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O projeto prevê a edição de um livro do fotógrafo e artista visual André Penteado sobre sua série "Compras Online".
Os textos dialogam com dois aspectos marcantes do ensaio fotográfico de André Penteado: 1. um conteúdo que, mesmo de forma indireta, aponta para um sentimento de trauma; 2. uma estratégia de construção que parte do procedimento do inventário. “Trauma” e “inventário” serão palavras-chave das quais partem os três textos que integram o livro, numa sequência que intercala dois ensaios teóricos e um conto, este último dissimulando sua condição de ficção e utilizando a mesma estratégia de análise histórica e teórica dos outros dois. Texto 1: A invenção do inventário [ensaio, texto já concluído] Na vida cotidiana, a ideia de inventário está bastante associada a obrigação legal de dar um destino ao patrimônio de uma pessoa falecida. Partindo dessa experiência, este ensaio assume a hipótese de que todo inventário, mesmo aqueles realizados pela ciência, pelo museu, pelo estado, está assombrado por um trauma, pelo fantasma da morte, da guerra, da escassez ou da depredação. O ensaio parte de dados históricos, mas se permite aproximar de forma poética um universo muito diverso de inventários. Dentre os traumas que mobilizam essas experiências, o texto destaca violências produzidas em nome de uma ciência que, muitas das vezes, se coloca a serviço da colonização dos povos, dos corpos e dos modos de pensar. O título, a invenção do inventário, aponta a etimologia comum dessas duas palavras e traz uma dupla leitura: refere-se às origens do inventário, mas também àquilo que a ciência inventa sob o pretexto de desvendar a realidade. Texto 2: A ilha infinita [conto, texto já concluído] Assumindo também a forma de ensaio histórico e se colocando como complemento do texto anterior, este texto traz um relato fictício a respeito de um náufrago do século XVII, sobre o qual não se sabe nem o nome, nem a origem e nem os acontecimentos que o conduziram àquele local. Habitando uma ilha deserta do Caribe, ele teria estabelecido como estratégia de sobrevivência a produção obsessiva de inventários que serviriam para mapear os recursos que teria encontrado na ilha ou resgatado de sua embarcação. Neste conto, o autor tenta deduzir dos cadernos de inventários encontrados na ilha aquilo que teria sido a rotina do náufrago durante os anos em que permaneceu ali. Especula-se que, em algum momento, esses inventários já não seriam mais um meio de sobrevivência e de gestão dos recursos, e se tornariam a motivação mesma da sobrevivência do personagem em seu tédio e isolamento. O texto intercala as análises construídas pelo autor com fragmentos de inventários retirados desses cadernos fictícios. A história tem como pano de fundo um oceano por onde transitam aventureiros, colonizadores, criminosos deportados, piratas e negros escravizados. Texto 3: O rigor da imagem [ensaio, texto em processo de escrita] Desde sua descoberta no século XIX, a fotografia se colocou a serviço das ciências como instrumento de inventário e classificação de paisagens, espécies vegetais e animais, bens culturais e riquezas, comportamentos e fenótipos humanos, entre tantas outras coisas. Este texto demonstra que, apesar da suposta objetividade dessa ferramenta, a fotografia científica acolheu um imaginário a respeito de um mundo que, do ponto de vista exótico de uma civilização europeia, não cessava de trazer surpresas. Ajudou também a ordenar, julgar e hierarquizar a diversidade de fenômenos que investigava. Hoje se reconhece que, em nome da ciência, a fotografia produziu muitas violências, algumas simbólicas, associadas aos modos estereotipados de representação dessa diversidade, outras vezes real, relacionada aos procedimentos invasivos exigidos pela produção desses registros. Nas últimas décadas, muitos artistas voltam a recorrer às estratégias do inventário fotográfico, mas, desta vez, com um duplo viés crítico: de um lado, usam o rigor do enquadramento para contornar a retórica dramática da tradição da fotografia documental; de outro, descontroem as pretensões das ciências investindo tal rigor em fenômenos aparentemente banais, que não parecem merecer esse esforço metodológico. A fotografia documental se assume, então, como imagem construída, ao mesmo tempo, que desconfia de sua capacidade de revelar verdades universais. O título deste texto dialoga com um pequeno e conhecido conto de Jorge Luis Borges, Del rigor en la ciência, que descreve o modo como certos conhecimentos científicos grandiosos do passado chegam até nós sob a forma de ruínas.
O objetivo do presente projeto é produzir e editar o livro "Compras Online" do artista visual e fotógrafo Andre Penteado apresentando a série fotográfica de mesmo título, com imagens que dialogam com textos, contos e ensaios. Os textos dialogam com dois aspectos marcantes do ensaio fotográfico de André: 1. um conteúdo que, mesmo de forma indireta, aponta para um sentimento de trauma; 2. uma estratégia de construção que parte do procedimento do inventário. "Trauma" e "inventário" serão palavras-chave das quais partem os três textos que integram o livro, numa sequência que intercala dois ensaios teóricos e um conto, este último dissimulando sua condição de ficção e utilizando a mesma estratégia de análise histórica e teórica dos outros dois. OBJETIVOS ESPECÍFICOS: 1. Produzir e editar o livro "Compra Online" 2. Como contrapartida social o projeto prevê uma conversa do artista visual e do autor dos textos com o público de estudantes e professores em uma sessão de lançamento específica para este público
O trabalho de André Penteado contribui de forma significativa para a fotografia brasileira, tanto no plano conceitual quanto no estético, ao explorar de maneira inovadora as relações entre história, imagem e memória. Ele rompe a fronteira entre o documental e o artístico, utilizando a fotografia como ferramenta de pesquisa e reflexão crítica. O trabalho Compras online é um políptico composto por fotografias em fundo branco de uma coleção de 34 pedaços de papel Kraft amassado.Estes papéis foram recebidos como preenchimento de caixas que continham produtos comprados na internet, durante os anos da pandemia.Eles foram fotografados na forma em que saíram das caixas, sem sofrer nenhuma outra manipulação, com uma iluminação lateral e sobre uma mesa de luz. Esta escolha técnica evitou a formação de uma sombra sobre a base onde estavam apoiados, mas manteve o volume e sombras de suas dobras,ressaltando as caraterísticas escultóricas de cada um deles.Além disso, todas as 34 fotografias foram feitas com a câmera na mesma posição, o que manteve a relação de tamanho entre os papéis fotografados.Com a simplicidade do material _ um papel de uso cotidiano e funcional _ e a beleza das formas criadas inconscientemente pelo gesto de alguém que embalou um produto, este trabalho busca refletir sobre algumas coisas: o desperdício, tanto de materiais quanto do potencial humano, no hiper-capitalismo do século XXI e a desconexão entre todos nós no mundo digital. Quem sabe, ao prestar atenção na beleza criada pelos pequenos gestos, poderíamos pensar na possibilidade de uma sociedade que direcione seu potencial criativo e afetos para outro lugar que não o do trabalho explorado e oconsumo. Lei 8.313/91 · Art. 1° Fica instituído o Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac), com a finalidade de captar e canalizar recursos para o setor de modo a: I - contribuir para facilitar, a todos, os meios para o livre acesso às fontes da cultura e o pleno exercício dos direitos culturais; III - apoiar, valorizar e difundir o conjunto das manifestações culturais e seus respectivos criadores; V - salvaguardar a sobrevivência e o florescimento dos modos de criar, fazer e viver da sociedade brasileira; _____________________________________________________________________________________________________________________________ Lei 8.313/91 Art. 3° Para cumprimento das finalidades expressas no art. 1° desta lei, os projetos culturais em cujo favor serão captados e canalizados os recursos do Pronac atenderão, pelo menos, um dos seguintes objetivos: II - fomento à produção cultural e artística, mediante: b) edição de obras relativas à ciências humanas, às letras e às artes; IV - estímulo ao conhecimento dos bens e valores culturais, mediante: V - apoio a outras atividades culturais e artísticas, mediante: b) contratação de serviços para elaboração de projetos culturais;
LIVRO COMPRAS ONLINE 200x260 mm; 128 páginas Miolo em MUNKEN POLAR ROUGH 120G Capa Dura revestido em SAPHIR, Serigrafia em baixo relevo
Acessibilidade de CONTEÚDO: Como medida de acessibilidade, o projeto produzirá uma audiodescrição do livro que estará disponível gratuitamente na internet.
Ampliação de acesso: Art. 24. Em complemento, o proponente deverá prever a adoção de, pelo menos, uma das seguintes medidas de ampliação do acesso (Anexo I): - doação de uma cota suplementar de 10% da quantidade total de livros com carárter social ou educativo; - disponibilização na internet de uma versão digital do livro com medidas de acessibilidade.
André Penteado, 1970, São Paulo, Brasil - ARTISTA E PROPONENTEVive e trabalha em São Paulo. Desde 2007, André vem produzindo regularmente trabalhos no domínio da fotografia e sua obra investiga, principalmente, fatos e eventos marcantes da história brasileira e momentos pessoais de grande intensidade emocional. O artista já realizou diversas exposições individuais e coletivas no Brasil e no exterior. Em 2013, ele foi vencedor do Prêmio Pierre Verger de Fotografia, uma das principais premiações nacionais da área de artes visuais, com o trabalho “O Suicídio de meu pai”. Em 2014 teve seu projeto “Tudo está relacionado” selecionado para o programa Rumos Itaú Cultural e em 2017 foi finalista do Prêmio Conrado Wessel de Fotografia com “Missão Francesa”. Em 2019 venceu o Prêmio Chico Albuquerque de Fotografia com a obra “Cabanagem”. Seu trabalho já foi publicado em veículos estrangeiros como Source - The Photographic Review, Irlanda (Verão/2010) e British Journal of Photography (Janeiro/2011) além de diversos veículos nacionais como os jornais Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo. Além da produção fotográfica, os fotolivros do artista são extremamente reconhecidos e integram as listas de melhores publicações em sua categoria. Cabanagem (2015) foi incluído na lista de melhores fotolivros nos sites Time Lightbox, e Photoeye. Não estou sozinho (2016) fez parte da lista de melhores livros do ano da revista ZUM e Missão Francesa (2017) foi capa da revista ZUM (nº 12, abril/17) e da revista Select (nº 39, jun/18). Suas obras integram diversas coleções publicas no Brasil e no exterior como a Pinacoteca do Estado de São Paulo e a Bibliothèque nationale de France. Desde 2017, ele dirige um grupo de estudos em fotografia em seu estúdio, que já atraiu mais de 270 alunos, muitos dos quais publicaram fotolivros, venceram prêmios e fizeram exposições nacionais e internacionais. Regiane Rykovsky, 1970, Sâo Paulo, Brasil - PRODUTORA EXECUTIVAFormada em Artes Plásticas pela Universidade Mackenzie, SP e em Expertise em Obra de Arte no IESA, Paris. Em 1997 foi coordenadora de exposições internacionais na Pinacoteca de São Paulo, entre 1999 e 2001 trabalhou na União Latina, Paris coordenando a exposição “Brésil Baroque” apresentada no museu Petit Palais, além de coordenar o departamento cultural dos correspondentes na América Latina. Em 2001/2003 trabalha na editora de arte Ars Latina, Paris. De 2003 a 2009 funda a Divinas Peças do Brasil e realiza diversos trabalhos com comunidades de artesãos pelo Brasil. De 2010 a 2012 foi coordenadora de projetos no Museu Afro Brasil. Neste período também atuou como coordenadora de produção para a exposição Hereros, apresentada no Museu Afro Brasil, São Paulo; Museu Histórico Nacional, Rio de Janeiro; Museu Nacional da República, Brasília; Centro Cultural Conde Duque, Madri, Espanha. De 2012 a 2014 foi diretora executiva do IAC. Em 2014 e 2015 foi diretora do departamento cultural da L3PS. Entre 2015 e 2017, presta serviços como produtora executiva para a Base7 Projetos Culturais onde produziu inúmeras exposições entre elas “Cícero Dias: um percurso poético” - CCBB DF, CCBB SP e CCBB RJ e “Oscar Niemeyer: The Man Who Built Brasilia” - Museum of Contemporary Art Tokyo, Japão. Desde Agosto de 2017 se dedica inteiramente ao departamento cultural da L3PS, onde realiza a produção executiva de exposições como: Yutaka Toyota, O Ritmo do Espaço (MAM Rio, FAAP SP – PRÊMIO APCA DE MELHOR RETROSPECTIVA 2018, MNdR DF e MON Curitiba), Sinfonia de uma Metrópole (FIESP SP, SESI Itapetininga, SESI São José dos Campos e SESI São José do Rio Preto), PRETATITUDE (SESC Ribeirão Preto, SESC São Carlos, SESC Vila Mariana, SESC Santos e SESC São José do Rio Preto), A Matriz do Tempo Real, MAC IBIRAPUERA, Kurt Klagsbrunn, Faces da Cultura, Retratos de um Tempo (Centro Cultural FIESP SP) Chiharu Shiota (Japan House e CCBB SP), Liam Porisse: Perigosos Encantos (SESI Ribeirão Preto), Da Vinci Experience: 500 anos (Pavilhão das Culturas Brasileiras, Parque Ibirapuera, SP), Infinito Vão (SESC 24 de Maio), Viver até o fim o que me cabe, Sidney Amaral (SESC Jundiaí e SESC Belenzinho, SP), O Amor e o Tempo, Romero Andrade de Lima, (SESI Campinas, SESI Itapetininga, SESI São José dos Campos), Era uma vez o moderno, (SESI São Paulo), Ideias, o Legado de Giorgio Morandi (CCBB São Paulo – PREMIO MELHOR APCA DE MELHOR EXPOSIÇÃO INTERNACIONAL 2021 e CCBB Rio de Janeiro), Brasilidade Pós Modernismo, (CCBB Brasília e CCBB Belo Horizonte), Flavio de Carvalho Experimental (SESC Pompeia, SP), Magister Rafaello ( MAB FAAP e MON Curitiba).
PROJETO ARQUIVADO.