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O Laboratório Queer Voices é um projeto de formação com o objetivo de capacitar roteiristas LGBTQIA+ para o mercado audiovisual brasileiro. Utilizando a metodologia das 8 sequências, desenvolvida por Frank Daniel, ex-reitor da Universidade do Sul da Califórnia (USC), auxiliamos o roteirista da ideia inicial até a elaboração de um argumento para ser apresentado às produtoras ou ser inscrito em editais. Serão 12 encontros semanais de 3 horas cada, com abordagem teórica e prática de escrita. Serão 6 pessoas por turma. O objetivo é formar 8 turmas em um ano, totalizando 48 alunos. A proposta inclui também interpretação em Libras das aulas que serão online, podendo alcançar pessoas de todo o país.
A metodologia usada no laboratório para a escrita do argumento é a técnica das 8 sequências (The sequence approach) de Frank Daniel, muito difundida nos cursos de roteiro nos EUA e amplamente utilizada pela indústria cinematográfica de Hollywood. Por dois anos consecutivos o prêmio de melhor roteiro no FRAPA foi para roteiros escritos a partir desse método. Frank Daniel, foi um famoso roteirista, produtor e diretor tcheco, com formação no VGIK- Instituto Russo de Cinema, a mais antiga faculdade de cinema do mundo. Foi decano da Escola de Cinema de Praga e em 1968, se mudou para os Estados Unidos, onde permaneceu na área de educação cinematográfica, tendo atuado como professor do American Film Institute (AFI); copresidente da divisão cinematográfica da Escola de Artes da Universidade de Columbia; diretor artístico do Sundance Institute de Robert Redford e o primeiro reitor da Escola de Cinema-Televisão da Universidade do Sul da Califórnia (USC). Daniel desenvolveu uma teoria (segundo ele herdada pelos realizadores desde o cinema mudo) que utiliza a tecnologia de projeção inicial como referência para a criação de roteiros. Na época, os filmes eram projetados em película e cada película possuía diversos rolos de filme, exibidos sequencialmente. Cada rolo tinha entre 10-15 minutos de tempo de tela. A partir disso, Daniel propunha um formato de escrita parecido com o utilizado no primeiro cinema, em que se pensasse a escrita como sequências equivalentes a duração de um rolo. A abordagem de sequência de Daniel divide o roteiro então em 8 sequências, cada uma delas pensada como um microfilme. Ele dividia sua estrutura geral em 3 atos, subdivido nas sequências. Segundo a lenda, a metodologia de Frank Daniel foi um segredo guardado a sete chaves entre seus alunos durante anos. Em 1996, Frank Daniel faleceu e vários de seus pupilos lançaram luz sobre a estrutura (que deixou de ser tão secreta) e essa nova geração de alunos acabou popularizando o formato com livros e estudos que se inspiravam na teoria de Daniel. A estrutura é muito dinâmica, não tem tantos beats pré-definidos e pode ser utilizada em filmes de diversos gêneros e formatos como por exemplo: Velocidade Máxima, Força Aérea Um, Se7en, O Sexto Sentido, Borat, Missão Madrinha de Casamento, O que fazemos nas sombras, A Primeira Noite de um Homem, Sideways, Ǫuero ser John Malkovich, A Origem entre outros. Com bons pontos de virada que conectem bem as sequências e não as façam parecer episódios desconexos e colados, a estrutura pode ser utilizada nos mais diversos tipos de obras. Uma das coisas mais interessantes dessa estrutura é que ela pode ser utilizada meramente como metodologia. Assim, em vez pensar a história como um todo, do começo ao fim, é possível construir a história em etapas, com pequenos segmentos que levam a história adiante. Em vez de se preocupar com as 90 ou 120 páginas que necessita escrever, o roteirista se preocupa com as 15 primeiras, e depois com as 15 próximas, e assim por diante. Cada segmento pode ser pensado tendo em vista a responder uma tensão dramática (ou uma pergunta dramática) que se apresenta, se desenvolve e tem como resolução um gancho que faz a história continuar progredindo. O formato também é muito positivo para se pensar na escrita do 2º ATO. Ele não tem a mesma quantidade de beats que o paradigma de Blake Snyder, por exemplo, e por isso mesmo consegue guiar a escrita sem deixá-la tão previsível. Aqui, o segundo ato funciona como uma escada de quatro degraus que devem progredir logicamente em intensidade até resolver a tensão dramática do 1º e 2º Ato. O laboratório tem um formato de teoria e prática de escrita, além da discussão das tarefas semanais escritas por todos.
Objetivo Geral: Capacitar roteiristas LGBTQIA+ para o mercado de trabalho do audiovisual brasileiro. Objetivos específicos: 1-Aplicar a técnica das 8 sequências para o aluno desenvolver e escrever um Argumento cinematográfico de 12 páginas. 2-Elaborar um mini projeto de cada aluno contendo logline, sinopse e argumento registrado na biblioteca nacional para apresentar para produtoras e participar de rodadas de negócios e editais de incentivo. 3-Realizar encontros de 3hs semanais durante doze semanas para cada turma, totalizando 36hs de curso. 4- Financiar aos alunos material didático e internet para que consigam participar efetivamente do curso e poderem colocar seus projetos em evidência após o curso. 5- Formar 8 turmas em um ano, cada uma com 6 alunos cada, totalizando 48 alunos ao todo.
Em concordância com o inciso I do Artigo 3 da Lei 8313/91 esse projeto se enquadra como: I - incentivo à formação artística e cultural, mediante: a) concessão de bolsas de estudo, pesquisa e trabalho, no Brasil ou no exterior, a autores, artistas e técnicos brasileiros ou estrangeiros residentes no Brasil; c) instalação e manutenção de cursos de caráter cultural ou artístico, destinados à formação, especialização e aperfeiçoamento de pessoal da área da cultura, em estabelecimentos de ensino sem fins lucrativos; Para assim fazer valer o que está previsto nos seguintes incisos do Artigo 1 I - contribuir para facilitar, a todos, os meios para o livre acesso às fontes da cultura e o pleno exercício dos direitos culturais; II - promover e estimular a regionalização da produção cultural e artística brasileira, com valorização de recursos humanos e conteúdos locais; III - apoiar, valorizar e difundir o conjunto das manifestações culturais e seus respectivos criadores; IV - proteger as expressões culturais dos grupos formadores da sociedade brasileira e responsáveis pelo pluralismo da cultura nacional; V - salvaguardar a sobrevivência e o florescimento dos modos de criar, fazer e viver da sociedade brasileira; Além disso, a ideia do projeto veio da percepção de uma demanda do mercado audiovisual de mais representatividade LGBTQIA+ nos produtos audiovisuais e ao mesmo tempo carência de profissionais LGBTQIA+ capacitados para atuar nesses projetos audiovisuais tornando-os realmente representativos da comunidade LGBTQIA+ brasileira. A técnica utilizada no curso não se encontra traduzida para o português, só sendo acessível para quem consegue financiar ou ganhar bolsas para ir fazer mestrado nos EUA, onde essa técnica é ensinada nas faculdades de cinema, notadamente a USC (University of Southern California) onde o reitor Frank Daniel desenvolveu e difundiu a técnica. Por isso, a intenção do curso ser online, ajuda na diversidade territorial e cultural do Brasil, podendo atingir pessoas de todos os estados brasileiros e de rendas diversas. Ao mesmo tempo, o curso pretende ser uma porta de entrada para o mercado audiovisual brasileiro ainda profundamente elitista, branco, masculino e cisgênero, possibilitando que pessoas das classes sociais menos abastadas possam ter acesso a formação profissionalizante gratuita. O curso será ministrado pelo professor Gutto Gomide, produtor da Audrey Filmes, diretor e roteirista, formado em cinema pela Universidade Federal de Santa Catarina. Em 2021 Gutto Gomide foi um dos doze selecionados para o Programa New Voices para roteiristas estreantes da Fullbright Brasil, promovido pelo consulado americano no Brasil, onde aprendeu a técnica das 8 sequências usada como metodologia desse curso. Apesar do curso ser estendido a toda a comunidade LGBTQIA+, existe um carinho pela comunidade Trans, que é a sigla que mais enfrenta discriminação e barreiras de acesso educacional e ao mercado de trabalho, além do risco de vida, pois no Brasil a expetativa de vida de uma pessoa trans é de 35 anos de idade. A importância de ter pessoas trans capacitadas para escrever roteiros e criar histórias que terão a oportunidade de alcançar o grande público vai além de tentar mudar dados estatísticos, é realmente poder mudar a mentalidade da sociedade brasileira através da empatia que vem do poder de se contar histórias. E o audiovisual é uma das maiores ferramentas de mudança cultural atualmente, visto que está presente 24 horas por dia na vida das pessoas, seja na TV, no computador ou no celular.
Bibliografia: Em português: FIELD, Syd; Manual do roteiro. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. MACIEL, Luiz Carlos; O poder do Clímax. Rio de Janeiro: Record, 2003. MCKEE, Robert. Story; Curitiba: Arte & Letra, 2006. SNYDER, Blake; Salve o gato! Santos: H1 editora, 2024. TRUBY, John; Anatomia da história. Brasília: Seiva, 2024. VOGLER, Christopher; A jornada do escritor. São Paulo: Aleph, 2015. Em inglês: EPPS, Jack. Screenwriting is rewritting. USA: Bloomsbury, 2016. GULINO, Paul Joseph. Screenwriting The sequence approach. USA: Bloomsbury, 2004. HUDSON, Kim. The virgin’s promisse. USA: Michael Wiese Productions, 2010.
Com o objetivo de ampliar o alcance de profissionais, costumeiramente à margem do mercado de trabalho audiovisual brasileiro, propomos como acessibilidade a disponibilização de interpretação em Libras em todas as aulas. Assim, podendo atingir pessoas da comunidade surdo muda que também querem e têm o direito de poderem contar suas histórias através do audiovisual. Além disso, por ser inteiramente online, o acesso de pessoas com algum impedimento de mobilidade pode ser assistido e o acompanhamento do curso ser realizado normalmente.
Esse projeto inteiro se baseia na democratização do acesso, seja ele territorial ou financeiro. O foco na comunidade LGBTQIA+ já tem a intenção de facilitar o acesso ao ensino profissionalizante de pessoas trans, que sofrem preconceitos ao tentarem se inserir no mercado de trabalho de maneira formal. Tradicionalmente, o audiovisual brasileiro se desenvolve concentradamente no eixo Rio-São Paulo, por isso o curso ser online permite que o aluno seja de qualquer ponto geografico do nosso país. A proposta de fornecer auxílio internet também ajuda na democratização do acesso, pois existem pessoas o nosso país que não tem acesso a internet por motivos de vulnerabilidade financeiras. E por fim, ser totalmente gratuito e noturno faz o curso ser único no nosso país, fornecendo um tipo de formação que é muito caro e cujo acesso não é facilitado, para pessoas que trabalham e não possuem muito tempo livre para se dedicar a qualquer tipo de profissionalização.
O dirigente, Gutto Gomide, realizará todo o trabalho, desde a divulgação e inscrição até o acompanhamento e mentoria do profissional após o curso. O curso em si será uma mescla de teória e pratica de escrita, sendo composta por tarefas de escrita semanais, assim, o dirigente irá ler e comentar por escrito todas as tarefas, além de discutí-las em aula semanalmente. Além disso, o dirigente irá disponibilizar material didático para as aulas teóricas. Gutto Gomide é produtor, diretor e roteirista. Formado em Cinema pela UFSC, participou do Programa New Voices pra roteiristas estreantes com bolsa da Fullbright Brasil em 2021. Desde então, fundou a produtora Audrey filmes, onde se dedica a criar histórias com protagonismo LGBTQIA+ e a auxiliar outros roteiristas a criarem seus próprios projetos através do laboratório de desenvolvimento Queer Voices. Nascido em Belo Horizonte, mas residente em Florianópolis há 12 anos, Gutto Gomide se interessa por contar histórias de protagonismo LGBTQIA+, comunidade da qual faz parte, já que se identifica como um homem gay. Para ele, as histórias, fórmulas e gêneros que já vimos serem contadas e utilizadas nos filmes diversas vezes precisam ser recontadas, mas agora por uma perspectiva de representatividade, podendo assim se conectar com qualquer pessoa e gerar identificação com membros da comunidade LGBTQIA+. A Audrey filmes é uma produtora focada em narrativas com protagonismo LGBTQIA+, seja nas histórias ou por trás das câmeras. Acreditamos no cinema de gênero como uma ferramenta para atingir um maior número de pessoas com histórias leves, mesmo assim, abordando temas importantes de amor, inclusão e aceitação. Dentre nossos trabalhos, se destaca o laboratório Queer Voices, onde juntamente com criadores LGBTQIA+ desenvolvemos projetos, da ideia inicial ao argumento e do argumento ao roteiro, num processo de mentoria de 3 a 6 meses, utilizando a técnica das oito sequências, criado por Frank Daniels, ex-diretor do Sundance Institute nos EUA. No momento contamos com 10 projetos em desenvolvimento, de uma diversidade de gêneros: Comédia, drama, terror, comédia romântica, animação e outros. As temáticas também são bem diversas: aceitação, transexualidade, transfobia, maternidade, paternidade, namoro na adolescência, gordofobia, assédio sexual no local de trabalho, religião, moralidade, hipocrisia e romances gay, sáfico etc. Nossa missão é conseguir trazer ao mercado audiovisual brasileiro mais representatividade e diversidade, colocando profissionais da comunidade LGBTQIA+ em evidência e tentando quebrar a falsa ideia de que filmes com protagonismo LGBTQIA+ são de nicho e incapazes de atingir o grande público.
PROJETO ARQUIVADO.