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O objeto se caracteriza pela iniciativa de resgate a cultura popular nordestina, por meio de oficinas de literatura de cordel, feira literária e produção de um e-book ,visando a promoção do desenvolvimento social e cultural de crianças e adolescentes em territórios de vulnerabilidade social, garantindo a oferta de atividades que resgatem a literatura popular e o senso de pertencimento regional.
Oficinas de Cordel: Visa ofertar aulas de literatura de cordel, atendendo 30 crianças e adolescentes, com idades entre 7 e 15 anos, divididos em 2 grupos de 15 participantes cada, de ambos os sexos. Além das oficinas, serão contempladas atividades socioeducativas, de interação social e de lazer, garantindo o fortalecimento dos vínculos comunitários e a promoção da identidade cultural. Feira Literária de Cordel: Será o evento de culminância do projeto, constituindo-se como um espaço de celebração, troca de saberes e valorização da cultura popular nordestina. O evento terá duração de um dia inteiro no período da tarde e início da noite e será realizado em espaço comunitário ou equipamento cultural acessível à população local. O objetivo do evento é proporcionar às crianças, adolescentes, famílias e comunidade a oportunidade de vivenciar, conhecer e valorizar a literatura de cordel e fortalecer a identidade cultural, consolidando a literatura de cordel como um instrumento de educação, cultura e transformação social.E-Book: Intitulado como ´´Antologia Comunitária de Cordéis´´, reunirá as produções dos participantes em versão digital. Essa etapa, garantirá a perpetuação do trabalho realizado e ampliará o acesso da comunidade às criações autorais das crianças e adolescentes. Além da publicação, serão disponibilizados materiais digitais em plataformas abertas, reforçando a visibilidade do cordel e permitindo que outras comunidades conheçam os resultados do projeto.
Objetivo GeralPromover o resgate, a valorização e a difusão da literatura de cordel como expressão cultural popular do Nordeste, por meio de oficinas literárias e ações socioeducativas voltadas a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social.Objetivo específico1. Desenvolver habilidades de leitura, escrita e expressão artística, estimulando a criatividade e o protagonismo infantojuvenil por meio da produção de cordéis, envolvendo pelo menos 30 crianças e adolescentes em oficinas semanais e garantindo que 80% deles produzam ao menos um cordel autoral durante o projeto, oferecendo oficinas de literatura de cordel com dois encontros semanais de 1h cada, totalizando 48h de oficina por turma.2. Ampliar a visibilidade da cultura popular e da produção comunitária por meio da realização de 1 feira literária.3. Criar uma edição digital de uma coletânea dos 5 melhores cordeis produzidos pelos participantes do projeto, com livre acesso online (e-book).
Fortaleza, assim como outras grandes capitais brasileiras, apresenta profundas desigualdades sociais e territoriais, especialmente nas áreas periféricas, onde a escassez de equipamentos públicos, de acesso à cultura, ao lazer e à educação de qualidade compromete diretamente o modo de vida de crianças, adolescentes, jovens e suas famílias. A fragilidade de ações e serviços públicos mais efetivos nesses territórios de vulnerabilidade social contribui para o ciclo da exclusão, da violência e da negação de direitos básicos.Assim é a área do Grande Bom Jardim, uma das maiores comunidades de Fortaleza. O bairro Bom Jardim, em Fortaleza, abriga inúmeras crianças de 0 a 14 anos, muitas delas em situação de extrema vulnerabilidade socioeconômica. Com um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de apenas 0,194, o bairro enfrenta graves problemas sociais, como altos índices de violência e criminalidade. A região é uma Zona Especial de Interesse Social (ZEIS), onde a falta de saneamento básico é evidente, com 42% dos domicílios ligados à rede geral de esgoto ou com fossa séptica, evidenciando as dificuldades enfrentadas pela comunidade. Essas condições colocam em risco o bem-estar e o desenvolvimento saudável das crianças, destacando a urgência de intervenções que promovam a inclusão social e a melhoria da qualidade de vida para essa parcela da população. A situação de vulnerabilidade das crianças do Bom Jardim requer atenção e ação por parte das autoridades e da sociedade em geral, visando garantir seus direitos fundamentais e proporcionar oportunidades para um futuro mais digno e promissor. Essas questões são vislumbradas de forma nítida no campo nacional e é um desafio a se enfrentar de forma árdua e contínua.Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), realizada pelo IBGE e divulgada em 2023, 48,7% da população do Ceará vive abaixo da linha da pobreza, sendo a capital parte central dessa realidade. Dentro da Região Metropolitana de Fortaleza, cerca de 1,5 milhão de pessoas sobrevivem com até R$ 465 por mês, o que representa o pior cenário de pobreza da última década na região, de acordo com levantamento publicado pelo Diário do Nordeste em 2023.No campo da juventude, mesmo com alguns avanços nos últimos anos, os desafios ainda são expressivos. O estudo do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (IPECE), publicado em janeiro de 2025, aponta que, apesar da melhora no Índice de Vulnerabilidade Social da Juventude (IVSJ) no estado, Fortaleza ainda concentra jovens em contextos de fragilidade em relação à educação, trabalho, saúde e violência, principalmente nas áreas periféricas. A exclusão digital, por exemplo, é uma realidade concreta: pesquisa recente publicada no arXiv.org em 2024 identificou que aproximadamente 13% das áreas escolares da cidade não possuem infraestrutura de internet adequada para atividades de ensino remoto, evidenciando a desigualdade de acesso à tecnologia nos territórios de maior vulnerabilidade.Realidades como essas descritas comprometem o acesso a cultura e arte de forma significativa e impactante, o que gera grandes consequências no que diz respeito às tradições regionais, que precisam ser praticadas, a fim de não serem esquecidas e consequentemente extintas. Esse desafio tem sido enfrentado por um rico e importante ramo cultural: a literatura de cordel, expressão artística enraizada na tradição popular brasileira, especialmente nordestina, vive um preocupante processo de desvalorização e apagamento. Apesar de seu reconhecimento como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro pelo IPHAN em 2018, o cordel ainda luta por espaço diante das novas formas de consumo cultural e da crescente marginalização da cultura popular.Segundo o poeta e cordelista cearense Klévisson Viana, em entrevista à Rede Continente "a literatura de cordel vive um momento delicado, ameaçada pela falta de políticas públicas que incentivem sua produção, divulgação e ensino nas escolas" (VIANA, 2015). Essa ausência de apoio institucional compromete a sobrevivência dessa arte, que tradicionalmente se apoia na oralidade, na impressão artesanal e na circulação em feiras e praças populares.O professor e pesquisador Antônio Miranda, estudioso da cultura popular, afirma que "há um empobrecimento cultural quando manifestações como o cordel são relegadas ao esquecimento, pois elas traduzem a alma de um povo e a sua forma de ver o mundo" (MIRANDA, 2013). A extinção da literatura de cordel significaria não apenas a perda de uma forma literária, mas de toda uma memória coletiva.Além disso, a globalização e o avanço das tecnologias digitais, embora tragam novas possibilidades, também impõem desafios à preservação das tradições. Como destaca o cordelista Gonçalo Ferreira da Silva, "os jovens estão cada vez mais afastados do cordel, que é visto como coisa do passado. Se não houver um esforço sério de valorização, ele corre o risco de desaparecer" (SILVA, 2014).Esse risco se torna ainda mais evidente diante da falta de incentivo à leitura em ambientes escolares e comunitários. A literatura de cordel, com seu potencial educativo e crítico, poderia ser uma ferramenta de transformação social, mas continua sendo negligenciada pelas políticas educacionais. Para a pesquisadora Lúcia Leão, "o cordel precisa sair da invisibilidade cultural a que foi historicamente submetido". Caso contrário, tornará-se apenas objeto de museu, e não uma arte viva" (LEÃO, 2012).Dessa forma, a literatura de cordel encontra-se em uma momento decisivo, ou é revitalizada por meio de ações concretas de valorização cultural, ou continuará sendo silenciada pelas dinâmicas excludentes do mercado cultural e da sociedade de consumo. É preciso agir com urgência para garantir que essa rica manifestação popular continue sendo instrumento de identidade, resistência e criação coletiva.A proposta do Instituto Confia Brasil parte da premissa de que a qualidade de vida não se resume apenas à melhoria de indicadores econômicos, mas envolve a garantia de acesso a direitos fundamentais como a educação, a cultura e a arte e a convivência comunitária.Além disso, o projeto se configura como uma resposta concreta às desigualdades socioeconômicas, contribuindo para a redução da exclusão social e a defesa do patrimônio cultural legítimo e popular, conforme o Art. 1º da Lei nº 8.313/91 (Lei Rouanet), que institui o Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac), que visa canalizar recursos para a cultura a fim de facilitar o acesso a ela, promover e estimular a produção e a difusão cultural, valorizar a produção regional e proteger as manifestações culturais de grupos formadores da sociedade.. Assim, a implementação deste projeto se representa não apenas como um investimento social, mas também uma estratégia eficaz de promoção de direitos, desenvolvimento humano e transformação social e defesa da cultura tradicional nordestina.
Plano Pedagógico – Oficinas de Literatura de CordelFundamentação PedagógicaO projeto pedagógico está fundamentado na educação popular freiriana, que reconhece o saber comunitário e valoriza a cultura local como instrumentos de emancipação social. A literatura de cordel será utilizada como recurso didático-cultural, estimulando a leitura, a escrita, a oralidade e a consciência crítica.A metodologia se baseia em:Protagonismo juvenil – crianças e adolescentes criam, produzem e apresentam seus próprios cordéis.Aprendizagem coletiva – oficinas participativas, rodas de leitura e práticas colaborativas.Identidade cultural – valorização da tradição nordestina, fortalecendo vínculos comunitários e o sentimento de pertencimento.Inclusão social – respeito às diversidades (étnicas, sociais, pessoas com deficiência, povos periféricos).Objetivos PedagógicosResgatar e valorizar a literatura de cordel como expressão cultural nordestina.Desenvolver habilidades de leitura, escrita e expressão oral em crianças e adolescentes.Incentivar a reflexão crítica sobre temas sociais, fortalecendo a cidadania.Estimular a criatividade e a produção cultural comunitária.
O projeto "Versos que Transformam" considerando as diferentes dimensões da inclusão, implementará algumas estratégias e medidas para garantia de acessibilidade, quais sejam: disponibilização de 10% das vagas destinadas exclusivamente para pessoas com deficiência, garantindo que este público possa participar plenamente das atividades. Profissionais capacitados com a realização de 1 curso de capacitação profissional de atendimento especializado a pessoas com deficiência. Ajustes nas atividades adaptando as rotinas pedagógicas para incluir participantes com limitações, sejam motoras ou intelectuais, buscando sempre a valorização da expressão individual através de linguagem simples e clara com uso de termos e palavras acessíveis nos materiais a serem trabalhados, nas aulas e nas orientações. Ritmo de aula personalizado, respeitando o tempo de aprendizado de cada participante, oferecendo repetições e suporte individual quando necessário por meio dos ministradores do projeto. Como forma de contribuir no acesso às iniciativas do projeto de forma física, a sede do ICB conta com barras, rampas e salas térreas.O e-book contará com sua versão escrita, formato Daiyse (para pessoas cegas) e em libras (para pessoas mudas).Essas ações visam promover a inclusão social e garantir que todos os participantes, independentemente de sua condição, possam exercer suas liberdades fundamentais e usufruir das oportunidades oferecidas pelo projeto em condições de igualdade.
I- Gratuidade de todas as atividades ofertadas pelo projeto; II- Disponibilizar a sala de informática do Instituto Confia Brasil, juntamente com seus computadores e internet para os interessados em acessar o e-book com a coletânea de cordeis produzidos. III- Levar os cordelistas para apresentar algumas de suas obras no CRAS da comunidade. IV- Transmissão ao vivo das apresentações e oficinas pelas redes sociais ( Instagram), com acesso livre. V- Parceria com a imprensa comunitária para entrevistas com os cordelistas e cobertura no dia da exposição literária. VI - – Adaptação de parte do conteúdo para acessibilidade, como formato Daiyse (para pessoas cegas) e em libras (para pessoas surdas). VII - Realização de duas exposições com apresentações itinerantes em espaços públicos como praças, centros culturais, etc, visando ampliar o acesso e aproximar a comunidade da cultura de cordel.
Currículo da Responsável pela OficinaA responsável pela condução pedagógica do projeto será Anna Sarah Santos Gomes Lima, assistente social por formação, escritora de cordel e educadora social, cuja trajetória é marcada pelo compromisso com a justiça social, a valorização dos saberes populares e a utilização da cultura como instrumento de transformação. Bacharela em Serviço Social pela Universidade Paulista (UNIP), concluiu a graduação em 2024 e complementou sua formação com cursos de capacitação em Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos, Captação de Recursos e Gerenciamento de Projetos Sociais, Educação Inclusiva e Estatuto da Criança e do Adolescente, o que lhe confere sólida base para atuação em territórios de vulnerabilidade social.No campo profissional, desenvolveu experiências significativas em organizações do terceiro setor. Em 2024, atuou como educadora social no Instituto de Desenvolvimento Social e Cidadania (IDESc), conduzindo oficinas, rodas de conversa e ações de formação cidadã voltadas à juventude. No mesmo ano, assumiu a coordenação de projetos no Instituto Confia Brasil, onde foi responsável pela execução de iniciativas culturais voltadas a públicos vulnerabilizados. Em 2025, passou a integrar o quadro da mesma instituição como assistente social, promovendo a escuta ativa, o diálogo comunitário e a valorização das identidades locais, além de estimular a participação popular na construção coletiva do conhecimento.Sua atuação cultural é igualmente relevante. Como escritora de cordel, dedica-se à produção de poesias e folhetos que retratam as vivências, lutas e resistências dos povos periféricos. Participa de saraus, eventos culturais e formações voltadas à literatura popular, utilizando a linguagem poética como ferramenta de mobilização social e educativa. Essa combinação entre experiência acadêmica, prática profissional e engajamento cultural torna Anna Sarah Santos Gomes Lima uma facilitadora plenamente qualificada para a condução das oficinas de cordel previstas neste projeto, garantindo a integração entre arte, educação e transformação social.
PRORROGAÇÃO APROVADA E PUBLICADA NO DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO.