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A dança do exílio é um projeto de pesquisa artística e social, que se organiza pela dança-teatro de Pina Bausch, na performance art' de Marina Abramovìc e com a semântica decolonial dos filósofos Judith Butler, Silvia Federici e Paul Preciado (dentre outros colaboradores da Teoria Crítica, como Herbert Marcuse e Walter Benjamin, e da literatura, como Virginia Woolf). Adentrar o arcabouço somatopolítico destes autores é o objetivo da proponente, e artista, Naessa Marques, que, por dez meses, pleiteará o estudo da semiótica anticapitalista de suas obras, num rito de rememoração cognitiva não binária e feminista para a construção de uma nova responsabilidade, de um futuro vegetal, desidentificada da inteligência artificial-colonial do regime patriarcal, da vigilância médico-jurídica e da violência-ética. Como resultado desta pesquisa será produzido, pela própria proponente, o filme-dança-teatro "A dança do exílio", que convocará o público para a agência ativa de re-encantamento do mundo.
Sinopse do filme-dança-teatro "A dança do exílio" (classificação indicativa etária - 14 anos, podendo ser alterada no decorrer da execução deste projeto):"A dança do exílio convocou a desidentificação. No exílio somatopolítico, ex-piritual e extraterrestre as alegorias da semiótica hiperbinária não conduzem. Se deixasa opa-cidade para a dança do exílio deixaste lá a masculinização, a solidão e o carma, e encontrara a musculatura mediúnica. Nenhum aquecimento do falo lhedará animosidade. Nem Freud nem Lacan perturbará os seus sonhos. Tu dançará por dentro. Pois eles só conseguem dançar por fora."
O objetivo Geral de "A dança do exílio" é organizar uma pesquisa artística-cognitiva-decolonial da proponente Naessa Marques nas obras das artistas Pina Bausch e Marina Abramovìc, e dos filósofos Judith Butler, Silvia Federici e Paul Preciado, dentre outros colaboradores, durante dez (10) meses, capaz de estruturar o filme-dança-teatro "A dança do exílio", resultado de tais estudos, que objetiva, numa contrapartida, mostrar ao público uma consciência pós-homogênea. Novas linguagens e percepções da natureza que os permita repensar e desaprender os contratos e as cirandas violentas do capitalismo, da igreja e do patriarcado colonial para com suas vidas e, então, se conectarem com inteligibilidades e intuições de outras dimensões do espírito, com outras formas de se locomover emocionalmente e no mundo. "A dança do exílio" reclama o que Caetano Veloso, cantor e compositor, reclamou na canção "Neguinho": "Neguinho não vê, neguinho não lê, não crê, pra quê? Neguinho nem quer saber o que afinal define a vida de neguinho. Neguinho compra o jornal, neguinho fura o sinal, nem bem, nem mal, prazer. Votou, chorou, gozou, o que importa neguinho? Hey, Hey, neguinho é rei. Sim sei, neguinho." Porque a maior parte da sociedade persiste em evitar apontar, reclamar e combater seus verdadeiros inimigos? Até onde conseguem se beneficiar dos "privilégios" do gênero binário, da opacidade e do machismo? Numa abordagem aprofundada, onde se revisita a estrutura colonial desta sociedade colonial moderna, nas tramas do gênero binário, da privatização da terra, das normas cristãs e da regulação e distribuição da vulnerabilidade pela ficção política de homens brancos, encontra-se a pulsão de morte que reclama pela vida viva. É certo que o capitalismo proibiu tudo que ligava o ser humano ao mundo natural, como Silvia Federici apura em seu livro "Mulheres e Caça às bruxas". A violência física e as acusações de pactos diabólicos eram as ferramentas do novo mecanismo civilizador (o capitalismo) para os que não se submetiam a ele, para os que não tinham condições econômicas de pertencê-lo. Quem são as bruxas de hoje? Quem é punido pelo capitalismo em 2025 nesta sociedade colonial moderna? "Na figura das bruxas as autoridades puniam a investida sobre a propriedade privada, a insubordinação social, a propagação de crenças mágicas e o desvio da norma sexual." (Silvia Federici). Em outra canção, Caetano também observa que "Tudo dói. Tudo dói. Tudo dói. Viver é um desastre que sucede a alguns. Nada temos sobre os não nenhuns. Que nunca viriam. As cascas das árvores crescem no escuro. As cascatas a 24 fotogramas por segundo. Os vocábulos iridescem. Os hipotálamos minguam. Tudo é singular. Dói." "Desobedecer é um dever ético" (Judith Butler), pois "desobedecer, no tempo presente, afirma um imperativo ético, uma aposta na vida aliançada com a coragem intrínseca aos riscos das modulações do fascismo contemporâneo." (Jéssica Prudente). Para a artista da performance Marina Abramovìc o público é a obra. Para este projeto também. O contato do público com o pós-estruturalismo é a obra, encorajando os espectadores a visitarem si mesmos, para que reivindiquem seus direitos e doem nomes para suas dores pela força ética e política da não-violência, travando uma guerra contra a guerra, uma intolerância contra a intolerância, uma insurgência contra a tirania. Este é um projeto para ascender a comunalização da fragilidade humana [e não a comunalização (ou mimetismo) do gênero binário normativo e da violência-ética]e organizar insights de que somos capazes de nos reencantar, de colocar nossas almas em ordem, criando semânticas vegetais para nossas existências e para o mundo. Segundo Dorothy Cooke (do elenco do documentário "Espaço Além: Marina Abramovìc e o Brasil") "este planeta era tridimensional. Agora a Terra é um planeta de quarta e quinta dimensões. Ainda haverá muitas pessoas no planeta vivendo como seres tridimensionais. Elas não podem chegar à quarta e à quinta dimensão, pois a energia delas está muita baixa por causa do carma negativo. Você pode levar seu corpo físico à quarta dimensão, mas para chegar á quinta dimensão, o corpo precisa mudar. Você precisa ter um corpo cristalino para chegar à quinta dimensão. É apenas o início para atingirmos dimensões cada vez mais elevadas. Porque as dimensões são ilimitadas. A mente fechada é o que deixa todas essas pessoas doentes. Elas se recusam a acreditar que podem curar a si mesmas. Mas nós podemos nos curar."Objetivos específicos e respectivas comprovações:Garantir a qualidade e coesão de "A dança do exílio": Fotos da preparação e execução de "A dança do exílio", desde sua pesquisa, gravações até a estreia no Cine Teatro Odete em Araguari (MG), com 01 exibição e entrada gratuita para 200 pessoas; Fotos dos materiais gráficos da divulgação; Link do perfil doInstagram criado para a divulgação do projeto; o próprio filme-dança-teatro "A dança do exílio" (no Youtube); entre outras comprovações que poderão surgir.Reivindicar espaços cognitivos para a proponente através desta pesquisa: Fotos e links dos materiais de pesquisa de "A dança do exílio"; o roteiro do filme-dança-teatro "A dança do exílio"; um relatório com anotações durante a pesquisa nas obras dos artistas e autores convocados neste projeto (Pina Bausch, Judith Butler, Silvia Federici, Paul Preciado e Marina Abramovíc).Garantir a democratização, acessibilidade e a segurança do público: Fotos e vídeos do local da estreia e suas medidas de acessibilidade; Prints das informações de acessibilidade publicadas no perfil criado para o projeto na plataforma Instagram; Link do filme-dança-teatro "A dança do exílio" pelo Youtube; entre outros.Confeccionar materiais gráficos consistentes e convidativos: Fotos do banner e dos folder's de "A dança do exílio"; as artes gráficas criadas para "A dança do exílio", em png ou jpg.Contribuir para o repertório cognitivo do espectador (estimulando a linguagem decolonial), convidando-o a ser um agente ativo no re-encantamento do mundo: Correspondência com um (ou mais) espectador de "A dança do exílio", conversando sobre os impactos da obra audiovisual e organizando a sustentabilidade do projeto (e da proponente), impactado, também, pelas contribuições do espectador. Esta ação pode ocorrer através de um mural de percepções do público, publicado no perfil que será criado para "A dança do exílio" no Instagram.
Em tempos onde as vozes dos corpos excluídos pelo regime patriarcal colonial descem cada vez mais às ruas para incriminá-lo, a proponente Naessa Marques e este projeto se junta à tais manifestações, nas linguagens que denunciam as fogueiras da pauperização social relatadas pelas bruxas desde a Idade Média. A estética deste projeto nos revela o Estado como um estado das coisas, um estado de manutenção da estrutura binária normativa diretamente ligado ao capitalismo. "O capitalismo se reproduz em disposições de que as famílias estão reproduzindo trabalhadores e de que também estão reproduzindo gêneros. De que estão reproduzindo também a hierarquia de gênero. Não se trata de afirmar fatos da biologia. São operações de controle e regulação social." (Judith Butler). "A heterossexualidade é uma instituição econômica que retira o poder das mulheres." (Adrienne Rich). "O capitalismo não poderia se consolidar sem forjar um novo indivíduo e uma nova disciplina social que impulsionasse a capacidade produtiva do trabalho. Isso envolveu uma batalha histórica contra qualquer coisa que impusesse limite à plena exploração da mão de obra braçal, a começar pela rede de relações que ligava os indivíduos ao mundo natural, a outras pessoas e ao próprio corpo." (Silvia Federici). Quantas pessoas não homens, transgêneros, não brancas, não binárias, não heterossexuais e precarizadas conseguem ocupar espaços no governo de um país? Quantas reclamações pós estruturalistas, advindas dessas e por essas minorias, são feitas e ouvidas nos governos "democráticos", onde a coerção social branca, cisgênera, heterossexual e oligárquica organiza? Numa sociedade onde continuamos reduzidos à pura anatomia, "A dança do exílio" traz uma amostra da quarta dimensão do espírito, da cena antes e depois do hiper-capitalismo. Pensar na vida viva é pensar na destruição da violência-ética e no colapso do patriarcado com a revolução feminista em curso. É nos organizar em identidades e pertencimentos que não são constituídos pelo gênero binário, pela violência-ética, tampouco pela subjetividade sexualizada, mas sim pela solidariedade, pelo que a filósofa Silvia Federici chamou de re-encantamento do mundo. "A comunalização é um aspecto indispensável de nossa vida, que nenhuma violência consegue destruir, já que é recriada continuamente e entendida como uma necessidade para a nossa existência." (Silvia Federici). "Federici olha para o corpo em um continuum com a terra, pois ambos possuem memória histórica e estão implicados na libertação." (Peter Linebaugh). A memória histórica do corpo é exatamente o que Pina Bausch requisitou em sua dança-teatro. O corpo que dança suas experiências. Se Pina Bausch diz que a repetição aponta o mesmo movimento como algo completamente diferente no final, Paul Preciado a responde denunciando a repetição regulada do regime patriarcal colonial e da vigilância médico-jurídica, criando as coreografias do sujeito e do subjetivo. Assim, a violência é ética porque é repetida, ensaiada, mimetizada, institucionalizada, trazendo a ética para o mesmo lugar da repetição neste regime. Pensar na repetição no trabalho doméstico é pensar em como o feminismo organiza um outro lugar para a repetição. Por mais que o sujeito tido como de vida viva continue a desejar o desejo do Estado e ensaiar as alegorias fantasmáticas hiper-binárias que tramam suas mentes exaltadas, num tempo capitalista e numa temperatura supremacista, o serviço doméstico está lá, não binário, anticapitalista e contra a depressão institucional. Re-encantar o mundo é um movimento diretamente ligado à limpeza, ao serviço doméstico, que agora já perdeu o sentido de domesticado, de submisso ao patriarcado. "O reencantamento do mundo não se trata de uma promessa de retorno impossível ao passado, mas a perspectiva de retomar o poder de decidir coletivamente nosso futuro na Terra." (Silvia Federici). O caminho que Silvia Federici nos convida a seguir é o de uma política imanente de escuta dos corpos e da terra, para a ouvir "a linguagem e o ritmo do mundo natural, este é o caminho para a saúde e para a cura da terra." (Silvia Federici). Nas performances de Marina Abramovìc, "Lavando a casa" e "Terra comunal", esta artista ensaia a si e o sujeito pela desidentificação do hiper capitalismo, por esta mesma dança do exílio somatopolítico. Lavar a casa é lavar a si mesmo, de dentro para fora, numa limpeza ex-piritual. Ex-piritual porque termina seu relacionamento com a supremacia patriarcal colonial e com a binaridade normativa, libertando a si e a Terra (terra) do que aprenderam de si e da Terra (terra). Termina seus ensaios com a espiritualidade dos humilhados que esperam ser exaltados (ou o desejar o desejo do Estado). Assim, o serviço doméstico de si, enquanto sua própria casa, convoca o sujeito ex-piritual à relatar a si mesmo (as violências deste regime) e às reivindicações políticas de reencantamento do mundo, já que este (o serviço doméstico) se implica na vida viva, no feminismo, na não binaridade, na fragilidade. Esta dança doméstica pós-estruturalista, que ensaia a ortopedia decolonial do sujeito vegetal, requisita novos dicionários, verbetes e semânticas desobrigados da culpa das paixões fascistas. Em "Terra comunal" já é possível sentir nos sujeitos da performance art' o desejo vegetal, sua reintegração ao mundo natural. Observa-se um respeito com os animais, com a terra e "a perda" do controle para ouvir os comandos da natureza. Esta é uma proposta anti-homogênea ou anticapitalista para lavar a casa do público espectador, para lavar a terra (Terra) e para seguir lavando a casa da proponente Naessa Marques. "Se queremos as reivindicações sociais e políticas sobre os direitos à proteção e o exercício do direito à sobrevivência e à prosperidade, temos antes que nos apoiar em uma nova ontologia corporal, que seja capaz de repensar a precariedade, a vulnerabilidade, a exposição corporal, a dor, a subsistência, o trabalho, o desejo e as reivindicações sobre a linguagem e o pertencimento social." (Judith Butler). "Se você for totalmente sincero e tiver habilidade, talvez consiga encontrar as coisas que todos nós temos em comum, não as coisas que guardamos em segredo. Não estou falando do que é privado, mas de coisas que todos nós compartilhamos." (Pina Bausch). "Lavar, abraçar, cozinhar, consolar, varrer, agradar, limpar, animar, esfregar, tranquilizar, espanar, vestir, alimentar..." (Silvia Federici). "A dança para o exílio" pede por uma comunalização não normativa, não heterossexual, feminista. Porque assim como o feminismo, o tempo e a força de produção não têm gênero, a comunalização de vidas vivas também está implicada na não-binaridade, que, por sua vez, sempre estará implicada na solidariedade e na libertação. "No momento em que o critério da autenticidade deixa de se aplicar à produção artística, toda a função social da arte se transforma. Em vez de fundar-se no ritual, ela passa a fundar-se na política." (Walter Benjamin). "O caráter aurático e o valor de culto conferem à obra uma estética transcendental. Retira-a da realidade material e histórica, e insere-a em uma esfera superior, separada da realidade. Produzida por uma entidade divina ou por um "gênio individual", a obra é alçada ao mundo espiritual e oposta ao mundo material. Trata-se de um tipo de obra de arte que se encaixa na noção idealista de cultura, pois se encontra cingida da realidade material e não pode ser transformada, apenas acessada para uma fruição individual, desinteressada e subjetiva por parte do receptor." (Herbert Marcuse). Seria o critério de autenticidade, apontado por Walter Benjamin, um outro nome para o exílio somatopolítico? Haveria transcendência se não houvesse a ficção política patriarcal organizando a "realidade" e o desejo? Este projeto se enquadra nos incisos III e VIII do artigo 1° da Lei 8313/91, e atende aos seguintes objetivos do Art. 3° (desta mesma norma): inciso I/letra a, inciso II/,letra a e inciso IV/letra b.
Descrição:"A dança do exílio" é um projeto de pesquisa elaborado pela artista, e proponente, Naessa Marques que já investiga na dança-teatro, na performance art' e na filosofia pós-estruturalista materializando histórias decoloniais em filmes, no que a proponente chamou de filme-dança-teatro. Um filme dança teatro organizado pela aliança das artistas decoloniais Pina Bausch e Marina Abramovìc com a semântica feminista dos filósofos Judith Butler, Paul Preciado e Silvia Federici. Na pesquisa e seu filme que se intenta neste edital, apresenta-se o exílio somatopolítico, a desidentificação do sujeito no regime patriarcal colonial moderno e, assim, a não binaridade, a não violência e o nosso futuro vegetal. Uma dança ex-píritual e extraterrestre daquele que se desintegrou do hipercapitalismo, da masculinização dos comuns, da vigilância médico-jurídica e da ficção política heterocompulsória. A dança no exílio foi o que Pina Bausch convocou em sua dança-teatro, bem longe da opacidade das dores e da perfeição do ballet clássico. O que está por trás das danças "perfeitas"? O que está dentro do dançarino? Qual a força de produção desempenhada, quais as coreografias que ninguém vê e que sem elas não há apresentação alguma? Qual o desejo e a expectativa do público sobre a dança e o dançarino? Aqui podemos visualizar do mesmo artifício que esconde o serviço doméstico, que é "a infraestrutura do patriarcado" (Silvia Federici). Se desprezam o serviço doméstico em nome da virilização, de uma imagem de saúde organizada pela violência, pelo dinheiro e pela posse, precisam saber que já nasceram despossuídos de possibilidades. Desejando o desejo do Estado? Quem são essas pessoas condicionadas que nem sequer conseguem desejar por si mesmas? Se Pina Bausch diz que não está interessada em como as pessoas se movem, mas sim no que as movem, Paul Preciado a responde denunciando a ortopedia patriarcal colonial. O que é a ortopedia senão o trato do sistema locomotor? Ossos, músculos, articulações, neurônios e ox-cisgênero trafegando no asfalto da sociedade binária normativa, que cria os caminhos, organiza as alegorias fantasmáticas, as inteligibilidades para locomoção do sujeito, sua existência, desejos, espiritualidades, as coreografias miméticas, hipnóticas e heterocompulsórias, a sinalização do destino universal de cargas subjetivas. Para findar suas catracas e saltar suas cancelas há de se apurar uma dança teatro da não ficção. "Se o poder masculino faz o mundo como ele é, teorizar essa realidade exige capturá-la para submetê-la à crítica e, portanto, à mudança." (Lawford-Smith). “Angústia, alucinação, melancolia, depressão, dissociação, opacidade e repetição são os custos psicológicos e sociais resultantes do duplo processo de extração da força de produção e da força de reprodução. A psicanálise não é uma crítica desta epistemologia, mas a terapia necessária para que o sujeito patriarco colonial moderno continue a funcionar, apesar dos enormes custos psíquicos e da indescritível violência deste regime.” (Paul Preciado). O que é uma vida tida como viva nesta sociedade colonial moderna? Quais vidas são dignas de luto?, perguntou Judith Butler. Uma vida que obedeceu às alegorias da vigilância médico- jurídica, que utiliza a "verdade do sexo" como bússola, como fonte de animosidade (ou narcisismo binário), contribuindo para a desestabilização humana. A humanização hiper binária, falocêntrica e embranquecida, a masculinização dos comuns pelo capitalismo, como apurou a filósofa Silvia Federici. Desestabilizados, ou adoecidos, pela nenhuma subjetividade no regime patriarcal, desestabilizam tudo ao seu redor. Assim, a dança para o exílio desfaz e refaz seu contrato com a despossessão. Desfaz com a despossessão no sentido da regulação social, que distribui a vulnerabilidade neste regime patriarcal. E refaz para despossuir-se, desidentificar-se da heterocompulsoriedade, do carma binário e da violência ética, para então se conectar com seu futuro vegetal. O futuro vegetal aqui é a própria ex-piritualidade, o próprio exílio somatopolítico no agora, o futuro anticapitalista antecipado. Ao contrário do que im-plantam nos imaginários devido a bela postura dos vegetais, a dança do exílio não convoca a passividade como ritmo. Ela invoca a resistência e a fragilidade. Dos processos de vida vegetal que, assim como o trabalho doméstico e os bastidores da arte e do artista, ninguém vê. “A vida resiste à ideia da identidade. A vida é muito mais do que a identidade." (Judith Butler). Se a vida viva não tem identidade poderia se dizer que o exílio é, na verdade, onde faz-se acreditar (as alegorias) que a vida está viva: na cidade, no consumo, na pornografia, nas relações de morte afetivas capitalistas, na binaridade. E se o falo só existe na cultura, como disse Lacan, posso pensá-lo como uma ideia de vida viva sempre em falta, logo a solidão, uma vida não viva, mas que acredita ser privilegiada. Sem as reclamações dos movimentos feministas e não binários como estaria este planeta? Em Re-encantando o mundo Silvia Federici irá nos convidar à linguagem e ao ritmo do mundo natural, como o caminho para a saúde e a cura da Terra (terra). Eis então o arcabouço do exílio somatopolítico repleto de boas e muitas companhias: anjos pan-assexuais, bruxas campesinas pós-estruturalistas, os legumes da escrita de Virginia Woolf, a sabedoria dos animais não binários, a musculatura mediúnica, o serviço doméstico. Nesta dança, e sempre, o ritmo é não binário e, portanto, atemporal. O tempo vivo e a força de produção nunca tiveram gênero, pois a vida resiste à ideia da identidade. Este projeto questiona como o sujeito se move por dentro, invocando a força da não violência que, assim como os vegetais, não requer passividade. Ela coexiste e impele à resistência. Para dançar no exílio não poderá deixar de se convocar a performance art’ e a inteligência des-artificial de Marina Abramovìc. No documentário “Espaço Além – Marina Abramovìc e o Brasil” (2016), Marina descreve seu exílio somatopolítico logo no início: “Na última vez que estive no Brasil eu fui a uma xamã chamada Denise. Ela olhou para pedras de meteorito para me dizer de onde eu vim: "- Você nunca se sente em casa em lugar nenhum porque não veio desta Terra. Seu DNA é galáctico. Você vem de estrelas distantes, e vem ao planeta Terra com um propósito. Ensinar os humanos a transcenderem a dor.” Haveria transcendência se não houvesse o regime patriarcal colonial e as identidades binárias normativas produzindo o declínio da experiência? Seria a transcendência um movimento que desfaz e refaz seu contrato com a despossessão? Para organizar esta obra, as coreografias deste filme-dança-teatro, será preciso, antecipadamente, de uma cadeira. A cadeira representa a espera. O sujeito que espera, o paciente, o cansaço produzido pelas violências binárias normativas, a rememoração ex-piritual. A não-violência do sujeito desidentificado que desespera, que dança para o exílio em uma temporalidade urgente e descontínua. A dança em exílio. Quebrar as cadeiras? Observação: Uma ideia para as artes gráficas de "A dança do exílio" será anexada aos documentos desta inscrição.Plano de Divulgação:Criação das artes gráficas de divulgação de "A dança do exílio", contendo os créditos e as logomarcas envolvidas na realização deste projeto.Criação de um perfil profissional no Instagram, onde o cartaz e a sinopse de "A dança do exílio" serão divulgados em publicações impulsionadas por 20 dias anteriores à sua estreia presencial, no Cine Teatro Odete em Araguari (MG).Confecção de 100 folders para o público da estreia, com a capa de "A dança do exílio", sua sinopse e as respectivas logomarcas que incentivaram este projeto.Confecção de um banner com a capa de "A dança do exílio", com as respectivas logomarcas que incentivaram este projeto.A própria estreia presencial gratuita de "A dança do exílio".A própria distribuição gratuita de "A dança do exílio" pela plataforma Youtube.
Produto cultural:Filme-dança-teatro com 80 minutos de duraçãoGênero: Cinema de Arte/Cinema PolíticoProjeção digitalResolução Full HD : 16:9 - 1920 x 1080 (29,97 fps)Arquivo MP4Materiais de Divulgação:Criação das artes gráficas para "A dança do exílio", contendo os créditos e as logomarcas envolvidas na realização deste projeto, em jpg e png.Confecção de 100 folders (no formato cartão postal 10 cm x10 cm) para o público da estreia, com a capa de "A dança do exílio", sua sinopse e as respectivas logomarcas que incentivaram este projeto.Confecção de um banner 1300 cm x 2000 cm com a capa de "A dança do exílio", com as respectivas logomarcas que incentivaram este projeto, que ficará disposto na entrada do evento de estreia.
Por se tratar de um filme-dança-teatro onde não haverá falas com palavras, apenas imagens e sons criando a semiótica, serão colocadas legendas descritivas que orientarão o público com requisitos de audição sobre as trilhas sonoras nas cenas (por exemplo: "música clássica, ópera, dramática, imponente"), ruídos, tilintares, sons de pássaros, etc. Em todos os materiais gráficos do projeto serão usadas fontes ampliadas, para pessoas com requisitos de visão. Já o local onde a estreia de "A dança do exílio" acontecerá [Cine Teatro Odete (MG)] se encontra no térreo e possui rotas acessíveis com espaço de manobra para cadeira de rodas; piso tátil; rampas; corrimãos; banheiros adaptados para pessoas com deficiência; vagas de estacionamento para pessoas com deficiência; assentos para pessoas obesas; iluminação adequada.
Toda a divulgação do produto cultural será feita na plataforma Instagram, num perfil profissional criado exclusivamente para o projeto, onde, por 20 dias anteriores à sua estreia presencial, convidará o público de Araguari (MG) e região para o evento, informará as medidas de acessibilidade do projeto e do local de estreia, bem como entrada gratuita, devendo apenas o espectador retirar seu ingresso pela plataforma de eventos online Sympla. A estreia presencial de "A dança do exílio", com entrada gratuita, acontecerá no Cine Teatro Odete - em Araguari (MG) - para 200 pessoas (capacidade máxima do espaço). Após a estreia presencial, o produto cultural será disponibilizado, também gratuitamente, pela plataforma Youtube, no canal da proponente, e seu link de acesso será fixado e divulgado no perfil no Instagram criado para "A dança do exílio".
Naessa Marques Pereira (proponente deste projeto): Será responsável por toda a fabricação de "A dança do exílio". Desde a pesquisa intentada, atriz-performer-dançarina em "A dança do exílio", Diretora de Produção, o roteiro de gravações, a Direção de Fotografia, de Som, de Arte, a Montagem e a Finalização da obra audiovisual até a Coordenação Geral do projeto, que atravessa a distribuição do produto cultural, criação de artes gráficas e a prestação de contas, entre outras funções.Currículo resumido da artista e proponente Naessa Marques Pereira:•Artista autodidata •Pesquisadora da filosofia pós-estruturalista •Pesquisadora daDança-Teatro e da Performance art'Principais realizações na área cultural"A dança da bruxa é num es-pássaro de terra,com-passos em chamas de águas do céu", um filme da performance art' e da dança teatro de Naessa Marques (2025) "O cisne", um filme dança teatro de Naessa Marques (2025) "Panspiritual", um filme-dança-teatro de Naessa Marques (2024) "A artista não está presente", um relatório de Naessa Marques (2024) "A última chance", um ritu-alma de Naessa Marques (2024) "Eu sempre confiei na bondade de estranhos", um filme de Naessa Marques (2023) "Não falo com Geni", um documentário de Naessa Marques (2023) "Na minha pele", um curta-metragem de Naessa Marques (2021) "Batom", um curta-metragem de Naessa Marques (2020)
PRORROGAÇÃO APROVADA E PUBLICADA NO DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO.