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O projeto "Patrimônio Reencontrado - Reintegração de Obras Sacras ao Acervo do Museu Boulieu" tem por finalidade promover a aquisição e reintegração pública de três esculturas sacras barrocas — São Domingos, Santa Teresa de Ávila e Nossa Senhora do Rosário, peças de excepcional valor artístico, histórico e devocional, atribuídas a mestres como Antônio Francisco Lisboa (Aleijadinho) e Mestre Piranga, ao acervo do Museu Boulieu em Ouro Preto/MG.
O projeto “Patrimônio Reencontrado – Reintegração de Obras Sacras ao Acervo do Museu Boulieu” propõe um gesto simbólico e concreto de restituição cultural: devolver à sociedade brasileira três obras de relevância histórica, espiritual e artística — São Domingos, Santa Teresa de Ávila e Nossa Senhora do Rosário —, peças que expressam de modo singular a complexa tessitura do Barroco Mineiro e sua dimensão universal. Trata-se de um projeto de natureza artístico-cultural, patrimonial e educativa, que busca garantir que essas esculturas — até então pertencentes a coleções privadas — sejam reintegradas ao domínio público, sob a guarda e a tutela técnica do Museu Boulieu, em Ouro Preto (MG), instituição de referência na preservação e difusão da arte sacra e da herança barroca brasileira. As Obras e sua Relevância1. São Domingos (atr. Mestre Piranga, século XVIII)A escultura de São Domingos, de porte imponente e expressividade vigorosa, é atribuída ao Mestre Piranga, um dos discípulos e colaboradores diretos do círculo de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho. A peça representa o santo fundador da Ordem dos Pregadores — a Ordem Dominicana — em pose de intensa espiritualidade, portando o crucifixo e o rosário, símbolos da fé, da pregação e da penitência. A delicadeza dos traços, o equilíbrio entre o gesto e a contemplação e o acabamento da policromia fazem da escultura um testemunho magistral da transição entre o Barroco e o Rococó mineiro, revelando o refinamento técnico e devocional dos ateliês coloniais. A obra, hoje com procedência documentada, constitui não apenas um exemplar artístico de valor estético notável, mas também um documento histórico sobre a produção religiosa nas vilas auríferas do século XVIII, onde fé e arte se fundiam como instrumentos de educação espiritual e construção de identidade.2. Santa Teresa de Ávila (atr. Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, século XVIII)A imagem de Santa Teresa de Ávila, uma das grandes místicas da Reforma Católica, é atribuída a Aleijadinho, o mais célebre escultor e arquiteto do período colonial brasileiro. A peça apresenta características típicas do mestre: o olhar voltado para o alto, o movimento interiorizado do corpo e a sugestão de êxtase espiritual que parece romper a rigidez da matéria. Em madeira entalhada e policromada, a escultura retrata a santa carmelita em momento de inspiração divina, sustentando o livro e a pena — instrumentos de sua obra teológica e literária. Trata-se de uma imagem de grande força simbólica e transcendência plástica, na qual Aleijadinho traduz, por meio da escultura, o estado místico e emocional da fé barroca. A aquisição e reintegração desta obra ao acervo do Museu Boulieu significam a recuperação de um fragmento perdido do patrimônio artístico mineiro, e o fortalecimento da compreensão do imaginário religioso do período colonial, em que arte, religião e humanidade se entrelaçam como expressão de uma cultura híbrida e viva.3. Nossa Senhora do Rosário (atr. Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, século XVIII)A imagem de Nossa Senhora do Rosário, também atribuída a Aleijadinho, possui uma relevância cultural e social profunda. Mais do que uma obra de arte sacra, ela representa a espiritualidade das Irmandades Negras e a resistência cultural afro-brasileira no período colonial. As confrarias dedicadas à devoção do Rosário foram espaços de organização comunitária, solidariedade e identidade para homens e mulheres negros escravizados e libertos. Nesta escultura, a Virgem aparece com semblante sereno e maternal, sustentando o Menino Jesus e o rosário — símbolo de união entre fé e libertação. Sua reintegração ao acervo do Museu Boulieu tem um valor duplo: artístico e social. Ao devolver essa imagem ao domínio público, o projeto restaura o elo entre arte, fé e memória afrodescendente, oferecendo ao público contemporâneo uma oportunidade única de contato com um patrimônio que transcende o estético e se inscreve na história da formação do Brasil. A Reintegração: Devolvendo o Patrimônio ao PovoDurante décadas, essas obras permaneceram em coleções privadas, inacessíveis à visitação e à pesquisa. Através deste projeto, serão readquiridas, autenticadas, catalogadas e reintegradas ao acervo permanente do Museu Boulieu, instituição localizada no coração de Ouro Preto — patrimônio mundial e epicentro simbólico do Barroco Brasileiro.A ação promove uma reparação cultural e histórica, assegurando que bens de natureza pública e identitária voltem ao espaço público, onde pertencem por direito e por função social. O processo de aquisição segue rigorosos critérios éticos e museológicos, incluindo laudos de autenticidade, pareceres técnicos e documentação de procedência, em conformidade com as normas do IPHAN, IBRAM e ICOM.Ao ingressarem no acervo institucional, as obras passam a integrar também o circuito de educação patrimonial, pesquisa acadêmica e difusão museológica, reforçando o papel do Museu Boulieu como agente de preservação, estudo e divulgação da arte sacra e da herança cultural brasileira.Democratização e Impacto SocialA reintegração das esculturas ao acervo do museu não representa apenas um ato de preservação, mas um ato de democratização do acesso à arte, à história e à fé. Por meio deste projeto, obras antes restritas ao olhar de poucos serão agora apresentadas a todos os públicos, em um espaço acessível, gratuito e inclusivo. O Museu Boulieu assegurará que o público tenha acesso físico, intelectual e sensorial às obras, por meio de:Exposição permanente com mediação educativa e curadoria interpretativa;Acessibilidade universal (Libras, braile, audiodescrição, visitas sensoriais);Catálogo digital bilíngue, com imagens em alta resolução, textos curatoriais e trilhas educativas;Programas de educação patrimonial voltados a escolas, universidades e comunidades locais;Seminários, oficinas e publicações que promovam o debate sobre autenticidade, memória e patrimônio cultural.A democratização se expressa, portanto, em duas dimensões complementares: a devolução física das obras ao espaço público e a devolução simbólica de um patrimônio identitário ao imaginário coletivo. É o retorno da arte ao seu papel social — o de inspirar, educar e transformar.ConclusãoO projeto “Patrimônio Reencontrado” é, em essência, um ato de reconciliação entre passado e presente, entre o patrimônio disperso e a comunidade que o gerou. A aquisição e a reintegração de São Domingos, Santa Teresa de Ávila e Nossa Senhora do Rosário representam um marco na história recente da preservação cultural brasileira, pois restituem ao domínio público três testemunhos materiais da fé, da arte e da identidade nacional.Com esse gesto, o Museu Boulieu reafirma sua missão de proteger, pesquisar e difundir o legado artístico do Barroco, transformando um acervo reencontrado em acervo compartilhado — e garantindo que, a partir de agora, essas obras pertençam novamente a todos os brasileiros.
Objetivo GeralPromover a aquisição, pesquisa e reintegração pública de obras sacras barrocas São Domingos, Santa Teresa de Ávila e Nossa Senhora do Rosário de relevância histórica, artística e simbólica, pelo Museu Boulieu em Ouro Preto/MG, garantindo sua preservação, pesquisa, difusão e acesso democrático, por meio da incorporação definitiva dessas peças ao acervo público do Museu Boulieu, em Ouro Preto. O projeto visa consolidar o museu como um referencial de preservação do patrimônio sacro brasileiro, reafirmando a importância da memória e da arte religiosa como expressões da identidade nacionalObjetivos EspecíficosAquisição ética e legal das obras sacras — concretizar a compra das esculturas São Domingos, Santa Teresa de Ávila e Nossa Senhora do Rosário, em conformidade com as normas de aquisição museológica e patrimonial vigentes.Autenticação e registro técnico — realizar análises de procedência, autenticidade e documentação das obras, incluindo laudos, fichas catalográficas, registros fotográficos e comparativos técnicosReintegração pública do acervo — assegurar que as obras, antes pertencentes a coleções privadas, passem a integrar o domínio público, disponíveis para fruição, pesquisa e visitação pela sociedade.Preservação e conservação preventiva — garantir condições adequadas de acondicionamento, climatização, higienização e segurança museológica.Acesso e democratização cultural — promover visitas mediadas, exposições interpretativas, ações de educação patrimonial e materiais acessíveis em Libras, Braile e audiodescrição.Difusão e comunicação cultural — elaborar catálogo digital e ações de comunicação voltadas à valorização do acervo, ampliando o alcance do projeto nas redes e na mídia especializada.Fortalecimento da pesquisa acadêmica e histórica — disponibilizar as obras e sua documentação para pesquisadores, estudantes e instituições, incentivando a produção de novos estudos sobre o Barroco Mineiro e seus artistas.Valorização da identidade e da memória — contribuir para o resgate do patrimônio simbólico e religioso de Minas Gerais, fortalecendo o papel do museu como agente de preservação e difusão da herança cultural brasileira
Este projeto se enquadra na LEI Nº 8.313, DE 23 DE DEZEMBRO DE 1991, de acordo com os seguintes objetivos: Art. 1° Fica instituído o Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac), com a finalidade de captar e canalizar recursos para o setor de modo a: I - contribuir para facilitar, a todos, os meios para o livre acesso às fontes da cultura e o pleno exercício dos direitos culturais; II - promover e estimular a regionalização da produção cultural e artística brasileira, com valorização de recursos humanos e conteúdos locais; III - apoiar, valorizar e difundir o conjunto das manifestações culturais e seus respectivos criadores; IV - proteger as expressões culturais dos grupos formadores da sociedade brasileira e responsáveis pelo pluralismo da cultura nacional; V - salvaguardar a sobrevivência e o florescimento dos modos de criar, fazer e viver da sociedade brasileira; VI - preservar os bens materiais e imateriais do patrimônio cultural e histórico brasileiro; VIII - estimular a produção e difusão de bens culturais de valor universal, formadores e informadores de conhecimento, cultura e memória; IX - priorizar o produto cultural originário do País. Art. 3° Para cumprimento das finalidades expressas no art. 1° desta lei, os projetos culturais em cujo favor serão captados e canalizados os recursos do Pronac atenderão, pelo menos, um dos seguintes objetivos: III - preservação e difusão do patrimônio artístico, cultural e histórico, mediante: a) construção, formação, organização, manutenção, ampliação e equipamento de museus, bibliotecas, arquivos e outras organizações culturais, bem como de suas coleções e acervos; c) restauração de obras de artes e bens móveis e imóveis de reconhecido valor cultural; https://museuboulieu.org.br1) Interesse público e missão do projetoO projeto propõe a aquisição ética e reintegração pública de três esculturas sacras barrocas — São Domingos (atr. Mestre Piranga), Santa Teresa de Ávila e Nossa Senhora do Rosário (ambas atribuídas a Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho) — ao acervo permanente do Museu Boulieu, em Ouro Preto, assegurando preservação, acesso e pesquisa continuados. Trata-se de devolver ao domínio público obras cuja relevância artística e espiritual estruturam a narrativa do Barroco Mineiro (evangelização, mística e devoção comunitária), hoje reconhecidas como pilares da história cultural de Minas Gerais e do Brasil.Ao reintegrar bens antes dispersos ao território de origem, o projeto realiza um gesto de reparação simbólica e institucional, colmatando lacunas históricas nos acervos locais e fortalecendo a memória coletiva mineira. 2) Fundamentação legal e alinhamento à Lei RouanetA iniciativa se articula diretamente com os objetivos da Lei nº 8.313/1991 (Lei Rouanet), notadamente:Art. 1º, inc. I e II _ estímulo à produção/promoção/difusão de bens culturais e proteção de expressões culturais;Art. 1º, inc. VI _ preservação do patrimônio histórico e artístico nacional. Na prática, a reintegração ao acervo público e a difusão por meio de exposição, acessibilidade e programa educativo traduzem na ponta acesso democrático e salvaguarda patrimonial permanentes. Os documentos do projeto indicam, como estratégia, a aquisição ética e fundamentada, a inclusão no acervo e a preservação de longo prazo sob padrões museológicos — exatamente o que a política pública busca induzir. 3) Benefícios patrimoniais e históricosPatrimoniais. A incorporação definitiva das obras ao museu garante tutela institucional, controle ambiental, documentação e vigilância técnica, interrompendo o ciclo de dispersões privadas. A estratégia detalha: (i) aquisição legal com laudos; (ii) formalização no acervo de Ouro Preto; (iii) conservação imediata e compromisso com longevidade sob normas nacionais e internacionais.Históricos. O conjunto expressa núcleos temáticos essenciais do século XVIII luso-brasileiro: Palavra e doutrina (São Domingos), Interioridade e êxtase (Santa Teresa) e Devoção comunitária (Nossa Senhora do Rosário), além da possibilidade de eixo curatorial sobre redenção (Crucifixo). Esses vetores conectam a obra de Aleijadinho e Mestre Piranga à formação social e religiosa de Minas, oferecendo trilhas interpretativas de alta potência educativa e curatorial.4) Benefícios culturais (democratização e fruição pública)A passagem do circuito privado para o acervo público amplia o direito de acesso à cultura:Visitação e mediação no Museu Boulieu;Ações de educação patrimonial para escolas e comunidades;Acessibilidade de conteúdo (Libras, braile, audiodescrição) e difusão digital (catálogo/portal). O retorno territorial reforça identidades, reativa memórias locais e reconecta comunidades com suas tradições devocionais, convertendo o acervo reencontrado em bem comum com impacto cultural duradouro. 5) Benefícios sociais (formação de público e coesão comunitária)O projeto produz efeitos sociais diretos:Formação de público pela abertura continuada das obras à visitação e às práticas de mediação;Valorização de pertencimentos (especialmente no caso de Nossa Senhora do Rosário, intimamente ligada às Irmandades Negras e às celebrações populares), fortalecendo autoestima e coesão;Acesso ampliado para grupos historicamente subatendidos via recursos de acessibilidade e políticas de acolhimento.A documentação ainda ressalta o impacto local e regional como vetor de desenvolvimento cultural e turístico responsável, o que potencializa economias da cultura e circuitos educativos em Ouro Preto e entorno.6) Benefícios acadêmicos e de pesquisaA reintegração cria um laboratório vivo para história da arte, museologia, antropologia e estudos do Barroco, pois disponibiliza obras com atribuições de alta relevância à comunidade científica, acompanhadas de laudos, referências catalográficas e comparativos.Nossa Senhora do Rosário (atr. Aleijadinho) figura em catálogos/exposições de referência e literatura recente, fortalecendo a trilha bibliográfica e a autenticidade atribuída;Santa Teresa de Ávila (atr. Aleijadinho) comparece em catálogos gerais da obra, exposições de museus paulistas e documentação especializada;São Domingos (atr. Mestre Piranga) conecta-se ao eixo "Aleijadinho e seus oficiais", com registros curatoriais em mostras de referência.Esse corpus documental garante lastro acadêmico às atribuições e viabiliza linhas de pesquisa inéditas (processos de oficina, iconografia, policromia, circulação de imagens devocionais), ao mesmo tempo em que favorece parcerias com universidades e formação de acervos digitais abertos.7) Ética, autenticidade e conformidadeO projeto se pauta por aquisição ética e fundamentada, com laudos de atribuição/autenticidade, observância a diretrizes legais contra o tráfico ilícito e procedimentos museológicos de registro, conservação e segurança. A estratégia institucional consta de forma explícita na documentação do projeto.As declarações de intenção de venda dos proprietários atuais — Nossa Senhora do Rosário e o conjunto São Domingos/Santa Teresa de Ávila — contemplam motivação cultural, confiança na preservação museológica e compromisso com formalização transparente, reforçando a cadeia de procedência e o interesse público da transferência.8) Coerência curatorial e potencial educativoA proposta curatorial sugere um eixo temático — Pregação, Mística, Devoção e Redenção — capaz de comunicar ao público dimensões estéticas e espirituais do Barroco Mineiro por meio de textos interpretativos, mediação e atividades pedagógicas (história da arte, técnicas de entalhe/policromia, estudos de irmandades). O conjunto é didático e modular, apto a exposições permanentes/temporárias e itinerâncias formativas.9) Convergência com políticas de acesso e memóriaAo incorporar as obras ao acervo do Museu Boulieu, o projeto responde às políticas públicas de patrimônio e democratização do acesso: garante fruição contínua, documentação técnica, acessibilidade e difusão digital — medidas que estabilizam, a longo prazo, o direito social à cultura e qualificam o ecossistema museal de Minas Gerais."Patrimônio Reencontrado" é um projeto de interesse público inequívoco: protege e estabiliza bens culturais de alta relevância, devolve-os ao acervo público, amplia acesso e pesquisa, robustece a memória coletiva e qualifica a mediação cultural com a sociedade. Ao articular aquisição ética, autenticidade comprovada, preservação museológica e fruição democrática, a proposta materializa os objetivos centrais da Lei Rouanet e consolida Ouro Preto como referência na salvaguarda do Barroco Mineiro — com benefícios sociais, acadêmicos, patrimoniais, históricos e culturais mensuráveis e duradouros.O Museu Boulieu _ Caminhos da Fé, localizado em Ouro Preto, abriga a coleção reunida pelo casal Maria Helena e Jacques Boulieu, formada ao longo de mais de seis décadas. O acervo reflete a expansão da cultura ibérica pelo mundo, reunindo obras oriundas de regiões marcadas pela presença portuguesa e espanhola, como a Ásia, África e América. A coleção sintetiza o espírito global do Barroco, apresentando peças em marfim, prata, madeira, pedra, couro e terracota que expressam o encontro _ muitas vezes conflituoso _ entre as tradições europeias e as culturas locais já existentes. Dessa interação nasceram linguagens artísticas singulares, fruto do diálogo entre fé, colonização e identidade. Instalado no antigo Asilo São Vicente de Paulo, edifício histórico vizinho ao Paço da Misericórdia, o museu integra o Conjunto Urbanístico tombado pelo IPHAN e convida o público a compreender o Barroco não apenas como um estilo artístico, mas como um fenômeno histórico e social de dimensão planetária. A coleção teve início na década de 1950, quando o casal Boulieu adquiriu na Bahia a primeira peça _ uma Imaculada Conceição do século XVIII. Desde então, dedicaram suas vidas à formação de um acervo que hoje constitui um legado ao público, propondo uma reflexão sobre a religiosidade, a arte e os caminhos da fé que moldaram a história cultural do Brasil e do mundo.
A Importância das Três Obras para a Arte Sacra, o Patrimônio e a Cultura BrasileiraAs três esculturas sacras reunidas sob o projeto “Patrimônio Reencontrado” — São Domingos, Santa Teresa de Ávila e Nossa Senhora do Rosário — representam, de forma exemplar e singular, a complexa expressão da espiritualidade, da técnica e da sensibilidade artística do Barroco Mineiro. Mais do que simples obras de arte, elas são testemunhos materiais da fé e da sociedade colonial brasileira, espelhos do encontro entre culturas e expressões visuais que, entre os séculos XVII e XVIII, moldaram a identidade estética, simbólica e religiosa do país.Essas esculturas condensam, em sua forma, o gesto e o espírito de um tempo em que a arte era a linguagem privilegiada da transcendência, o instrumento de comunicação entre o humano e o divino. No contexto das vilas mineradoras, a arte sacra não era mero ornamento de culto: era o centro da vida comunitária, um espaço de instrução espiritual e afirmação cultural. Produzidas por artistas que uniam devoção, técnica e imaginação — como Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, e o Mestre Piranga —, as esculturas mineiras traduzem, de modo incomparável, o espírito de uma civilização marcada pelo sincretismo, pela religiosidade intensa e pela força de uma estética voltada à emoção e ao sagrado.A Arte Sacra como Expressão de Identidade e FéA arte sacra brasileira é uma das mais originais manifestações do barroco fora da Europa. No Brasil colonial, ela assumiu papel de mediadora entre mundos — o europeu e o indígena, o africano e o cristão — e se tornou, ao mesmo tempo, instrumento pedagógico, político e espiritual. As esculturas de santos, as imagens de devoção, os retábulos e os altares formavam um universo simbólico que traduzia a fé e a cultura de um povo em formação.Nessa paisagem cultural, São Domingos, Santa Teresa de Ávila e Nossa Senhora do Rosário são expressões paradigmáticas da teologia imagética do Barroco Mineiro. Cada uma delas representa uma dimensão essencial da espiritualidade colonial:São Domingos, o pregador, simboliza a palavra e a missão, o discurso da fé disseminado entre as gentes e o zelo pela doutrina;Santa Teresa de Ávila, a mística, encarna a interioridade e o êxtase, o encontro silencioso com o divino e o ideal da reforma espiritual;Nossa Senhora do Rosário, a materna, é o símbolo da intercessão e da libertação, venerada pelas irmandades negras e expressão da resistência cultural afro-brasileira.Essas três dimensões — palavra, contemplação e liberdade — configuram, juntas, o tríptico da espiritualidade barroca, no qual fé e arte se fundem em emoção, gesto e forma. Sua presença conjunta no acervo do Museu Boulieu cria uma narrativa visual e simbólica que permite compreender o Barroco não apenas como estilo, mas como uma filosofia de mundo, uma forma de pensar, sentir e existir. Valor Histórico e PatrimonialDo ponto de vista histórico e patrimonial, as três esculturas representam documentos artísticos e culturais de valor inestimável. Elas integram a linhagem da escultura mineira setecentista, nascida da fusão entre os modelos europeus — trazidos pelos missionários e confrarias — e as técnicas locais, moldadas pelas condições materiais, pelo improviso e pelo talento artesanal dos artistas coloniais.Essas obras são também testemunhos da estrutura social e religiosa do Brasil colonial. O Barroco Mineiro floresceu em um contexto de exploração do ouro, de desigualdade e de fervor religioso. As igrejas e irmandades tornaram-se centros de sociabilidade e poder simbólico. Dentro desse sistema, as imagens sacras cumpriam uma função de representação e presença — eram o rosto do invisível, a encarnação sensível do divino.Cada escultura é, portanto, um registro histórico vivo:São Domingos revela o esforço missionário e o papel pedagógico da palavra na evangelização das vilas;Santa Teresa de Ávila documenta a circulação de modelos europeus — especialmente espanhóis — reinterpretados pela mão e pela sensibilidade brasileira;Nossa Senhora do Rosário é, talvez, a mais significativa sob o ponto de vista antropológico, pois expressa o sincretismo religioso e cultural que permitiu aos afrodescendentes apropriar-se da devoção católica como forma de afirmação identitária.Essas obras são, assim, monumentos da coexistência, registros tangíveis da diversidade e do diálogo entre culturas que marcam a gênese da nação brasileira.Importância para o Estudo da Museologia e do PatrimônioNa perspectiva museológica, a reintegração dessas esculturas ao acervo público é uma ação exemplar em múltiplos sentidos. Primeiro, porque reafirma a função essencial dos museus como instituições de salvaguarda, preservação e acesso democrático ao patrimônio. Ao deixar o circuito privado e ingressar no domínio público, essas obras passam a ser bens coletivos, protegidos por normas de conservação, documentação e difusão que garantem sua permanência e valorização.O Museu Boulieu, ao acolhê-las, consolida-se como referência nacional na preservação da arte sacra e do Barroco Mineiro, complementando o acervo de instituições como o Museu da Inconfidência, o Museu da Arquidiocese de Mariana e o Museu da Arte Sacra de São Paulo. Essa incorporação reforça a cadeia museológica do país, fortalecendo o circuito de pesquisa, curadoria e educação patrimonial.Além disso, a ação cumpre um papel de reparação cultural: resgata obras dispersas e as devolve à comunidade de origem, fortalecendo a identidade local e a memória coletiva. Para a museologia contemporânea, esse gesto representa a concretização de princípios éticos e decoloniais — devolver à sociedade o que lhe pertence, garantir o direito à memória e transformar o museu em espaço de diálogo, inclusão e pertencimento.A reintegração dessas peças também contribui para o avanço do conhecimento técnico e científico. A documentação, os estudos de autenticidade, os laudos de conservação e os registros museológicos gerados nesse processo se tornam fontes primárias para futuras pesquisas. Esses dados não apenas preservam a materialidade das esculturas, mas ampliam a compreensão de seus contextos históricos e simbólicos, alimentando o campo da história da arte, da antropologia e da teologia visual. Dimensão Cultural e ContemporâneaNo plano da cultura contemporânea, a importância dessas obras vai além do seu valor histórico. Elas mantêm viva a capacidade da arte de provocar, sensibilizar e educar. O contato com essas esculturas — seu gesto, seu olhar, sua forma e sua presença física — permite ao visitante contemporâneo reconectar-se com as origens espirituais e culturais do país, compreender a profundidade simbólica do Barroco e perceber como ele ainda ressoa na arte, na religiosidade e na identidade brasileiras.O retorno dessas obras à esfera pública permite que o Brasil reencontre parte de seu próprio rosto cultural, muitas vezes fragmentado pela dispersão de acervos, pelo colecionismo privado e pela ausência de políticas continuadas de repatriação patrimonial. Ao exibi-las novamente em território mineiro, sob guarda institucional, o Museu Boulieu oferece ao público não apenas a contemplação de três esculturas, mas a restituição de uma herança compartilhada, um espelho da sensibilidade nacional.Essas imagens de santos e de fé, criadas por mãos coloniais, são também imagens da própria humanidade brasileira — mestiça, espiritual, emotiva e criadora. Ao contemplá-las, o visitante não apenas observa o passado, mas percebe como ele continua a se projetar no presente. Assim, São Domingos, Santa Teresa e Nossa Senhora do Rosário não são relíquias, mas presenças vivas, pontes entre o que fomos e o que ainda somos.ConclusãoAs três esculturas barrocas que compõem o projeto “Patrimônio Reencontrado” sintetizam, em sua materialidade e significado, a história da arte sacra e da formação cultural do Brasil. Elas são expressão do poder da fé como linguagem estética, da arte como memória viva e da museologia como instrumento de cidadania. Sua reintegração ao Museu Boulieu representa não apenas um gesto de preservação, mas um ato de reconciliação com a história — um reencontro entre a nação e seu patrimônio espiritual.Com esse projeto, reafirma-se a convicção de que o patrimônio não é apenas herança, mas promessa: a promessa de que o conhecimento, a arte e a beleza podem e devem pertencer a todos. A cada visitante que cruzar o espaço expositivo e se deparar com o olhar místico de Santa Teresa, a pregação de São Domingos ou o acolhimento materno da Virgem do Rosário, a arte cumprirá novamente seu papel — unir o passado ao presente e transformar a memória em experiência viva, compartilhada e libertadora.
De acordo com a Instrução Normativa MINC em vigor, segue anexado ao projeto: 1. lista dos itens a serem adquiridos, acompanhada de ficha técnica completa; 2. justificativa para a aquisição, atestando a pertinência e a relevância da incorporação dos itens ao acervo da instituição; 3. histórico de procedência e de propriedade dos itens a serem adquiridos, acompanhado de declaração de intenção de venda do proprietário ou detentor dos direitos; 4. laudo técnico com avaliação de pelo menos dois especialistas sobre o valor de mercado dos itens; 5. parecer de autenticidade das obras; 6. declaração de que o item adquirido será incorporado ao acervo permanente da instituição; 7. laudo técnico de especialista, com diagnóstico do estado de conservação das obras; e 8. comprovação de que o local que abrigará o acervo que se pretende adquirir possui condições adequadas de armazenamento e acondicionamento. Estes itens e documentos estão todos anexados a esta proposta. 1. São DomingosTítulo: São Domingos Atribuição: Mestre Piranga (círculo de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho) Datação: Século XVIII (c. 1770–1790) Técnica e material: Madeira entalhada e policromada com aplicação de douramento. Dimensões: Altura aproximada de 80 cm | Largura 35 cm | Profundidade 25 cm Procedência: Coleção particular – Minas Gerais Estado de conservação: Bom estado geral, apresentando pequenas lacunas na policromia e craquelê superficial, características compatíveis com a idade da peça.Descrição e características formaisA escultura representa São Domingos de Gusmão, fundador da Ordem dos Pregadores (Dominicanos), em posição frontal e postura de recolhimento espiritual. O santo é figurado de pé, trajando o hábito dominicano, com túnica branca e manto preto, portando o rosário e o crucifixo — símbolos da contemplação, penitência e palavra divina. A composição evidencia a serenidade do rosto e a verticalidade da figura, elementos típicos da escola mineira setecentista, com destaque para o tratamento das dobras do tecido e o refinamento das mãos, de execução delicada e simbólica. Os olhos entalhados e pintados transmitem emoção e movimento, enquanto o douramento das bordas e do crucifixo introduz contraste luminoso de forte apelo visual.Análise estilística e atribuiçãoA obra apresenta características compatíveis com o estilo do Mestre Piranga, artista ativo na região de Mariana e Ouro Preto, reconhecido pela síntese entre rigidez formal e delicadeza espiritual. As feições alongadas, o modelado das vestes e a sobriedade cromática sugerem a influência direta do círculo de Aleijadinho, especialmente nas fases de transição entre o Barroco e o Rococó. O conjunto técnico e estético corrobora a autenticidade e o valor histórico da peça como parte da tradição escultórica mineira do século XVIII.Importância histórica e culturalEsta imagem constitui um dos raros exemplares conhecidos da iconografia de São Domingos no contexto mineiro, vinculando-se à difusão da devoção dominicana e à prática missionária no período colonial. A reintegração da peça ao acervo do Museu Boulieu amplia o repertório documental da escultura devocional de Minas Gerais e reforça o papel da instituição como guardiã da arte sacra e do patrimônio religioso do Brasil.2. Santa Teresa de ÁvilaTítulo: Santa Teresa de Ávila Atribuição: Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho (atribuída) Datação: Século XVIII (c. 1780–1790) Técnica e material: Madeira entalhada e policromada com douramento parcial. Dimensões: Altura 70 cm | Largura 30 cm | Profundidade 22 cm Procedência: Coleção particular – Minas Gerais Estado de conservação: Muito bom, com estabilidade estrutural e policromia original preservada; pequenas perdas pontuais no dorso e base.Descrição e características formaisA escultura apresenta Santa Teresa de Ávila, doutora da Igreja e reformadora do Carmelo, em momento de inspiração divina. A santa está retratada com o livro e a pena — símbolos de sua obra literária e teológica —, com o rosto levemente inclinado e expressão de êxtase espiritual. O panejamento das vestes em movimento ascendente reforça a ideia de transcendência, e o uso do dourado nos detalhes da túnica e no escapulário cria uma atmosfera luminosa e sacra. O entalhe profundo, o equilíbrio das proporções e a modelagem expressiva do rosto revelam o virtuosismo técnico e espiritual característico da escultura de Aleijadinho.Análise estilística e atribuiçãoA peça guarda notável semelhança formal e técnica com outras esculturas documentadas do mestre, como São Francisco de Assis em Êxtase (Museu da Inconfidência) e Santa Ana Mestra (Museu da Arquidiocese de Mariana). O tratamento do olhar elevado e o movimento interno da figura — mais sugerido do que imposto — confirmam a assinatura espiritual e plástica de Aleijadinho, centrada na fusão entre emoção e contenção. A presença dessa escultura no acervo do Museu Boulieu reforça a representatividade do acervo em relação à produção escultórica mineira setecentista, com ênfase nas expressões femininas da mística barroca.Importância histórica e culturalA figura de Santa Teresa de Ávila simboliza a união entre fé e razão, sendo uma das mais influentes teólogas do catolicismo moderno. A escultura, além de documento artístico, é uma ferramenta pedagógica e espiritual, revelando ao público o papel das mulheres na história da Igreja e da arte colonial. Sua reintegração ao museu devolve ao território de Minas um exemplar raro da espiritualidade barroca feminina, abrindo novas possibilidades de leitura estética e histórica sobre a fé como linguagem artística. 3. Nossa Senhora do RosárioTítulo: Nossa Senhora do Rosário Atribuição: Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho (atribuída) Datação: Século XVIII (c. 1780–1790) Técnica e material: Madeira entalhada e policromada, com detalhes dourados e base entalhada em volutas. Dimensões: Altura 75 cm | Largura 32 cm | Profundidade 25 cm Procedência: Coleção particular – Minas Gerais Estado de conservação: Bom estado estrutural; vestígios de repintura antiga e discretas lacunas na camada pictórica.Descrição e características formaisA escultura representa Nossa Senhora do Rosário em atitude serena, sustentando o Menino Jesus e o rosário — símbolos de oração, união e libertação espiritual. A imagem exibe traços maternais acentuados e expressão suave, com olhos semicerrados e sorriso contido, em diálogo direto com a estética terna e compassiva típica do Rococó. O Menino segura o rosário e abençoa o fiel, compondo um gesto de reciprocidade entre divino e humano. O panejamento fluido, o equilíbrio das proporções e o tratamento realista das mãos e do rosto indicam refinamento técnico e profunda sensibilidade religiosa.Análise estilística e atribuiçãoA obra apresenta características compatíveis com o estilo de Aleijadinho, especialmente no tratamento anatômico do rosto e nas linhas suaves das vestes. O sorriso contido e o olhar rebaixado remetem às suas representações femininas de Nossa Senhora das Dores e Nossa Senhora da Conceição. A iconografia remete às Irmandades do Rosário, confrarias ligadas às comunidades afrodescendentes, que viam na Virgem uma protetora e símbolo de resistência espiritual.Importância histórica e culturalMais do que um ícone religioso, esta escultura é um símbolo de identidade, devoção e inclusão social. Durante o período colonial, as Irmandades do Rosário foram fundamentais para a formação cultural das populações negras e mestiças em Minas Gerais, funcionando como espaços de autonomia espiritual e expressão coletiva. A presença desta imagem no acervo do Museu Boulieu restabelece o elo entre arte e memória afro-brasileira, resgatando um patrimônio simbólico que transcende o campo estético e se inscreve no campo da justiça cultural e da reparação histórica.
O compromisso do Museu Boulieu com a acessibilidade visa criar um ambiente cultural inclusivo, onde todas as pessoas, independentemente de suas habilidades, possam desfrutar plenamente das experiências oferecidas. Estamos em constante aprimoramento dessas práticas para garantir um ambiente cada vez mais acessível e enriquecedor. Acessibilidade no Museu Boulieu - Medidas Detalhadas 1. Deficiência Física: - Ramps de Acesso: Todas as áreas da exposição contam com rampas e elevadores adequados para garantir a acessibilidade de cadeiras de rodas. - Estacionamento Acessível: Um estacionamento próximo ao local da exposição é reservado e adaptado para atender às necessidades de visitantes com deficiência física. - Corrimãos: Corrimãos são instalados em áreas de acesso e escadas para proporcionar suporte e segurança. 2. Deficiência Visual: - Informações Acessíveis: Toda a informação é disponibilizada em formatos acessíveis, como Braille, letras ampliadas e audiodescrição para atender às necessidades de visitantes com deficiência visual. - Roteiros Táteis: Roteiros táteis são oferecidos, permitindo que visitantes explorem objetos ou exposições de forma tátil e enriquecedora. - Sinalização Clara: A sinalização é clara, de alto contraste, facilitando a orientação de visitantes com deficiência visual. - Áudio Descrição: Exposições interativas ou vídeos contam com áudio descrição para tornar o conteúdo acessível para pessoas com deficiência visual. 3. Deficiência Auditiva: - Legendas: Vídeos e materiais audiovisuais são legendados, atendendo às necessidades de pessoas surdas ou com deficiência auditiva. - Intérpretes de Libras: Intérpretes de Libras estão disponíveis para auxiliar visitantes surdos na comunicação. 4. Acessibilidade para Deficientes Intelectuais: - Linguagem Clara: Materiais escritos e placas utilizam linguagem clara e simples para facilitar a compreensão por parte de visitantes com dificuldades de leitura ou cognição. - Tecnologias Assistivas: Tecnologias assistivas, como dispositivos de amplificação sonora, estão integradas para melhorar a experiência de visitantes com necessidades especiais. - Experiência Tátil: Visitantes podem tocar e interagir com objetos ou materiais seguros, proporcionando uma experiência tátil enriquecedora. - Treinamento da Equipe: A equipe é treinada para atender e auxiliar visitantes com necessidades especiais, promovendo uma abordagem inclusiva e acolhedora. 5. Áreas de Descanso e Serviços Sanitários Acessíveis: - Áreas de Descanso: Áreas de descanso acessíveis, equipadas com assentos confortáveis, são disponibilizadas para atender às necessidades de todos os visitantes. - Banheiros Acessíveis: Banheiros acessíveis são fornecidos para pessoas com mobilidade reduzida. 6. Treinamento da Equipe: - Capacitação: A equipe da exposição recebe treinamento regular sobre como lidar com visitantes com necessidades especiais, promovendo a empatia, a comunicação eficaz e uma experiência positiva para todos. No Museu Boulieu, a acessibilidade é uma prioridade, e estas medidas visam garantir que todos os visitantes desfrutem plenamente das exposições e atividades oferecidas.
Democratização de Acesso - Distribuição e Comercialização dos Produtos: 1. Ingressos Acessíveis: - Variedade de Opções: Iingressos gratuítos, garantindo que a exposição seja acessível a pessoas de diferentes faixas de renda. 2. Visitas para Grupos Vulneráveis: - Visitas Especiais: Implementação de visitas especiais para grupos vulneráveis, como estudantes, idosos e pessoas com deficiência, promovendo a inclusão e tornando a exposição mais acessível. 3. Ingressos Online: - Acesso Conveniente: Disponibilização de ingressos online para facilitar o acesso, proporcionando conveniência aos visitantes e evitando filas. 4. Parcerias com Escolas e Instituições Culturais: - Visitas Educacionais: Estabelecimento de parcerias com escolas, universidades e instituições culturais para oferecer visitas educacionais, incentivando a participação de estudantes e promovendo a educação cultural. Ampliação de Acesso: 5. Ensaio Aberto: - Acesso Gratuito ou Reduzido: Realização de ensaios abertos ao público antes da abertura oficial da exposição, permitindo que as pessoas experimentem a exposição gratuitamente ou a um custo reduzido. 6. Oficinas Paralelas: - Experiência Prática e Educativa: Organização de oficinas culturais paralelas relacionadas à temática da exposição, como oficinas de percussão, dança ou arte, proporcionando uma experiência prática e educativa para o público. 7. Transmissão pela Internet: - Acesso Virtual: Oferta da transmissão ao vivo ou sob demanda da exposição e de eventos relacionados pela internet, permitindo que pessoas de todo o mundo tenham acesso virtual à exposição, mesmo que não possam estar presentes fisicamente. 8. Inclusão Digital: - Recursos Online: Promoção da inclusão digital, fornecendo recursos online, como vídeos, guias virtuais e materiais educativos, para que as pessoas possam explorar o conteúdo da exposição mesmo que não possam visitá-la pessoalmente. 9. Iniciativas de Responsabilidade Social: - Parcerias com Organizações: Estabelecimento de parcerias com organizações sem fins lucrativos e comunidades locais para oferecer ingressos gratuitos ou com desconto a indivíduos em situação de vulnerabilidade social, promovendo iniciativas de responsabilidade social. A proposta visa não apenas tornar a exposição acessível financeiramente, mas também ampliar o acesso através de iniciativas que abrangem diferentes públicos, garantindo uma experiência cultural inclusiva e enriquecedora.Além disso, o projeto “Patrimônio Reencontrado – Reintegração de Obras Sacras ao Acervo do Museu Boulieu” tem como princípio norteador a democratização plena do acesso à arte e à memória coletiva, garantindo que três obras de relevância histórica, espiritual e estética — São Domingos, Santa Teresa de Ávila e Nossa Senhora do Rosário — deixem de pertencer ao domínio privado e passem a integrar o patrimônio público, sob guarda e gestão museológica, acessíveis a todos os cidadãos.A reintegração dessas esculturas ao Museu Boulieu, instituição pública de visitação gratuita, assegura que o acervo não seja privilégio de colecionadores ou pesquisadores especializados, mas um bem comum, disponível para a fruição estética, o aprendizado histórico e o fortalecimento da identidade cultural da população brasileira.A democratização do acesso ocorre de forma múltipla:Acesso físico e territorial – As obras serão exibidas em espaço museológico permanente, aberto ao público, localizado no centro histórico de Ouro Preto — patrimônio mundial reconhecido pela UNESCO. O museu garante visitação contínua e gratuita, incluindo ações de transporte educativo e parcerias com escolas públicas municipais e estaduais.Acessibilidade universal – Serão implementados recursos de acessibilidade física e de conteúdo, como rampas de acesso, textos em braile, audioguias, vídeos em Libras e visitas sensoriais para pessoas com deficiência visual. Dessa forma, o contato com as obras ultrapassa barreiras físicas, auditivas e cognitivas.Acesso intelectual e educativo – O projeto prevê ações de mediação cultural, oficinas de educação patrimonial e programas formativos voltados a professores, estudantes e visitantes, aproximando o público dos processos de criação, iconografia e simbolismo das obras barrocas. Essas atividades promovem o desenvolvimento do pensamento crítico e o reconhecimento da arte como ferramenta de formação cidadã.Acesso digital – Será produzido um catálogo online interativo, com fotografias em alta resolução, textos curatoriais, vídeos explicativos e material educativo, permitindo que pessoas de diferentes regiões do Brasil e do mundo possam conhecer o acervo de forma remota.Acesso social e comunitário – O projeto fortalecerá vínculos com comunidades locais e irmandades religiosas, promovendo um reencontro simbólico entre as obras e seus contextos de origem, especialmente no caso de Nossa Senhora do Rosário, cuja devoção está intimamente associada às Irmandades Negras de Minas Gerais.Ao tornar essas obras acessíveis, pesquisáveis e compartilháveis, o projeto cumpre integralmente a função social da Lei Rouanet: transformar patrimônio em experiência pública, arte em direito de todos e memória em bem coletivo.O “Patrimônio Reencontrado” não apenas resgata bens artísticos de valor inestimável, mas também restitui ao povo brasileiro o direito de ver, interpretar e sentir sua própria história — um gesto de reparação cultural e de ampliação efetiva do acesso à arte, à educação e à cidadania.
Proponente | Coordenador Geral | Tomador e responsável pelas disições gerais e financeiras | Zaqueu Astoni Moreira, advogado militante e Pós-Graduado em Gestão Pública pela Universidade Federal de Ouro Preto, destaca-se como profissional multifacetado e comprometido com o desenvolvimento cultural e patrimonial da região. Além de sua sólida formação jurídica, ele possui uma vasta experiência em cargos de relevância no âmbito público, consolidando sua trajetória como gestor cultural. Com uma carreira pautada pela excelência e dedicação, Zaqueu atuou como Diretor da Assistência Judiciária do Município de Ouro Preto, onde desempenhou um papel fundamental na promoção da justiça e acessibilidade à população. Sua habilidade de liderança e visão estratégica foram evidenciadas durante sua gestão como Chefe de Gabinete da Prefeitura de Ouro Preto, contribuindo para o eficiente funcionamento das atividades administrativas.Atualmente, ocupa a posição de Secretário de Cultura e Patrimônio de Ouro Preto, sendo responsável por conduzir políticas públicas que valorizam e preservam a rica herança cultural da cidade. Sua atuação vai além das responsabilidades formais, demonstrando um comprometimento apaixonado com a promoção e difusão da cultura local. Não obstante, Zaqueu Astoni Moreira assumiu a posição de Diretor do Museu Boulieu, um importante espaço cultural em Ouro Preto. Nessa função, ele tem liderado iniciativas inovadoras e programas educacionais, consolidando o museu como um polo de referência na preservação e disseminação da história local. Sua presença no Conselho de Ética da Seção OAB Ouro Preto atesta não apenas sua competência profissional, mas também seu comprometimento com altos padrões éticos. Ao longo de sua carreira, Zaqueu tem demonstrado uma capacidade única de unir a expertise jurídica à sensibilidade cultural, evidenciando-se como um gestor cultural exemplar. Zaqueu Astoni Moreira como Diretor do Museu Boulieu e seu papel vital como Secretário de Cultura e Patrimônio de Ouro Preto, contribui de maneira inestimável para o enriquecimento do patrimônio histórico e cultural da região. Sua atuação ressoa como um testemunho do poder transformador da cultura quando guiada por líderes dedicados e visionários. Diretora Executiva | Pesquisadora | Patrícia Engel Secco destaca-se como uma administradora, educadora e curadora brasileira cuja carreira é marcada por contribuições extraordinárias nas áreas de literatura infantojuvenil, cultura, educação e artes visuais. Graduada em Administração de Empresas pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e com pós-graduação em Educação pela PUC-RS, Patrícia inicialmente se destacou no setor financeiro, acumulando experiência notável no Citibank e no Banco Interatlântico, antes de redirecionar sua trajetória para a literatura, educação e cultura, áreas que se tornariam paixões intrínsecas. Com uma prodigiosa produção literária que ultrapassa 200 obras voltadas para o público infantojuvenil, Patrícia aborda temas fundamentais como cidadania e sustentabilidade. Sua influência transcende fronteiras, sendo internacionalmente reconhecida e laureada com prêmios significativos, como os concedidos pelo IBBY e pela Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República. Na esfera da curadoria, Patrícia se destaca por conceber e coordenar exposições interativas de renome, tais como "Tarsila para Crianças", realizada no Farol Santander São Paulo e Porto Alegre. Além disso, seu trabalho incluiu a notável exposição "O Mundo dos Hinos" na Praça das Artes, "O Ser Humano e a Água" na Unibes, e as memoráveis "Paisagens de Van Gogh" e "Paisagens Impressionistas de Monet" em diversas localidades. No âmbito de projetos futuros, Patrícia está profundamente envolvida no desenvolvimento da aguardada exposição "Tarsila, Tudo é Sonho" no MIS X São Paulo, agendada para 2024. Seu compromisso com a disseminação da cultura e das artes se manifesta também no atual projeto inovador "Três Franciscos, Mestres do Barroco no Brasil", em parceria com o Museu de Arte Sacra de São Paulo. As múltiplas atividades e áreas de atuação de Patrícia Engel Secco como gestora cultural, curadora e pesquisadora nas artes e literatura resplandece em sua capacidade de unir a sensibilidade artística à expertise em gestão e educação, promovendo assim um impacto duradouro no cenário cultural brasileiro. Sua dedicação incansável e visão inovadora a consolidam como uma figura inspiradora e influente no universo cultural do país. Historiador e Historiador da Arte | Lucas Olles, formado em História pela PUC-SP, Mestre em História da Arte pela Universidade Federal de São Paulo e Técnico em Museologia pela ETEC, MBA em Gestão de Economia Criativa pela Universidade Belas Arte, profissional com ampla experiência em múltiplas áreas (corporativa, museológica, cultural, teatral e acadêmica); extenso histórico e experiência nas áreas de pesquisa histórica e museológica; captação de recursos e leis de incentivo; gestão e produção cultural e teatral; roteiros e atividades pedagógicas; experiência em coordenação de equipes em simultâneos projetos com prazos e orçamentos variados; consultoria de implantação e gestão museológica e cultural; gestão de políticas públicas culturais. Há mais de 10 anos atua na área de gestão cultural de forma ampla e em múltiplos segmentos como: teatro, exposições, publicações, circo, cinema, shows, mídias e projetos sociais e esportivos. Realiza projetos em conjunto com órgãos públicos e privados de diversos portes. Também tem histórico de atuação em instituições museológicas e de salvaguarda de patrimônio como: Museu de Arte de São Paulo, Museu de Arte Sacra de São Paulo, Pinacoteca de São Paulo, Museu Antropológico do Vale do Paraíba e outros; além de exposições temáticas de grande porte como “Roberto Carlos: 50 anos de Carreira”, “Água”, “Roma” e outras; e centros culturais como Itaú Cultural, Caixa Cultural, CCBB, Farol Santander, SESC e FIESP. Tem em seu currículo acadêmico mais de 50 visitas técnicas em museus na América Latina, EUA e Europa. Museóloga | Nathalia Gianini Reys | Possui graduação em Bacharelado em Museologia pela Universidade de Brasília. Obteve um título de Pós-graduação em Conservação e Restauração de Bens Culturais Bidimensionais pela Universidade de Caxias do Sul (2022). Foi Assistente de Conservação e Restauro no Centro Cultural TCU entre os anos de 2018 a 2022, sendo responsável pela implementação de Laboratório de Conservação e Restauro, prestou auxílio à pesquisa, curadoria, produção e montagem da exposição de longa duração: "Percursos da Saúde no Brasil - A contribuição do TCU"; participou no acompanhamento do empréstimo de obras e Laudo Técnicos para exposições de Arte Contemporânea da Galeria Marcantonio Vilaça. Participou da execução de Laudos Técnicos e acompanhamento do Estado de Conservação de obras de Artes emprestadas para as exposições de Arte Contemporânea da Galeria Marcantonio Vilaça, a saber: Iberê Camargo: No Drama (2018); Diego e Frida Um sorriso no meio do caminho (2019); Instante: as cores gravadas de Tomie Ohtake (2019); Tudo que É Sólido Desmancha no Ar (2019); Entreligar-se (2020); Oculpa (2021) e Trilogia Limítrofe (2022). Como Museóloga autônoma também realizou os laudos técnicos das exposições Vaivém (CCBB -2020); Projeto Frestas (2021) e Ilê Funfun: Uma homenagem ao centenário de Rubem Valentim (2022). Foi pesquisadora pelo CNPq pelo Agentes e Agências do Patrimônio Cultural no Brasil (2021).Foi Museóloga voluntária no Museu de Arte de Brasília - MAB em 2021 e pesquisadora do CNPq pelo projeto Centro de Memória do Curso de Enfermagem da UnB (2019- 2021) e Assistente de Produção do festival global com apoio da Unesco, MuseumWeek entre os anos de 2020 e 2021. Estagiou de forma voluntária no Laboratório de Conservação de Obras Raras da Biblioteca Central da Universidade de Brasília/UnB em 2018. Nathalia possui experiência profissional em gestão e preservação de acervos museológicos, pesquisa museológica e documental. Está focada no estudo de análises não invasivas para o tratamento de acervos, bem como em pesquisas sobre museus brasileiros e suas trajetórias. Atualmente, reside em São Paulo e trabalha com arquivos documentais de arquitetura de natureza privada. Ela tem experiência na área de Museologia, com ênfase em Gestão de Coleções, e vem desenvolvendo pesquisas principalmente nas áreas de Análise física para Conservação do Patrimônio Cultural e História da Museologia.Atualmente trabalha na catalogação e preservação do acervo arquitetônico do arquiteto Arthur Casas e, paralelamente, presta consultorias referentes à conservação de acervos, desenvolvimento de projetos para espaços técnicos para guarda de acervos, bem como na elaboração e realização de laudos técnicos para exposições. Perito Técnico | Rafael Schunk, Ph.D. em Artes Visuais pela renomada Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho - UNESP, o Dr. Rafael Schunk é um especialista altamente qualificado e dedicado, com uma vasta experiência e profundo conhecimento nas nuances do barroco brasileiro e da cultura colonial. Especialização avançada no estudo do barroco brasileiro, explorando suas diversas manifestações artísticas e suas interconexões com a cultura colonial. A pesquisa culminou em uma tese inovadora que contribuiu significativamente para a compreensão acadêmica desse período crucial na história da arte brasileira. Graduação em Arquitetura e Urbanismo (Faculdades Metropolitanas Unidas, 2003) - Fundamentação sólida em arquitetura, proporcionando uma abordagem multidisciplinar que enriquece a compreensão das relações entre espaço, forma e expressão artística. Pesquisador e Especialista em Barroco Brasileiro. Reconhecido internacionalmente por sua pesquisa aprofundada, o Dr. Schunk tem contribuído para a academia com insights inovadores sobre o barroco brasileiro e suas implicações culturais. Suas publicações e palestras destacam-se pela originalidade e rigor científico. Artista Plástico e Curador Atuante na Região Metropolitana de São Paulo, como artista plástico, o Dr. Schunk tem uma presença ativa na cena artística da região metropolitana de São Paulo, com exposições individuais e coletivas que demonstram sua habilidade técnica refinada e sua visão única. Além disso, atua como curador e organizador de exposições, promovendo o diálogo entre diversas expressões artísticas. Técnico em Seguros de Obras de Arte, Vida e Ramos Elementares, detentor de conhecimento especializado em seguros, o Dr. Schunk desempenha um papel crucial na avaliação, proteção e preservação do patrimônio artístico. Sua expertise abrange não apenas obras de arte, mas também seguros de vida e ramos elementares, consolidando sua abordagem holística e abrangente no campo. Inovação em Conservação e Restauração, desenvolvimento de práticas inovadoras na conservação e restauração de obras de arte, assegurando a preservação a longo prazo do patrimônio artístico. Participação em Projetos Culturais e Educacionais, colaboração ativa em projetos que promovem a educação artística, a sensibilização cultural e o acesso democrático à arte. Perito Técnico | Ailton Batista da Silva é um renomado perito e cientista pericial com uma trajetória sólida e dedicada no campo das ciências humanas. Sua formação pela Universidade Federal de Minas Gerais, concluída em 1973, o posiciona como um profissional com amplo embasamento acadêmico e expertise em áreas cruciais para a preservação do patrimônio cultural. Especializado em restauração e conservação, Ailton Batista da Silva destaca-se por seu comprometimento com a autenticidade e integridade das obras de arte. Seu foco em pesquisas de iconografia, artes sacras, estandartes e bandeiras demonstra uma abordagem abrangente e multidisciplinar, essencial para a compreensão e preservação do contexto histórico e cultural das peças. No contexto do projeto em questão, Ailton Batista da Silva desempenhou um papel fundamental ao laudar e autenticar a atribuição da autoria da obra "Centurião Romano" a Aleijadinho. Seu olhar perspicaz e conhecimento aprofundado em restauração e conservação contribuíram para validar não apenas a autenticidade da escultura, mas também para enriquecer a compreensão do contexto em que ela se insere. Sua experiência em pesquisas de iconografia revela um compromisso com a compreensão das representações simbólicas presentes na obra de Aleijadinho, agregando um valor significativo ao processo de avaliação e preservação. A atuação de Ailton Batista da Silva transcende a mera análise técnica, refletindo um comprometimento com a salvaguarda do patrimônio cultural e a promoção do conhecimento histórico por meio da arte. Assim, sua presença como perito neste projeto não apenas valida a autenticidade da obra, mas também ressalta a importância de profissionais dedicados e qualificados na preservação do legado artístico e cultural, alinhando-se perfeitamente com os objetivos do projeto e da instituição responsável pela aquisição da escultura.
PRORROGAÇÃO APROVADA E PUBLICADA NO DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO.