| CNPJ/CPF | Nome | Data | Valor |
|---|---|---|---|
| 00973749000115 | TOP SERVICE SERVICOS E SISTEMAS S/A | 1900-01-01 | R$ 580,8 mil |
| 02905110000128 | GR S.A | 1900-01-01 | R$ 100,0 mil |
| 05208211000138 | IN-HAUS INDUSTRIAL E SERVICOS DE LOGISTICA LTDA | 1900-01-01 | R$ 68,8 mil |
Esse projeto visa realizar entre 2025-2027, nos 3 espaços físicos da Fundação Pierre Verger em Salvador _ a casa de Pierre Verger (acervo e memorial), o Espaço Cultural Pierre Verger, ambos localizados em um tradicional bairro popular, e a Fundação Pierre Verger Galeria, situada no Centro histórico -, atividades artísticas, científicas, esportivas e socioculturais. Ele propõe uma formação cidadã e uma ampla troca entre pessoas provenientes de diferentes horizontes sociais, culturais e geográficos para compartilharem seus saberes e fazeres através de ações diversas, como a oferta de cineclube, a realização de oficinas diversas para pessoas em situação de vulnerabilidade social, residências de artistas nacionais e internacionais, exposições em espaços diversos (museus, galerias, escolas públicas...), preservação e divulgação da biblioteca e do acervo pessoal de Pierre Verger, apresentações de espetáculos musicais, teatrais e de dança, assim como publicações científicas.
Exposição 16 ensaios baianos: São 6 exposições com a produção de um fotógrafo que atuou na Bahia. Ensaios documentais, autobiográficos ou contemporâneos reunindo entre 20 e 30 impressões fine art, acompanhadas de um catálogo, capa dura, e que integra a coleção do mesmo nome. O projeto, iniciado em 2022, dá visibilidade a fotógrafos locais, conhecidos ou não, que não tiveram oportunidade de ter uma exposição individual com catálogo. As fotos expostas são colocadas à venda e ao final da mostra, devolvidas ao fotógrafo. Exposição Pierre Verger: Nos objetivos da FPV consta a divulgação da obra do seu criador, que é tão diversa que ainda existem inúmeras temáticas desconhecidas e com fotos inéditas. Essas exposições, tanto na Galeria quanto na Fundação, exploram temáticas pouco conhecidas da obra fotográfica de Verger, feitas através da curadoria de especialistas em sua obra. Exposições nas escolas: Consiste na apresentação de 20 fotografias de Pierre Verger com base em 3 temáticas, uma por ano: cultura afro-brasileira, cultura popular e diversidade cultural. Essas mostras levarão para o público escolar que não costuma frequentar espaços expositivos clássicos, obras fotográficas destacando temas importantes presentes na obra de Verger. Cada exposição itinerará por 4 escolas, sempre acompanhada de duas intervenções: Formação para os professores da escola antes da abertura da mostra, e ao final, debate com professores e alunos. Cineclube: A realização do cineclube se pauta na ideia de discutir temáticas sociais presentes em obras cinematográficas diversas e acontecerá no novo espaço multiusos do EC, equipado para projeção. As discussões pós apresentação são tão importantes quanto às projeções em si, e serão feitas por um convidado escolhido em função do filme apresentado: representantes da sociedade civil, pesquisadores, diretor ou ator do filme... 3 temáticas nortearão a escolha dos filmes (uma por ano): cultura afro-brasileira, vida urbana no Brasil e sustentabilidade. Aquisição de livros: A biblioteca da FPV é composta por livros adquiridos por Verger e os temas presentes nesta biblioteca única representam a trajetória de sua atuação: história brasileira e das relações transatlânticas, antropologia e religiões afro-brasileira, etnobotânica, sistemas de divinação, entre outros. Como política de aquisição, propomos completar o acervo com títulos recentes sobre estes temas visando permitir uma maior circulação de pensamentos e a contextualização da obra de Verger com obras de novos autores. Serão comprados 70 livros/ano. A escolha se dará por indicação de um conselho consultivo, criado com esta finalidade. Publicação de obras científicas: As 02 publicações propostas (2026 e 2027) pretendem contextualizar a atuação intelectual de Verger, abordando temas também pesquisados por ele: uma na área de história, abordando aspectos históricos das relações transatlânticas e a outra na área da etnobotânica, com estudos sobre plantas africanas e brasileiras. Cada livro contará com 6 a 7 capítulos de pesquisadores contemporâneos, mais 3 a 4 textos de Verger e será publicado pela FPV. A escolha e avaliação dos textos se dará por um comitê editorial que definirá o escopo temático, bem como os textos a serem incluídos em cada um dos volumes. O comitê contará com especialistas para cuidar de todo o processo. Espetáculos de Música, Teatro e Dança: Os shows musicais apresentados serão escolhidos conforme sua qualidade artística, priorizando sempre trabalhos que envolvam músicas tradicionais, culturas populares, raízes africanas ou músicas ligadas à academia. Sempre interagindo artistas do bairro com artistas de carreira consolidada. Para as apresentações de Teatro e Dança, realizado em parceria com o Teatro Vila Velha, criaremos um conselho curador formado pelos diretores do TVV Márcio Meirelles e Cristina Castro, com o professor de dança do ECPV, Negrizu, e o ator Jackson Costa, que irão definir os espetáculos a serem apresentados no projeto. Oficinas: Cada Oficina tem uma proposta própria: algumas são mais artísticas, buscando a criatividade, livre expressão e auto-conhecimento, outras trabalham ênfases culturais, conectando ancestralidade, memórias e coletividade, mas sempre com ênfases pedagógicas e práticas, no sentido de buscar uma formação humanística do ser e trazer conhecimentos contemporâneos importantes para a inserção da pessoa na sociedade atual. A proposta temática a ser trabalhada em cada oficina, depende também do perfil dos participantes que trarão seus prévios conhecimentos, anseios, desejos, gostos, potencialidades e necessidades. O tema central da maior parte das oficinas é a cultura afro-brasileira com expressões ancestrais e contemporâneas, abrindo um leque de possíveis desdobramentos. Questões de afirmação, negritude, educação anti-racista e empoderamento permeiam as atividades que buscam a inclusão das pessoas. Conteúdos a serem trabalhados: Coral: repertórios da música brasileira (afro-brasileira e nordestina) em arranjos adaptados ao perfil do grupo, sem exigir conhecimento de leitura musical (partitura), o que traz a necessidade de outras abordagens de aprendizado e memorização, incluindo o corpo como elemento musical. Percussão: ritmos afro-brasileiros, latinos e nordestinos, abordados em processos de aprendizado coletivo através do uso de sílabas mnemônicas, memória corporal e outros recursos da oralidade, próprios do ensino da percussão popular brasileira. Violão: repertório de gêneros diversos da MPB, inclusive contemporânea, em adaptações condizentes com o nível de cada aluno em um contexto de ensino coletivo. A Oficina não adota leitura musical (partitura), mas usa outras abordagens de aprendizado e memorização. Artes: inspirada em técnicas tradicionais da arte popular e temáticas afro-brasileiras (com pintura, aquarela, desenho, papel machê, esculturas, uso de materiais da natureza, recicláveis e não convencionais...), incentivando a livre expressão/descoberta de combinações de cores, texturas e proporcionalidades. Corte/costura e bordados: introdução em técnicas básicas para confecção de peças utilitárias, abordagem da diversidade de hábitos de vestimentas, incluindo as da cultura afro-brasileira, em especial, em relação aos bordados e costuras manuais. Culinária criativa Infantil: despertar para alimentação saudável, comida afetiva, aproveitamento de ingredientes, resgate de receitas tradicionais baianas e afro-brasileiras; Adulta: conscientização alimentar, aprendizado de receitas que visam possibilidades de geração de renda. Capoeira: pedagogia pautada na utilização de elementos lúdicos, desenvolvendo a motricidade, consciência corporal e integração social, incluindo crianças com dificuldades de inserção (neuro-atípicas) e ênfase na prática musical (instrumentos e canto). Expressão Corporal: proposta com movimentos pautados na dança afro-contemporânea (trilha musical de artistas africanos/afro-brasileiros), proporcionando mais autonomia corporal, flexibilidade, bem-estar do corpo e saúde (> 50 anos). Esporte cidadão: futebol e diversas modalidades esportivas, ênfase em socialização, regras de convívio, direitos e deveres, habilidades motoras, desenvolvimento corporal e saúde, rodas de conversa sobre machismo, racismo no esporte fortalecendo autoestima, cidadania e percepção da sociedade. Informática: aprendizado básico e aspectos técnicos mais complexos, com conexões com usos práticos na vida dos participantes, em especial os de mais idade, compreensão de pontos positivos e de perigos da comunicação virtual e fortalecendo a capacidade de escrita. Reforço escolar: proposta de amenizar problemas decorrentes do processo de alfabetização através de atenção especial no tempo de cada criança (quase todas negras e de escolas públicas); as com menos dificuldades recebem incentivo para melhorar a escrita e ter maior compreensão da leitura.
Geral Oportunizar o acesso a atividades e produtos culturais, em especial, em torno da cultura africana e afro brasileira e da fotografia, a pessoas em situação de vulnerabilidade social, residentes no bairro popular em que a Fundação funciona, mas também a estudantes, acadêmicos, artistas soteropolitanos, brasileiros e de outras nacionalidades, e, de forma geral, à população de Salvador de todas as camadas sociais. Oferecer oficinas de arte educação, favorecer encontros e trocas culturais entre pessoas provenientes de diversos contextos, seguindo o trabalho iniciado por Pierre Verger, e a missão da Fundação, criada por ele. Específicos 1. Fundação Pierre Verger Galeria 12 exposições (4/ano): 6 de Verger - Exposições com cerca de 25 fotografias analógicas de diversos aspectos de sua obra, seja dedicada às culturas afro-brasileiras ou ao seu perfil global _ e, 6 do projeto 16 Ensaios Baianos. Projeto destaca o trabalho de fotógrafos contemporâneos, conhecidos ou não, acompanhadas cada uma de um catálogo (3 exposições já foram realizadas entre 2022 e 2024). 2. Espaço Cultural Pierre Verger OFICINAS PARA TODOS - Realizar 33 oficinas (11/ano) e outras atividades transversais de formação de educadores. Oficinas do Corpo a) Capoeira: 30 alunos; 2 turmas (6 a 12) e (13 a 16), duração 36 meses; 2 aulas/semana, 18h/mês, incluindo crianças neuroatípicas. - Trabalhar coordenação motora, movimentos e sociabilidade, desenvolver valores como ancestralidade, arte e jogos. - 3 festivais (batizados) com mestres convidados, e 3 encontros com responsáveis e convidados sobre "cuidados". b) Expressão Corporal: 50 alunas (maioria negras e >50); 2 turmas (manhã/noite), dur. 36 meses; 2 aulas p/turma/semana, 30h/mês. - Cuidados com corpo e saúde, através da dança afro, alongamento, consciência corporal e relaxamento. _ 3 apresentações públicas, 3 palestras sobre movimento, alimentação e cultura. c) Esporte Cidadão: 40 jovens; 2 turmas (6 a 12) e (13 a 17); dur. 36 meses; cada turma c 1 aula de 2h/ e 1 aula 3h/semana, 38h/mês. - Trabalhar valores de sociabilidade e cidadania. - Participação em 3 campeonatos externos, 3 vivências com mães/pais e convidados. Oficinas das mãos criativas: d) Artes: 20 alunos; 8 a 80 anos, inclusive neuroatípicos; dur. 36 meses; 2 aulas/semana, 18h/mês. - Trabalhar a expressão através de cores, materiais e texturas, conhecer técnicas (tradicionais e contemporâneas) e dialogar com a cultura local, afro-brasileira. - 3 mostras, 3 rodas de conversa com artistas locais e de arte-terapia. e) Corte/Costura e Bordado: 20 alunas; 15 a 60 anos; dur. 36 meses; 2 aulas/semana, 26h/mês. - Oferecer conhecimentos básicos de costura em máquina, à mão, bordados criativos, tradicionais e com materiais recicláveis. - 3 desfiles com as peças criadas, 3 palestras com pessoas de moda e sustentabilidade. f) Culinária Criativa: 20 alunos; 2 turmas (8 a 15) e (16 a 60); dur. 36 meses; 2 aulas/semana, 26h/mês. - Oferecer técnicas e receitas focadas em uma alimentação saudável com ênfase em pratos tradicionais da cultura regional, afro-brasileira e nordestina. - 3 palestras com profissionais do ramo. Oficinas de sonoridades múltiplas: g. Coral: 20 Alunos; 16 a 70 anos; dur. 36 meses; 2 aulas/semana, 18h/mês. - Trabalhar a voz de forma decolonial, repertórios múltiplos da cultura popular e afro-brasileira, incluindo expressão corporal. - 3 apresentações públicas, 3 conversas com pessoas da área de voz/fonoaudiologia. h. Percussão: 20 alunos; 12 a 70 anos; dur. 36 meses; 2 aulas/semana, 18h/mês. - Atividades rítmicas, vivências sonoras pautadas na música afro-brasileira; visão da percussão como som ancestral. - 3 apresentações públicas coletivas, 3 vivências com músicos profissionais. i. Violão: 20 Alunos; 12 a 70 anos; dur. 36 meses; 2 aulas/semana, 18h/mês. - Estudo das técnicas do violão através de repertório próximo aos participantes, pautados na música brasileira tradicional e sonoridades contemporâneas. - 3 mostras públicas coletivas, 3 vivências com convidados. Oficina de conhecimentos e aplicações tecnológicas: j. Informática: 20 alunos; 2 turmas (10 a 18) e (30 a 70); duração 36 meses; 2 aulas/semana, 16h/mês. - Conhecimentos básicos, uso de PCs, internet e comunicação consciente (documentos, currículos, e-mail, power-point, compreensão de fake-news, segurança virtual). - 3 encontros sobre comunicação comunitária, 3 materiais informativos coletivos sobre segurança no mundo digital, lixo eletrônico, etc. - Reforço escolar k. Reforço Escolar (alfabetização 1 e 2) e Produção de texto; 40 jovens; 7 a 15 anos; dur. 30 meses; 4 aulas/semana, 64h/mês. - Reforço: auxílio qualificado para jovens com problemas no processo de alfabetização/letramento (distorção idade/série). - Produção de texto: incentivar escrita em vários formatos. - Criação de "livros" individuais a cada ano com textos em cada turma, 3 bate papos com convidados. CINECLUBE: 30 filmes (10/ano). Público 1.500 pessoas (50/filme). Propor ao público soteropolitano, principalmente do entorno, filmes ficcionais e documentais, locais, nacionais e internacionais, sempre seguidos de debates com a presença de um convidado, sobre temas da atualidade ou importantes para a comunidade. RESIDÊNCIAS ARTÍSTICAS OU DE PESQUISADORES: 09 residências/intercâmbios (3/ano) de artistas, pensadores ou curadores de outras culturas. Residentes hospedados na própria Fundação, onde há um espaço para esse fim, o objetivo é colocar os convidados em contato com a cultura local, e fazer uma mostra ao final do processo. Programa realizado em parceria com: o Reseau Diagonal (residência de fotógrafos franceses para desenvolver oficinas ligadas à imagem), Embaixada da França (projeto de residência "Vila Fatumbi"), e com o Teatro Vila Velha/Viva Dança (realização de residências de coreógrafos). APRESENTAÇÕES MUSICAIS: 12 espetáculos musicais (4/ano). 1200 pessoas, 100/evento. Gratuitos. Realização de shows que tenham preferencialmente um trabalho de pesquisa sobre músicas tradicionais, culturas populares, raízes africanas ou músicas ligadas à academia. Sempre interagindo artistas do bairro com artistas de carreira consolidada. ESPETÁCULOS DE TEATRO/DANÇA: 12 espetáculos de teatro/dança (/ano). 1200 pessoas, 100/evento. Projeto realizado em parceria com o Teatro Vila Velha, que através de seus diretores Márcio Meirelles e Cristina Castro, com o professor de dança do ECPV, Negrizu, e o ator Jackson Costa, formarão um conselho curador para definir os espetáculos a serem apresentados. EXPOSIÇÕES: 12 exposições (4/ano) na FPV, na sala expositiva e em espaços externos adaptados para este fim. Mostras de diversas naturezas, com obras de Pierre Verger, de artistas locais, prolongação de exposições da FPV galeria, resultados finais das residências e projetos externos sobre temáticas trabalhadas por Verger. 3. Casa de Pierre Verger · Digitalização, cadastro e acondicionamento do acervo pessoal de Pierre Verger (200 pastas com documentos pessoais, agendas, correspondências...) · Acolhimento de 9.000 visitantes no Memorial Pierre Verger (3.000/ano). Divulgar maciçamente o Memorial, aumentar a visitação e tornar a obra de Verger mais próxima do público. · Aquisição de 200 novas obras para a biblioteca pessoal de Verger. Adquirir obras científicas de terceiros que aprofundem o conhecimento sobre os assuntos que ele pesquisou. · Produção de 02 livros científicos (coletâneas), com textos de pesquisadores contemporâneos, escolhidos por um comitê editorial, sobre temas pesquisados por Verger, incluindo alguns textos dele. 4. Extra Fundação CULTURA AFRO NAS ESCOLAS: 3 exposições (1/ano), 20 fotos grande porte, circulando por 4 escolas públicas, total 12 mostras. Obras de Verger sobre cultura afro-brasileira e culturas populares. Formação dos professores, tornando-os multiplicadores das temáticas. Realização de debates.
A Fundação Pierre Verger (FPV) foi criada em 1988 por Pierre Fatumbi Verger visando garantir que o acervo constituído durante a sua vida (62 mil negativos, com imagens do mundo inteiro; 10 mil ampliações fotográficas analógicas; sua biblioteca com 4000 livros em diversas línguas, incluindo obras raras, filmes, gravações e o arquivo pessoal de notas de pesquisa e correspondências) ficasse disponível para futuras gerações. No Estatuto da Fundação, Verger estabeleceu entre os objetivos principais que ela deveria servir como centro de informações e pesquisas; estabelecer e manter intercâmbios culturais, humanos e científicos entre o Brasil e a África; e cumprir sua função social de maneira prática, integrando a comunidade local e adjacências. Desta forma foram criados o Espaço Cultural (EC) e a Galeria da Fundação. Com o tempo, as atividades do EC ampliaram estes princípios, ofertando não apenas o acesso a propostas culturais e educativas ao público do entorno da Fundação, mas também recebendo visitantes, artistas e escolas para atividades diversas, muitas vezes em diálogo com as outras partes da FPV. Tudo isso permitindo a fruição dos Direitos Culturais estabelecidos pela Constituição Federal, a valorização da cultura local em suas diversas manifestações e atores, a manutenção da diversidade de saberes culturais, sobretudo os de origem africana e afro-brasileira, e a transmissão e o registro dos conhecimentos ancestrais historicamente de caráter oral. Tais objetivos são exatamente os mesmos estabelecidos pelo artigo 1º da Lei 8.313/91 que instituiu o PRONAC e todas as finalidades expressas na referida Lei casam com os objetivos e missões da FPV, em especial, com as atividades desenvolvidas no EC, agora ampliadas para as demais ações previstas no projeto. Inclusive, todas as oficinas e atividades do EC são gratuitas, sem cobrança de taxas e viabilizando os materiais necessários para a realização, bem como a visitação do Memorial e à Galeria também são gratuitos. Esta longa experiência com ações culturais em formatos e com públicos diversos ao longo das últimas décadas nos trouxe a convicção de que devemos institucionalizar ainda mais a possibilidade de convivência entre pessoas, contextos, culturas e experiências diferentes, tal qual estes mesmos princípios guiaram a vida e atuação de nosso instituidor. O atual projeto parte da percepção de que cultura, arte e educação podem e devem acontecer em todo e qualquer contexto e espaço. Partimos da premissa de que a arte precisa estar fora de teatros fechados, que bairros populares e periféricos também são o locus da cultura, que cultura não se limita a locais geográficos específicos ou contextos sociais tidos como mais propícios ou eruditos e que o acesso ao conhecimento, educação e criatividade são direitos de todos, independente de idade, gênero, classe social ou local de moradia. A partir destas convicções, pretendemos tornar o EC ainda mais um local de encontro de pessoas, saberes, práticas e experiências, mesmo que esteja localizado em um contexto social, geográfico pouco habitual e provavelmente percebido como distante de definições mais correntes de locais de cultura. Além disso, propomos ofertar e realizar parte dessas vivências também em outros locais próximos, igualmente desprivilegiados, como escolas públicas de Salvador e na nossa galeria. A experiência institucional de longa data, nos dá a certeza de que a convivência prática com as diferenças (de todas as formas e tipos imagináveis) enriquecerá sobremaneira a participação de todos os envolvidos nas diferentes ações propostas. Em suma, trata-se de um projeto inclusivo, de acessibilidade social a expressões e vivências de cultura nas suas mais diversas facetas. O EC, local da maior parte das ações propostas, passará por uma reforma e ampliação para acolher ainda melhor as atividades previstas. Mas, desde já, contamos com salas de dança (com tablado e espelhos), música (com vedação acústica), artes, informática e de multiuso e um amplo pátio coberto (além da biblioteca com espaço de convivência). São espaços que também são disponibilizados para artistas locais para a realização de ensaios, apresentações artísticas e de filmes, eventos culturais diversos e atividades formativas, mesmo que não tenham relação direta com as oficinas realizadas pela FPV, mas, são uma forma de fomentar a produção cultural da comunidade local e baiana. Também já recebemos grupos e artistas de outros países, possibilitando trocas de saberes e intercâmbios culturais de fundamental importância para a formação dos nossos alunos, inclusive gerando viagens internacionais de alguns deles para países como França, Guiana Francesa e Benin. Parte dessas trocas também é protagonizada por instituições do bairro ao redor da FPV, tais como pequenas escolas particulares, o Posto de Saúde Santa Luzia (que usa o EC sempre para ações de promoção à saúde) que se juntarão a encontros com pessoas de outros locais e origens. Em nossa Galeria, no Centro Histórico de Salvador, já estamos viabilizando mostras de fotógrafos baianos, que em função da nossa expertise com a concepção de exposições e livros, recebem apoio para exporem suas obras e lançarem catálogos de seus ensaios. Esta experiência prévia na galeria e com dezenas de mostras em locais expositivos convencionais nos permite incluir agora escolas públicas de Salvador como novos territórios de troca de saberes, conforme nossa premissa já exposta. A experiência com a preservação e disponibilização do acervo fotográfico, bibliográfico e documental ao longo de quase 30 anos, sem aportes externos significativos, aumentam nossa responsabilidade em melhorar ainda mais os acessos a estes materiais, incluindo o Memorial, espaço que apresenta a pessoa e o pesquisador Verger aos nossos visitantes. De um lado, todas estas ações viabilizam estudos de pesquisadores do Brasil e de outros países que visitam a FPV (que podem, inclusive, se hospedar no quarto disponível para pesquisadores). Por outro, tornam desejável que realizemos agora uma melhoria na acomodação da biblioteca e a primeira ampliação de seu acervo com a aquisição de títulos recentes que abordam os mesmos temas pesquisados por Verger, e a publicação de dois livros com textos de pesquisadores contemporâneos que dialogam com Verger e sua obra. A rede de contatos construída com pesquisadores ao longo das últimas décadas nos permite constituir um comitê consultor e editorial para estas duas atividades. Todas estas ações, para as quais buscamos apoio da Lei Rouanet, bem como as que realizamos através de recursos próprios ou de outros convênios e parcerias, estão interligadas, e têm estreita relação com as finalidades e objetivos elencados pelo artigo 3º da Lei 8.313/91. A FPV vive da cessão onerosa de Direitos Autorais, da venda de produtos relacionados com a obra de Pierre Verger (livros, fotos e camisas) e de projetos culturais apoiados/patrocinados, e, conforme seu estatuto, destina 100% dos fundos angariados à manutenção de suas próprias atividades, em especial, socioculturais. Conta também com o apoio do Fundo de Cultura do Estado da Bahia, que permite o pagamento de várias despesas de manutenção da instituição, bem como os salários de alguns colaboradores. Como é de conhecimento de todos que atuam nos campos de arte, cultura e educação, tais ações não se realizam sem o apoio dos entes públicos, eis porque buscamos o PRONAC, fundamental para conseguirmos realizar os objetivos e atividades específicos constantes no projeto e todas as demais ações, que ficariam prejudicadas, quiçá inviabilizadas sem ele. Assim, o projeto justifica-se pelo total atendimento à Lei 8.313/91, pela importância para o público diretamente beneficiado, pela riqueza cultural e educacional que proporciona ao mercado criativo e à população que se beneficia também indiretamente, e pela preservação de todo arcabouço da cultura afro-brasileira que assim se fortalece.
A Fundação Pierre Verger (FPV), instituição proponente do projeto, é uma instituição de direito privada, sem fins lucrativos, que foi criada em 1988 pelo fotógrafo, historiador e etnógrafo francês Pierre Fatumbi Verger (Paris 1902 – Salvador 1996). Desde a sua criação a instituição funciona na antiga casa do fundador, onde ele morou por quase 40 anos até o final de sua vida. Está situada no Engenho Velho de Brotas, um tradicional bairro popular de baixa renda na região central de Salvador. Ele tinha escolhido a região de moradia pela forte presença de terreiros de candomblé e outras tradições afro-brasileiras que ele documentou e pesquisou, também registrada em sua extensa obra. A instituição se destina à preservação do legado e acervo fotográfico e documental de Verger e tem cuidado da divulgação e disponibilização da obra, através de exposições, publicações e ações culturais e educativas diversas no seu Espaço Cultural Pierre Verger. O ECPV é a parte social e educativa da Fundação,voltado para as comunidades negras dos bairros populares ao redor da instituição através de suas oficinas culturais, desenvolvidas desde 2002, ano das comemorações do Centenário de Verger. No contexto popular arcaico, o bairro seria denominado favela, enquanto que numa visão mais moderna, esse tipo de bairro com características periféricas é chamado de bairro popular, também um retrato preciso das desigualdades sociais que afligem boa parte da população brasileira. Desde 2003 o ECPV tem trabalhado com uma proposta temática centrada na cultura afro-brasileira, inspirada na obra do fundador, focando posturas e valores como acolhimento, valorização, autoestima, protagonismo, cidadania e criatividade, trabalhando com educação antirracista e políticas afirmativas, tendo inserido em 2024 questões de meio-ambiente e sustentabilidade. Nestes anos de existência e trabalho incessante, além das oficinas citadas acima, que são fixas em nossa grade de cursos, já realizamos dezenas de outras oficinas sazonais como: Línguas (inglês, francês, espanhol...), clube de leitura, meta reciclagem, técnico de sonorização, gravação de áudio, teclado, teatro, fotografia, culinária africana, culinária vegana, roteiro para audiovisual, escrita criativa... Todas visando viabilizar o crescimento do público que acessa estas aulas, seja pela viabilidade de sustentação e geração de renda, ou apenas pela descoberta dos assuntos como meios de se alcançar a plena socialização do indivíduo e sua inserção na sociedade. A Fundação Pierre Verger vem buscando através de todos os seus projetos alinhar-se também à Agenda 2030 da ONU com suas discussões e propostas relativas à sustentabilidade de forma ampla, ancorada nos 17 objetivos de Desenvolvimento sustentável (ODS), amplamente divulgados nos últimos anos pela ONU e outros organismos internacionais e nacionais. Com suas ações e preocupações desde longas datas a FPV considera que o seu trabalho, em especial através das atividades realizadas no Espaço Cultural, está em consonância com diversas de suas metas, sobretudo as metas: 3 - bem estar e saúde, 4 - educação de qualidade, 5 - igualdade de gênero, 10 - redução de desigualdades, 11 - Cidades e comunidades sustentáveis e 12 - consumo e produção responsáveis. As metas estão sendo abordadas através de atividades nas oficinas, formações, produções e propostas de trabalho envolvendo vários setores da instituição. Além disso, a FPV está em processo de mudança da fonte energética padrão (COELBA) para o uso de energia solar (meta 7), a partir de placas solares a serem instaladas ainda em 2024. Este último ítem também contribui para uma futura maior auto sustentação da instituição, devido à redução drástica de um de seus maiores gastos, energia, um ítem indispensável para a própria manutenção de seus acervos (fotográficos e documentais) que depende da instalação e do uso ininterrupto de ar-condicionado. Por final deve ser ressaltado que o tema da sustentabilidade, mesmo sem ter sido nomeado desta forma ainda em tempos de vida de Verger, foi um dos lemas de vida dele (uso consciente de água, postura não consumista, trabalho com diversidade ecológica, entre outros), assim, estamos em plena consonância também com a história de nosso instituidor e suas preocupações.
Publicação de 2 livros: Ambos os livros terão cerca de 250 páginas, formato A4 ou similar, com ilustações, e contarão com 10 capítulos (6 a 7 de pesquisadores contemporâneos e 3 a 4 de Verger) e uma introdução de um especialista sobre o tema geral, relações transatlânticas e etnobotânica. Eles serão publicados pela FPV. Publicação de 06 catálogos das exposições 16 Ensaios Baianos, contendo texto curatorial, curat biografia e bibliografia do fotógrafo, obras expostas, livro de capa dura, cerca de 60 páginas, 15x15cm, offset 250g. Cineclube: 30 filmes longa-metragem (10/ano). Público 1.500 pessoas (50/filme). Ingressos gratuitos. Exibição em projetor laser 5200 lumens. Temática: Cultura Afro-brasileira, Vida Urbana no Brasil e Sustentabilidade. Shows de Música, Teatro e Dança: Apresentações para até 100 pessoas. Cota de convites legais, ingressos a preços simbólicos de R$4,00 para a comunidade do entorno (mediante comprovante de residência), e R$40 para público externo. Borderô totalmente voltado para os artistas. Exposições na Galeria Fundação Pierre Verger: 12 exposições (6 de Verger e 6 do projeto ‘16 Ensaios Baianos’). De 20 a 30 fotografias de tamanhos variados, impressões em fine-art, visitação gratuita. Obras postas à venda com renda dividida em 70% para o fotógrafo, e 30% para a Galeria. Exposições em Escolas Públicas: Cerca de 20 fotografias, impressas em lona, tamanho 100cm x 100cm, mediante arquivo digital. Formação de professores nos assuntos tema das exposições. Bate-papo ao final da exposição entre curadores, professores e alunos. Exposição na Fundação Pierre Verger: 15 fotografias impressas em lona em locais espalhados pela área externa da Fundação (impressão digital) e 20 fotografias em papel fine-art na sala expositiva (impressão analógica). Todas as obras com tamanho 100cm x 100cm. Visitação gratuita. Projeto Pedagógico: Devido à concentração de boa parte dos objetivos do projeto em ações do ECPV, seguem alguns aspectos de seus procedimentos pedagógicos que incluem uma reflexão sobre o contexto sociocultural e geográfico da instituição em si e assim explicam a proposta conceitual do projeto todo. O ECPV tem como missão principal trabalhar como instituição de educação social e não escolar a partir do conceito de arte educação com foco temático na cultura afro-brasileira, assim dando continuidade ao trabalho realizado por décadas pelo patrono da instituição, Pierre Fatumbi Verger (1902 - 1996).Sua obra serve como material disponível de interlocução para a realização das várias oficinas temáticas, realizadas pela instituição. Temos certeza que a consciência desta temática central é importante para todos os envolvidos no processo pedagógico, também como reflexo do contexto sociocultural e geográfico no qual a instituição encontra-se inserida, pois a temática está presente no cotidiano do entorno. Mas também acreditamos que os valores e as inspirações da vida e obra do fundador da instituição servem como exemplos para as atividades educativas realizadas com a comunidade. Portanto, a importância do trabalho pedagógico desenvolvido pelo ECPV, muito se pauta em valores que devem ser vivenciados e abordados sempre que possível: valores como respeito ao outro, reconhecimento de diversidades (em todos os sentidos), capacidade questionadora, criativa e crítica, simplicidade, humildade e compreensão. O objetivo é a sensibilização motivadora, na construção de caminhos e possibilidades reais do presente ao futuro, permitindo que o sujeito participante possa descobrir o seu potencial, tantas vezes silenciado ou até negado pela sociedade ao seu redor. Todos estes valores e possibilidades artísticas também se encontram presentes na proposta do presente projeto. Acreditamos que somente o sujeito consciente de suas possibilidades tem condições de se tornar um cidadão pleno, sujeito ativo do processo social e histórico. Isso inclui tanto os profissionais envolvidos nas atividades a serem desenvolvidas no ECPV e ao redor dele, parte do presente projeto. Com a recente elaboração de uma política de salvaguarda, direcionada, em especial, ao público infantil / adolescente do ECPV, acompanhado por um código de conduta e outros documentos internos de organização da instituição, boa parte dos compromissos do trabalho dos envolvidos se espelham nos valores institucionais e, desta forma estendem-se à instituição inteira, envolvida pelos mesmos princípios de valores e nas propostas do projeto. A identidade do ECPV, e por conseguinte da FPV, se define também pela consciência de sua inserção em um tradicional e antigo bairro popular, o Engenho Velho de Brotas, que foi a moradia de Verger de 1960 até 1996. Isso traz o desafio de ofertar à população do bairro e do entorno, em maior parte afrodescendentes e de baixa renda, opções culturais e educacionais, além daquelas ofertadas pelo sistema formal de ensino, com o qual temos, sempre que possível, parcerias e interlocuções. A escolha e definição das atividades efetivamente realizadas devem ter sempre que possível a participação da comunidade na discussão do tema, formato, do caráter, da extensão e duração propostas. Devido à localização geográfica do bairro em uma região relativamente central de Salvador, mas com fortes traços de periferia, lidamos com um quadro peculiar: existem os problemas tópicos de um bairro periférico de baixa renda, com uma constante de desmotivação, desestruturação familiar, evasão escolar, desemprego, falta de oportunidades, violência em todos os sentidos, em especial aquela decorrente do tráfico de drogas, que envolve muitos jovens, em geral meninos. Consideramos importante achar caminhos para que a comunidade seja mais motivada a se inserir e participar de forma mais ativa possível das atividades do Espaço. Já o público visitante da sede da Fundação, em geral, é mais constituído por pesquisadores, pessoas ligadas às religiões afro brasileiras e interessadas na obra do instituidor. A esse público já bastante diverso queremos juntar agora artistas do bairro e profissionais do campo das artes de outros bairros, e usando diversas linguagens, para compartilhar o Espaço para diferentes vivências artísticas. Este perfil diverso de participantes e interlocutores dentro de um cenário social e geográfico (um bairro popular) pouco comum para uma instituição cultural diz respeito a todos os produtos previstos pelo presente projeto: eles se alimentam pela vontade de pensar e fazer arte, educação, descobertas, formação e mobilização cidadã em um único local que já experimenta estas vivências há décadas, mas ainda sem conjugá-las de forma tão direta. Resumindo: Mesmo que cada ação pedagógica ou artística descrita até agora se dirija, inicialmente, para um público específico, ela, ao mesmo tempo, se dirige a todos os públicos.
Estamos atentos e atualizados com as novas dinâmicas sociais, os novos regramentos da diversidade cultural brasileira e da legislação pertinente às pessoas com deficiência e/ou com neurodivergências, considerando todas as nossas ações com acessibilidade, no que se refere às peculiaridades desse segmento populacional. A presente proposta, como projeto sociocultural inclusivo que é, também buscará através da nossa comunicação ir ao encontro do público formado por pessoas com deficiências diversas que, de maneira geral, acessam menos ainda que os outros os equipamentos formais de cultura, devido à falta de recursos de acessibilidade. Pretendemos organizar a acessibilidade em nosso projeto, de modo a contribuir com a formação relacionada à acessibilidade na arte e cultura, não apenas para o atendimento e participação das pessoas com deficiência, bem como entendendo-as como artistas e trabalhadores, na medida que visa também, dentro do que for possível, trazê-los para o projeto. Inclusive haverá um esforço cuidadoso neste sentido, para que pessoas com deficiência sejam convocadas não só como público, mas também como parte da equipe do projeto, pois entendemos que, multiplicar as possibilidades de acesso envolve também multiplicar a participação de diferentes grupos nas ações culturais e formativas ofertadas pela proposta, e assim nos colocamos no lugar de contribuir para inclusão social e cultural, dentre outros grupos, das pessoas com deficiência. Há muito que a Fundação Pierre Verger vem desenvolvendo estratégias e mecanismos de acessibilidade, em todos os seus vieses, na realização de seus projetos culturais. NO ASPECTO ARQUITETURAL, todo o Espaço Cultural Pierre Verger possui ampla e total acessibilidade física: rampas de acesso, piso podotáctil, placas de sinalização, banheiros específicos para portadores de deficiências motoras e dificuldade de locomoção..., tudo que se pode fazer para viabilizar amplo aproveitamento das estruturas para portadores de pessoas com mobilidade reduzida, ou outros tipos de necessidades. Estamos em processo de reforma e no primeiro semestre de 2025, antes do início do projeto, portanto, teremos acessibilidade (rampas de acesso) também para grande parte da casa onde Pierre Verger morou (Memorial) e para o espaço administrativo da Fundação. NO ASPECTO ATITUDINAL contamos em nossa equipe profissional com assistente social, psicoterapeuta, pedagoga, e diversos outros profissionais comprometidos com o bem-estar dos participantes das oficinas e com o atendimento a portadores de necessidades especiais diversas. Temos, inclusive, cerca de 10 (dez) alunos neuroatípicos (com alterações no funcionamento cognitivo, comportamental, neurológico ou neuro anatômico) ou PCD’s. As oficinas são ministradas em linguagem oral e prática, e a estrutura formatada para as aulas foi pensada de modo que os alunos em estágio mediano e avançado, se responsabilizam pela monitoria e atenção individualizada aos alunos iniciantes e portadores de deficiências ou outras necessidades especiais, de forma que os deficientes visuais podem ouvir as explicações e ter alguém os auxiliando a tocar nos materiais das oficinas, bem como os deficientes auditivos podem visualizar os modos de fazer das oficinas que assim o permitem. Vale destacar que as oficinas que dependem de conteúdo formal têm sempre textos explicativos disponibilizados pelos professores, para facilitar o acesso aos conhecimentos por portadores de deficiências auditiva ou cognitivas diversas. No Memorial Pierre Verger temos um profissional específico que faz a mediação com os visitantes, de modo a permitir que portadores de deficiência visual ou com baixa visão possam conhecer o espaço expositivo. Para portadores de deficiências auditivas temos um aplicativo de celular que permite fazer a mediação virtual, mediante textos escritos. Este mesmo aplicativo faz a locução dos textos em outras 04 línguas (alemão, inglês, espanhol e francês), de modo a possibilitar acesso a turistas e pesquisadores estrangeiros. NO ASPECTO PROGRAMÁTICO, já é uma prática nas apresentações que realizamos no Espaço Cultural a participação de intérpretes de Libras, de modo a trazer maior participação ao público dos nossos eventos, e assim o faremos em todos os shows musicais e nos espetáculos de teatro e dança, divulgando sempre esta informação de modo a sensibilizar o público para esta necessidade, e, principalmente, para que o respectivo público possa comparecer e fruir dos eventos realizados. NO ASPECTO COMUNICACIONAL, estamos buscando inserir em todas as nossas postagens nas redes sociais, descrições detalhadas das imagens (#pracegover, textos alternativos) de modo a possibilitar aos recursos de Tecnologia Assistiva viabilizar o acesso às informações por portadores de deficiência visual ou de baixa visão. Vale destacar que quase a totalidade dos participantes de nossas atividades são ou estão em situação de vulnerabilidade social, são jovens e adultos cuja renda familiar é muitas vezes inferior ao salário mínimo, muitos de famílias cujos membros são analfabetos, desempregados, envolvidos de alguma forma com a criminalidade, desaparecidos..., de modo que a acessibilidade que buscamos, além de ser física e biológica, é também, e principalmente, social e intelectual. Nossos eventos são em sua grande maioria gratuitos, inclusive a maioria do material de ensino utilizado (material esportivo, instrumentos musicais, ingredientes alimentares, tintas, tecidos...), viabilizamos TODA a estrutura necessária para o aprendizado, permitindo que qualquer pessoa, mesmo sem condições de adquirir os materiais básicos possa participar plenamente das oficinas, do cineclube, da biblioteca, das exposições...
Tomamos a liberdade de ampliar a aplicação de cada um dos incisos do art. 28 da IN n.º 01/2023, de modo a viabilizar o maior potencial possível de democratização do acesso às atividades realizadas no projeto e aos produtos gerados, de modo que: – Além da doação dos eventuais produtos gerados nos percentuais definidos pela norma, nossos produtos na FPV sempre têm preços acessíveis ou simbólicos, de modo a viabilizar seu alcance a todos os interessados. – Todos os eventos, filmes, exposições, apresentações, oficinas..., terão, quando for o caso, uma grande cota de ingressos gratuitos, e os demais ingressos terão sempre preços simbólicos, mais no sentido de gerar compromisso e valor ao evento do que de gerar receita, haja vista que o projeto é 100% custeado com verbas públicas e recursos próprios. – A grande maioria das atividades ocorridas na FPV são voltadas para o público do entorno, de modo que alunos e o público podem chegar a pé. Nos eventos, como prática de décadas de trabalho, a prioridade de acesso e dos lugares para o público é voltado para pessoas com deficiência, com mobilidade reduzida ou idosos; – Desde a pandemia, que buscamos disponibilizar, na Internet, sobretudo nas redes sociais, os registros audiovisuais dos espetáculos, das exposições, das atividades de ensino, e de outros eventos realizados; No caso das exposições, em absolutamente todas as realizadas na Fundação ou na Galeria, fazemos VISITAS VIRTUAIS e disponibilizamos em nosso site, de modo que qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo, de qualquer língua, basta ter um celular simples, ou um computador simples, e poderá experienciar completamente a exposição, com todos os seus áudios, textos, e imagens. Tais aplicativos visam criar uma ponte transgeracional ao apresentar o conteúdo das exposições de forma imersiva e atrativa para as gerações mais jovens e levar o conteúdo para esse público numa linguagem tecnológica que efetivamente desperte o seu interesse para a cultura. – Comprometemo-nos a convidar não apenas as redes públicas de rádio, internet e televisão, mas todos os veículos de mídia, de modo a tornar público e notório o trabalho realizado na FPV, o apoio recebido pelo MinC e os valores artísticos e sociais desenvolvidos pelo projeto, de modo a garantir o alcance de um público o maior possível. – Todas as atividades complementares às Oficinas (ensaios abertos, mostras, aulas, palestras, exposições...) são conteúdos sempre facultados aos alunos, mas também abertos gratuitamente ao público. Inclusive, sempre incentivamos os alunos a convidarem um amigo, colega de escola, de trabalho, parente..., a apreciar os eventos e participar das oficinas como convidados, de modo a tornar conhecido o trabalho e ampliar o seu alcance. – Todas as oficinas sempre têm produtos vinculados (ações culturais) voltadas ao público infantil, infanto-juvenil, adulto e de terceira idade, conforme a faixa etária das atividades, e sempre estas atividades recebem bastante público espectador, que acessa os eventos gratuitamente. – Outra prática comum das atividades realizadas na FPV são as parcerias estabelecidas com escolas públicas da região, SESC, SENAC, posto de saúde do bairro, e até instituições internacionais que viabilizam intercâmbios com os participantes das atividades, e desta forma é comum efetivarmos formações complementares de todos os envolvidos nos projetos. - Os filmes do cineclube são sempre acompanhados de discussões com diretores ou personalidades da cultura que se relacionam com o conteúdo do filme, de modo a não somente trazer maiores discussões sobre os temas tratados, como a aumentar a atratividade do público aos filmes. - Nossas bibliotecas, tanto a comunitária quanto a pessoal de Verger, estão sempre disponíveis para acesso do público gratuitamente, a primeira oferece clássicos da literatura para empréstimo, e a segunda oferece conteúdo in loco para pesquisadores de todo o mundo que visitam a FPV. - As exposições em escolas públicas serão concebidas com o objetivo claro de democratizar o acesso ao conteúdo cultural e pedagógico, abrangendo características que promovem a diversidade territorial, temática e de público. A sistematização da realização de exposições em espaços públicos atende à necessidade crescente de alcançar públicos que não frequentam espaços culturais tradicionais. Essa abordagem reflete anos de reflexão e evolução do conceito de apresentação expositiva da FPV. O projeto prioriza alunos de escolas públicas, promovendo o diálogo entre diferentes gerações e atentando-se às barreiras atitudinais para garantir a acessibilidade. Ou seja, o projeto tem a democratização da cultura no cerne do seu conceito. – Além destas medidas acima, outras medidas de democratização diversas são comuns aos trabalhos desenvolvidos pela FPV, e podem ser apreciadas pela CNIC, haja vista que: As atividades que ocorrem em nosso espaço são processos-produtos pedagógicos artísticos, cada uma conforme a sua natureza, voltadas para a descoberta e construção de conhecimentos práticos culturais e/ou tecnológicos, e, por serem realizadas na FPV têm o diferencial do acesso direto ao local das apresentações. As ações, vivências ou eventos, em geral, acontecem na “praça” da FPV, uma área coberta de mais de 120m², ou na Sala Multiuso da instituição, utilizada para várias finalidades, e na Casa onde Pierre Verger morou (Memorial), e para chegar nestes locais, as pessoas tem fácil acesso, sem barreiras ou portões trancados, isso viabiliza que, muitas vezes, vizinhos que ouvem o som, cheguem, mesmo com atraso, e vão se somando ao público já presente reunido. Neste sentido os eventos, por natureza, por princípio, por sua estrutura física e por sua filosofia de integração e acolhimento, são agregadores para a comunidade ao redor e de acesso muito democrático. Em nossos processos de divulgação usamos muitas vezes procedimentos comuns nos bairros populares, como o “boca a boca”, e de formas personalizadas, como, por exemplo: trazer um amigo para um dia de atividade a qual a pessoa (criança, adolescente ou adulto) está participando. Na maioria das vezes esse procedimento traz também a visita dos respectivos responsáveis para ver onde ficava o local e qual era a atividade da qual seu filho queria participar, e acabavam sendo cooptados para outras atividades voltadas ao público adulto, ou vice-versa. Lembramos que a divulgação das matriculas se dá bastante por grupos de whatsapp das oficinas, grupos do bairro, escolas, etc, e desta forma alcançamos também um amplo público. Desta forma, devido ao sucesso, essa estratégia continuará sendo aplicada no projeto ora proposto, mostrando a abertura e inserção da instituição na comunidade, bem como seus esforços em ampliar sempre mais a chegada e a soma de novas pessoas. Resumindo: todas as atividades propostas dialogam de forma constante e consciente com pessoas e públicos, além dos participantes diretamente envolvidos nas respectivas oficinas, desta forma prezando de forma ativa pelo item da democratização do acesso e do compartilhamento de conhecimentos diversos com o maior número de pessoas possíveis. Um conceito de centralização das informações será implementado para gerir os dados coletados durante o projeto, incluindo gravações audiovisuais, fotografias, resultados de oficinas, que serão utilizados na comunicação do projeto, tanto nas redes sociais quanto nos espaços expositivos. Essa abordagem garantirá uma ampla difusão do conteúdo e a otimização da divulgação.
A instituição proponente, através de sua equipe de gestão, encabeça todo o processo do projeto, para tanto contamos com funcionários nos cargos de superintendente, diretora financeira, coordenador administrativo e coordenadora pedagógica, com funções descritas abaixo. A estas pessoas, já presentes na equipe, somam-se no âmbito do projeto, uma coordenação geral, uma assistente da coordenação geral e um assistente da superintendente. Superintendente: Acompanhamento final de todos os procedimentos da Fundação, gestão geral de todos os projetos da instituição, mantendo seus objetivos, ações e projetos de acordo com os limites estatutários. Dir. Financeira: Pagamentos, prestação de contas financeira, balanços, recebimento de recibos e notas fiscais prezando pelo cumprimento dos objetivos de acordo com os orçamentos aprovados. Coord. Administrativo: Cuidar do acesso dos educadores a equipamentos, fazer orçamentos e aquisição de materiais para o projeto, acompanhar a manutenção de equipamentos e do espaço físico, controlar a carga horária e elaboração das planilhas para pagamentos dos educadores, organizar questões de logística. Coord. Pedagógica: Discutir planejamentos das atividades das Oficinas, acompanhar as atividades pedagógicas dos educadores, assistir na elaboração de relatórios dos educadores e no planejamento das atividades extras previstas nos objetivos específicos, planejar e realizar reuniões pedagógicas, assistir aos palestrantes/ convidados na realização das atividades extras. Coord. Geral: Acompanhar a realização do projeto, definir meios necessários para alcançar os fins propostos, escolha final dos convidados das atividades extras, supervisionar a coordenação pedagógica e administrativa, dialogar com superintendente e dir. financeira para facilitar a prestações de contas, realização dos relatórios gerais. Equipe: Angela Luhning, professora titular aposentada da Escola de Música/UFBA, doutora em etnomusicologia, pesquisadora e autora de livros, coordena o Espaço Cultural desde 2004/2005, atua na FPV desde a sua criação. Reside no bairro. Dione Baradel, graduada em Nutrição com especialização em Administração/UNEB. Entre 2001 e 2016 coordenou os projetos da FPV que obtiveram o incentivo da Lei Rouanet. Entre 2005-2014, gestão do projeto O Patrimônio de Pierre Verger em diálogo: Da Fotografia à Arte Educação, junto ao Fundo de Cultura do Estado da Bahia. Alex Baradel, Pós-graduado em História da Arte/Paris VIII. Coordenador da Fundação Pierre Verger e responsável pela preservação e digitalização do acervo. Curador de exposições fotográficas no Brasil e no mundo. Criador de aplicativos culturais para museus tecnológicos e para viabilizar acessibilidade para instituições culturais. Alexandre San Goes, antropólogo e pesquisador das artes visuais; mestrado em Ciências Sociais pela UFBA. Tem experiência em pesquisa e digitalização de acervos documental e iconográfico, incluindo o da Fundação Pierre Verger e o do Teatro Castro Alves. Na FPV colabora nos setores de fotografia e comunicação. Emerson Cabral, advogado, formado em direito (UFBA), Legislação Cultural e Economia da Cultura (UCAM-RJ). Produtor de eventos com mais de 30 anos de experiência. Músico, autor de trilhas p/ Teatro, Cinema e Publicidade. Assessoria para dezenas de Instituições, Festivais e Produtoras baianas. Ana Raquel Bezerra, Pedagoga (UFBA) com experiência em Educação Infantil, projetos no terceiro setor e Educação de Jovens e adultos em escolas e ONGs em Salvador, Facilitadora de comunicação não violenta e arte-terapeuta Jungiana em formação. Coordenadora pedagógica do EC desde 2024. Liliane Oliveira, Assistente Social, Mestra em Ciências Sociais/UFBA, experiência com políticas públicas de assistência social e de emprego e renda, mais de 10 anos de carreira, desde 2022 atua no EC. Atuação anterior com Economia Solidária, Cooperativismo, Associativismo e Assistência Estudantil; Samara Santos, formada em Ciências Sociais/UFBA, mestranda na UNEB. Desde 2024 atua como assistente de coordenação com comunicação e produção. Atuou no Projeto Malala no combate à exploração do trabalho infantil e outros riscos e vulnerabilidades sociais. Reside no bairro. Educadores das Oficinas: Os educadores atuantes no EC são profissionais com anos de experiência e, em grande parte, já atuam na instituição há muito tempo, contribuindo significativamente para o alcance dos objetivos planejados. Gustavo Melo, músico e educador, formado em Composição/regência, licenciado em música e mestre em etnomusicologia (UFBA). Atua no ECPV desde 2003 e desde 2019 como professor de artes pela prefeitura de Lauro de Freitas. Nasceu e mora até hoje no Engenho Velho de Brotas. Luan Badaró, percussionista e Alagbê. Desde 2001 atua como instrutor em projetos no Terreiro do Gantois. Formado pela Escola Pracatum e Escola Olodum. Atua profissionalmente com música popular com conjuntos e artistas. Licenciando em Música/UFBA e desde 2018 professor de percussão no EC. Pedro Vieira, músico, regente e educador, pós-graduado em Regência de Coral e licenciado em Música/UFBA. Regente do coral do EC desde 2018. Já foi contemplado com vários prêmios (FUNARTE e editais do Ministério da Cultura, SECULT-BA e Fundação Gregório de Mattos. Carlos Santos “Negrizu”, dançarino, coreógrafo e ator, formado em Danças Afro Brasileiras/Contemporâneas (Extensão/UFBA) e Teatro (Fundação Gregório de Mattos). Integrou a Cia Ilú Batá (Dança/UFBA) do professor afro americano Clyde Morgan. Coreografou o Bloco Afro Olodum e deu aulas de dança afro contemporânea na FUNCEB por 15 anos. É professor no EC desde 2004. Ricardo Silva “Mestre Carcaça”, começou a formação na escola de capoeira Filhos de Bimba, depois continuou na Associação Quilombo Capoeira, reconhecido como mestre de capoeira em 2011. Atua no EC desde 2015. Participou de cursos de capoeira inclusiva, trabalha com crianças neuroatípicas. Mário Mendes, formado em Educação Física/ Inclusiva e Biomecânica e graduando em Fisioterapia. Atua há 23 anos como educador social, também no atendimento socioeducativo de adolescentes em conflito com a lei (FUNDAC) e como educador no Projeto Axé com crianças e adolescentes em situação de rua. Responsável pela oficina de esporte do EC desde 2010. Wellington Santos, formado em Artes Cênicas/UFBA, pós-graduado em Psicopedagogia. Diretor e professor de teatro, atua em projetos e espetáculos. Foi professor de Arte-Educação em instituições de ensino privado e público, é professor de Artes pela Prefeitura de Mata de São João/BA e desde 2016 no EC. Juliana Malange, Bióloga (UNESP), mestre e doutora em Neurociências e Comportamento (USP), hoje estudante de gastronomia (UFBA), após o nascimento da filha, alérgica a glúten. Professora da Oficina de Culinária (turma adultos), trabalha sobre variantes culturais do comer e relações com saúde. Luccas Santos. Tecnólogo em Alimentos (IFMA), técnico em apicultura (UEMA), Mestre em Ciências de Alimentos (UFBA), estudante de Gastronomia (UFBA), Desde 2024 professor da Oficina de Culinária (crianças), trabalha em especial com alimentos criativos, confeitaria e panificação. Joseane Nascimento, professora do Ensino Fundamental na rede privada e educadora na oficina de informática no EC desde 2016. Formada em pedagogia pela Uniasselvi e concluindo graduação em Letras Vernáculas (UFBA). Trabalha também com fotografia. nascida e residente no Engenho Velho de Brotas. Juliana Silva, pedagoga com Pós-graduação em Alfabetização/ Letramento, Gestão Escolar e Coordenação Pedagógica. Professora na rede particular e desde 2023 pedagoga responsável pelo Reforço Escolar, Projeto Reescrevendo o Futuro. Mayara Santos, estudante de Pedagogia da UFBA, foi estagiária em projetos da Prefeitura de Salvador, experiência com defesa de direitos LGBTQIAPN+ e com inovações tecnológicas e educação. É professora auxiliar/ estagiária no projeto do Reforço Escolar desde 2024, trabalhando com inclusão e compreensão cultural.
Transferência de recursos entre conta captação e conta movimento no valor de R$100.000,00 em 23/04/2026.