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PRONAC 247765Projeto encerrado por excesso de prazo sem captaçãoMecenato

Filhas da Dita 18 anos!

Cooperativa de Artistas
Solicitado
R$ 3,77 mi
Aprovado
R$ 3,77 mi
Captado
R$ 0,00
Outras fontes
R$ 500,00

Análise IA

Relacionamentos

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Eficiência de captação

0.0%

Classificação

Área
—
Segmento
Apresentação ou Performance de Teatro
Enquadramento
Artigo 18
Tipologia
Espetáculos artísticos / musicais com itinerância mínima em 2 regiões
Ano
24

Localização e período

UF principal
SP
Município
São Paulo
Início
2024-11-01
Término
2025-10-31
Locais de realização (7)
Manaus AmazonasSalvador BahiaBrasília Distrito FederalBelo Horizonte Minas GeraisRecife PernambucoPorto Alegre Rio Grande do SulSão Paulo São Paulo

Resumo

Filhas da Dita 18 anos! é marco da carreira e da maioridade da coletiva Filhas da Dita e se propõe a celebrar essa importante trajetória aliada a celebração de 10 anos da Cooperativa de Trabalho de Artistas. Para tanto, propõe a realização de uma itinerância nacional (contemplando todas as regiões do Brasil e com ações de acessibilidades) de suas 02 obras mais importantes: LedAzeda (musical infanto-juvenil) e Canto das Ditas (épico-drama jovem-adulto) através da realização de 70 apresentações acompanhadas de Lançamento do Livro de 18 anos da coletiva, mais o Chá das Ditas, um espaço de compartilhamento e troca sobre as pedagogias imbricadas nos processos de pesquisa e criação desenvolvidas no extremo leste da cidade de São Paulo (Cidade Tiradentes), como o Teatro do Cotidiano e a Pedagogia Travesti.

Sinopse

Espetáculo Canto das Ditas: Sinopse: Por meio de gestos, música, canto e narrativas, "Canto das Ditas" traz à tona a força ancestral de orixás femininas com a construção histórica de Cidade Tiradentes por mulheres negras. Proposta de encenação por Antônia Matos, diretora e dramaturga: “Na encenação e na dramaturgia trazemos o desejo de Afrografar Cidade Tiradentes, conceito da Dra Leda Maria Martins, procurando encontrar onde a África se manifesta em nosso dia a dia, ao nosso redor e em nossos parentes, vizinhos, amigos e até desconhecidos que caminham pelo bairro. Buscando nas histórias, lugares e personagens do cotidiano um espelho mítico de histórias e personagens sagrados. Construindo assim uma poética cênica atravessada, entrecruzada pelos elementos e saberes-fazeres que compõem o universo ancestral e o mundo terreno. Explorando com isso outro conceito da Dra Leda, o tempo-espaço espiralado, curvilíneo, que aponta para um movimento de eterno retorno, não ao ponto inicial, mas às reminiscências de um passado sagrado, para o fortalecimento do presente e o deslumbramento do futuro. É, desse modo, que procuramos desenvolver uma encenação performativa que se apresenta na dimensão performativa do corpo nos rituais e que pode ser experienciado como elemento técnico e estético pelos artistas da cena e pelo público. A fundação do mundo na África e a fundação de Cidade Tiradentes serão contempladas simultaneamente, o passado sagrado se revela para nós no presente e no passado recente com suas personagens míticas e seus desdobramentos humanos nesse arcabouço de narrativas e nesse ir e vir do tempo cênico em espiral”. Concepções de cenários por Eliseu Weide, diretor de arte: “A concepção cenográfica traz uma instalação em um andaime, como signo da construção, tanto do bairro quanto das primeiras moradoras. Em suas 4 faces construímos espaços diferentes como caminhão, cozinha, janela de apto e olaria. Tentando sintetizar de maneira simples Cidade Tiradentes, desde o seu começo enquanto bairro, até hoje em dia. O começo pode ser mostrado com a Olaria que é representa por uma parede de tijolos e ao mesmo tempo pode ser o espaço para o Mítico, o começo de tudo, o barro, que dá forma e constrói. A cenografia foi construída e pensada de forma a proporcionar ao grupo, fácil mobilidade em cena, mas também fora dela. Não é necessária uma grande estrutura de transporte, o que facilita a difusão da obra, inclusive a nível internacional”. Concepção de figurinos por Eliseu Weide, diretor de arte: “Partindo do estudo do Núcleo Teatral Filhas da Dita, que existe uma transição entre o Cotidiano Urbano e o Mítico Africano, misturamos desde paletas de cores das orixás à materiais recicláveis. Aproveitamos muito matérias não convencionais pra apresentar subjetivamente construções da estética precária, priorizando as inspirações nas roupas de santo em uma roupagem contemporânea, pensando em formas e cores já utilizadas nas religiões de matriz Africana nas diásporas das Américas. Há também o desejo de enaltecer a beleza das Yabás enquanto força feminina criadora”. Concepção de iluminação por Fernando Alves, iluminador cênico: “A concepção de iluminação do espetáculo tem início já no processo de pesquisa para a montagem, quando as atrizes do grupo apresentaram propostas de cenas para alguns de seus personagens contendo ideias de figurino, maquiagem e também elementos de luz para tais encenações. Desta maneira, acreditamos que a apropriação do elenco em relação a este importante elemento cênico se dá de maneira mais consciente e natural. Tanto que, com a montagem já em andamento, parte destas ideias mantiveram-se por dialogar fortemente com as cenas. Mais tarde, foi convidado um profissional da área para apresentar propostas de iluminação para as cenas já concebidas, sempre em diálogo com elenco e direção. Neste espetáculo, a iluminação tem o papel de ambientar as cenas entre o espaço lúdico, mitológico e o real, pontuando os momentos em que se distinguem, mas também correlacionando-os, uma vez que as personagens mitológicas representam as personagens do cotidiano e vice-versa. Projeção, luz de chão, gobos, cores variadas e luz natural (vela) permeiam a encenação, ora de maneira leve ora abrupta (dependendo da cena) e ajudam a contar as histórias no palco, buscando utilizar a iluminação não somente como elemento técnico, mas também como parte desta contação, compromissada em emocionar o público e trazê-lo ainda mais para dentro destas histórias”. Concepção de música por Jonathan Silva, diretor musical: “A música dentro do Espetáculo Canto das Ditas assume um papel dramatúrgico e pretende tecer uma linha poética – musical que costura as histórias de alguns Orixás com as histórias das mulheres guerreiras do bairro. Todo elenco toca e se reveza nos instrumentos. Tambores, chocalhos, contrabaixo e vozes. Há momentos solos e momentos de canto coletivo. Temos composições que reverenciam o mistério e o encanto das orixás. Temos composições que narram a correria e a luta diária das moradoras e moradores do bairro. Letras, poesia, vozes e acordes saúdam Oxum, Nanã, Iemanjá, Iansã e ao mesmo tempo saúdam Fátimas, Marias, Joanas e outras tantas mulheres que vivem alegrias e sofrem violências. Canto de dor. Canto de luta e de esperança”. Espetáculo LedAzeda: Sobre o espetáculo LedAzeda: Leda só feria. Cuspia e rugia aos quatro ventos raiva e desapontamentos, estava irada, frustrada e só. Um dia conheceu Ada, artista itinerante, uma fada que viu com muita graça e empatia seu estado desconcertado e o que a todos expelia virou acolhimento, música e diversão no encontro dessa nova e diversa amizade. RELEASE: LedAzeda é um musical divertido para todas as idades, a linguagem do teatro para infâncias dá passagem a um espetáculo onde despertamos reflexões sobre relações sensíveis, como respeito, diversidade e empatia inclusive entre crianças e adultos. E há também a possibilidade das amizades mais diversas e cheias de afeto. Leda e Ada num primeiro momento parecem ter nada em comum, mas no decorrer do espetáculo essa distância vai diminuindo e elas se completam num encontro sincero e potente. “Ninguém entendia porque Leda só feria, só - feria - Leda sofria. Não era aceita, não ocupava um lugar especial no coração de ninguém, por isso, machucada, feria. Mas tudo muda quando alguém resolve não se afastar, mas se aproximar, e mostrar a Leda que agora ela tinha lugar!”. Trecho do livro LedAzeda, de Mahyra Costivelli, que gentilmente cedeu os direitos da obra literária para a montagem do espetáculo. Você vai se encantar com o que vai ver e ouvir no nosso portfólio, vai lá! Direção do espetáculo: Lua Lucas Dramaturgia: Thábata Wbalojá Direção musical: Luara Iracema Elenco: Filhas da Dita, Dandara Kuntê, Elix Rodrigues, Jhowenny Orun e Lara Ribeiro (artistas convidadas). Chá das Ditas é uma ação de compartilhamento de temáticas que permeiam nossas pesquisas e nossas pedagogias, com a participação da direção, do elenco e convidados especialistas para cada cidade que passaremos. Faremos debates acerca de questões que para nós são caras, que temos lugar de fala como: etinico-raciais (pretas/indígenas) encabeçado pelas atrizes Ellen e Luara; da diversidade de gênero e sexualidade, com a Pedagogia Travesti, pesquisa da Lua, a respeito do body positive com a pesquisa do Corpo Gordo de Cláudio e das intersecções do debate decolonial da cultura de terreiro e aquilombamento, da economia criativa solidária e o cooperativismo, e também das vivências/experiências de periferia com o Teatro Cotidiano “ a convivência qualifica o nosso trabalho, não só esteticamente mas também filosoficamente, voltamos nossa atenção pro que antes não era pensado, humanizamos no ‘micro’ corpos e experiências de vida que colonização apagou, reacendemos” diz Thábata.

Objetivos

Objetivo Geral: Projeto de celebração dos 18 anos da coletiva Filhas da Dita. Objetivos específicos: Realização de 70 apresentações teatrais em circulação nacional pelas 05 regiões do país. Publicação e Lançamento do livro-memória de 18 anos com distribuição nacional. 07 trocas artístico-pedagógicas sobre o Teatro do Cotidiano, através de encontros chamados Chá das Ditas. Estreia de um curta documentário sobre o processo de desenvolvimento deste projeto.

Justificativa

Filhas da Dita é a mais diversa coletiva de Teatro do país. Em 2025 completamos 18 anos de processo continuado no maior complexo habitacional da América latina, Cidade Tiradentes (CT) e achamos que é a hora do Brasil conhecer nosso trabalho, realizando 70 apresentações em sete capitais, acompanhadas de lançamento da publicação de aniversário e o nosso "Chá das Ditas" levando muitas partilhas, estéticas, pedagogias e conhecimento diverso dissidente contracolonial. CT é um território múltiplo. Quem mora por exemplo na Vila Yolanda conhece pouco o 65, ou do 88, ainda tem o Barro Branco, a Inácio, enfim, cada lugar tem sua particularidade, algo especial e é assim como nós: diversas. Foi compreendendo toda essa diversidade como identidade e estética que nossa pesquisa está amalgamada com a nossa multidiversidade, nossas multilinguagens, e isto para nós é fundamento. Desenvolvemos produções artísticas que dialogam com a comunidade, o que provoca o interesse do público e movimenta toda a cena cultural do nosso território (e de outras quebradas também) porque o mundo é uma grande encruzilhada. Essa é a principal estratégia deste projeto: compartilhar a pesquisa estética do nosso corpo-território para outras crianças, adolescentes, jovens e adultos, do Oiapoque ao Chuí com 70 apresentações do nosso repertório, com lançamento da tão sonhada publicação do livro pro aniversário de 18 anos da coletiva, também uma ação de compartilhamento chamado Chá das Ditas (com convidados em cada cidade), e ainda a produção de um produto audiovisual, um documentário das nossas travessias por esse Brasilzão de meu Deus. Valorizamos a remuneração de trabalhadoras/es/os da cultura que sempre ficam à margem são periféricas, indígenas, trans, pretas, gordas e travestis que conseguirão desenvolver e aprimorar seu trabalho de forma continuada, provocando emancipação e alargamento positivo dos dispositivos e processos artísticos. Podemos falar sobre infância também, sobre ludicidade e alegria, não só sobre dor. Nesses anos de trabalho continuado construímos uma estética que pesquisa as linguagens de quebrada que chamamos de teatro do cotidiano entendendo nossa intersecção de vivências, dos encontros, das encruzilhadas, dos contos e fofocas, das discussões fervorosas das reuniões da rede intersetorial, ou simplesmente daquele encontro com Dona Fátima que ilumina nosso dia e nos faz acreditar que é possível continuar fazendo arte mesmo com os desafios e violências diários. Leda, a protagonista do nosso mais recente espetáculo (um musical infanto juvenil) diz assim: "Eu tenho voz, eu falo por mim mesma". A menina azeda tem voz e fala por todas nós, não precisamos que nos dêem voz, queremos a visibilidade para contar nossas próprias histórias. Luara Iracema, atriz-pesquisadora da coletiva, têm compartilhado um ensinamento ancestral que ela trás da aldeia Tabaçu Rekó Ypy: "Conte sua narrativa, sua história do jeito certo, porque historicamente aprendemos com a colonização, que se não contarmos ela, alguém vai contar por nós, e acreditem, não vão fazer isso direito ou com respeito". Pensando nisso, convidamos a Dra Jessica Nascimento para a 1a ação do projeto que é a organização da coletânea dos nossos textos acadêmicos, dramatúrgicos e poéticos para a produção da publicação: Filhas da Dita 18 anos (nome provisório). Nessa plataforma, compartilharemos a pesquisa do trabalho continuado da cia nesses 18 anos, além de contribuições de convidados especiais e outras narrativas dessa nossa trajetória que já é patrimônio imaterial e cultural, memória ativa do Teatro de Grupo da cidade de São Paulo. Depois, temos a ação mais icônica do projeto que é a circulação pelas cinco regiões do Brasil com a circulação com 70 apresentações em 07 cidades. Escolhemos 06 capitais além da nossa que possam estar em diálogo com "LedAzeda" direção de Lua Lucas, um musical divertido para todas as idades e que também traz reflexões sobre relações sensíveis, como respeito, diversidade e empatia. E o épico "Canto" direção de Antônia Mattos que espiraliza a construção do nosso bairro na mão das mulheres negras com as narrativas das Iabás e seus arquétipos nas lutas sociais por moradia, amor, saúde e vida. Essa ação será acompanhada de lançamento do livro + Chá das Ditas. Finalizamos, com o lançamento de um curta sobre o desenvolvimento do projeto e suas bases, construídas ao longo dos 18 anos de trabalho de grupo.

Estratégia de execução

Currículo completo da proponente: A Cooperativa de Artistas nasceu do edital Desenvolvimento e Cidadania - 2012 da empresa Petrobras, como parte do projeto Cooperativa de Artistas: produzindo caminhos sustentáveis para a vida. À época, bem mais jovens, elaboramos uma proposta que desse conta de suprir uma necessidade urgente de autonomia em relação a instituição proponente, que aceitou ser a nossa representante jurídica naquele momento. Após 03 anos entre elaboração do projeto, aprovação e início de seu desenvolvimento, conseguimos nossa autonomia e nos fincamos como um dos mais importantes empreendimentos culturais da zl de São Paulo. As fundadoras da Cooperativa, conceberam e produziram os projetos de maior impacto do bairro da CT, mesmo antes da fundação desse empreendimento (que aconteceu oficialmente em 2015), como os Encontros Comunitários de Teatro Jovem (2008 - 2014) onde recebemos grupos da cidade, do estado, do Brasil e da América Latina, em suas diferentes edições; “Rede Livre Leste” (2011) em colaboração com diversos grupos da zona leste de São Paulo, que culminou por exemplo, na proposição e criação da Lei de Fomento a Cultura da Periferia em São Paulo; “Artes Integradas” (2017) onde grupos de Cidade Tiradentes circularam por 07 cidades do interior de SP, com patrocínio da AES Eletropaulo; em 2018 recebemos o grupo Nós do morro para um intercâmbio pelo projeto A ponte do Itaú Cultural (2019), e mais recentemente, os projetos Muvuca no Teatro (2024) com patrocínio do FUMCAD - Fundo Municipal dos Direitos das Crianças e Adolescentes e “Cooperativa da CT: acolhimento, formação e garantia de direitos” (2023), com ações de educação em direitos humanos e vasta programação cultural no bairro com patrocínio via emenda parlamentar da SMDHC. Alicerçada pelo conceito da economia solidária vem promovendo uma nova perspectiva em relação ao trabalho e a geração de renda na região, que tem em seu histórico, o peso de ainda ser considerada um bairro dormitório. Tem como objetivo principal a inclusão à diversidade e a construção de oportunidades de emancipação das minorias políticas e grupos marginalizados. Justamente por isso, sua equipe é inteiramente composta por profissionais do território, em sua maioria mulheres e negras que, ao longo de mais de 10 anos se profissionalizaram e tem uma enorme relação com Cidade Tiradentes, o que garante o êxito dos projetos desenvolvidos. É a comunidade trabalhando na comunidade, e isso possibilita a criação de espaços mais democráticos e horizontais, verdadeiramente. Além disso, a comunidade se sente representada pela Cooperativa de Artistas e confia em suas ações. Currículo do núcleo artístico: Temos como ponto de intersecção, a migração de nossas mães de suas cidades do interior para as capitais. E é esse movimento das mulheres-mães que proporciona entendimento do nosso corpo-território. Hoje teatro do cotidiano. A nós por muito tempo não importou classificar o que fizemos. Até porque, o que fazemos vem carregado de nossas vivências enquanto pessoas moradoras do maior complexo habitacional da América Latina. Por muitas vezes somos confundidas com projeto social porque não viemos de escolas tradicionais e formais de teatro, não acreditamos na arte pela arte e no artista que pode representar/fazer tudo. Sempre nos questionamos sobre quais corpos tem essa possibilidade no contexto brasileiro. Somado a isso, temos um compromisso com nosso território e nossas ações sempre se esparramam para além da fronteira da coletividade e também por uma questão de sobrevivência, estamos continuamente desenvolvendo ações e atividades na quebrada, como aulas de teatro para crianças e jovens. A Filhas da Dita, atua há quase 18 anos coletivamente, aliando um processo contínuo de produção artística com ações culturais que impactem positivamente seu entorno. Nesse sentido, desenvolveu uma linha de pesquisa teatral que tem como premissa o diálogo constante com esse território. Seus espetáculos, Os Tronconenses (2007), O Baú das Histórias (2010), A Guerra (2013), O Sonho de Tatiana: Uma Poética sobre Juventudes (2017), Canto das Ditas (2019) e LedAzeda (2023), nosso mais recente espetáculo musical para infâncias, o primeiro infantil dirigido por uma pessoa trans no Brasil, refletem essa intensa relação e os procedimentos teatrais que nascem e/ou são ressignificados por ela. Além dos espetáculos, a coletiva já produziu intervenções artísticas em áreas diversas como direitos humanos, diversidade, gênero, sexo seguro, entre outras. Nesses anos também desenvolveu importantes projetos em parceria com o poder público, com empresas privadas, com organizações não governamentais e com outros grupos e coletivos culturais, numa perspectiva de ação em rede, movimento este que gerou importantes laços como a participação na fundação da Rede Brasileira de Teatro em Comunidade, da Rede Latino Americana de Teatro em Comunidade e em projetos coletivos como Nossa Teoria é a Prática (com grupos de teatro da zona leste de São Paulo), Território Maravilha e Juventude Violência e Território: Fortalecendo o bairro através da Arte (com grupos do bairro Cidade Tiradentes) e Artes Integradas (com teatros e espaços públicos de 07 cidades do interior paulista). Também possui forte vínculo com grupos que compõem a Rede Brasileira de Teatro de Rua, intercambiando conhecimentos através de apresentações e oficinas práticas. Nesses anos, a coletiva desenvolveu conhecimentos específicos em áreas como comunicação, produção, elaboração de projetos e administração, bem como na atuação enquanto arte-educadora em vários projetos da SMC como Pia, Vocacional e Oficinas Culturais. Algumas ações explodiram fronteiras continentais, como em 2015 com o patrocínio da Secretaria de Estado da Cultura, através do Programa de Ação Cultural, desenvolvemos o projeto “Filhos da Dita: Aprimoramento Artístico através das histórias, da memória e da prática”, que possibilitou a vinda para o Brasil, do ator e diretor Oscar Castro, preso político nos anos 70 no Chile e autor do texto A Guerra, e que atuava como diretor do Teatro Aleph – França. Infelizmente, Oscar Castro nos deixou na pandemia, vítima da Covid 19. Ou em 2012, quando finalizamos o estudo do Método das Ações Psicofísicas de Constantin Stanislavisk e da Análise da Cadeia de Acontecimentos e Objetivos Interiores, sob orientação do diretor cubano Rolando Hernandez. Em 2010, tivemos a oportunidade de participarmos, apresentando o espetáculo Os Tronconenses e também realizando oficinas em importantes festivais de arte educação e teatro em comunidade, como VII Congresso Internacional de Drama/Teatro e Educação – IDEA em Belém - Pará, o Encuentro Distrital de Teatro de Bogotá (2010) e do XV Encuentro Nacional Comunitário de Teatro Jovem, realizado pela Corporación Cultural Nuestra Gente (Medellín, Colômbia). Construímos duas ocupações culturais no território: Centro Cultural Arte em Construção (2007-2019) e a Casa Elekô (2019-2022) numa perspectiva de atuação e mobilização de redes e coletividades do território. Em 2019 produzimos e lançamos o documentário “ Cê qué mentir pra preta velha?” onde trazemos o rosto e a voz dessas mulheres que são encenadas por nós, essas que chegaram ao nosso bairro há 40 anos e construíram a Cidade Tiradentes nas lutas sociais por garantias de direitos básicos, e viveram as modificações do bairro e das suas vidas nestas 4 décadas. O doc já foi exibido em diversos CEUs, no Cedesp Tiradentes, Casa Anastácia, Academia Carolinas, escolas públicas, entre outros e recebeu o Prêmio Kinoforum em 2021. De 2020 até 2023 estreamos LedAzeda, desenvolvemos uma pesquisa coletiva baseada no Teatro do Cotidiano e lançamos duas webséries “corpas” e “efeito colateral”.

Especificação técnica

Publicação Impressa - Livro de 18 anos A publicação de aniversário de 18 anos da coletiva é 1ª ação do projeto. Mergulho intenso na pesquisa, reflexão e sistematização acerca dos principais procedimentos estéticos, políticos e afetivos que compõem o que a coletiva Filhas da Dita vem nomeando como Teatro do Cotidiano, partindo de sua experiência teatral no território de Cidade Tiradentes, maior complexo habitacional da América Latina, extremo leste da capital paulista. Convidaremos artistas que nos acompanham intimamente para contribuir nesse processo de escrita textual de nossa trajetória, da fundação até a maioridade. Algumas convidadas renomadas como a Dra Leda Maria Martins que tem espiralado até o fundão da zona leste, e mais uma vez estará nos fortalecendo no caminho de entender como resistir na arte e nos ajudar a escolher bem nossos instrumentos de luta contra o avanço do desmonte na cultura que diariamente nos afeta. Salloma Salomão é um mestre-amigo que já há algum tempo está próximo de nós e entende os processos de resistência na arte pelos quais atravessamos, dentro e fora do nosso território. Convidamos também Andreya Sá, atriz e arte educadora que já foi parceira de projetos aqui na Cidade Tiradentes, Juão Nyn, importante artista indigena daqui da zona leste, que acompanha e fortalece o trabalho das Filhas há muitos e muitos anos e Mona Lima, neta de Nego Bispo, que reencontramos num encontro ancestral aqui em Cidade Tiradentes, nossa jovem mestra do quilombo e da academia! Queremos que essa publicação seja também um aconchego pros que estão chegando, com textos e algumas ferramentas pros leitores; como procedimentos da forma prática que encontramos de dar continuidade ao nosso trabalho mesmo com tantos desafios, Thábata tem pensado muito em contos e crônicas que dialogam com o realismo fantástico, Claudio e Lua estão muito debruçadas sobre as dramaturgias baú com a pesquisa da dramaturgia do corpo gordo (que estará na rádio de rua) e a pedagogia travesti que até hoje arrasta seguidores nas aulas de teatro pelo bairro. A Lu está no entremeio, parte pensando pedagogias, parte em processo de retomada afroindigena, fortalecendo o entendimento de não estarmos em um só lugar; pretendemos que a publicação também possa ser poética, cheia de cor e uma diversidade de linguagens, assim como nós. A expectativa é de impressão de 200 exemplares com capa dura colorida, miolo colorido e 200 páginas, com organização da ilustre Jéssica Nascimento, outra jovem mestra de Ifá e das mandingas acadêmicas. Teremos uma versão do livro em AudioBook, reforçando nosso compromisso com a acessibilidade no projeto. Em cada cidade por onde o projeto passar, as apresentações serão acompanhadas de um lançamento do livro com distribuição gratuita + o Chá das Ditas.

Acessibilidade

Sim. Desde 2020, a Filhas da Dita vem se capacitando e reestruturando sua organização, no sentido de garantir e promover ações de sustentabilidade em seus projetos. Como medida ambiental, garantiremos uma atuação alta através das redes e mídias sociais da internet ao mesmo tempo em que serão utilizados papéis recicláveis para os materiais que serão impressos, diminuindo o impacto da produção e uso de papel no projeto. Nos materiais promocionais (camisetas, jaquetas, chaveiros e bonecas) também serão observados esses critérios nas suas produções. Em relação a ações físicas, priorizaremos que as apresentações aconteçam em espaços que garantam a acessibilidade física para o diferente público, como elevadores, rampas e banheiros. Como medidas comunicacionais e atitudinais, garantiremos que nosso plano de comunicação contenha uma linguagem inclusiva, valorizando o uso de termos que agregem as diferentes pessoas da sociedade, ou seja, diminuindo o uso de expressões no masculino como forma universal de se comunicar. Viabilizaremos a descrição com #paratodosverem em todas as publicações do projeto, QR codes e auto-descrição sempre que for possível, em canais de comunicação. O livro, além do formato impresso, terá sua versão em audio-book e em 60% das apresentações em cada cidade, teremos tradução simultânea em libras para o público. Em nosso último projeto, conseguimos parceria com a EMEBS para viabilizar a presença do público surdo nas apresentações. Nossa equipe de produção estará atenta para efetivar esse tipo de parceria nos municípios por onde o projeto passa. Por fim, esse é um projeto que garante a continuidade de ações de inclusão social, produtiva e econômica de pessoas historicamente marginalizadas, como protagonistas de um momento que será histórico para as artes. Filhas da Dita é uma coletividade composta por pessoas pretas, afro-indígenas, lgbts, gordas e periféricas, trabalhadoras e fazedoras de cultura, empreendedoras e gestoras de uma Cooperativa de Artes no último bairro do extremo leste da capital paulista e esses modos de vida e tecnologias sociais dão base para a proposta que aqui se apresenta. Percebam a diferença disso, para um projeto onde nossas corporalidades e inteligências são uma cota para entrar nos editais. Sua realização garante a manutenção da contratação de empresas e pessoas que tenham esse mesmo fundamento na sua atuação. O que fazemos hoje a nível local, será ampliado a nível nacional, mobilizando, portanto, uma ação de reparação histórica ainda não vista nos últimos anos dentro das artes. O Brasil precisa conhecer essa possibilidade dissidente urbano ancestral de se organizar coletivamente através do teatro, para garantir a reflexão crítica acerca de temas urgentes e importantes, a produção contracolonial de obras artísticas relevantes e as estratégias de manutenção de vidas, porque, como nos ensina o mestre Nego Bispo “todas as vidas importam”, em contexto de extrema vulnerabilidade social, mas de onde florescem perspectivas e ações eficazes de acessibilidades.

Democratização do acesso

Todos os ingressos de todas as apresentações e outras ações do projeto serão gratuitas, dessa forma entendemos que para além do público direcionado para as ações sociais abrangemos também toda a gente, chegando inclusive em pessoas que normalmente não frequentam teatro. Faremos parceria com escolas públicas locais para a presença de alunos, jovens e crianças nos espetáculos, viabilizando através do projeto, transporte e alimentação, em 20% das apresentações. Entendemos que essa atividade contribui para a formação de público e as transformações sociais do micro para o macro, pois na nossa experiência, percebemos que muitas vezes, as pessoas responsáveis pelas crianças, adolescentes e jovens e também a escola não conseguem promover essa intersecção escola - arte, por não poder garantir o transporte e a alimentação. Então, é master que o projeto garanta esse acesso e viabilize as oportunidades do encontro com esse público. Parte das apresentações conta com acessibilidade em libras, algo que já fazemos há alguns anos. Somos uma coletiva que nasce num contexto de extrema vulnerabilidade social e entendemos a importância de prever esse tipo de ação social no escopo dos nossos projetos. Termos a oportunidade de acessar, por exemplo, ações do Programa Cultura Viva, através de um Ponto de Cultura, lá em 2004, contribuiu para que, sonhemos e planejemos a execução desse brilhante projeto de celebração de resistência, em 2025.

Ficha técnica

A Cooperativa de Artistas será a responsável pelo pleno desenvolvimento do projeto, uma vez que parte de suas artistas cooperadas compõem a equipe artística/gestão do projeto. Além disso, a dirigente será responsável pela gestão financeira do recurso. Somos as fundadoras e gestoras da Cooperativa, o que nos garante uma compreensão de todos os processos envolvidos nos projetos, do nível operacional ao mais estratégico e além disso, possuímos experiência de mais de 10 anos em gestão de projetos artísticos de todos os portes. Ellen Rio Branco: mulher preta retinta, gorda, do teatro e do jongo. Cheia de charme, estilo e personalidade, carrega na sua maleta de mão um sol em leão e sua doce mãe Dona Fátima. Articuladoa cultural da quebrada e um verdadeiro vulcão em cena, ela protagoniza o Canto, nosso épica peça. Luara Iracema: sua ancestralidade indígena e negra podem não estar tão marcada no seu corpo, mas quando se trata de empatia, criatividade e inspiração; temos a nossa hacker dos afetos e das tecnologias, nossa babadeira designer gráfica e diretora musical. Pequenina, mas com um coração do tamanho do Brasil inteiro. Thábata Wbalojá: inteligência e perspicácia definem nossa organizadora de ações de reparação histórica (rs) mulher preta, lésbica, nerd, sabe? ela domina a arte milenar de caber bem no próprio corpo e ter uma auto estima desde pequenina. Sabe perfeitamente onde e como chegar e conversa bem sobre todos os assuntos, afinal de contas 2 livros por semana a infância inteira não só potencializaram todas suas habilidades. Lua Lucas: travesty filha de Iemanjá, diretora, cantora e uma eximia atriz. Presença, força e criatividade definem um pouco dela. Ela veio nos transicionar o corpo e a psique. suas pedagogia travesti tem como pilar “o desejo” “acolhimento” “autonomia” “o erro” e o “compartilhamento”. A bicha não estreia até uma novela esse ano!? Cláudio Pavão: se gêmeos é a comunicação, essa bicha é quadrigêmea, conhece todes de todos os lugares, sabe de todas as estratégias e editais e cursos e oportunidades, do Oiapoque ao Chuí. Se você é gordofóbico e acha que uma pessoa gorda é lenta e fraca você não conhece ESSA bicha gorda, disponibilidade em cena é sua pegada e seu corpo grande nunca a impediu de nada! Jhoweny orun:“sou uma trava indigena afro confusão agradeço mãe Oyá que me deu a mão” assim que ela emprestou seu corpo pra personagem confusão em LedAzeda. Jhoweny é uma bela diversão ou ela ta fazendo piada e dando coió em todo mundo ou ela ta cansada de descer do transporte no engarrafamento e ter vindo andando mais de 10 km. Reina nela a beleza Leonina. Elix Rodrigues: Virginiana do perfeito black redondo. Maga da voz, ela desde e sobre num timbre de deixar as sereias com inveja, cria da vizinha São Mateus, ta sempre atrasadinha. amor transcentrado estampa sua testa. Concentrada e perfeccionista tem um humor acido e com ironia nos presenteia a personagem Calmaria em Ledazeda. Dandara Kunte: Ela sai da zona sul pra tiradentes ( coisa de 04 horas de viagem) e sempre está adianta, outra virginiana organizada que se deixar arregaça a manga e se joga na produção. Ta sempre em transito, fazendo curso, sarau ou ta tirando foto naquela exposição babado que nós reles mortais nunca conseguimos ir. Tras sempre uma fofoca quente e atualizada. Nossa pimentinha LedAzeda. Lara Ribeiro: A baby da quadrilha, multiinstrumentista autodidata!!! Ela divide seu tempo entre as aulas na USP, os ensaios das Filhas e seu namoro com a Yokota, as sapa nova não se desgruda! adora designe, musica, fala pouco, observa muito.

Providência

PROJETO ARQUIVADO.