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PRONAC 2413540Projeto encerrado por excesso de prazo sem captaçãoMecenato

O Cortiço dos Anjos

DAIANA RODRIGUES OLIVEIRA
Solicitado
R$ 191,8 mil
Aprovado
R$ 191,8 mil
Captado
R$ 0,00
Outras fontes
R$ 0,00

Análise IA

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Eficiência de captação

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Classificação

Área
—
Segmento
Apresentação ou Performance de Teatro
Enquadramento
Artigo 18
Tipologia
Projetos normais
Ano
24

Localização e período

UF principal
ES
Município
Vila Velha
Início
2025-02-01
Término
2025-12-30
Locais de realização (2)
Vitória Espírito SantoRio de Janeiro Rio de Janeiro

Resumo

O projeto "O Cortiço dos Anjos - idealizado pela Trupe Iá Pocô, prevê 6 apresentações da peça "O Cortiço dos Anjos", na cidade do Rio de Janeiro, escrita e dirigida por Rodrigo Paouto, serão 3 dias com 2 sessões cada, como contrapartida o projeto era disponibilizar 2 oficinas de ação formativa cultural para a comunidade e um debate entre atores e platéia sobre o processo criativo do espetáculo.Propomos ao público refletir sobre a maneira como costumam ocorrer as relações entre as pessoas, ao colocar no palco quatro personagens que depõem a um delegado de Polícia sobre o assassinato de uma garota de programa com a qual tiveram alguma espécie de relacionamento. Num efeito natural, cada personagem acaba por contar também dolorosas tragédias de suas próprias histórias de vida. Com isto, revela-se ao longo da peça a fragilidade e a vulnerabilidade do ser humano no mundo em que tem que viver, reveladas em suas relações com as outras pessoas e com seu meio ambiente.

Sinopse

O Quintal de Histórias O CORTIÇO DOS ANJOSRodrigo Paouto PERSONAGENS:D. SELMA:LADY DOMANNA:CECÍLIA:SILVANA: PrólogoPANO FECHADO – Os personagens já estarão em foco de pino, emparelhados no proscênio, inexpressivos e eretos. Vestem roupas pretas e neutras.O PÚBLICO ENTRA:MÚSICA:________________________________________________________________________________________________________________________TODOS: O amor nada mais é, do que a necessidade de sublimar aquilo que aos olhos dos outros é tão simples! Mataram Teresa. Teresa está morta...LADY DOMANNA: O Beco do Italiano fica bem perto do porto. Uma rua paralela ao muro do colégio dos padres, estreita e sem saída, fedida a peixe podre, mijo e merda. Hoje em dia aquele lugar está tão miserável quanto sua clientela, com alguns poucos bares abarrotados de bêbados, mendigos e drogados, mas lembro-me bem que nem sempre foi assim, pois foi naquele lugar que fui verdadeiramente amada, desejada e aplaudida pela primeira vez. D. SELMA: Deus é testemunha que eu jamais coloquei um só dedo naquele lugar. Já me incomodava ter que passar em frente aquele antro de aberrações sempre que saia do culto nas noites de terças e quintas feiras. De longe já era possível ouvir as gargalhadas dos vagabundos e das mulheres de vida fácil... Assim, do outro lado da avenida. Também conseguia sentir o cheiro de carne pútrida na perdição do pecado. O Beco do Italiano configura perfeitamente o inferno na terra. Deus que meproteja daquele lugar.SILVANA: A Casa do Portão Rosa ficava no fim do Beco... Rua Crisântemo, número 34. Uma casa grande com portas e janelões de madeira polida e muitas flores nas varandas. Quando D. Marluce estava de bom humor e não me batia, me obrigando a lavar aqueles penicos nojentos do puteiro, ou aqueles lençóis amarelados com cheiro de perfume barato misturado a suor de marinheiro e porra seca, eu brincava no Beco, mas brincava sozinha, pois eu era a única criança que vivia ali... Se eu me metesse a besta e reclamasse de qualquer coisa, D. Marluce me dava um tapa na boca e falava que eu tinha sorte por ela ter me deixado viver... Fui a única criança que vingou no Beco do Italiano. (Bebe) Dona Marluce? Morreu de câncer nos seios! (Sorri). CECÍLIA: Cheguei a acreditar que depois que minha condicional saísse me sentiria uma mulher livre, e que não precisaria colocar meus pés no Beco do Italiano novamente. Aquele lugar suja minha alma de lembranças dolorosas, (Breve Pausa) mas confesso que senti falta da porra daquele Beco, pois aquele lugar me fazia sentir em casa. Depois de alguns anos presa, já convencida da minha vida miserável, cercada por vagabundas e escorias, percebi que o Beco do Italiano era o que mais próximo eu tinha de um lar, mas aquele lugar jogava na minha cara uma verdade que jamais conseguiria esquecer. Jamais fui ou serei uma mulher livre! Os personagens ainda inexpressivos cantam o trecho da música “PEDAÇO DE MIM” de Chico Buarque, acompanhados pelo violão.TODOS: (Cantam) Oh, pedaço de mimOh, metade afastada de mimLeva o teu olharQue a saudade é o pior tormentoÉ pior do que o esquecimentoÉ pior do que se entrevarOh, pedaço de mim Oh, metade exilada de mimLeva os teus sinaisQue a saudade dói como um barcoQue aos poucos descreve um arcoE evita atracar no caisOh, pedaço de mimOh, metade adorada de mimLeva os olhos meusQue a saudade é o pior castigoE eu não quero levar comigoA mortalha do amorAdeusAos poucos, em fade in, no pano que ainda está fechado atrás de suas costas, o nome do espetáculo é projetado INICIANDO O ESPETÁCULO – O CORTIÇO DOS ANJOS. TODOS: Mataram Teresa. Teresa está morta...O PANO SE ABRE nos segundos finais da cena revelando o cenário. CENA 01PANO ABERTO – O cenário é revelado, este é composto por praticáveis que fragmentarão o espaço cênico. Estes fragmentos serão respectivamente projetados e caracterizados com elementos cênicos de acordo com o contexto dos personagens e suas histórias. Ao fundo desce um painel branco, estreito que receberá as projeções.Os fragmentos (praticáveis) estarão em penumbra, iluminados em resistência apenas pelas luzes de interrogatório.SOM DE SUBURBIO_______________________________________________________________________________________________________________Os personagens postam-se em suas respectivas cadeiras em movimentos performáticos.NESTE MOMENTO COMEÇA-SE O INTERROGATÓRIO – Em alusão à presença de um investigador, os personagens interatuarão como sob o interrogatório pela morte de Teresa.TODOS: (Em pé) O amor nada mais é, do que a necessidade de sublimar aquilo que aos olhos dos outros é tão simples!FOCO EM CECÍLIA:CECÍLIA: (Para o delegado ficcional) É foda! Eu podia jurar que ia ficar um bom tempo sem olhar para sua cara, delegado. (pausa) Não vem com esta, não! Já vou dizendo de uma vez por todas que não tenho nada com a morte de Teresa. Estou agindo como manda o figurino por conta da minha condicional (Disfarça) Estou limpa a mais de um ano! (Pausa) O senhor sabe que passaram a Creuza? Foi só ela voltar para a cadeia. (Satisfeita) Encontraram o corpo dela no chuveiro. Degolada! Ainda bem que eu já nem estava mais naquele inferno, ou o sangue da vagabunda ia respingar em mim. O senhor sabe que ela queria me foder lá dentro, não sabe?! Era muito possessiva... Achava que eu ia ficar no rastro dela. Me tratava como um brinquedinho. Se fodeu! Não é toda mulher que aguenta desaforo! Degolada igual uma galinha. Vagabunda!TODOS: ... Cecília Maria de Sousa. Sapatão e ex-presidiária!MÚSICA________________________________________________________________________________________________________________________ CECÍLIA1º - INSIGHT -1Projeção: A Cobrança.LADY DOMANNA E CECÍLIA ESTÃO EM CENA. Cecília BATE À PORTA, procurando por SILVANA:CECÍLIA: (Nervosa) Abre a porra desta porta, Silvana. Eu sei que você está aí dentro, sua filha da puta! Já te dei muito boi. Quero meu dinheiro. Abre! (Para Lady Domanna) Cadê a chave desta porta, Domanna? Você tem a chave desta porra!LADY DOMANNA: Tenho sim, mas não vou te dar. (Impaciente) Já faz três dias que vejo você igual uma maluca atrás da Silvana. Você acha mesmo que ela tem algum tostão para te dar, Sapatão? Uma fodida!CECÍLIA: Quer que eu faça o que? Se ela não me pagar, eu que me fodo. (Volta a bater na porta) Abre a porra desta porta, sua viciada.LADY DOMANNA: Quanto ela te deve?CECÍLIA: Cinquenta mangos...LADY DOMANNA: Está bem. Eu pago!CECÍLIA: (Surpresa) Você?LADY DOMANNA: Eu pago. Depois eu cobro dela com alguns bicos, mas o que vou te pedir agora, eu já te pedi antes, e esta vai ser a última vez. (Autoritária) Não venda mais droga para a Silvana. É burrice sua vender...CECÍLIA: (Irritada) Ah viado, não me fode... LADY DOMANNA: (Ameaçadora) Nem para Silvana, e nem para ninguém que mora aqui. Não quero polícia batendo na minha porta. Meu cortiço não é o Bar do Italiano para você deitar e bordar. (Tira o dinheiro do sutiã e entrega para Cecília) Depois vai em casa para gente beber...LADY DOMANNA SAI:CECÍLIA ACENDE UM CIGARRO -CECÍLIA SE DESTACA:CECÍLIA: O grande movimento do Bar do Italiano era a referência para quem queria todo o tipo de diversão, e este sucesso deu nome ao Beco. Eu estava trabalhando no Bar na noite que conheci Sofia. Estava atendendo no balcão quando ela apareceu do nada, bêbada e imunda igual uma porca.TODOS: ...Oi gata. Preciso de uma ajudinha sua. Você tem um absorvente aí?CECÍLIA: A filha da puta estava tão ruim que me senti obrigada a leva-la no banheiro, ou depois eu que teria que limpar o vômito da vagabunda. No banheiro, ela lavou o rosto enquanto eu segurava seu cabelo, e a toda hora me perguntava se eu tinha pó ou erva. Pior que eu tinha. Ela se agarrou no meu braço e me puxou para perto do vaso sanitário, e sem qualquer vergonha na cara tirou a calça de couro que usava, estava sem calcinha, e enquanto mijava olhava fixamente para os meus olhos... Safada! Como se estivesse me testando. Naquele momento me dei conta que Sofia era muito bonita, apesar do lixo que se encontrava... Foi quando com um sorriso safado na cara, disse.TODOS: Vou te falar uma verdade, gata. Faz tempo que tenho vontade de tirar a roupa para você. Quero te comer esta noite!CECÍLIA: (Repete) “Quero te comer esta noite”... Algumas horas depois fomos para meu quarto. Um lugar miserável que o Italiano me deixava dormir de favor. Sofia já estava melhor quando entrou e se jogou em minha cama, tirou os sapatos sacudindoseus pés, e novamente tirou as calças, mas naquela hora usou meu travesseiro para esconder sua nudez. Pequei o pó que eu tinha escondido em um buraco na parede e cheiramos sobre um livro velho que eu usava para apoiar uma porta quebrada do roupeiro. Sofia era uma mulher de aproximadamente 30 anos, cabelos negros, bem cuidados e escorridos, e tinha a pele branca como a névoa. Assim como os cabelos, seus olhos brilhavam como uma esfera negra, um precipício sem fim. Sua boca carnuda e vermelha dispensava o batom borrado, e os traços de seu rosto me lembrava mulheres de antigas pinturas. Eu podia perceber que era uma mulher rica pelos gestos delicados, pelas roupas caras e pelo perfume que realçava ainda mais sua perfeição de fêmea. Ela começou a beijar bem aqui (Passa a mão na nuca) Em minha nuca, enquanto com as pontas dos dedos massageava meus cabelos de baixo para cima. Naquela hora me senti a vontade e permiti que ela nos guiasse. Estávamos prestes a nos entregar em uma dança de luxuria e desejo, e ela que controlaria todos os meus passos.Com um gesto delicado e ao mesmo tempo forte ela me deitou em suas pernas, o que possibilitou que eu ficasse sob seu queixo, foi quando, com os olhos fechados, ela começou a roçar seu rosto no meu, bem lentamente, e nos momentos em que nossos lábios estavam prestes a se encontrar, propositalmente hesitava. (Breve Pausa) Isso me excitava ainda mais eme fazia desejar sentir seu gosto na minha boca... A cada segundo! CENA 2FOCO EM D. SELMA:D. SELMA: Para mim nada é mais importante do que a família. Deus colocou a mulher na terra para o homem e o homem para a mulher, e esta união sagrada gerará filhos que serão abençoados. (Clama) Glória a nosso todo poderoso! (Para o delegado ficcional) O senhor é religioso? Tem jeito de homem sério e crente em Deus. Deve ser! Não deve ser fácil presenciar tanta atrocidade sem fé e sem força. Tenho certeza que é um trabalho difícil, mas não para quem tem deus no coração! (Pensa) O fim dos tempos está muito próximo. O senhor sabe disso, não é?! (Enfática) Sabe... O senhor mais do que ninguém sabe como este mundo está podre. Oh, Glória! (Pausa) Antes do senhor começar a me fazer perguntas, posso lhe perguntar se encontrou algo no apartamento de Teresa? Que deus lhe dê um julgamento com base no amor! Cá entre nós, só deus pode julgar, mas Teresa estava fadada a um fim desonroso. Uma mulher não pode ser tão livre, desfrutável... Não pode se deitar com homem casado, não pode querer se igualar ao homem... Está na bíblia!TODOS: ... Selma Junqueira da Silva. Crente safada!MÚSICA________________________________________________________________________________________________________________________D.SELMA2º - INSIGHT - 1Projeção – A Traição.Escada qualquer do Cortiço – D. Selma se senta com uma bíblia em baixo do braço, está desolada e chora contidamente:D. SELMA: (Canta um hino de igreja) Na casa de meu pai há unção e há poder (2x)E o demônio sai...sai...saiE a fofoca cai... cai... cai...E a doença sai... sai... sai...E não volta mais.O cego enxerga,O cocho anda,O morto se levantaPara adorar a deus (2x)Entra Cecília e percebe o pranto de D. Selma:CECÍLIA: Selma? O que está fazendo aí?D. SELMA: Me deixa! Siga seu rumo na paz do senhor.CECÍLIA: (Percebe que D. Selma chora) O que aconteceu, Selma, por que está chorando?D. SELMA: (Consigo) Que Deus o perdoe, pois homem que trai sua esposa está pecando. Meu Deus é justo! (Para Cecília) Meu Deus é justo!CECÍLIA: Oh, mulher! Já sei o que aconteceu. Descobriu que seu homem está te colocando chifre. Não foi?D. SELMA: (Se volta contra Cecília) Vamos! Pode se deleitar de minha dor, Satanás, pois meu sofrimento é passageiro, mas sua derrota será eterna. Meu marido foi levado para aquele antro de perdição por vocês. Tenho certeza que foi Teresa, aquela desfrutável... Vadia! (Chora enquanto se benze).CECÍLIA: Homem nenhum presta, mulher. Seu marido não podia ser diferente!D. SELMA: Cristiano era um homem de Deus. Um homem santo! Este lugar é criação do diabo. Odeio este lugar.ENTRA LADY DOMANNA:LADY DOMANNA: Que está acontecendo aqui Cecília?CECÍLIA: Ela descobriu sobre o marido...D. SELMA: (Indignada) O que, só eu que ainda não sabia desta podridão?LADY DOMANNA: Sabia o que? Que toda terça feira seu marido ia comer as putas da casa do portão rosa? Todas nós sabíamos sim, e acreditávamos que você também sabia e estava fazendo vista grossa.D. SELMA: (Colérica) Eu jamais compactuaria com esta perversão. Não consigo nem entrar em casa. Não sei como vou olhar para acara daquele desavergonhado. Tenho certeza que foi a Teresa que levou ele para aquele lugar. Tenho certeza!LADY DOMANNA: Olha que não quero barraco no meu cortiço. Acho melhor você se acalmar. Pegue suas coisas e vá esfriar a cabeça em algum outro lugar. Vá para a casa de sua mãe!D. SELMA SE DESTACA:D. SELMA: Minha mãe faleceu quando eu ainda era menina de colo. Que Deus a tenha! Meu pai era pastor da nossa igreja, e meu irmão seguiu com honra seus passos. Eu me casei aos 17 anos, (Enfática) virgem, dentro da igreja de nosso senhor, sob sua benção sagrada. Cristiano, meu marido, sempre foi da igreja, e meu pai jamais abriu mão disso. Sua filha só se casaria com um homem de deus. (Divaga) Este negócio de amor é coisa do mundo, pois o amor verdadeiro eu só tenho por meu deus. Só a ele pertence meu coração, meu corpo e minha alma. Oh, Glória!Cristiano é dez anos mais velho que eu. O conheci quando completei 16 anos. Foi meu pai que me levou a ele, e logo na primeira semana ele veio pedir minha mão. Namorei em casa por seis meses, e logo depois nos casamos. Casei-me virgem como manda os mandamentos de nosso deus. Em nossa noite de núpcias chovia muito. Meu pai nos deu carona até a casa de Cristiano, logo após as comemorações. Naqueles poucos minutos de viagem ele tentava inutilmente esboçar uma conversa animada, ressaltando os benefícios da vida a dois. Ele sabia que eu não estava bem, e ainda mais, sabia que estava levando sua própria filha para o abate, como um animal vendido, um pedaço de carne, um pagamento para um favor qualquer...O silêncio que reinava só era deturpado pelo som dos pesados pingos de chuva que caia no capô do carro. Cristiano estava feliz, mas sentia que eu não era totalmente recíproca naquela felicidade, pois naquela noite eu deveria virar mulher, sua mulher... Aquilo me enojava, pois sou uma mulher de deus... Pura... E homem nenhum jamais havia tocado em meu corpo. CENA 03FOCO EM LADY DOMANNA:LADY DOMANNA: (Sentando-se) O senhor não quer mesmo um cafezinho ou uma água? (Pausa) Me desculpe a bagunça, mas é que faz tanto tempo que não recebo homem algum nesta casa, que... (Saliente) Quer saber? Vou parar de lhe tratar por senhor, afinal você é muito moço para este tratamento. (Disfarça a negativa) Se o SENHOR quiser pode se sentar, só tire este livro daí, por favor, com cuidado para não tirar da página... Poesia... Adoro poesia. O senhor lê poesia? Não... Claro que não! (Desconfiada) Tem uma caneta dentro desta gaveta, mas o senhor vai mesmo anotar tudo que eu falar?(Pausa) ... Meu nome?TODOS: (Interpela) Genivaldo de José Neto. Nascido na cidade de Conceição da Paraíba no ano de mil novecentos e alguma coisa...LADY DOMANNA: (Continua como se repetindo)... Mil novecentos e alguma coisa (Irritada) “Oxe” que tenho mesmo que dizer minha idade? Faz bons anos que ninguém se interessa por meu verdadeiro nome, e eu bem prefiro assim, pois ele não me representa mais, e não me trás coisa boa. (Pausa e bebe algo) Domanna. Lady Domanna na verdade! Gosto deste tratamento! Este sim... Este nome eu tenho orgulho de carregar... Lady Domanna.MÚSICA________________________________________________________________________________________________________________________LADY DOMANNA3º - INSIGHT – 1Projeção – O Revéillon.Pátio do Cortiço – As Personagens estão levemente embriagadas, em clima de festa e algazarra, mesmo Dona Selma se diverte à sua maneira:CECÍLIA: (Como continuando uma conversa) ... Pois ninguém é perfeito, e todas nós temos podres em nossa história! (Rindo) (Para Dona Selma) As que se acham santas são as que tem o rabo mais sujo!D. SELMA: (Ignora e come algo)CECÍLIA: Me admira a Teresa sair daqui justo agora, pois ela sempre é a primeira a começar a falar de putaria.LADY DOMANNA: A amapoa deve estar vomitando no meu banheiro. Vou lá agora! Ai dela se fizer bagunça...SILVANA: Ô caralho, que você vai sair daqui agora! É sua vez de falar.CECÍLIA: É isso mesmo, bicha! Senta aí e nos conte como foi a primeira vez que você liberou esse rabo gordo! (Serve bebida à Lady Domanna).LADY DOMANNA: Mas você gosta de uma fofoca, não é sapatão?! (Sorri irônica)SILVANA: Vai logo ao ponto, travesti. Este papinho está me dando sono. Queremos saber quem foi seu primeiro homem!LADY DOMANNA: (Hesita) Pois vocês fiquem sabendo que esta história não me faz bem. Prefiro não me recordar de certas coisas...CECÍLIA: Porra nenhuma! Para de frescura... É sua vez de falar!SILVANA: (Embriagada) Sua bicha podre! Pois eu não disse? Todos nós temos podres em nossa história!LADY DOMANNA SE DESTACA:LADY DOMANNA: ... Meu primeiro homem foi meu irmão. Ele me estuprou quando eu tinha doze anos!Minha família toda é de Conceição, da Paraíba. Vivíamos uma vida miserável, de favor em um sitio no interior do estado. Sabe aquelas coisas que não sai da cabeça? Lembranças que se enraízam no nosso cérebro, e por mais que tentamos esquecer, por mais que doa, a gente não consegue. Aquelas lembranças que nos fazem quem somos... Sabe? Minha família chegou na cidade de Conceição com um grupo de retirantes que fugia da seca e da morte lenta. Éramos eu, meu pai, minha mãezinha, minha irmã, e Fabiano meu irmão mais velho. Lembro da gente cortando quilômetros e mais quilômetros de chãoseco e poeirento, quase sem água, sem comida e sem esperança. Minha mãe era devota de nossa senhora aparecida, e a fé dela nos fez resistir a cada passo naquela estrada branca feito mármore e quente feito brasa.LADY DOMANNA: ... Elenice, minha irmã, um tiquinho mais velha, tinha um vestidinho surrado que eu achava lindo, ele era rodado, um laço nas costas, e todo bordado. Foi minha mãe que o fez para sua primeira comunhão (Pausa)... Eu costumava vesti-lo quando estava sozinho em casa. Me sentia deslumbrante! No começo era só o vestido, mas logo me peguei usando também seus sapatos, seu sutiã, e até mesmo suas calcinhas. (Pensa) Faz é muito tempo, nem pelos pubianos eu tinha naquela época. Sempre me senti um menino horroroso, quadrado e sem graça, mas quando vestia as roupas de minha irmã me sentia linda, muito mais do que ela poderia ser algum dia. (sorri) Desejava que fosse tudo diferente em mim, meus cabelos, minhas mãos, meus peitos, minha voz, meu andar... Meu nome. Mesmo com a pouca idade eu sentia que aquilo não era normal, tudo me parecia proibido... Errado... Tudo me parecia pecado, mas me sentia diferente de todos, além de que, ainda muito mais novo, os moleques da rua já me chamavam de Geni Bichinha. O amargo que sinto no coração nem se dá às ofensas, mas sim por não saber quem ou o que eu realmente era.TODOS: ...Geni Bichinha... Geni Bichinha... Bichinha... Geni... Viado!Me lembro de ser viado desde que me entendo por gente, só não sabia o que isso significava!Meus pais? Não se podia fazer muita coisa. Como uma santa, minha mãe me apertava em seu peito quando me via chorando pelos cantos, já meu pai, ao contrário, um homem xucro e sem sentimento algum, me batia quase todas as noites. Meu irmão me odiava, e só para me ver apanhando contava ao meu pai sobre as afrontas dos meninos da rua. Meu pai me puxava pelo braço, me batia com medo de ser verdade o que eles diziam. Ele não suportava a ideia de ter um filho “Flozô” como ele mesmo falava.Desde criança eu já era glamorosa, mas já com doze anos eu não tinha desejo algum por sexo, pois não sabia o que era, (Enfatiza) Nem punheta eu batia, mas tudo mudou depois de uma noite que Fabiano chegou em casa. Suspeitando de alguma coisa entrou em silêncio e me viu vestido com as roupas e minha irmã. Percebi que ele se assustou à princípio e ficou sem reação, ali na minha frente, abobado, mas logo o ódio tomou conta de seu coração e começou a me bater. Eu chorava baixo, pois tinha medo de que alguém mais entrasse ali e me visse com o vestido da minha irmã. Ele me empurrou pelos ombros o que me fez cair de joelhos no chão, e quando tentava me levantar para sair no pinote, ele se postou na minha frente e começou a esfregar a minha cara no seu pau, ainda dentro das calças.TODOS: ... Seu flozô, não é isso que você quer? Não é isso?... É isso sim... É isso sim. CENA 04FOCO EM SILVANA:SILVANA: (Para o Delegado) Porra nenhuma! Aqui dentro o Delegado não vai encontrar nada. (Brava) Eu não tenho nada a ver com a morte de Teresa. Mas eu tenho certeza que o senhor já deve estar pensando o contrário. Claro! A cachaceira assassina do Cortiço da Domanna! Pois o senhor, autoridade, fique sabendo que não sou eu quem já passou um bom tempo no xilindró. (Consigo) Vai tomar no cu! (Para o Delegado) Aposto que já foram falar merda no seu ouvido. Tô cansada da porra deste lugar miserável (Pausa) Eu sabia! Eu tinha certeza que a coisa ia feder para o meu lado. Sempre foi assim! Nem morta a vagabunda da Teresa me deixa em paz...TODOS: ... Silvana. A Filha da Puta.SILVANA SE DESTACA:MÚSICA________________________________________________________________________________________________________________________SILVANA4º - INSIGHT - 1Projeção – A SERVA.CECÍLIA E SILVANA SE DROGAM – USAM COCAÍNA.SILVANA: Esta semana está sendo um inferno! Puta que o pariu... Estou na merda!CECÍLIA: Esta merda de vida parece que está ficando cada dia mais difícil, caralho! Tem hora que me pergunto se um dia vou sair deste cortiço.SILVANA: Não me importo em ficar no cortiço. Aqui é muito melhor do que a casa das putas.CECÍLIA: (Divaga) A Casa do Portão rosa já foi melhor. Sinto saudades. Hoje em dia está mais podre do que um banheiro público.SILVANA: Não tenho saudade nenhuma! Aquele lugar me faz lembrar um necrotério. Tudo foi muito bem escondido, mas sei que minha mãe não foi a única que morreu às minguas nas mãos daquela desgraçada.CECÍLIA: Dona Marluce era uma mulher de muitas caras. Ela foi mais que uma mãe para mim... Muito mais que minha própria mãe.CECÍLIA SAI.SILVANA SE DESTACA:SILVANA: Eu cresci no Beco do Italiano. Nunca tive oportunidade de ir para outro lugar. Oportunidade de conhecer coisa nova, de estudar, de viajar, de ter outra vida. Já nasci fodida, e hoje nem acredito mais que tive alguma sorte quando a Dona Marluce conseguiu me tirar viva da barriga de minha mãe, que já estava morta. (Breve Pausa) Tem hora que me dá vontade de estar morta também. Ia dar no mesmo. Grande merda!Eu sei que meu nome é Silvana, mas não sei se tenho um sobrenome, pois ninguém sabia o sobrenome da minha mãe, apenas o primeiro nome, Catarina. Minha mãe foi uma das putas da Casa do Portão Rosa.Falavam que eu fui a única criança que Dona Marluce deixou nascer. Muitas de suas putas embucharam, mas tinham que tirar, ou deixar a casa. Nenhuma delas teve a coragem de deixar a casa!Consegui nascer porque minha mãe foi esperta, e conseguiu disfarçar a barriga que crescia (Breve Pausa) Quando a barriga começou a aparecer ela se enrolava com tiras de lençol e apertava forte para me esconder, e a cada mês ela apertava mais e mais... Até o dia que não foi mais possível. Não sei muita coisa da história de minha mãe, mas me disseram que foi meu avô que a deixou naquele puteiro, depois de quase morrer de tanto apanhar. O velho descobriu que ela não era mais virgem e quase a matou. Mesmo aos cuidados de Dona Marluce, minha mãe beirou a morte por causa de tanta tristeza.Mas não pense que Dona Marluce, aquela puta velha, foi boa gente. O caralho! Era o demônio em corpo de mulher, pois não tinha coração. Só queria saber da casa cheia de macho rico, de coisa cara e de dinheiro vivo.Minha mãe, não aguentando mais as fortes dores, foi levada até Dona Marluce. Foi nesta noite que a puta velha soube que eu estava para nascer. Minha mãe passou horas sofrendo de dor, e mesmo a pedido das outras meninas, a velha desgraçada não teve coragem de chamar uma ambulância, pois tinha medo que a policia fechasse sua casa.TODOS: Não vou perder meu patrimônio por causa de uma vagabunda!SILVANA: Assim como já havia feito com outras putas, Dona Marluce se meteu à parteira e tentou fazer um parto normal, mas já naquela hora minha mãe desfalecia, e sem forças morreu em cima da mesa grande, no centro da sala.Dona Marluce ficou desesperada, pois pela primeira vez uma puta havia morrido na Casa do Portão Rosa, e ainda mais,morreu em suas mãos, pois ela lhe negou socorro, e isso deixou a velha histérica. Foi quando ela ordenou aos berros, que suas meninas se trancassem em seus quartos, com exceção das duas mais velhas, que ficaram para ajudar a me tirar de dentro da barriga da minha mãe, e dar um fim ao seu corpo. Eu soube que foi ela própria, Dona Marluce, que fez questão de me tirar ainda com vida, e foi ela mesma que me deu um nome. Algumas falavam que Dona Marluce me via com uma filha, mas eu sempre soube que a velha miserável me via como uma escrava. E muitas vezes, ela cochichava nos meus ouvidos.TODOS: Te deixei viva para que você pague todo o prejuízo que a puta da sua mãe me deixou. CENA 5MÚSICA________________________________________________________________________________________________________________________LADY DOMANNA3º - INSIGHT – 2LADY DOMANNA: Fabiano tirou o pau para fora e esfregava na minha cara com mais força. Já tinha visto meu irmão nu algumas vezes, mas não o conhecia homem. Naquele momento eu percebi que mesmo com poucos anos a mais que eu, ele já havia crescido. Ele agarrou minha cabeça com ambas as mãos e me perguntou o que eu queria... Chupar seu pau ou apanhar ainda mais, como uma mulherzinha, como uma rapariga... Ele me deu um tapa forte na cara, e logo meteu o pau na minha boca, socava com força quase me fazendo vomitar. Foi nesta hora que cravei as minhas unhas em sua cocha até sangrar, ele deu um grito e quando achei que ele ia me soltar, ele me jogou no chão, me virou com força, levantou o meu vestido e me machucando muito, meteu aquilo tudo dentro de mim.TODOS: Afasta-te de mim satanás! Não terá poder sobre minha carne e minha alma...A dor que senti naquela noite me assombra até hoje. Depois daquele dia eu jamais voltei a ser o Genivaldo de José. Meu irmão me mostrou da maneira mais cruel o que eu seria por todo o resto da minha vida. Ele voltou a abusar de mim por muitas outras vezes, por muitos anos. Vivi tudo em segredo, por medo de tudo, medo de ser odiado por minha mãe e ainda mais por meu pai, mas hoje sei que me calei mesmo por pura pena de meu irmão... No começo eu sentia ódio e nojo, e meu desejo era matar Fabiano. Uma noite, depois da festa de São João, ele chegou em casa muito bêbado, meus pais já estava dormindo e minha irmã já morava com o noivo. Fabiano entrou vomitando, e procurou logo o banheiro. Fingindo que dormia, consegui vê-lo nu tentando se equilibrar em baixo da bica d´agua que fazia a vez de um chuveiro improvisado. Ele já não tinha mais corpo de menino, pois estava mais musculoso e tinha o corpo coberto de pelos... Cheirava a homem... Tinha o cheiro de meu pai... Me virei pro canto e adormeci. Naquela madrugada tive um pesadelo. Fabiano tinha corpo de bicho, todo peludo, e nas mãos trazia a cabeça de minha mãe; Acordei assustada e chorando baixo. Fabiano dormia em sua cama, estava descoberto e vestia uma cueca frouxa. Fiquei ali, sentada por alguns minutos, observando a meu irmão que roncava feito um porco. Me lembrei da faca que meu pai usava para matar criação, me levantei em silêncio e fui até a cozinha pegar a faca, acendi um candeeiro e me aproximei de meu irmão. Fabiano tinha bebido tanto, que se eu quisesse podia ter enfiado o dedo no seu cu, que ele ia continuar roncando, por isso foi fácil quandopeguei seu pau lentamente com uma das mãos, e com a outra encostei nele, bem devagarinho, o fio da faca afiada. Me bastava um movimento, um puxão e Fabiano nunca mais seria um homem de verdade. Sentiria na pele o que eu sinto, e sofreria como eu sofria (Pausa) Não fui capaz de fazer, mas mesmo assim me senti superior e percebi que não precisava daquilo para me sentir livre. Naquela mesma noite dei um beijo na testa de minha mãe, peguei alguns panos de bunda, o vestido de minha irmã, e caí na estrada.(Pausa) Isso faz tanto tempo que nem me recordo mais como era o rosto da minha família. ... Depois daquela noite passei a ter orgulho da mulher que tinha dentro de mim.Eu peguei carona na estrada com um caminhoneiro, inclusive me lembro de seu nome, Caetano, ele estava a caminho do porto, e foi na estrada que ele me falou sobre o Beco do Italiano. Fiquei deslumbrada e senti que lá seria uma bom lugar para começar uma vida nova.Cheguei na madrugada de uma quarta feira. Caia uma garoa fina e o beco estava com pouco movimento, mas mesmo assim havia um bar aberto, o bar do Italiano. Caetano havia me dito que aquele bar era novo, mas que a qualidade do seu serviço já se destacava entre os outros. Disse ainda que era muito amigo do dono, e se eu quisesse ele poderia tentar um emprego para mim, mas antes me fez ajuda-lo descarregar o caminhão. Naquela época eu ainda tinha a força de um Paraibano.Quando amanheceu eu já tinha trabalho e um lugar para dormir. Trabalhei no bar durante muitos anos. Inclusive eu estava lá quando Dona Marluce abriu seu puteiro, mas ela não gostava que o chamassem assim, mas no começo não passava disso, de um puteiro. Para o Italiano a Casa do Portão Rosa só fez aumentar sua clientela, pois os homens bebiam lá, e depois fodiam no estabelecimento de Dona Marluce, e assim foi durante muito tempo.Foi quando Teresa chegou para trabalhar na Casa do Portão Rosa, e se tornou a sensação do Beco do Italiano. Eu achava Teresa a mulher mais linda do Beco.LADY DOMANNA volta a ser interrogada: ...Ninguém nunca soube de onde a Teresa veio, mas todos se encantavam com sua forma de ser. Uma mulher exuberante, elegante e muito educada. Seu passos eram como uma dança que hipnotizava os homens, e seu olhar era capaz de leva-los a loucura. Eu gostaria de ser como Teresa.Mataram Teresa. Teresa está morta!TODOS: (Em pé) O amor nada mais é, do que a necessidade de sublimar aquilo que aos olhos dos outros é tão simples! CENA 6MÚSICA________________________________________________________________________________________________________________________CECÍLIA1º - INSIGHT -2CECÍLIA: Sofia desabotoou minha blusa e ficou alguns segundos olhando meus seios, logo se precipitou e beijou minha boca com tanto desejo que a senti tremer nos meus braços, e gemendo deixou cair o travesseiro que escondia sua boceta de menina. Sofia me puxou completamente para cima da cama e abriu as pernas. Nesta hora, com ambas as mãos, forçou minha cabeça para baixo, e me fez chupá-la enquanto se esticava e se encolhia de tesão. Naquela noite fizemos amor pela primeira vez.TODOS: Fizeram amor pela primeira vez...CECÍLIA: Lembro bem. Fiquei com Sofia por quase três anos, mas nem mesmo hoje consigo entender o que tínhamos. Só sei que dificilmente a via durante o dia, mas podia ter certeza que ela terminaria a noite em minha cama.(Enervada) Logo caí na real que já não podia viver sem aquela vagabunda, pois desejava cada segundo ao seu lado. Esperava todas as noites o momento que ela entraria pela porta do bar para ficar comigo, bebíamos juntas, conversávamos sobre nossos sonhos, sobre nossos medos, nossos acertos e erros, mas mesmo naqueles momentos tão únicos, e mesmo não querendo aceitar, eu sabia que não conhecia Sofia, pois sempre que eu procurava saber sobre sua vida ela desconversava e me dava um beijo na boca. Foram quase três anos assim (Breve Pausa) Até que em uma noite ela não veio... E outra... E outra... Sofri muito, pois mesmo sem entender o porquê, estava perdendo a mulher da minha vida.Foi na noite de réveillon, quando todo o Beco do Italiano estava movimentado e a Casa do Portão Rosa estava em festa. Aquela noite eu servi bebida para todo o tipo de gente; mulheres ricas e prostitutas, homens miseráveis e outros que eram fediam a dinheiro. Todos eram iguais no Bar do Italiano... Todos eram livres, todos tinham motivos para sorrir. Eu não!(Vislumbra) Eu senti... Senti o perfume de Sofia. Ela se aproximou do balcão para pegar duas taças de vidro negro e uma garrafa de champagne, e mesmo sabendo que eu estava ali, a poucos metros, me ignorou e com um sorriso no rosto agradeceu o barman que lhe atendeu. Sofia estava linda naquela noite. Usava um vestido branco, comprido e rendado. Seus cabelos estavam amarrados, e uma echarpe caia em seu colo até quase alcançar o chão. Eu gritei seu nome o mais alto que eu pude, mas ela fingiu não me conhecer.Me arrepende de ter sido tão estupida, mas naquela hora eu corri até ela, que se preparava para sair do bar com a garrafa e as duas taças. A puxei pelo ombro e perguntei se não mais me conhecia. Ela olhou nos meus olhos, como na primeira vez naquele banheiro e disse.TODOS: Eu te amo Cecília, mas acabou. Não te quero mais. Vai viver sua vida, gata!CECÍLIA: Sofia saiu do bar me deixando sozinha no meio de uma multidão. Depois desta hora não me lembro de muita coisa, apenasde momentos... Imagens que não saem da minha cabeça! Estão aqui, impregnadas na minha alma, e se reforçaram por cada segundo que passei encarcerada.Empurrando alguns bêbados que estava no meu caminho eu voltei para o balcão com pressa. Pequei uma faca e bebi grandes goles de whisky no gargalo da garrafa, e escondendo a faca fui atrás de Sofia.Ainda tive tempo de vê-la entrando na Casa do Portão Rosa. Não era muito comum ver uma mulher do naipe de Sofia na casa das putas. Entrei no seu rastro, mas a perdi por alguns minutos, devido o movimento por causa da festa. Escondi a faca na bainha da calça, e a procurei entre os corredores escuros e nos quartos que estavam abertos, mas foi no segundo andar, logo depois das escadas que eu pude ver uma mulher estranha saindo de um dos quartos. Devido a pouca luz eu não pude ver seu rosto, mas pude ver que carregava uma das taças que Sofia havia pego no balcão do Bar do Italiano. Eu não pude ver quem era a puta desgraçada que havia arrancado a Sofia da minha vida, mas eu sabia que Sofia ainda estava lá... Dentro daquele quarto de puta.Entrei em silêncio e pude vê-la sentada na cama de costas para mim. A luz de algumas velas acesas e o cheiro de seu perfume tornava o lugar sóbrio, mas ao mesmo tempo excitante. Naquela hora eu percebi, que aquele lugar era perfeito para se morrer de amor, ou matar por ele.TODOS: (Em pé) O amor nada mais é, do que a necessidade de sublimar aquilo que aos olhos dos outros é tão simples! CENA 7MÚSICA________________________________________________________________________________________________________________________SILVANA4º - INSIGHT - 2SILVANA: Me lembro de trabalhar naquele puteiro desde meus cinco anos. Fazia tudo naquela casa maldita. Lavava os banheiros, os penicos, os lençóis, as calcinhas imundas de Dona Marluce, penteava seus cabelos, lixava a pele morta de seus calcanhares e cortava suas unhas dos pés, cheias de micoses. Lembro de apanhar por qualquer besteira e ficar dias sem comer. Se alguma das putas da casa me ajudasse ou cuidasse de mim de alguma forma, apanhava, recebia uma porcentagem menor do serviço ou poderia até ser expulsa da casa. Eu tinha certeza do ódio que Dona Marluce sentia por mim, mas através de meus olhos, ela sabia que seu ódio não se comparava ao ódio que eu sentia por ela, (pausa) mas nesta guerra, apesar de tudo, eu tinha algo que Dona Marluce já tinha perdido a muito tempo... A juventude. Eu ainda era uma menina, enquanto ela já era uma velha doente, que escondia seus defeitos embaixo de roupas brilhantes e maquiagem pesada. Um dia, depois de algumas semanas fora, Dona Marluce chegou em casa. Havia viajado a São Paulo para fazer alguns exames urgentes, pois começou a sentir dores no peito e muito enjoo. A velha chegou muito abatida e calada. Se trancou em seu quarto, e lá ficou por três dias. Quando saiu, nos disse que encontraram um câncer em seu seio direito.Aqueles dias se passaram de pressa. Dificilmente víamos Dona Marluce sair de seu quarto, e nas madrugadas era possível ouvir seu gemido de dor e solidão. A Casa do Portão Rosa mais parecia um cemitério, pois cheirava a desgraça, dor, lágrimas e morte. Dona Marluce morreu, e logo a Casa do Portão Rosa, passou a ter outra direção. CECÍLIA chegou na casa poucas semanas antes da morte de Dona Marluce, mas foi o suficiente para que a velha, simpatizasse por ela e lhe nomeasse como a nova senhora da casa. Apesar de muito mais nova que as outras, Dona Marluce falava que CECÍLIA era esperta e sabia fazer conta.Todos notavam como as coisas estavam melhorando depois que CECÍLIA chegou na casa, pois ela conseguiu fazer aquele lugar voltar ao que era antes, e todas nós vivíamos em paz de alguma forma. Apesar de ainda trabalhar na casa, já não me sentia mais uma escrava, mas deixava claro que também não era uma puta. Sempre tive nojo daqueles homens que entravam ali. Não suportava a ideia de ser tocada por qualquer um deles. Todos me viam como uma simples empregada, e assim eu conseguia viver minha vida miserável em paz.Quando CECÍLIA trouxe a Teresa para dentro de casa, deixou claro que ela não era puta como as outras, pois era coisa nova e não ia sair barato para os clientes. As outras mais antigas se queixaram, mas não tiveram voz suficiente para fazer a CECÍLIAmudar de ideia, e como elas já estavam acomodadas queriam que CECÍLIA e Teresa se fodessem.Teresa passou a trabalhar na Casa do Portão Rosa, e se fez de minha amiga por um bom tempo. Até roupa nova ela me deu. Achei que havia encontrado pela primeira vez alguém que realmente se importava comigo.Uma noite, Teresa me chamou no canto para me dizer que estava convencendo um deputado a me levar embora. Havia contado para ele a minha história, e me garantiu que o homem iria me ajudar de alguma forma. Marcos Campos, deputado estadual, um homem cheio da grana e que tinha muita influência politica nos estados do Rio de Janeiro e São Paulo; casado e pai de três filhos. Dois deles já eram formados e já seguiam o caminho do pai na politica. Não vou mentir, ele me parecia um homem bom, apesar de trair a esposa com as putas da Casa do Portão Rosa, e pela primeira vez eu senti alguma esperança.Alguns dias depois, a casa estava cheia e Teresa veio correndo até mim e me puxou pelo braço.TODOS: O deputado quer te conhecer. Saber mais sobre você.SILVANA: Sem que ninguém percebesse entramos no quarto onde o deputado estava. Teresa me deixou próximo a porta e foi até o homem que bebia um whisky em frente a janela. Percebi que ele lhe entregou algum dinheiro. Teresa lhe beijou e saiu do quarto, mas antes olhou para mim e sorriu.TODOS: Vem aqui menina. Silvana é seu nome, não é?!SILVANA: Sim senhor. Me aproximei. TODOS: Sua amiga me contou sua história. Você é uma menina muito forte!SILVANA: Eu quero sair daqui. Quero ir para bem longe deste lugar. O senhor vai mesmo me ajudar?TODOS: Sou um homem bom. Posso fazer alguma coisa por você... Basta você ser uma menina bem comportada.SILVANA: Ele veio até mim, olhou em meu rosto, pegou em minha nuca e me deu um beijo na testa, me fez sentar na cama e trancou a porta do quarto, e mandou tirar a roupa.TODOS: Vou te levar para longe menina, vou cuidar de você, mas antes quero conhecer o produto que estou comprando...SILVANA: Comprando? O senhor está louco. Não sou uma puta... A Teresa não lhe disse? Não sou uma puta... (pausa) Minhas palavras nada adiantaram, o deputado começou a me agarrar e tentar arrancar a minha roupa, eu tentava gritar, mas não consegui, pois ele tapava a minha boca com uma das mãos, foi quando eu consegui me soltar, me levantei num salto, mas me desiquilibrei, cai e bati a cabeça na quina do criado mudo. Acordei com Teresa fazendo uma compressa em minha testa. O deputado já não estava mais lá, e eu estava pelada, e fedendo a porra. (Para Teresa) Ele achou que eu era uma puta... Uma puta como você... Uma puta como a minha mãe!Teresa me olhou nos olhos e não disse mais nada. Foi depois disso que comecei a beber, mas com algum esforço, consegui um trabalho no porto e me mudei para o Cortiço da Domanna. Nunca mais botei meus pés na Casa do Portão Rosa.TODOS: (Em pé) O amor nada mais é, do que a necessidade de sublimar aquilo que aos olhos dos outros é tão simples! CENA 8MÚSICA________________________________________________________________________________________________________________________D.SELMA2º - INSIGHT – 2D. SELMA: Aquele quarto cheirava a mofo e urina de gato! Estávamos no quinto andar de um prédio de pequenos apartamentos, na avenida central, próximo ao porto, onde Cristiano trabalhava. Aqueles apartamentos muitas vezes eram alugados por casais sem filhos, universitários e marinheiros em temporada.Uma cama com lençol verde desbotado ficava próxima da janela que dava para a rua de abaixo... Um velho criado mudo apoiava um abajur e um evangelho. No canto próximo da porta havia uma penteadeira com um espelho quebrado, sobre ela estavam alguns vidros de perfume barato, uma caneca com pincel e navalha de barbear, um par de meias velhas, um canivete e revistas amarrotadas... Em uma das paredes notava-se um quadro com a imagem de nosso senhor Jesus Cristo. Logo que entramos no quarto, Cristiano, visivelmente ansioso foi logo abrindo a janela; a chuva ainda forte molhava o assoalho, mas a brisa amenizou o fedor de coisa velha.TODOS: Amor, vê se consegue relaxar e ficar a vontade. Vou tomar um banho...D. SELMA: Naquela noite eu usava um vestido azul e um conjunto novo de combinação que havia ganhado de uma velha tia. A luz fraca do abajur era a única que iluminava o quarto, pois mesmo a janela, o que poderia ser meu único meio para fugir dali, só me mostrava um precipício negro, escuro e frio. Comecei a orar, mas apenas as palavras de minha tia me vinham à cabeça...TODOS: ... Já em sua noite de núpcias, qualquer mulher é capaz de saber se seu casamento dará certo, ou não!D. SELMA: Cristiano entrou enrolado apenas em uma toalha, trancou a porta e veio lentamente para perto de mim. O cheiro do vapor do banho misturado a loção de barbear invadiu o quarto. Eu já havia tirado meu vestido por completo e estava apenas de combinação. E ainda permanecia menina, não sabia como eu deveria me comportar. Meu coração gritava desesperadamente por socorro, pois eu não queria estar ali.Sem falar uma única palavra, sentada naquela cama, fui capaz de ouvir minha própria respiração. Cristiano sentou-se atrás de mim e começou a cheirar meus cabelos, logo colocou as mãos em meus ombros e beijava meu pescoço... Eu orava em segredo... Ele Lentamente desceu as alças da minha combinação me deixando com os seios nus. Senti a aspereza de sua mão calejada na aureola dos meus seios, enquanto ele me apertava contra seu corpo já suado. Com o olhar voltado para o chão, eu conseguia ouvir o som da chuva que me parecia estar mais fina e calma naquele momento, mas ainda sentia o vento frio que entrava pela janela, este que fazia aquelas mãos quentes se destacarem nas curvas do meu corpo. Cristiano me fez levantar, e ainda atrás de mim, beijava as minhas costas em movimentos lentos e trêmulos, o que ajudou para que caísse ao chão o resto do pano que me vestia. Pela primeira vez, eu estava totalmente nua diante de um homem.Pelo reflexo do espelho quebrado pude vê-lo sentado atrás de mim, e eu ali em pé, nua, como uma boneca de cera, um manequim... (Pausa) Quando senti suas mãos na minha cintura e seus lábios quentes no rego das minhas nádegas, ele me fez abrir as pernas e eu o senti tocando minha vagina com a ponta dos dedos... (Pausa, respiração ofegante) Não ouvia mais nada naquele momento, tudo em silêncio... Minhas pernas foram perdendo a força e ele me forçava a sentar em seu pênis já rijo, pronto para me transformar em uma mulher qualquer, pronto para me fazer sangrar naquele lençol... E fazer sangrar minha alma... (Pausa), mas quando comecei a ceder, uma luz me fez levantar o olhar e ver, bem ali na minha frente, a imagem de nosso Senhor Jesus Cristo naquele quadro de moldura miserável...TODOS: ... Este negócio de amor é coisa do mundo, pois o amor verdadeiro eu só tenho por meu deus. Só a ele pertence meu coração, meu corpo e minha alma. Oh, Glória!D. SELMA: ... Uma mulher não pode ser tão livre, desfrutável e querer se igualar ao homem... Está na bíblia!Moramos naquele apartamento por alguns anos. Já estava me acostumando com ele quando Cristiano veio e me disse que mudaríamos para o Cortiço da Lady Domanna. No começo eu não aceitei, mas em oração eu pedi luz e também para que deus nos mostrasse o melhor caminho. Nos mudamos em um sábado para o apartamento 07, e foi no cortiço que conheci Teresa. TODOS: Uma moça decente, Selma. Temos que fazer amizades neste lugar.D. SELMA: Senti naquela hora que já não teria paz, pois já odiava aquele cortiço. Talvez deus estava colocando minha fé em prova, mas pela primeira vez eu não tive certeza se poderia resistir.TODOS: (Em pé) O amor nada mais é, do que a necessidade de sublimar aquilo que aos olhos dos outros é tão simples! CENA 9Música_________________________________________________________________________________________________________________________FOCO EM PINO NOS PERSONAGENS – Os personagens estarão postados em seus respectivos fragmentos cenográficos.LADY DOMANNA: (Ansiosa) CECÍLIA... CECÍLIA... Está aí amapô? Acorda CECÍLIA! Não falei que só podia dar em merda? Dito e feito! Alguma coisa aqui dentro estava me dizendo que este sumiço não ia dar em boa coisa.CECÍLIA aparece em outro ponto na plateia, está descabelada e acaba de acordar:CECÍLIA: (Brava) Puta que o pariu, Domanna! Toda manhã é a mesma coisa. Travesti, que gritaria do caralho é essa? Estou com a cabeça pronta para explodir...LADY DOMANNA: (Bate no jornal) Está aqui! Não te disse, ainda estes dias? O sumiço de Teresa não ia dar em boa coisa! Não sei CECÍLIA, mas estava sentindo isso... Te juro que estava!CECÍLIA: O que aconteceu? Desembucha de uma vez!LADY DOMANNA: ...Morta!CECÍLIA: O que? Como assim, Domanna? Lê esta porra aí!LADY DOMANNA: A encontraram morta no Beco do Italiano esta manhã...CECÍLIA: Caralho! (Pensa enquanto acende um cigarro)DONA SELMA aparece em outro ponto na plateia com uma peça de roupa torcida na mão e algumas outras no ombro:D. SELMA: (Cantarola algo religioso) Bom dia! (Ironiza) Os mexericos de vocês não têm mesmo hora para começar... Deus que me proteja!LADY DOMANNA: (Brava) Escuta aqui Selma, só não te respondo como deveria por que estou muito abalada (Bate no jornal novamente) Nunca, em circunstância alguma, meu cortiço, um estabelecimento de respeito, se envolveu com um escândalo desse tamanho... Como ficará a reputação do meu estabelecimento?CECÍLIA: Leia a matéria, Domanna!LADY DOMANNA: Esta mulherzinha vem me testando já faz tempo... Crente safada!CECÍLIA: Vai ler esta merda, ou não, Domanna?... Será que vou ter que descer para comprar a porra de um jornal?LADY DOMANNA: Vou ler sim, mas quero todos aqui, agora! O que está escrito neste jornal diz respeito a todos os que moram aqui! (Chama) Aparece aí Silvana! Aparece aí logo porra, sei que está aí!CECÍLIA: (Chama) Silvana! Silvana... Acorda e aparece aí.LADY DOMANNA: Essa fulana nem deve estar em casa por estas horas. Esbarrei com ela por volta das onze horas perto do porto, e já estava trocando as canetas de tão bêbada.SILVANA aparece em outro ponto na plateia. Está descabelada, amarrotada e com a maquiagem borrada:SILVANA: (Visivelmente atordoada) Tem horas que minha vontade é de mandar todas vocês tomar no cu. Alguém aqui paga as minhas contas? Ai se eu pudesse! Um dia vou fazer vocês engolirem estas merdas que falam de mim...CECÍLIA: Não se meta a besta, Silvana! Fica quieta aí por que a Domanna tem algo sério para falar!SILVANA: Só o que me faltava! O que é? Se for falar merda por causa daquela calcinha de novo, vou mandar para a casa do caralho!CECÍLIA: Não é não! Você vai cair de quatro quando ouvir o que saiu no jornal. É sobre a Teresa...SILVANA: (Consigo) Foda-se todo mundo! Hoje a coisa tá boa, puta que o pariu. Ô inferno! Lê esta porra logo Domanna, tenho mais o que fazer...LADY DOMANNA: (Interpela) Eu sabia que o sumiço de Teresa não ia dar em boa coisa. A polícia a encontrou morta! (Mostra o jornal) Está aqui! SILVANA: Porra! Não brinca com isso não...CECÍLIA: Lê o que está escrito aí, Domanna.LADY DOMANNA: (Lendo) “Uma mulher de aproximadamente trinta anos foi encontrada morta nesta manhã de sábado, dia 14 de fevereiro, na Rua dos Crisântemos, ou comumente conhecida como Beco do Italiano. A polícia foi acionada para investigar o cadáver. A vítima com o nome de Teresa de Albuquerque foi assassinada brutalmente, pois era visível diversas perfurações em seuabdômen e no pescoço. A vítima trajava um vestido vermelho, sapatos altos e não usava qualquer roupa intima. A polícia descarta a possibilidade de assalto, pois os pertences e documentos da mulher foram encontrados próximo ao corpo. Através de depoimentos espontâneos de curiosos que acompanhavam a perícia, foi descoberto que a vítima morava em um dos apartamentos do Cortiço da Lady Domanna, este localizado na Rua do Mercado Municipal. O delegado de polícia Jorge Tavares, disse que de acordo com os procedimentos legais, o corpo será enviado ao IML à espera de um parente para o seu reconhecimento, e logo mais começarão as investigações do caso. O Delegado foi enfático em dizer que os trabalhos começarão pelo cortiço onde a moça assassinada residia”... CENA 10Música_________________________________________________________________________________________________________________________Foco em pino em todas as personagens que, como no início, se emparelham novamente no proscênio:TODOS: Mataram Teresa. Teresa está morta!D. SELMA: Apenas Deus pode nos julgar, e não cabe a mim, uma mulher da igreja, acusar ninguém, mas serei franca e peço o perdão divino se estiver sendo injusta, mas para mim este lugar esconde muitos pecados. Um lugar abarrotado de gente podre, entregue às perdições do pecado e da carne. (Pausa) Se alguém aqui tem algum motivo para ter matado Teresa, esta é a Cecília. Todas nós sabemos que Cecília vivia em uma constante procura por aquela mulher, e sem respostas, se trancava em seu apartamento e se drogava. E por muitas vezes podíamos ouvi-la conversando com a Sofia... Como um fantasma que a aprisionava em sua dor. Até que em uma noite ela veio ate mim e disse em segredo... Era a Teresa. Era a Teresa que estava com a minha mulher. Cecília matou Teresa!CECÍLIA: Vou dizer uma coisa. Minha vida até hoje tem sido uma merda, mas quando penso nas coisas que a Silvana passou, percebo o quanto somos parecidas. Matar alguém não é para qualquer um, é preciso ter coragem e ter a consciência das merdas que vem depois... É desgraça em cima de desgraça. Só vi mulher assim na cadeia, muitas estavam presas por que se deixaram levar pelo amor falso de alguns homens que as tratavam como lixo. Muitas eram cumplices de crimes que na maioria das vezes eram cometidos por aqueles que amavam. Silvana não queria ser puta como sua mãe, e não queria terminar morta em cima de uma mesa nas mãos de uma ordinária. Todo o tempo que viveu na Casa do Portão Rosa se resguardou e não se deixou tocar por homem algum, até que foi estuprada pelo deputado, e com isso lhe tiraram a única honra e dignidade que ainda tinha em sua vida. No começo ela preferiu acreditar que Teresa queria realmente lhe ajudar, e também foi enganada pelo deputado e suas falsas intenções com Silvana, mas o que ficou na sua cabeça foi o dinheiro que o deputado lhe entregou naquela noite, pois Teresa não havia transado com ele naquela noite. Talvez Cecília tenha descoberto a verdade e colocado um fim na vida da Filha da Puta. SILVANA: Eu achava ridículo como a travesti da Domanna, idolatrava a Teresa. Falava de suas roupas, de sua maquiagem, de sua elegância e principalmente de seu sucesso entre os homens. Há alguns anos atrás a bicha achou um macho que preferia cu à boceta, e teve com ele um relacionamento que durou alguns meses, mas assim como todos, o macho se cansou dela e se mandou. Sempre que perdia um homem, Domanna se amargava e chorava pelos cantos. Eu mesmo já encontrei ela caída na escada em prantos por conta de

Objetivos

OBJETIVO GERAL: Realizar a temporada de 6 apresentações do espetáculo"O Cortiço dos Anjos" na cidade do Rio de Janeiro (3 dias com 2 sessões cada) A ideia central do projeto é promover um fazer teatral que inclui apresentar a peça, promover debate ao final de cada apresentação e gerar um produto cultural: um documentário da temporada do projeto pelas 6 apresentações referidas. Tal documentário será utilizado tanto para ilustrar as prestações de contas e à sociedade em geral, como também para registro da passagem da Trupe Iá Pocô pelo Rio de Janeiro, com vistas a sustentar a divulgação de futuras novas apresentações. OBJETIVO ESPECIFICO: Espetáculo de artes cênicas - - Realizar 2 sessões do espetáculo - O Cortiço dos Anjos" em 3 dias de apresentação na cidade do Rio de Janeiro, totalizando 6 apresentações; - Promover uma troca de experiencias entre atores e platéia, em debates abertos pós espetáculo; - Conversar sobre as questões sociais e culturais locais (principalmente) e de toda a humanidade e propor alternativas; - Difundir a arte teatral praticada pelo grupo Trupe Iá Pocô; - Disseminar a didática cênica teatral; - Estimular a formação de plateias e o fortalecimento do mercado de trabalho artístico. Contrapartidas sociais Documentario - Realizar 01 documentario referente a temporada do espetaculo, para ser exibido no canal youtube e ser disponibilizado ao publico de maneira gratuita.

Justificativa

Um dos objetivos centrais do trabalho é provocar um efeito multiplicador da arte junto à comunidade e responder ao ímpeto artístico deste público, além de instigá-lo a refletir sobre si mesmo, sobre suas relações pessoais e sociais e sobre a sociedade como um todo. Muitas vezes, a realização artística se dá de forma pontual, individual e desconectada das comunidades. A Trupe Iá Pocô acredita num teatro feito com integração entre a a sociedade, artistas, grupos e coletivos artísticos. Por isto o principal objetivo deste projeto é promover esta troca, por meio de debates após as apresentações da peça. Impactar a realidade local de forma abrangente, para além do período da estadia do grupo teatral, deixando heranças culturais. A principal expectativa da produção, atores e técnicos é de que peça "O Cortiço dos Anjos" tenha méritos para que, além da natural fruição de sua estética pelas pessoas que a assistirem, ela venha a ser também uma oportunidade de suscitar em cada pessoa a reflexão sobre sua própria vida, para que, se quiser, seja estimulada a adaptá-la a seus recursos pessoais, aprenda a "se conformar" à própria subjetividade e, assim, viver (e conviver) da maneira mais confortável que seus dons pessoais e sua criatividade possibilitarem. Portanto, uma verdadeira autoanálise, ao mesmo tempo em que, também, a análise crítica e consciente de "seu meio" e de suas relações com os indivíduos que o cercam. Concomitantemente, num universo mais micro, inúmeras questões pontuais nos dias de hoje também são trazidas à reflexão, na forma de temas sociais universais e recorrentes, formadores do todo principal da peça, como: as questões de gênero, a objetização da mulher, o machismo, o estupro, o aborto, a homossexualidade, tanto masculina quanto feminina, a prostituição, o predomínio do "mais forte" na hierarquia social (as relações de subserviência) , as drogas, o alcolismo, o fanatismo religioso, a violência generalizada que o mundo vive hoje em dia, a marginalização, a "invisibilidade" e a "exclusão" do ser humano de direitos sociais básicos, entre outras questões. Em paralelo, pela própria natureza do Teatro, que é um poderoso meio de comunicação de massa, estar-se-á também discutindo o papel que ele, o Teatro, pode exercer na provocação do público a tais reflexões, para além, portanto, da simples condição de lazer e/ou prazer dos espectadores. A Trupe Iá Pocô Com mais de 17 anos de existência, com sede em Vitória/ ES, a Trupe Iá Pocô já tem em seu repertório mais de 26 espetáculos apresentados em vários pontos do território brasileiro, mas, assim como a maioria dos coletivos de arte existentes no território nacional, pouco foi contemplada por mecenatos, patrocínios ou leis de incentivo para a realização de seus projetos. Assim, entre os mais pertinentes motivos para a Trupe submeter o projeto "O Cortiço dos Anjos" - à seleção pela Lei de Incentivo a Cultura, está a oportunidade de o grupo vivenciar experiências cênicas inéditas no fazer teatral e, com isto, alcançar evolução profissional, tanto individual quanto coletivamente. Portanto, um outro motivo que leva a Trupe Iá Pocô a propor o projeto em questão é a oportunidade de abrir discussões destes temas de forma direta e didática. A expectativa é, como já foi dito, de que a experiência possa ser estendida a mais grupos humanos, oxalá que em futuro não muito remoto.

Estratégia de execução

Premissas: - Linguagem Dramática: Drama - Classificação: Adulta (Maiores de 18 anos) - Estimativa de duração: 80 minutos. O Cortiço dos Anjos. “Mataram Teresa! Teresa está morta.” – Assim começa a história do mais novo espetáculo da Trupe Capixaba de Teatro, a Trupe Iá Pocô. O Cortiço dos Anjos, sob Dramaturgia e Direção de Rodrigo Paouto, conta a história de quatro personagens que vivem no cortiço da LADY DOMANNA, uma velha travesti, saudosa por seus tempos de gloria e boemia no “Beco do Italiano”. As outras três personagens são SELMA, uma religiosa fanática e desprezada pelo marido, CECÍLIA, uma lésbica, ex-presidiária, que matou por amar demais, e SILVANA, uma caótica mulher que cresceu em um prostíbulo conhecido como “A Casa do portão rosa”, sem ao menos conhecer sua mãe, pois esta morreu em seu parto. Em um universo controverso, à margem da sociedade e repleto de desafios e desafetos, as quatro personagens contam suas histórias diante de um delegado que investiga a morte de uma quinta moradora do Cortiço, a Teresa, um assassinato misterioso e cruel que aconteceu no Beco do Italiano, em uma noite fria e chuvosa. Um espetáculo que escarnece as deficiências humanas, suas fraquezas, seus vícios, seus desejos e medos, e com isso deixa explicita as nuances entre diversas escolhas e suas consequências nas vidas das personagens, nos deixando uma pergunta no ar... Vale a pena amar demais? Ou “o amor nada mais é, do que a necessidade de sublimar aquilo que aos olhos dos outros é tão simples?”. “O Cortiço dos Anjos” é uma produção original da Trupe Iá Pocô inspirada nas obras de Nelson Rodrigues e Plínio Marcos. Grandes nomes do Teatro mundial.

Especificação técnica

O projeto BRINCONTAR, visa a apresentação do espetaculo de contação de historias - O Quintal de Histórias, idealizado pelaatriz e contadora de historias Dana Oliver. Release - O Quintal de Histórias 1-Um espetáculo direcionado exclusivamente para o público adulto com temas humanizados, abordagens complexas, sexualidade e nudez vigente.2 - A peça teatral “O CORTIÇO DOS ANJOS” será um espetáculo atemporal com foco principal em personagens distintos e humanizados, porém suaconcepção geral caracterizará em significativas nuances do lúdico e da incoerência e insanidade. Ambientado em uma névoa de mistério eirracionalidade, o espetáculo se projetará nas características do Drama à Tragicomédia, com ressalta nas vidas humanamente caóticas de seuspersonagens.3 - Todo o espetáculo será ambientado nos quartos do cortiço (Praticáveis que fragmentarão o espaço cênico), com momentos de insights, estes queexpressarão os fatos significantes das vidas dos personagens.4 - Muito da cenografia será feita em projeções. Imagens distorcidas e monocromáticas expressarão o universo literário dos personagens e da históriabase.5 - Muito da sonoplastia será feita ao vivo, hipoteticamente, ao som de violão, violino e piano.6 - Os personagens passarão por uma transformação gradual no decorrer de todo o espetáculo. Começarão com maquiagem básica e figurino neutro.Seus personagens finalizados na totalidade plástica e psicológica, só serão mostrados nos momentos finais de seus solilóquios.

Acessibilidade

Como a peça “O Cortiço dos Anjos” não é liberada para menores de 18 anos, a expectativa é de receber apenas adultos e idosos nas 6 apresentações. Para proporcionar o acesso a todos "O Cortiço dos Anjos", proverá cuidados especiais aos portadores de Necessidades Especiais, as exigências cumprem, a Lei 13.146/2015, que instituiu a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência. Durante todas as apresentações do espetáculo serão cumpridas as seguintesmedidas: Espetáculo Teatral ACESSIBILIDADE PARA DEFICIENTES AUDITIVOS: Um profissional de libras local, preferencialmente negro, serácontratado para acompanhar a temporada do projeto a fim de garantir o acesso de deficientes auditivos. ACESSIBILIDADE PARA DEFICIENTES VISUAIS: Serão disponibilizados dispositivos móveis com audiodescrição. ACESSIBILIDADE PARA DEFICIENTES COM MOBILIDADE REDUZIDA: Rampas de acesso, elevadores, banheirosadaptados. --------------------------------------------------------------------------------CONTRAPARTIDAS - Documentário ACESSIBILIDADE PARA DEFICIENTES AUDITIVOS: Um profissional de libras local, preferencialmente negro, serácontratado para acompanhar a circulação do projeto a fim de garantir o acesso de deficientes auditivos. ACESSIBILIDADE PARA DEFICIENTES VISUAIS: Serão disponibilizados gravação com audiodescrição.

Democratização do acesso

De acordo com o Art. 21. IN nº 02/2019 o projeto O Cortiço dos Anjos pretende adotar, as seguintes medidas de ampliação do acesso: I - doar, além do previsto na alínea "a", inciso I do artigo 20, no mínimo, 20% (vinte por cento) dos produtos resultantes da execução do projeto a escolas públicas, bibliotecas, museus ou equipamentos culturais de acesso franqueado ao público, devidamente identificados; III - disponibilizar, na Internet, registros audiovisuais dos espetáculos, das exposições, das atividades de ensino e de outros eventos de caráter presencial, sem prejuízo do disposto no § 2º do art. 22; IV - permitir a captação de imagens das atividades e de espetáculos ou autorizar sua veiculação por redes públicas de televisão e outras mídias; V - realizar, gratuitamente, atividades paralelas aos projetos, tais como ensaios abertos, estágios, cursos, treinamentos, palestras, exposições, mostras e oficinas, além da previsão do art. 22; Haverá distribuição gratuita de ingressos, correspondente a 10% da lotação dos teatros, beneficiando estudantes de escolas públicas, estudantes de teatro, participantes de ONGs, instituições culturais e outros órgãos de comprovado atendimento social. Faremos 01 gravacao de um documentario durante a temporada do espetaculo, e com exibicao gratuita ao público, com o objetivo de fomentar ainda mais a cultura na região e levar conhecimento para os artistas locais. Visando gerar o maior público possível para fruírem das ações do projeto de acordo com os artigos III E IV referente àIN 02/2019: III - disponibilizar, na Internet, registros audiovisuais dos espetáculos, das exposições, das atividades de ensino e deoutros eventos de caráter presencial, sem prejuízo do disposto no § 2º do Art. 22; IV - permitir a captação de imagens das atividades e de espetáculos ou autorizar sua veiculação por redes públicasde televisão e outras mídias; A proposta é atingirmos os seguintes públicos: - APRESENTAÇÕES DO ESPETACULO O CORTIÇO DOS ANJOS": Média de 200 pessoas por exibição, durante 6 espetáculosem temporada na cidade do Rio de Janeiro. Estimação de alcance de público total: Até 1200 pessoas. CONTRAPARTIDAS:GRAVACAO DE DOCUMENTARIO: Faremos 01 gravacao de um documentario durante a temporada do espetaculo, e com exibicao gratuita ao público, contando sobre o processo criativo, pesquisa e dificuldades da temporada, com previsão de duração de 30 a 40 minutos, postado via youtube. Estimação de alcance de público total: Até 10700 pessoas.

Ficha técnica

RODRIGO PAOUTO - Texto e Direção: Diretor da Trupe Iá Pocô há 17 anos. Iniciou sua carreira artistica em São Paulo com a instrutora Nana Pequine. Espetáculo: “O Auto da Barca do Inferno”, de Gil Vicente. Ingressou na Escola de Artes Antonio César Salvi, cidade de Osasco-SP. Curso de OPT (Oficinas de Pesquisas Teatrais) duração de um ano, com o instrutor Genivaldo de José. Espetáculo: “Bete Pensão”, de Genivaldo de José. Como dramaturgo se desenvolveu na Escola de Artes Oswald de Andrade, cidade de São Paulo-SP. com o Curso de Dramaturgia Literatura, Poesia e Roteiro com o Instrutor e Dramaturgo José Antonio de Souza.Também participou da Escola de artes Oswald de Andrade, cidade de São Paulo-SP. Curso de Dança Teatral e Balé Moderno com a instrutora Clarisse Abujanra.Em 2004 mudou-se para a cidade de Aracruz no Espirito Santo, onde ministrou oficinas de teatro, formando alunos, que se tornaram integrantes da Trupe. Escreveu e dirigiu mais de 20 espetáculos, todos da companhia Trupe IáPocô. DANA OLIVER - Atriz e Produtora Executiva- Atriz da Trupe Iá Pocô há 17 anos. Formada em licenciatura em Artes pela Universidade Claretiano, técnica em Teatro pela FAFI/ES e MBA em Gestão de Projetos. Possui mais uma década de experiência no teatro,cinema e tv. Foi educadora teatral nas atividades socioeducativas do Núcleo Afro Odomodê no resgate da cultura afro-brasileira através Coordenação de Políticas dos Direitos da Juventude em Vitória/ES. Ganhou o prêmio de melhor atriz com o espetáculo - O Cortiço dos Anjos (2018). No cinema, foi protagonista do filme - Abelha Rainha (2019), um curta-metragem da Caju Produções, lhe rendeu o prêmio de melhor atriz no Cine Açude Grande em Cajazeiras/PA. Em 2020 integrou a “Ocupação Ovárias”, movimento indicado ao Prêmio Shell de Teatro em 2019, pela Inovação em fomentar o protagonismo artístico das mulheres negras. RODRIGO SABATINI - Ator, Preparador Corporal, Ator da Trupe Iá Pocô há 17 anos. Bacharel em Artes Cênicas pela UNICAMP e Especialista em Dança e Consciência Corporal pela Universidade Estácio de Sá. Atualmente, está docente da área de Comunicação e Artes do Senac São Paulo, atuando, principalmente, no curso Técnico em Teatro.Participou da Oficina "Iniciação ao Movimento Cênico”, por Andrey Shchukin (Rússia), oferecida pelo ECUM (Centro Internacional de Pesquisa sobre a Formação em Artes Cênicas); do workshop em “Dança Contemporânea” ministrado por Maria Naidu e Torbjörn Stenberg (Suécia) promovido pelo curso de Dança da Universidade Federal de Viçosa (MG), do workshop de “Dança”, por Fabrice Ramalingom (França) no CRDSP - Centro de Referência da Dança de São Paulo, e da atividade formativa “Direção de Movimento”, oferecida pelo SESC Birigui, ministrada por Vivien Buckup. JOSI OLIVER - Atriz - Formada em Artes Cenicas - (FAFI) - Atriz da Trupe Iá Pocô há 17 anos. Faz parte da Direção da Nação Hip Hop/ES, Nação Mulher/ES, é representante capixaba da Frente Nacional de Mulheres no Hip Hop e Conselheira suplente do Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial, defendendo a pauta de mulheres negras, indígenas e ciganas, em Vila Velha/ES. Integrante, desde 2018 da Banda de Congo Mestre Honório, na Barra do Jucu e socio- fundadora da Casa Amarela 101, um espaço colaborativo de artes integradas com foco na sustentabilidade, na economia criativa e acolhimento de projetos sociais e enfrentamento a diversas formas de violências, sede da Nação Mulher ES. Integrou os Coletivos Femenina e Nísia, realizador do primeiro Slam totalmente organizado só por mulheres e cineclubista Feministas de Quinta, que atuou de 2015 a 2017 com sessões seguidas com mesas de debate sobre questões relacionadas à mulher e pessoas LGBTQIA+. DEB SHULTZ - Atriz , Artista visual, Atriz da Trupe Iá Pocô há 5 anos. pós graduada em Artes Cênicas e Dança Educacional, com qualificação profissional em Dança Contemporânea, Produtora Cultural e DeeJay.No teatro, atua desde 1993, como atriz, diretora cênica, coreógrafa, cenógrafa e sonoplasta. Conquistou 3 premiações como melhor atriz em festivais e 3 Menções Honrosas, como reconhecimento de sua arte. Circense, desenvolveu as técnicas de aéreo, malabarismo e palhaçaria. Foi proprietária de duas lonas circenses, realizando espetáculos e eventos durante 10 anos.Na área social, é militante feminista, com atuação em performances artísticas, rodas de contação de histórias, roda de empoderamento feminino infantil e ações em redes de apoio e acolhimento às mulheres vítimas de violência.

Providência

PROJETO ARQUIVADO.