| CNPJ/CPF | Nome | Data | Valor |
|---|---|---|---|
| 00000000000191 | BANCO DO BRASIL SA | 1900-01-01 | R$ 819,4 mil |
Matilde é um espetáculo de comédia satírica que reflete temas importantes, como relacionamentos intergeracionais e etarismo, inspirando o público a repensar e admitir o poder de transformação social quando saímos da zona de conforto e abrimos espaço para o desconhecido. As temporadas tem previsão de realização de março a agosto de 2025, nas cidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília, Salvador e Belo Horizonte, tendo um público-alvo voltado para interessados em artes cênicas, sobretudo da cultura brasileira.
Resumo: MATILDE, título do espetáculo e a protagonista da história, é uma mulher de 60 anos, aposentada, que vive sozinha num apartamento em Copacabana até que as finanças apertam e ela é obrigada a alugar o quarto dos fundos para Jonas, um jovem ator de 35 anos. Sinopse: MATILDE apresenta a história de uma mulher de 65 anos (Malu Valle), aposentada, que vê sua rotina pacata em Copacabana ser transformada ao alugar um quarto para Jonas (Ivan Mendes), um ator de 35 anos em busca de sua grande oportunidade. Com humor e sensibilidade, o texto de Julia Spadaccini, premiado pelo edital Carolina Maria de Jesus de Literatura, aborda temas como envelhecimento, relações intergeracionais e os desafios da sociedade patriarcal. O espetáculo investe na comédia satírica para explorar os medos e anseios de Matilde e Jonas, personagens que se provocam, se desafiam e se transformam ao longo da narrativa, em reflexões sobre a discriminação etária e os estigmas sociais impostos às mulheres mais velhas, questionando tabus sobre sexualidade e identidade na terceira idade. Roteiro: MATILDE De Julia Spadaccini CENÁRIO: SALA DA CASA DELA. MÓVEIS ANTIGOS, QUADROS DE MUSICAIS CLÁSSICOS AMERICANOS: NASCE UMA ESTRELA, AGORA SEREMOS FELIZES ETC. TUDO MUITO ORGANIZADO, APESAR DE MIL COISINHAS PELA SALA. UM AQUÁRIO COM UM PEIXE BETA NO CANTO. AO FUNDO, VEMOS UM ESPELHO QUE ELA USA PARA SE OLHAR ALGUMAS VEZES. PERSONAGENS: ELA – Mulher de 60 anos, bancária aposentada. JONAS – 36 anos, ator. CENA 1 ELA ENTRA DE ROBE NA SALA COM UMA GARRAFINHA DE CAFÉ E COLOCA NUMA MESINHA. PEGA UMA XÍCARA E COLOCA EM CIMA DA MESA. ARRUMA TUDO METODICAMENTE. PEGA UM DISCO DE VINIL E COLOCA “HELLO BLUEBIRD”, CANTAROLA. OLHA O AQUÁRIO COM O PEIXE BETA DENTRO. PEGA UMA COMIDINHA DE PEIXE E COLOCA NO AQUÁRIO ENQUANTO FALA. ELA – Bom dia, Bartô! Dormiu bem? Sonhou? Teve pesadelo ou não lembra de nada? Será que você sonha com o quê? Sonha que está perdido no mar e acorda tranquilo quando percebe que está seguro aqui, no seu lindo aquário. Que maravilha, né, Bartô? Não precisar nadar nos perigos do oceano, não precisa fugir de navios, caravelas gigantes, monstros subterrâneos! Sabe que será alimentado todos os dias na mesma hora. Sorte a sua. (bocejando) Minha noite foi uma droga, não preguei os olhos fazendo as contas e elas não fecham. Vou ter que trocar até a marca do cigarro. Eu sei que parei de fumar, Bartô. Não precisa me lembrar o tempo todo. Mas não gosto de ser “definitiva” em nada, você sabe. Eu prefiro dizer que ESTOU sem fumar, do que “parei”. A palavra “parei” me dá vontade de fumar! ELA ABRE O JORNAL E FALA ENQUANTO LÊ. ELA – Será que a gente vai ter que mudar de Copacabana? Pra você não faz diferença estar aqui ou em Jacarepaguá, a não ser pela temperatura da água, seu aquário vai parecer um ofurô. Compro sais de banho, resolve? (vendo no jornal) Escuta essa: mulher de 53 anos some e marido acha seu armário vazio e um bilhete escrito: “Devolvo sua mulher intacta por 3 mil reais”. 3 mil reais? Não tá fácil pra ninguém. O que será que esse maluco está fazendo com essa mulher? E levou as roupas dela pra quê? Teremos história por pelo menos algumas semanas, hein, Bartô? TELEFONE TOCA. ELA – Deve ser a Odete, ela acorda e a primeira coisa que faz é me ligar. Coitada da Odete. Solitária demais, carente demais... ELA ATENDE. ELA – Alô! Oi, Odete... Fala baixo, ainda são 10 horas da manhã. Como tarde? Depende da hora que você dormiu e no meu caso às 6hs. Tomei sim, Odete, foi um tsunami de Rivotril na minha língua. Mas tem noites que nem veneno me apaga. Você viu no jornal a mulher sequestrada? O serial killer deixou bilhetinho. Não, não falaram que era um serial killer, mas ele deixou o armário dela vazio, levou as roupas todas, até as meias. Isso é coisa de serial, né, Odete? E você, que conta? Cinema, hoje? Hummmm... Não, melhor não... dia de semana não dá mais. Você sempre fala que vai ser baratinho, mas a gente vai ao cinema, pipoca, refrigerante, flanelinha, chopinho, já viu! Vou ter que passar esse ano vendo “A Garota de Rosa Choque”, na sessão da tarde, pra tirar meu nome do Serasa. Aluguel atrasado, crediário, condomínio e tem dois anos que não pago a taxa dos bombeiros. Se pegar fogo aqui em casa, eu morro carbonizada igual aquela mulher de Cordovil, lembra? Eu sei que tenho que fazer alguma coisa, Odete! Mas vou trabalhar onde? Depois dos 50 a gente não existe nem na densidade demográfica! O mundo é dos jovens. Trabalhei a vida toda para receber essa vergonha de aposentadoria. Atrás de um balcão de banco, rezando pra não atender o povo da terceira idade. Castigo. Agora, terceira idade sou eu! Tudo aumentou, conta de luz, de gás, até minha enxaqueca, menos a aposentadoria. Antigamente, com cem reais a gente passava a semana, agora não passa do almoço. Tô sem saber o que fazer. Juro. Que morar com você, Odete! Seu apartamento parece um iglu. Seu gato vive pendurado na janela pra poder respirar. O meu? Como o meu? (pausa) Na minha casa? Como assim? Você acha que eu vou colocar uma pessoa que eu nunca vi na vida pra morar aqui? Tá doida? Quem? Ah, é? (pausa) É mesmo? Sério? 1.600 reais? 1.600 reais limpinhos? Nossa, mas a Juraci é corajosa, hein?! Colocar um homem pra alugar quarto. Mas ela é louca, né, Odete? Plantou maconha da sobrinha achando que era manjericão, lembra? Fez espaguete com tempero de maconha e tá pirada até hoje. 1.600 é bom, mas e se o rapaz for um tarado? Tem razão, no caso da Juraci isso seria uma benção... Tá bom, vai lá para o cinema. Depois me conta se o filme é bom, que eu tento pegar na locadora. Verdade... não tem mais locadora... Ah! Que saco esse mundo! ELA DESLIGA. FICA PENSATIVA. ELA – Imagina isso, Bartô? Colocar um estranho aqui em casa pra morar com a gente. Eu e você, aprisionados, sem poder viver livremente nossas belas manhãs ao som de Judy Garland. Perder a liberdade de dar asas à nossa imaginação, de criar a nossa vidinha em preto e branco, dentro de algum belo musical, dançando acalentada e levada pelos braços de James Mason, Christopher Plummer, Jack Carson... ELA VAI ATÉ A VITROLA, COLOCA UM DISCO E COMEÇA "THE MAN THAT GOT AWAY" DO FILME “NASCE UMA ESTRELA”.MAS QUANDO ELA VAI COMEÇAR A CANTAR:BLACK OUT REPENTINO, MÚSICA PARA. SILÊNCIO. ELA– Bartô? (pausa) Ai, meu Deus! Que isso, Bartô? Cadê você? Puta que o pariu! A conta de luz! Não paguei a conta de luz!! ELA ACENDE ALGUMAS VELAS. SENTA NO SOFÁ. ACENDE UM CIGARRO. ELA – Para de me censurar Bartô! Se você pudesse, eu sei que fumaria também. E agora? O que vamos fazer? Eu sei, eu sei o que você tá pensando, Bartô, mas tenha uma certeza na sua vida: eu nunca vou colocar um estranho pra dividir esse apartamento com a gente! Nunca! ELA APAGA O CIGARRO. PEGA UM VIDRINHO DE REMÉDIO, PINGA NA LÍNGUA... MAS... O REMÉDIO TAMBÉM ACABOU, ELA BATE NO VIDRINHO, NÃO TEM MAIS. SUSPIRA. PASSAGEM DE TEMPO. A LUZ VOLTOU. ELA ESTÁ FALANDO AO TELEFONE. CINZEIRO CHEIO DE PONTAS DE CIGARRO. ELA – Aluga-se quarto de empregada para moças de fino trato, que durmam cedo, não ouçam música alta, nem baixa, não sequem os cabelos pela manhã, não tenham bichos de pelúcia ou coisas que possam produzir ácaros que se proliferam rapidamente pela casa como uma comunidade hippie. Não usem perfumes cítricos que possam acionar enxaquecas de qualquer grau, não usem nebulizadores não sei por que, mas não gosto de nebulizadores, Agenor. Moças que comam na rua, mas não voltem com cheiro de fritura, não ouçam funk, sertanejo, rock, nem gospel. 1.617 reais. Tratar com Matilde. (pausa) Sim, só isso. Achou pouco? Ah, tá bem. Por caractere... E quanto deu? 250 reais? CENA 2 MUDA A LUZ, COMO NUMA PASSAGEM DE TEMPO. ELA AO TELEFONE. ELA – Aluga-se quarto de empregada com direito a sala de estar, sol na parte da manhã, para moças ou rapazes. Pode ter música depois das 14hs, usar o micro-ondas depois das 13hs, mas não o fogão, ligar secador de cabelo depois das 11hs, mas nada de chapinha, a taxa de bombeiros está atrasada. Andar com traje esporte fino durante o dia... 1.599 reais. Tratar com Matilde... MUDA A LUZ COMO NUMA PASSAGEM DE TEMPO. ELA AO TELEFONE. ELA – Aluga-se quarto dos fundos, sol da manhã, ventilador incluso, para moças, rapazes ou afins, liberdade com moderação. 1.500 reais. Tratar com Matilde. ELA DESLIGA. VAI ACENDER MAIS UM CIGARRO E OLHA PARA O PEIXE. ELA – Não me olha assim. Pra você é fácil ficar aí soltando borbulhas e nadando em círculos, mas pra mim as coisas não vão nada bem... Se ninguém se interessar pelo anúncio, vamos ter que mudar daqui. A nossa vida, infelizmente, não é um musical e eu não sou a Judy Garland! ELA COLOCA MÚSICA NA VITROLA, QUANDO VAI COMEÇAR A CANTAR... O TELEFONE TOCA. ELA – Que foi, Odete? Alô. Ah... Desculpa. Sim, é ela. Oi. Ah... sim... Anúncio? Quem? Matilde?... Ah, sim!! Matilde. Sim coloquei... Isso. Quando? Agora? Agora? Tá. Claro. Tá bom. Tá bom. Tá bom. Pode vir sim, ok. ELA DESLIGA, PEGA O TELEFONE E DISCA. ELA – (nervosa) Odete! Ligaram, Odete! Um rapaz! Viu o anúncio da Matilde! Coloquei um codinome, não te contei? Gostou de Matilde? Achei respeitoso. Daí se a pessoa vem e não dá certo, ela não sabe nem meu nome verdadeiro. Ai! Odete! Tô arrependida! E agora? Ele quer vir conversar, faço o quê? Entrevista como, Odete? E pergunto o quê? Qual a sua cor preferida, tem alergia a camarão, já matou alguém usando calcinha? E se ele não quiser conviver com uma fumante? Tá bom. Vou me acalmar. Mas se eu não telefonar até o final da tarde, chama a polícia. Os bombeiros não dá por causa da taxa que não paguei, lembra? Liga pro 199. Arromba a porta! ELA ARRUMA A SALA METODICAMENTE. OLHA ÀS HORAS. PEGA O CIGARRO, ACENDE. A CAMPAINHA TOCA, ELA APAGA E PASSA PERFUME NA SALA. OLHA-SE NO ESPELHO E SE AJEITA. ABRE A PORTA. JONAS – Matilde? ELA – Eu, Matilde, eu mesma. JONAS – Jonas, prazer. ELA – Oi, Jonas, pode entrar. Fica à vontade, não repara a bagunça, tá tudo fora do lugar, não tive tempo de organizar nada. JONAS ENTRA. JONAS – Não estou vendo nada fora do lugar. ELA – É que você não sabe o lugar das coisas, e sem saber o lugar de cada coisa, acha que elas estão no lugar certo. Cada coisa aqui em casa tem um canto, acho que é mais fácil para todos. Eu e as coisas, entende? Bartô também não gosta de bagunça. JONAS – Bartô? ELA APONTA PARA O AQUÁRIO. ELA – Bartô, Jonas, Jonas, Bartô. JONAS – Oi, Bartô. ELA – Ele não é de falar, temperamento tímido, mas forte. JONAS VAI OLHAR O PEIXE, ELA REPARA EM JONAS DE CIMA A BAIXO. JONAS – Dizem que o Beta não pode viver com ninguém, né? ELA – Ele vive comigo há 2 anos. JONAS – Dentro do aquário, eu quero dizer. Se tiver outro peixe dentro, ele mata. ELA – O Bartô? Duvido... olha a cara dele. JONAS – É um peixe bonito. ELA – Um peixe, mas, às vezes, parece uma pessoa. Para, olha e pensa. Tenho a sensação que a qualquer momento vai borbulhar uma palavra. JONAS – Entendo. Eu tive um cachorro quando era criança e sentia o mesmo sobre ele. ELA – O que aconteceu? JONAS – Ele nunca falou. ELA – Digo, o que aconteceu com ele? JONAS – Ah! Morreu. ELA – Nossa! Que horror! JONAS – Tudo bem, já tem tempo. Superei. ELA - Como? JONAS – A gente tem que superar, né? ELA – Digo, como ele morreu? JONAS – Ah! De velhice mesmo. Quando eu nasci ele já tinha dez anos. E isso pra cachorro é muito. ELA – Uma pena que Deus tenha decidido dar mais vida pros seres humanos do que pros animais. Eles mereciam mais do que nós! Os 2 anos de Bartô correspondem a 50, imagine isso, cada dia corresponde a 365 dias. O mais louco é que ele vive 365 dias por dia e tá sempre tão calmo. A gente vive um dia, num dia mesmo, e pira, né?! JONAS – Verdade. JONAS RI, SEM GRAÇA. SILÊNCIO. JONAS – Então... ELA – Então... JONAS – Posso conhecer o quarto? ELA – Ah, sim! O quarto, claro... claro. Claro. Pode. Lá no fundo, vira à esquerda, depois do fogão e do tanque. Mas não repara as roupas ali... hoje eu acordei tarde, tive insônia, mas isso não acontece sempre e... pode virar ali, depois do fogão. JONAS SAI. ELA, NERVOSA, ANDA DE UM LADO PARA O OUTRO. TEMPO. JONAS VOLTA. JONAS – Pra mim, está ótimo. ELA – Não achou pequeno, quente, escuro, abafado, fóbico? JONAS – É pequeno... ELA – Muito! Muito pequeno! Escuro, abafado, fóbico, um túnel, um sarcófago! JONAS – Pra mim, está bom. É claro, limpo e silencioso. ELA – Limpo é. Eu limpo tudo sempre. Viu o ventilador de teto, você viu? É novo e tem duas frequências pra baixo e pra cima. Pra dizer a verdade, eu nunca entendi isso de frequência pra cima. Quem é que liga ventilação pra cima, né? Pode usar o micro-ondas também, você leu essa parte do anúncio? A do micro-ondas? Pode usar. Leu? JONAS – Então, isso eu queria te perguntar, eu não esquento nada em micro-ondas. ELA – Ah, não? JONAS – A comida perde os nutrientes, sabe? ELA – Ah, perde? JONAS – Eu li num artigo. ELA – Ah, mas a gente lê tanta coisa, né? O ovo, por exemplo, em 2010 ele era um vilão, tipo comeu, morreu. Em 2015 o ovo virou o mocinho. Agora tem o Dia Mundial do Ovo! A mesma coisa com a manteiga e a margarina. Você, qual das duas? JONAS – Nenhuma. ELA – E coloca o que no meio do pão? JONAS – Pasta de soja. ELA – Soja? Gente, nem sabia que soja dava pra pasta. JONAS – Mas, então, será que eu poderia usar o fogão? Eu mesmo faço a minha comida. ELA – Um rapaz que cozinha, que bacana! JONAS – Eu sou vegano. ELA – Achei que fosse brasileiro. JONAS – (rindo) Veganos são pessoas que não comem derivados de animais. ELA – Ah, não come carne! Claro! JONAS – Nem leite, nem ovos. ELA – E come o quê? JONAS – O resto todo. ELA – Não sobrou muita coisa, né? JONAS – Você vai descobrindo aos poucos, tem muito tempero bom que a gente não conhece, muitos grãos. ELA – Ah... grãos... (irônica) hummm.... JONAS – Então, você acha que eu posso usar o fogão? Deixo limpinho. ELA FAZ UMA PAUSA. ELA – Tá... pode ser. Vai cozinhar grão, não deve sujar muito? Tudo bem. JONAS – Então, perfeito. ELA – Perfeito? JONAS – Perfeito pra mim. ELA – Ah, é assim. Foi rápido. JONAS – Rápido. ELA – Eu achei rápido. Afinal, não nos conhecemos bem ainda e já vamos morar juntos. JONAS – Você quer me fazer alguma pergunta? ELA – (Em tom de brincadeira) Você já matou alguém? Vai se revelar um serial killer daqueles que matam, esquartejam, picam, tiram todo o sangue e guardam pedaços na geladeira para comer aos poucos? Ou é um daqueles psicopatas que roubam o armário da vítima e deixam bilhetes pedindo 20 mil reais? JONAS – 20 mil reais? Com esse trabalho todo, eu pediria mais do que isso. OS DOIS RIEM MAIS DESCONTRAÍDOS. ELA – Você trabalha com quê? JONAS – Sou ator. ELA – Jura? JONA – Juro. ELA – Ator? Jura? JONAS – Juro. ELA – Olha. JONAS – E você? ELA – Eu? JONAS – Faz o quê? ELA - Fumo. Muito. Te incomoda? JONAS – Não, de jeito nenhum. ELA – Então, você é ator. Faz novela? JONAS – Faço mais teatro. ELA – Ah, teatro. JONAS – Gosta? ELA – A última vez que fui ao teatro foi em 1987, não esqueço. Eu e a Odete fomos ver uma peça ali no posto 6, tinha um teatro lá. Era tanta gente pelada que o palco parecia uma sauna. A Odete passou mal. Muita realidade na cara dela. Nunca mais fomos. JONAS – Que pena que você desistiu. Nem todo teatro é ruim. ELA – Mas quando é ruim, é perigoso, né? JONAS – Você faz o quê? ELA – Agora, tô dando um tempo, sabe. JONA – Não trabalha? ELA – Trabalhei mais de 30 anos... num banco. JONAS – Ah... ELA – E durante esses 30 anos quando alguém me perguntava o que eu fazia e eu respondia que era caixa de banco, a pessoa fazia exatamente isso... “ah”... JONAS – Você gostava? ELA – Gostava de pagar minhas contas em dia, mas hoje nem isso. Quer um café? Café é grão, pode né? JONAS – Não, obrigado, tô atrasado para um teste. ELA – Ah, claro, claro, você tem mesmo mais o que fazer do que tomar um café com uma ex-caixa de banco. JONAS – Adoraria tomar o café e saber os detalhes dos seus 30 anos como caixa de banco. ELA – Não existem detalhes na vida de uma ex-caixa de banco, existe tédio e 6 cafés nos intervalos. JONAS PEGA UMA CÂMERA SUPER 8 QUE ESTÁ NUMA ESTANTE. JONAS – Legal essa câmera. ELA – Quinquilharia... JONAS – Tem um filme aqui dentro. O que é? ELA TIRA A CÂMERA DE JONAS E COLOCA DE VOLTA NA ESTANTE. ELA – Nada demais... coisas do passado que eu já devia ter me desfeito... mas tenho agonia de jogar passado no lixo. Vai que alguém encontra e vê... JONAS APONTA A VITROLA DA SALA. JONAS – Você tem uma vitrola, que legal. E como é o som? ELA – Você nunca ouviu um disco tocar numa vitrola? JONAS – Se ouvi, não me lembro... ELA – Se morar aqui, vai ouvir todos os dias. JONAS – A fila tá grande? ELA – Que fila? JONAS – Pro quarto. ELA – Ah! O quarto...tá... tá grande a fila. Enorme! JONAS – Se a fila tá grande, pode ser que eu nunca ouça um disco na vitrola. ELA – Ou pode ser que você comece a ouvir amanhã. JONAS – Espero que sim. Você tem meu telefone. ELA – Pode deixar que te ligo assim que a fila andar. JONAS – Então... até. ELA – Até... JONAS SAI. ELA PEGA O TELEFONE E LIGA. ELA – Odete! O rapaz veio. Simpático, sabe? Não topei de cara, ele acha que tem concorrência. Vou esperar um dia e ligo. Bonito o quê? Nem reparei. Jovem, muito jovem. É bonito como todo jovem, ué?! Pele lisinha, cor de saúde, lábio vermelho, alguns músculos saltando pela camiseta, batatas das pernas torneadas, um antebraço bem razoável e nada demais. Jovem! Agora, deixa eu desligar que tenho mais o que fazer. Fui eu que liguei? Ah, verdade. Então, tá, TCHAU! ELA DESLIGA. ACENDE UM CIGARRO. ELA – Gostou dele, Bartô? Achei legal. Jonas. Simpático, né? Tem razão, Bartô, ele é perfeito! Vamos continuar em Copa! CENA 3 PASSAGEM DE TEMPO. JONAS, DE SAMBA-CANÇÃO, SEM CAMISA, TOMANDO CAFÉ DA MANHÃ. ELA ENTRA DE ROBE, TODA DESCABELADA E TOMA UM SUSTO. ELA – Ai! Que susto! JONAS – Desculpa! Você disse que não acordava antes das 10hs. ELA ESCONDE O ROSTO. ELA – Não, não, tudo bem... JONAS – Você disse que eu poderia tomar café aqui enquanto estivesse dormindo. ELA – Claro, claro... eu é que não.. eu não... ELA SAI DA SALA. JONAS FICA SEM ENTENDER. JONAS – (Falando alto) Eu posso terminar no quarto. ELA FALA DE DENTRO. ELA – Não, tudo bem. Tudo bem... é que eu... ELA VOLTA VESTIDA E MENOS DESCABELADA. JONAS – Eu vou pro quarto. ELA – Não! Fica, fica. Tudo bem. JONAS VOLTA A COMER. CLIMA. ELA – Os seus sapatos. JONAS – Oi? ELA – Você ontem deixou os sapatos debaixo do sofá. JONAS – Ah, nossa, desculpa. Mania que eu tenho. JONAS LEVANTA PRA PEGAR. ELA – Não precisa pegar agora. Era só pra você não esquecer lá... JONAS VOLTA. JONAS – Me desculpa. Não vai mais acontecer. ELA – Não, tudo bem. Nada demais. CLIMA. JONAS – Eu posso tomar café no quarto. ELA – Não. É que eu... eu... nunca fiz isso. É a primeira vez. JONAS – Primeira vez? ELA – Que tem alguém aqui de manhã... assim... JONAS – Eu vou... ELA – Não, fica, fica. JONAS – Você nunca alugou o quarto antes? ELA – Eu moro há 20 anos sozinha. JONAS – Sozinha, sozinha? ELA – Desde que minha mãe foi passear na cobertura. Lá no último andar celeste. JONAS – Ela morava aqui? ELA – Eu é que morava aqui, a casa era dela. JONAS – Então, você... nunca... ELA FICA PARALISADA COM A PERGUNTA. JONAS – (Percebe) Desculpa! Nossa! Eu não tinha que ter... que péssimo. Vou terminar o café no quarto. JONAS LEVANTANDO. ELA – Não! Fica. Pode ficar. Imagina. Tudo bem, tudo certo. Eu disse que acordava mais tarde, o problema é que eu nem acordei ainda, quer dizer, não dormi, noite difícil. Tudo bem. Vou fazer um café. ELA SAI NA DIREÇÃO DA COZINHA. JONAS FICA ALI, SEM GRAÇA. ELA APARECE NO CANTO DO PALCO COM UM COADOR DE CAFÉ. ELA – É que parece uma sentença sabe: Você NUNCA... nunca se casou. JONAS – Desculpa, eu não devia ter... ELA – Acho graça. Você nasce sozinho, passa a infância e adolescência sozinho, anos vivendo com você mesmo, sem problemas e, de uma hora pra outra, precisa de alguém pra dividir tudo, acordar junto, comer junto, dormir junto, e essa tem que ser a pessoa que viverá com você pra sempre, sempre, sempre e a separação é considerada um fracasso pelo simples fato de você voltar a ficar sozinho, coisa que você sempre esteve. Não é estranho que o mundo todo ache que o normal seja passar o resto da vida dividindo a privada com alguém? ELA ENTRA NOVAMENTE. JONAS SEM GRAÇA. PAUSA. ELA APARECE NOVAMENTE NA LATERAL COM UM POTE DE AÇÚCAR. ELA – E não acho, sinceramente, que as pessoas sejam mais felizes porque casam. Na verdade, eu olho à minha volta e acho, sinceramente, que casar não tem sido um bom negócio. Não vejo nada de mágico nos olhos dos casados. Outro dia mesmo, uma mulher tomava sorvete ao meu lado, com três filhos e um marido. Se você olhasse rápido, parecia tudo bem, família grande, família feliz, família reunida. Mas eu olhei para a mulher por mais de dois segundos e ela tinha um olhar tão vazio, mas tão vazio, que me perdi dentro dele e quase não consegui voltar, era um abismo, um penhasco, um precipício e lá de dentro não me pareceu que alguém viria salvá-la, já que o mocinho, seu marido, estava mais interessado no decote da moça que passava. ELA ENTRA NOVAMENTE PARA A COZINHA. JONAS ESTÁ MUITO SEM GRAÇA. ELA DÁ UMA PAUSA E VOLTA COM UMA XÍCARA, QUE COLOCA NA MESA. ELA – Eu poderia ter casado, se quisesse poderia, poderia. Mesmo. Mas quer saber? ELA VOLTA NA DIREÇÃO DA COZINHA. PAUSA E VEM COM UMA GARRAFA DE CAFÉ. SERVE-SE DE CAFÉ. ELA – Café? JONAS – Olha, eu peço mesmo desculpas mais uma vez, não tinha o direito de perguntar. ELA – Mas eu tinha o direito de responder, então, tudo bem. JONAS – Bom eu... Eu tenho que ir, tenho um teste. ELA – Olha. Desculpa, eu não devia. JONAS – Tudo bem. ELA – Eu... JONAS – Tudo bem, Matilde. ELA – Tá. JONAS – Vou indo... ELA – Bom teste, então. JONAS – Bom dia, pra você. ELA – Obrigada. JONAS SAI. ELA – Pra você também! Bom dia! (pausa) Bom trabalho. Quer dizer, bom teste... sei lá o que... ELA FAZ UMA PAUSA. ACENDE UM CIGARRO, ALIVIADA. ELA – Que café da manhã foi esse, Bartô? Primeiro dia aqui em casa e... Bom... enfim sós! ELA PEGA O JORNAL, ABRE E LÊ. ELA - Olha isso, Bartô! O marido da mulher sequestrada não quer pagar os 3 mil pedidos pelo sequestrador do armário. Deixou na mão da polícia. (Pausa, muda de assunto) Você acha que falei demais, Bartô? Eu sempre falo demais! Não devia ter dado papo para o rapaz. Quem é ele? Não sei. Um estranho, um completo estranho... Não sei de onde veio, qual a família, se tem família.... ELA PEGA O TELEFONE E LIGA. ELA – Oi, Odete, sou eu! Como quem? A única pessoa que te liga, Odete! Bom dia! Falei demais. Ele estava tomando café da manhã na sala, eu sentei com ele, ele me perguntou se eu já tinha me casado e desandei a falar, falar, falar. Perguntou isso, sim, acredita? Agora ele sabe mais de mim do que o pessoal do banco que eu trabalhava. Ele é legal, mas quem ele é? Não faço a mínima ideia! Queria saber um pouco mais dele. Pra confiar mais. Tá na minha casa... Fazer o quê? Como olhar nas coisas dele? Eu não sou ladra pra ficar pegando nas coisas dos outros. (pausa) É... olhar não é roubar. Tem razão. A casa é minha tenho direito de analisar! Fazer uma pesquisa de campo. Tá certa. Boa ideia. Vou fazer isso. Você, raras vezes, me surpreende, Odete! ELA SAI. TEMPO. VOLTA, CHOCADA, COM UM BASEADO NAS MÃOS. PEGA O TELEFONE E LIGA. ELA - Odete!!!! Sou eu! Te falei que esse negócio de colocar gente em casa! Sabe o que achei nas coisas do indivíduo? Adivinha. Adivinha. Que algema e chicote! Para de ler essa porcaria de cinquenta tons de cinza, isso tá fundindo a sua mente. Maconha! Achei maconha! Maconha! Um cigarro de maconha! Como é que eu sei que é maconha? É uma erva verde enrolada num papel de seda. Acha que é o quê, Odete? Chimarrão? Deixa de ser idiota. É maconha! Maconha na minha casa. Ainda bem que vasculhei. Você tinha razão. E agora? Faço o quê? Não posso ficar calada, né? Chamo pra conversar? Falo o quê? Digo que tudo bem, mas aqui em casa de jeito nenhum! E se ele ficar chateado que mexi nas coisas dele? Mas a casa é minha, né? Vou pensar, depois te falo. Se eu for presa, você paga a minha fiança, deve ser menos de 20 mil reais. Beijo! ELA OLHA PARA O BASEADO. FICA PARADA. CHEIRA. VAI NA DIREÇÃO DA COZINHA. VOLTA SEM O BASEADO. LIGA A TV. DESLIGA A TV, VAI ATÉ A COZINHA E VOLTA COM O BASEADO ACESO. TOSSE E APAGA. ACENDE DE NOVO, DÁ MAIS UM TRAGO E APAGA. ELA – Ai! Que coisa mais... OLHA PARA O AQUÁRIO. ELA – Que foi, Bartô? Não me repreende! Eu nunca fiz nada de errado. E o que estou fazendo é um tipo de fiscalização, preciso saber se isso é droga mesmo. DÁ MAIS UM TRAGO. ELA – Ui... é droga, sim...mas... Nossa... Nossa... Ui... é droga... (com prazer) que droga... ELA SENTA NO SOFÁ E DÁ UM SORRISINHO. PERCEBE O QUE ESTÁ FAZENDO, SE APRUMA, APAGA O CIGARRO. JOGA UM SPRAY NA SALA. VAI PRA COZINHA. JONAS ENTRA NA SALA. ELA VOLTA SEM O BASEADO, VÊ JONAS E DÁ UM GRITO. ELA – Ah! Que susto! Quase enfartei. Nossa, nossa mesmo. JONAS – Desculpa. ELA – Você... você não tinha... JONAS – Cancelaram o teste. ELA – (doidona) Não teve teste? Teve teste? Não teve? Teste? JONAS – Não teve. ELA – Ah, não teve. Sei... JONAS– O diretor teve uma crise de vesícula. ELA – Que diretor? JONAS – O diretor do teste teve... ELA DÁ UMA GARGALHADA. JONAS SEM ENTENDER. ELA – Desculpa, mas... ELA CAI DE NOVO NA GARGALHADA. JONAS– Matilde, você tá bem? ELA RI DE NOVO. JONAS PARALISADO. ELA – Olha, me desculpa, eu tô triste com isso, o diretor, coitado, crise de vesícula... ELA RI DE NOVO. ELA – Eu vou pro... quarto que... vesícula... muito bom... ELA SAI GARGALHANDO. JONAS – Matilde. ELA VOLTA. JONAS – Você está bem? ELA – Tô ótima. Tô ótima. Tô ótima! ELA SAINDO. JONAS SEM ENTENDER. ELA VOLTA E TENTA FICAR SÉRIA. ELA – Na verdade eu... (gargalha e tenta voltar, fala de uma vez só) Eu revirei as suas coisas como uma louca psicopata, achei um cigarro de chimarrão, fiquei em pânico, olhei para ele e fumei! Tô louca, muito louca, me fala como é que isso passa? JONAS – Você mexeu nas minhas coisas? ELA – Desculpa, mil desculpas, mil desculpas, a Odete que falou, eu lembrei da Juraci, tudo embaralhou. ELA RI COMPULSIVAMENTE. ELA – Eu não quero rir, mas essa situação, eu nunca, olha, Jonas. Eu tô rindo, mas eu tô super triste, super triste. Tô acabada de tristeza, com pena do diretor e da vesícula dele... RI DE NOVO. JONAS – Não acredito que você mexeu nas minhas coisas. ELA – Horrível, que coisa horrível que eu fiz. Pior que o sequestrador da calcinha, eu não sei o que dizer, eu sou horrível... desculpa, não sou assim... eu peço desculpas mesmo, eu não sou de fazer isso, eu nunca tive ninguém aqui em casa, você entende, pra mim é quase uma invasão domiciliar, mas eu preciso do dinheiro, não foi isso que eu quis dizer, eu não estou raciocinando. Esquece o que eu disse! Espera um pouco! A gente acabou de começar. JONAS – A gente não está começando nada, Matilde. Eu só estou alugando um quarto na sua casa, mas pelo jeito isso não vai dar certo. ELA – Vai sim! Vai dar certo. Eu prometo, prometo, prometo. JONAS – Acho que você não quer alguém aqui. ELA – Quero, sim. Quero! Preciso, Jonas. Juro que não faço mais isso, juro. Foi uma maluquice. Vai ficar tudo bem, é só que eu não estava acostumada, tudo muito novo pra mim, mas já estou aprendendo, sou rápida nisso. Por favor. Vamos recomeçar? JONAS OLHA UM TEMPO PARA ELA QUE SOLTA UMA GARGALHADA. ELA – Desculpa, mas... esse treco passa tomando Coca-Cola? JONAS COMEÇA A RIR, OS DOIS GARGALHAM JUNTOS SEM CONSEGUIR PARAR. CENA 4 ELA ESTÁ BATENDO TEXTO COM JONAS, MAS, POR UM MOMENTO, A PLATEIA NÃO SABE. ELES ESTÃO INTERPRETANDO A PEÇA “EU SEI QUE VOU TE AMAR” DE ARNALDO JABOR. ELA ESTÁ SENTADA, SÉRIA, NO SOFÁ OLHANDO PARA JONAS QUE DE REPENTE SE VIRA. JONAS – “Eu nunca consegui me explicar com você, nunca consegui passar o que sinto. O que eu sinto por você … Eu queria … Eu sei que é loucura … Dizer uma palavra e atingir a significação plena … Ser entendido, entende?” ELA – “Não.” JONAS – “É o seguinte, deve haver uma palavra que, uma vez dita, muda o mundo …” ELA – Nossa... JONAS – Nossa? ELA – Coisa mais... JONAS – Ela não fala “nossa” e nem “coisa mais”... ELA – Desculpa, mas achei tão lindo isso. Uma palavra que uma vez dita, uma palavra que diz tudo. Apesar de que, se só existisse uma palavra, a Odete não sobreviveria, coitada. JONAS – Matilde, se concentra. Olha pro texto! SÓ AGORA VEMOS O TEXTO DELA, QUE ESTAVA DEITADO NO SOFÁ. ELA – Eu tô concentrada, mas é tão linda essa peça. Eu gostava do Jabor e nem sabia. JONAS – Volta pro texto, eu preciso decorar isso pra amanhã. ELA – Tá bom. Continua. JONAS SE CONCENTRA. JONAS – “Eu tenho alguma coisa para te falar e eu não sei o que é … Eu quero te falar uma coisa … Mas não sei o que é … Quero dizer tudo … Quero que minha alma saia pela boca e eu fique estatelada morta aí, no tapete, feito um atropelado … Nu … Absolutamente invisível …” ELA ESTÁ OLHANDO PARA JONAS, EMOCIONADA. JONAS – Matilde, o texto. ELA – Ah, sim... nossa, viajei aqui. Coisa mais linda, né? JONAS – Acho melhor a gente parar, você não tá concentrada. ELA – Tô tão concentrada que quase fiz xixi nas calças! JONAS – Eu preciso decorar. ELA – Mas tá tudo decorado. Você já disse a mesma coisa mais de 5 vezes e eu me emocionei em todas elas. JONAS – Eu não posso errar. É um teste. ELA – Poder errar pode. Todo mundo pode errar, né, Jonas? JONAS – Eu não posso perder essa oportunidade, pode ser minha última chance. ELA – Você fala como se tivesse na fila do SUS. Para com isso. É muito novo! JONAS – Matilde, eu tenho 36 anos. ELA – Me senti Matusalém agora. JONAS – Deixa de ser boba, você tá ótima pra sua idade. ELA – Tá piorando MUITO, Jonas. JONAS – Eu tô nervoso, Matilde! ELA – Eu te entendo. JONAS – Não sei se você entende... ELA – Por que não? JONAS – Deixa pra lá... ELA – Você acha que porque fui funcionária de banco não tive minhas paixões e ambições? Tive sim. Quando eu tinha a sua idade, eu sonhava em ser cantora. Me imaginava num teatro com cortinas vermelhas, cantando “By Myself” assim como Judy Garland. Eu acho que, no fundo, a primeira paixão de todo mundo é a arte, sempre achei isso, mas a arte sempre foi vista como uma coisa meio, meio... né? Falei uma vez com minha mãe que queria terminar o segundo grau e ser cantora. Queria participar de um concurso na TV. Fiz a inscrição e tudo. JONAS – E aí? ELA – E aí, o quê? JONAS – O que aconteceu? ELA – Minha mãe me proibiu de ir, achou ridículo e sem futuro aquilo tudo e nunca nem tinha me ouvido cantar. JONAS – E você foi? ELA – Não tive coragem, fiquei com medo, me achei idiota, tive uma baita dor de barriga e fui dormir. JONAS – E aí? ELA – E aí o quê? JONAS – Não foi e acabou? ELA – Não fui e acabou. JONAS – Acabou a história? ELA – Você esperava que te dissesse o quê? Não tá vendo que tô aqui nesse apartamento velho de Copacabana, alugando um quarto para um ator desempregado porque não tenho trocado pro condomínio? Se fosse uma história com final feliz, eu não estaria aqui te contando isso, né, Jonas? JONAS – Eu pensei que você fosse contar algo animador. Agora tô mais nervoso ainda, Matilde! ELA – Jonas, presta atenção: o nosso sonho nunca desiste da gente. É a gente que desiste do sonho, entendeu? JONAS OLHA PARA ELA E DEPOIS DE ALGUNS SEGUNDOS... JONAS – Isso que você falou foi tão... ELA – Inspirador? JONAS – Cafona. ELA – Velha e cafona. Tá bom. Então, fica aí batendo esse texto sozinho. JONAS – Espera! Para com isso! Me ajuda! ELA – Ai, Jonas! Eu tenho mais o que fazer! JONAS – O que? ELA – Trocar a caixa de ovos que comprei e veio com dois quebrados. Comprar fio dental que estica, porque o que eu comprei parece uma navalha, e regar as plantas da área comum do prédio. Se eu não faço isso, ninguém faz, elas murcham, secam, caem e morrem. JONAS – Matilde. Espera. ELA – Você já decorou tudo, Jonas. JONAS – Canta pra mim. ELA – É o quê? JONAS – Você disse que queria ser cantora. Canta. Quero ouvir sua voz. ELA – Não vou cantar nada. JONAS – Por favor. Canta. ELA – Não. JONAS – Canta. ELA – Não, Jonas! JONAS – Por favor. Por favor. Por favor. Tô precisando relaxar. ELA – Vou tomar banho e direto para o mercado, vai que acabam as caixas com ovos inteiros. ELA VAI ENTRANDO. JONAS – Matilde! ELA – O que Jonas? JONAS – Só uma vez. ELA – Vai pro seu quarto, Jonas! E tira esse tênis debaixo do meu sofá! ELA ENTRA. JONAS ACHA GRAÇA. VAI ATÉ O SOFÁ, TIRA O PAR DE TÊNIS E SAI. CENA 5 ELA FALA AO TELEFONE COM ODETE. ELA – Tô dormindo como um anjo. Renovada! Me sentindo com 10 anos a menos! Agora eu tenho até um hobby. Bater texto com ele, tipo uma “coaching”, sabe? Não sabe, claro. Você tá por fora das novidades dessa área. Acha que só você tem novidade? Também tenho. ELA SE VIRA DE COSTAS PARA FALAR. JONAS ENTRA E ELA NÃO VÊ. ELA – A verdade é que esse rapaz está me fazendo sentir viva de novo, Odete! Viva! ELA SE VIRA E VÊ JONAS, FICA SEM GRAÇA. ELA – (disfarça) Viva! Parabéns, amiga! Muitas felicidades!!! JONAS CONTINUA CALADO E COM UM SEMBLANTE TRISTE. ELA – Aniversário da Odete... Te falei? (Percebendo) Que foi? Que cara é essa? JONAS – Saiu o resultado do teste da peça. ELA – Ai, Jonas... não fica assim. Eu nem gostei muito da peça, dos personagens, uma gente louca, neurótica e... JONAS – Passei. ELA – Parte pra outra. Tem tanta coisa rolando por aí. JONAS – Passei, Matilde. ELA – (se toca) Passou??? Passou? Passou!!! Uau!! JONAS – Passei!!! OS DOIS COMEMORAM, SE ABRAÇAM E DEPOIS FICAM UM POUCO SEM GRAÇA. ELA – Eu sabia. Sabia! JONAS TIRA UMA GARRAFA DE CHAMPANHE DA MOCHILA. JONAS – Trouxe pra gente comemorar. ELA – Ai, meu Deus! Não tava preparada pra isso! Olha o meu cabelo. Nem fiz as unhas. Vou me arrumar! JONAS – Não precisa, Matilde. A gente não vai pra lugar nenhum. ELA – Sabe há quanto tempo não comemoro nada? Me dá 5 minutos! ELA ENTRA. JONAS ACHA GRAÇA. ESTOURA O CHAMPANHE. TEMPO. JONAS PROCURA TAÇAS DENTRO DO ARMÁRIO. ENCONTRA. SOPRA A POEIRA DOS COPOS. ENTRA COM OS COPOS. VOLTA SECANDO OS COPOS. SERVE. JONAS COLOCA UM DISCO NA VITROLA. TEMPO ELA VOLTA TODA ARRUMADA. PELA PRIMEIRA VEZ A VEMOS MAQUIADA, COM OS CABELOS SOLTOS, BEM SENSUAL. PERCEBEMOS QUE JONAS ADMIRA. CLIMA. JONAS – Nossa. Você está linda. ELA – Gostou? Não uso esse vestido desde 1980! Minha sorte é que sempre tive o mesmo corpo desde os 20 anos. Não mudei nada em questão de peso. JONAS ENTREGA A TAÇA PRA ELA. OS DOIS BRINDAM. ELA – Ao seu sonho. JONAS – Que não desistiu de mim. JONAS SORRI. MÚSICA AUMENTA. LUZ ABAIXA A RESISTÊNCIA. BLACK OUT CENA 6 GARRAFA VAZIA, OS DOIS JOGADOS NO SOFÁ, EMBRIAGADOS. ELA – Toda vez que eu bebo, penso no dia seguinte. JONAS – Já é o dia seguinte, Matilde. ELA – Já? Então, isso significa que já estamos oficialmente de ressaca? JONAS – Pra ter ressaca a gente precisa dormir e acordar. ELA – Se eu não dormir nunca mais, não tenho ressaca? JONAS – Não. Se você não dormir nunca mais, fica bêbada pra sempre. ELA – Pra sempre. Tão louco isso de “pra sempre”... JONAS – Mais um copo? ELA – E a palavra? JONAS – Que palavra? ELA – Da peça do Jabor. A palavra que uma vez dita, muda o mundo. JONAS – Álcool... ELA RI. ELA – Eu acho que essa palavra nunca será encontrada. JONAS – Eu te amo. ELA OLHA PARA JONAS. JONAS – Eu te amo muda tudo. Uma vez dito, muda tudo. ELA – Eu te amo não é uma palavra. JONAS – Mas devia ser. ELA – Uma palavra que eu sempre gostei é... Euforia. JONAS – Euforia. ELA – É... Euforia. Acho tão linda essa palavra. Parece que dentro dela tem fogos de artifício. JONAS – Verdade... Euforia. ELA – Tem fogos coloridos... JONAS - Eu gosto de “apoteótico”. ELA – Apoteótico... é... boa também. JONAS – Parece que depois de apoteótico não vem mais nada. É uma palavra definitiva para algo que é...que é... ELA – Apoteótico. JONAS – Isso. Tá vendo. Não tem outra definição. ELA – Vou ter uma ressaca apoteótica. JONAS – Eufórica. ELA – Amanhã vou me arrepender. JONAS – Hoje. ELA – Verdade, hoje vou me arrepender. JONAS – Já que a gente vai se arrepender mesmo, podia fazer uma coisa. ELA – Sexo? PAUSA. ELA GARGALHA EM SEGUIDA. JONAS RI JUNTO. PAUSA. JONAS – Canta? ELA – Lá vem você... JONAS – Por favor. Amanhã já é hoje. ELA – Isso é pra me convencer? JONAS – Canta. ELA – Só se você pagar a conta de luz, agora que tá empregado. JONAS – Podemos negociar. ELA – 50%. JONAS – Fechado. ELA LEVANTA, ARRUMA OS CABELOS, O VESTIDO. PAUSA. COMEÇA A CANTAR E FAZER UMA PERFORMANCE INSPIRADA EM JUDY GARLAND. ELE OLHA COM ADMIRAÇÃO. LUZ VAI CAINDO NESSE CLIMA DOS DOIS. CENA 7 ELA COM UM SACO DE GELO NA CABEÇA. ESTÁ DE RESSACA. JOGADA NO SOFÁ. TELEFONE TOCA. ELA ATENDE. ELA – Oi... Ah... oi, Odete. Fala baixo, pô. Tô com uma dor de cabeça horrível. Ressaca. Isso. Pode parecer loucura, mas tomei todas ontem. Com Jonas. Ele passou no teste e a gente comemorou. Nem sei como fui parar na cama. Sozinha, Odete! Claro! Tá doida? Sou uma pessoa ética. Bonito ele é. Educado também. É fofo, talentoso, inteligente. Que tesão, Odete? Deixa de ser baixa. Tenho idade pra ser mãe dele. Não posso ter um amigo? Tá com ciúme? Quer saber, Odete. Sabe o que eu acho? Que você tem que expandir seus horizontes. Ter novos amigos. Fica muito focada em mim, na minha vida. Você precisa encontrar outras pessoas, sabe? Sem querer ofender, Odete. Adoro você, gosto muito, muito tempo de convivência e tal, mas realmente acho que você tinha que dar uma arejada, entende?... Odete... Odete? Que voz é essa? Tá comendo? Você tá aí? Tá falando embolado por quê?? Tá chupando laranja? Odete? Odete!!! Ai, meu Deus. Tá o quê? Fala direito! Odete!! Tá o quê?? Eu vou praí! Fica acordada! Não dorme, Odete! Abre os olhos!!! Não deita!! ELA SAI CORRENDO DE CAMISOLA. PERCEBE, MAS PEGA A BOLSA E SAI ASSIM MESMO. CENA 8 JONAS CHEGA EM CASA E NÃO VÊ NINGUÉM. CHAMA POR ELA, MAS NINGUÉM RESPONDE. ESTRANHA. DÁ UMA VASCULHADA NAS COISAS DELA. VÊ A CÂMERA SUPER 8, QUE PEGOU NA CENA 2. COLOCA O FILME PRA RODAR, ELE É PROJETADO EM JONAS, COMO SE ELE ESTIVESSE VENDO, MAS A PLATEIA TAMBÉM VÊ. NO FILME, VEMOS ELA BEM MAIS NOVA, COM UNS 20 E POUCOS ANOS (PODE SER OUTRA ATRIZ BEM PARECIDA COM ELA). ESTÁ VESTIDA DE NOIVA, MUITO FELIZ, PEGA A CÂMERA DAS MÃOS DE UM RAPAZ E COMEÇA A FILMAR ELE. ELE SE APROXIMA DELA, OS DOIS SE BEIJAM E A CÂMERA CAI DAS MÃOS DELE... TERMINA O FILME. JONAS FICA ALI, PARALISADO, VENDO AQUILO. ATÉ QUE SE TOCA, DESLIGA A CÂMERA E GUARDA NO LUGAR. TEMPO ELA VOLTA COM A CARA PÉSSIMA. JONAS – Onde você estava? ELA SENTA NO SOFÁ. JONAS – Você está de camisola? ELA – A Odete... teve um pico de pressão e quase foi passear na laje. JONAS TEM VONTADE DE RIR, MAS SEGURA. ELA – Tá achando graça? JONAS – Desculpa, mas você saiu assim? ELA – Queria que eu me arrumasse? Se demorasse mais 5 minutos eu teria perdido a minha melhor amiga! E tudo por culpa minha. JONAS – Sua culpa por quê? ELA– Porque eu falei umas coisas pra ela, mas não quero nem pensar nisso. Quando eu cheguei na casa dela, tava deitada no chão. O gato nem aí! Tava comendo as plantas na janela. Por isso não gosto de gato. Não tem apego... JONAS – Ela desmaiou? ELA – Tava caída e gelada. Comecei a rezar Ave-Maria. Ela abriu um olho e disse que era budista, pra parar com aquilo. Fiquei tão aliviada. Agora pensa só, Jonas. Se eu não estivesse no telefone falando com ela. Se não fosse a minha ligação. A Odete coitada... nem o gato... nada. Não tem ninguém... ninguém salvaria. Ficaria ali, gelada, estendida por dias e dias. Nem porteiro o prédio tem. Quando seria encontrada? Nunca! Isso é muito triste, muito triste... JONAS – Mas ela está bem, não está? ELA – Está bem... quer dizer. Está viva. Bem não está, né? JONAS – Mas ela melhorou? ELA – Ela sim, mas a vida dela não. Você não vai entender isso... só mais tarde. Tem uma hora que a gente percebe que está realmente só. Muito só... E nem aquelas pessoas que te amam incondicionalmente estão mais aqui. É como se eu estivesse num deserto... Mas eu ainda vivia com uma miragem... uma falsa esperança de que teria gente perto... (pausa) Depois que vi a Odete ali, caída, TV ligada, as cortinas voando, a água pela metade, uma solidão das coisas estáticas em volta dela. Não sei explicar. Agora esse deserto me invadiu... Agora eu sei que estou mesmo sozinha... PAUSA JONAS – Eu tô aqui, Matilde. ELA – Você está aqui porque precisa. Mas, às vezes, sinto falta de alguém que queira estar aqui, entende? TEMPO JONAS – Você quer que eu faça alguma coisa pra você comer? ELA – Obrigada, mas não tô com fome nenhuma. Vou dormir, já estou de camisola mesmo, né? ELA VAI ENTRANDO. JONAS – Matilde. ELA OLHA. JONAS SE APROXIMA. ELA – Se quiser pode ficar vendo TV, não me incomodo. JONAS DÁ UM BEIJO EM SUA BOCA. ELA FICA DESCONCERTADA. JONAS – Desculpa, eu... eu não queria te... olha, desculpa. Desculpa mesmo. Não sei o que deu em mim... TEMPO. ELA OLHA JONAS, O AGARRA E ELES SE BEIJAM APAIXONADAMENTE. BLACK OUT CENA 9 DIA SEGUINTE. OS DOIS SEM GRAÇA NA MESA TOMANDO CAFÉ. TEMPO. ELA – Será que vai chover? JONAS – Pode ser. Ouvi falar em frente fria. TEMPO ELA – Já estava na hora. ELA OLHA PARA ELE E DISFARÇA. ELE OLHA PARA ELA E DISFARÇA. ELA – Me passa o leite, por favor? JONAS DÁ O LEITE. TEMPO. JONAS – Passa o café, por favor? ELA – Café? Você não toma café. JONAS – Ah, é verdade... PAUSA ELA – Devia tomar... Café faz toda a diferença. Cada vez que eu tomo café parece que acordo pra vida de novo. JONAS – É... Mas a cafeína faz muito mal, né? ELA – Você já viu alguém morrer de café? Tipo: Fulana tomava muito café, foi tomar um expresso depois do almoço e morreu. JONAS RI. JONAS – Não é uma coisa fulminante, mas, a longo prazo, você tomando aos poucos, um dia, pode morrer. ELA – Graças a Deus, ninguém é eterno e morrer de café deve ser uma delícia. JONAS – Tá bom. Me dá um gole vai. ELA COLOCA PRA JONAS. JONAS TOMA. TEMPO. JONAS – É... ELA – Tá sentindo o efeito de acordar? JONAS OLHA PARA ELA. JONAS – Tô... ELA – Sentiu? JONAS – Sentindo. ELA – Gostando? JONAS – Gostando... ELA – É bom, né? JONAS – Bom... ELA – Muito bom. JONAS – Muito bom... ELA – Muito... JONAS – Muito... ELA – Muito... JONAS – Demais. ELA – Nossa. JONAS – Incrível. ELA – Ui. JONAS – Nunca mais fico sem café... ELA – Eu também não... OS DOIS, AO MESMO MOMENTO, SE AGARRAM E SE BEIJAM COM FOGO, DERRUBANDO TUDO NA MESA. BLACK OUT CENA 10 ELA E JONAS JOGADOS NO SOFÁ, A CASA REVIRADA. OS DOIS FUMAM UM BASEADO JUNTOS. JONAS – Puxa e prende. ELA PUXA E PRENDE POR UNS SEGUNDOS, DEPOIS SOLTA. ELA PASSA O BASEADO PRA ELE, QUE FUMA TAMBÉM. TEMPO ELA – Jonas... JONAS – Oi... ELA – Não posso... JONAS – Não pode? ELA – Não posso... JONAS – Não pode o quê? ELA – Passar a vida toda nesse sofá. JONAS – É verdade. A gente pode ir pra cama. JONAS TENTA BEIJÁ-LA, MAS ELA SE AFASTA. ELA – Para, para, para, Jonas. JONAS – Por quê? ELA – Um minuto. Calma. É muita informação pra mim... De uma hora pra outra eu... tô vivendo uma vida que não é minha. JONAS – Essa vida não é sua? ELA – Não. JONAS - Mas se essa vida não é sua... é de quem? ELA – Não me confunde, Jonas. JONAS – Você que começou. ELA – Você entendeu o que eu tô dizendo. JONAS – Não entendi nada. ELA – Não sou uma adolescente. JONAS – Eu também não. ELA – Mas você tem 30. JONAS – Quase 40. ELA – Eu moro aqui sozinha há anos. Todos os dias acordando e dormindo sozinha. Não imaginava. A essa altura do campeonato! Não tenho mais idade pra isso, não! Tô um pouco confusa com tudo isso. Tipo... e agora? JONAS – (Irônico) E agora? ELA – Agora a gente aqui... morando juntos e fazendo isso que a gente fez. JONAS – E agora? ELA – Tá me perguntando? Sei lá. E agora? JONAS – E agora? ELA – Quer parar de repetir isso? JONAS – Você que falou “agora”. ELA – Falei. E agora? JONAS – Agora é agora. E aí? ELA – Eu que pergunto. JONAS – Agora a gente vive agora. ELA – E depois? JONAS – Depois a gente vive depois. ELA – Não é assim, Jonas. Se a gente deixar o depois pra depois, como é que fica? JONAS – A gente vive sempre agora e deixa o depois pra depois do agora. Que tal? ELA – Não dá pra fazer isso. JONAS – Por que não? ELA – Por que “agora” é uma coisa que me assusta. JONAS – Por quê? ELA – Não sei, mas “agora” nunca foi meu forte. Quando eu vivi “agora” deu tudo errado. JONAS – Nunca é tarde pra viver “agora”. ELA – Jonas, o “agora” é muito perigoso. Ele é traidor, a gente acha que tá tudo bem, mas vem o “depois” e dá uma rasteira na gente. Se a gente vive o “depois” agora é mais tranquilo porque a gente não é surpreendido. JONAS – Não entendi nada, mas prefiro ser surpreendido. ELA – Não. Eu não posso ser surpreendida. Não posso e não quero. JONAS – Vamos tentar? Eu te prometo que vai ser melhor assim. Juro. ELA – Como é que você sabe que vai ser melhor se tá vivendo no agora? Vivendo no agora você não sabe como será o depois. JONAS – Matilde, não dá pra prever o futuro, mesmo pensando no depois. ELA – Mas dá pra ensaiar alguma coisa e não me sentir tão surpresa. Igual no teatro. Você decora as falas pra não dar branco, não é? JONAS – E mesmo assim, às vezes, eu esqueço. Mesmo com tudo decorado, sempre tem algum dia que a gente fica perdido em cena, olhando para o outro ator e tentando lembrar da fala. Passa a peça toda na cabeça e não lembra daquela fala de jeito nenhum. OS DOIS SE OLHAM POR UM TEMPO. ELA – Ok. JONAS – Ok? ELA – Ok. Mas pra viver no “agora” eu preciso de algumas regras do “depois”. JONAS – Tá bom. ELA – Tá bom? JONAS – Se é pra viver no “agora”, posso aceitar algumas regras. ELA – OK. JONAS – Apesar de que no agora não tem regras, só pra você saber. ELA – Regra número 1: você vai continuar no seu quartinho. PAUSA JONAS – Tudo bem. ELA – Tudo bem? JONAS – Tudo bem. PAUSA ELA – Mas, nos finais de semana, você até pode dormir comigo. Só nos finais de semana. JONAS – Tudo bem. ELA – E feriados. Nos feriados também pode. JONAS – Tá bom. ELA – E nos dias mais quentes porque eu tenho ar-condicionado e você ventilador, fico com pena. JONAS – E no inverno porque a gente pode se aquecer. ELA – Verdade. Não tinha pensado nisso. Tudo bem. JONAS – Fora isso, eu durmo no seu quarto. ELA – Fechado. JONAS – Ótimo! ELA – Peraí. Você tá me enganando, Jonas. JONAS – Tô. (Pausa) E agora? ELA – E agora? OS DOIS SE OLHAM. JONAS A AGARRA COM FUROR. BLACK OUT CENA 11 ELA SE OLHA NO ESPELHO DA SALA, ESTICA O ROSTO, FAZ POSE. ELA – Ai... tô péssima. ELA ENTRA NA DIREÇÃO DO QUARTO. TEMPO. SAI DE ROBE, TODA SENSUAL. FICA PARADA FAZENDO POSE, ESPERANDO JONAS ENTRAR. ABRE O DECOTE DO ROBE E MOSTRA UMA LINGERIE TODA SENSUAL. FAZ POSE DE NOVO. ELA – Tô ridícula. ELA ENTRA. JONAS CHEGA EM CASA, NÃO VÊ NINGUÉM. JONAS – Matilde? JONAS SENTA NO SOFÁ. ELA ENTRA, AGORA COM UM VESTIDO BONITO, MAIS FECHADO, E NÃO VÊ JONAS. OLHA-SE MAIS UMA VEZ NO ESPELHO. ELA – (Para si) Então, tô linda? JONAS – Linda. ELA DÁ UM GRITO DE SUSTO. ELA – Jonas! Que susto! Não te vi aí... JONAS – Acabei de chegar. ELA – Nossa, mas... nossa. Coração tá pulando. JONAS – Tá arrumada assim pra mim, é? ELA – Comprei um vinho e ingredientes para fazer uma macarronada vegetariana. Até aquele tal de tofu, que parece uma borracha sem gosto
Objetivos Gerais do projeto são: Produção e realização da turnê do Espetáculo Matilde, visando proporcionar ao público o debate sobre temas transversais que influenciam fortemente o universo feminino, como: o patriarcado, machismo, a solidão, o etarismo, entre tantos outros. Além disso, visa promover a valorização da Cultura Nacional, ao utilizar o teatro como meio de retratar e criticar aspectos da sociedade brasileira. O projeto tem como Objetivos Específicos: - Realizar 92 sessões do espetáculo Matilde; - Oferecer o serviço de acessibilidade em mais de 10% das apresentações previstas; - A turnê pretente alcancar cerca de 18.000 pessoas; - Oferecer 05 Oficinas de Criação e de Produção Artística para aproximadamente 400 pessoas por cidade, percorrendo as cinco cidades, nas regiões nordeste, sudeste e centro-oeste. - Realizar no mínimo 03 debates sobre temas relacionados aos desafios femininos na sociedade.
O Projeto vai, através da abordagem de temas relevantes como inclusão social, diversidade de gênero e a promoção de debates culturais incorporados no espetáculo teatral, valorizar o patrimônio cultural imaterial, bem como de fomento ao desenvolvimento da cultura nacional. (Lei no 8313, de 23 de dezembro de 1991 _ Art. 25, caput) Com isso, o Projeto vai estimular e difundir a produção de bens culturais e estimular um contato maior com as artes e a cultura brasileira. (Lei no 8.313 - Art. 1° - inciso VIII) O projeto está alinhado com o objetivo do acesso à cultura e fomenta o debate sobre temas relevantes, como o envelhecimento feminino e a sexualidade na terceira idade, além de promover reflexão sobre as mudanças demográficas e sociais no Brasil. (Artigo 1º e Artigo 3º da Lei 8.313) O projeto também visa a democratização de acesso à cultura por meio de apresentações em diferentes regiões do Brasil e, especialmente, ao realizar sessões gratuitas ou a preços populares para públicos em situação de vulnerabilidade, como escolas públicas e instituições de apoio a idosos. (Lei 8.313) Por fim, é mportante destacar que que o Projeto é uma produção cultural brasieira que aborda questões sociais do contexto nacional. O espetáculo reforça a valorização de temas originários do Brasil ao focar nas vivências e realidades da sociedade brasileira contemporânea (Lei no 8.313 - Art. 3° - inciso I, alínea f) Com a realização dos espetáculos, o Projeto fomenta a produção cultural e artística. (inciso II, alínea c, do Art. 3° da Lei 8.313/91)
Em 2005, dois jovens estudantes de Artes Cênicas da CAL convidaram Malu Valle, que debutaria como diretora nos palcos do Rio de Janeiro, para montar o espetáculo de teatro "INFRATURAS", um compilado de esquetes cômicas sobre situações do cotidiano. Os jovens, na época estreantes, eram Fábio Porchat, que também assinava o texto do espetáculo, e o nosso saudoso e eterno Paulo Gustavo. Malu, que tinha acabado de brilhar na novela Senhora do Destino, aceitou o convite e embarcou na aventura desta dupla, que se tornou um dos maiores sucessos do país. Como resultado final, o espetáculo abriu caminhos profissionais para todos, catapultou as carreiras daqueles jovens iniciantes, mas principalmente aproximou Paulo Gustavo e Malu Valle, que se tornaram grandes amigos e parceiros profissionais. Passados 10 anos do espetáculo "INFRATURAS", Paulo propôs inverter os papeis com Malu - dessa vez ele iria dirigir a atriz - e assim idealizou o projeto MATILDE, que teve seu processo interrompido diversas vezes pela dificuldade das agendas lotadas desses dois grandes artistas. Quando uma brecha surgiu, e tudo parecia conspirar a favor, a pandemia parou o mundo e levou o nosso Paulo Gustavo. Agora, quase 20 anos depois do início da parceria entre Malu e Paulo, o espetáculo MATILDE volta a ferver no caldeirão para comemorar os 35 anos de carreira da atriz e homenagear um dos maiores artistas do Brasil, Paulo Gustavo. O espetáculo MATILDE toca sem pudores nesta vulnerabilidade que talvez seja uma das maiores expressões da sociedade patriarcal, as implicações de gênero ao lidarmos com o envelhecimento. Apesar de muito sabidas, e embora haja algum florescimento imagético nas artes e na publicidade, estamos longe de estabelecer algum tipo de equivalência para homens e mulheres no campo da chamada “terceira idade”. Ao colocar em cena as diferenças de gerações, as expectativas que foram atendidas e as que naufragaram, a peça busca a essência das individualidades e deixar transparecer o que há de único e encantador nelas. É um encontro arrebatador que inspira o público a sair da zona de conforto, enfrentando suas vulnerabilidades, admitindo que o poder de abrir-se para o desconhecido - um lugar de insegurança diante de tantas novidades - se mostra repleto de possibilidades renovadoras. Segundo o IBGE, no Brasil, de 2010 para 2022, a idade mediana subiu de 29 anos para 35 anos, evidenciando o envelhecimento da população. Em 2022, a população de 60 anos ou mais foi para 32.113.490 (15,6%), um aumento de 56,0% em relação a 2010, quando era de 20.590.597 (10,8%). Além disso, o número de idosos dessa mesma faixa ultrapassou o de crianças no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro. Ao todo são 6 milhões de mulheres a mais do que homens no Brasil, sendo que desse total, uma porcentagem relevante não se sente incorporada ao imaginário comum e vive a frustração de lidar com o tabu das relações afetivas das chamadas "60+", que clama por reconhecimento, visto que há uma enorme dificuldade da sociedade em enxergar a diversidade de conexões nesta fase da vida porque estamos aterrados à um modelo restrito conservador que invalida a sexualidade dessas mulheres. A excitação de estar vivo, de se sentir potente, atuante e capaz é visto com um privilégio exclusivo da juventude, com isso pensar a vitalidade e a sexualidade dissociadas de beleza primaveril é um desafio que merece atenção urgente, principalmente quando os dados provam o aumento significativo da longevidade da sociedade. É necessário repensar e reconstruir os conceitos de beleza e vitalidade nesse sistema fantasiado com o manto imaculado que se fecha às diversidade geracionais, reconhecendo nelas suas provocações. O teatro é uma arma poderosa de reflexão que admite as contradições culturais e transpõe barreiras irreversíveis. A crítica nasce quando a arte espelha a sociedade e faz valer seu poder de comunicação ao incorporar em uma mesma obra a multiplicidade de elementos que enriquecem o debate coletivo. Em MATILDE essa capacidade é potencializada ao máximo quando escolhe a comédia satírica, um gênero tido pelos ingênuos como sútil, para tratar um tema de relevância mundial. Repensar grandes certezas e questionar estereótipos é o caminho para uma sociedade mais positiva e menos discriminatória. A Bucker Produções é responsável pela idealização, direção de produção e realização de projetos como “Ícaro and The Black Stars”, de Pedro Brício, com Ícaro Silva; “Parem de Falar Mal da Rotina”, de Elisa Lucinda; “TsuNany”, com Nany People; “O Julgamento de Sócrates”, com Tonico Pereira; “O ncora”, de Leandro Muniz, com Alex Nader; e “A Hora do Boi”, de Daniela Pereira de Carvalho, direção de André Paes Leme, com Vandré Silveira. A trajetória de sucessos reafirmam a abordagem utilizada e em atrair e atender seu público-alvo, além de demonstrar nossa capacidade técnica para desenvolvimento e execução de espetáculos de grande porte e impacto. O projeto também visa gerar destaque para as Leis de Incentivo, vinculando a marca patrocinadora em todas as divulgações acerca do espetáculo, alinhando os valores e missões, assim como propõe o manual de utilização das logomarcas. Oficinas Oferecidas: OFICINA DE CRIAÇÃO OFICINA DE PRODUÇÃO ARTÍSTICA Com CAIO BUCKER e IVAN MENDES Caio Bucker e Ivan Mendes são amigos e parceiros de trabalho há mais de 10 anos. Em plena pandemia, por meio de um edital da Lei Aldir Blanc, realizaram o projeto “Vinte Um Vinte.ensaio aberto”, um híbrido de teatro com cinema, e ali observaram a necessidade em formar e qualificar novos profissionais, democratizar o acesso ao ensino e realizar projetos inéditos. Juntos agora no espetáculo MATILDE, onde Caio Bucker assina a direção de produção e realização, e Ivan Mendes integra o elenco do espetáculo, a dupla se propõe a disseminar cultura e ensinamentos. Somando ao espetáculo, será oferecida uma Oficina de Criação e outra de Produção Artística, que podem ser vistas como uma incubadora de projetos culturais. A cada cidade apresentada, será realizado um dia de oficinas com aulas teóricas e práticas, numa espécie de masterclass com mentoria personalizada de projetos. A proposta visa qualificar jovens para o mercado artístico, apresentando-lhes experiências e incentivando a realização de projetos. Cada oficina terá 02 horas de duração cada: 02 horas para criação e 02 horas para produção, com rodas de conversas fechando cada módulo. O objetivo é levar o ensino da arte para jovens e participantes de ONGs, estudantes da rede pública e moradores de áreas de vulnerabilidade social, possibilitando um primeiro contato com o mercado de trabalho por meio da educação cultural. Acrescente-se ainda, que, é uma forma de incentivo a produção de conteúdos, proporcionando o debate cultural, capaz de educar esteticamente o olhar, afiando o pensamento crítico, transformando meros espectadores em pensadores construtivos do entretenimento. Dentre os assuntos abordados, estão: o atual cenário da arte e cultura no Brasil; empreendedorismo e empreendedorismo Cultural; como executar uma ideia e transformá-la num projeto; branding; elaboração de projetos culturais e todas as suas etapas; o pitch; formas para realizar um projeto cultural, como via Leis de Incentivo e Editais, patrocínio direto e crowdfunding; o marketing cultural; a relação marketing/projeto; a parte criativa de um projeto: dramaturgia e roteiro, escolha de elenco e preparação de atores, direção de cena, direção de arte, trilha sonora; A execução de projetos culturais, a prestação de contas; criação de releases e como formatar um clipping. Vagas: Cada oficina local oferecerá 200 vagas por módulo, totalizando 400 vagas por cidade. A metodologia utilizada partirá dos seguintes pontos: - Oficina com dinâmicas em grupo, proporcionando debates e exposição de ideias; - Experiência e Vivência: um dos objetivos é proporcionar a troca de experiências por meio dos projetos, sempre com exposições dialogadas e exemplificadas; - Autonomia do participante: protagonismo do aluno no processo de aprendizagem. Os instrutores apresentam teorias e práticas, proporcionam debates, compartilham experiências, indicam temas, objetivos do estudo, fontes e meios de pesquisa, estimulando os alunos a desenvolverem habilidades como a proatividade e a iniciativa, e de empreenderem, produzindo e realizando seu próprio projeto; - Mentoria e Ensino Personalizado: os participantes têm, na oficina, direcionamentos e material para seus próprios projetos. Os instrutores estarão a par da necessidade e desejo de cada um, podendo assim, criar e planejar o curso de acordo com a turma em questão; - Horizontalidade do conhecimento: diferencial na relação do instrutor com os alunos. Aqui, cada participante vai ter um bom acesso aos instrutores, que irão auxiliá-los na obtenção de conteúdo, na criação e execução do projeto e na venda final; - Análise crítica: análise de projetos individualmente diante de toda a turma. A título de exemplo, serão analisados também projetos culturais já conceituados no mercado. Além de proporcionar o ensino e debate diante do tema abordado - “A Criação e a Produção Artística” - teremos como vantagem a construção de uma rede de relacionamento profissional entre os participantes e profissionais daquela cidade, que poderá abrir uma primeira porta de oportunidades de experiências profissionais para esses participantes. Lembramos que as oficinas acontecerão no próprio teatro e que todos os alunos serão convidados para assistir ao espetáculo MATILDE com direito a acompanhante.
Produto: Espetáculo teatral "Matilde" - Quantidade: 92 sessões - Quantidade de alcance pretendida: 18.000 pessoas Localidades: - 20 sessões no Rio de Janeiro - 24 sessões em São Paulo - 16 sessões em Belo Horizonte - 16 sessões em Salvador - 16 sessões em Brasília Período: 01 mês de pré-produção / 08 meses de execução / 01 mês de pós-produção; Cronograma: - Fevereiro - ensaios e contratação de prestadores de serviços. - Março a Outubro - realização da turnê por 05 cidades (Sudeste, centro-oeste e Nordeste). - Novembro - pós-produção e prestação de contas.
O proponente irá assegurar a participação e acessibilidade no local do evento e reservar espaços para a pessoa com deficiência em conformidade com as normas de acessibilidade dispostas na a Lei no 13.146, de 2015 que institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). Produto: Espetáculo teatral Acessibilidade física:O local de realização (teatros) é acessível para deficientes físicos, já que asseguraremos que os mesmos possuam rampas, elevadores e piso tátil direcional. Acessibilidade para PCDs visuais:Serão realizados um total de 05 sessões com Monitores para o acompanhamento de pessoas com deficiência visual e serviço de audiodescrição para o público presente. Acessibilidade para PCDs auditivos:Serão realizados um total de 12 sessões com intéprete de libras para o público presente.
O projeto adotará o inciso V do art. 30 da IN nº 11/2024: V - realizar, gratuitamente, atividades paralelas aos projetos, tais como ensaios abertos, estágios, cursos, treinamentos, palestras, exposições, mostras e oficinas; *Oferecimento de Oficinas em todas as praças percorridas pelo espetáculo.
JULIA SPADACCINI - AutoraFormada em Artes Cênicas pela UNI-RIO, em Psicologia pela USU e Pós-graduada em Arteterapia pela Cândido Mendes. No teatro, Julia é autora de mais de 20 peças encenadas no Rio de Janeiro e em viagens pelo Brasil. Indicada aos prêmios Shell (2012), APTR e Cesgranrio (2013). Vencedora do Prêmio Fita (2013) e Prêmio Shell (2013) como Melhor Autora pela peça A Porta da Frente. Com a peça Euforia (2019) foi indicada ao Prêmio Cesgranrio como Melhor Autora. Uma das autoras da peça PI, dirigida por Bia Lessa, Prêmio APCA de Melhor Espetáculo. Na TV foi roteirista da série “Oscar freire 279” (Multishow – 2011); do programa “Aprender a Empreender” (Canal Futura – 2010); “Básico” e “Quase Anônimos” (Multishow – 2009). Foi integrante do site “Dramadiário” durante 3 anos. Trabalhou como Roteirista dos Gibis da Editora Globo (2006/07). Como roteirista contratada na produtora Jodaf Mixer e Conspiração Filmes (2008/09). No cinema assinou o roteiro do filme “Qualquer Gato Vira-lata” produzido pela “Tietê Filmes” e o curta “Simpatia do Limão” vencedor do prêmio “Porta-curtas Petrobrás” no Festival de Cinema do Rio (2010). GILBERTO GAWRONSKI - DiretorDiretor, cenógrafo e ator com importantes prêmios em seu currículo: Shell, Mambembe, Sharp, APCA, Qualidade Brasil e Açorianos. Dirigiu dança contemporânea, óperas e textos teatrais. Gaúcho radicado no Rio de Janeiro, apresentou durante 15 anos a criação performática do conto “Dama da noite”, de Caio Fernando Abreu, em vários países e em diferentes idiomas. Trabalhou com Naum Alves de Souza em “Aurora de Minha Vida"; com Moacyr Góes em “Sonho de uma Noite de Verão” e “Eduardo II”; e com Tônio Carvalho em “Chapeuzinho Vermelho – Em Busca do Coração Secreto”, pela qual ganhou o Mambembe de melhor ator em 1990. Ainda naquele ano, Gilberto foi assistente de direção de Luiz Antonio Martinez Correa em “Theatro Muzical Brasileiro” e de Naum em “Cenas de Outono” de Mishima e no show “Francisco” de Chico Buarque. Criou todo o universo do pop através de seu espetáculo “POP by Gawronski”, e ironizou a si próprio criando “Quero Ser Gilberto Gawronski”. Em dança criou “Sertão”, numa co-produção com a Demolition Inc. e o Veem Theatre em Amsterdam, e fez a direção teatral de “Cruel” da Cia. De Dança Deborah Colker. MALU VALLE - atrizMalu Valle é atriz, cantora, professora e diretora de teatro. Em 1985 era uma das contraltos e fundadoras da “Orquestra de Vozes A Garganta Profunda”, do maestro Marcos Leite. Formou-se na CAL sob a coordenação acadêmica de Yan Mishalski, estreando em 1989 no “Se Correr o Bicho Pega, Se Ficar O Bicho Come”, vencedor do Prêmio Shell de Melhor Direção a Amir Haddad. Convidada por Aderbal Freire-Filho fez o primeiro romance-em-cena, “A Mulher Carioca aos 22 Anos”. Seguem espetáculos como “Antígona”, direção de Moacyr Góes; “Pixinguinha” e “Noite de Reis”, dirigidos por Amir Haddad; “Ventania” e “Torre de Babel”, direção de Gabriel Vilella; “Desgraças de uma Criança”, direção de Wolf Maya; “Nada de Pânico”, direção de Enrique Diaz; e “Mente Mentira”, direção de Paulo de Moraes, pelo qual foi indicada como Melhor Atriz Coadjuvante no Prêmio APTR no Rio de Janeiro, em 2011. Em 2012 fez “Uma Lição Longe Demais”, direção de Silvio Guindane. No ano de 2013 participou do espetáculo “O Teatro é uma Mulher”, texto e direção de Rodrigo Nogueira; “A Porta da Frente”, de Júlia Spadaccini, direção de Jorge Caetano e Marco André Nunes. Em 2015 realizou um sonho antigo e se formou Bacharel em Artes Cênicas na Faculdade CAL, com o espetáculo “Paparazzo ou a Crônica de um Amanhecer Abortado” de Matèi Visniec, direção de Adriana Maia. Na TV Globo, participou de séries, programas e novelas como “Senhora do Destino”, “Chocolate com Pimenta”, “Amazônia”, “A Grande Família”, “A Diarista”, “ A Mulher Invisível”, “As Três Irmãs”, “A Vida da Gente”, “As Brasileiras”, “Malhação”, “Tempo de Amar”, “Filhos da Pátria”, “Filhos de Eva”. No canal Gloob, interpretou Dona Márcia no sucesso “Valentins”, escrito por Cláudia Abreu especialmente para ela. No Multishow participou da terceira temporada do humorístico “Vai que Cola”, e da primeira temporada de “A Vila”, idealizações do ator Paulo Gustavo. IVAN MENDES - atorAtor, produtor, diretor e roteirista, é graduado em Artes Dramáticas pela UniverCidade. Cursou roteiro com José Carvalho na Rede Globo e complementou os estudos na Writers Boot Camp (Los Angeles, CA), com Jeffrey Gordon. Como ator, participou de espetáculos como "O Ateneu", "Garotos", "Caixa de Phosphorus" e "O Frenético Dancing Days". Recebeu o Prêmio Menção Honrosa como Melhor Ator na II Mostra Estudantil de Teatro no CCBB RJ, por "Moço em Estado de Sítio". Na TV, participou das novelas "Três Irmãs", "Malhação" e "Salve Jorge", na Globo; "Luz do Sol" e "Belaventura", na Rede Record. No cinema, destaque para os filmes "Léo e Bia 1973" e "Eduardo e Mônica". Atualmente está no ar na série "Me chama de Bruna", na STAR+, e no elenco da série "Rensga Hits" da GloboPlay. É idealizador, produtor, roteirista, diretor e ator do espetáculo-filme "Vinte Um Vinte.ensaioaberto", diretor e roteirista de clipes musicais, além de idealizar e produzir o espetáculo "Caixa de Phosphorus", que esteve em cartaz nas principais capitais do Brasil, viajando pelo país nos dois anos de sucesso da temporada. CAIO BUCKER - Responsável pela gestão do processo decisório, técnico-financeira e direção de produçãoCaio Bucker é produtor cultural, cineasta, escritor e empresário. Doutorando e Mestre em Filosofia da Arte (UERJ), Especialista em Arte e Filosofia (PUC-Rio) e Graduado em Comunicação Social e Cinema (PUC-Rio), é o responsável pela idealização, direção de produção e realização de projetos como ";Ícaro and The Black Stars", de Pedro Brício, com Ícaro Silva; "Parem de Falar Mal da Rotina", de Elisa Lucinda; "TsuNany", com Nany People; "O Julgamento de Sócrates", com Tonico Pereira; "O Âncora", de Leandro Muniz, com Alex Nader; "Mulheres que Nascem com os FIlhos", de Rita Elmor, com Carolinie Figueiredo e Samara Felippo; e “A Hora do Boi”, de Daniela Pereira de Carvalho, direção de André Paes Leme, com Vandré Silveira. Dirigiu e produziu a comédia musical "Delírios da Madrugada", com Zéu Britto, recebendo 4 indicações no Prêmio do Humor 2019. Produziu o premiado monólogo “Farnese de Saudade”, com Vandré Silveira e direção de Celina Sodré. Em 2022, assumiu a curadoria e direção artística do Teatro PRIO (antigo Teatro XP), no Jockey Club da Gávea, recebendo em Março de 2024 uma Moção da Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro pela curadoria no Mês da Mulher. Além disso, em 2022 foi escolhido para ser o Notável da categoria A Cara do Rio, no Prêmio Atitude Carioca, promovido pela CAERJ em parceria com a Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro; e recebeu a Medalha da Ordem do Mérito Cultural Carioca, a principal e mais alta condecoração do Município. Publicou o livro "Filosofando no Banheiro - o livro de pensamentos de Tonico Pereira", e se prepara para lançar o próximo livro em 2025. Atualmente é também o responsável pela área de Relações Públicas e Marketing de Relacionamentos do grupo Bonus Track, realizadora de grandes eventos, como os festivais "MITA", "Doce Maravilha" e "MANGO", e as turnês "Titãs - Encontro", "Capital Inicial", "NX Zero", "Roger Waters - tour de despedida"; e "Paul McCartney - Got Back". Em Maio de 2024, foi a empresa responsável pela vinda de Madonna ao Brasil, com show na Praia de Copacabana.
PRORROGAÇÃO DO PERÍODO PARA CAPTAÇÃO DE RECURSOS AUTORIZADA. Aguardando a elaboração e a publicação de portaria no Diário Oficial da União.