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Este projeto pretende implantar 30 Monumentos Culturais em Celebração ao Marco dos 400 Anos das Missões Jesuíticas-Guaranis no Rio Grande do Sul, como forma de preservar o Patrimônio Material e Imaterial das Missões, cuja importância histórica e cultural se resume significativamente na declaração da UNESCO, quando em 1983 declarou as Ruínas de São Miguel das Missões como Patrimônio Histórico e Cultural da Humanidade. Essa certificação destaca o valor histórico e cultural da região, um importante testemunho da organização social e das relações entre os povos guarani e os missionários jesuítas. Os monumentos exercerão um papel importantíssimo após cada inauguração, especialmente no que diz respeito ao objetivo intrínseco de reascender a importância do Povo Guarani, especialmente, e se colocam como uma forma inequívoca de preservar a história, dar visibilidade às causas indígenas e, principalmente, garantir que as futuras gerações conheçam e preservem este imenso legado.
O projeto “400 Anos das Missões Jesuítico-Guarani” celebra um dos capítulos mais significativos da formação cultural, espiritual e histórica do sul do Brasil. A iniciativa propõe reacender a memória ancestral dos povos guarani e valorizar o legado das reduções jesuíticas, reconhecendo-as como experiências únicas de convivência, arte, fé e resistência.Mais do que uma comemoração, trata-se de um gesto de reconhecimento e reparação histórica. O projeto articula ações educativas, artísticas e patrimoniais que unem passado e presente, transformando o quadricentenário em um espaço de reflexão e celebração da diversidade cultural brasileira.Como eixo simbólico central, será instalado o Monumento Guarani-Missioneiro em 27 municípios das Missões, além de Brasília e Porto Alegre. Cada escultura representa o diálogo entre memória e presença, traduzindo visualmente a harmonia entre o legado jesuítico e a cosmovisão guarani — um encontro entre mundos que moldou nossa identidade.Inspirado em pensadores como Eduardo Viveiros de Castro, Néstor García Canclini e Pierre Nora, o projeto entende o patrimônio como processo vivo, instrumento de cidadania e poesia social. Assim, cada monumento se torna um lugar de memória, reativando vínculos culturais, promovendo pertencimento e fortalecendo o turismo, a economia criativa e o acesso democrático à cultura.“400 Anos das Missões Jesuítico-Guarani” é, acima de tudo, um convite à sensibilidade e à escuta. Uma celebração da Terra Sem Mal – ideal guarani de harmonia e justiça – e da força de um povo que segue presente, reafirmando sua história como parte essencial do futuro. Impacto Ambiental – Monumentos Guarani-Missioneiros A implantação dos Monumentos Guarani-Missioneiros foi concebida sob princípios de sustentabilidade ambiental e responsabilidade ecológica, de modo a assegurar que a intervenção artística respeite e valorize os espaços onde será inserida. Os monumentos serão instalados preferencialmente em áreas urbanas consolidadas, como praças, parques ou entornos institucionais, evitando supressão vegetal, movimentação de solo ou alteração significativa do ambiente natural. A escolha dos materiais privilegia a durabilidade, a reciclabilidade e a baixa emissão de resíduos. Durante a execução, serão observadas práticas de gestão ambiental e reaproveitamento de insumos, com destinação adequada de resíduos metálicos, embalagens e materiais de suporte. O transporte das peças entre os municípios será planejado de forma otimizada e compartilhada, reduzindo o consumo de combustíveis e a emissão de gases de efeito estufa. No longo prazo, o conjunto de monumentos contribui positivamente para o meio ambiente urbano ao requalificar espaços públicos e estimular o uso coletivo e educativo de áreas verdes, reforçando a relação simbólica entre natureza, arte e espiritualidade — valores que já estruturavam a cosmovisão guarani. Dessa forma, o impacto ambiental do projeto é considerado baixo e controlado, sendo compensado por seus efeitos positivos na paisagem cultural, na valorização do espaço público e na promoção da consciência ambiental e patrimonial junto às comunidades locais. Atuação da Associação dos Municípios das Missões (AMM) e da Fundação dos Municípios das Missões (FunMissões) A Associação dos Municípios das Missões (AMM) representa institucionalmente os 27 municípios que integram a Região das Missões, no noroeste do Rio Grande do Sul. Criada em 1967, a entidade tem como objetivo promover a integração regional, fortalecer a gestão pública local e impulsionar o desenvolvimento econômico, social e cultural dos municípios missioneiros. Com sede em Cerro Largo, a AMM atua como espaço de articulação política e técnica, representando os interesses regionais junto aos governos estadual e federal, além de coordenar ações conjuntas entre os municípios. Sua atuação envolve temas estratégicos como infraestrutura, turismo, meio ambiente, saúde, educação e políticas públicas intermunicipais. A associação também tem papel fundamental na coordenação de eventos regionais, na defesa de pautas estratégicas e na mobilização de recursos e parcerias para projetos de impacto coletivo — sempre buscando o fortalecimento da identidade missioneira e o desenvolvimento sustentável da região. Complementarmente, a Fundação dos Municípios das Missões (FunMissões) é o braço técnico-operacional da AMM, responsável por planejar, executar e acompanhar projetos voltados ao desenvolvimento regional. Entre seus objetivos estão: promover a assistência social; fomentar a cultura e a preservação do patrimônio histórico e artístico; contribuir com o aprimoramento da educação e da saúde; garantir segurança alimentar e nutricional; proteger o meio ambiente; estimular o desenvolvimento econômico e sustentável; e fortalecer a cidadania, a ética e os direitos humanos. A FunMissões atua por meio da elaboração e execução de programas e projetos de interesse coletivo, integrando os municípios missioneiros em ações de educação, saúde, habitação, saneamento, meio ambiente, agropecuária, turismo, indústria e comércio. Também realiza estudos e pesquisas regionais, desenvolve tecnologias e metodologias de gestão pública e mantém intercâmbio com instituições públicas e privadas de ensino e pesquisa, nacionais e internacionais. A integração entre AMM e FunMissões garante à Região das Missões uma estrutura institucional sólida e cooperativa, capaz de articular demandas políticas e transformá-las em projetos concretos de desenvolvimento regional. Enquanto a AMM atua na mobilização e representação intermunicipal, a FunMissões fornece suporte técnico, gestão e execução de iniciativas voltadas à melhoria da qualidade de vida e à valorização do território missioneiro. Essa sinergia fortalece a identidade histórica e cultural das Missões Jesuítico-Guarani, promovendo ações conjuntas que associam planejamento, preservação e desenvolvimento. No contexto atual, a atuação coordenada entre AMM e FunMissões é fundamental para projetos que celebram o legado missioneiro, como as comemorações dos 400 anos das Missões, potencializando o alcance institucional, técnico e simbólico das iniciativas culturais, turísticas e sociais desenvolvidas na região. Importância do Reconhecimento das Missões Jesuítico-Guarani pela UNESCOe a Articulação com os Municípios Missioneiros no Projeto dos 400 Anos O reconhecimento das Ruínas de São Miguel Arcanjo como Patrimônio Cultural da Humanidade, pela UNESCO em 1983, constituiu um marco fundamental para a valorização do legado das Missões Jesuítico-Guarani. Ao integrar o sítio ao Registro Mundial de Patrimônio Cultural (nº 275bis), a UNESCO consagrou internacionalmente uma das experiências sociais, espirituais e artísticas mais singulares da história da humanidade — o encontro entre a civilização europeia e o universo simbólico guarani, materializado nas reduções missioneiras. Em sua declaração, a UNESCO reconhece que o conjunto das Missões representa “um testemunho excepcional de intercâmbio de valores humanos e de síntese cultural entre povos distintos, durante um período crucial da história das Américas”, destacando São Miguel Arcanjo como símbolo da fusão entre a estética barroca europeia e a cosmovisão indígena sul-americana. Esse reconhecimento não se limita à monumentalidade arquitetônica, mas abrange também o valor imaterial das expressões artísticas, linguísticas e espirituais que emergiram dessa convivência. Ao elevar as Missões Jesuítico-Guarani ao status de Patrimônio Mundial, a UNESCO deu visibilidade a uma herança que transcende fronteiras nacionais e, reafirma a necessidade de preservar e reinterpretar esse legado sob a perspectiva latino-americana e decolonial, resgatando o protagonismo dos povos guarani e sua contribuição civilizatória. O papel dos demais municípios missioneiros Os 27 municípios que compõem a Região das Missões, representados pela Associação dos Municípios das Missões (AMM) e pela Fundação dos Municípios das Missões (FUNMISSÕES), formam o tecido vivo que sustenta e amplia o sentido do reconhecimento da UNESCO. Cada município guarda, em sua paisagem, oralidade e tradições, fragmentos desse vasto sistema cultural construído entre os séculos XVII e XVIII. São localidades que abrigam ruínas, sítios arqueológicos, igrejas, acervos, festividades e memórias comunitárias que dão continuidade à experiência missioneira. Nesse contexto, o Projeto dos 400 Anos das Missões Jesuítico-Guarani assume um papel integrador e descentralizador: reconecta os municípios à história consagrada pela UNESCO, agora sob uma perspectiva coletiva, territorial e contemporânea. Ao instalar o Monumento Guarani-Missioneiro em cada cidade missioneira — e também em Brasília e Porto Alegre — o projeto transforma o reconhecimento internacional em uma rede simbólica de pertencimento e reinterpretação cultural. Cada monumento atua como um “lugar de memória”, conforme define Pierre Nora, expandindo o patrimônio mundial para o campo da arte pública e da educação cidadã. Assim, o título concedido a São Miguel Arcanjo não se restringe ao sítio arqueológico, mas se projeta sobre todo o território missioneiro, convidando as comunidades a reconhecerem-se como herdeiras e guardiãs de um patrimônio compartilhado. Essa integração dos municípios da região Missões destaca o papel territorial no desenvolvimento cultural e econômico da região, consolidando o turismo histórico, religioso e educativo como vetores de sustentabilidade. Ao mesmo tempo, dá novo significado à atuação conjunta da AMM e da FUNMISSÕES, que passam a ser articuladoras de um projeto de escala regional, capaz de unir políticas públicas, educação patrimonial e valorização identitária. Celebrar os 400 anos das Missões Jesuítico-Guarani, portanto, é reconectar as ruínas reconhecidas pela UNESCO com os povos, cidades e instituições que hoje mantêm viva a herança missioneira. É transformar o título internacional em ação local, fazendo das praças, escolas, igrejas e comunidades os novos espaços de diálogo entre memória e futuro. Nesse sentido, o Projeto dos 400 Anos não apenas homenageia o passado, mas projeta as Missões como um território vivo de cultura, fé, arte e cidadania, reafirmando que o patrimônio missioneiro — material e imaterial — pertence ao mundo, mas tem nas cidades das Missões o seu coração pulsante.
Objetivo Geral Produzir, instalar e inaugurar 30 réplicas idênticas do "MARCO HISTÓRICO DE CELEBRAÇÃO DOS 400 ANOS DAS MISSÕES JESUÍTICO-GUARANI NO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL - 1626 - 2026", em 30 localidades distintas, como forma de representar historicamente o diálogo entre memória e presença, traduzindo o legado jesuítico e a cosmovisão guarani. Objetivo específico Instalar e Inaugurar o MARCO HISTÓRICO DE CELEBRAÇÃO DOS 400 ANOS DAS MISSÕES JESUÍTICO-GUARANI NO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL _ 1626 _ 2026, nas seguintes localidades: 7 POVOS DAS MISSÕES1 _ MUNICÍPIO DE SÃO NICOLAU (São Nicolau _ 1626)2 _ MUNICÍPIO DE SÃO MIGUEL DAS MISSÕES (São Miguel Arcanjo _ 1632)3 _ MUNICÍPIO DE SÃO BORJA (São Francisco de Borja _ 16824 _ MUNICÍPIO DE SÃO LUIZ GONZAGA (São Luiz Gonzaga _ 1687)*5 _ MUNICÍPIO DE SÃO LUIZ GONZAGA (São Lourenço _ 1690)*6 _ MUNICÍPIO DE ENTRE-IJUÍS (São João Batista _ 1697)7 _ MUNICÍPIO DE SANTO ÂNGELO (Santo Ângelo Custódio _ 1706)(* O território atual do Município de São Luiz Gonzaga abriga 2 localidades do histórico contexto dos 7 povos das Missões: São Luiz Gonzaga e São Lourenço Mártir) MUNICÍPIOS QUE COMPÕEM A ASSOCIAÇÃO DOS MUNICÍPIOS DAS MISSÕES - AMM8 _ MUNICÍPIO DE BOSSOROCA9 _ MUNICÍPIO DE CAIBATÉ10 _ MUNICÍPIO DE CERRO LARGO11 _ MUNICÍPIO DE DEZESSEIS DE NOVEMBRO12 _ MUNICÍPIO DE EUGÊNIO DE CASTRO13 _ MUNICÍPIO DE GARRUCHOS14 _ MUNICÍPIO DE GIRUÁ15 _ MUNICÍPIO DE GUARANI DAS MISSÕES16 _ MUNICÍPIO DE ITACURUBI17 _ MUNICÍPIO DE MATO QUEIMADO18 _ MUNICÍPIO DE PIRAPÓ19 _ MUNICÍPIO DE PORTO XAVIER20 _ MUNICÍPIO DE ROLADOR21 _ MUNICÍPIO DE ROQUE GONZALES22 _ MUNICÍPIO DE SALVADOR DAS MISSÕES23 _ MUNICÍPIO DE SANTO ANTÔNIO DAS MISSÕES24 _ MUNICÍPIO DE SÃO PAULO DAS MISSÕES25 _ MUNICÍPIO DE SÃO PEDRO DO BUTIÁ26 _ MUNICÍPIO DE SETE DE SETEMBRO27 _ MUNICÍPIO DE UBIRETAMA28 _ MUNICÍPIO DE VITÓRIA DAS MISSÕES DESTAQUE ESTADUAL29 _ MUNICÍPIO PORTO ALEGRE - CAPITAL DO RIO GRADE DO SUL DESTAQUE NACIONAL30 _ MUNICÍPIO DE BRASÍLIA - CAPITAL DO BRASIL Observação Importante: A instalação dos Marcos nas 28 localidades está sendo articulada e organizada através da AMM, já as instalaçções em Porto Alegre e Brasília estão sendo articuladas junto a Secretaria de Estado da Cultura do RS e Secretaria Nacional de Cultura, respectivamente.
A celebração dos 400 anos das Missões Jesuítico-Guarani representa um marco de profundo significado para a cultura, a história e a identidade do sul do Brasil. Este projeto nasce com o propósito de reacender memórias ancestrais, valorizar o patrimônio imaterial que moldou gerações e abrir caminhos para o reconhecimento da sabedoria guarani e da experiência missioneira como pilares vivos da formação do nosso território. Muito antes da chegada dos jesuítas, os guaranis já viviam de forma harmônica com a natureza, regidos por uma cosmovisão que enxergava na terra, nos rios e nos animais manifestações sagradas. A noção de "tekoá", lugar de ser, ia muito além do simples habitar: envolvia uma forma de viver, um pacto espiritual com o ambiente e a coletividade. As Missões, para os guaranis, representaram uma transição forçada e, ao mesmo tempo, uma reinvenção de sua cultura. A língua guarani foi preservada e oficializada nos registros missioneiros; a música indígena foi incorporada à liturgia cristã; a escultura e a arquitetura adaptaram os elementos tradicionais da arte guarani ao barroco europeu. Assim, nasceu uma estética missioneira própria _ síntese viva entre dois mundos. O lado cultural das populações originárias nunca se dissolveu por completo. Pelo contrário, segue presente no modo de falar, nas expressões artísticas, nas danças, nos nomes de rios, nos traços faciais da população e na espiritualidade sincrética de muitos sul-rio-grandenses. O território das Missões guarda ecos de um tempo em que a fé, a arte e o coletivo formaram uma teia de relações singulares. Esse passado ainda respira nos monumentos de pedra, nas danças, nos cantos, nas narrativas e no idioma que atravessa séculos. Ao propor uma programação cultural que une arte, espiritualidade, educação e memória, este projeto transforma o quadricentenário em uma ponte entre tempos — convidando as novas gerações a mergulharem nesse universo vibrante e, ao mesmo tempo, ferido. Essa celebração é também um gesto de reconhecimento. Reconhecimento da luta dos povos originários, da resistência cultural que sobrevive ao apagamento e da riqueza histórica que o mundo precisa redescobrir. É um momento para reunir comunidades, artistas, estudiosos, lideranças indígenas e o público em geral em torno de uma vivência profunda, sensível e transformadora. Ao longo das ações propostas, o projeto pretende iluminar o valor simbólico das Missões, provocar reflexões sobre sua herança e fortalecer o elo entre passado e presente. Uma oportunidade para aprender, sentir e celebrar uma história que continua viva — e que pertence a todos. A cultura guarani possui um sistema filosófico e religioso sofisticado, centrado no conceito de "Yvy marã ey" _ a "Terra sem Mal", lugar de justiça, harmonia e abundância que se busca espiritualmente. O antropólogo Eduardo Viveiros de Castro destaca que o modo de vida guarani "não é primitivismo, mas outra forma de civilização, regida por códigos éticos próprios e um profundo respeito pela natureza" (CASTRO, 2002, p. 78). Durante o período missioneiro, os guaranis preservaram sua língua, reconhecida pelos próprios jesuítas como essencial para o ensino da fé. Em 1639, a Carta Apostólica "Insuper universas", do Papa Urbano VIII, autorizou oficialmente o uso do guarani como língua litúrgica, o que, segundo Alden Kuhn, "foi um passo decisivo para a construção de uma identidade cultural híbrida, onde o indígena não desapareceu, mas passou a coexistir com os símbolos europeus" (KUHN, 2015, p. 112). As produções artísticas _ esculturas, música, arquitetura _ revelam essa simbiose. A orquestra missioneira de São Miguel Arcanjo, por exemplo, contava com instrumentos construídos pelos próprios indígenas, a partir de modelos trazidos da Europa, conforme descrito nos registros do Padre Sepp, em suas "Viagens ao Brasil": "Os índios tocavam com tanta perícia o violino e a harpa, que ultrapassavam em técnica muitos músicos alemães" (SEPP, 1732, apud MENESES, 1997, p. 203). No coração do continente sul-americano, entre os rios e as matas que hoje formam partes do Brasil, Paraguai e Argentina, floresceu uma das experiências sociais mais marcantes da história colonial: as Missões Jesuítico-Guarani. A partir de 1626, quando os primeiros padres da Companhia de Jesus chegaram à região, iniciou-se um processo de encontro — e construção — entre mundos. De um lado, os ideais religiosos e pedagógicos trazidos pelos jesuítas europeus; de outro, a cosmovisão profunda, rica e ancestral dos povos guaranis. Esse encontro gerou um modelo comunitário inédito. Surgiram as chamadas "reduções", aldeamentos organizados onde milhares de indígenas passaram a viver sob uma lógica de coletividade, trabalho partilhado, evangelização e intensa produção cultural. Durante cerca de 150 anos, entre as florestas missioneiras, se desenvolveu um sistema que mesclava espiritualidade, educação, agricultura avançada, organização política autônoma e uma expressiva atividade artística — especialmente na música, na escultura e na arquitetura. Ao todo, foram fundadas mais de 30 reduções, das quais sete se localizavam no atual território do Rio Grande do Sul. Nessas comunidades, a língua guarani era preservada como língua oficial, as decisões eram tomadas em assembleia, e a produção agrícola sustentava toda a população local, com excedentes destinados à troca com outros povoados. As oficinas de música e arte sacra formaram verdadeiras escolas de ofício, onde os indígenas não só aprendiam, como criavam, reinterpretando o cristianismo sob sua ótica e expressão simbólica. O sistema missioneiro encantou visitantes europeus, inquietou autoridades coloniais e provocou reações violentas por parte de interesses econômicos que viam nas reduções um obstáculo à escravização dos indígenas. Em 1756, com a assinatura do Tratado de Madri e a imposição da transferência dos Sete Povos das Missões para o controle português, iniciou-se uma série de conflitos que culminariam em um trágico episódio, marcando o declínio das reduções no sul do Brasil. Mas o fim físico das Missões não significou seu desaparecimento. Muito pelo contrário, o espírito missioneiro sobreviveu nos cânticos, nos rituais, nas palavras, nos modos de viver e na força das comunidades que até hoje habitam essa região. Resistiu ao tempo e ao apagamento. E nos convida, agora, quatro séculos depois, a rever essa história com um olhar mais justo, mais sensível e mais plural. O Projeto se enquadra nos seguintes incisos do Art. 1º da Lei 8313/91:I. contribuir para facilitar, a todos, os meios para o livre acesso às fontes da cultura e o pleno exercício dos direitos culturais;II. promover e estimular a regionalização da produção cultural e artística brasileira, com valorização de recursos humanos e conteúdos locais;III. apoiar, valorizar e difundir o conjunto das manifestações culturais e seus respectivos criadores;IV. proteger as expressões culturais dos grupos formadores da sociedade brasileira e responsáveis pelo pluralismo da cultura nacional;V. salvaguardar a sobrevivência e o florescimento dos modos de criar, fazer e viver da sociedade brasileira;VI. preservar os bens materiais e imateriais do patrimônio cultural e histórico brasileiro;VII. desenvolver a consciência internacional e o respeito aos valores culturais de outros povos ou nações;VIII. estimular a produção e difusão de bens culturais de valor universal, formadores e informadores de conhecimento, cultura e memória;O Projeto se enquadra nos seguintes objetivos do Art. 3º da norma acima citada:III - preservação e difusão do patrimônio artístico, cultural e histórico, mediante:a) construção, formação, organização, manutenção, ampliação e equipamento de museus, bibliotecas,arquivos e outras organizações culturais, bem como de suas coleções e acervos;d) proteção do folclore, do artesanato e das tradições populares nacionais;
O MONUMENTO ESTÁ NA FICHA TÉCNICA ANEXA. A instalação do Monumento Guarani-Missioneiro nos 27 municípios das Missões, além de Brasília e Porto Alegre, representa um marco simbólico de reconhecimento e reparação histórica. Mais do que uma homenagem, a escultura constitui-se como ato educativo, político e cultural, reafirmando o papel dos povos guarani como sujeitos fundadores da história missioneira e da própria identidade sul-brasileira.O monumento propõe um diálogo entre memória e presença, traduzindo visualmente a essência do encontro entre dois mundos. As figuras guarani — o ancião, a mulher com a criança e o jovem guerreiro — representam o ciclo da vida, a ancestralidade e a continuidade da cultura. A Cruz Missioneira, por sua vez, é ressignificada: não como imposição religiosa, mas como símbolo de coexistência e integração espiritual, unindo o legado jesuítico à cosmovisão guarani.A criação desses marcos em cada município missioneiro responde àquilo que Pierre Nora (1984) define como lugares de memória: espaços materiais que condensam o passado e o transformam em referência simbólica de identidade. No contexto latino-americano, essa função assume uma dimensão ainda mais profunda, pois, como observa Jesús Martín-Barbero (2003), “a memória é o terreno onde os povos constroem resistência frente ao esquecimento imposto pela colonização cultural”.Nesse sentido, cada monumento atua como um ponto de ancoragem da memória viva, em que o tempo histórico se encontra com o tempo comunitário. Ele não apenas rememora, mas reativa vínculos culturais e promove pertencimento — papel que, segundo Néstor García Canclini (1998), caracteriza a função contemporânea do patrimônio cultural como instrumento de mediação entre tradição e modernidade.Do ponto de vista estético, o Monumento Guarani-Missioneiro insere-se na lógica da arte pública latino-americana, cuja função, de acordo com Lélia Coelho Frota (2008), é “criar espaços simbólicos de encontro entre a arte e a vida cotidiana”. Ao ocupar o espaço urbano, o monumento transforma o território em campo de experiência sensível e educativa, aproximando a população de suas raízes culturais.Essa dimensão social é reforçada por Mário Chagas (2009), museólogo brasileiro que defende o patrimônio como um “ato de cidadania e poesia social”, isto é, como gesto que amplia o direito à memória e à imaginação coletiva. Cada monumento missioneiro, portanto, é mais do que uma obra escultórica — é uma ação museológica a céu aberto, acessível, democrática e afetiva.Ao implantar o monumento em 27 municípios, o projeto forma uma rede simbólica de memória compartilhada, ecoando a noção de “patrimônio como processo” de Luciana Heymann (2010), que compreende o patrimônio cultural não como um objeto estático, mas como uma experiência viva e continuamente reinterpretada pelas comunidades.Essa perspectiva também dialoga com o pensamento do antropólogo Eduardo Viveiros de Castro (2002), que identifica na cosmovisão guarani uma forma de civilização pautada na harmonia e na reciprocidade, e não na dominação. Ao expressar esses valores em forma escultórica, o monumento reforça a dimensão espiritual da arte indígena como expressão filosófica e ética.Inspirado nos conceitos de Aníbal Quijano (2000) e Walter Mignolo (2010) sobre colonialidade do poder e pensamento fronteiriço, o projeto reposiciona o povo guarani como sujeito epistêmico — produtor de conhecimento, estética e espiritualidade. A presença de seus símbolos no espaço público é um ato de reescrita da história, rompendo com a narrativa que tradicionalmente silenciou os povos originários.Como observa o historiador Bartomeu Melià (1991), estudioso das Missões, “a palavra guarani é um patrimônio vivo que resiste à morte”, revelando que a cultura missioneira é inseparável da voz indígena. Assim, cada monumento é também um grito de permanência, reafirmando que a história das Missões não pertence ao passado, mas continua pulsando no presente.Por fim, cada cruz e cada rosto esculpido evocam o ideal guarani da Yvy marã ey — a Terra Sem Mal, princípio espiritual de harmonia, justiça e plenitude. Segundo León Cadogan (1959), esse conceito expressa a busca pela convivência equilibrada entre os seres e o cosmos, e traduz a essência da espiritualidade guarani.Ao invocar esse princípio, o monumento transcende o tempo histórico e se torna símbolo de esperança coletiva, convidando à construção de um futuro mais justo, plural e sensível — onde fé, arte e ancestralidade seguem unidas na formação de um Brasil que reconhece sua própria raiz missioneira.Referências teóricas utilizadas:Pierre Nora (1984) – conceito de “lugares de memória”.Jesús Martín-Barbero (2003) – memória como resistência cultural latino-americana.Néstor García Canclini (1998) – patrimônio como mediação entre tradição e modernidade.Lélia Coelho Frota (2008) – arte pública e experiência sensível.Mário Chagas (2009) – patrimônio como cidadania e poesia social.Luciana Heymann (2010) – patrimônio como processo e prática viva.Eduardo Viveiros de Castro (2002) – filosofia guarani e modos de existência.Aníbal Quijano (2000) e Walter Mignolo (2010) – pensamento decolonial.Bartomeu Melià (1991) – língua e espiritualidade guarani nas Missões.León Cadogan (1959) – conceito da “Terra Sem Mal”.
Quanto a acessibilidade de conteúdo, não se aplica durante a execução deste projeto. No ato de sua inauguração, bem como todas as ações posteriores, buscarão promover a inclusão de interpretes de libras nas atividades, bem como outras ações pertinentes.
A democratização de acesso não se aplica durante a execução do projeto de construção, porém, o seu objetivo principal, enquanto construção de um espaço histórico, é exatamente a busca pela democratização do acesso a este local, que valorizará sobremaneira a história do Rio Grande do Sul e do Brasil.
IMPACTO CULTURAL (Francisco Emilio Miron Roloff)Diretor Executivo/Produtor CulturalCom intensa participação em projetos culturais na região Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul desde o ano de 2007, o Produtor Cultural Francisco Emílio Miron Roloff, através da IMPACTO CULTURAL, desenvolve atividades de assessoramento, consultoria, produção e execução de projetos culturais em todo o território gaúcho. Possui mais de 15 anos de atuação na área cultural. Formado em Marketing e Especializado em Projetos Culturais pelas leis de incentivo à cultura do Brasil. Membro da Comissão Gaúcha de Folclore; letrista com obras poéticas premiadas em Festivais musicais e poéticos no RS. Recentemente agraciado, a nível estadual, com a Medalha Mérito Cultural Lilian Argentina, por sua atuação como produtor cultural na última década, tendo se destacado pela idealização, produção e coordenação de importantes projetos na área do Folclore e também por estar à frente do reconhecimento do Município de Ijuí, como Capital Nacional e Mundial das Etnias. Recentemente recebeu a Medalha do Mérito desbravador da União das Etnias de Ijuí, pela sua atuação a nível Estadual e foi agraciado com uma placa de reconhecimento por relevantes serviços prestados à cultura, pelo Governador do Estado do Rio Grande do Sul, em Cerimônia no Palácio Piratini. Para a União das Etnias, especialmente, colaborou como Produtor Cultural na última década, com importante atuação cultural, além de ser o idealizador e produtor executivo desta linda Sede em que realizamos esta Assembleia, que se trata do maior complexo cultural financiado pela Lei de Incentivo à Cultura do Rio Grande do Sul - a Sede Cultural da União das Etnias de Ijuí. (portfólio detalhado anexo).FUNMISSÕESA FUNMISSÕES é uma fundação regional voltada ao desenvolvimento integrado da Região das Missões, atuando nas áreas de assistência social, cultura, preservação do patrimônio histórico, educação, saúde, segurança alimentar, meio ambiente e sustentabilidade. Também promove pesquisa científica, inovação tecnológica, modernização da gestão pública e difusão do conhecimento, além de incentivar a ética, a cidadania, os direitos humanos e atividades religiosas relacionadas à identidade missioneira. Sua finalidade inclui ainda o estímulo ao desenvolvimento econômico, social e cultural dos municípios da região, apoiando e executando projetos de interesse coletivo, especialmente nas áreas agrícola, industrial, de comércio, serviços e turismo. Para cumprir sua missão, a Fundação realiza estudos e diagnósticos regionais, elabora e executa projetos e programas de capacitação, presta suporte técnico aos municípios, fomenta a infraestrutura local e incentiva políticas públicas sustentáveis. A estrutura da FUNMISSÕES permite a criação de departamentos especializados com autonomia gerencial e financeira, operando por meio de convênios e parcerias com instituições públicas e privadas, em nível municipal, estadual, nacional ou internacional, garantindo assim uma atuação integrada e permanente em favor do desenvolvimento regional. LAÉRCIO BRAGA - CURADORLaércio Braga é arquiteto e urbanista, pós-graduado em Paisagismo e Iluminação e mestrando em Arquitetura pela UFSC, com pesquisa voltada à arquitetura indígena Guarani e à arquitetura missioneira. Atua na interseção entre cultura, patrimônio e projeto arquitetônico, mantendo trajetória ativa no tradicionalismo gaúcho e em ações culturais ligadas à história e identidade regional. Possui experiência como diretor cultural, palestrante, bailarino em turnês nacionais e internacionais e integrante de centros culturais, com destaque para sua atuação no Centro Cultural Austríaco de Ijuí, onde responde pelos projetos, patrimônio e produção de conteúdo . É pesquisador desde 2015 nas áreas de cultura missioneira e arquitetura indígena e já foi agraciado com Menção Honrosa do IAB/RS pelo TFG “Ekoa – Memorial ao Indígena Guarani”.ELCIO CERATTI JUNIORContador, Coordenador Administrativo/FinanceiroIntegrante do movimento étnico de Ijuí, participa desde 1987 do Centro Cultural Austríaco, onde atuou como dançarino, passando mais tarde a coordenador cultural e coreógrafo. Esta vivência oportunizou também a experiência de dirigir a 1ª Tournée do deste grupo para a Áustria no Ano de 2010, que resultou em termo de cidades coirmãs entre Ijuí/Brasil e Langesensdorf/Áustria. Apresentou durante 6 anos o programa Aproximando Nações pela Rádio Repórter de Ijuí que trata exclusivamente de assuntos culturais. Atua desde o ano de 2017 na área de projetos culturais, prestando serviço de contabilidade direcionada a prestação de contas, controle de documentos, mobilização e agendamento de equipes, atuando diretamente na elaboração e execução dos projetos culturais. Com projetos de grande relevância para o município de Ijuí e outras cidades, vem ampliando seus conhecimentos e qualificando seus serviços. Atuou diretamente na execução de projetos como a Festa Nacional das Culturas Diversificadas (FENADI), Exposição Festa Internacional das Etnias (EXPOFEST IJUÍ), Festival Nativista Canto de Luz, Projeto Natal Vida de Ijuí, Feira de Negócios e da Indústria de Ijuí (FENII) e ultimamente atua em projetos de Obras Culturais, como é o caso da Construção da Sede Cultural da União das Etnias de Ijuí e Revitalização do Teatro Antônio Sepp de Santo Ângelo/RS. (portfólio detalhado anexo)LEANDRO KUHN GARCIA - ARTISTALeandro Kuhn Garcia é artista plástico e fundidor especializado em escultura metálica, com atuação iniciada em 1997 a partir de sua experiência no Arsenal de Guerra de General Câmara, onde desenvolveu domínio técnico em moldagem e metalurgia. Desde 2009 dirige sua própria fundição artística, produzindo troféus e esculturas de alto padrão com estética clássica e acabamento artesanal. Seu trabalho tornou-se referência no meio do cavalo crioulo e em premiações nacionais e internacionais ligadas à criação de animais, rodeios e eventos culturais, com peças entregues no Brasil, Estados Unidos, Rússia, Portugal e demais países da Europa. Reconhecido pela preservação da técnica tradicional de fundição em metal, alia ofício histórico e funcionalidade contemporânea, mantendo a durabilidade e o valor simbólico como marcas de sua produção.EDIZA - EMPRESA QUE CONSTRUIRÁ OS MONUMENTOSFundada em 1987, a Ediza Engenharia é uma empresa especializada em projetos e execução de obras em sistemas construtivos industrializados, atuando no segmento da construção civil com foco em pré-fabricados, gerenciamento de obras e soluções completas em engenharia. Ao longo de sua trajetória, consolidou uma reputação baseada na qualidade técnica, cumprimento de prazos e segurança operacional, mantendo como princípio a excelência no atendimento e a satisfação do cliente. Com equipe multidisciplinar e parcerias estratégicas, a Ediza já realizou mais de 350 obras em diferentes segmentos — residenciais, comerciais, industriais e institucionais — destacando-se pela eficiência executiva, padronização de processos, inovação em métodos construtivos e confiabilidade nas entregas. Sua atuação combina planejamento técnico, otimização de recursos e sustentabilidade, transformando projetos em soluções construtivas de alta performance e durabilidade.
PRORROGAÇÃO APROVADA E PUBLICADA NO DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO.