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Este projeto propõe o ensino da língua indígena Nheangatu, do Tronco Tupi-Guarani, a língua geral da Amazônia, através de um curso de letramento e oralidade, apoiado por workshops, palestras e oficinas, com o intuito de fortalecer o processo de retomada da língua dos povos originários, através do ensino, aprendizagem e valorização da cultura ancestral indígena.
CURSO DE LETRAMENTO E ORALIDADE O curso de letramento e oralidade é composto pela estrutura pedagógica de aulas modulares, a serem realizadas durante o período de três meses, durante os sábados, compreendendo 12 módulos. O curso abordará aspectos gramaticais, linguísticos e fonéticos da Língua Nheangatu, abordando a estrutura linguística do idioma, os aspectos históricos e os conceitos básicos para interpretação, compreensão, escrita e fala do Tupi Moderno. Os módulos serão aplicados abordando os temas: Introdução a Língua Indígena; Estrutura Geral da Língua Nheangatu; Estudos da Gramática da Língua Indigena Nheengatu e Prática e produção textual. A produção do curso de letramento e oralidade compreende o desenvolvimento de habilidades de compreensão básica da língua indígena, escrita e conversação através do Tupi Moderno. Ao longo do curso serão produzidos materiais das aulas, como resultado e culminância dos módulos e dos aprendizados adquiridos no decorrer do processo pedagógico, abordando as temáticas e o contexto histórico e social da linguística Nhaengatu, que serão usados no curso como recurso pedagógico. WORKSHOPS Para valorizar a cultura indígena e abordar temáticas referentes a luta étnico-racial serão promovidos workshops direcionadas as temáticas de valorização da cultura, a arte indígena, bem como as expressões que surgiram da cultura indígena como por exemplo o carimbó, expressão cultural paraense que valoriza os ritmos e instrumento presentes nos rituais tradicionais dos povos originários. Além disso, os workshops tratarão de temáticas que são inerentes a cultura e ancestralidade indígena, tais como Movimento Indígena nos últimos anos; cosmovisão, xamanismo e pajelança – base do sistema xamânico; Língua Geral no Período Colonial, Movimento de Retomada etnolinguístico no Oeste do Pará e a experiência do Nheengatu em sala de aula. Assim, os workshops serão construídos como ferramenta de aprendizagem e ampliação dos conhecimentos ministrados em sala de aula. Além disso, essas atividades proporcionarão ao público em geral integrarem-se ao debate das temáticas da língua e cultura indígena. OFICINAS Oficinas serão desenvolvidas como metodologia educacional formativa e coletiva, com propósito de exercitar e elevar conhecimentos adquiridos em aula, assim sendo, tende a valorização educacional e cultural como parte fundamental da aprendizagem formativa. As atividades serão aplicadas aos educandos do curso para uma dinâmica participativa proporcionando reflexões dos temas que respeitem e dialoguem com as atividades desenvolvidas pelas aulas. Se dará em caráter presencial como múltiplas epistemologias para resultados educacionais concretos e reflexivos para o melhor desenvolvimento do aluno. Serão proporcionadas oficinas de produção textual no fim de cada módulo, para promover o desenvolvimento da leitura e da escrita, por meio de textos com embasamento científico de fácil acesso que permita a compreensão, oralidade e a produção textual dos cursistas quanto à língua língua Nheengatu.
- Desenvolvimento do primeiro curso de letramento e oralidade da língua indígena na cidade de Belém-Maíri, garantindo-se a participação ativa da comunidade indígena e indigenista; - Realização de workshops, com conteúdo informativo sobre a língua, identidade e cultura dos povos originários, direcionados aos indígenas, indigenistas e sociedade civil; - Promoção de oficinas de produção textual e conversação, para o estímulo da prática de escrita e da fala da Língua Nheangatu, visando o uso do idioma em situações cotidianas; - Realização de palestras temáticas, abordando assuntos relevantes para a luta dos povos indígenas, tais como retomada da cultura, afirmação da identidade, cosmologia e língua, no contexto de Belém-Maíri; - Desenvolvimento de uma cartilha ilustrativa, como produto educacional-pedagógico, para propagação de conceitos básicos do Tupi presentes no cotidiano; - Criação de memorial digital, com os produtos gerados durante as etapas e atividades do projeto, a fim de oferecer acervo e memória escrita e oral da Língua Indígena.
Pesquisas apontam (NAVARRO, 2012, p. 245) que a língua dos Tupinambá, denominado de Tupi Moderno, e posteriormente conhecido como Nheangatu, tornou-se a língua geral falada na Amazônia até o século XIX, sendo proibida no final do mesmo século. Apesar de sua proibição, ela não caiu em desuso, de maneira que alguns grupos indígenas da região mantiveram seu uso, e diante da necessidade de reforçar a identidade indígena, alguns povos tem feito a retomada da língua. Segundo o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística _IBGE (2022) foram registrados no Brasil 1.693.535 indígenas, desse total 44,48% da população indígena do país (753.357 pessoas) está na região Norte, com 80.974 indígenas no estado do Pará e 2.125 na cidade de Belém. Este projeto apresenta um curso de letramento e oralidade, que para além de ensinar o uso da língua se configura como valorização da identidade indígena, a partir de um idioma cujo uso foi proibido, retomando a própria afirmação da identidade no passado dos povos. Além disso, visa a valorização da raiz indígena na cidade de Belém, oportunizando aos povos originários e a população que habitam a cidade a terem conhecimento da língua mais falada na região até o século XIX, atribuindo valores linguísticos e culturais importantes. Nesse contexto, este projeto se configura como meio de proteção da expressão cultural de um dos principais grupos formadores da sociedade brasileira, qual seja, a população indígena, com vistas a contrapor a ideia de hegemonia da formação da cultura nacional. Ademais, pretende-se preservar um dos principais bens imateriais do povo brasileiro, qual seja, a língua originária indígena, esta por sua vez, entendida como elemento formador da cultura e do patrimônio histórico nacional. Para além do curso de letramento e oralidade, que busca ensinar a língua originária, este projeto estimula a reprodução e a difusão da língua e da memória na tradição oral como um bem cultural universal, de importância ímpar na formação da identidade nacional, ainda que por muitas vezes excluída da história oficial. Assim, trazemos para o centro do debate o produto cultural originário e formador da identidade do país, privilegiando-se os objetivos do Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac), circunscritos no art. 1, incisos IV, VI, VIII e IX da Lei 8.813/91. No Brasil mesmo com a tentativa de apagamento das línguas indígenas, existem muitas palavras do tronco Tupi faladas no cotidiano da população. Segundo Franzin (2015) cerca de 80% dos nomes de plantas e animais no Brasil são oriundas do Tupinambá. Santana (2020), afirma que no Brasil existem 154 línguas distintas faladas, mas o número de falantes está sendo reduzido, pela inserção do indígena na sociedade não indígena, em que se aprende que o português será melhor dominado com menor uso da língua de seu povo. Em face das tentativas de apagamento, impõe-se a necessidade de fortalecer a retomada da língua originária da Belém-Mairi, como proteção de uma das principais tradições populares, que é a linguagem e a tradição oral. Desta forma, este projeto propõe o incentivo a preservação do patrimônio cultural e histórico circunscrito na língua originária. A vastidão das línguas indígenas não se resume ao Nheangatu, segundo ALZZA e VOORT (2022) "muitas dessas línguas pertencem a uma das principais famílias linguísticas: Tupi, Arawak, Carib, Macro-Jê, e há mais 21 famílias menores e até 20 línguas isoladas", o que demonstra um patrimônio cultural e histórico imaterial que não se perdeu e continua pulsante na resistência dos povos. Com este projeto, buscasse não apenas apontar a importância linguística, mas também o valor cultural intrínseco para os povos da região. Isto porque a necessidade de valorização da língua Tupi Moderno, ou o Nheangatu, como ficou conhecida na região Amazônica, contribui para o fortalecimento da identidade dos grupos que as preservam e consideram necessária como forma de valorização cultural e de manutenção das tradições populares nacionais. Como forma de valorizar o ensino e a pesquisa da língua e cultura indígena, por pesquisadores e técnicos brasileiros, este projeto propõe a criação de bolsas de pesquisa para monitoria do trabalho técnico, cultural e cientifico, como produto anexo e auxiliar do curso de letramento e oralidade, a fim de incentivar a pesquisa e a formação da língua, para a valorização da identidade ancestral, conforme dispõe o art. 3, inciso I, alínea "a", inciso III e alínea "d" da Lei 8.813/91. Através do curso de letramento e oralidade, aliados as atividades de workshops, palestras e oficinas formativas, em consonância com a concessão de bolsas de pesquisa, este projeto propõe a valorização, preservação e difusão do patrimônio artístico e cultural herdadas dos povos indígenas, muito presente em nossa sociedade, como elemento formador da identidade e da cultura nacional.
O Instituto Nossa Voz surgiu como ato de resistência para ecoar as vozes dos povos da Amazônia. Atuando incansavelmente na luta socioambiental e étnico-racial, utilizando cultura, arte e educação como elementos de formação de uma consciência ambiental, para alcançar uma sociedade com justiças climáticas, culturais e sociais. Atuando nas periferias das cidades, rios e florestas, fortalecendo a luta contra o racismo ambiental, a invisibilização da identidade indigena, negra e quilombola, o preconceito contra nossas culturas, todas as formas de opressões e violência contra nossos corpos e territórios. O Instituto Nossa Voz se coloca como um guardião dedicado à preservação da vida e da natureza. Nada sobre nós sem nós. A Amazônia é território ancestral dos nossos antepassados, indígenas, negros e quilombolas.
PRODUTO: CURSO DE LETRAMENTO E ORALIDADE Ementa: Fontes manuscritas. Lexicografia. Fontes impressas. Instrumentos de pesquisa. Uso de dicionários do Tupi Moderno. Levantamento e coleta de fontes. Carga horária: 48H Professores: José Gedeão Monteiro Cardoso Súmula: A proposta do curso de letramento e oralidade é discutir a construção de conceitos básicos acerca do Tupi Moderno, a linguística e fonética inerente à língua indígena, as potencialidades da comunicação no Tupi Moderno, em particular, seu uso no contexto da Amazônia e a afirmação da língua da Nheengatu como fonte de identidade originária. E, ainda, trabalhar com textos historiográficos sobre a Amazônia e o uso da língua geral, a fim de que o discente compreenda a metodologia, o uso histórico, além dos aspectos pedagógicos do letramento no idioma Nheangatu. Avaliação: 1) Leitura dos textos e participação em sala de aula; 2) Analisar textos e apostilas acerca de um tema específico, fixando os conceitos gramaticais e pedagógicos acerca do idioma Nheangatu. 3) Ao final da disciplina, cada aluno/a deverá entregar um trabalho, descrevendo uma fonte, seus potenciais e limites a partir da discussão de um tema a sua escolha dentro da temática da identidade indígena e do idioma Nheangatu. Mínimo: 5 laudas. Estrutura do artigo: título; introdução, justificativa, metodologia, bibliografia e fontes. Unidade I - Introdução a Língua Indígena Conceitos básicos e introdução a Língua Indígena. Fontes históricas, utilização por comunidades indígenas, tipos e usos. O surgimento do Tupi Moderno e sua transformação na língua geral da Amazônia. Estudo dos Troncos Linguísticos Indígenas. Unidade II - Estrutura Geral da Língua Nheangatu. Historiografia do Tupi Moderno. Ancestralidade e linguística indígena. Gramática e lexicografia do Nheangatu. Normativa e Fonologia do Nheagatu e suas aplicações no cotidiano. Exercício de escrita e produção textual do Tupi Moderno. Unidade III - Estudos da Gramática da Língua Indigena Nheengatu. Estrutural Gramatical do Nheangatu. Fonemas e fonética do tupi moderno. Influências culturais e estrutura gramatical do Nheangatu. Morfologia e Sintaxe básica da estrutura linguística Nheangatu. Exercício de conversação e soletração de fonemas básicos. Unidade IV - Prática e produção textual. Produção textual e exercício de leitura coletiva de textos no idioma Nheangatu. Reprodução de produtos multimídia para ampliação de vocabulário no Tupi Moderno. Identificação de termos indígenas usados no cotidiano. Exercícios de conversação coletiva para ampliação de fluência no idioma Nheangatu. Referências Bibliográficas NAVARRO, Eduardo de Almeida. As primeiras traduções do Brasil: as fontes quinhentistas e seiscentistas para o conhecimento dos índios brasileiros e da língua tupi. Revista do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo, v. 98, p. 23-46, 2014 NAVARRO, Eduardo de Almeida. A influência do Tupi Antigo e das línguas gerais coloniais na formação do português falado no Brasil. REVISTA DO INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DE SÃO PAULO, v. 101, p. 49-58, 2017. NAVARRO, Eduardo de Almeida. Método Moderno de Tupi Antigo - A Língua do Brasil dos Primeiros Séculos. 5. ed. São Paulo: Editora Global, 2023. v. 1. 464p . NAVARRO, Eduardo de Almeida. Dicionário de Tupi Antigo - A Língua Indígena Clássica do Brasil. 4. ed. São Paulo: Global Editora, 2022. v. 2000. 620p . VAZ FILHO, Florêncio Almeida.; CARVALHO, M. R. G. ; ANDRADE, U. M. ; BORT JUNIOR, J. R. ; LOVO, A. R. ; HENRIQUE, F. B. . Etnologia Transversa: uma primeira conversa com Maria Rosário de Carvalho, Ugo Maia Andrade e Florêncio A. Vaz Filho. Maloca Revista de Estudos Indígenas, v. 04, p. 01-40, 2021. VAZ FILHO, FLorêncio Almeida.. A crença nos encantados entre os indígenas do Baixo rio Tapajós. Leetra, v. 1, p. 84-91, 2014. PRODUTO: Workshops Ementa: Fontes onlines. Lexicografia. Fontes impressas e online. Instrumentos de pesquisa. Autores Indígenas e Indigenistas. Carga horária: 10 horas Professores: Grupo de Pesquisa de História Indigena e Indigenismo na Amazônia- HINDIA. Vinculado a Universidade Federal do Pará - UFPA. Súmula: O Workshop trabalhará de forma online com temas sociais linguísticos, culturais, arte dos povos originários, pajelança, Belém no passado colonial, história do movimento indigena, movimento indigena atual, retomada indigena, para os cursistas e não cursistas, com intuito de alavancar conhecimentos históricos e sociais indígenas, despertando interesses quanto a pauta e valorizando conhecimentos da temática do curso, a linguagem, e temas sociais e culturais, de autores indígenas e indigenistas que dialoguem com as temáticas apresentadas. Professores e membros indígenas com experiência para facilitar as temáticas. Propostas: 1) Palestras com uso de textos de autores Ingena e indigenistas no Workshop; 2) Material de audiovisual para fomentar debates propostos. Referências Bibliográficas Munduruku, Daniel. O Caráter Educativo do Movimento Indigena Brasileiro (1970-1990) São Paulo- Paulinas: 2012. Pajelança e Babassuê: as faces do Xamanismo Amazônico no Final do Século XIX Maria Audirene de Souza Cordeiro (UFAM/PPGAS). FIGUEIREDO, A. M. Mairi dos tupinambá e Belém dos portugueses: encontro e confronto de memórias. In: SARGES, M. N.; FIGUEIREDO, A. M.; AMORIM, M. A. (org.). O imenso Portugal: estudos luso-amazônicos. Belém: Edufpa, 2019. p. 26 PEIXOTO, Rodrigo Correa , ARENZ, Karl, FIGUEREIDO, Kércia. O Movimento Indígena no Baixo Tapajós: etnogênese, território, Estado e conflito. 2012. O Índio Cidadão: https://youtu.be/kWMHiwdbM_Q?si=Vsg-g18gL2jttshw Produto: OFICINAS Ementa: Fontes manuscritas. Lexicografia. Fontes impressas. Produção Textual e de material pedagógico. Uso de dicionários do Tupi Moderno. Exercícios de conversação e de fonética. Utilização de material audiovisual para desenvoltura de fluência. Linguística do idioma Nheangatu. Carga horária: 10H Facilitadores: Grupo de Pesquisa de História Indigena e Indigenismo na Amazônia- HINDIA. Vinculado a Universidade Federal do Pará - UFPA. Súmula: A proposta dos workshops é a ampliação de conceitos básicos acerca do Tupi Moderno, tais como a linguística e fonética inerente à língua indígena. Propõe-se o desenvolvimento das potencialidades da comunicação com base no Tupi Moderno, através de conversação coletiva e produção de textos. Apresenta-se a proposta de trabalhar instrumentos pedagógicos para o alcance de fluência linguística e ampla produção textual, a fim de que o discente desenvolva as habilidades básicas para a compreensão e fala do idioma originário. Avaliação: 1) Leitura dos textos e participação em oficinas; 2) Analisar textos e apostilas acerca de um tema específico, exercitando a leitura e identificação da estrutura linguística do idioma Nheangatu; 3) Exercício de fala e oratória, para o desenvolvimento de fluencia correta dos fonemas e da estrutura fonética do Tupi Moderno. Referências Bibliográficas NAVARRO, Eduardo de Almeida. Os nomes indígenas na Geografia brasileira e sua importância para o estudo da organização do espaço. Revista Geografia, São Paulo, v. 20, n.2, 1995. NAVARRO, Eduardo de Almeida. Curso de Língua Geral (NHEENGATU OU TUPI MODERNO) - A LÍNGUA DAS ORIGENS DA CIVILIZAÇÃO AMAZÔNICA. 2. ed. São Paulo. Centro Angel Rama da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da. Universidade de São Paulo. 2016. VAZ FILHO, FLorêncio Almeida.. O nativo revestido com as armas da Antropologia. Novos Olhares Sociais, v. 1, p. 51-78, 2019.
Este projeto foi desenvolvido em consonância com a profunda percepção de que a acessibilidade é inerente ao desenvolvimento como marcador de responsabilidade social. A acessibilidade entendida a viabilização de meios e formas de acesso dos mais diversos produtos e espaços, pode ser apontada como meio de integração e de garantia de direitos a todas as pessoas com deficiência. Nessa perspectiva, pode-se definir, de acordo com Burnagui et al., 2016; Santos et al., 2018, a acessibilidade como: (...) um atributo principal do ambiente, e que sua implementação é fundamental, tendo em vista que por meio dela garante-se a melhoria da qualidade de vida dos indivíduos e se produz resultados sociais positivos, pois a mesma contribui para a inclusão. É de suma importância frisar que, na ausência da acessibilidade, a pessoa com deficiência tem tanto sua autonomia (capacidade do indivíduo em determinar suas próprias normas de conduta), quanto sua independência (poder de realizar sua atividade sem interferência ou auxílio de outros) prejudicadas. Assim, importa frisar que este projeto se depreende como uma iniciativa de profundo impacto social e, desta feita, a acessibilidade é marca inarredável de todas as fases de seu desenvolvimento. Portanto, apresentamos as iniciativas de acessibilidade elencadas e pensadas para as etapas deste projeto. Inicialmente, por se tratar de um curso de letramento e oralidade, destacamos a interpretação de todos os módulos do curso, bem como dos workshops e oficinas na Língua Brasileira de Sinais – LIBRAS, a fim de permitir que todas os produtos previstos neste projeto sejam acessíveis a pessoas surdas, democratizando o acesso ao conteúdo disposto em todas as etapas de execução deste projeto. Além disso, as atividades produzidas na execução deste projeto contarão com o recurso de áudio descrição, a fim de promover a integração e participação de pessoas com deficiência visual, para que estas também seja à essas pessoas seja oportunizada a contribuição e participação no curso de letramento, oralidade, workshops e oficinas. Ainda, importa ressaltar que as escolhas de locação e dos espaços são consideradas com base em elementos físicos de acessibilidade como rampas, corrimões e demais itens que garantam a acessibilidade física aos espaços onde ocorrerão as atividades correspondentes a todo o desenvolvimento do projeto. Desta forma, indica-se que a garantia de acesso de pessoas com deficiência a todos os produtos deste projeto se destaca como uma forma de ampliar o alcance, democratizando as temáticas abordadas e incluindo várias pessoas, em sua diversidade, para que tenham a possibilidade de discutir e ampliar as temáticas abordadas.
A Amazônia Paraense, diversa em sua composição, demonstra que existe a necessidade de comunicação que alcance os mais diversos níveis e formas. Diante de uma realidade onde a Região Norte ainda revela os menores percentuais de usuários da internet (82,4%, segundo dados do módulo de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD de 2022), a comunicação e divulgação que chegue para além das redes sociais é também o caminho mais efetivo para alcance da população. Considerados os dados exibidos, apresentamos a proposta de divulgação que vá além das mídias sociais e dos meios tecnológicos de comunicação, sem, contudo, prescindir destes. É certo que para alcançar a realidade de uma população que ainda não tem total acesso às mídias sociais e a internet, se demonstra a necessidade de promover meios físicos de engajamento e comunicação. Assim, a proposta de divulgação física para formar turmas para o projeto para atender aqueles que não têm acesso às redes sociais será feita por intermédio das organizações parceiras, que atendem um determinado público alvo de indígenas, as organizações indicarão para compor o curso. Outro meio de divulgação oficial do projeto será pelas mídias sociais, instagram, facebook, whatsapp das redes do instituto e parceiros. Pretende-se apresentar a proposta deste projeto em diálogo direto com a população, proporcionando o entendimento da necessidade de retomada da ancestralidade e da carga cultural e linguística da Língua Nheangatu. Compreende-se que a população precisa ser impactada com através do diálogo e da apresentação de uma ancestralidade, ora desconhecida, ora amplamente negada e apagada, para que então, possa haver consciência da complexidade e da vastidão da linguística Nheangatu. Segundo a PNAD de 2015 a maioria da população residente no Pará, em sua zona urbana, é de mulheres nas faixas etária de 30 a 34 anos e de 15 a 19 anos, o que nos aponta para uma população jovem, cujo alcance se dá através de linguagens dinâmicas e inclusivas. Assim, podemos dizer que a estratégia de mídia e redes sociais não pode ser completamente desassociada da execução deste projeto, porquanto compreende uma forma abrangente de comunicação. É importante considerar que na região Norte, embora os números de acesso a internet ainda remanescem sendo os menores em todo o país, o crescimento aferido de 6,1 pontos percentuais no numero de usuários (inserir fonte do PNAD), revela a importância da mídia social no alcance da população. Assim, campanhas das redes sociais, contendo vídeos explicativos, material informativo, campanha de divulgação massiva são parte chave da divulgação, para que a população tenha acesso e conhecimento acerca do projeto e para que os conceitos aqui trabalhados não fiquem restritos ao público-alvo, mas possam circular em diversas esferas da população, incitando a busca por mais conhecimento e por mais esclarecimento acerca da temática proposta. Para que o curso alcance engajamento utilizaremos de workshop, palestras presenciais e online, debates, colaboração das universidades parceiras na excursão do projeto, grupos de pesquisas de indigenistas.
CURSO DE LETRAMENTO E ORALIDADE O curso de letramento e oralidade compreende um curso intensivo elaborado para o ensino e apresentação dos conceitos básicos da linguística, gramática e fonética da Língua Nhaengatu, conhecida como Tupi Moderno, a língua geral da Amazonia. O curso terá a duração de três meses, se comprometendo com o ensino básico do Tupi Moderno e desenvolvendo as habilidades de escrita e conversação da língua. Serão desenvolvidas aulas presenciais aos sábados entre 17h00 às 21h00 (dezessete as vinte e uma horas), durante o período de duração do curso, com conteúdo formativo, distribuído entre os seguintes módulos: 1- Introdução a Língua Indígena 2- Estrutura Geral da Língua Nheangatu 3- Estudos da Gramática da Língua Indigena Nheengatu 4- Prática e produção textual O curso será ministrado por professores com iminente conhecimento acerca do Tupi Moderno e com comprovada experiência na docência do idioma indígena, a fim de alcançar os cursistas com metodologia participativa, que permita a assimilação dos conceitos básicos, encaminhando todos os cursistas ao letramento na Língua Nheangatu. O curso contará com estrutura de material didático básico (blocos de anotação, canetas e papel) e material de suporte, que se refere ao principal aporte teórico do curso, a obra “Curso de Língua Geral (Nheengatu ou Tupi Moderno) – A língua das origens da civilização amazônica”. De autoria do proeminente lexicógrafo Eduardo Navarro, a obra em questão baseia a didática e os aspectos pedagógicos do curso que pretendemos aplicar, com vistas ao ensino do Tupi Moderno. WORKSHOPS Serão realizados workshops, com conteúdo formativo, proporcionados fora da carga horária de aula do curso, e ministradas por professores e pesquisadores que possuem estudos e experiência com a temática indígena. Os workshops serão atividades de apoio, para além da carga horária do curso de letramento e oralidade, terão como objetivo discutir amplamente as temáticas que perpassam pelo ensino da Língua Nheangatu. Proeminentemente, as temáticas que se referem a retomada da língua indígena, como instrumento de resistência e afirmação de identidade, as tentativas de apagamento da cultura e ancestralidade indígena e a contribuição significante da carga cultural e histórica dos povos originários na formação da identidade brasileira. A partir da realização dos workshops, pretende-se que o público alcançado por este projeto seja ainda maior, ampliando-se as discussões e agregando-se mais pessoas ao debate, para que as temáticas concernentes a identidade indígena, a importância da língua originária e a retomada da ancestralidade presente no patrimônio cultural imaterial, que é a linguagem, sejam debatidos por pessoas para além do publico cursista. Os workshops serão realizados em espaços amplos, abertos ao publico e cada um abordará uma temática específica, contando com recursos multimídia e facilitadores que trarão contribuições significativas para que os participantes possam dialogar sobre os temas propostos. Pretende-se que os workshops, voltados para o público geral, despertem interesse e fomentem as discussões sobre os assuntos que conformam este projeto, gerando o envolvimento da sociedade civil e promovendo o debate amplo acerca da contribuição histórica e cultural dos povos indígenas para a formação da identidade nacional e sobretudo a identidade amazônica. OFICINAS Serão promovidas oficinas facilitadas por membros da comunidade indígena, valorizando conhecimentos culturais e linguísticos dos povos e que atuem como ferramenta de suporte para fixação dos aprendizados adquiridos durante o curso de letramento e oralidade. As oficinas terão como objetivo desenvolver as habilidades de escrita e conversação da Língua Nheangatu. Entende-se que a conversação e a escrita do Tupi Moderno, aliadas ao conhecimento acerca da identidade indígena e de sua contribuição para a formação da identidade amazônica, são duas das principais habilidades a serem desenvolvidas, de modo que todos os cursistas devem exercitar essas aptidões, para que atinjam um nível básico de fluência e compreensão da língua indígena. A conversação e a escrita, enquanto habilidades a serem desenvolvidas pedagogicamente, deverão ser estimuladas durante as oficinas para que o uso cotidiano do Nheangatu seja recorrente para os cursistas, que para muito além de adquirir conhecimento sobre um idioma, estarão praticando a linguística que consubstancia a resistência da população originária. Dessa forma, as oficinas serão desenvolvidas em local assistido por materiais pedagógicos, que propiciem a prática e exercícios pedagógicos que visem trabalhar aspectos gramaticais e fonéticos da Língua Nheangatu, para que possam se aprofundar e desenvolver a fala e a escrita na língua originária.
PROJETO ARQUIVADO.