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Criação dramatúrgica, montagem e realização de temporadas e circulação do espetáculo Prega! por cidades brasileiras. Solo da atriz, roteirista e produtora, Luciana Mitkiewicz, versa sobre a sensação de fracasso que uma artista de teatro de 49 anos experimenta após 21 anos de carreira. Utilizando-se da metáfora do mar e do surf, e amparando-se por referências teóricas, como Gastón Bachelard (A Água e os Sonhos), a peça fala de três mortes ultrapassadas pela atriz: a primeira, antes de seu nascimento, no ventre materno, quando sua mãe precisou passar por uma cirurgia cardíaca e teve uma EQM (experiência de quase morte); aos 12 anos, ao afogar-se no mar de Ipanema; e agora, quando busca sobreviver à morte do sonho de ser atriz, profissão que até hoje não lhe possibilitou uma independência econômica. O projeto visa realizar, ao todo, 64 apresentações da obra por cidades das diferentes regiões do Brasil nos próximos anos.
A atriz Luciana Mitkiewicz conversa com o público sobre suas três "mortes": uma antes mesmo de nascer, nas águas do ventre materno, outra aos 12 anos de idade, no mar de Ipanema, e a última, a partir da convicção de que fracassou em ter a vida que sempre sonhou, aos 49 anos. Por meio de depoimentos, de imagens e da construção de personagens que rondam uma história, ao mesmo tempo familiar e coletivam, a atriz personifica figuras como pai, mãe, desejo, medo e autoridade, e faz das águas e do surf metáforas do sonho e da coragem.
Objetivo geral: Criar o espetáculo-solo Prega! com base em residências e interlocuções artísticas com parceiras das áreas da dramaturgia, direção, iluminação, música, cenografia e figurinos, e apresentá-lo em 11 cidades brasileiras ao longo de 2024 e 2025, de modo a poder estabelecer com variados públicos um diálogo acerca da experiência do fracasso, especificamente, do fracasso feminino. Objetivos específicos: Criar, com base em histórias pessoais, textos teóricos e literários, imagens, obras de arte e interlocuções várias, uma peça inédita e original sobre o tema do fracasso; Construir um espetáculo solo, no formato palestra-performance, mesclando drama e humor, ficção e realidade, para refletir sobre experiências de fracasso na vida de uma mulher-artista; Estabelecer uma ligação entre as experiências do fracasso e da morte, o sonho e as águas, o surf e a necessidade de ultrapassar o medo de fracassar para poder fluir na vida; Desenvolver um processo aberto a múltiplas intervenções e provocações artísticas, lançando mão de dispositivos de criação provindos da arte e da clínica, de residências e de trocas com artistas de várias áreas e de diversos lugares (geográficos); Montar um espetáculo rústico, utilizando poucos elementos cênicos; uma obra de pouca complexidade técnica/ tecnológica (do ponto de vista da visualidade espetacular extra-atoral); Apresentar a peça em vários espaços - teatrais, educacionais, de saúde mental etc; Realizar 64 apresentações em diversas cidades e regiões do país gratuitamente ou a preços populares (vide plano de distribuição).
Em primeiro lugar, por tratar-se da produção e difusão de um bem cultural brasileiro, cujo tema expressa-se como um valor universal, tornando-o um ato formador e informador de conhecimento. Em segundo lugar, por tratar-se de um produto cultural criado por uma artista interessada e especializada na pesquisa de linguagem e na produção de obras originais (com temáticas femininas e feministas). Além disso, trata-se, especificamente, de uma produção cultural e artística voltada à criação e apresentação de um espetáculo de artes cênicas, área e segmento amparados na referida Lei, que busca circular pelo país e no exterior, alcançando distâncias que, sem o referido fomento, não seriam viáveis à realização da presente proposta. Por calcar-se na experiência humana, sobre a qual se pretende refletir por meio de uma obra teatral, a fim de promover melhorias substanciais na vida de suas/seus expectadoras/es. Nesse sentido, justifica-se a inscrição da proposta na Lei, que tem por um dos objetivos apoiar, valorizar e difundir o conjunto das manifestações culturais e seus respectivos criadores, bem como contribuir para facilitar, a todos, os meios para o livre acesso às fontes da cultura e o pleno exercício dos direitos culturais. Prega: depressão, ruga, rebaixamento, cavidade, prostração, dobra, babado, sulco, vinco, falência, fratura, desfalque, perda, infração, transgressão ou violação; no jargão carioca, "otária", inconveniente, sem graça, inepta, amadora, estrangeira. Volta e meia me sinto assim. Sou carioca; nasci em uma cidade-emblema, cujos padrões estéticos e comportamentais sempre exerceram mais pressão sobre mulheres do que sobre homens. Uma cidade difícil para o teatro de pesquisa, voltada para o mainstream televisivo e exportadora de uma cultura massificada, pouco condizente com a diversidade do que aqui se produz sem visibilidade sequer local. Sempre me senti "bicho de fora". Hoje, mais do que nunca, ao olhar para o que construí na vida, sinto-me prega. Sou mulher e sou artista. Formei-me em Artes Cênicas na Unicamp e decidi produzir meus próprios trabalhos, captando recursos com empresa e em editais públicos para projetos, cujos resultados estavam sempre muito bem delineados. Nunca achei que consegui cumpri-los satisfatoriamente, para ser sincera. Sinto que fracassei. E, no Rio de Janeiro, ao fracassado chamamos "prego"! O fracasso é a terceira morte que pretendo ultrapassar. O espetáculo é, pois, o réquiem para um sonho - o do estrelato, do sucesso, da realização profissional e econômica provindas do exercício da profissão. As duas mortes anteriores foram antes do meu nascimento e na entrada da adolescência, logo após a separação dos meus pais. Ambas na água - no ventre materno e no mar de Ipanema. A morte nas águas, segundo Gaston Bachelard, em sua obra A Água e os Sonhos, é a forma mais feminina de se morrer. Por isso, peço licença para tomar emprestada a imagem aquífera a fim de falar desta última morte também - a do sonho - a qual pretendo ultrapassar pela recuperação da capacidade de surfar (literal e metaforicamente), ou seja, de fluir na vida e em cena, ultrapassando o medo de fracassar mais uma vez.
O projeto ainda está em etapa de elaboração, pois configura-se como campo aberto a experimentações e trocas diversas, abarcando outros profissionais ainda não citados, já que no seu próprio percurso de pesquisa em artes pretende encontrar interlocutores ainda não previstos, bem como abrir mão de outros previamente elencados, dando preferência às mulheres artistas e pensadoras de diferentes áreas da cultura e do conhecimento, por afinidade temática.
Espetáculo no formato palestra-performance sobre o tema do fracasso, a ser realizado tanto em teatros, quanto em ambientes escolares, acadêmicos e de saúde mental.
Acessibilidade física: o projeto garantirá o acesso de pessoas com deficiência de locomoção e visual, por meio de sua apresentação em locais munidos de rampas, corrimãos ou elevadores, assentos especiais e banheiros adaptados. Além disso, a produção disponibilizará sempre uma colaboradora sensibilizada e preparada para auxiliar espectadoras/es com necessidades especiais nos locais de apresentação. Acessibilidade de conteúdo: o projeto prevê a contratação de intérprete de LIBRAS e audiodescritoras para realização de 7 apresentações da peça. Por último, disponibilizará, ao final do projeto, um vídeo aberto e LEGENDADO da peça no canal da produtora (BQ Teatro) no Youtube.
O projeto prevê algumas medidas para democratizar o acesso ao bem cultural a ser produzido, tais como: - formação de público e distribuição de ingressos gratuitos a ONGs, escolas, professores, MEIs, mulheres em situação de violência ou vulnerabilidade social, entre outros, por meio do contato e/ou contratação de pessoas especializadas e de acordos de distribuição de ingressos com plataformas e associações variadas; - realização de ensaios abertos abertos a escolas, grupos de saúde mental e outras instituições; - ingressos gratuitos ou a preços populares; Contrapartida social: transmissão da obra, via Youtube com legendagem.
Idealização, dramaturgia e atuação: Luciana Mitkiewicz; Interlocução de direção: Wlad Lima; Eleonora Fabião; Daniele Ávila Small; Inês Vianna; Interlocução de dramaturgia: Cecília Ripoll; Júlia Spadacini; Renata Mizrahi; Interlocução de cenografia/ figurinos: Wlad Lima, Natália Lana, Rocio Moure; Pati Faedo; Interlocução de iluminação: Ana Luzia Molinari de Simoni, Dodi Leal; Interlocução corpo: Kenia Dias Produção: Alice Cavalcante Outras interlocutoras: Clarisse Boechat (psicanalista) Helena Vieira (filósofa e diretora)
PROJETO ARQUIVADO.