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PRONAC 2413476Projeto encerrado por excesso de prazo sem captaçãoMecenato

CIRCUITO COR DO BRASIL

DAIANA RODRIGUES OLIVEIRA
Solicitado
R$ 175,9 mil
Aprovado
R$ 175,9 mil
Captado
R$ 0,00
Outras fontes
R$ 0,00

Análise IA

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Eficiência de captação

0.0%

Classificação

Área
—
Segmento
Apresentação ou Performance de Teatro
Enquadramento
Artigo 18
Tipologia
Projetos normais
Ano
24

Localização e período

UF principal
ES
Município
Vila Velha
Início
2025-03-01
Término
2025-12-30
Locais de realização (1)
Rio de Janeiro Rio de Janeiro

Resumo

O projeto CIRCUITO COR DO BRASIL visa incentivar a preservação e o enaltecimento da cultura afro-brasileira em escolas públicas nos municípios do Rio de Janeiro com maiores taxas de homicídio entre jovens negros. Será a circulação do Espetáculo Teatral "COR DO BRASIL - O Resgate da História Roubada. Como contrapartida social serão realizadas Oficinas de Teatro Negro e Oficina de Percussão Brasileira.

Sinopse

SINOPSE - COR DO BRASIL- é um espetáculo de criação de teatro negro embasado nas manifestações corporais afro-brasileiras, como a dança e seus cantos tradicionais, os elementos do espetáculo surgem enquanto acontece em cena um enredo cronológico da trajetória do movimento negro e sua influência na cultura do Brasil nos últimos cem anos. O figurino, cenário e a música presente na peça trazem as memórias deste universo para a cena. "COR DO BRASIL" é a mistura de recortes das manifestações culturais africanas. O espetáculo tem classificação livre e almeja fortalecer a identidade cultural afro-brasileira, levando o conhecimento de sua origem para regiões periféricas onde estão concentradas as maiores taxas de homicídio do jovem negro. TEXTO - COR DO BRASIL. O resgate de uma história roubada. Texto de Ramon da Matta. Uma atriz em diversos personagens. Em cena: Dana Oliver Uma Criança: (Distribuindo o jornal, entusiasmada) Salve! Salve! Salve 1919! Gentis leitoras e leitores. A LIBERDADE, órgão dedicado a classe de cor, crítico, literário e noticioso. O seu mais novo jornal, encontra-se na sua porta. (Início do vendaval tempo. Aquele personagem, aquela atmosfera de época são consumidos por um vendaval. Uma coreografia representa o apagamento daquela história, daquele momento ali contado. Após essa transferência de momento, o espectador vai parar em 2003, na casa de Lelê.) (Lelê está no quarto escutando/curtindo uma base instrumental de um funk dos anos 2000 (sugestão: glamurosa). Quando é interrompida pela irmã que está do lado de fora do quarto.) Irmã: (Virando para a direita, grita chamando) Lelê! (Volta ao meio, sendo Lelê curtindo.) Irmã: (Virando para a direita, grita chamando) Lelê! Lelê! (Volta ao meio, sendo Lelê curtindo.) Irmã: (Virando para a esquerda, batendo na porta imaginária) Abre essa porta Lelê. Que a vó tá passando mal. Lelê (Tirando o fone e abrindo a porta, a música para) Como assim a vó tá passando mal? Irmã: Ela está lá na sala. Esparramada no sofá. Não tá falando nada com nada. Eu e a mãe já tentamos de tudo. Não consegue respirar direito. Lelê (Preocupada) Ela tem que ir pro hospital. Liga pro Samu. Irmã: Cortaram o telefone. Depois que a mãe perdeu o emprego, não teve mais, Lelê. Lelê Tu vai lá na casa de Bruna. Fala que é pra mim. Eu vou ajudar a mamãe. (Continua sendo Lelê, com um distanciamento) Quando eu vi a vó daquele jeito. Meu coração doeu. Doeu demais. Minha voinha, sem ar, sem forças vitais. Minha mãe não parava de chorar. E ninguém da família foi lá em casa ajudar. Nem um filho ou filha. Nenhum patrão liberou. Ela ficou ali, agonizando na minha frente. A ambulância não chegava. Uma hora, duas horas. Até que a Bruna chegou lá em casa aflita. A mulher da ambulância ligou. Ela ligou. Ligou e disse. Disse que não ia rolar de subir. Era muito perigoso. Perigoso? Perigoso é eu perder minha avó. Sai pela rua, que nem louca. Gritando pra todos os lados, pedindo ajuda. Até que o Tião do bar, e o Manuel, tio da Bruna, levaram ela pro hospital no fiat uno da farmácia. Eu rezei, orei, fiz promessa, acendi vela de todos os santos. O que você imaginar, eu fiz. Morrer? Morrer ela não morreu não. Mas o médico. O médico disse... Médico: Infelizmente o quadro da Dona Hilda é grave. Bem grave. Lelê Grave quanto Doutor? Ela ainda tem chance? Médico: Chances ela tem. Só que ela vai precisar de operar e fazer um tratamento com medicamentos que as farmácias daqui infelizmente não são abastecidas. Lelê E sem esse medicamento ela morre? (Continua sendo Lelê, com o distanciamento) Morre. Ele disse na lata. Que ela ia morrer. Mas tinha uma maneira. Uma solução. Luz no fim do túnel. Se a gente conseguisse custear o tratamento, ela tinha grandes chances. Pego umas faxinas, a Thuany também. Vai dar certo. Eu pensei. Dai ele falou por alto, os custos. R$3.500,00 por mês. R$3.500,00 por mês? Tá maluco. A gente nunca viu essa grana toda aqui. Nem quando a mãe tinha dois empregos. Mas a minha cabeça se recusa a ver a cara da vó num caixão. Eu faço o que for preciso. (Alegre) Dois dias se passaram. Cirurgia realizada com sucesso. A mãe de Lelê: Feijoada! Feijoada e samba, porque a mamãe merece. Vamos festejar a vivíssima Dona Hilda! (E começa o samba – Indicação: Sorriso aberto. A atriz samba e festeja) Lelê (No meio do samba) A mamãe não tava se cabendo de alegria. Chamou todo mundo pra feijoada do renascimento da vó. Foi uma alegria que só. A gente dançou muito. (A música vai cessando) (Olhando para o pé) Olha só meu pé, muidinho que só. Festa a parte. A verdade é que o nosso problema. Nem tinha começado. (Para e olha para o nada). A aflição começou a bater na porta do coração. No próximo mês: Batata: Sem dinheiro. Sem remédio. (Mudando o tom) Pam pam ram ram pam pam. Pam pam ram ram pam pam. Começou a passar um carro de som. Com esse pam pam ram ram. Dizendo sem parar: Voz Lúdica: (Num megafone) Pam pam ram ram pam pam. Pam pam ram ram pam pam. Recompensa! Recompensa! Recompensa! Com prêmio de valor inestimável. Quem de notório valor trouxer para Madame Carneiro (imita um Carneiro) o que foi roubado. Lelê: Recompensa? Valor inestimável? Eu vou achar? O que for, eu vou achar. Botei na minha cabeça. Eu só não sabia o que era. Voz Lúdica: (Num megafone) Pam pam ram ram pam pam. Pam pam ram ram pam pam. Povo e Pova de Jacarezinho! Vocês têm 2 dias. 2 dias para encontrar. Lelê: Encontrar o quê? Fala logo. Voz Lúdica: (Num megafone) Pam pam ram ram pam pam. Pam pam ram ram pam pam. (Contação, pode usar um pandeiro) Zumbi e Dandara, na Serra da Barriga, hoje estado de alagoas, num período compreendido entre 1595 e 1695, organizaram a maior forma de luta contra a escravidão, a violência, o assassinato, a privação de liberdade, cultura, comida e da saúde do povo negro. No quilombo do Palmares, eles organizaram uma sofisticada organização de resistência coletiva, que durou 100 anos. A luta não cessou. Muitos dos nossos lutaram bravamente pela liberdade e contra crueldade, muitos morreram impulsionando o decreto abolicionista de 1888. Decreto! Decreto! Decreto! Decreto de governantes que nos abandonaram a própria a sorte. Pam pam ram ram pam pam. Pam pam ram ram pam pam. Eis aqui (aponta um livro mágico) o livro da nossa história. Da história do nosso povo. Contudo... (abre o livro que só tem algumas páginas) páginas da história, da memória. Da nossa memória foram roubadas. Roubadas de nós. (Bate o livro) Nossa história é incompleta. Terrivelmente incompleta. Mas a Madame. Madame Carneiro (imita um carneiro) oferece recompensa de valor inestimável para aquela ou aquele que trouxer as páginas roubadas da nossa história. Pam pam ram ram pam pam. Pam pam ram ram pam pam. (Som de um carneiro) Lelê: Eita que é eita atrás de eita. Como eu vou encontrar isso? (Pasmem) E tá todo mundo procurando. Dois dias. Dois dias? Como eu vou encontrar? O Como eu não sei. Mas que eu vou, eu vou. (Uma coreografia de procura. Partitura de dança. Com sons. Tambores. Cores. Ela procura por todos os lugares. Ocupando bem o palco. Durante o movimento. Ela vai dizendo.) Lelê: (Durante a coreografia) Na casa da tia Lourdinha. Não. Nada aqui. Na casa do tio Zezé. Nada aqui também. Na padaria. Padaria muito menos. Na biblioteca? Sim numa biblioteca. Mas onde eu vou arrumar uma biblioteca, sendo que a escola tá fechada? (Empolgada) No museu. No museu da maré. (Procurando, como se jogasse as coisas para alto). Não. Não, isso não, isso também não. Aqui. Uma caixa! Aqui tem vários pedaços de jornais antigos. Essa aqui parece ser bem interessante. (Tirando da caixa um pedaço de jornal velho. Lendo) O Menelick! (Início do vendaval tempo. Vai surgindo uma atmosfera de época. Uma coreografia para passagem de tempo para 1916. Após essa transferência de momento, o espectador vai voltar para 1916). Uma Criança: (Distribuindo o jornal) Salve! Salve! Salve 1916! Gentis leitoras e leitores. O Menelick deseja-lhes Boas Festas. E que em vossos lábios só hajam risos de alegria e felicidades durante o decorrer de 1916. Salve 1º de Janeiro de 1916! Salve! Geralcino de Souza (O redator): (Enquanto digita. Som de digitação) Leitoras; O Menelick, depois de passar quarenta dias sem o carinhoso afeto de vossas mãos delicadas - o berço gentil de sua alma, teve saudades de vós. E voltando novamente, aninhando se ao lado da generosidade beleza feminina, eil-o. Eil-o jurando que d´ora avante vira todos os primeiros Domingos de cada mês trazer-vos novidades das estrelas e espera ser recebido com habituados e graciosos sorrisos de vossos lábios de rosa! Enquanto que o seu humilde redator atira aos vossos mimosos pés mil beijos de Gratidão. (Avistando Lelê) Ei menina. O que faz por aqui? Você tem permissão para entrar aqui? Aqui na redação? Lelê (Desajeitada) Não sei como vir para aqui. Meu nome é Lélia. Mas todos me chamam de Lelê. (A menina abre um sorrisão) Redator Deve ser a menina que Deoclecíano, o chefe (faz um sinal de reverência), mandou para ajudar. Mas você é tão jovem. Lelê Sou jovem, mas sou muito esperta. Redator E sabe juntar as letras? É boa leitora? Lelê Sou a melhor aluna do oitavo ano. (Corrigindo) Digo da classe. Redator Então vá buscar os relatos do episódio da revolta da ilha de São Domingos. Vai ser a nossa matéria de capa. (Empolgado) 1916 vai começar com um episódio para lá de supimpa. Lelê Relatos? Revolta? Ilha de São domingos? (Como se tivesse uma enorme quantidade de papeis na sua frente, perdida) Mas tem tantos relatos. Tantos papeis. Acho que estou perdia. Redator Ora bolas. O chefe (reverência) deixou bem no meio da mesa central. Como você não está achando? Lelê (Avistando) Maravilha. Encontrei. (Como se pegasse) É bastante coisa. Tem muito material aqui. Redator Então, mãos à obra, menina. Não temos a noite toda. (Ouve-se barulho de fogo queimando, cascalho e pedras caindo. A menina como se saísse de uma floresta em chamas narra.) Voz de Narrador Episódio da Revolta da ilha de São domingos. Reportagem de capa do jornal O Menelick. Órgão mensal, noticioso, literário e crítico dedicado aos homens e as mulheres de cor. São Paulo. 1º de janeiro de 1916. Estado de São Paulo. Lelê (Dentro da história narrada, vivendo o que diz) Tudo é barulho! As florestas, as plantações, as casas, enfim tudo que pelo fogo devastador possa ser consumido, arde, deixando fagulhas rubras que mais depressa fazem consumir aquelas riquezas. Ao longe somente vê-se uma pequena casa, que com os reflexos do fogo, tinha um aspecto fantástico. (Irônica) Ali morava um pobre campônio, que não tinha um só escravo para ajudar para o ajudar a cultivar o seu pequeno campo. Habitava ali há muitos anos em companhia da filha e sua estimada esposa. (Empolgada) Quando os bravos homens de cor declararam-se livres do vaioso jugo de malvados anos, o velho tinha-se fechado com a sua família em casa. Agora, invocavam a Deus com ardente fervor, para que o Salvador tivesse deles piedade. O pobre homem pedia um casamento para a sua filha, loura, mais loura que uma filha de Albion, que era menina moça, pois estava na flor da mocidade. E ele rogava, pedia, pedia sempre. (Voz de um velho) Oh Deus meu Salvador, mande um belo e destemido homem de posse para se casar com a minha doce filha. E ele rogava, pedia, pedia sempre! Mas, oh horror! As suas preces nada valiam. E agora ele, quase louco, vê aproximar-se a hora da morte! Um enorme grito ecoou pelas proximidades da casa! (Gritos de Guerra) Liberdade! Liberdade! A minha famigerada percepção jamais poderá descrever o pavor que velho, a mulher e a filha tiveram. Os gritos já se ouviam perto! Agora arrombam a porta! Eil-os que entram loucos, sem ouvir as suas lamentações. Os homens de cor, agora que estão livres. Agora que estão senhores de si, vingam-se das humilhações que sofreram tão cruelmente. Então matam, incendeiam, arrasam tudo que no seu caminho encontram. Mermão, eles tiraram onda, ai. Redator Tiraram onda? O que diz menina? Lelê Perdão, senhor redator. É que eu tenho mania de inventar palavras novas do futuro. Redator É uma menina muito criativa. Acho que vai ser muito proveitoso ter você no nosso jornal. Mas infelizmente tenho que lembrar-lhe que o periódico não tem muito dinheiro. Ficamos 40 dias sem publicar. Começamos o ano passado, com o intuito de difundir através do nosso jornal a cultura negra e defender os interesses da população de afrodescendente. Tem sido muito difícil menina, mas o importante é que a semente está plantada, o periódico ainda está irregular e pode acabar a qualquer momento, mas eu estou feliz em dizer que esta cidade teve um jornal que representou o meu povo, o nosso povo. Eu vejo que o Menelick tem impulsionado a criação de vários outros meios de comunicação para falar sobre a gente. Sobre as nossas questões e isso não é pouca coisa não. Lelê Com toda certeza do mundo não é. Senhor Geralcino eu adorei experimentar estar no primeiro jornal negro do Brasil, o propulsor da imprensa Negra, mas agora eu tenho que ir. Tenho muita história ainda para encontrar. Gostaria muito de ficar e descobrir todas as histórias que o Menelick contou, mas não posso. Eu juro que breve breve eu volto. Manda um grande abraço pro Chefe (reverência). Redator Tudo que que é bom dura pouco. (Com a voz sumindo) Mas não deixe de passar pelos outros jornais da imprensa negra. Lelê Pode deixar Senhor Senhor Geraaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaalcino. (Levada pelo além tempo) (Voz gravada. Durante a narração dos nomes a menina em uma partitura de deslocamento, move no espaço a cada nome dito. Pode abusar de sons. Do lúdico.) Voz gravada do redator: A rua e o Xaouter, O Alfinete, A liberdade e o bandeirante, A sentinela, O cosmos, O Getulino, O Clarin da Alvorada, O Elite. O Alviverde, O patrocínio e o progresso, A chiata, A evolução e voz da Raça, o mundo Novo, O Novo Horizonte, Notícias de Ébano, o mutirão, O hífen e o Niger, Nosso Jornal e o Correio de Ébano. (Após a ação que pode ser um jogo, uma amarelinha ela chega até uma carteirinha.) Lelê (A menina ao pegar a carteirinha que está no chão, lê) Carteira de identificação. 1936. Lélia G. Silva, integrante pertencente a Frente Negra Brasileira – FNB. (Cheia de marra) Show, eu pertenço a algum lugar. Sou integrante. (Orgulhosa) Não sou pouca coisa não e olha só, foto de frente, foto de perfil. Sr. Lucrécio (Um homem de camisa branca) Ei menina. Vai ficar ai parada? É você que está com os papéis? Lelê Papéis? Sr. Lucrécio Não acredito que o Correia colocou alguém que não está sabendo das coisas em um dia tão importante quanto hoje. Lelê Realmente estou começando hoje. Sou nova aqui. Mas consigo aprender rápido. Sr. Lucrécio Você pelo menos já fez algum curso? Já fez parte de algum departamento? Lelê (Respondendo prontamente) Ainda não. Mas posso fazer. Sr. Lucrécio O Correia não podia ter feito isso comigo. Hoje não é o meu dia de sorte. O barbeiro da rua de trás se recusou a cortar meu cabelo. Disse em auto bom tom: (voz caricata) Aqui não cortamos cabelo de gente de cor. Depois fui almoçar na taberna do centro e me recusaram, mesmo mostrando a minha carteirinha. E agora? Agora, você que não sabe de nada sobre os documentos para a fundação do partido da Frente Negra Brasileira. Lelê Vocês vão criar um partido político? Por qual motivo? Sr. Lucrécio Menina. A gente é fazendeiro? Não. Capitalista? Não. É banqueiro? Não. Comerciante ou industrial? Não. Então? Então a luta deve ser política. Estamos trabalhando para a criação de um partido político, pois a política é válvula para que nós, negros e negras tenhamos uma posição diferente. A política move montanhas. Muda o rio de lugar. Arquiva e desarquiva processo. Prende e manda soltar. Nunca fomos vistos por esse governo, então necessitamos fazer parte do governo. Lelê (Empolgada) Então avante Sr. Lucrécio. Mãos a obras. Vamos criar o partido da Frente Negra Brasileira. Voz de locutor 1936 é registrado com sucesso o partido da Frente Negra Brasileira. Lelê (Brindando) Brinde. Brinde. Que emoção viver isso. (Raios e tambores fortes. Ventania. A menina vai virando o vento.) Menina Vento E como num sopro lá se foi o partido. Golpe de estado deflagrado. Voz de Getúlio Vargas: Eu Getúlio Vargas decreto o fim de todos os partidos políticos. É o fim da balburdia desse país. Lelê Onde está tudo, todos? Onde estão os jornais? A sede do partido? Sr. Lucreééeeeeeeeeeeeeeeeecio. (E a menina é levada pelo vendaval tempo ao som do apito de um trem). (Uma viagem. A passagem de tempo é dentro de um trem. Uma coreografia. Um sequenciado de partituras. Com a gravação de Tem gente Com Fome de Solano Trindade. Pode ser a voz da própria atriz, um mix de vozes e sons. Voz gravada intercalada voz ao vivo.) Tem gente com fome – Texto Original do Poeta Solano Trindade (Voz gravada) Trem sujo da Leopoldina correndo correndo parece dizer tem gente com fome tem gente com fome tem gente com fome (Voz ao vivo) Piiiiii (Vendedor de trem) Olha aqui meu cliente, minha cliente. Vocês conhecem o chocolate Delicius da Nestlock? Claro né. Então. Queria estar dizendo que lá fora cada unidade está saindo a R$5,00. Hoje então é seu dia de Sorte. Aqui são três por cinco. Isso mesmo. Só 3 por 5. 3 Delicous da Nestlock por isso mesmo que você acabou de ouvir. (Voz gravada) (Continua a partitura) Estação de Caxias de novo a dizer de novo a correr tem gente com fome tem gente com fome tem gente com fome Vigário Geral Lucas Cordovil Brás de Pina Penha Circular Estação da Penha Olaria Ramos Bom Sucesso Carlos Chagas Triagem, Mauá trem sujo da Leopoldina correndo correndo parece dizer tem gente com fome tem gente com fome tem gente com fome (Voz ao vivo) Piiiiii (Vendedor de trem) Olha aqui meu cliente, minha cliente. Essa capa de chuva mega dobrável que cabe no bolso. Você vai tá encontrado lá fora? Não vai. Então é seu dia de sorte. E promoção para encerrar. R$2,00 e você ainda leva duas. Se perder a reserva tá garantida. (Voz gravada) (Continua a partitura) Tantas caras tristes querendo chegar em algum destino em algum lugar Trem sujo da Leopoldina correndo correndo parece dizer tem gente com fome tem gente com fome tem gente com fome Só nas estações quando vai parando lentamente começa a dizer se tem gente com fome dá de comer se tem gente com fome dá de comer se tem gente com fome dá de comer Mas o freio de ar todo autoritário manda o trem calar Pisiuuuuuuuuu (A menina cai exausta) (Transição de Solano Trindade para Teatro Experimental do negro.) (Cena se passa em um teatro) Voz de Abdias Nascimento da plateia: (palmas) Ei menina levanta daí. Já vamos recomeçar o ensaio. (Nervoso) Onde está o Aguinaldo? O Imperador Jones, desta vez sem Black face, vai estrear semana que vem, custe o que custar. Aguinaldo Camargo (A atriz levanta prontamente e vira o ator Aguinaldo Camargo) Estou aqui meu amado mestre e Diretor Abdias do nascimento. Não sai do palco por nenhum minuto. Pode perguntar a Rute de Souza? Voz de Abdias: Então vamos recomeçar. Porque, semana que vem, 04 de agosto de 1945, às 21 horas, estaremos brilhantes no Teatro Municipal de Niterói. Pode seguir de onde paramos. Jones (Interpretado por Aguinaldo Camargo) - da peça o imperador Jones: (Com indignação e escarnio) Olha aqui, seu branco! Tu pensas que eu sou um imbecil de nascença? Faz o favor de reconhecer que eu tenho algum juízo na cabeça! Tu imagina que eu não me preparai e tomei todas as precauções? Fui eu lá na floresta fingindo que ia caçar, tantas vezes que conheço ela tão bem, como a palma da minha mão. Sou capaz de cortar por aquelas trilhas até com o olho tampado. (Com profundo desdém) Lá de onde eu vim os branco já saíram com cachorro atrás de mim. E eu ria da cara deles. Voz de Abdias: Ótimo. Ótimo. Por hoje é só. Amanhã vamos começar da cena da Rute. Lelê Quem é essa tal de Rute, que tanto falam? Rute de Souza Rute? Está procurando a Rute? Rute de Souza, sou eu mesma, atriz honoraria do Teatro Experimental do Negro, a menina dos olhos do Abdias. (Risos) Não deixa a Lea escutar isso. O que veio procurar? Veio para curso de alfabetização e formação cultural? Já sei, você veio para ato em prol dos direitos das empregadas domésticas? Infelizmente isso não é comigo. Estou cheia de coisas para preparar para estreia. Mas você pode ir ali atrás (aponta) e procurar qualquer uma das meninas. Aliás pode ser qualquer pessoa, quero dizer, menos o Abdias. Ele é o diretor da peça e está uma pilha. Lelê Primeiramente, digo que estou emocionada de conhecer uma grande dama do teatro. Embora, eu quisesse muito fazer essa aula de formação cultural e participar do ato em prol dos direitos das domésticas, eu agora... queria mesmo era saber onde estou. Rute de Souza Onde você está? Ora. Pelo visto você chegou na cidade hoje. Veio do interior? Você está no Teatro Experimental do Negro! Grupo de Teatro fundado em 1944, pelo nosso querido Abdias do Nascimento, em prol do direito a cultura e combate ao racismo. O Abdias colocou o negro no palco, menina. Você não sabia... até pouco tempo, os brancos faziam os papeis dos negros. E fora as inúmeras peças que apresentamos, aqui lutamos pelos nossos direitos. Pelos direitos do nosso povo. Lelê (Empolgada) Eu quero fazer Teatro, Dona Rute! Rute de Souza Se esse é seu sonho. Vem. Vem com a gente! Eu só te aconselho, persistência. Muita persistência, porque esse país ainda tem muita resistência em ver a gente brilhando nos palcos. (Escuta-se um tambor do bloco ilê Aiyê) Lelê Que música é essa? Você está escutando Dona Ruuuuuuuuuuuuuuuuuteeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee? (E a menina é levada pelos tambores do bloco ilê Aiyê). (Coreografia) Que bloco é esse? Eu quero saber, É o mundo negro Que viemos mostra prá você Prá você Somos criolo doido Somos bem legal Temos cabelo duro Somos black power Lelê (Diz imponente ao som de tambores) Branco, se você soubesse O valor que o preto tem, Tu tomava um banho de piche, branco E ficava preto também Não te ensino minha malandragem Nem tão pouco minha filosofia Por quê? Quem dá luz ao cego É bengala branca E santa luzia Ai,ai meu Deus (Coreografia) Que bloco é esse? Eu quero saber, É o mundo negro Que viemos mostra prá você Prá você Somos criolo doido Somos bem legal Temos cabelo duro Somos black power Lelê (Ainda sentindo a música) Licença Dona Hilda, licença. (Eufórica) Que coisa legal. Que sensação boa. Me sinto viva. Energética. Colorida. Que coisa é essa? Dona Hilda É o mundo negro, minha querida. É o ilê Aiyê! Lelê Muito prazer, eu sou a Lelê. Você é tão bonita, parece com a minha avó Hilda. Dona Hilda Hilda? Então você também é minha neta. Eu também me chamo Hilda. Lelê Eu senti uma força, uma força tão grande. Dona Hilda É a força do Curuzu. Aqui nós somos os mais belos dos mais belos. Desde o ano de 1974 essa força vibra. Aqui é força. Força do povo preto. Lelê Dona Hilda, eu já tinha escutado essa batida no carnaval. Mas não com tanta força. Dona Hilda Hoje você escuta a nossa música. Vê a nossa cara. Vê a gente colorido. Mas não era assim. O nosso povo não desfilava. Era invisível. Meus filhos, empurravam a corda, o carro. Mas não desfilavam. O ilê surge na Bahia reinaugurando a resistência formal. Muita coisa existe por trás desse bloco de Carnaval. Eu te convido para ir lá em casa. Comer um acarajé e escutar mais histórias desse mundo. Desse mundo negro que é o ilê. Lelê Eu vou adorar. Dona Hildaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa. Narradora (A música continua) Ao som dos tambores do ilê Aiyê a menina é levada para 07 de julho de 1978. Contudo ao ali chegar os tambores se calaram. Mas as vozes. As vozes das bocas. Das bocas pretas ecoaram alto. (Silêncio) (A menina encontra uma carta no chão e lê) Carta aberta do movimento negro unificado contra a discriminação racial. Hoje estamos nas ruas numa campanha de denúncia! Campanha contra discriminação racial, contra a opressão policial, contra o desemprego, o subemprego e a marginalização. Estamos na rua para denunciar às péssimas condições de vida da comunidade negra. Hoje é um dia histórico. Um novo dia começa a surgir para o Negro! Estamos saindo das salas de reuniões, das salas de conferência e estamos indo para as ruas. Um novo passo foi dado contra o racismo. (A menina olha de um lado para o outro como se visse alguém correndo.) O que é isso? Quanta gente. Manifestante (Virando um manifestante correndo no mesmo lugar) Não fica parada. A polícia tá vindo por ai. Vamos pela esquerda. Vamos distribuir mais cartas por lá. (Corre no lugar) Lelê (Ofegante) Ei calma. Eu não consigo mais correr. Me falta ar. Manifestante (Sentando-se) Eu também não. Estou exausta. Trabalhei muito para o ato sair. Ajudei na redação da carta. Estou aqui num corre danado. Desde o início do ato. Lelê (Ainda um pouco ofegante) Desculpa pelo momento. Eu sei que você está cansada... Mas o que te trouxe até aqui? Manifestante (Amarrando uma faixa na cabeça) (Forte) Cansada? Cansada eu estou é de saber que nem na escola, nem nos livros onde mandam a gente estudar, não se fala da efetiva contribuição das classes populares, do negro, da mulher, do índio na formação histórica e cultural desse país. Na verdade, o que se faz é folclorizar eles. (Voltando a trivialidade de uma conversa) Às vezes eu vou longe. Falei demais e esqueci de dizer o motivo de estarmos aqui. Estamos fundando o Movimento Negro Unificado. Estamos aqui em protesto contra o assassinato de um pai de família e de um operário, nossos irmãos de cor. Estamos aqui em protesto contra o impedimento dos nossos atletas de treinarem no clube da cidade. Não restou outra opção. Você não estava sabendo disso? Lelê (Contemplativa) Pelo visto, eu não estava sabendo disso e de muita coisa. Realmente roubaram a nossa história. Manifestante (Levantando) Já descansamos bastante. É por isso que a gente não pode desistir e ficar paradas. É um plano que a gente não saiba de nada. Já estou indo. Vou para escada do Teatro Municipal, o povo está reunido lá. (Começa correr) Prazer, meu nome é Lélia. Lélia Gonzales. Lelê (A menina para) Lélia Gonzales? Fantástico. O meu nome também é Léliaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa. (Início do vendaval tempo. Aquela atmosfera de época são consumidos por um vendaval. Uma coreografia representa o apagamento daquela história, daquele momento ali contado. Após essa transferência de momento, o espectador vai parar em 2003, na casa de Lelê.) (Meados dos anos 2000.) Lelê está no quarto escutando/curtindo uma base instrumental de um funk dos anos 2000 (sugestão: glamurosa). Quando é interrompida pela irmã que está do lado de fora do quarto. Irmã: (Virando para a direita, grita chamando) Lelê! (Volta ao meio, sendo Lelê curtindo.) Irmã: (Virando para a direita, grita chamando) Lelê! Lelê! (Volta ao meio, sendo Lelê curtindo.) Irmã: (Virando para a esquerda, batendo na porá imaginária) Abre essa porta Lelê. Que o carro de som passou agora anunciando que acabou o tempo. Quem achou as páginas rasgadas. Achou. Quem não achou, não acha mais. Lelê Como assim? Já se passaram dois dias, Thuany? A irmã Sim. E a Madame Carneiro (imina um carneiro) já vai anunciar quem vai ficar com a recompensa. Lelê (Triste) Como assim tão rápido? Eu não consegui todas as páginas. É muita coisa para descobrir. Irmã, você não faz ideia da quantidade de história perdida, escondida sobre a gente existe. A irmã Erga essa cabeça minha irmã. Você está há dois dias trancada nesse quarto lendo sem parar. Você deve ter conseguido encontrar bastante coisa. Lelê Eu realmente vi e vivi coisas lindas. Passei pela em impressa negra, pela criação do partido da frente negra, pelo teatro experimental do negro, pela poesia e luta de Solano Trindade, pela história de autoafirmação do bloco ilê Aiyê, da formação do movimento negro unificado. Muita coisa, mas sinto que não é tudo. A irmã Mas você vai do mesmo jeito. A vovó precisa disso. Anda. (A menina começa a correr. Ação muito rápida) Madame Carneiro (Com o megafone) Pam pam ram ram pam pam. Pam pam ram ram pam pam. (Exagerada) Emocionada. Emocionadíssima. Com o excelente empenho de todos vocês. Meninas e meninos do meu coração. Parece que as páginas roubadas da história. Da nossa história. Estão recuperadas. Agora sim teremos uma nação completa. Um povo que sabe a sua história é um povo verdadeiramente forte. Mas infelizmente só um pode ganhar o grande prêmio de valor inestimável. Separamos os dois que trouxeram a melhor parte da história Roubada. Rufem os Tambores. Luz. Câmera. Sons de Carneiros (imita carneiro). E as finalistas são: Maria Mazzarelo e Iamara Viana. Lelê (A Atriz volta a correr e para rapidamente) Um minuto. Eu suplico. Só um minuto. Eu me atrasei. Mas eu trouxe as páginas roubadas. Madame Carneiro (Imita um Carneiro) Chegou atrasada. Atrasada. Infelizmente eu tenho que dizer. (Suspense) Dizer que ainda está em tempo. Nunca será tarde para a gente ir atrás da nossa história. Da nossa verdadeira história. Recebo as suas páginas, minha querida. Mas aviso que será por demais difícil. As duas candidatas já anunciadas apresentaram um trabalho exemplar. Dignos das mais grandiosas recompensas. (Pegando as folhas para ler, colocando os óculos de leitura. Pode ser só a ação física) (Suspense) Hum. (Imita o som de carneiro). Hum. Lelê (a menina nervosa com as caras e bocas vai se justificando.) Me desculpa, eu não consegui tudo. Eu sei que ainda. Falta... Madame Carneiro Falta você saber que isso aqui é incrível. Que você é incrível. Um fenômeno. (Imita um Carneiro) Eis a grande vencedora. Lelê (Empolgada) Eu venci! Madame Carneiro (A Madame Cerneiro pega os escritos da menina e assopra em direção a sua cabeça, chacoalha a cabeça da menina e tampa seus ouvidos.) (Faz os gestos) Me dê a sua mão. Agora suas páginas encontradas. Agora sinta o vento na sua direção. (Assopra) Agora: a cabeça. Balança a cabeça. (Balançando a cabeça) Mais, mais. E pá! (Tampando os ouvidos) Tampe os ouvidos e pronto. Ai está seu prêmio! Lelê Prêmio? Que prêmio? Madame Carneiro (Como se conta um segredo no ouvido) Deixa-me te contar um segredinho. Com isso que está na sua cabeça agora, você vai conquistar muita coisa. E cada vez que você colocar mais coisas ai dentro, você vai conquistar tudo o que você quiser. Quanto mais você souber da sua história, mais poderosa você fica. Lelê Estou verdadeiramente encucada. Mas sinto uma alegria no coração. Obrigada Madame Carneiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiro. (O vendaval do tempo leva a menina para 2021) Narradora. O ano é 2021. E a menina moça. Agora é mulher adulta. De adultâncias mil, com coração juvenil. Está lançando seu 14º livro. Hoje é dia de lançamento. Uma fila imensa. (A narradora se senta) E Lelê, agora Lélia, espera a primeira pessoa para iniciar a noite de autógrafos. A avó (Com um livro na mão) Minha neta querida, você pode me dar um autógrafo. Lelê - Lélia Minha querida vó. Eu lhe dou todos os autógrafos do mundo. (Distanciando) Hoje é um dia histórico. Um novo dia começa a surgir para a Negra e paro o Negro! Estamos saindo das salas de reuniões, das salas de conferência e estamos indo para as ruas. Um novo passo foi dado contra o racismo. FIM

Objetivos

OBJETIVO GERAL: Provocar uma reflexão sobre discriminação racial e a história do movimento negro, através de 10 apresentações do espetáculo - Cor do Brasil - O Resgate da História Roubada - em escolas da rede de ensino municipal do Rio de Janeiro, localizadas em regiões periféricas, preservando a memória e a diversidade cultural. OBJETIVO ESPECIFICO: - Realizar 10 apresentações do espetáculo "COR DO BRASIL - O resgate da história roubada" em 05 escolas da rede de ensino público, com 02 apresentações em cada, atendendo até 1.500 pessoas gratuitamente. - Realizar 05 Oficinas de Percurssão Brasileira, com 30 vagas, aberto para a comunidade, atendendo cerca de 150 pessoas gratuitamente; - Fomentar a cultura afro-brasileira dentro de escolas públicas localizadas em aréas periféricas na zona norte do Rio de Janeiro. - Despertar o senso de pertencimento e identificação com a cultura afro-brasileira e reconhecendo seus lugares de fala; - Fazer a cobertura na íntegra de toda circulação do espetáculo "COR DO BRASIL - o resgate da história roubada" com gravações através de equipe técnica de audiovisual. (Filmagem, fotos e captação de áudio). CONTRAPARTIDA SOCIAL - Realizar 05 Oficinas de Iniciação Teatral, com limite de 36 vagas cada, atendendo até 180 pessoas como contrapartida social;

Justificativa

Os jovens negros e pardos, moradores de periféria e com o ensino fundamental não concluído são os que mais morrem vítima de homicídio no estado do Rio de Janeiro", segundo dados do "Atlas da Violência", divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Através do CIRCUITO COR DO BRASIL pretendemos estimular a cultura negra nas escolas públicas a fim de reduzir a taxa de evasão escolar de jovens negros do ensino fundamental. Objetivando em preservar a memória e a importância da cultura afro-brasileira em futuras gerações, dito no Art. 1° I ,III e VIII da lei 8.313 de Incentivo à Cultura. I - contribuir para facilitar, a todos, os meios para o livre acesso às fontes da cultura e o pleno exercício dos direitos culturais; III - apoiar, valorizar e difundir o conjunto das manifestações culturais e seus respectivos criadores VIII - estimular a produção e difusão de bens culturais de valor universal, formadores e informadores de conhecimento, cultura e memória; O Projeto CIRCUITO COR DO BRASIL é fundamentado na Lei 10.639/03, alterada pela Lei 11.645/08, que torna obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana em todas as escolas, públicas e particulares, do ensino fundamental até o ensino médio, fortalecendo a relação da criança com sua herança cultural. Atendendo ainda a IN 02/2019 artº 22. De acordo com o Art. 3° da Lei 8313/91, o projeto segue os seguintes objetivos: II - fomento à produção cultural e artística, mediante: c) realização de exposições, festivais de arte, espetáculos de artes cênicas, de música e de folclore; IV - estímulo ao conhecimento dos bens e valores culturais, mediante: a) distribuição gratuita e pública de ingressos para espetáculos culturais e artísticos;

Estratégia de execução

O ESPETÁCULO "COR DO BRASIL - O RESGATE DA HISTORIA ROUBADA"O espetáculo terá duração de quarenta e cinco minutos e contará com uma atriz em cena, um músico nasonoplastia, produção geral e um intérprete de libras para garantir a acessibilidade à deficientes auditivos.O cenário, o figurino e o enredo do espetáculo contará com a temática afro-brasileira e serão definidos no períododa pré-produção.Será necessário o uso de som para melhor performance do espetáculo:- 1 microfones condensadores lapela para uso dos atores;- 2 microfones dinâmicos para uso da sonoplastia.- 1 Caixa de som ativa grande.- 1 Caixa de som passiva média para retorno dos artistas.- 1 Suporte para caixa de som;- 1 Mesa de som com 6 canais- 2 pedestais para suporte do microfone dinâmico. - 1 estante Para divulgação do projeto será necessário:- Identidade visual do projeto realizada por um designer;- 1 ensaio de fotos posadas com os atores;- Posts patrocinados nas redes sociais que alcancem o público alvo da região selecionada. CONTEÚDO PRAGMÁTICO OFICINA “Panderê” Tema: Os ritmos brasileiros com influências africanas.1. Alongamento dos braços e das mãos.2. Breve história da origem do instrumento e a popularização do pandeiro na música brasileira.3. Conhecendo os ritmos brasileiros.4. Aplicando ritmo e coordenação motora junto do método d’O passo em pequenos grupos de 5 participantes.5. Tirando as primeiras notas no instrumento (graves, agudos e médios)Metodologia: Será utilizado o método d’O passo, de Lucas Ciavatta, para melhor compreensão do ritmo e da unidadede tempo por todos.Número de participantes por oficina: 1 oficineiro + 30 participantes.Carga horária: 1 HORA. classificação livre Para a realização da oficina serão necessários:- Aquisição de 30 pandeiros de couro e corpo de madeira no tamanho de 10 polegadas para a realização das oficinasgratuitas;- 30 capas de pandeiro tamanho 10 polegadas feitas com material sinteco a fim de prevenção à danos materiais; Rubrica Percurssão METODOLOGIA OFICINA iNICIAÇÃO TEATRAL "NEGRO EM CENA"Tema: "Performance a partir da vivência com elementos da cultura afro-brasileira".1. Breve preparação corporal e vocal;2. Bate papo sobre a origem do teatro e referências negras;3. Esquetes com temáticas improvisadas;4. Jogos teatrais que envolvam dinâmica e coletividade;5. Montagem de uma cena improvisada com o tema sorteado.Metodologia: Roda de conversa sobre racismo e desafios da criação artística negra em cena.Número de participantes por oficina: 1 oficineiro + 30 participantes.Carga horária: 1 HORAClassificação: LIVRE

Especificação técnica

- TRANSPORTE / LOCAÇÃO: Optamos por alugar um automóvel para facilitar o transporte dos materiais necessários para a apresentação do evento bem como a equipe do projeto. - CONTRATAÇÃO EQUIPE AUDIOVISUAL PARA REGISTRAR O CIRCUITO: Será contratada uma equipe de audiovisual (filmagem, fotos e captação de áudio) para gravação do espetáculo na íntegra e cobertura do COR DO BRASIL. - INSTRUMENTO “PANDEIRO” PARA REALIZAÇÃO DAS OFICINAS: Será necessária a locação de 25 pandeiros de material couro ou nylon com corpo de madeira e tamanho de 10 polegadas para a circulação da oficina de percussão brasileira “Panderê" no COR DO BRASIL. O espetáculo terá duração de (45 MIN) quarenta e cinco minutos, com uma atriz que interpreta 21 personagens em cena e um músico na sonoplastia, produção geral e um intérprete de libras para garantir a acessibilidade à deficientes auditivos. O cenário, o figurino e o enredo do espetáculo são construídos com a temática afro-brasileira. Será necessário o uso de som para melhor performance do espetáculo: - 2 microfones condensadores lapela para uso dos atores; - 2 microfones dinâmicos para uso da sonoplastia. - 1 Caixa de som ativa grande. - 1 Caixa de som passiva média para retorno dos artistas. - 1 Suporte para caixa de som; - 1 Mesa de som com 6 canais - 2 pedestais para suporte do microfone dinâmico.

Acessibilidade

Para proporcionar o acesso a todos, o projeto CIRCUITO COR DO BRASIL, proverá cuidados especiais aos portadores de Necessidades Especiais, as exigências cumprem, a Lei 13.146/2015, que instituiu a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência. Durante todas as apresentações do espetáculo serão cumpridas as seguintes medidas: ESPETÁCULO DE ARTES CÊNICAS ACESSIBILIDADE FÍSICA: Rampas de acesso, elevadores, banheiros adaptados. ITEM DA PLANILHA ORÇAMENTÁRIA: ACESSIBILIDADE PARA DEFICIENTES AUDITIVOS: Um profissional de libras local, preferencialmente negro, será contratado para acompanhar a circulação do projeto a fim de garantir o acesso de deficientes auditivos. ITEM DA PLANILHA ORÇAMENTÁRIA: Interprete de Libras ACESSIBILIDADE PARA DEFICIENTES VISUAIS: Serão disponibilizados dispositivos móveis com audiodescrição. ITEM DA PLANILHA ORÇAMENTÁRIA: Audiodescrição OFICINA DE PERCURSSÃO BRASILEIRA - PANDERÊ ACESSIBILIDADE FÍSICA: Rampas de acesso, elevadores, banheiros adaptados. ITEM DA PLANILHA ORÇAMENTÁRIA: ACESSIBILIDADE PARA DEFICIENTES AUDITIVOS: Um profissional de libras local, preferencialmente negro, será contratado para acompanhar a circulação do projeto a fim de garantir o acesso de deficientes auditivos. ITEM DA PLANILHA ORÇAMENTÁRIA: Interprete de Libras ACESSIBILIDADE PARA DEFICIENTES VISUAIS: Proporcionaremos experiencias sensoriais, utilizando os instrumentos de percurssão se necessario, será disponibilizado a audiodescrição da oficina. ITEM DA PLANILHA ORÇAMENTÁRIA: Audiodescrição CONTRAPARTIDA SOCIAL ACESSIBILIDADE FÍSICA: Rampas de acesso, elevadores, banheiros adaptados. ITEM DA PLANILHA ORÇAMENTÁRIA: ACESSIBILIDADE PARA DEFICIENTES AUDITIVOS: Um profissional de libras local, preferencialmente negro, será contratado para acompanhar a circulação do projeto a fim de garantir o acesso de deficientes auditivos. ITEM DA PLANILHA ORÇAMENTÁRIA: Interprete de Libras ACESSIBILIDADE PARA DEFICIENTES VISUAIS: Proporcionaremos experiencias sensoriais, utilizando os instrumentos de percurssão se necessario, será disponibilizado a audiodescrição da oficina. ITEM DA PLANILHA ORÇAMENTÁRIA: Audiodescrição

Democratização do acesso

Todas as apresentações serão em escolas da rede de ensino público municipal e abertas para a comunidade presente, respeitando a capacidade máxima de lotação. Visando gerar o maior público possível para fruírem das ações do projeto de acordo com os artigos abaixo referente as medidas do Art 21º IN 02/2019 do Ministério da Cidadania: I - doar, além do previsto na alínea "a", inciso I do artigo 20, no mínimo, 20% (vinte por cento) dos produtos resultantes da execução do projeto a escolas públicas, bibliotecas, museus ou equipamentos culturais de acesso franqueado ao público, devidamente identificados; III - disponibilizar, na Internet, registros audiovisuais dos espetáculos, das exposições, das atividades de ensino e de outros eventos de caráter presencial, sem prejuízo do disposto no § 2º do Art. 22 IV - permitir a captação de imagens das atividades e de espetáculos ou autorizar sua veiculação por redes públicas de televisão e outras mídias; V - realizar, gratuitamente, atividades paralelas aos projetos, tais como ensaios abertos, estágios, cursos, treinamentos, palestras, exposições, mostras e oficinas, além da previsão do art. 22; ( OFICINA DE PERCURSSÃO BRASILEIRA - PANDERÊ - com limite de 30 vagas, aberto para a comunidade. Serão 05 Oficinas durante a execução do projeto, atendendo até 150 pessoas gratuitamente) VII - realizar ação cultural voltada ao público infantil ou infantojuvenil;

Ficha técnica

VÃO BRINCAR REALIZAÇÕES: COORDENAÇÃO DO PROJETO - Gerenciar a execução do cronograma, estando atendo ao tempo, custo e modificações que surjam durante o desenvolvimento, será o integrador do projeto com habilidades de liderança, facilitação, coordenação de tarefas, comunicação e conhecimento de gerência de projetos. Em 2018 produziu o projeto TEATRO PARA PROVOCAR TEATRO - contemplado em lei estadual de cultura, SECULT/ES. Em 2020 coordenou o projeto CIRCUITO MALUNGO NAS ESCOLAS CAPIXABAS, contemplado pela Lei Rouanet e com patrocínio do Instituto Cultural Vale. No mesmo ano realizou a serie virtual de histórias para crianças em parceria com o Museu Vale. DANA OLIVER: ATRIZ E OFICINEIRA- Formada em licenciatura em Artes pela Universidade Claretiano, técnica em Teatro pela FAFI/ES e MBA em Gestão de Projetos. Possui mais uma década de experiência no teatro,cinema e tv. Foi educadora teatral nas atividades socioeducativas do Núcleo Afro Odomodê no resgate da cultura afro-brasileira através Coordenação de Políticas dos Direitos da Juventude em Vitória/ES. Ganhou o prêmio de melhor atriz com o espetáculo - O Cortiço dos Anjos (2018). No cinema, foi protagonista do filme - Abelha Rainha (2019), um curta-metragem da Caju Produções, lhe rendeu o prêmio de melhor atriz no Cine Açude Grande em Cajazeiras/PA. Em 2020 integrou a “Ocupação Ovárias”, movimento indicado ao Prêmio Shell de Teatro em 2019, pela Inovação em fomentar o protagonismo artístico das mulheres negras. CANARINHO PRODUTORA: COORDENAÇÃO DE PRODUÇÃO - Realizará o processo de seleção e comunicação com as escolas locais definidas juntamente com a gestão do projeto no período de pré-produção, executando as visitas técnicas, fazendo observações e comunicação direta com a gestão do projeto de modo a supervisionar a instalação dos equipamentos necessários para as apresentações do espetáculo e espaço para a realização das contrapartidas. Em 2020 produziu o projeto CIRCUITO MALUNGO NAS ESCOLAS CAPIXABAS, contemplado pela Lei Rouanet e com patrocínio do Instituto Cultural Vale. Também foi selecionada no Edital Retomada Cultural e Fomento a todas às artes pela SECEC - RJ com o PROJETO VIVA AFRO! Em 2021 foi vencedora do 1º Edital Cultural Qualicult, com o espetáculo - Cor do Brasil - O resgate da história roubada, tendo Ayrton Graça, Leci Brandão e Lucinha Lins na banca de examinadores. RAPHA MORRET: MÚSICO E OFICINEIRO DE PERCUSSÃO. Possui formação técnico musical em percussão pela Faetec/RJ. Foi educadora musical do Sesc, Cacique de Ramos e Som das Comunidades. Já tocou com artistas: Teresa Cristina, LanLanh, Dorina, Áurea Martins. Desenvolveu um módulo do workshop “O teatro e a rua” e projeto “Beleza Negra”, contemplados pela Prefeitura do RJ em 2016 e 2017 em parceria com o Grupo Teatral Aslucianas. É idealizadora dos projetos: Empandeiradas, Firula Nossa e Raízes. RAMON DA MATTA - DRAMATURGO E DIRETOR - Ator, Dramaturgo e Diretor, natural de Minas Gerais, tem formação nos cursos do Centro de Pesquisa Nansen Araújo no SESI Minas, atualmente tem sua trajetória artistica reconhecida no Rio de Janeiro, tendo se destacado nas oficinas teatrais orientadas pelo diretor Amir Haddad do Grupo Tá na Rua, com formação na consagrada escola técnica de teatro Martins Penna, também realizou cursos livres na Casa de Artes de Laranjeiras - CAL . Atuou nos espetáculo " Festa no Céu" e "As Aristogatas" sob direção de Wesley Marchiori, além desse também teve como diretor Luiz Arthur em "A Comédia do trabalho" e Amaury Borges em "Querô: uma reportagem maldita". Na direção trabalhou no espetáculo "Um inimigo do povo" juntamente com Caio Camargo e no Teatro de Rua em parceria com Amir Haddad. Na dramaturgia assina o espetáculo "As Palavras" do Teatro Virtual Preto, tambem escreveu e dirigiu a peça "Era uma vez o Dragão" premiado dentro do FESTU RIO 2021 e a peça "Cor do Brasil - O resgate da história roubada" espetáculo selecionado no edital Qualicult 2021.

Providência

PROJETO ARQUIVADO.