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O Projeto visa a montagem e a realização de apresentações do espetáculo teatral "O lixo vai falar, e numa boa" e, como contrapartida social, realizaremos ensaios abertos, oficinas de artes e debates durante o evento.
As noções acerca da mulata, a doméstica e a mãe preta são a base de reflexão do texto “Racismo e sexismo na cultura brasileira” da geógrafa, historiadora, filósofa, professora e pioneira nos estudos sobre a cultura negra no país Lélia Gonzalez. No artigo, Lélia apresenta uma crítica ao mito da democracia racial e como este desempenha uma violência material e simbólica específica sobre a mulher negra – que não experimenta somente opressão do racismo, mas também do sexismo –, pois objetifica-a nos estereótipos acima citados. O espetáculo é livremente inspirado no texto de Lélia e procura confrontar a realidade atual com a do texto, escrito à época de 1984, e termina revelando a sua contemporaneidade. A encenação conta com três atrizes negras e traz a perspectiva sobre a formação da identidade da mulher negra na nossa sociedade e, de modo abrangente, de nossa identidade nacional como um todo.
Objetivo Geral O objetivo do projeto é realizar 24 apresentações teatrais da peça "O lixo vai falar, numa boa" em temporada de 2 meses no Rio de Janeiro 4 apresentações em duas capitais. Objetivo Específico 1) Produto ESPETÁCULO DE ARTES CÊNICAS: realizar 24 apresentações teatrais da peça "O lixo vai falar, numa boa", durante 5 semanas.2) CONTRAPARTIDA SOCIAL: realizar ensaios abertos do espetáculo, oficinas e debates durante a temporada.
Uma particularidade do Brasil é sua composição racial: o povo é formado por brancos, pretos e índios e das miscigenações dessas raças. Ideologicamente, é disseminado pelas classes dominantes, que todas as pessoas dentro dessa variedade enorme de tons entre as cores branca e preta vivem em igualdade. A partir de determinado momento, a crença de que o racismo não exista e que este é o país em que todas as raças coabitam em harmonia se fundaria. Pelas mãos, principalmente, de Gilberto Freire nasce a concepção da "democracia racial"; ou seja, um sistema desprovido de qualquer impedimento legal ou institucional para a igualdade racial e sem qualquer manifestação de preconceito ou discriminação racial. No entanto, os dados atuais de escolaridade, de emprego, de salários e de mortalidade das mulheres e homens não brancos no Brasil ilustram uma situação de precariedade. Mas não era preciso nem recorrer a dados estatísticos, pois essa situação é visível a olhos nus quando caminhamos pelas ruas das cidades e enxergamos a cor da maioria das pessoas que nelas moram. Ou, então, quando assistimos um noticiário e vemos qual é cor da pele da maioria das pessoas acusadas injustamente de cometerem crime. Essa cor é a negra. Na prática, tal como no período colonial, brancos ocupam espaço de dominação e negros de dominados. Mas, o discurso é sobre o paraíso das três raças. A citação de Lélia Gonzalez jocosamente ilustra isso: Racismo? No Brasil? Quem foi que disse? Isso é coisa de americano. Aqui não tem diferença porque todo mundo é brasileiro acima de tudo, graças a Deus. Preto aqui é bem tratado, tem o mesmo direito que a gente tem. Tanto é que, quando se esforça, ele sobe na vida como qualquer um. Conheço um que é médico; educadíssimo, culto, elegante e com umas feições tão finas... Nem parece preto. (GONZALEZ, 1984) Brasileiro, em sua maioria, parece não querer assumir o preconceito de cor, de modo algum. A frase emblemática do sociólogo Florestan Fernandes parece resumir bem a peculiaridade da questão do racismo no Brasil, que é "um preconceito de ter preconceito". Mesmo com a suposta "democracia racial", pretos e pardos continuam sendo vistos como seres inferiores. Como dito por Lélia Gonzales, quando a(o) negra(o) ascende ela(e) "nem parece preto". O culto, o elegante e o médico não podem estar associados ao negro. Ou seja, a lógica da dominação quer colocar e/ou manter os negros na lata do lixo da sociedade brasileira. Nesse cenário, o racismo se expressa como uma peste que impregna a sociedade brasileira. E, se pensarmos no caso das mulheres negras, veremos que a articulação do racismo com o sexismo produz efeitos particularmente danosos. Mas o que foi que ocorreu para que esse mito da democracia racial tivesse tanta aceitação e divulgação? Quais são os processos que ocasionam a sua construção, o que é que ele esconde para além do que ele mostra? E, dentro desse enredo, como a mulher negra é situada nesse discurso? Essas são perguntas que Lélia Gonzalez busca responder no artigo "Racismo e Sexismo na Cultura Brasileira" (1984), que será nosso guia nesta montagem teatral. Numa perspectiva psicanalítica-social, Lélia Gonzales pergunta: "por que o negro é isso que a lógica da dominação tenta domesticar?". Se o discurso disseminado no senso comum diz que "somos todos iguais", "todos irmãos", "todos da mesma raça humana", porque é naturalizado que uma parte de nós, os negros, vivamos na miséria? Ou que sejamos maltratados, marginalizados? E, rompendo com a posição de subordinado, de infantilizado, desocupando o lugar de objeto do saber alheio, Lélia, mulher negra, assume ativamente o risco do ato de falar com todas as implicações. "Ou seja, o lixo vai falar, e numa boa." E vai falar, entre várias coisas, sobre algo que a ciência e a mentalidade racista querem apagar: a marca da africanidade na nossa cultura. Mesmo com as tentativas de massacre da cultura dos povos da África, seja pelo apagamento ou pela inferiorização, ela resiste e exerce influência positivamente na nossa cultura. E, como ressalta, Lélia, apesar de todo racismo vigente, os brasileiros "só conseguem afirmar como nacional justamente aquilo que o negro produziu em termos de cultura: o samba, a feijoada, a descontração, a ginga ou jogo de cintura etc" (GONZALEZ, 2020). E, se formos desdobrando essa questão, podemos apontar a relevância do papel da mulher negra nesse cenário. Chegando à África, o europeu retirou dali mulheres do convívio de seus filhos, de sua comunidade, para que fossem transformadas em mercadorias e vendidas para trabalharem até a morte em uma terra desconhecida. As que sobreviviam à viagem nos navios negreiros, eram direcionadas para o trabalho extrativista ou na casa grande. Por vezes, também eram exploradas sexualmente, pelos senhores das casas grandes, autoridades e até mesmo pelo clero. Seus filhos recém-nascidos eram, muitas vezes, arrancados delas para que cuidassem exclusivamente às crianças brancas. Então, além de serem usadas como empregadas domésticas, trabalhadoras essenciais, instrumento sexual, exerciam a função materna. No entanto, com isso, mantiveram viva a chama dos valores culturais afro-brasileiros, que transmitiram não só a seus descendentes, mas também às mulheres e homens brancos, a quem aleitaram e educaram. É por isso que, apesar de todo racismo, nós brasileiros falamos pretuguês (o português africanizado) e nossa cultura negra está aí, mais forte do que nunca. E é sobre essa história, que a estória não conta, e a relevância dessas personagens tão primordiais que narraremos em nossa montagem teatral.A adaptação e montagem desse texto fundamental sobre a formação da identidade nacional será inédita. Além de todo seu conteúdo, tem a relevância de trazer ao grande público o pensamento dessa grande pensadora brasileira. Em uma palestra sobre Lélia, a filósofa Sueli Carneiro, fala sobre como ela fazia com que os negros se sentissem bem consigo mesmos; e criava à sua volta um campo de força, transformação e autoestima que inspirava a ação de todos. Lélia não acreditava que a democracias racial estava feita, mas que poderíamos e deveríamos construi-la. Afinal, Palmares era um lugar de diversidade, um lugar múltiplo, um lugar, realmente, para todos. Em suma, iremos contar uma história de uma pensadora que, com sua escrita, reflete radicalmente, ou seja, indo até as raízes do pensamento. E produziu novas reflexões e síntese sobre a nação brasileira, a partir da elaboração de conceitos chaves como, por exemplo, o de amefricanidade. Lélia, com sua análise profunda do país, ressignificou posições e nos oferece uma nova perspectiva de nós mesmo: mais humana, digna e alegre. Figurando, deste modo, como grande intérprete do Brasil. Com isso, a encenação deste texto, contribuirá em trazer a cena essa grande pensadora, que apesar de todas as limitações que o racismo e sexismo produzem, edificou uma análise densa e frutífera, colaborando para nossa identidade e nacionalidade. O acesso a esse conteúdo produzirá reflexões e pensamento analítico crítico, que colaborará com a formação de cada cidadão que assistir ao espetáculo e, consequentemente, terá a possibilidade de levar essa produção intelectual para a sociedade
A proposta foi arquivada inidicando falta de comprovação do proponente, em projetos culturais. Solicitamos o desarquivamento da proposta, atualizamos nos documentos anexados, as informações atualizadas quanto a participação do projeto em assistência e gestão a projetos culturais
O produto consiste em um ESPETÁCULO DE ARTES CÊNICAS, onde será realizada vinte apresentações da peça "O lixo vai falar, numa boa". A obra é uma adaptação do texto "Racismo e Sexismo na Cultura Brasileira", de Lélia Gonzalez. Em cena, o espetáculo contará com três atrizes e seis musicos que desenvolverão a trilha sonoro ao vivo, em todas as apresentações. Serão vinte apresentações, em uma temporada de dois meses, na cidade do Rio de Janeiro. A peça terá duração estimada de 90 minutos e classificação indicativa de 14 anos.
MEDIDAS DE ACESSIBILIDADE NO ASPECTO ARQUITETÔNICO: rampas, banheiros adaptados e piso tátil. ACESSIBILIDADE PARA PcD AUDITIVOS: intérprete de libras. ACESSIBILIDADE PARA PcD VISUAIS: folders e outros materiais de comunicação com uma versão em braille. O material de divulgação dos produtos culturais gerados pelo projeto conterão informações sobre a disponibilização das medidas de acessibilidade.
Serão adotadas no projeto as seguintes medidas de “ampliação de acesso”, conforme artigo 30 da IN nº 11, DE 30 DE JANEIRO DE 2024: I - doar 10% (dez por cento) dos produtos resultantes da execução do projeto para distribuição gratuita com caráter social ou educativo, além do previsto inciso II do art. 29, totalizando 20% (vinte por cento); III - disponibilizar, na Internet, registros audiovisuais dos espetáculos, das exposições, das atividades de ensino, e de outros eventos referente ao produto principal, acompanhado com libras e audiodescrição;IV - garantir a captação e veiculação de imagens das atividades e de espetáculos por redes públicas de televisão e outros meios de comunicação gratuitos; V - realizar, gratuitamente, atividades paralelas aos projetos, tais como ensaios abertos, debates, e oficinas, são elas: oficinas de dança afro, de escrevivências e oralituras e a oficina de contação de histórias uma vez na semana, totalizando 15 aulas durante a execução do projeto e realizar 03 debates com participantes ilustres das áreas da política, artes e academia logo após as apresentações;VII - realizar atividades culturais nos estabelecimentos prisionais das unidades da federação; VIII - estabelecer parceria visando à capacitação de agentes culturais em iniciativas financiadas pelo poder público.
A) COORDENAÇÃO DO PROJETO: Mariana Teixeira Mariana Teixeira é gerente administrativa e financeira, gestora, coordenadora e elaboradora de projetos atuante no mercado de produções teatrais há dez anos, tendo participado de produções de grandes artistas brasileiros, tais como: Amir Haddad, Paulo Gustavo, Débora Colker, Miguel Falabella, José Possi Neto, Gustavo Gasparani, Moeller & Botelho, Michel Melamed entre outros. Em seu currículo consta participação nas montagens “220 Volts”, “Todos os Musicais de Chico Buarque em 90 minutos”, “Hebe Carmargo – O Musical”, “Gilberto Gil - Aquele Abraço O musical”, “Mamonas”, “O Frenético Dancin Days”, “Los Hermanos - Musical Pré-Fabricado” e outros. B) DIREÇÃO: Amir Haddad Mineiro, como Lélia, ator, professor, diretor de teatro e teatrólogo, Amir conta com sessenta e cinco anos de uma carreira de grande impacto nacional. Com José Celso Martinez Corrêa, Renato Borghi e outros criou em 1958 o Teatro Oficina. Fundou, em 1980, os grupos "A Comunidade" (vencedor do Prêmio Molière pelo espetáculo A Construção) e o "Tá na Rua". Amir não deixou de realizar projetos mais convencionais como O Mercador de Veneza, de Shakespeare (com Maria Padilha e Pedro Paulo Rangel) e os shows de Ney Matogrosso e Beto Guedes. Com microfone na mão, o mestre coordena uma trupe de atores pelas ruas e praças. Torna-se um diretor único por sua capacidade de transitar entre o teatro tradicional e as produções populares. C) DIREÇÃO MUSICAL: Luciane Menezes Luciane Menezes fará a direção musical. Luciane integrou a Companhia Folclórica do Rio e o grupo de samba e choro Dobrando a Esquina. Especializou-se em acompanhar sambistas como Walter Alfaiate, Zé Kéti, Elton Medeiros, Dona Ivone Lara, Monarco entre muitos outros. Fez turnê pela Holanda em dois shows com Paulo Moura e ainda realizou a direção musical do show em homenagem aos 100 anos de Carlos Cachaça no Teatro Carlos Gomes (RJ). Lançou o CD com repertório de cirandas e jongos, baseados em ensinamentos passados pessoalmente por Lia de Itamaracá e Darcy do Jongo. É uma das fundadoras do Grupo Cultural Jongo da Serrinha (GCJS) e da Associação Brasil Mestiço (ABM. Lutou ao lado de Teresa Cristina, Marquinhos de Oswaldo Cruz e Grupo Dobrando a Esquina, pela revitalização do samba e do choro na Lapa. É responsável, na ABM, pela catalogação de manifestações folclóricas fluminenses e cariocas: ciranda, jongo, umbanda, calango, entre outras. D) DIREÇÃO DE MOVIMENTO E ATUAÇÃO: Valéria Monã Atriz, bailarina, coreógrafa, diretora de movimento, preparadora corporal, professora, mestre em dança afro, animadora cultural desde 1994, atua no CIEP 175 com ênfase na cultura afro-brasileira. Faz parte do elenco de “Contos Negreiros do Brasil” e “Yabá - Mulheres Negras”. É diretora de movimento dos espetáculos “Oboró - Masculinidades Negras”, "Solano, Vento Forte Africano" e “A menina Akili e seu tambor falante - O Musical” entre outros. É integrante da Cia. Dos Comuns desde 2001 e por ela participou de "Olonadé" (2016), "Bakulo - Os Bens Lembrados" (2005) e "O Silêncio" (2007). Com a Cia Dos Comuns participou também da montagem de “Candaces, a reconstrução do fogo”, obra que o dramaturgo Márcio Meirelles escreveu baseado na obra de Lelia Gonzalez. E) PRODUÇÃO E ATUAÇÃO: Monica Saturnino Além de produtora, Monica é também atriz e contadora de história. Iniciou sua formação teatral em 2003 com Paulo Hamilton e, sob sua direção, participou de dois espetáculos: “O Auto da Compadecida” (2003) e “Lisístrata” (2005). Em 2005 fez sua primeira oficina ministrado pelo diretor Amir Haddad até que no ano de 2007 passou a integrar o grupo TÁ NA RUA e participou de diversos espetáculo do grupo, dentre elas a montagem do "Cabaré Tá Na Rua". Em 2012 realiza sua primeira assistência de direção, no I Festival Funk Favela, no Morro da Providência. Entre 2015 e 2017 foi produtora do Grupo Tá na Rua, e desde 2017 vem realizando a produção de diversos espetáculos, entre eles “A Mulher Ideal”, de Lorena da Silva e Claudio Serra, entre outros. Como contadora de histórias infanto-juvenis, tem passado por projetos em São Paulo e Rio de Janeiro. F) IDEALIZAÇÃO E ATUAÇÃO: Érika Lopes Erika é cantora, atriz formada pela CAL - Casa das Artes de Laranjeiras e psicóloga especialista em Saúde da Mulher pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Estreia nas artes profissionalmente em 2012 na peça musicada “A pena e a Lei”, de Ariano Suassuna, sob direção de Caique Botkay e com coreografia de Duda Maia. Ficou em temporada nos teatros municipais Jockey, Ziembinski e no Centro de Artes Calouste Gulbenkian. No mesmo ano participa do espetáculo “Brecht – Um Recital” no Teatro Solar de Botafogo. Como cantora fez parte do grupo Coralito, com regência de Ignez Perdigão. Na área da saúde tem experiência na clínica particular e na saúde pública, com atuação na atenção básica, primando sempre por uma abordagem que considera a multiplicidade de linguagens no processo de saúde, inclusive a linguagem artística/cultural. G) ASSESSORIA DE IMPRENSA: Marrom Glacê Assessoria & Agenciamento Há 11 anos no mercado, especializada em assessoria de imprensa no segmento cultural, social, artístico e corporativo, a Marrom Glacê foi uma das primeiras empresas direcionadas e especializadas em oferecer visibilidade na mídia ao artista negro, respeitando sua história e trajetória e reforçando sua autoestima. Desenvolve estratégias de comunicação e ações criativas com o objetivo de construir e fortalecer uma imagem positiva do cliente junto aos meios de comunicação. Atenta e arrojada, a Marrom Glacê investe no detalhe, mantendo-se sustentada pela ética e credibilidade e tendo como diferencial zelar pela imagem de seus clientes de forma efetiva e afetiva.
PROJETO ARQUIVADO.