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Projeto artístico, de empreendedorismo cultural que visa o reaproveitamento e ressignificação dos resíduos de porcelana descartados pela indústria, através da Arte, questionando práticas de produção, consumo e a vida cotidiana e seus valores, respondendo criticamente o que é descarte. Discute questões como sustentabilidade, mercado, consumo e economia e, já no campo da Arte, em seu papel de olhar o mundo e as suas estranhezas, as implicações culturais, artísticas e sociais no contexto de desigualdade e inclusão frente ao desperdício dos elementos da natureza, do trabalho, dos recursos, do tempo. Serão oficinas realizadas com mulheres acima de 18 anos, sendo em sua maioria idosas, em situação de vulnerabilidade, também quase sempre "descartadas" da comunidade em que vivem. Além de promover espaço de acolhida e escuta, o projeto contribui com a transformação social, o acesso à cultura e geração de renda. Prevê ainda visitas à espaços culturais para ampliação de repertório e a realização de Mostra em seu encerramento
Como resultados do Projeto Oficina DESCARTES esperam-se: A formação será para 40 mulheres acima de 18 anos, porém será dado prioridade para as idosas, da comunidade local, através de 48 oficinas de arte para aprendizado e produção de peças: realizadas duas vezes por semana, ao longo de 6 meses. Cada oficina terá entre 2 e 3 horas. Cerca de 500 peças serão produzidas durante as oficinas, conforme a disponibilidade dos produtos descartados, doados pela Fábrica Teixeira (parceira do projeto ou de outros possíveis parceiros), podendo ser pires, pratos, xicaras, saleiros, bules etc. As peças usadas como matéria-prima também poderão ser obtidas através de doação das próprias participantes ou de campanhas com a sociedade, que serão estimulados a dar uma vida mais longa a objetos que essas pessoas não querem mais. Parte destas peças serão utilizadas para apresentar o projeto em eventos, com o intuito de divulgação. Cada peça leva a poética pessoal da participante em embalagem customizada, contendo também um folheto explicativo com fotos e um breve texto do projeto. Os demais produtos transformados serão comercializados para geração de renda das participantes ou ofertados para a comunidade local. Pelo menos 4 saídas com as participantes para experiências e vivências em exposições, centros de cultura e afins, para formação de repertório e democratização de acesso à espaços culturais. Ouras saídas podem ser articuladas com comunidades próximas para troca de experiências e replicação das oficinas. A realização de Mostra da Oficina aberta ao público sobre todo o processo e as produções, resultantes da ação artística. A Mostra deverá ser organizada junto aos participantes e em consonância com o Instituto Nova União da Arte. Ela deve ocorrer na sede do Instituto e poderá ser montada em outros espaços de interesse dos participantes do projeto. A Mostra será composta de fotografias, vídeos e textos descritivos sobre o processo, além de uma seleção de objetos artísticos, peças transmutadas durante a Oficina DESCARTES COLETIVO.O projeto todo terá a duração de 8 meses, conforme cronograma.
Objetivos gerais: 1. Proporcionar o acesso e a valorização da arte, do fazer manual e colaborativo entre participantes das oficinas, visitantes e consumidores, criando uma rede de interações baseadas na troca de experiências artísticas e sociais. 2. Promover o contato com a cultura e o protagonismo das participantes, oferecendo experiências artísticas mais amplas, por meio de visitas a espaços culturais, exposições, feiras e workshops. Incentivar que se apropriem desse processo criativo, tornando-se protagonistas na replicação das oficinas nos espaços em que estiverem expondo o trabalho, assumindo um papel ativo na disseminação do conhecimento e da prática artística. 3. Utilizar a arte para transformar peças de porcelana, cerâmica, vidro e outros materiais, considerados resíduo industrial, em novos produtos de valor artístico, cultural e econômico, promovendo a sustentabilidade e a reutilização criativa. O processo vai conduzir para uma maior compreensão das participantes dos elementos estéticos e de design, atingindo um padrão visual diferenciado. 4. Fomentar reflexões críticas sobre práticas de consumo, descarte e sustentabilidade por meio da arte, incentivando novas maneiras de perceber e ressignificar o valor dos objetos descartados para o público direto e indireto. Objetivos específicos: 1. Oferecer 48 oficinas artísticas de 2 horas de duração cada uma, orientadas pela artista plástica Natasha Barricelli e outras profissionais experientes convidadas, realizadas conjuntamente com as assistentes, propondo as seguintes temáticas: Avaliação dos materiais descartados pelas indústrias (prioritariamente porcelanas refugadas, podendo trabalhar com outros materiais também), mostrando as possibilidades de transformar o que é considerado lixo em mercadorias de valor, ensinando o uso de decalques próprios para esse trabalho, criando novas composições. O tema envolve também a ideia de ressignificar o papel das pessoas envolvidas, sejam elas participantes das oficinas, visitantes que acompanham o processo e veem os objetos transformados, ou consumidores das peças já renovadas. Combinação de cores e estampas, despertando a criatividade através da transformação das peças e das novas possibilidades de usos. Ensino do manejo do forno onde serão feitas as queimas das peças, para que possam ser utilizadas no dia a dia. Disposição das peças, temperatura, tipos de queima. Formação dos participantes para serem multiplicadores da técnica aprendida. As oficinas acabam também por promover espaço de acolhida e escuta ativa, proporcionando aos participantes oportunidades de fortalecimento do senso de pertencimento, dignidade e liderança. 2. Promover pelo menos 4 saídas com os participantes para experiências e vivências em exposições, centros de cultura e afins, para formação de repertório. Essas atividades, juntamente com a consolidação do fazer nas oficinas, proporcionam a apropriação e protagonismo das participantes ao apresentar seu trabalho e ao realizar a replicação das oficinas em outros espaços.3. Replicação das oficinas também em outros espaços comunitários da capital paulista, repassando conhecimento para outras comunidades e troca de saberes entre seus membros.4. Facilitar a comercialização dos produtos transformados, com a participação em feiras e/ou exposições, no próprio local das atividades ou fora dali, incentivando a formação de parcerias e o empreendedorismo cultural e econômico como meio de inclusão social. Esse processo culminará na realização de uma Mostra no final do projeto.
O projeto DESCARTES surge como uma resposta cultural a um problema ambiental e social urgente: o elevado índice de descarte de materiais pela indústria de porcelana, com cerca de 30% da produção destinada a aterros. A impossibilidade de reutilização energética e a reciclagem complexa desses materiais fazem com que sua eliminação seja considerada um "desperdício natural". No entanto, em um contexto onde a sustentabilidade e a economia circular ganham cada vez mais relevância, é imperativo propor alternativas que ressignifiquem o que é considerado lixo. E a arte assume papel fundamental ao refletir essas questões e apontar soluções criativas. Mais do que uma solução para o reaproveitamento de resíduos, o projeto DESCARTES busca, através da arte, fomentar uma discussão crítica sobre os valores de produção, consumo e desperdício, questionando as práticas econômicas e culturais que resultam na exclusão e na desigualdade. Ao oferecer oficinas para comunidades em situação de vulnerabilidade, o projeto também se apresenta como uma ferramenta de inclusão social, capacitando seus participantes para a criação de novas possibilidades de renda e para a construção de uma narrativa de transformação pessoal e coletiva. Mais do que isso, possibilita o acesso à essas pessoas, que antes não transitavam em espaços culturais, a conhecer e vivenciar equipamentos de cultura a que elas têm direito, mas que sozinhas muitas vezes não se sentem motivadas a frequentar. Além disso, o projeto visa sensibilizar o público para a importância de repensar o papel do lixo e, por extensão, o papel das pessoas que muitas vezes são marginalizadas no processo produtivo. O ato de transmutar o descartado em arte simboliza o potencial de renovação e revalorização, tanto dos materiais quanto das pessoas, reforçando a ideia de que o valor está além da função utilitária e que a arte pode servir como catalisadora de mudanças sociais. Durante as oficinas os participantes são estimulados a se apropriar de seu repertório visual, de sua vivência e de sua experiência sensível e emocional no processo de transmutação do descarte em objetos de valor. A possibilidade de receber convidados nas oficinas busca garantir o desenvolvimento estético, reforçado com a participação de outros artistas (arquitetos, designers) e profissionais de outros setores, que possam auxiliar na formação dos participantes e na valorização da história, da memória, das identidades e da cultura local. A proposta se enquadra no inciso I do Art. 1º da Lei 8313/91: contribuir para facilitar, a todos, os meios para o livre acesso às fontes da cultura e o pleno exercício dos direitos culturais. E se conecta ao inciso I - incentivo à formação artística e cultural- alínea c - instalação e manutenção de cursos de caráter cultural ou artístico, destinados a formação, especialização e aperfeiçoamento de pessoal da área da cultura, em estabelecimentos de ensino sem fins lucrativos.
Impacto ambiental Para minimizar o impacto ambiental, as oficinas e rodas de conversa sempre procurarão perguntar o que é o descarte para cada um, levando a aprofundar essa discussão. Não só as peças de porcelana, cerâmica ou vidro serão reutilizadas, como decalques e outros materiais, além de atentar sempre para uma produção que gere o mínimo de resíduos. A economia circular será sempre incentivada. Destinação da produção de peças As peças serão utilizadas para compor divulgação do trabalho e eventualmente poderão ser comercializadas em exposições, feiras ou bazares. Qualquer renda gerada por essa comercialização será dividida entre as participantes. Destinação do bem patrimonial adquirido, após o término do projeto Qualquer bem adquirido pelo projeto ficará para o grupo formado a partir das oficinas ou, na falta deste, para a organização proponente, que é um instituto que visa à implantação de projetos de cultura, arte e esportes na comunidade local.
Projeto Pedagógico A Oficina DESCARTES COLETIVO será realizada na sede do Instituto Nova União da Arte, em bairro do extremo leste da cidade de São Paulo, e o conteúdo programático foi desenvolvido considerando os aspectos socioeconômicos, histórico sociais, culturais, filosóficos, de identidade, a fim de executar um processo coletivo de construção que engloba tanto o trabalho quanto os afetos. A Oficina DESCARTES COLETIVO compreende o desenvolvimento da criatividade e as possibilidades de transformação por meio da Arte a partir da poética pessoal de cada participante, transformando os sujeitos, que transformam o mundo. Número de participantes: 2 turmas de até 20 pessoas cada; Periodicidade: 02 vezes por semana (uma de cada turma); Número de aulas: 48 aulas;Duração das aulas: aproximadamente 02 horas cada aula; Carga horária total: 96 horas. As aulas e as queimas contarão com 12 (doze) assistentes, que se revezarão em funções como auxiliar e replicar as oficinas, preparação de peças, queima das peças, negociações com possíveis fornecedores e clientes e participações de feiras. O intuito é preparar pessoas do grupo, oriundas da comunidade para serem protagonistas do projeto e obterem experiência e pertencimento. A Oficina DESCARTES COLETIVO se constitui a partir de dois eixos: Experiência Artística e Vivências Culturais para o processo de ensino e aprendizagem da Arte. O Eixo Experiência Artística compreende aulas práticas orientadas pela artista Natasha Barricelli, que tem como objetivo principal a experiência artística e um olhar mais sensível para a questão do descarte ao mesmo tempo em que estimula a expressão criativa. Durante as aulas os participantes são estimulados a se apropriar de seu repertório visual, de sua vivência e de sua experiência sensível e emocional no processo de transmutação do descarte em objetos de valor. A experiência artística contempla a manipulação dos materiais descartados disponíveis e suas especificidades e caraterísticas por meio do conhecimento da Arte em seus aspectos teóricos, conceituais e, sobretudo, como inspiração para a manifestação da poética pessoal de cada participante. Os conhecimentos da Arte compreendem técnicas (instrumentalização e experimentação: kintsugi e outras), bem como outros aspectos como materialidade (ferramentas, procedimentos e suportes), processos de criação (da produção artística) e elementos da linguagem e visualidade artística em seus saberes estéticos e culturais. A seguir, algumas referências artísticas que inspiraram a artista Natasha Barricelli na construção da proposta pedagógica do projeto DESCARTES COLETIVO. O artista chinês Ai Weiwei, para quem ela trabalhou fazendo parte da equipe de produção das peças de cerâmica para compor a exposição “Raiz”, na Oca, no Ibirapuera, na capital de São Paulo. O dinamarquês Olafur Eliasson, que criou o Green Light, um projeto de acolhimento e interação, exposto na Bienal de Veneza em 2017, que incluiu refugiados para trabalharem na construção de luminárias verdes, em que a cor e a luz seriam uma metáfora sobre a admissão dos imigrantes. Yoko Ono, com seu trabalho “Remende”, exposto no Tomie Ohtake, em 2016, onde a participação do espectador era essencial, ao pegar peças de porcelana quebradas e com uma fita adesiva montar outras peças. Tadashi Kawamata, artista japonês, conhecido por realizar grandes instalações com o uso de materiais descartados, como 180 mil hashis, que constituíram um grande labirinto na Japan House, em São Paulo, em 2019. Além de artistas brasileiros, como Mônica Nador, com suas paredes pinturas e a criação do Jardim Miriam Arte e Clube (JAMAC), espaço cultural sem fins lucrativos, formada por artistas e moradores do bairro, com atividades ligadas à arte. Lucia Rosa, uma das idealizadoras do coletivo Dulcineia Catadora, espaço de convergência entre literatura, artes visuais e trabalho social. Outra referência: a exposição “Somos Muit+s Experimentos sobre coletividade”, realizado na Pinacoteca do Estado de São Paulo, em 2019, que revela a prática artística como exercício coletivo, também muito importante na conceitualização desse Projeto. O Eixo Vivências Culturais busca promover o encontro do grupo com a obra de outros artistas, visitando espaços culturais, vivenciando a arte em outros ambientes, aumentando repertorio, possibilitando que participem de exposições para apreciar ou até para replicar a oficina Descartes Coletivo, protagonizando o processo de ensinar outros públicos a atividade que aprenderam nas oficinas regulares. Desta forma, o projeto visa também auxiliar na formação humana e social dos participantes em processos de acolhida e escuta ativa na perspectiva de inclusão social e valorização da história, da memória, das identidades e da cultura local.
As oficinas serão presenciais e realizadas em espaços acessíveis às pessoas idosas e/ou com mobilidade reduzida.
As atividades previstas serão totalmente gratuitas para garantir a participação de todos os interessados, especialmente de grupos em situação de vulnerabilidade socioeconômica.
Natasha Barricelli – Artista e coordenadora pedagógica do Projeto: Nascida em 1975, aos 14 anos aprendeu as técnicas de escultura e começou a dar aulas para crianças. Formou-se em Licenciatura em Arte, em 1998, pela Faculdade de Artes Plásticas da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), onde também se Pós-graduou em Práticas Artísticas Contemporâneas, em 2018. Foi orientada por artistas Nelson Leirner, Carlos Fajardo e Iole de Freitas e atuou como assistente de artistas como Paolo Ícaro (Itália, Arte Povera) e Luis Paulo Baravelli (Brasil). Na Itália (2000) desenvolveu pesquisas para a sua produção artística. Na França (2001), foi aluna ouvinte na École Nationale Superieure des Beaux- Arts, em Paris, tendo aulas com os artistas Christian Boltanski, Giuseppe Penone e Anette Messager. Integrou equipes de produção de várias exposições, participou de mais de 15 coletivas, nacionais e internacionais e fez 05 individuais. Trabalhos recentes e relevantes: Residência Artística online e Oficinas de Formação de Livro de Artista, A ZERO MEDUSA, como artista selecionada, de junho a setembro de 2021, e Exposição A ZERO, Alfaiataria Espaço de Artes, Curitiba-PR; Fotolivros do Festival Zum, artista selecionada para acervo e exposição (2021); obras expostas na Biblioteca do IMS Paulista (2021/2022); Projeto DESCARTES (Ateliê de Produção: para adolescentes que cumprem medida socioeducativa na Cidade de São Paulo, no Âmbito do projeto Expresso, de Daniela Machado, para crianças e adolescentes na Casa Parque e para mulheres da terceira idade do Instituto NUA, onde tem sido feito o projeto piloto com esse público); participação na Exposição Xilografitti (Sesc Consolação) e 23 edição Projeto Armazém: Mulher Artista Resiste. Denise Bonassi - Gestora e monitora do Projeto: Nascida em 1971, formada em Ciências Econômicas pela UNESP, especialização em Arte e Criatividade pela UNIFRAN e também em Gestão de Projetos e Avaliação de Impacto pela Umanitar Academy, possui experiência em áreas como empreendedorismo criativo, escrita de projetos, organização de eventos, gestão de projetos culturais e consultoria social. Seu portfólio inclui a atuação como assistente de curadoria em exposição de cerâmica no Instituto Tomie Ohtake e na Casa do Artesão de Cunha em 2024, prospecção e seleção de artesãos para comercialização de peças, além de desenvolvimento de produtos, captação de recursos para projetos culturais, comunicação comunitária e consultoria em monitoramento e avaliação de projetos sociais.
Recurso encaminhado para avaliação da unidade vinculada.