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PRONAC 2514909Autorizada a captação total dos recursosMecenato

PROJETO CANTANDO MARABAIXO NAS ESCOLAS

INSTITUTO NACAO MARABAIXEIRA
Solicitado
R$ 1,10 mi
Aprovado
R$ 1,10 mi
Captado
R$ 0,00
Outras fontes
R$ 0,00

Análise IA

Relacionamentos

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Eficiência de captação

0.0%

Classificação

Área
—
Segmento
Ações de Educação Patrimonial
Enquadramento
Artigo 18
Tipologia
Patrimônio cultural
Ano
25

Localização e período

UF principal
AP
Município
Macapá
Início
2025-12-01
Término
2026-12-01
Locais de realização (10)
Amapá AmapáCalçoene AmapáFerreira Gomes AmapáItaubal AmapáMacapá AmapáMazagão AmapáOiapoque AmapáPedra Branca do Amapari AmapáPorto Grande AmapáSantana

Resumo

O Projeto "Cantando Marabaixo nas Escolas" realizará oficinas musicais e pedagógicas sobre o Marabaixo, manifestação tradicional do Amapá, em escolas da rede pública de ensino. As ações abordarão a cultura afro-brasileira e a educação antirracista, conforme a Lei 10.639/03. O projeto culmina em apresentações musicais autorais, promovendo o protagonismo negro e a valorização da identidade cultural local.

Sinopse

O Cantando Marabaixo nas Escolas é uma proposta educacional, cultural e musical que tem como objetivo central contribuir para a efetiva aplicabilidade da Lei 10.639/03, que torna obrigatório o ensino da história e cultura africana e afro-brasileira no currículo escolar. A partir da linguagem poética e musical do Marabaixo – maior expressão cultural afro-amapaense – o projeto transforma escolas públicas do Estado do Amapá em espaços de vivência, escuta, criação e afirmação da identidade negra. A ação contempla dez escolas públicas estaduais localizadas em territórios de forte presença negra, quilombola ou periférica, em articulação com professores, gestores, estudantes e mestres da cultura popular. Os estudantes serão conduzidos a refletir sobre suas origens, ancestralidade e território a partir da experimentação artística, da oralidade e da escuta ativa. O projeto também promove o acesso à produção cultural de base comunitária e contribui para a valorização do patrimônio imaterial do Amapá. As principais ações e produtos do projeto construídos em formato de percurso pedagógico-artístico, apresentam-se da seguinte maneira: a) Oficinas Educativas e Musicais nas Escolas, serão realizadas em cada escola participante, oficinas conduzidas por educadores especialistas, compositores, músicos e mestres do Marabaixo. A metodologia construída no decorrer das edições, propõe a vivência prática dos elementos do Marabaixo: ritmo, poesia, oralidade, memória, espiritualidade e resistência. Os encontros promoverão a escuta ativa, o debate sobre questões raciais, a valorização da identidade negra e o protagonismo estudantil. Durante as oficinas, os alunos serão estimulados a construir coletivamente letras autorais de Marabaixo (chamadas de “ladrões”), inspiradas em suas vivências, nas histórias locais e nas narrativas afro-amapaenses. As oficinas também abordam aspectos históricos do ciclo do Marabaixo, como o uso das caixas, o significado das bandeiras, das vestimentas e da tradição oral. Produto gerado: Oficinas documentadas em relatórios pedagógicos, com registros audiovisuais e letras compostas. b) Rodas de Conversa com Mestres da Cultura Popular, proporcionando momentos de diálogo entre mestres e mestras do Marabaixo e a comunidade escolar (alunos, professores e famílias), com o intuito de partilhar experiências sobre a vivência da cultura negra em diferentes territórios. Nessas rodas, são debatidos temas como ancestralidade, resistência, religiosidade, identidade, racismo, memória e território, sempre a partir da escuta de quem vive e preserva essas tradições. As rodas fortalecem a ligação entre gerações e promovem o respeito ao saber popular e à oralidade como método de ensino-aprendizagem. Esses encontros favorecem o reconhecimento dos mestres como educadores e fontes vivas de conhecimento, ampliando o repertório de professores e estudantes. Produto gerado: Registros escritos e audiovisuais das rodas de conversa; publicação digital com frases, reflexões e trechos das falas, além das pesquisas de campo para buscar retratar os homenageados e/ou temáticas abordadas dentro das oficinas. c) Produção de “Ladrões” de Marabaixo (músicas autorais), que é um dos principais eixos do projeto, com a criação de composições inéditas de Marabaixo, desenvolvidas de forma coletiva pelos estudantes durante as oficinas. Os “ladrões” criados expressam o cotidiano, os sentimentos e as reflexões da juventude sobre identidade racial, respeito à diversidade, memória e pertencimento cultural. Os estudantes terão orientação técnica e pedagógica para compor os versos e experimentar ritmos e sonoridades, com apoio de músicos e compositores populares. Essa ação amplia a capacidade expressiva dos alunos e contribui para o fortalecimento da autoestima e da consciência crítica. Produto gerado: Coletânea com os ladrões produzidos, em formato impresso e digital; registros em áudio para divulgação nas redes e rádios comunitárias.d) Ensaios Musicais nas Escolas, onde após a produção dos ladrões, os grupos de estudantes participarão de ensaios musicais sob a coordenação de um educador musical e percussionistas tradicionais. Os ensaios realizados focarão na afinação vocal, domínio rítmico, técnicas de interpretação das letras e de canto, além de dicas e orientações de evolução para a apresentação na culminância do projeto. Essa etapa permite a preparação técnica dos alunos para as apresentações públicas e reforça o espírito de coletividade e cooperação. Os ensaios também são momentos de acolhimento e convivência, em que os estudantes compartilham experiências e fortalecem laços afetivos entre si e com seus educadores. Produto gerado: Ensaios documentados e compilados em relatórios audiovisuais; preparação para o evento final. e) Festival Musical Estudantil “Cantando Marabaixo nas Escolas”, que se trata do ápice do projeto consistindo na realização de um Festival Musical Estudantil, reunindo os grupos musicais formados em cada escola participante. O evento será aberto ao público, com a presença de familiares, professores, mestres do Marabaixo, artistas locais, homenageados e autoridades. Além das apresentações musicais, o Festival contará com depoimentos de estudantes e mestres, feira de saberes tradicionais, e momentos de celebração coletiva. O Festival será realizado em um espaço cultural acessível, com estrutura adequada para garantir acessibilidade arquitetônica, comunicacional e atitudinal, incluindo intérpretes de Libras, audiodescrição e materiais em braille. Todo o evento será documentado para fins de memória e difusão do projeto. Produto gerado: Realização de evento cultural com programação completa; registro em vídeo para difusão digital; relatório técnico e artístico. f) Relatórios, Memórias e Produtos de Difusão, durante toda a execução do projeto, será realizada uma sistematização pedagógica e audiovisual das ações. Esses materiais darão origem a:- Um relatório pedagógico completo, com metodologia, depoimentos, desafios e resultados; - Uma publicação digital e impressa com os ladrões produzidos, fotos e reflexões; - Um documentário audiovisual de curta duração, com imagens dos encontros, entrevistas com participantes e trechos do festival;- Peças gráficas e conteúdos para redes sociais que serão divulgados de forma acessível, com legendas, tradução em Libras e versão em áudio. Relevância do Projeto: A proposta do projeto Cantando Marabaixo nas Escolas responde diretamente à necessidade de aplicar a Lei 10.639/03, indo além da simples inclusão curricular. O projeto atua na formação de uma consciência coletiva sobre a importância da cultura negra na formação do povo amapaense, oferecendo aos estudantes oportunidades concretas de protagonismo, expressão e valorização de sua história. O uso do Marabaixo como ferramenta pedagógica é estratégico, pois parte de uma linguagem local, viva e legítima, capaz de dialogar com a juventude e gerar identificação. Ao conectar a escola à cultura popular e promover a escuta dos mestres e mestras, o projeto cria pontes entre o saber acadêmico e o saber ancestral, possibilitando uma educação decolonial, afetiva e transformadora. Além disso, a valorização da oralidade, da musicalidade e da criação coletiva fortalece práticas inclusivas e acessíveis, estimulando a participação de estudantes com diferentes perfis e potencialidades. O projeto também contribui para o fortalecimento de redes comunitárias, escolas e grupos culturais que atuam na defesa da identidade afro-brasileira.

Objetivos

Objetivo Geral: O projeto Cantando Marabaixo nas Escolas _ Educultural, ciência e saber ancestral tem como objetivo geral promover, através dos princípios que integram a educação escola/comunidade, uma ação pedagógica que utilize o Marabaixo — manifestação cultural ancestral afro-amapaense — como ferramenta educacional capaz de incluir práticas de educação decolonial, antirracista e intercultural nos ambientes escolares. A proposta busca favorecer o reconhecimento cognitivo e afetivo das raízes africanas e amazônicas, estimulando a apropriação do conhecimento sócio-histórico-cultural local. Além de salvaguardar o Marabaixo como patrimônio imaterial, o projeto propõe abrir pontes de diálogo com públicos fora do Amapá, que desconhecem essa cultura, contribuindo para ampliar o alcance da epistemologia preta e da "pretagogia" enquanto ciência e prática pedagógica fundamentada nos saberes afrodiaspóricos. Ou seja, o projeto tem como objetivo geral promover o uso do Marabaixo como ferramenta pedagógica em escolas públicas do Amapá, contribuindo para a implementação da Lei nº 10.639/03. Busca-se valorizar os saberes afro-amazônicos, fortalecer a educação antirracista e a identidade negra entre estudantes e comunidades escolares, por meio de oficinas artísticas e vivências formativas, com foco na oralidade, corporeidade e ancestralidade.Assim, o projeto tem como objetivos específicos: Realizar 5 (cinco) oficinas interativas e formativas em 10 (dez) escolas da rede pública do Estado do Amapá, atendendo diretamente cerca de 500 (quinhentos) educadores(as), estudantes e lideranças comunitárias, que possibilitem a utilização do Marabaixo como recurso pedagógico potente no trato da educação antirracista, com foco na valorização da produção intelectual negra, na cosmovisão africana e nos saberes comunitários tradicionais, promovendo um ensino significativo e sensível à diversidade cultural brasileira, assim identificadas:a) Roda de conversa sobre a história do povo preto e as grandes personalidade negras do Estado do Amapá intitulada "Vozes retumbantes: personalidades negras que marcam a História do Amapá";b) Oficina de composição musical intitulada "Oralidade e tradição: compondo o ladrão de Marabaixo e o eu negro";c) Oficina de instrumentalidade/caixa/ritmo intitulada "Tambores de Marabaixo: o som, o ritmo, o corpo africano e a produção dos sentidos identitários";d) Oficina de dança/corporeidade intitulada "Corpo, educação e identidade no caquiado do Marabaixo";e) Oficina de canto marabaixeiro, intitulada: "Identidade, tradição, resistência e fé: o canto marabaixeiro como elemento de identidade amapaense".Compor 10 (dez) "ladrões" que correspondem à música do Marabaixo, compreendidos como textos poéticos de improviso através da oralidade, que expressam acontecimentos corriqueiros ou extraordinários do cotidiano vivenciados em ambiente pessoal ou comunitário como uma forma de registro dos acontecimentos, muitas vezes em tom de lamento, mas também de modo descontraído. As composições propostas pelo projeto visam exaltar às personalidades negras que escrevem a História do Estado do Amapá, além da sua própria manifestação, seus elementos profanos e religiosos, suas personagens, lugares;Apresentação de 1 (uma) composição por escola, que expresse o sentimento de pertencimento e a identidade local, por meio da investigação de memórias, histórias e trajetórias de vida das comunidades escolares, com ênfase nas contribuições históricas, sociais e culturais dos povos afro-amapaenses. O produto resultante constitui um registro audiovisual, que corrige apagamentos existentes nos materiais didáticos convencionais. O processo de composição envolverá diretamente ao menos 100 (cem) estudantes, educadores e artistas locais, gerando um produto coletivo que atuará como registro histórico;Estimular em aproximadamente 800 (oitocentos) alunos da rede pública de ensino do Estado do Amapá, nos seus familiares e em sua comunidade escolar, o desenvolvimento de habilidades de leitura, escrita, oralidade e produção de textos literários, históricos e poéticos a partir da música, compreendida como estratégia de comunicação e identidade, favorecendo o protagonismo dos estudantes na construção da própria história, a partir de suas referências culturais;Publicar e divulgar, em diferentes plataformas e meios acessíveis, sendo pelo menos 02 (duas) plataformas digitais, as produções artístico-pedagógicas elaboradas por discentes e educadores(as) no chão da escola, reconhecendo essas criações como expressões legítimas do saber local, coletivo e ancestral, contribuindo para a salvaguarda do Marabaixo e o fortalecimento da educação como prática de liberdade e resistência. Com essas ações, espera-se alcançar um público indireto estimado em 3.000 pessoas, incluindo famílias, membros da comunidade escolar ampliada, redes públicas de ensino e interessados de outros estados brasileiros e países de língua portuguesa.

Justificativa

A proposta Cantando Marabaixo nas Escolas para 2026 parte da necessidade premente de promover a valorização da cultura afro-brasileira no ambiente escolar, como ferramenta para o enfrentamento do racismo estrutural e para o fortalecimento da identidade étnico-racial de crianças, adolescentes e jovens amapaenses. Propõe-se um conjunto de ações educativas e artísticas tendo como ferramenta pedagógica e base cultural o Marabaixo, manifestação afro-amapaense reconhecida como patrimônio imaterial pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) desde 2018, que será o eixo condutor de um processo formativo, criativo e de difusão cultural. O projeto atende aos princípios da Lei de Incentivo à Cultura (Lei nº 8.313/91) e justifica-se pelo seu caráter educativo, cultural e social, sendo aderente às diretrizes de democratização do acesso à cultura e valorização da diversidade. Com base no Art. 1º da referida lei, destacam-se os seguintes incisos:I. contribuir para facilitar, a todos, os meios para o livre acesso às fontes da cultura e o pleno exercício dos direitos culturais;Inciso I: ao facilitar o acesso de estudantes e comunidades escolares às fontes da cultura brasileira, promovendo o exercício pleno dos direitos culturais por meio de oficinas formativas, rodas de conversa, vivências e apresentações musicais públicas; O projeto promove oficinas, vivências e apresentações públicas gratuitas em escolas públicas, ampliando o acesso de estudantes, professores e famílias à cultura tradicional afro-amapaense.II. promover e estimular a regionalização da produção cultural e artística brasileira, com valorização de recursos humanos e conteúdos locais;Inciso II: ao valorizar conteúdos e recursos humanos locais, apoiando saberes e fazeres tradicionais por meio do uso pedagógico do Marabaixo como ferramenta educativa; São envolvidos mestres do Marabaixo, educadores locais e artistas da comunidade, fortalecendo as tradições locais e seus representantes.IV. proteger as expressões culturais dos grupos formadores da sociedade brasileira e responsáveis pelo pluralismo da cultura nacional;V. salvaguardar a sobrevivência e o florescimento dos modos de criar, fazer e viver da sociedade brasileira;Incisos IV e V: ao proteger e promover expressões culturais de povos e comunidades tradicionais, em especial do povo negro e das comunidades quilombolas do Amapá; O projeto preserva e difunde práticas culturais negras, quilombolas e amazônicas, promovendo seu florescimento no espaço escolar e na sociedade.VI. preservar os bens materiais e imateriais do patrimônio cultural e histórico brasileiroInciso VI: ao preservar o patrimônio cultural imaterial, promovendo sua continuidade geracional e registro através de produtos culturais educativos e digitais. Ao registrar e repassar o saber do Marabaixo para novas gerações, o projeto colabora ativamente para sua continuidade enquanto patrimônio vivo. Em conformidade com o Art. 3º da Lei nº 8.313/91, o projeto realiza ações diretamente conectadas aos seguintes objetivos: I _ Incentivo à formação artística e cultural, com foco na:alínea "c": instalação e realização de oficinas de composição musical, percussão e construção de identidade negra, voltadas à formação de estudantes, professores e lideranças escolares, fortalecendo o uso do Marabaixo como instrumento pedagógico para uma educação antirracista, plural e decolonial;II _ Fomento à produção cultural e artística, com destaque para: alínea "b": criação de composições autorais produzidas por estudantes, com orientação de oficineiros e mestres da tradição, a partir de letras inspiradas nas memórias orais e histórias locais; alínea "c": organização de rodas de conversa, vivências e culminância em um Festival Educultural Musical, com apresentações públicas gratuitas, que aproximam escola e comunidade em torno da musicalidade tradicionalIII _ Preservação e difusão do patrimônio cultural e histórico, notadamente: alínea "d": ao proteger o Marabaixo, expressão cultural afro-amapaense reconhecida como patrimônio nacional e elemento identitário de milhares de pessoas no AmapáV _ Apoio a atividades culturais relevantes, com ênfase na: alínea "c": realização de ações educativas que contribuem para a valorização da identidade negra, a equidade racial e o combate ao racismo, pilares essenciais para a construção de uma sociedade plural, justa e democrática.A proposta está também alinhada à Lei nº 10.639/03, que torna obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira, e à Portaria MEC nº 264/2024, que institui o PROEC _ Programa Escola e Comunidade. O projeto fortalece o vínculo entre educação, cultura e território, ampliando as possibilidades de construção de uma escola plural e democrática.A educação antirracista e decolonial, como defendem autoras e autores como Nilma Lino Gomes, Bell Hooks, Sueli Carneiro, Cida Bento e Kabengele Munanga, exige a reconstrução de uma escola que reconheça os saberes africanos como legítimos e estruturantes da identidade nacional. Nesse sentido, ao utilizar o Marabaixo como eixo formador, o projeto contribui para romper com paradigmas eurocentrados, promovendo um modelo de aprendizagem em que a oralidade, a ancestralidade, a corporeidade e a musicalidade são fontes de conhecimento, expressão e pertencimento. A proposta ocorre em um estado amazônico com forte presença de comunidades quilombolas e de tradição oral, muitas vezes invisibilizadas nas políticas educacionais e culturais nacionais. Por meio de vivências com mestres e mestras do Marabaixo, educadores e estudantes serão estimulados a construir práticas educativas críticas e criativas, baseadas em suas referências culturais e afetivas, incorporando os saberes comunitários ao processo de ensino-aprendizagem. Isso fortalece tanto a escola quanto os territórios, valorizando o protagonismo da juventude negra e a resistência cultural amazônica. Com metodologias testadas em edições anteriores, a proposta para 2026 amplia seu alcance e prevê o atendimento de cerca de 3.000 pessoas (entre público direto e indireto), envolvendo 10 escolas públicas, 500 participantes diretos nas oficinas e 800 estudantes impactados em processos de leitura, oralidade e produção cultural. Essas atividades garantem acessibilidade comunicacional e digital aos conteúdos gerados e permitem sua replicação em outros contextos escolares, servindo como instrumento didático para educadores e agentes culturais. Do ponto de vista teórico, a proposta fundamenta-se em autores como Nilma Lino Gomes (2017), que defende a implementação de políticas educacionais de valorização da cultura negra como caminho para uma pedagogia antirracista; Bell Hooks (1994), ao apontar a importância de uma educação engajada, crítica e libertadora; e Munanga (2005), ao destacar o papel da escola no enfrentamento ao racismo e na formação de identidades positivas. Também dialoga com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e o Referencial Curricular Amapaense (RCA), especialmente no que se refere às competências gerais da educação básica, como:Conhecimento: ao valorizar saberes tradicionais e locais como parte do conhecimento escolar;Cultura digital: ao utilizar ferramentas digitais para comunicar, registrar e difundir os produtos culturais do projeto;Trabalho e projeto de vida: ao possibilitar o contato com vivências artístico-culturais que influenciam as escolhas pessoais e profissionais de estudantes e professores;Empatia e cooperação: ao fomentar o reconhecimento da diversidade e o respeito às expressões culturais do outro. O Festival Educultural Musical Cantando Marabaixo nas Escolas, etapa final do projeto, é a culminância de um processo formativo coletivo. Nele, os estudantes apresentam suas criações musicais autorais em um grande encontro público e gratuito, que integra arte, educação, ancestralidade e território. Essa etapa representa o coroamento simbólico e afetivo de uma jornada de escuta, criação e pertencimento.

Estratégia de execução

O Instituto Nação Marabaixeira tem desempenhado, desde sua fundação, um papel fundamental na valorização, salvaguarda e promoção do Marabaixo enquanto expressão cultural e manifestação identitária negra no Estado do Amapá. Sua atuação extrapola o âmbito artístico e atinge diretamente a educação, a cidadania e o fortalecimento da identidade dos povos tradicionais e comunidades negras, promovendo ações de formação, difusão e mobilização social.Dentre as realizações do Movimento Nação Marabaixeira, pode-se elencar como principais pontos:Exposição “Marabaixo por outros pontos de vista”, realizada em 2016 no Monumento Marco Zero, com registros fotográficos e narrativas que ressignificam o olhar sobre a tradição;Campanha “Compartilhando Conhecimentos”, em 2017, em apoio ao Museu Municipal do Negro – IMPROIR/PMM;Realização dos Festivais “Cantando Marabaixo” nos anos de 2017 e 2018;Execução do projeto “Cantando Marabaixo nas Escolas” nos anos de 2017, 2018, 2019, 2022, 2023, 2024 e 2025, consolidando-se como referência nacional em educação e cultura;Gravação de 7 CDs entre 2016 e 2019, com disponibilização de registros audiovisuais no canal do YouTube nas edições de 2022 e 2023;Promoção de palestras e debates sobre “Marabaixo e Negritude” em escolas e rádios locais;Gravação do DVD de Marabaixo em 2019 com a Academia Amapaense de Batuque e Marabaixo;Participação e organização da “Semana da África” em 2022 e 2023, junto à AABM – Academia Amapaense de Batuque e Marabaixo, em parceria com a FEPPIR e a SEED/AP. As premiações também consolidam o reconhecimento da relevância do trabalho realizado:Prêmio da Assembleia Legislativa do Amapá (2016);Prêmio Selma do Coco do Ministério da Cultura (2018);Homenagem da Câmara Municipal de Macapá (2020);Prêmio nacional do Fundo Baobá para a Equidade Racial – Edital “Educação e Identidades Negras” (2022);Premiações nacionais no “36º Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade” (IPHAN), o qual trata da temática em homenagem aos “20 anos da Lei 10.639/03 - Educação, democracia e igualdade racial”Premiação nacional no “III Prêmio Palmares de Arte” (Fundação Cultural Palmares), ambos em 2023.Premiação estadual do “1º Prêmio Mestre Jorge de Cultura” - Fundação Marabaixo/Governo do Estado do Amapá Histórico do Projeto “Cantando Marabaixo nas Escolas”: As três primeiras edições (2017 a 2019) ocorreram em escolas da zona urbana de Macapá e Porto Grande, impactando mais de 1.500 pessoas diretamente. A partir da quarta edição (2022), houve um marco no projeto: a inserção em territórios quilombolas, ampliando o alcance e a conexão entre cultura e ancestralidade. A culminância ocorreu no Quilombo Santo Antônio da Pedreira, com aproximadamente 1.500 participantes e 9 escolas envolvidas. Em 2023, graças ao Edital do Fundo Baobá, a quinta edição expandiu-se para oito municípios, alcançando territórios até então nunca contemplados com o projeto.A quinta edição contou com escolas dos municípios de Macapá, Porto Grande, Ferreira Gomes, Tartarugalzinho, Pracuúba, Amapá, Calçoene e Pedra Branca do Amapari, totalizando 10 instituições participantes. A escola campeã foi a EQE José Bonifácio, do Quilombo do Curiaú, bi-campeã do festival.Em 2024, a culminância do projeto ocorreu no município de Ferreira Gomes, envolvendo 10 escolas públicas estaduais, representando 9 diferentes municípios. Esta edição fortaleceu ainda mais a proposta pedagógica e cultural do projeto, consolidando-o como uma das mais importantes ações educativas voltadas à cultura negra no Estado do Amapá. Por fim, reafirma-se que o “Cantando Marabaixo nas Escolas” não é culmina apenas como um festival, mas como uma poderosa ferramenta de educação patrimonial e política cultural que promove a autoestima da juventude negra, amplia o repertório identitário das novas gerações e contribui para a construção de uma sociedade mais justa e plural. Com base em seus resultados qualitativos e quantitativos, o projeto tornou-se referência estadual e nacional no campo da educação antirracista e da preservação dos saberes ancestrais afro-amapaenses.Informações da edição de 2025:Em 2025, o projeto atendeu a 458 estudantes, de 9 escolas da rede pública de 7 municípios do Estado do Amapá, o qual obteve as seguintes informações quantitativas:Em relação à distribuição por faixa etária:76 com idades entre 6 e 12 anos,328 entre 13 e 18 anos,8 entre 19 e 24 anos,46 não especificaram idade. Quanto ao nível de escolaridade:241 estudantes do ensino fundamental II (6º ao 9º ano),159 do ensino médio (1ª a 3ª série),59 não especificaram a série. Dados sobre raça/cor indicam:116 autodeclarados pretos,247 pardos,6 amarelos,65 brancos,16 indígenas,8 não declararam. Sobre identidade de gênero:221 estudantes se identificaram como do sexo feminino,173 do sexo masculino,8 se identificaram como outros,56 não responderam. No quesito acessibilidade:15 estudantes com deficiência (incluindo autismo e outras condições),412 sem deficiência,31 não informaram. Em relação à identidade étnica e pertencimento a comunidades tradicionais:93 se identificaram como pertencentes a comunidades tradicionais,351 não pertencem,14 não informaram. Esses dados refletem o compromisso do Movimento Nação Marabaixeira com a inclusão, equidade racial e diversidade, respeitando as diretrizes da Educação Quilombola (Resoluções CNE/CEB nº 08/2012 e CEE/AP nº 025/2016). A participação das escolas se deu por meio de mobilizações comunitárias, oficinas de formação, rodas de conversa, debates intergeracionais, ensaios culturais e apresentações musicais.

Especificação técnica

A proposta Cantando Marabaixo nas Escolas apresenta um conjunto de produtos educativos, artísticos e culturais, com base na oralidade, musicalidade e tradição afro-amapaense, fortalecendo os princípios da Lei 10.639/03, das quais serão descritas detalhadamente os produtos gerados ao longo do projeto, sua estrutura pedagógica e técnica: a) Oficinas Educacionais Presenciais Duração e Paginação: Cada escola participante receberá 3 encontros de 4h, totalizando 12h/aula por escola. Serão 10 escolas atendidas, com 120h de formação no total.Público-alvo: Estudantes do Ensino Fundamental I e II, Ensino Médio e EJA da rede pública estadual.Metodologia: Fundada na educação popular e na aprendizagem significativa, utiliza metodologias ativas com foco na escuta ativa, construção coletiva de saberes, literatura afrocentrada, práticas musicais e produção artística.Material Didático:o Apostilas com textos afrocentrados e atividades práticas;o Recursos visuais e sensoriais (cartazes, painéis ilustrativos, QR codes para conteúdos digitais);o [Instrumentos musicais (caixas de Marabaixo, tambores, banquinhos, ganzás);o Recursos de apoio como caixas de som, microfones, notebooks e materiais de papelaria.o Equipe: 5 oficineiros especializados em cultura popular e educação antirracista, 1 monitor pedagógico por escola, 1 videomaker para registro audiovisual.Objetivo: Proporcionar aos estudantes o contato direto com a musicalidade do Marabaixo, suas origens e significados socioculturais, promovendo o protagonismo juvenil e a valorização da identidade negra no Amapá. b) Rodas de Conversa com Mestres da Cultura e Comunidade EscolarFormato: Realizadas em cada escola participante, com duração de 3h por encontro.Público-alvo: Estudantes, professores, famílias e gestores escolares.Espaço físico: Utilização de áreas coletivas das escolas como pátios, salas de múltiplo uso, auditórios ou quadras cobertas.Metodologia: Conduzidas por mestres do Marabaixo e facilitadores do projeto, as rodas abordam ancestralidade, identidade, memória, território, religiosidade e resistência negra.Gravação e Registro: Todos os encontros serão gravados em vídeo e fotografados, com registros arquivados para acervo educativo e utilização futura.Objetivo: Favorecer a escuta intergeracional, o reconhecimento da sabedoria popular e o fortalecimento das raízes culturais afro-amapaenses no ambiente escolar c) Produção de “Ladrões” (Músicas Autorais de Marabaixo) Processo Criativo:o Orientação coletiva durante as oficinas, onde estudantes desenvolvem letras com base em suas vivências, identidade, história local e conteúdos debatidos.o Apoio direto de educadores, músicos e poetas populares no processo de criação. Formato Final:o Cada escola produzirá ao menos 1 ladrão original;o As letras serão digitadas e revisadas em conjunto com os estudantes, com atenção à ortografia e fidelidade à linguagem oral;o As composições serão registradas com autoria dos alunos, impressas e compiladas em publicação digital e física.Distribuição:o Publicação das letras em formato PDF;o Cópias impressas para as escolas;o Veiculação nas redes sociais e plataformas do projeto.Objetivo: Estimular a produção autoral e reconhecer os estudantes como criadores de cultura e memória coletiva. d) Ensaios Musicais PreparatóriosDuração: Cada escola realizará 3 ensaios presenciais com 3h de duração, totalizando 9h por escola.Participantes: Estudantes envolvidos na produção dos ladrões, músicos do projeto e oficineiros.Conteúdo:o Ensaios vocais, percussivos e rítmicos;o Preparação cênica e de performance para o Festival.Instrumentação:o Caixa de Marabaixo, instrumentos de percussão, instrumentos de corda violão, baixo e voz;o O uso de instrumentos tradicionais e estilizados será orientado por músicos populares convidados.Objetivo: Preparar os grupos escolares para apresentações públicas, promovendo segurança cênica, afinação e integração entre ritmo e voz. e) Festival Musical Estudantil Cantando MarabaixoDuração e Formato: Evento de 1 dia, com até 5h de duração.Espaço: Área pública ou estrutura cultural do município anfitrião (ex: praça central, teatro ou quadra comunitária), com palco, sistema de som profissional, iluminação, cobertura fotográfica e audiovisual.Estrutura Técnica:o Palco com acessibilidade arquitetônica (rampa e sinalização tátil);o Intérprete de LIBRAS durante todas as apresentações;o Equipe técnica de som e luz, seguranças, equipe de apoio e coordenação.Programação:o Apresentações dos ladrões criados por cada escola;o Roda de Marabaixo com mestres e alunos;o Exposição de imagens do processo formativo;o Entrega de certificados simbólicos aos estudantes, professores e mestres participantes.Objetivo: Valorizar publicamente o trabalho das escolas, promover intercâmbio cultural e mobilizar a comunidade em torno da valorização do Marabaixo e da identidade afro-amapaense. f) Produtos Complementares I. Documentário AudiovisualFormato: Vídeo de até 30 minutos.Conteúdo:o Depoimentos de estudantes, mestres, educadores e familiares;o Trechos das oficinas, ensaios e do festival;o Imagens da preparação, bastidores e impacto nas comunidades escolares.Acessibilidade:o Legendas descritivas;o Tradução em LIBRAS;o Distribuição em canais digitais e mídias locais. II. Publicação Digital e Impressa Formato: Coletânea com cerca de 40 páginas.Conteúdo:o Letras dos ladrões criados;o Metodologia utilizada nas oficinas;o Relatos e imagens do processo pedagógico.Distribuição:o PDF gratuito em plataformas digitais;o Versões impressas para bibliotecas escolares, centros culturais e instituições de ensino. III. Conteúdo Digital para Mídias Sociais Tipos: Cards educativos, reels com bastidores, vídeos informativos e depoimentos.Acessibilidade:o Todos os vídeos terão legendas descritivas e tradução em LIBRAS;o Imagens com texto alternativo para leitores de tela.Canais: Instagram, Facebook, YouTube e WhatsApp do projeto e parceiros. IV. Relevância Técnica e Pedagógica:Todos os produtos do projeto foram pensados a partir de práticas culturalmente relevantes e da escuta ativa da comunidade escolar. A integração entre música, identidade, oralidade e memória contribui diretamente para a efetiva implementação da Lei 10.639/03 nas escolas, promovendo um currículo que respeita e valoriza as contribuições dos povos negros na formação da sociedade brasileira.

Acessibilidade

O projeto Cantando Marabaixo nas Escolas para 2026 considera a acessibilidade como um princípio estruturante de suas ações educativas e culturais, assegurando a participação plena e equitativa de todos os públicos, conforme a Instrução Normativa nº 1/2022 da Secretaria Especial da Cultura e o previsto no Art. 37 da Instrução Normativa nº 3/2023 do MinC, que estabelece o uso de até 10% dos recursos captados para garantir a acessibilidade em projetos culturais.Por ser realizado majoritariamente em escolas públicas, o projeto parte da premissa de que o espaço físico das instituições de ensino parceiras já atende às condições mínimas de acessibilidade exigidas por lei (como rampas, banheiros adaptados e corredores amplos). No entanto, como contrapartida do Instituto Nação Marabaixeira, serão contratados profissionais especializados e providas adequações pontuais, especialmente para o evento de culminância do projeto — o Festival Educultural Musical Cantando Marabaixo nas Escolas, onde o acesso universal precisa ser assegurado. Acessibilidade FísicaEscolha preferencial de escolas que disponham de infraestrutura acessível: rampas, corrimãos, banheiros adaptados e sinalização tátil.Adequações temporárias, quando necessário, como instalação de rampas móveis e organização dos espaços para circulação segura de pessoas com mobilidade reduzida ou cadeirantes.Garantia de transporte acessível para estudantes com deficiência e seus acompanhantes durante o Festival, com prioridade no conforto e segurança.Apoio técnico local em logística para orientar o uso adequado dos espaços em oficinas e apresentações. Acessibilidade de ConteúdoAs ações formativas e de culminância serão adaptadas para garantir a comunicação e participação de estudantes com diferentes tipos de deficiência, especialmente auditiva, visual, múltipla e intelectual.Medidas adotadas:Contratação de intérprete de LIBRAS para oficinas e apresentações públicas do Festival;Produção de legendas descritivas e audiodescrição nos vídeos e materiais audiovisuais produzidos durante o projeto;Transmissão ao vivo do dia do evento, com medidas de acessibilidade;Impressão de materiais informativos com fonte ampliada e, quando necessário, transcrição para braile;Adaptação didática e linguagem acessível nas oficinas, priorizando recursos de comunicação visual, corporal e auditiva;Criação de ambientes sensoriais durante oficinas voltadas a estudantes com TEA e deficiência múltipla, promovendo contato com os sons, ritmos e elementos do Marabaixo de forma imersiva. Ações Transversais e HumanizadasO projeto reconhece a presença significativa de alunos em situação de vulnerabilidade social, histórico de violência doméstica, abusos e abandono escolar. Para esse público, as oficinas e ações culturais funcionam como estratégia de acolhimento, pertencimento e expressão emocional, reforçando a função protetiva da escola e da arte.Serão desenvolvidas ações transversais como:Formação continuada da equipe executora (educadores e oficineiros) em práticas inclusivas e atendimento humanizado, por meio de oficina específica com profissional da área;Envolvimento das famílias dos alunos com deficiência no processo criativo, com rodas de conversa e escuta ativa;Registro e sistematização de boas práticas inclusivas que emergirem ao longo da execução, com objetivo de consolidar um modelo replicável. O Cantando Marabaixo nas Escolas é um projeto que assegura que nenhum aluno ou participante será excluído das ações por limitações físicas, sensoriais ou cognitivas, promovendo efetivamente uma educação para todos, com equidade, representatividade e justiça social.

Democratização do acesso

O projeto Cantando Marabaixo nas Escolas, em sua VIII edição, reafirma seu compromisso com a democratização de acesso à cultura e com a ampliação dos meios de participação cidadã, artística e educacional das comunidades atendidas. Todas as atividades e produtos do projeto são oferecidos de forma totalmente gratuita à população, não havendo qualquer tipo de comercialização envolvida nas ações propostas. Distribuição gratuita dos produtos culturais Os produtos culturais gerados a partir das atividades do projeto — incluindo composições musicais originais criadas por estudantes e comunidade escolar durante as oficinas, materiais pedagógicos, registros audiovisuais e apresentações — serão amplamente distribuídos em canais digitais de acesso livre. As músicas serão disponibilizadas em plataformas digitais como YouTube, além de serem hospedadas no site oficial do Instituto Nação Marabaixeira, para download gratuito. As composições também serão compartilhadas com rádios comunitárias e rádios públicas dos municípios atendidos, garantindo que os produtos culturais cheguem a territórios com menor conectividade digital, especialmente nas zonas rurais, quilombolas e ribeirinhas.O material pedagógico será estruturado em uma pasta digital educativa, contendo planos de aula, letras das músicas, vídeos de apoio e sugestões metodológicas. Esse material será distribuído gratuitamente a professores da rede pública de ensino, com potencial de utilização transversal nas disciplinas de Arte, História, Sociologia e Língua Portuguesa. Todo esse conteúdo será replicável, podendo ser utilizado por educadores de diferentes regiões do país. Registro e disponibilização do conteúdo As oficinas e o festival de culminância do projeto serão documentados e organizados digitalmente, com acesso gratuito a educadores, gestores e demais interessados em metodologias de educação antirracista. Os registros também servirão como memória pedagógica e instrumento de multiplicação do conteúdo em outras redes e escolas. Transmissão ao vivo e ampliação de alcance A culminância do projeto, representada pelo Festival Cantando Marabaixo nas Escolas, contará com transmissão ao vivo via internet, permitindo o acesso de pessoas de fora dos municípios atendidos e garantindo que famílias, estudantes e educadores de outros territórios acompanhem o resultado das ações. Essa estratégia amplia significativamente o impacto do projeto, favorecendo inclusive escolas que ainda não foram diretamente contempladas com oficinas presenciais. Oficinas paralelas e ensaios abertos Durante a execução do projeto, estão previstas oficinas paralelas abertas ao público, voltadas especialmente à comunidade escolar, familiares dos alunos e moradores do entorno das escolas. Estas oficinas abordarão temas como a musicalidade do Marabaixo, a importância da oralidade e memória ancestral, e as conexões entre cultura e cidadania. Além disso, em cada unidade escolar participante será realizado um ensaio aberto à comunidade, promovendo a interação direta entre estudantes, professores, famílias e comunidade local. Diálogos comunitários e escuta ativa Estão previstas rodas de diálogo comunitário, reunindo representantes das comunidades, os djelis (líderes comunitários), mestres e mestras do Marabaixo, além de especialistas em cultura afro-brasileira e educação, Buscando, dessa forma, não apenas valorizar o saber tradicional como também estabelecer pontes com o universo escolar, promovendo o pertencimento e o fortalecimento identitário dos estudantes. Exposição e valorização dos processos Ao longo das oficinas, as escolas participantes realizarão exposições culturais, que apresentarão suas produções artístico-culturais como cartazes, instrumentos e materiais confeccionados pelos estudantes. Essas exposições ocorrerão de forma itinerante dentro da própria escola, sendo também parte das ações de culminância, promovendo o intercâmbio entre unidades escolares e comunidades. Acessibilidade como democratização de acesso A democratização do acesso também se dá por meio das ações de acessibilidade comunicacional, já previstas no projeto, como a presença de intérpretes de LIBRAS durante oficinas e apresentações, produção de materiais com audiodescrição, legendas descritivas, entre outras estratégias, possibilitando a participação plena de pessoas com deficiência, estudantes com TEA (Transtorno do Espectro Autista), mobilidade reduzida, entre outros públicos. Estudantes em situação de vulnerabilidade social, com histórico de abandono, violência ou evasão escolar também estão no foco da ação educativa, sendo integrados através das atividades culturais de forma ativa e propositiva. Gratuidade plena e compromisso social Reforçamos que nenhum produto ou serviço gerado a partir do projeto será comercializado. Todos os acessos, oficinas, conteúdos, apresentações, transmissões e materiais serão oferecidos de forma gratuita à população, em consonância com os princípios da Lei Rouanet e com a missão institucional do Instituto Nação Marabaixeira, que é promover a inclusão, valorização da identidade negra e democratização do acesso à cultura.

Ficha técnica

Instituição Proponente: Instituto Nação Marabaixeira A instituição será responsável pela execução geral do projeto, incluindo a coordenação de todas as etapas – pré-produção, execução e pós-produção. Entre suas atividades estão: articulação com as 10 escolas públicas parceiras, organização logística, contratação da equipe, aquisição de materiais, cumprimento do cronograma, supervisão da produção pedagógica, acompanhamento das ações e prestação de contas junto ao Ministério da Cultura. O Instituto também fará a articulação com parceiros institucionais, conselhos escolares e lideranças comunitárias, garantindo o alinhamento com os princípios da educação antirracista e da valorização das culturas de matrizes africanas.A atividade principal do projeto consiste na realização de oficinas educativas com base na musicalidade do Marabaixo, maior manifestação cultural afro-amapaense. As oficinas serão ministradas em 10 escolas da rede pública estadual de ensino, com o intuito de contribuir com a aplicação da Lei 10.639/03, que trata da obrigatoriedade do ensino de história e cultura afro-brasileira nos currículos escolares. Por meio da escuta de mestres da cultura, rodas de conversa, criação de composições musicais e oficinas práticas, os alunos serão conduzidos a um processo de valorização de suas identidades, dos saberes ancestrais e da produção artística autoral. Equipe de Trabalho:Coordenação Geral do Projeto – João Carlos do Rosário Souza (Carlos Pirú)Responsável pela articulação institucional com escolas e parceiros, mobilização da comunidade escolar, condução de oficinas de oralidade, musicalidade e composição de “ladrões” (versos do Marabaixo), além de atuar como mediador cultural nas rodas de conversa. Responsável pela busca ativa por apoiadores e patrocinadores e na representação do projeto em ações públicas. Mini currículo: Carlos Pirú (João Carlos do Rosário Souza)Cantor, compositor, historiador e ativista sociocultural com mais de 30 anos de atuação na valorização da cultura afro-amapaense. Reconhecido como Personalidade Negra do Samba Amapaense em 2023, é cofundador do Movimento Nação Marabaixeira e coordenador geral do Projeto Cantando Marabaixo nas Escolas. Idealizador de projetos como Samba no Mercado Central e MarabaiShow, é uma referência na preservação e reinvenção do samba e do marabaixo como expressões de identidade e resistência negra. Graduado em História, atua em oficinas de oralidade e tradição, incentivando crianças e jovens a compor ladrões de Marabaixo e a fortalecer seu sentimento de pertencimento étnico-racial. Direção Pedagógica – Rosivaldo da Silva Gomes (Dinho Paciência)Responsável pelo planejamento didático das oficinas, elaboração de metodologias alinhadas à educação antirracista, à BNCC e à história e cultura afro-brasileira. Atuará diretamente com a equipe das escolas no desenvolvimento das atividades pedagógicas, orientando os professores e contribuindo com a sistematização dos conteúdos abordados. Mini currículo: Rosivaldo da Silva Gomes (Dinho Paciência)Coordenador pedagógico do Projeto Cantando Marabaixo nas Escolas e co-fundador do Movimento Nação Marabaixeira. Licenciado e bacharel em História, bacharel em Direito e especialista em História Socioeconômica do Brasil. Mestrando em Ensino de História. É professor da rede estadual e já atuou em instituições como UEAP, UNIFAP, IFAP e escolas indígenas. Com ampla atuação em pautas antirracistas, decoloniais e interculturais, foi responsável técnico em órgãos como SEAFRO, FEPPIR e NEER|CEESP-AP. Gestão e Produção Cultural – Lizia Felicia de Miranda CelsoResponsável pela organização geral do projeto, planejamento das etapas técnicas, acompanhamento das entregas e cronograma, além de prestar suporte direto à equipe pedagógica e artística. Será responsável por parte da comunicação institucional, elaboração de relatórios técnicos e apoio à prestação de contas. Mini currículo: Lizia CelsoGestora cultural, formada em Letras – Língua Portuguesa, com especialização em Linguística Aplicada e MBA em Gestão de Projetos. Mulher, mãe de duas meninas, atua nas áreas administrativa, financeira e na elaboração de projetos culturais no Instituto Nação Marabaixeira. Ao longo da trajetória, tem colaborado com iniciativas premiadas nacionalmente, voltadas à valorização da cultura negra, à educação e à preservação das tradições amapaenses. É defensora de práticas culturais transformadoras, conectando saberes ancestrais a metodologias inovadoras. Coordenação Musical – Marcelo Claudio de Jesus CoimbraResponsável pela orientação musical dos alunos, atuando na mediação de oficinas de ritmo, percussão, voz e composição coletiva. Auxiliará nos ensaios e na preparação das apresentações do Festival Musical Estudantil Cantando Marabaixo nas Escolas, promovendo vivências práticas com instrumentos tradicionais e cânticos do Marabaixo. Mini currículo: Marcelo CoimbraMarcelo Cláudio de Jesus Coimbra, conhecido como Marcelo da Favela, é pedagogo, músico percussionista, professor de karatê, mestre artesão em instrumentos de percussão e adepto do Candomblé. Nascido no bairro da Favela, em Macapá, é uma das principais referências vivas do Marabaixo. Atualmente lidera o Instituto Nação Marabaixeira e a Academia Amapaense de Batuque e Marabaixo, atuando no fortalecimento da cultura, educação e religiosidade afro-amapaense. Coordenação Logística e Secretariado – Ivanete Paula de MirandaAtuará no planejamento e execução de toda a logística do projeto: organização de materiais, controle de equipamentos, acompanhamento das atividades em campo, sistematização de relatórios de monitoramento, apoio à produção de documentos técnicos e suporte ao secretariado durante a execução. Mini currículo: Ivanete Paula de MirandaAdministradora e professora de História, especialista em Educação Híbrida, nascida e criada no bairro do Laguinho, cresceu frequentando rodas de Marabaixo com a tia Biló e nas comunidades tradicionais do bairro da Favela. Atuou na escola de samba Piratas Estilizados, integrando a diretoria entre 2015 e 2016. Representou a Escola Edgar Lino no Projeto Cantando Marabaixo entre 2017 e 2019, e desde 2020 integra o Coletivo Nação Marabaixeira como secretária. Participa ativamente de mobilizações sociais e culturais no bairro, como o Aniversário do Laguinho e o resgate do Centro de Cultura Negra (CCN). Coordenação de Difusão Cultural – Edilene Araujo DiasResponsável pela comunicação do projeto, produção de conteúdos digitais, textos institucionais, articulação com a imprensa local, elaboração de peças para redes sociais e envio de boletins informativos. Também cuidará da acessibilidade comunicacional, fazendo a ponte com profissionais de LIBRAS, Braille e audiodescrição. Mini currículo: Edilene Dias AraújoMulher quilombola, historiadora e especialista em Ciências da Religião. É ativista cultural e militante do movimento negro no Amapá. Pesquisadora da cultura afro-amapaense, é autora da primeira cartilha sobre o ciclo do Marabaixo. Atua como coordenadora de comunicação da Associação Amapaense de Folclore e Cultura Popular e como gerente de pesquisa, difusão cultural e disseminação de conteúdos do Instituto Nação Marabaixeira. Seu trabalho valoriza a ancestralidade e os saberes populares.

Providência

PRORROGAÇÃO APROVADA E PUBLICADA NO DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO.

Amapá