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Realização do filme Minha avó é Nagô, finalizado em Digital, 2k, som 5.1, com duração de 52 minutos. Através das memórias da Ialorixá Dona Nair (89), o documentário, narrado em primeira pessoa pela diretora e neta Naymare Azevedo (30), mergulha no universo da cultura afro-brasileira e reflete sobre a importância das mulheres negras na preservação da memória e da luta contra as violências coloniais. Numa espécie de road movie acompanhamos as personagens em encontros com pessoas, cidades e lugares que fazem parte de suas histórias pessoais e do candomblé Nagô de Pernambuco. O filme reconstrói um passado ainda presente de mulheres do Axé, que colocaram seus corpos e suas vidas à frente de suas comunidades e carregam as sementes do afrofeminismo contemporâneo. O filme busca descolonizar corpos e mentes, e firma a narrativa sob o olhar e verdade dessas mulheres, apontando para novas formas de localizá-las nas histórias oficiais.
STORYLINENeta encontra em sua avó yalorixá um caminho para retomar as memóriasancestrais de sua família e sua herança no candomblé Nagô de Pernambuco. SINOPSENaymare, uma neta, retorna ao seu lugar de origem para investigar sua herança ancestral e através do reencontro com sua avó, a Yalorixá Nair, busca uma possibilidade de achar um caminho que leve a compreender suas raízes afrobrasileiras. Juntas, avó e neta mergulham nas histórias desconhecidas de seu falecido avô José Emanoel e suas relações com o candomblé Nagô de Pernambuco. Ao revisitar lugares, ativam memórias e imagens que as ajudam a reconstruir um passado ainda presente e compartilham suas experiências como mulheres negras em diferentes gerações. O filme terá classificação indicativa de 14 anos. TRATAMENTO NARRATIVO Tela preta apenas com aúdio do barulho de mar, em seguida começa um cântico em yorubá para Iemanjá cantado por dona Nair (avó), corta para um plano aberto com a câmera em plano superior com a imagem feita em drone, de um barco naufragando onde Naymare, submersa em um barco, com os olhos fechados e com um vestido de retalhos com imagens de pessoas negras de diferentes nações africanas, costuradas por uma linha vermelha. O barco ainda no mar, navega em direção ao rio ou mangue, onde Naymare, encontra sua avó sentada vestida de branco na beira do mangue. Junto às imagens, entra um aúdio o onde se narra sobre as questões da diáspora e da importância dos encontros e reconstrução das memórias. Naymare desperta e segue em direção da sua avó e deita em seu colo. Tela preta, em seguida aparece Naymare chegando na casa de Dona Nair, elas se braçam em cena, Dona Nair está na cozinha e a neta avisa que voltou para fazer o filme, a avó sorri e diz que vai se arrumar. Com a câmera fechada em plano de retrato, junto a imagem surge o seu áudio se apresentando, falando o seu nome, de onde vem, quem é e o que faz. Ao desdobrar da narrativa sua neta e também diretora do filme, vai colhendo as pistas através das informações que sua avó vai entregando, sobre sua vida, sua história de presente, futuro e passado, diante aos fatos se começa uma busca por imagens, registros em cartórios, locais associações como a Federação dos Espíritas e Religiões de Matriz Africana. Ao chegar na federação, Naymare descobre novas informações sobre o seu avô e suas ligações com as tradições de matriz africana em Natal, através desses novos indícios e possibilidades, ela segue em busca de registros e pessoas que tenham conexões com a história de seus ancestrais, ainda na cidade (RN). Na sequência de cenas, Naymare retorna a casa de sua avó, apresenta para ela as novas informações e descobertas e fala para ela que elas precisam ir a Pernambuco descobrir mais coisas sobre suas origens. Em cena que representa suas memórias e sentimentos, Naymare conversa com Oxum e pede para ela que reflia seus espelhos para que, mesmo em pedaços, ela possa reconstruir as histórias de sua ancestralidade. Dentro do rio, sentada em uma cadeira de palha, Naymare se olha no espelho e vê no reflxo sua avó. Mesmo relutante, sua avó resolve viajar até Pernambuco para, junto a Naymare, investigar os rastros de memórias e registros. De carro, elas seguem para Caixa D’água no bairro de Olinda, onde os familiares de sua avó moram todos juntos em um loteamento, uma espécie de quilombo. Ao chegar lá, depois dos cumprimentos e devidas organizações, Naymare reúne os irmãos de sua avó, seu Joca e Tia Finha, para relembrar de suas vidas em Surubim. Eles falam sobre sua infância, sobre as memórias que tem de sua família e como eles vieram para Recife, suas motivações e desafios na cidade. Naymare está no carro que caminha, propõe a sua avó retornar aos endereços/locais que foram importantes na história de sua vida, assim como também retornar a Surubim. Nesses locais, Naymare irá perguntar a sua avó, o que ela lembra e sente. De volta a Recife, Naymare decide retornar junto a sua avó nos terreiros das linhagens de candomblé de seus avôs, retornando ao Sítio do Pai Adão e aos terreiros que seus avós costumavam frequentar como o de Mãe Bê o de Cininha de Xangô. Com todas as pesquisas e visitas encerradas, ainda em Recife, na casa dos familiares, neta e avó conversam em busca de compreenderem juntas a importância de manter o legado da família e os laços afetivos. O filme se encerra com Dona Nair em frente a um Baobá, senta-se em uma cadeira e aos poucos os seus filhos, netos e bisnetos chegam todos vestidos de branco para tirar um retrato ao seu lado.
OBJETIVO E META GERAL DO PROJETO : - Realizar o filme documental MINHA AVÓ É NAGÔ, finalizado em Digital, 2k, som 5.1, com duração de 52 minutos, dirigido por Naymare Azevedo e Carla Francine. OBJETIVOS E METAS ESPECÍFICAS DO PROJETO : - Executar as fases de pré-produção, produção e pós-produção do filme; - Realizar todas as filmagens; - Finalizar o filme em 4k, som 5.1, com opções de acessibilidade; -Realizar um filme que coadune qualidade artística e técnica; - Através da obra produzida, trazer ao público importantes reflexões para a sociedade brasileira; - Promover a inserção de artistas mulheres e negras no mercado de trabalho ligado ao audiovisual pernambucano e brasileiro; - Contribuir para o desenvolvimento da produção audiovisual brasileira, trazendo novos olhares e enfoques. - Exibir o filme em Festivais e mostras de cinema, no Brasil e no exterior, e na televisão brasileira.
O filme Minha Avó é Nagô conta uma das histórias que ainda não foi devidamente contada no Brasil: a história de mulheres afrodescendentes que lutaram para afirmar seu lugar no mundo. Dona Nair, 88 anos, mulher negra pernambucana, é Yalorixá, da Nação Nagô, e vive em Natal (RN), onde mantêm, no quintal de sua casa, o seu terreiro de candomblé. Em seu cotidiano zela por seus ancestrais e cuida, sozinha, das rotinas da casa. Apesar de ocupar uma posição de alto prestígio, Dona Nair, ainda convive com os traumas do racismo ao afirmar sua identidade afrobrasileira. Naymare, 28 anos, mulher negra potiguar, tem mestrado em Cultura e Sociedade pela UFBA. Aos 21 anos se iniciou no candomblé na nação Ketu - culto contemporâneo - e começou o seu processo de afirmação enquanto mulher negra e o resgate pela sua identificação com a cultura africana. Atualmente busca e pesquisa de sua ancestralidade e vê na avó um caminho para isso. Neta e avó, seguirão numa viagem de autoconhecimento, refazendo importantes passos da vida de Dona Nair e de seus ancestrais, partindo de Natal até Surubim, onde D. Nair nasceu, no interior de Pernambuco. Nesse processo de construção da identidade de mulheres como Dona Nair, a religião ocupou um papel muito relevante, pois o espaço religioso funcionou como um lugar onde certas alianças, relações comunitárias e arranjos familiares puderam acontecer fora das imposições da sociedade ocidental dominante. Dona Nair faz parte de uma árvore genealógica espiritual de mulheres negras que fundaram uma das mais antigas tradições do campo religioso brasileiro, o Candomblé Nagô do Recife. Ela descende dessa linhagem de mulheres que, mesmo antes da abolição da escravatura no Brasil, lutaram por sua liberdade e, posteriormente, pela abertura de espaços religiosos liderados por elas. Então, esse documentário não é só sobre a vida e a atuação dela como Ialorixá, mas também sobre essa linhagem de mulheres que lideraram o Candomblé Nagô de Pernambuco, deixando um legado que não só é importante e justo reconhecer, mas também divulgar, já que, infelizmente, é em grande parte desconhecido pela sociedade brasileira, e também pelas próprias comunidades afrobrasileira. A religiosidade de matriz africana nos países colonizados não é apenas um sinal de identidade destas nações, mas uma fonte de espiritualidade da qual emanam muitos outros conteúdos éticos, filosóficos e políticos, e têm sido autênticas escolas nas quais se realizam outras formas de organizar a sociedade e outras formas de pensar o mundo, o gênero, a sexualidade e a própria vida. O filme propõe pensar no deslocamento subjetivo e no que essas mulheres do Candomblé trazem como reinvenção da vida partindo da realidade diaspórica resultante do tráfico transatlântico de pessoas escravizadas. Revisitar essa história é importante, visto até hoje ser latente a fonte opressiva que esconde essas narrativas, e inferioriza o papel das pessoas racializadas na construção do pensamento político, filosófico, científico, reduzindo-as ao encontro com a ocidentalização imposta pela colonização europeia. Minha Avó É Nagô mostrará o papel decisivo e protagonismo das mulheres nos terreiros de Candomblé, líderes da maioria das primeiras comunidades religiosas de Pernambuco, em Particular, e do Nordeste do Brasil. Abordará as formas como elas assumiram a tarefa de organizar, nutrir a fé, alimentar materialmente a comunidade e transmitir múltiplos saberes sem os quais é impossível compreender muitas das práticas culturais e devoções religiosas que hoje caracterizam a nação brasileira. Elementos de linguagem, jargões, o apego a determinadas receitas culinárias, certos modos de vestir, de cumprimentar, de pensar têm suas origens nos terreiros de Candomblé e nas grandes Ialorixás do passado suas referências ancestrais. O filme utilizará dessa comunicabilidade inerente às manifestações de cultura popular, assumindo uma abordagem poética e performática, buscando expressar a subjetividade proposta de forma imagética, trazendo esses questionamentos de maneira sensível. Utilizando recursos e técnicas de criação sensorial, o documentário pretende transmitir ao espectador os sentimentos e as questões abordadas de forma poética e onírica. Ao evidenciar estas estratégias de resistência e perpetuação de um saber para um imenso público brasileiro e iberoamericano que, mesmo tem conhecimento destes elementos culturais, mas nem sempre compreende bem o universo em que está inserido, os elementos culturais Minha Avó É Nagô mostrará como as mulheres do Axé enfrentaram o inimaginável desafio de abrir esses espaços comunitários de culto aos orixás, enfrentando os preconceitos sociais e o racismo de uma sociedade colonialista, em um dos impérios mais escravocratas do mundo. Tratando da atual e crescente intolerância religiosa, que persegue até hoje estes os terreiros, o filme abordará como estas mulheres inclusive, se defendem das considerações "científicas" e "higienistas" de uma época em que os terreiros são pejorativamente considerados como "seitas", espaços associados à insalubridade e que comprometem a saúde mental de seus praticantes. E como foi enfrentado o cerco aos terreiros durante a ditadura militar - particularmente furiosos no estado de Pernambuco - e enfrentaram múltiplas formas de violência: a violência machista da sociedade patriarcal dominante e também o machismo e a violência dos homens negros, expulsos e humilhados dos direitos que o patriarcado só reconhece aos homens brancos. As grandes Ialorixás do passado, das quais descende a Ialorixá Dona Nair, uma das mulheres negras que fundaram e propagaram a tradição religiosa nagô em Pernambuco, são portadoras de toda essa experiência e de toda essa luta pelo direito de serem reconhecidas e respeitadas, pelo direito à autonomia em seus terreiros. Neste tempo, em que os estudos de gênero têm sido obrigados a abrir-se para reconhecer a diversidade de vozes que alimentam o pensamento e a praxis feminista, as mulheres negras têm muito a contribuir e o pensamento afrofeminista tem nas grandes Ialorixás do Brasil um dos seus mais poderosos expoentes. A partir do encontro entre duas gerações, neta e avó, a tradição e modernidade se cruzam, levantando reflexões acerca do universo entre duas mulheres negras com vivências distintas, mas experiências semelhantes. Questionamentos como tom da cor da pele, textura de cabelo, sexualidade, fé, religião, amor, trabalho, intolerância religiosa, liberdade e solidão aparecerão no filme através dos diálogos e experiências vividas por ambas. Ao percorrer e revisitar os lugares geográficos e de afeto vividos por D. Nair e Naymare, o público entrará em contato com os princípios e modo de vida, retratados no filme tanto de forma observacional quanto na intimidade das conversas e registros do cotidiano. O filme alimenta e cultiva uma memória coletiva, que não é algo individual, nem uma escolha pessoal. Todas as sociedades indicam quais são os fatos importantes que todos devem conhecer, quem são os heróis e heroínas da pátria a quem se deve prestar respeito. As mulheres de ascendência africana precisam contar suas histórias a partir das suas perspectivas. Contar essa história não é importante apenas para a comunidade religiosa afro-brasileira que precisa conhecer suas ilustres ancestrais. É importante também para toda a sociedade iberoamericana conhecer as mulheres negras que colocaram seus corpos e suas vidas à frente de suas comunidades, de seus terreiros, sabendo que tinham um direito, mesmo que este lhes fosse sistematicamente negado: o direito à sua autonomia pessoal e à liberdade de religião e crença. Essas biografias merecem ser conhecidas e celebradas como referências ancestrais do pensamento feminista autóctone. Não podemos mais adiar a hora de contar essas histórias.
Estimativa de Público-alvo (CAMADAS DA POPULAÇÃO | QUANTIDADE | FAIXA ETÁRIA): O público-alvo é amplo e diverso em termos demográficos, em relação à idade e renda. O debate sobre raça, cultura e identidade é central hoje e atrai pessoas de todos os gêneros, idades e classes sociais, alcançando um grande público interessado em cultura negra, questões raciais, gênero, cultura popular, sociedade e diversidade. Com uma abordagem inovadora sobre raça e ancestralidade, o filme atrai sobretudo o público adulto entre 18 e 65 anos, majoritariamente das classes A, B, e C. Na primeira janela, salas de cinema, o público-alvo típico, são jovens e adultos que frequentam festivais e mostras de cinema com regularidade, interessado em produções autorais. No que diz respeito à renda, o filme pretende atingir tanto o público das classes A e B, frequentadores de salas, mas também das classes C e D, às quais pretendemos chegar com exibições com o lançamento em TV e plataformas de streaming (SVOD e FVOD), que atingem uma camada mais ampla da população. A transversalidade e multidisciplinaridade das temáticas do filme dialogam com formadores de opinião de diversas esferas de atuação, como fazedores de políticas públicas, fazedores de cultura, pesquisadores, estudantes de ensino fundamental, médio e superior, assim como de professores destas redes. São também relevantes para ativistas sociais e entusiastas de documentários culturais interessados em questões de justiça social, descolonização e diversidade cultural. Para alcançar esse público, o filme contará com ainda uma equipe de assessoria de comunicação especializada, que promoverá a obra através de diversas mídias, incluindo redes sociais como Instagram, Twitter e facebook. A estratégia de imprensa e mídias sociais inclui a promoção do trailer e materiais de preparação para o lançamento, bem como sessões de pré-estreias para gerar interesse e boca-a-boca virtual. Serão estabelecidas parcerias com formadores de opinião para ampliar o alcance nas mídias sociais, programas e veículos de imprensa, incluindo nichos específicos. A comunicação será diversificada, incluindo podcasts, programas de entrevistas e artigos, e materiais de divulgação serão disponibilizados para movimentos e organizações afins adaptarem ao seu público. Isso permitirá que o tema do filme alcance públicos mais específicos e fortaleça os movimentos de comunicação comunitária. Pretendemos atuar na distribuição a partir de frentes diversas e interconectadas, usando estratégias de mobilização de público e ações de lançamento de filme de impacto social para garantir maior engajamento e repercussão durante toda a circulação nos circuitos comerciais e extra-cinema. A comunicação une todas as frentes, com website, assessoria de imprensa, mídias sociais, influenciadores e jovens mobilizadores nos territórios (terreiros de religiões de matriz africana e quilombos) para promover o filme no cinema e nos demais espaços (escolas, universidades, centros culturais e etc) , e impulsionar a campanha de impacto com materiais educativos, sugestões de atividades e ações em parceria com diversas organizações. Nosso objetivo é ser um filme de referência histórica sobre o Candomblé Nagô de Recife, contribuindo para o conhecimento e a memória da cultura negra brasileira e das iniciativas identitárias precursoras no país, perpetuando sua relevância para a evolução e transformação política e social. Contando com equipe de assessoria especializada, pretendemos inserir o filme em festivais importantes, no intuito de expandir o reconhecimento, a penetração e a capilaridade do filme, nacional e internacionalmente, atraindo diferentes públicos, por meio da participação em festivais de cinema e exibições especiais, com essas estratégias estimamos chegar a cerca de 500 mil pessoas nas janelas acima citadas. GERAÇÃO DE RENDA (ESTIMATIVA DE EMPREGOS GERADOS PELO PROJETO): O filme gerará cerca de 40 empregos diretos em todas as suas fases. Na fase de pré-produção e produção, serão gerados 15 empregos diretos, por período determinado. O estudo “O Impacto Econômico do Setor Audiovisual Brasileiro”, realizado pela Tendencia Consultoria, com apoio do Sindicato Interestadual da Indústria do Audiovisual (SICAV), em 2016, aponta que para cada emprego direto criado no audiovisual outros 1,94 empregos são gerados em outros setores da economia. Estimamos, portanto, a geração de mais 77 empregos indiretos, principalmente nos setores de serviços como fornecedores de infraestrutura, hotelaria, alimentação, transportes aéreo e terrestre, dentre outros.
O filme será rodado em formato digital e finalizado em Digital, full HD ou 2k, som 5.1, com duração de 52 minutos. ABORDAGEM ESTÉTICA / FOTOGRAFIA Este filme se trata de um projeto que tem como objetivo mostrar em cena o olhar negro e feminino como estratégia de direção para que a delicadeza íntima que o filme busca seja alcançado. A equipe técnica de filmagem será reduzida e composta por mulheres e pessoas negras. Acreditamos que são medidas importantes para garantir que a produção do filme atinja seus fins criativos idealizados na concepção, oferecendo maior capacidade técnica na qualidade da narrativa do projeto. Pensando na perspectiva que a estética é o principal dispositivo para construção da narrativa que queremos trazer à tona, iremos optar por investir em equipamentos de alta qualidade, câmeras como a Black Magic e lentes como a Rokinon cine ou Nikkor. Os planos e quadros também sempre irão respeitar uma distância empática e respeitosa com os objetos e personagens, optando sempre por aberturas com planos médios e valorizando desta forma a captação das expressões mais espontâneas. A iluminação também irá dar preferência às luzes naturais, para que as cores e movimentos se destaquem nas imagens. MONTAGEM A montagem irá propor transações mais intimistas que contemplem a beleza do universo das religiões de matriz africanas que serão o principal plano de fundo para o filme, assim também como imaginário das manifestações culturais negras pernambucanas, como o afoxé e o maracatu. Todos esses elementos servirão de inspiração para o direcionamento criativo, através de cantigas, rituais, objetos e outros elementos que auxiliem na construção da narrativa, iremos despertar no imaginário dos telespectadores a sensação de pertencimento e empoderamento. Utilizarei narração em voz off quando as cenas ou acontecimentos, necessitem de contextualização ou explicação dos significados ou até mesmo para informar dados históricos. Além disso, falar sobre símbolos e elementos que representam a cultura da diáspora africana e a memória afetiva de pessoas negras, como o mar e o navio simbolizando o movimento de cruzamento, perda, mergulho, imensidão e renascimento. Texturas de panos e bordados comumente usados nos terreiros de candomblé para construir sombras e movimentos em cena. Búzios, espelhos, atabaques, palha, estradas encruzilhadas, árvores, rio, vela, assentamentos, bonecos de maracatu, fantasias, chapéus, enfim, várias possibilidades de elementos simbólicos da cultura afro-brasileira. TRILHA SONORA A trilha sonora será construída a partir da pesquisa do filme e os sons e cantigas do universo do candomblé da nação Nagô e da Jurema. A proposta é construir percussões e vocais que sigam a tradição, mas que se adaptem ao universo cinematográfico para causar no espectador, a sensação de pertencimento aos rituais de tradições de religião de matriz africana. REFERÊNCIAS FILMICAS As referências fílmicas para a construção de Minha Avó é Nagô, são principalmente as obras de cineastas negros que estão revolucionando as formas de linguagens do gênero documental e de narrativas em primeira pessoa ou autobiográficos. O filme Conflitos e Abismos: A Expressão da Condição Humana de Everlane Moraes que fala sobre seu pai e a relação de ambos com as artes plásticas é uma referência fílmica por sua capacidade de transitar com excelência entre o documental, o representativo e animação, promovendo uma qualidade estética de altíssimo nível ao filme, as imagens e as diferentes técnicas utilizadas acabam dialogando com os temas propostos pelo filme. O filme Minha Avô é Nagô busca utilizar uma alternância entre cenas completamente documentais com cenas que permitam expressar uma certa performatividade poética. Vírus Africano de Janaina Refém e Footsprint of Panafricanism da Shirikiana que abordam temas que colocam em questão do retorno à África e as questões da diáspora, ambos filmes são documentais e com narrativa em primeira pessoa, onde diretoras se co- locam em cena no filme em busca de uma reconexão com África, utilizando do dispositivo do “retorno” uma narrativa de busca de reconstrução da identidade negra. Da mesma forma, Minha Avó é Nagô para sua construção narrativa da ação de retornar em busca de fragmentos (imagens, cidades, lugares, pessoas) e dispositivos (objetos, informações, arquivos) que possam auxiliar no objetivo que o filme se propõe. Outro filme importante que temos como referência, é o Faya Dayi criado e filmado pela Jessica Beshir, uma cineasta negra, que busca tecer um tapete de lembranças de seu país de origem, Etiópia. A abordagem do filme transita entre documentário e drama e se desdobra numa espécie de jornada espiritual, onde a diretora investiga sobre práticas ritualísticas etíopes e seus impactos nas condições sociais e econômicas da população. A proposta de conseguir mesclar o pessoal com o universal de forma auto referencial, é uma referência que iremos usar no nosso filme. O filme Casa de Letícia Simões que também é um filme de estreitamento de laços familiares e conflitos geracionais entre mãe, avó e neta. Ao contrário do filme Casa, o filme Minha Avô é Nagô não tem pretensões de tensionar incisivamente os problemas psicológicos e afetivos que vierem a surgir diante a exposição da câmera, a proposta difere desta referência ao sobrepor nos momentos de tensões construções de cena que busque refletir sobre os problemas de maneira reparatória, utilizando o caráter poético e performático do projeto. Como criação estética de narrativa, “Elena”, de Petra Costa é um filme referência pela sua inovação criativa de construção de roteiro híbrido, que combina o documental com interpretação e outros elementos de arquivos e registros que podem vir a enriquecer a obra. Além disso, o filme “Elena” representa bem o olhar feminino em tela e a sutileza ao se tratar de um tema tão particular e doloroso, mostrando que é possível através da narrativa transformar visões de mundo e realidades em diferentes perspectivas. Minha Avó é Nagô será um dos poucos filmes dirigido por uma mulher negra no Brasil, isso significa que a proposta do filme não apenas é importante para comunidade negra que irá se ver representado em tela, mas para construção de um espaço democrático no audiovisual brasileiro.
O filme terá todas as opções de acessibilidades comunicacionais: Audiodescrição, Libras e Legendas descritivas.
Nossa expectativa é de que o filme circule por festivais e mostras de cinema na Brasil e no exterior, e que depois seja exibido em anais de TV abertos e fechados e em plataformas de exibição de filmes, estando assim disponível para vários públicos. Após finalizado o filme faremos, como contrapartida pelo aopoo via lei Rouanet, pelo menos 10 sessões públicas, gratuitas e abertas ao publico em terreiros de candomblé, cineclubes e cinemas seguidos de debates com a diretora-personagem.
PERSONAGENS:NAYMARE AZEVEDO Naymare Santos de Azevedo, 29 anos, mulher negra, nascida em Natal, cidade provinciana com resquícios coloniais. Na infância e adolescência sofreu problemas psicológicos e afetivos causados pelo racismo. Ao seguir um conselho da mãe, retornou o contato com sua avó paterna que lhe reconectou com o candomblé através do jogo de búzios (oráculo). Aos 21 anos se iniciou no candomblé na nação Ketu (culto contemporâneo) e começou seu processo de afirmação enquanto mulher negra e o resgate pela identificação com a cultura afrodiaspórica. Atualmente reside em Salvador, cidade importante no seu processo identitário e onde fez o mestrado em Cultura e Sociedade (UFBA). No candomblé, Naymare ocupa a função de Egbomi de Ewá (cargo intermediário na hierarquia). Depois de sair de Natal e viver experiências de busca e aprofundamento de suas ancestralidade, com a sua nova compreensão de mundo, Naymare busca reconstruir as narrativas desconhecidas de sua origem, enxergando em sua avó, e na memória de seu avô, uma possibilidade de materialização dessas histórias. DONA NAIR Nair Batista de Azevedo, é avó de Naymare. Mulher negra, nasceu em Surubim, interior de Pernambuco, onde viveu uma infância e adolescência humilde. Fugiu para Natal ainda jovem com José Emanoel conhecido como Blackout, pois sua família não aceitava o casamento. Já em Natal, por motivos de doença, precisou ser consagrada no candomblé na nação Nagô, religião de matriz africana, a pedido de sua orixá Iansã. Hoje com 85 anos, já Yalorixá (o maior cargo dentro da hierarquia), continua vivendo em Natal onde construiu no quintal de sua casa o seu terreiro. Em seu cotidiano zela por seus ancestrais e cuida com o apoio de sua família, das rotinas da casa. EQUIPE TÉCNICA: NAYMARE AZEVEDO - Direção e Roteiro Mulher afroindígena, nordestina, artista multidisciplinar, realizadora, produtora criativa e executivade projetos audiovisuais, artísticos, culturais e sociais. Mestra em Cultura e Sociedade pelo Instituto Milton Santos na Universidade Federal da Bahia e Gestora de Políticas Pública pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Idealizadora e coordenadora geral da plataforma Afrotonizar de formação, imaginação política e produção de narrativas criativas negras e indígenas. Diretora e fundadora da Ayabá Produtora Criativa e Audiovisual. Produtora criativa da plataforma Batekoo. CARLA FRANCINE - Direção e Produção Formada em jornalismo, e especializada em Gestão e produção Cultural pela FAFIRE. Pernambucana, atua na área de audiovisual há mais de 25 anos, já integrou equipes de mais de 100 obras, dentre séries, telefilmes e filmes de curta e longa metragens, ficcionais e documentais. De 2007 e 2014 foi gestora pública do audiovisual no Estado de Pernambuco. Em 2017 e 2018 foi do Comitê Gestor do FSA / ANCINE. Em 2015 voltou à produção independente, é a criadora das séries "Anjos Humanos” - 3 episódios de 26’, “Índios no Brasil” - 13 episódios de 26’, produzidas pela Urso Filmes e “Destinos da Fé”, 12 episódios de 26’, produzida pela Casa de Cinema de Olinda, dentre outras. Produtora Executiva do telefilme “1817 - A Revolução Esquecida”, de Tizuka Yamazaki e Ricardo Favilla (TV Futura, 2018) e do longa “Espero que esta te encontre e estejas bem”, de Natara Ney Nunes. É produtora executiva dos projetos da Casa de Cinema de Olinda. EVERLANE MORAES - Consultora ArtísticaEspecializada em Direção de Documentário, pela Escuela Internacional de Cine y TV (EICTV/Cuba). Graduanda em Artes Visuais, com licenciatura pela Universidade Federal de Sergipe (UFS). Fundadora e co-diretora do grupo criativo de autores A Irmandade Filmes, que une três produtoras com foco em formação, produção e distribuição em circuitos independentes de cinema. Membra da Associação dos Profissionais do Audiovisual Negro (APAN). Realiza filmes que apresentam uma estética híbrida, que dialoga com as Artes Visuais e o Cinema em seus diferentes gêneros. Nesse espaço de experimentação fílmica, mescla conceitos filosóficos as questões socioculturais da diáspora negra em busca de retratar as identidades esubjetividades dos meus personagens. SYLARA SILVÉRIO- Direção de Fotografia Nordestina, tenho 33 anos, sou potiguar, mas cidadã recifense desde 2015. graduada em Rádio e TV pela UFRN, especialista em Fotografia e Audiovisual pela UNICAP e certificada como Assistente de Câmera pela Bucareste Ateliê de Cinema. em 2019 fui selecionada como Diretora de Fotografia para a 14ª edição do Berlinale Talents Buenos Aires. Trabalho com audiovisual desde 2012, atuando principalmente nas funções de diretora de fotografia, assistente de câmera e colorista, tendo acumulado experiência em 6 longas, mais de 15 curtas, vídeos institucionais, publicidade, video- clipes e séries. Premiada como Melhor Diretora de Fotografia através documentário Pega-se Facção no 13º Curta Taquary, BIMIFF - Brazilian International Monthly Independent Film Festival e 4º CineFestival - Festival de Cinema do Vale do Jaguaribe; além do Prêmio Heloísa Passos de Melhor Direção de Fotografia - 3º Curta Caicó, através do curta-metragem Em Reforma. EMPRESAS PRODUTORAS: A CASA DE CINEMA DE OLINDA é uma produtora com sede em Pernambuco, nordeste do Brasil, fundada em 2016 pela produtora Carla Francine e a realizadora e professora Alice Gouveia. Realiza o projeto de formação Cinema de Índio que já teve duas edições, em 2018 e 2019, resultou em 27 oficinas e mais de 50 curtas metragens feitos por mais de 200 jovens e adolescenrtes indígenas https://cinemadeindio.com/. Realiza anualmente o Recifest – Festival da Diversidade Sexual e de Gênero, em parceria com a Olinda Produções https://recifest.com/ Atualmente desenvolve e produz projetos de curtas, médias, longas metragens e séries para TV, de ficção e documentais, com temas com foco na cultura, política, sociedade e diversidade de gênero e raça. A Casa de Cinema tem a capacidade de reunir renomados profissionais das áreas de conteúdo, artes e tecnologia, buscando criar e inovar em todas as áreas e formatos do audiovisual, tendo o compromisso com a excelência na qualidade das suas realizações. A produtora trabalha em parceria com várias outras empresas produtoras e as suas equipes são compostas por diretores e produtores associados a cada projeto. A AYABÁ é uma produtora de narrativas criativas multidisciplinares, que tem como proposta desenvolver projetos e dinâmicas inovadoras que conecta diferentes linguagens da arte, da cultura e da tecnologia. Com foco em narrativas audiovisuais, visuais, sonoras e escritas, a AYABÁ busca um diálogo com artistas, criadores e produtores mulheres, negres e LGBTQI+ da região nordeste e norte do Brasil. No desejo de multiplicar a rede de possibilidades de fazeres artísticos e criativos, a AYABÁ surge como janela para apresentar as histórias com o olhar e subjetividade que irá transformar o mundo conhecemos para o mundo como queremos.
PRORROGAÇÃO APROVADA E PUBLICADA NO DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO.