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O projeto Caim consiste na produção e estreia de um espetáculo teatral inédito escrito por Dione Carlos e dirigido por Luiz Fernando Marques (Lubi), que revisita a figura bíblica de Caim sob uma perspectiva contemporânea, abordando temas como violência estrutural, masculinidade tóxica e intolerância. A proposta prevê a realização de 20 apresentações presenciais, gratuitas ou a preços populares, sendo 5 sessões acessíveis em Libras, alcançando cerca de 4.000 espectadores. Além da circulação, o projeto inclui uma roda de conversa com a dramaturga, elenco e direção, fortalecendo o diálogo com o público. Como ações formativas, serão realizadas duas oficinas gratuitas: uma Oficina de Atuação, voltada a iniciantes, e outra "Dramaturgia _ Palavra Viva", conduzida por Dione Carlos em formato online, aberta para até 100 participantes.
“Caim” é um espetáculo teatral que propõe uma releitura contemporânea de uma das figuras mais controversas da tradição judaico-cristã. Livremente inspirado na obra homônima de José Saramago, o texto escrito por Dione Carlos apresenta o protagonista não como o vilão absoluto das escrituras, mas como um personagem que toma para si o direito de contar sua própria versão da história. Ao dividir com a plateia seu testemunho humanizado, Caim expõe o drama de ser imortal, condenado a uma existência perpétua marcada pela exclusão, pela errância e pela impossibilidade da redenção. Na encenação, a palavra se constrói como confissão e julgamento. O público é convidado a escutar uma voz silenciada por séculos, que se manifesta com ironia, dor e desejo de justiça. O espetáculo dialoga diretamente com os dilemas da contemporaneidade, refletindo sobre racismo estrutural, masculinidade tóxica, intolerância religiosa e a falência do patriarcado. Esses temas, embora presentes desde os mitos fundadores da civilização ocidental, ecoam de forma contundente em nosso tempo, revelando os mecanismos de exclusão e violência que ainda moldam as relações sociais e políticas. A dramaturgia recupera também personagens marginalizadas da tradição, como Lilith, primeira mulher a desafiar o poder patriarcal. Lida por séculos como demônio ou figura tabu, Lilith é resgatada aqui como símbolo de resistência e insubmissão, contrapondo-se ao destino de submissão atribuído às mulheres na narrativa bíblica. Ao trazer sua presença para o centro da cena, a obra amplia a reflexão sobre gênero e memória cultural, convidando o público a repensar a herança simbólica que naturaliza violências e desigualdades. O texto ainda recorre a metáforas contemporâneas para atualizar a discussão. O patriarcado é apresentado como um organismo em falência múltipla, gerando intolerância e ódio ao feminino. Nesse contexto, a figura das combatentes Peshmerga, mulheres curdas que enfrentam de igual para igual os mercenários do extremismo, torna-se símbolo da luta contra a opressão patriarcal, lembrando-nos que as batalhas travadas por elas são também nossas. Caim, nesse espetáculo, não é apenas o personagem bíblico que mata o irmão Abel. Ele é o homem que não aceita ser preterido, que se revolta contra a escolha do Pai, que enfrenta a injustiça divina e paga por isso com a condenação eterna. Anti-herói clássico, ele encarna a fadiga de quem ajudou a erigir as bases de um sistema violento e agora testemunha seu colapso. Sua fala ácida e sua confissão existencial colocam em xeque tanto a narrativa oficial quanto as estruturas que herdamos dela. Ao se humanizar, o vilão se aproxima do público e revela que sua história é, em alguma medida, a nossa própria. A montagem dirigida por Luiz Fernando Marques (Lubi) aposta em uma encenação simbólica, poética e política, valorizando o corpo e a palavra como instrumentos de reflexão. O elenco formado por Christian Malheiros, Jackson França e Vinícius Neri dá voz e corpo ao personagem e suas reverberações, criando uma atmosfera que oscila entre intimidade e julgamento público. A iluminação de Wagner Antônio acentua os contrastes entre sombra e revelação, entre a voz abafada e o grito que rompe o silêncio. “Caim” é, portanto, um espetáculo que dialoga com questões universais e, ao mesmo tempo, profundamente brasileiras. Em um país marcado por desigualdades históricas, violência contra populações negras e indígenas, feminicídios e intolerância religiosa, revisitar esse mito é propor um espelho incômodo, que nos obriga a repensar nossos próprios papéis como cúmplices ou agentes de mudança. Mais do que oferecer respostas, a obra busca construir boas perguntas: até que ponto herdamos as violências dos mitos que fundaram nossa cultura? É possível romper com a lógica punitiva e patriarcal que atravessa nossa história? Como se redimir em uma sociedade que insiste em marginalizar e silenciar? Ao trazer Caim para o centro da cena, o espetáculo abre espaço para vozes dissidentes, convoca o público a refletir sobre exclusão e pertencimento, e reafirma o poder do teatro como território de memória, crítica e transformação social.
Objetivo GeralPromover a reflexão crítica sobre violência estrutural, masculinidade tóxica e intolerância por meio da encenação contemporânea da obra Caim, democratizando o acesso ao teatro e ampliando a formação cultural do público.Objetivos EspecíficosEnsaiar e montar o espetáculo Caim, reunindo dramaturgia, direção, elenco, cenografia, figurino, trilha e iluminação.Realizar 20 apresentações presenciais gratuitas ou a preços populares, com público estimado em 4.000 pessoas.Garantir acessibilidade em 5 sessões com intérprete de Libras.Realizar 1 roda de conversa entre público e equipe artística após uma apresentação.Oferecer a contrapartida "Oficina Dramaturgia _ Palavra Viva", online, gratuita, até 100 vagas para pessoas a partir de 16 anos.Produzir e divulgar registros audiovisuais, fotos e materiais digitais para ampliar o alcance do projeto.
O projeto Caim revisita a figura bíblica de Caim sob a ótica contemporânea, inspirada em José Saramago, trazendo reflexões urgentes sobre racismo estrutural, falência do patriarcado, intolerância religiosa e silenciamento de vozes dissidentes. A obra resgata personagens marginalizados, como Lilith, e propõe uma estética crítica, poética e simbólica que dialoga com os desafios sociais do século XXI.A utilização do mecanismo da Lei Rouanet é essencial para viabilizar este projeto, pois possibilita a remuneração justa da equipe artística e técnica, a acessibilidade em Libras, a realização de ações formativas gratuitas e a circulação com ingressos a preços populares. O projeto se enquadra no Art. 1º, incisos I e II da Lei 8.313/91, ao estimular a produção teatral e democratizar o acesso à cultura, e contribui diretamente para os objetivos do Art. 3º, especialmente nos incisos II (formação cultural), III (universalização do acesso), IV (valorização da diversidade) e V (estímulo à reflexão crítica da sociedade).Assim, Caim não apenas promove uma criação artística de relevância estética e política, como também amplia o acesso da população a experiências teatrais e formativas gratuitas, fortalecendo o papel da cultura como direito de todos.
Formato: espetáculo teatral contemporâneo. Duração: aproximadamente 90 minutos. Classificação indicativa: 16 anos. Elenco: 3 atores. Equipe criativa: dramaturgia, direção, iluminação, cenografia, figurino, trilha sonora. Oficinas: Oficina Dramaturgia – Palavra Viva (online, 100 vagas, 16+). Recursos de acessibilidade: 5 sessões com Libras, materiais digitais legendados. Registro: audiovisual, fotográfico e material gráfico.
Acessibilidade Física: as apresentações acontecerão em espaços culturais de referência que já possuem infraestrutura adequada de acesso, com rampas, banheiros adaptados e circulação facilitada para pessoas com mobilidade reduzida ou usuárias de cadeira de rodas. Serão priorizados espaços que contemplem sinalização acessível e guias táteis para pessoas com deficiência visual. Acessibilidade de Conteúdo: serão realizadas 5 sessões com intérprete de Libras, assegurando a participação da comunidade surda. Também haverá legendagem descritiva em vídeo institucional e materiais digitais acessíveis em plataformas online.
O projeto assegura a ampla democratização do acesso à cultura por meio da realização de 20 apresentações presenciais do espetáculo Caim, todas gratuitas ou com ingressos a preços populares, estimando atingir cerca de 4.000 espectadores diretos. Para além das apresentações, está prevista uma formação gratuita, contrapartida “Dramaturgia – Palavra Viva” (com até 100 vagas online, gratuita e aberta a participantes de todo o Brasil). Adicionalmente, será realizada 1 roda de conversa aberta ao público, com a presença da dramaturga, elenco e direção, promovendo diálogo direto sobre a obra. O projeto também contará com registro audiovisual e materiais digitais disponibilizados em redes sociais, ampliando seu alcance e possibilitando que espectadores de diferentes regiões tenham contato com os conteúdos gerados. Assim, a proposta garante a circulação do espetáculo em condições acessíveis, promove atividades formativas gratuitas e utiliza ferramentas digitais para expandir o impacto e democratizar o acesso cultural.
Dirigente/Proponente: Julia Ribeiro – responsável pela coordenação geral, supervisão administrativa, captação de recursos e acompanhamento de todas as etapas do projeto. Júlia Ribeiro é fundadora da da Mirante Projetos e co-idealizadora da iNBOx Cultural - Centro Cultural- Escola de Audiovisual, Artes Cênicas e Literatura com atividades em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Formada em pedagogia pela USP, atuação pelo INDAC e pós-graduanda em Gestão Cultural e Indústria Criativa pela PUC-RIO, atua como produtora/gestora cultural desde 2008 tendo trabalhado com importantes artistas, instituições e produtoras como Centro Cultural b_arco, Gullane, Cia. Empório de Teatro Sortido (Rafael Gomes e Vinicius Calderoni), Cia. 8 nova dança, Antonio Nóbrega, Vera Hamburger. Entre suas direções de produção mais recentes destacam-se, além dos projetos da iNBOx, a exposição Fronteiras Permeáveis no SESC Santo Amaro, a peça Para Meu Amigo Branco, com direção de Rodrigo França (SESC Belenzinho/ CAIXA Salvador) e o espetáculo de dança Lá, nos Corpos d'água, da Cia. 8 Nova Dança, com direção de Cristiane Paoli Quito (SESC Pinheiros). Currículos resumidos principais participantes: Dione Carlos (Dramaturga): dramaturga, roteirista e atriz, com peças encenadas no Brasil e exterior (Cia Capulanas, Cia Livre, Coletivo Legítima Defesa). Roteirista do documentário Elza Infinita (prêmio no Festival Internacional de Nova Iorque). Premiada com Shell e APCA 2022. Atua também como orientadora artística e ministra oficinas de dramaturgia em todo o país. Luiz Fernando Marques (Lubi – Diretor): diretor do Grupo XIX de Teatro desde 2001, com mais de 38 peças encenadas em mais de 130 cidades no Brasil e 42 no exterior. Acumula mais de 20 prêmios e indicações (Shell, APCA, Bravo!, Prêmio Governador do Estado de São Paulo). Wagner Antônio (Co-direção e iluminação): formado pela Escola Livre de Teatro de Santo André, cofundador do coletivo 28 Patas Furiosas. Indicado ao Prêmio Shell de Melhor Iluminação, APTR e Prêmio Bibi Ferreira. Christian Malheiros (Ator): ator premiado no cinema e teatro. Protagonista do filme Sócrates (2018), indicado ao Independent Spirit Awards. Protagonista da série Sintonia (Netflix) e atuou em produções como Sessão de Terapia (Globoplay) e 7 Prisioneiros (Netflix). Jackson França (Ator): ator e produtor cultural, formado pela Escola Livre de Teatro de Santo André e pelo SENAC. Artista-orientador no Programa Vocacional de São Paulo (2023), com trabalhos recentes como Cartas para Satã e A Festa. Vinícius Neri (Ator): formado pela EAD/ECA-USP, performer e ator de teatro e cinema, com destaque em obras como POSSO NÃO SER OTELO? e participação em séries como Pico da Neblina (HBO) e Bugados (Canal Gloob)
PRORROGAÇÃO APROVADA E PUBLICADA NO DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO.