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PRONAC 2317130ArquivadoMecenato

VIVÊNCIAS EWÀ PORANGA

Julia Vidal dos Santos Borges
Solicitado
R$ 319,3 mil
Aprovado
R$ 319,3 mil
Captado
R$ 0,00
Outras fontes
R$ 0,00

Análise IA

Relacionamentos

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Eficiência de captação

0.0%

Classificação

Área
—
Segmento
Empreend Ações Educ-Cult/Capacitação/Treinamento
Enquadramento
Artigo 18
Tipologia
Patrimônio cultural imaterial
Ano
23

Localização e período

UF principal
RJ
Município
Rio de Janeiro
Início
2024-03-04
Término
2025-03-04
Locais de realização (3)
Salvador BahiaRecife PernambucoRio de Janeiro Rio de Janeiro

Resumo

A proposta busca realizar 3 (três) vivências de moda em diferentes estados brasileiros, a definir. Serão atividades presenciais ministradas por educadores em parcerias regionais com ateliês de artistas negros e indígenas e/ou comunidades tradicionais, com o intuito de promover práticas decolonais, difundir e preservar tecnologias ancestrais junto ao ensino de moda. Em escolas públicas, realizar-se-á 3 (três) palestras de sensibilização em formato de roda de conversa.

Sinopse

As vivências buscam provocar novos olhares sobre a identidade da moda brasileira e promover vivências práticas ao universo criativo das culturas africanas e indígenas, como forma de preservação e continuidade das técnicas e conhecimentos ancestrais aliados à modernidade.

Objetivos

OBJETIVOS OBJETIVO GERAL O objetivo geral do projeto é, através de vivências práticas com conteúdos decoloniais, difundir e valorizar conhecimentos afro e indígenas, conectando o universo criativo dos participantes às culturas ancestrais, envolvendo os saberes e os fazeres dos povos originários e diaspóricos. Desta forma, serão levantadas reflexões sobre a identidade cultural brasileira contribuindo para o combate ao racismo institucional e estrutural no segmento da moda e beleza. OBJETIVOS ESPECÍFICOS Os objetivos específicos deste projeto são: Apresentar 3 (três) vivências presenciais regionais, de 2 (dois) dias cada e duração de 5 (cinco) horas de atividades por dia;Produzir conteúdo e metodologia de trabalho para implementar nas 3 (três) Oficinas;Desenvolver as vivências em 3 (três) estados a definir, no período de um ano;Realizar no período 3 (três) palestras de sensibilização em Escolas Públicas.

Justificativa

O projeto aborda problemas específicos como: o apagamento cultural da contribuição dos povos originários e diaspóricos na construção da moda com identidade brasileira, o racismo institucional e estrutural no campo da moda. Para valorização desses saberes e fazeres apontamos práticas criativas onde o participante poderá vivenciar técnicas tradicionais em atividades com protagonismo afro e indígena. A definição de moda nem sempre esteve inserida no universo cultural. De acordo com Chataigner (2011), no Brasil, a compreensão da moda deve ser seguida de uma abordagem que privilegie o aspecto cultural, onde deve-se ter em conta a diversidade existente. Segundo Julia Vidal, "Quando pensamos na possível relação entre a diversidade cultural dos povos indígenas brasileiros e a moda, estamos tratando de sua perspectiva cultural. Afirmo isso porque o conjunto de produções de uma sociedade indígena, faz parte de uma rede complexa de simbolismos estéticos, culturais e espirituais que nunca se descolam um do outro" ( pág.26 do livro Cosmovisões x Moda: Qual a sua tendência). Essa afirmação pode ser alocada também para a identidade cultural africanas e afro-brasileiras. "A história do Brasil é uma história marcada pela exclusão, marcada de forma violenta pelo processo de escravização, não somente dos povos originários - da população indígena que habitavam esse território, por ocasião da chegada dos colonizadores, no final do século 15 e início do século 16, bem como desse processo de desterramento de retirar da África a população: homens, mulheres, crianças e serem trazidos a força de seus territórios para que aqui pudessem ser transformados e transformadas em mão de obra. E o que acontece nesse processo é uma violência não apenas física - da tortura, da chibata, do encarceramento e dos instrumentos de punição, mas também uma violência cultural, porque era negada a essas pessoas o direito de ter seu próprio nome, de valorizar os seus ritos, de apresentar seus santos, para aquele mundo em que eles estavam inserindo a força, aquilo que era genuinamente deles e delas" , afirma a historiadora Marcelina Andrade. A marginalização dos negros e indígenas no processo de construção do patrimônio cultural se revelou em muitas faces, e até hoje deixa resquícios em uma estrutura consolidada, racista e eurocêntrica, mesmo possuindo importância fundamental na identidade nacional brasileira. As contribuições estão presentes em elementos da dança, festas populares, culinária e, principalmente, na língua portuguesa falada no Brasil, que é fruto do processo de aculturação entre povos indígenas e negros. Pode-se dizer hoje que as tradições culturais negras já estão incorporadas na identidade brasileira, mas, é necessário trazer consciência e dar-lhes autoria para evitar a apropriação cultural. As culturas desses povos deixam marcas que não podem ser escondidas, mas, são em muitos casos, descaracterizadas ou tiveram sua propriedade compulsoriamente transferida e apagada. A valorização e conscientização por meio da educação de moda busca conservar, perpetuar e evitar o apagamento dessas manifestações culturais e tecnologias sociais. Por outro lado, nos deparamos com um dos principais problemas para as sociedades indígenas, atualmente, a perda das suas identidades culturais, ou seja, alguns grupos estão perdendo os costumes e as tradições. Essa afirmação provém da pesquisadora Maria Auxiliadora Cordeiro que fez levantamentos nas áreas do Javari, Juruá e Purus. Como exemplo disso pode-se citar perda das línguas indígenas: No Brasil há ainda 274 (das 1,2 mil que existiam antes da invasão europeia). Deste total, 190 correm o risco iminente de desaparecer segundo a UNESCO. "São vários os motivos para que isso ocorra: o contato com outras culturas, a idade avançada dos falantes e a falta de valorização dos povos indígenas influenciam para que as línguas acabam por desaparecer ao longo do processo histórico", explica Myriam Tricate, coordenadora nacional do Programa de Escolas Associadas. A preservação cultural deve ser acompanhada pelo enfrentamento do racismo, que é uma das causas fundamentais para o etnocídio, revelado em um "extermínio disfarçado de integração" como anuncia Rodney William. O racismo estrutural, conforme Silvio Luiz de Almeida, não se trata de um caso patológico individual, mas de uma construção histórica e sistemática de discriminações que têm a raça como fundamento. Essas discriminações podem ser conscientes ou inconscientes e resultam em privilégios ou desvantagens para o indivíduo, dependendo do grupo racial ao que ele pertence. Infelizmente, ainda que as políticas e atividades das ações afirmativas estejam em amplo trabalho de esforço e resistência, por estar inserida em um contexto racista, a moda ainda reproduz nas suas práticas esse sistema. Para Silvio Almeida, as instituições são racistas, porque a sociedade é racista. Quanto à educação, conteúdos étnico-raciais são quase inexistentes nos currículos de moda, contrariando a obrigatoriedade da legislação para implementação do ensino das culturas africanas e indígenas no Brasil por mais de duas décadas, através das leis 10.639, 11.645, também indicadas para aplicabilidade no ensino superior, e o Estatuto da Igualdade Racial, 12.288. Segundo o Jornal de Brasília, 3% é o percentual de professores diversos dentro das universidades e a maioria dos estudantes brancos, representam 70% dos designers em formação (CES). Em um país que em que 60% da população é negra e indígena (IBGE 2021) como o Brasil, este é um grande revelador do racismo institucional. Para isso, o projeto reúne informações etnográficas e referências teóricas indispensáveis para a compreensão do papel e da riqueza cultural afro e indígena no mundo contemporâneo, permitindo subsidiar melhor e aprofundar aspectos entre a cadeia da produção da moda e esses povos originários, através da experiência da escola Ewà Poranga, que tem amplitude nacional e internacional com corpo docente e discente do mundo todo, trocando experiências e saberes diversos. O projeto se enquadra nos seguintes incisos, dos seguintes artigos: Art 1º Fica instituído o Programa Nacional à Cultura (Pronac), com a finalidade de captar e canalizar recursos para o setor de modo a: I - contribuir para facilitar, a todos, os meios para o livre acesso às fontes da cultura e o pleno exercício dos direitos culturais; II _ promover e estimular a regionalização da produção cultural e artística brasileira, com valorização de recursos humanos e conteúdos locais; III - apoiar, valorizar e difundir o conjunto das manifestações culturais e seus respectivos criadores;IV - proteger as expressões culturais dos grupos formadores da sociedade brasileira e responsáveis pelo pluralismo da cultura nacional;VI - preservar os bens materiais e imateriais do patrimônio cultural e histórico brasileiro; III - estimular a produção e difusão de bens culturais de valor universal, formadores e informadores de conhecimento, cultura e memória; IX _ priorizar o produto cultural originário do País. Art. 3º Para cumprimento das finalidades expressas no art. 1° desta lei, os projetos culturais em cujo favor serão captados e canalizados os recursos do Pronac atenderão, pelo menos, um dos seguintes objetivos III - preservação e difusão do patrimônio artístico, cultural e histórico, mediante: d) proteção do folclore, do artesanato e das tradições populares nacional.

Estratégia de execução

DIVULGAÇÃO A divulgação será feita preferencialmente por campanhas digitais em redes sociais, contando com Agência de Comunicação, Agência de Marketing Digital e tráfego pago. LOCAL DE REALIZAÇÃO As vivências ocorrem de forma presencial em 3 (três) Estados: Rio de Janeiro, Pernambuco e Bahia.

Especificação técnica

Duração total - 12 meses

Acessibilidade

PRODUTO PRINCIPAL: Vivências compostas por atividades de Roda de conversa, Oficinas e Visitas à ateliês ou comunidades tradicionais. Acessibilidade Física: As atividades serão realizadas em espaços com acessibilidade e sinalização indicativa para maior autonomia de todos os participantes, portadores ou não de deficiência física. Serão contratados monitores auxiliares para acompanhamento, se necessário, aos portadores de necessidades especiais até o local das vivências, tanto na roda de conversa, como nas oficinas e visitas aos territórios tradicionais ou ateliês. Deficientes auditivos: As legendas das conteúdos gravados serão traduzidas por intérpretes de libras e as demais atividades presenciais contarão com tradução simultânea em libras. Deficiente visual: Os educadores facilitadores farão áudio descrição de imagens apresentadas nas atividades para pessoas com baixa visão ou cegas. PRODUTO SECUNDÁRIO: CONTRAPARTIDA SOCIAL: RODAS DE CONVERSA COM ALUNOS/PROFESSORES DA REDE PÚBLICA DE ENSINO Acessibilidade física: A atividade presencial contará com placas indicativas e se houver comunicação prévia serão contratados monitores para facilitar a acessibilidade ao espaço. Deficientes Auditivos: Os conteúdos terão tradução simultânea em libras, sendo gravadas, legendadas e publicadas na Plataforma Youtube de amplo acesso a todos. Deficientes Visuais: Serão feitas áudio descrição de imagens para apresentar as peças de vestuário, estamparias, entre outros materiais, a fim de democratizar os conteúdos visuais para pessoas de baixa visão ou cegas. Em atendimento ao artigo 22 da IN nº 02/2019 do Ministério da Cidadania, será reservada a cota de 50% para estudantes e professores da rede pública de ensino.

Democratização do acesso

As ações do projeto serão disponibilizadas de forma gratuita a todo público, não havendo comercialização do produto. Os participantes das vivências irão se inscrever via formulário, estimando-se um público de 150 participantes (até 50 pessoas para cada uma das 3 sessões oferecida ao público). Esse número é limitado pelas características das atividades. As rodas de conversa, acontecerá de forma franqueada, isto é, estarão abertas para qualquer pessoa que tenha interesse, Como medida de ampliação de acesso, em consonância com o prescrito no art.21 da IN nº02/2019 do Ministério da Cidadania serão disponibilizados em redes sociais os registros audiovisuais , isto é, poderão ser acessadas por todos que tiverem interesse, sem prejuízo do § 2º do art.22 da mesma IN. Da mesma forma, a captação de imagens de todas as atividades serão autorizadas, bem como a veiculação nas redes públicas de televisão e outras mídias.

Ficha técnica

Proponente: A proponente será responsável pelo gerenciamento das etapas e execução do projeto, incluindo a curadoria, negociação e contratação de fornecedores, entrega e recebimento de produtos e serviços, controle e execução financeira. A proponente será remunerada através dos custos administrativos do projeto previstos na planilha orçamentária. A remuneração pela captação de recursos será feita proporcionalmente ao que for captado. Currículo da Julia Vidal Julia Vidal é descendente dos povos Marajoaras (PA) e de africanos. Designer gráfica, designer de moda, pós graduada em História-África Brasil, mestre em Relações Étnico-raciais, gestora da marca que leva seu próprio nome Julia Vidal: Etnias Culturais. Idealizadora e coordenadora educacional da escola Ewà Poranga. Professora de Narrativas afro-indigenas na moda brasileira no IED (Instituto Europeu de Design Brasil (RJ e SP), apoiadora da Universidade Pluriétnica Aldeia Marakanà (UIPAM), Embaixadora notável no Colabora Moda Sustentável e Conselheira da Rede Nacional de Afro Empreendedores REAFRO RJ. É autora de 4 livros com temáticas relacionadas ao design e moda afro e indígena e consultora para empresas que buscam valorizar a diversidade cultural brasileira em suas linhas de produtos. Currículo da Ilse Maria Biason Guimarães Sócia fundadora da empresa IMBG Assessoria Empresarial, possui graduação em Administração de Empresas pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (1975), mestrado em Administração pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1991) e doutorado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal de Santa Catarina (2003). No Instituto by Brasil - IBB atuou como superintendente administrativa durante 15 anos e na Associação Brasileira de Componentes para couro, calçado e artefatos - Assintecal durante 25 anos. Nas instituições coordenou projetos culturais diretamente relacionados à economia e cidades criativas, como por exemplo, os projetos Referências Brasileiras e Iconografia local que resgatam valores e identidade local como forma de diferencial competitivo.Coordenou projetos com a União Europeia de Economia Circular. Atuou para o desenvolvimento de certificações de sustentabilidade. Coordenou projetos com o APL de Birigui sobre Transformação Digital e Sustentabilidade. Tem experiência em prestação de serviços de consultoria e assessoramento empresarial, pesquisa científica e tecnológica e desenvolvimento de projetos culturais e economia criativa, atuando principalmente nos seguintes temas: negócios, inovação, sustentabilidade e transformação digital, inclusão e diversidade social. Professores facilitadores da Ewà poranga Julia Wautomohinho é integrante do povo Xavante, professora de artes da rede pública, coordenadora das atividades de arte da Universidade Pluriétnica Indígena Aldeia Maracanã (UIPAM) e curadora dos mestres indígenas para os cursos e projetos Ewà Poranga. Papiõn Cristiane Carla é pertencente aos povos indígenas do Oiapoque, especializada em direito indígena e criadora do Observatório Cultural das Aldeias (OCA)Pertencente aos povos indígenas do Oipoque e educadora Éwà Poranga. Especializada em direito indígena pela PUC-RJ. Criadora do Observatório Cultural das Aldeias (OCA), gestora da Associação de Artesãs Indígenas. Idealizadora do Piá Bonecos Étnicos. Compondo o projeto pedagógico: O Museu do Índio vai à escola. Conselheira do CONEPUR- Conselho Estadual de Defesa e Promoção da Liberdade Religiosa Kaká Portilho é designer de moda, internacionalista, especialista em Neurociência e física em consciência, doutoranda do curso de Antropologia Social. Fundadora do Instituto Hoju. Coordenadora do Centro de Altos Estudos e Pesquisas Afro Pindoramicas e do PPMAEE da Univerkizazi/UKAY. Fundadora da Sociedade Matriarcado Afreekano no Brasil, Co-Fundadora do Afreaka Brasil Fashion Business. Daise Rosas é psicóloga, Mestre em Educação, Doutoranda em Psicologia, moderadora de negócios e parcerias nos encontros ecossistêmicos Ewà Poranga. Mentora do MentPreta Programa de Mentoria da REAFRO, Diretora Regional Rio de Janeiro ECOWAS BRazil Chamber of Commerce e Moderadora de Negócios Internacionais do Afreaka Brasil Fashion Business. Ana Vidal Consultora de diversidade e diretora do B2B na Ewà Poranga. Mais de 15 anos de experiência no corporativo, graduada em comunicação com foco em Marketing e especialização em Business e Liderança. Experiência em recrutamento, liderança e desenvolvimento de times com foco em diversidade.

Providência

Projeto arquivado em razão da omissão do proponente na regularização da ocorrência: Agência/Dv inválido, o que impediu a abertura das contas e a continuidade processual. Eventual desarquivamento poderá ser solicitado em até 30 dias pelo email salic@cultura.gov.br.