido qualquer influência nessa decisão delas. Mas elas são moças inteligentes e observadoras e perceberam o que a mãe passou em 35 anos de carreira. Porque apesar de ter muita gente por aí dizendo somos bandidos e vagabundos, isso não espelha a realidade. A verdade é que a gente não come o pão que o Diabo amassa. A gente come o pão que o diabo amassa e joga fora! Olha só a vida da Judy Garland... (COMEÇA A ENTRAR A INTRODUÇÃO INSTRUMENTAL DE “HAVE YOURSELF A MERRY LITTLE CHRISTMAS”) Mas, naquela fase, com o novo marido e a pequena Liza no colo, a Judy vivia, por um breve espaço de tempo, um momento abençoado... (CANTA) “Have Yourself a Merry Little Christmas” Have yourself a merry little Christmas Let your heart be light From now on, Our troubles will be out of sight… Have yourself a merry little Christmas, Make the yuletide gay From now on, Our troubles will be miles away. Here we are as in olden days, Happy golden days of yore Faithful friends who are dear to us Gather near to us once more… Through the years We all will be together, If the fates allow Hang a shining star upon the highest bough And have yourself a merry little Christmas… now! JUDY: Não dizem que alegria de pobre dura pouco? Pois alegria de artista – rico ou pobre – dura menos ainda. Em meio à euforia do nascimento da Liza, eu enfrentei uma tremenda depressão pós-parto e... voltei às pílulas. O estúdio pagou uma intensa terapia pra mim, onde eu fiz uma descoberta que eu já intuía há algum tempo: a de que eu não queria ser Judy Garland. Nunca quis. Inventaram essa personagem pra mim. Porque é que eu não podia ser Frances Gumm, como estava na minha certidão de nascimento? Mas eu tinha caído numa armadilha. E não conseguia sair. Até porque não sabia fazer outra coisa. Eu parecia uma mosca me debatendo, presa, na vitrine de uma padaria... Me debati tanto comigo mesma que, por pouco, não cai de uma janela... Essa... tentativa, talvez involuntária, de suicídio resultou na Metro me suspendendo e não renovando o meu contrato. Pela primeira vez na vida, eu estava solta no mercado, tendo que ser dona do meu nariz – embora a mamãe continuasse infernizando a minha vida e me responsabilizando pelas coisas que me aconteciam. Tudo parecia estar desmoronando ao mesmo tempo. Até o meu... contrato de casamento também foi chegando ao fim depois de, apenas, quatro anos. Os “rumores” que cercavam meu marido eram, afinal de contas, verdadeiros. O amor que ele tinha pelas mulheres só se realizava, plenamente, nas telas de cinema. Na vida real, a companhia dele e a minha carência não conseguiam se dar as mãos... ATRIZ: Há poucos anos, a minha vida também teve o seu momento Judy Garland: meu casamento de muitos anos terminou; minhas filhas estavam crescidas e não precisavam mais tanto assim de mim (é horrível você se dar conta que está meio obsoleta); meu pai querido e doce veio a falecer; a emissora à qual eu estava ligada há anos não renovou meu contrato e, para piorar as coisas, eu fui atacada, com uma fúria assassina, pela menopausa. Ô mau-humor... E as mudanças súbitas de estado de espírito? Heim? E o calor, no auge do inverno? Hum? Estava tudo acontecendo ao mesmo tempo. Cheguei à conclusão de que era o destino me mandando algum tipo de mensagem: “Ó, tá na hora de zerar a sua vida...” Só podia ser... Mas como é que se faz uma coisa dessas com mais de 50 anos na cara – e no corpinho? Resolvi voltar para os bancos escolares – terminei a CAL; agora vocês estão vendo uma atriz diplomada! – e passei a encarar desafios no palco: cheguei a fazer uma Jocasta moderna que transava com o próprio filho num papel que várias atrizes cariocas recusaram e, agora, vim parar neste monólogo musical sobre a Judy Garland. A pessoa ainda não deve estar com a cabeça totalmente no lugar... Ironicamente, a única certeza que eu tinha era a mesma da Judy nessa fase (COMEÇA A ENTRAR A INTRODUÇÃO INSTRUMENTAL DE “GET HAPPY” FALANDO PARA SI MESMA:) : “Não deixa a peteca cair... Ninguém suporta alguém choramingando pelos cantos... Segura no carão e bola pra frente!” “Get Happy” (COMEÇA SEM RITMO) Forget your troubles, come on get happy Ya better chase all cares away Sing Halleluyah, come on get happy Get ready for the jugdement day The sun is shining, come on get happy The Lord is waiting to take your hand Shout Halleluyah, come on get happy We’re going to the Promised Land We’re heading ‘cross the river Gonna wash our sins in the tide It’s all so peaceful On the other side (ENTRA O RITMO) Forget your troubles and just get happy Ya better chase all your cares away Sing Halleluyah, c’mon get happy Get ready for the judgement day… (MÚSICA, COM RITMO, É RETOMADA ATÉ O FINAL.) JUDY: Bom, nesta altura dos acontecimentos, vocês já devem me conhecer um pouquinho, né:...? e sabem que eu não sou mulher de ficar muito tempo sozinha... Eu preciso ter alguém do meu lado, alguém em quem eu possa confiar, alguém que possa cuidar de mim e, de preferência, da minha carreira também... Foi aí que apareceu o Sid... Sid Luft... meu terceiro marido... Um produtor de filmes B, sem muito prestígio ou verniz intelectual, mas eu não estava nem aí... Nesse momento da minha vida, ele foi uma bóia de salvação... Ninguém me chamava para fazer filme algum porque eu era sinônimo de confusão. Eu era um barco à deriva e precisava trabalhar, não só por questões financeiras como para segurar a minha cabeça que começava a entrar em parafuso... Foi quando eu passei a fazer uma série de concertos aos quais eu sempre recorreria toda vez que a vida aprontasse alguma falseta comigo. Eram o palco e o refletor – sempre ele – vindo me salvar... O Sid gerenciou toda a excursão, que foi muito bem sucedida sob todos os pontos de vista – artístico e financeiro. Tudo parecia ir tão bem que eu dei uma irmãzinha para a Liza... a Lorna. Mas a minha vida parece que sempre foi regida por um lema: Na glória, a amargura. Mais uma vez, tive uma depressão pós-parto braba e voltei às pílulas. Para complicar as coisas, nesse meio tempo, minha mãe morreu. É impressionante o peso da morte. Quando a gente pensa que ela pode vir a ser um alívio, ela se transforma num fardo ainda maior de culpa e melancolia. É curioso como a gente acaba usando tudo isso, consciente ou inconscientemente, no nosso ofício. Acho que o meu trabalho como atriz no filme “Nasce Uma Estrela” não teria sido tão elogiado se eu, aos 32 anos, já não tivesse tido toda a carga dessa vivência acumulada... ATRIZ: Como alguns de vocês devem saber, “Nasce uma Estrela” conta a história de um astro de Hollywood em plena decadência artística e profissional que se apaixona por uma atriz em plena ascensão. Esse gráfico esquizofrênico de ascensão, queda, ascensão da vida de artista é reconhecido por qualquer um, em qualquer parte do mundo. Judy Garland conhecia isso melhor do que ninguém. Nos, aqui, no Brasil, também sabemos muito bem o que é isso... Ironicamente, porém, no filme, ela faz, justamente, a jovem atriz cheia de esperança e otimismo que se envolve com o astro decadente, de tendência suicida. Numa das cenas mais importantes e dramáticas do filme, ela desabafa com o agente sobre a sua impotência diante da situação do marido. Talvez o resultado da cena tenha sido tão impactante não porque ela se solidarizava com o sofrimento da sua personagem, mas sim porque reconhecia a dor vivida pelo marido... No fundo, quando ela falava do marido no filme, estava falando de si própria... JUDY: “Ele está tentando parar de beber. Ele está tentando, de verdade. Mas o que é que faz com que ele queira se destruir? Você o conhece há mais tempo do que qualquer outra pessoa... Me diz! Eu não me importo! Só me diz! Eu preciso descobrir a resposta! Você não sabe o que é ficar assistindo alguém que você ama desmoronar na sua frente, dia após dia, e ficar lá sem poder fazer nada... Eu pensei que o amor fosse o suficiente. Eu achei que eu era a resposta para ele. Mas o amor não é o bastante pra ele. E eu to começando a ter medo do que se passa dentro de mim. Porque, às vezes, eu odeio ele. Eu odeio as promessas dele de parar de beber e, depois, ficar parada vendo ele começar tudo outra vez. E ele tenta, eu sei que ele tenta. Mas eu odeio quando ele fracassa. E eu também me odeio porque eu também fracassei. Eu não sei o que vai ser de nós. Quanto que você pode amar alguém? Quanto você pode aguentar?” COMEÇA A ENTRAR A INTRODUÇÃO INSTRUMENTAL DE “THE MAN THAT GOT AWAY”, ENQUANTO JUDY/ATRIZ SE ENCAMINHA PARA PERTO DO PIANO. “The Man That Got Away” The night is bitter The stars have lost their glitter The winds grow colder Suddenly you’re older And all because of the man that got away No more his eager call The writings on the wall The dreams you dreamed have all Gone astray The man that won you Has run off and undone you That great beginning Has seen the final inning Don’t know what happened It’s all a crazy game No more that all-time thrill For you’ve been through the mill And never a new love will Be the same Good riddance, good-bye Every trick of his you’re on to But fools will be fools And where’s he gone to? The road gets rougher It’s lonelier and tougher With you you burn up Tomorrow he may turn up There’s just no let up The live long night and day Ever since this world began There is nothing sadder than A one-man woman Looking for the man That got away The man that got away… ATRIZ: Gostou tia Arminda? A senhora sempre quis que eu cantasse isso num palco, né…? Paguei mico? Eu caprichei porque sabia que a senhora estaria na plateia... A Judy Garland também caprichou. Tanto que foi indicada ao Oscar por esse filme. E era considerada a favorita. No início de 1955, ela estava redondamente grávida, mas, mesmo assim, estava se arrumando para ir à cerimônia. Até porque ela só tinha aquele mini-Oscar que havia ganho pelo “Mágico de Oz” e que apelidara de “Duende”. Quando estava chegando na hora de ir... pluft! Estourou a bolsa e ela teve que ir correndo pro hospital. Deu a luz a um irmãozinho para a Liza e a Lorna: Joey. Mãe e filho passavam muito bem quando um par de horas antes da entrega da estatueta, seu quarto foi invadido por câmeras, refletores, operadores de som que lhe enfiaram fios por dentro da camisola no caso de um discurso de agradecimento. Afinal, ela era a favorita. Um circo midiático foi levantado dentro e fora do seu quarto. Tinha um microfone aqui (mostra o peito), outro ali (aponta para o alto), luz fortíssima por todo o lado, homens aos berros uns para os outros, uma maquiadora cobrindo o rosto da infeliz de pó, gritaria e confusão fora do hospital e dentro do quarto. A maternidade tinha virado um hospício. Tudo pronto! Começaram a chamar as indicadas (um pequeno rufar de tambores feito pelo piano) até que “The winner is... Grace Kelly!” Foi a operação mais rápida de todos dos tempos. Em questão de segundos, tiraram todos os fios que, por pouco, não a eletrocutaram, as luzes se apagaram e todo mundo sumiu. O sonho, com cara de pesadelo, tinha acabado. Ninguém queria saber, óbvio, como ela estava se sentindo. Num pais que tem a mania de dividir a sociedade entre “winners” e “losers” – “vencedores” e “perdedores”, quando o que mais tem, justamente, ali, é o “meio de campo” – eles não estavam nem um pouco interessados em saber o que Judy teria a dizer. O consolo veio com as palavras de praxe: “é um prêmio da indústria, não de excelência artística”, “claro, deram o prêmio pra jovem lourinha, bonitinha, com pinta de princesa – nunca que dariam pra você, Judy!” O mesmo aconteceu quando a nossa Fernanda Montenegro perdeu para a Gwyneth Paltrow. Uma das maiores atrizes do mundo perdia para mais uma lourinha, bonitinha, com pinta de princesa. E todos nós sabemos a carreira de títulos significativos que Gwyneth Paltrow, essa trava-línguas, fez a seguir. E Judy, bom... como ela mesmo disse: “Eu tenho o meu próprio Oscar: Meu filho!” JUDY: Após a derrota do Oscar, eu passei muitos anos sem filmar. Em pouco tempo, o dinheiro começou a faltar. Nunca entendi isso direito... Sempre fui o ganha-pão da família! Trabalho feito uma condenada desde criança! Onde foi parar todo o meu dinheiro? A situação estava ficando desesperadora. E fui parar de volta no hospital. Dessa vez, não para ter um neném, mas por causa de uma hepatite violenta. Quase morri. Na longa recuperação, tive muito tempo pra refletir. E pra encontrar uma saída para aquele meu beco sem saída. E a saída estava, clara, óbvia, debaixo do meu nariz: o palco e o meu amigo, o refletor. Dessa vez, não ia mais ser na glória, a amargura. Eu ia virar o jogo. Ia ser: Na amargura, a glória. E no dia 23 de abril de 1961, eu estreava o meu concerto numa das salas mais importantes do mundo, depois de ficar 36 horas sem pregar o olho: O Carnegie Hall de Nova Iorque! (ENTRA A OVERTURE INSTRUMENTAL DO “JUDY AT CARNEGIE HALL”) A casa estava superlotada! Gente pelo chão! 3.165 espectadores! A nata do show-business da época estava toda presente: Rock Hudson, Harold Arlen, Jule Styne, Myrna Loy, Richard Burton, Carol Channing, Henry Fonda, Julie Andrews, Spencer Tracy… E eu tive uma das maiores consagrações da minha vida! No dia seguinte, os jornais diziam: “O show vai entrar para a história!”; um outro falava, “Durante duas horas e meia, ela magnetizou o público com histórias e 26 canções!”. A temporada foi um sucesso estrondoso. E a excursão que se seguiu por 16 cidades americanas foi a mais bem sucedida da minha carreira! O disco, com a gravação ao vivo do show, ganhou vários grammies e ficou mais de um ano nas paradas de sucesso. Mas... (COMEÇA A SAIR A OVERTURE INSTRUMENTAL) tem sempre uma “mas”, né? O casamento com Syd começou a dar defeito. Acho que não soubemos administrar direito aquele triângulo amoroso: Eu, ele e o sucesso. Para piorar as coisas, ele entrou, oficialmente, com um pedido de divórcio. E para afligir, ainda mais, o aflito, ele também entrou com um pedido de custódia dos meus filhos. Alegou que eu era incapaz de cuidar deles. Que eu bebia, que eu me drogava, que não tinha horário pra nada. Ele não estava mentindo. Mas, nessa época, eu pensei que fosse enlouquecer... Se ele me tirasse os filhos, não sei o que seria de mim! Eu acho que não ia aguentar! E eu não tinha muitos argumentos pra me defender. Eu não tinha como dourar a pílula. A minha vida havia sido registrada, passo a passo, em todos os jornais e revistas. Quando fui à corte ser ouvida, me dei conta que a minha única defesa seria a verdade. A minha grande arma era ser o mais sincera possível. E me agarrei a esse pensamento, com unhas e dentes, desesperada: “Eu sei que não sou perfeita! E quem é? Mas eles são meus filhos!” (T) E ganhei a custódia! ATRIZ: Não sei o que faria no lugar da Judy se tentassem tirar as minhas filhas de mim... Acho que virava bicho! Mas a verdade é que a vitória dela no tribunal trouxe, também, uma enorme responsabilidade: a de sustentar, sozinha, os três filhos. Ela estava, agora, no absoluto comando - inclusive da carreira. E ela não estava acostumada a isso. Como ela costumava dizer: “Nunca ninguém me perguntou o que eu queria fazer. Mandavam e eu fazia.” Naquela época, em 1963, havia uma porta aberta para atrizes-cantoras que já tinham vivido o seu auge da carreira no cinema: a televisão. E lá se foi a Judy, aos 40 anos, comandar, pela primeira vez, um programa semanal de variedades, humor e música. Os críticos entraram em êxtase, mas o Ibope nem tanto... Fizeram uma pesquisa com os espectadores e a chamaram para ouvir o resultado: “Nervosa demais... “ “Fica tocando as pessoas o tempo todo...” “Deixa o telespectador desconfortável...””A Lassie ganhou 5, nota máxima... Você tirou nota 1”. Diante deste quadro, Judy tomou uma medida desesperada diante da diretoria da emissora. JUDY: (PEGA UM TELEFONE IMAGINÁRIO) “Alô? Podia me ligar com a Casa Branca, por favor? (T) Pode me passar pro salão oval, por favor? É Judy Garland. (T) Jack, querido, como é que você tá? (T) E a mais linda primeira dama do mundo? (T) Que ótimo... Desculpa interromper a sua jornada de trabalho, mas você viu o programa dessa semana? (T) Ah, não perde um? Você não existe... Então, me diz uma coisa: de 1 a 5, que nota você dá pra ele? (T) A nota máxima? Ah, que amor... E você não se sentiu... “desconfortável” assistindo? (T) Que bom, querido.... Bom saber... (T) Não, era só isso mesmo que eu queria saber... Muito obrigado.” (E DESLIGA O TELEFONE IMAGINÁRIO. PARA O PÚBLICO, COMO SE ELE FOSSE A DIRETORIA DA EMISSORA.) Eu só tenho duas coisas pra dizer pra vocês: primeira – vocês me pagam para “tocar” as pessoas! Segunda – eu não sou a Lassie, tá?” (DÁ UM LATIDO RAIVOSO E VIRA DE COSTAS.) (QUANDO SE VOLTA PARA A PLATÉIA, JÁ É A ATRIZ QUE VOLTA A FALAR CONOSCO.) ATRIZ: De nada adiantou esse golpe teatral da Judy. Ela foi sumariamente demitida depois uma única temporada do programa. Se serve de consolo, todos os programas viraram cds e dvds que são vendidos até hoje. Mas, na realidade, Judy estava, mais uma vez, com o coração partido. E, no caso dela, como é que se remenda um coração? Casando-se pela quarta vez, é claro. Mark era lindo, jovem... e gay. Verdade... Os gays gostavam tanto da Judy Garland que queriam se casar com ela. Eles a adoravam, coisa de que ela precisava. Eles cuidavam dela, outra coisa muito necessária para ela. Mas, num determinado aspecto, eles não correspondiam às expectativas dela – nem ela às deles. Resultado: ao contrário dos shows de Judy, eram casamentos que ficavam pouco tempo em cartaz. E Mark, por mais jovem e bonito, não foi uma exceção à regra. Foi no meio de mais esta separação, que Judy recebeu um convite de gosto muito duvidoso: interpretar um papel inspirado nela própria no filme “O Vale das Bonecas”. Ela não fazia um filme há muito tempo, todo mundo sabia do envolvimento dela com álcool e com bolas – ela não tinha nada a esconder de ninguém –; o filme era baseado num grande best-seller, quem sabe não poderia significar uma grande “volta” à tela grande? (A ATRIZ VAI PARA TRÁS DA MALA/BIOMBO E CONTINUA CONTANDO A HISTÓRIA, ENQUANTO TROCA DE FIGURINO.) ATRIZ: O horário era puxado: Judy já tinha que estar pronta, vestida, maquiada, texto decorado às seis da manhã, no estúdio. No primeiro dia de filmagem, lá estava ela, impecável, profissional, com tudo em cima. Mas em cinema costuma-se esperar muito até o diretor gritar “ação!”. E aquele diretor, descrito por muita gente boa como um dos maiores filhos da puta de Hollywood, fazia Judy esperar como se ela fosse uma figurante. Enquanto esperava, tinha sempre alguém da sua “entourage” que vinha lhe dar um aditivo extra, pra aguentar a suportar a espera, sabe?, tipo um gole de gim ou uma bola – só para ajudar a passar o tempo, claro. (ENTRA UM CONTRAREGRA QUE LHE DÁ UM GOLE E UMA BOLA E SAI, DEIXANDO A TAÇA EM CIMA DA MALA.) O tempo passava e nada dela ser chamada pra filmar. Quem já passou por isso, sabe como essa espera pode ser mortal. E ali ficava Judy, aos 45 anos, um dos maiores ícones do cinema e da musica, sentada, esperando e... se entupindo de álcool e bolinhas... (ENTRA POR OUTRO LADO O MESMO CONTRAREGRA QUE LHE DÁ MAIS UMA BOLA.) Quando o diretor finalmente a chamou para filmar, às quatro da tarde, ela já estava torta e incapaz sequer de ler as páginas amarelas. Tudo bem. No dia seguinte, eles resolveriam tudo. E no dia seguinte, a mesma coisa: às seis da manhã, lá estava Judy, pronta para filmar. E... nada! Quer dizer, enquanto esperava, ela tomava todas! (O CONTRAREGRA ENTRA POR OUTRO LADO E DÁ MAIS UMA BOLA.) O dia foi passando até que, mais uma vez, às quatro e meia da tarde, o cafajeste do diretor a chama para filmar. Mais uma vez, Judy não se aguentava de pé. A solução veio a galope: Demitiram a Judy Garland. E a barra voltou a ficar muito pesada para a nossa heroína, mais uma vez. Mas, como vingança é um prato que se come frio, meses depois ela estreava um novo show no Palace de Nova Iorque (COMEÇA A ENTRAR A INTRODUÇÃO INSTRUMENTAL DE “THAT’S ENTERTAINMENT”) com o figurino que ela levou do “Vale das Bonecas”! (A ATRIZ SAI DE TRAZ DA MALA/BIOMBO VESTIDA COM O CLÁSSICO TERNINHO DE BROCADO E GOLA DE LAÇO CANTANDO, COMO UM COMENTÁRIO IRÔNICO AO QUE ACABOU DE NARRAR, “THAT’S ENTERTAINMENT”) “That’s Entertainment” A clown with his pants falling down Or the dance that’s a dream of romance Or the scene where the villain is mean That’s entertainment! The lights on the lady in tights Ot the bride with the guy by her side Or the ball where she gives it her all That’s entertainment! The plot can be hot, simply teeming with sex A gay divorcee who is after her ex It could be Oedipus Rex Where a chap kills his father and causes a lot of bother The clerk who is thrown out of work By the boss who is thrown by a loss By the skirt who is doing him dirt The world is a stage, the stage is a world of entertainment It might be a fight that you see on the screen A swain getting stain for the love of a queen Some great Shakespearean scene Where a ghost and a prince meet, and everyone ends in mincemeat The guy who was waving the flag That began with the mystical hand Hip hooray! The American way! The world is a stage, the stage is a world of entertainment! ATRIZ: O show foi um sucesso estrondoso, casas superlotadas , oito sessões por semana. Eram borderôs cujos valores bateram todos os recordes da Broadway. Mas toda a grana da temporada foi para o bolso do Leão, a quem Judy devia os tubos. O Imposto de Renda levou até a casa dela. Judy foi obrigada a morar com Lorna e Joey, num hotel. Embora Judy tenha implorado para Liza não se meter em show-business, ela já estava fazendo musicais, participações em programas de televisão e até cinema. Em determinado momento, a estrela do “Mágico de Oz” acabou ficando sem dinheiro também para pagar o hotel. E quando o gerente invadiu seu quarto, cobrando a dívida de forma muito veemente, Judy tomou mais uma medida desesperada: (A ATRIZ VAI BEM PARA O PROSCÊNIO E SE TORNA JUDY:) JUDY: Quer que eu me atire aqui de cima, quer? É assim que você quer entrar para a história? Como o cara que atirou Judy Garland pela janela? É essa a publicidade que interessa pro teu hotel? É assim que você quer ficar conhecido? Como um ser mesquinho, implacável e intolerante? Porque eu te garanto: É isso que vai acontecer com você quando o povo me encontrar esborrachada lá embaixo no chão! (BREVE PAUSA) (JUDY SE AFASTA DO PROSCÊNIO, DÁ ALGUNS PASSOS PARA TRÁS E VOLTA A SER A ATRIZ.) ATRIZ: O golpe deu certo. Apesar do ódio do gerente, Judy conseguiu um crédito por mais alguns dias com o hotel. Mas se aquilo não era vida para ela, imagina para as crianças, vendo todas aquelas coisas acontecendo. Lorna, ainda uma adolescente, cuidava da mãe, do irmão menor, das finanças, da carreira, de tudo. O inevitável acabou ocorrendo: diante de todo o stress do dia a dia, Lorna teve um esgotamento nervoso aos 14 anos e baixou hospital. Judy fez, naturalmente, tudo que estava a seu alcance para aliviar o peso do sofrimento da filha, mas o pai, Syd Luft, achou que haviam chegado á uma situação-limite, ao fundo do poço. Enquanto o mal estar familiar corria solto, o anjo da guarda de Judy se mexeu e ela recebeu um convite irrecusável: fazer uma longa temporada numa casa noturna londrina, a peso de ouro. Obviamente, quis levar os filhos. Mas a passagem e a estada não incluíam duas crianças. Por causa disso, ela quase recusou o convite. Mas ela não estava em condições de recusar trabalho, ainda mais, bem pago. E lá se foi Judy, sozinha, para Londres – deixando os filhos com o pai. Os ingleses foram extremamente carinho
Objetivo Geral: A proposta é surpreender o público, deixá-lo na ponta da cadeira, tentando adivinhar o que virá a seguir _ na medida em que não se trata de uma narrativa cronológica, linear. Mas, ao mesmo tempo, trata-se também de um monólogo musical brasileiro _ ou melhor, um espetáculo solo _ em que a atriz não se furtará a entoar os maiores clássicos de Judy. Existe uma grande parcela do público teatral carioca totalmente desassistida: Aquela que não deseja ir ao teatro para ver as piadas, mais ou menos pesadas, que pode ver na TV, nem quer conferir a mais recente tendência do teatro experimental. É o público que procura um espetáculo teatral de qualidade, com uma proposta de entretenimento inteligente, comunicativo e bem-humorado. Produções que tenham um toque de refinamento, um bom acabamento artístico e técnico na montagem e abriguem fichas técnicas "classe AAA". Objetivo Específico: -Propomos uma temporada de 2 meses de espetáculo no Rio de Janeiro, mais 2 meses de ensaio. -Confecção de CD´s / CD-ROM: 2.000 com 15 músicas do espetáculo. valor inteiro: R$ 20,00 / valor meia: R$ 10,00 -Atendendo ao disposto no Art. 22 da IN nº 02/2019 do Ministério da Cidadania, o projeto em tela pretende realizar como ação formativa cultural (contrapartida social), uma PALESTRA para os estudantes e professores, abordando o tema "Como Montar uma Peça Teatral", garantindo o transporte deste público, com previsão de 700 pessoas. - Atendendo ao disposto no Art. 21 da IN nº 02/2019 do Ministério da Cidadania, iremos realizar Ensaio Aberto com debate após o espetáculo com o autor e diretor Flávio Marinho, para estudantes e professores da rede pública de ensino (gratuito), além do público normal pagante. - Confecção de Ingressos: 5.000 valor inteira: R$ 100,00 / valor meia: R$ 50,00 Distribuição gratuita: Divulgação 500 / Patrocinador 500 / População baixa renda 1.000 Preço popular R$ 50,00 Ficaremos 2 meses em cartaz, a princípio no Teatro Vanucci, Rio de Janeiro, de quinta a domingo, totalizando 32 apresentações em horário nobre.
Mais que nunca, diante da precária situação da economia teatral carioca, se torna totalmente impossível produzir um espetáculo sem a presença de um patrocinador. Caso contrário, a conta simplesmente não fecha: O reduzido número de apresentações semanais, as curtas temporadas, a obrigação da meia-entrada, o recuo do público diante do binômio violência urbana/lazer doméstico, tudo conspira para uma atividade à beira do colapso. O que é arrecadado na bilheteria, na maioria esmagadora as vezes, não cobre os custos de manutenção _ sem falar no investimento para se abrir o pano. O patrocínio e os apoiadores culturais surgem, então, como salvadores da pátria, verdadeiras tábuas de salvação de uma iminente falência. Nem sempre se leva em conta, por exemplo, que um monólogo, por exemplo, como este "Judy: O Arco-Íris É Aqui" envolve, no mínimo, cerca de 27 profissionais diretos. No caso de um musical, como é o caso de "Judy: O Arco-Íris É Aqui", o quadro fica ainda mais complexo: surgem figuras que não existem no chamado teatro declamado, como direção musical, preparação vocal, coreógrafa, músicos, aparelhagem de som, feitura de CD _ todo um universo sonoro para dar vida cênica ao espetáculo. Some-se a tudo isto, ainda, o fato de que "Judy" ainda busca levar ao público um entretenimento sofisticado e inteligente, justificando-se, assim, creio eu, plenamente, a presença de um patrocinador. Conforme o Art. 1º da Lei 8313/91, o projeto visa contribuir com os incisos abaixo: I - contribuir para facilitar, a todos, os meios para o livre acesso às fontes da cultura e o pleno exercício dos direitos culturais; II - promover e estimular a regionalização da produção cultural e artística brasileira, com valorização de recursos humanos e conteúdos locais; III - apoiar, valorizar e difundir o conjunto das manifestações culturais e seus respectivos criadores; E ainda: Conforme o Art. 3º da Lei 8313/91, o projeto visa contribuir com os incisos abaixo: II - Fomento à produção cultural e artística, mediante: c) realização de exposições, festivais de arte, espetáculos de artes cênicas, de música e de folclore; e) realização de exposições, festivais de arte e espetáculos de artes cênicas ou congêneres.
As 15 músicas ainda serão selecionadas. Assim que a produção do espetáculo selecionar, enviaremos os documentos do ECAD.
Especificações Técnicas: PRODUTO PRINCIPAL: Espetáculo Teatral Duração do espetáculo: 90 minutos Produção de CD´s / CD-ROM (com vendas) Classificação: 12 anos
A produção do espetáculo garante apresentações em espaços que estejam adaptados as necessidades dos portadores de deficiência, pessoas idosas e que tenahm funcionários qualificados a atender o público com necessidades especiais. Para a acessibilidade de conteúdo e física, 100% de TODAS as apresentações serão adaptadas para pessoas com deficiências auditivas, visuais e físicas, conforme descrição abaixo: ENSAIOS / APRESENTAÇÕES DO ESPETÁCULO / AÇÃO FORMATIVA ACESSIBILIDADE FÍSICA: Rampas, corrimões, banheiros adaptados, assentos para obesos e idosos e etc., conforme a Lei nº 13.146, de 2015 e Decreto nº 9.404, de 2018. ítens na planilha orçamentária: não há, pois o Teatro já terá essa adaptação. ACESSIBILIDADE PARA DEFICIENTES VISUAIS: item na planilha orçametária: Audiodescrição, conforme a Lei nº 13.146, de 2015 e Decreto nº 9.404, de 2018. ACESSIBILIDADE PARA DEFICIENTES AUDITIVOS: item na planilha orçamentária: intérprete em Libras, conforme a Lei nº 13.146, de 2015 e Decreto nº 9.404, de 2018. CONTRAPARTIDA SOCIAL ACESSIBILIDADE FÍSICA: Rampas, corrimões, banheiros adaptados, assentos para obesos e idosos e etc., conforme a Lei nº 13.146, de 2015 e Decreto nº 9.404, de 2018. ítens na planilha orçamentária: não há, pois o Teatro já terá essa adaptação. ACESSIBILIDADE PARA DEFICIENTES VISUAIS: item na planilha orçametária: Audiodescrição - incluido na planilha do produto principal, conforme a Lei nº 13.146, de 2015 e Decreto nº 9.404, de 2018. ACESSIBILIDADE PARA DEFICIENTES AUDITIVOS: item na planilha orçamentária: intérprete em Libras -incluido na planilha do produto principal, conforme a Lei nº 13.146, de 2015 e Decreto nº 9.404, de 2018. PRODUÇÃO DE CD (músicas do espetáculo) ACESSIBILIDADE FÍSICA: Não se aplica, por ser música ACESSIBILIDADE PARA DEFICIENTES VISUAIS: Não se aplica, por ser música ACESSIBILIDADE PARA DEFICIENTES AUDITIVOS: item na planilha orçamentária: CD-ROM com Tradução em Libras, conforme a Lei nº 13.146, de 2015 e Decreto nº 9.404, de 2018.
Em termos de democratização do acesso o espetáculo será oferecido a preços populares, com entradas com preço normal e meia- entrada destinados a idosos, estudantes, portadores de deficiência. Haverá ensaio aberto destinado a público interessado com tema do espetáculo, além de artistas e público. Realização de debates após o ensaio aberto entre o público, ator e diretor do espetáculo, para conversarmos sobre todas as etapas de realização de uma peça de teatro, mostrando novos caminhos profissionais às pessoas presentes. Prática de ingressos com desconto para estudantes, de acordo com a Lei de Meia-Entrada. Prática de ingressos com desconto para professores da rede pública de ensino. Doação da cota de convites para pessoas de baixa renda (associações de moradores, ‘Ong’s’, centros comunitários, instituições de ensinos público, Instituições para deficientes físicos, etc). Art. 21 da IN nº 02/2019 do Ministério da Cidadania. Em complemento, o proponente deverá prever a adoção de, pelo menos, uma das seguintes medidas de ampliação do acesso: II - oferecer transporte gratuito ao público, prevendo acessibilidade à pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida e aos idosos;
Ficha Técnica Autor, Diretor e Coordenador Geral: Flavio Marinho / Marinho D´Oliveira Elenco: Luciana Braga Diretora Musical: Liliane Secco Músicos: Liliane Secco e André Amaral Cenário/ Figurino: Ronald Teixeira Direção de Produção e Administração: Fábio Oliveira MINI CURRICULOS: Autor, Diretor e Coordenador Geral: Flavio Marinho / Marinho D´Oliveira Flávio Marinho / Marinho D´ Oliveira Principais trabalhos para o teatro: Escreveu "Se Eu Fosse Você - O Musical", "Academia do Coração", "A Vingança do Espelho: A História de Zezé Macedo", "Abalou Bangu 2: A Festa", "Além do Arco Íris", "Sessão da Tarde", "Cauby! Cauby!", "Um Caminho Para Dois", "Nosso Amor a Gente Inventa", "Abalou Bangu", "Um Dia das Mães", "Coração Brasileiro", "Salve Amizade", "Juveníssimo", "Karamba: Confissões de Um Ator Maduro", "Quatro Carreirinhas", "Noite Feliz", "Os 7 Brotinhos", "Perfume de Madonna", "Splish, Splash" e a infantil "O Rouxinol do Imperador", musical, "Estúpido Cupido", "O Amor É Azul", "Irmãozinho Querido", escrita, dirigida e produzida por ele. Elenco: Luciana Braga Luciana Braga Luciana Braga começou os estudos de teatro no Curso Amador do Colégio Andrews (1978/ 79) e se profissionalizou pela CAL – Casa de Artes de Laranjeiras (84/85). Antes de se tornar popular nacionalmente como a rolinha Imaculada, de Tieta (novela de 1989), Luciana Braga já tinha mostrado seu talento em outros folhetins da Globo: na primeira versão de Sinhá Moça (1986) -, e em Helena, da Manchete (1987). Continuou atuando em tramas televisivas, como Renascer (1993), interpretando Sandra. Nos palcos, sua atuação em Cartas Portuguesas e O Casamento Branco lhe valeram indicações como Melhor Atriz no Prêmio Shell, em São Paulo e no Rio. Fez espetáculos de gêneros diferentes como a comédia Síndromes – Loucos como Nós e o musical Crioula – A vida de Elza Soares, em que fazia a personagem-título, mostrando seu talento vocal; fez ainda Farsa, eleito um dos melhores espetáculos de 2007. Trabalhou em filmes como Assim na Terra Como No Céu (1990), A Verdade (1991), Policarpo Quaresma (1998) e Dom (2003). Recebeu prêmios importantes como o Troféu Mambembe de Atriz Revelação em 1985 e o Troféu Imprensa como Atriz Revelação em 1989. Diretora Musical / Música: Liliane Secco Liliane Secco Diretora musical, compositora, arranjadora, pianista, regente, produtora musical, ganhadora do Prêmio Shell. Principais trabalhos: Os Quatro Carreirinhas, O Fantasma da Ópera, A Bela e a Fera, Loucos por Sinatra, Estúpido Cupido. Cenário / Figurino: Ronald Teixeira Ronald Teixeira Cenógrafo, diretor de arte e figurinista. Ganhador de dois Prêmios Shell e um Prêmio Coca-Cola pelos seus cenários. Principais trabalhos: As Artimanhas de Scapino, Cauby! Cauby!, Quixote, Abalou Bangu, Esplêndidos, Através da Íris. Músico: André Amaral André Amaral Natural de Minas Gerais, Fez Bacharelado em Piano na UFRJ em 2003, Professor de música no Colégio CION, Mestrado na UNIRIO em 2017/2018, foi Regente da empresa Coral Petrobras. Alguns trabalhos: Cauby! Cauby!, As Noviças Rebeldes, Love Store. Direção de Produção / Administração: Fábio Oliveira Fábio Oliveira Trabalhou nas peças abaixo como diretor de produção: Além do Arco Iris (2009), Abalou Bangú 2: A Festa (2011), Academia do Coração (2013), Irmãozinho Querido (2018), todas com autoria de Flávio Marinho.
Projeto encaminhado para avaliação de resultados.