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O projeto PAWÓ propõe a criação e apresentação de um espetáculo de dança contemporânea construído a partir dos princípios teóricos e metodológicos da interseccionalidade como ferramenta de processos artísticos antirracistas para além de uma temática afrocentrada. Inspirado nos ritos da nação Ketu e no Quilombismo de Abdias Nascimento, inclui duas temporadas (presencial e digital), oficinas gratuitas, ateliês de imersão, ensaio fotográfico, livreto virtual com partituras e trilha sonora original disponibilizada em plataformas digitais. O espetáculo-pesquisa já está aprovado pelo Comitê de Ética da UFRN (CAAE nº 78803924.5.0000.5292) e constitui o diferencial processual do projeto.
PAWÓ é um projeto artístico-educativo de caráter antirracista, inclusivo e não proselitista, que articula pesquisa, formação, criação e difusão através da linguagem da dança contemporânea afrocentrada. O espetáculo e as ações formativas dialogam com a cultura de movimento do Candomblé Ketu, compreendida como campo de saber, ancestralidade e resistência.A palavra “Pawó” (ou Ìpatéwo) deriva do yorùbá e significa “bater palmas” — um gesto ritual que evoca o respeito e a comunicação com os Orixás. Esse gesto simbólico inspira toda a construção cênica, que aborda a relação entre fé, corpo e cotidiano, transformando os gestos sagrados em linguagem artística.Com 17 intérpretes-pesquisadores, o espetáculo é estruturado em 17 cenas inspiradas nos Orixás da tradição Ketu, e traduz o encontro entre arte, religiosidade e ancestralidade, em diálogo com a contemporaneidade e o combate à intolerância religiosa. A trilha sonora é original e inédita, composta por pessoas de terreiro, inspirada nos ritmos litúrgicos afro-brasileiros e executada com base em princípios de sonoridade ritual.O figurino, de Pierre Keyth, e a cenografia e luz, de Gleydson Dantas e Anderson Galdino - respectivamente, seguem o mesmo princípio: traduzir, em formas visuais, a dimensão estética e simbólica dos Orixás, sem mimetizar os ritos, mas respeitando suas potências poéticas.Além da montagem e temporada do espetáculo no Teatro Alberto Maranhão, o projeto compreende um conjunto de produtos integrados:• Quatro oficinas abertas e gratuitas: Ritmos e Percussão; Teatro Ritual; Dramaturgia da Cena; Dramaturgia da Dança. • Dois ateliês de imersão artística com mestres e sacerdotes da nação Ketu (Cultura Religiosa e Cultura de Movimento), para formação do elenco. • Ensaio aberto ao público como atividade de mediação cultural e avaliação de acessibilidade. • Edição de livreto digital (E-book) com partituras das músicas de terreiro utilizadas na trilha sonora e textos curatoriais. • Versão audiovisual acessível com tradução em LIBRAS, audiodescrição e legendas descritivas, a ser disponibilizada gratuitamente no YouTube. • Sessão exclusiva para escolas públicas com diálogo entre estudantes e artistas. • Campanha de democratização de acesso, com 25% de ingressos reservados a públicos assistidos por Centros de Referência em Direitos Humanos, movimentos sociais e profissionais da segurança pública, e 50% de reserva prioritária para pessoas negras, de comunidades tradicionais e de religiões de matriz africana.O processo de criação se desenvolve no Espaço Gira Dança, referência nacional em dança inclusiva, ambiente já adaptado às necessidades de acessibilidade física e comunicacional. A montagem e a temporada são acompanhadas de ações de difusão digital, acessibilidade e devolutiva pública.Com duração total de seis meses, o PAWÓ reafirma o papel da arte como instrumento de educação, reparação e presença ancestral, promovendo a valorização das expressões afro-brasileiras e a formação de um público crítico e diverso.Classificação indicativa: Livre para todos os públicos.
Objetivo Geral:Promover, por meio do espetáculo PAWÓ, uma ação artístico-educativa de caráter interseccional, que articule arte, ancestralidade e educação em práticas de dança contemporânea inspiradas na cultura de movimento da nação Ketu, contribuindo para a valorização das matrizes africanas e o enfrentamento às intolerâncias religiosas e raciais no campo das artes cênicas.Objetivos Específicos:1. Criar e apresentar o espetáculo de dança contemporânea PAWÓ, com duas temporadas: uma presencial e uma digital, ampliando o acesso e a difusão cultural.2. Realizar duas imersões artísticas com o elenco (cultura religiosa e cultura de movimento), envolvendo cerca de 17 participantes diretos.3. Ofertar quatro oficinas abertas e gratuitas à população: Ritmos e percussão afro-brasileira; Teatro ritual; Dramaturgia da cena; Dramaturgia da dança.4. Gravar e difundir o espetáculo em formato audiovisual, com acessibilidade em Libras, legendas e audiodescrição, no que for mais adequado.5. Produzir e disponibilizar um livreto digital contendo as partituras e letras da trilha sonora original composta a partir dos ritmos da nação Ketu.6. Realizar ensaio fotográfico profissional e catálogo digital com registro das obras e processos criativos.7. Implementar ações de comunicação e acessibilidade, garantindo democratização do acesso a públicos diversos, incluindo pessoas com deficiência.8. Valorizar o trabalho de mais de 34 profissionais (intérpretes, técnicos, oficineiros e consultores), promovendo geração de renda e visibilidade à produção cultural negra e de terreiro potiguar.
O cerceamento artístico de iniciativas centradas em cultura de movimento de terreiros, impingido pelo preconceito estrutural, força os artistas afroreferenciados ao autofinanciamento para que consigam resistir para existir com suas artes, ou seja, oportunidades diminutas e quase insistentes de manifestar expressões singulares e originárias da formação brasileira, como a cultura de movimento presente no candomblé. Mesmo em leis de fomento, a lógica de pulverizar recursos para distribuir mais oportunidades, fica invertida quando as criações tendem a se precarizar nas concepções para caber naquela oportunidade. Mas acreditando que se pode agir diferente, há caminhos que se abrem apenas quando se dão oportunidades. E o projeto PAWÓ nasce como uma dessas tentativas de abrir caminhos — um ato artístico-científico e ritual-pedagógico que busca "esfriar o chão" da cena contemporânea potiguar que privilegia a branquitude das temáticas e técnicas artísticas. É abrindo espaço para que corpos, saberes e memórias afro-brasileiras respirem o mesmo ar da arte e da educação dos sempre privilegiados. É um trabalho de oferenda e construção, em que a dança se faz documento vivo, instrumento de reparação e pedagogia de resistência.O uso do Mecanismo de Incentivo Fiscal da Lei nº 8.313/1991 (Lei Rouanet) não é mera escolha administrativa, mas ato político de sustentabilidade cultural. O mecenato garante autonomia criativa e liberdade de execução para uma obra de relevância simbólica e social, que nasce fora dos grandes centros e representa o pulsar da cultura afro-brasileira contemporânea. Por meio da captação incentivada, empresas e pessoas físicas podem se tornar coautoras do gesto cultural, partilhando a responsabilidade de fomentar a diversidade e a democratização do acesso à arte.A proposta apresenta um diferencial marcante: foi aprovada pelo Comitê de Ética da UFRN (CAAE nº 78803924.5.0000.5292) e integra pesquisa, espetáculo e formação de público. O projeto reúne mais de 34 trabalhadores diretos — intérpretes, técnicos e oficineiros — em um processo que envolve duas temporadas (presencial e digital), duas imersões artísticas, quatro oficinas gratuitas, gravação audiovisual acessível e livreto digital com partituras originais. Essa estrutura cumpre de forma objetiva os propósitos de produção, difusão e formação cultural, conforme o Art. 1º da Lei nº 8.313/91, nos incisos: I - ao promover a formação e difusão da cultura afro-brasileira por meio da dança contemporânea; II - ao estimular a produção artística nacional e regional, fortalecendo a cadeia produtiva da cultura potiguar; III - ao garantir o acesso gratuito e acessível às ações formativas e apresentações; V - ao proteger e valorizar as expressões culturais dos grupos formadores da sociedade brasileira, em especial de matriz africana; VII - ao incentivar a pesquisa e a experimentação estética a partir das epistemologias do Candomblé Ketu e da pedagogia do terreiro.Esses princípios dialogam com os objetivos do Art. 3º da mesma Lei, que o projeto materializa nos incisos: I - ao estimular a produção cultural e artística regional, descentralizando o acesso aos recursos culturais; II - ao promover e difundir bens culturais que afirmam a identidade afro-brasileira; III - ao apoiar a formação de recursos humanos na área da cultura, por meio de oficinas e ateliês de criação; V - ao garantir o acesso da população aos bens culturais, com políticas de gratuidade e acessibilidade; VII - ao fomentar a inovação e a pesquisa de novas linguagens artísticas, articulando corpo, fé e pensamento crítico.O Mecenato é o chão possível dessa travessia. É o instrumento que possibilita autonomia criadora, rigor técnico e transparência fiscal, conforme a Instrução Normativa MinC nº 23/2025, que rege a prestação de contas via Sistema SALIC e assegura controle social e auditoria pública dos recursos. O mecanismo oferece o equilíbrio entre a liberdade artística e a responsabilidade administrativa — condição essencial para uma obra que nasce do rito, mas se realiza na esfera pública.Contudo, há dimensões que o número e o decreto não capturam. PAWÓ é também gesto simbólico — de reencantamento e cura, de travessia e continuidade. É um projeto que fala com o silêncio dos ancestrais e convida o presente a reparar ausências históricas. Financiá-lo pelo Mecanismo de Incentivo Fiscal é participar de um ato público de justiça cultural: uma política de redistribuição simbólica em que o Estado, a sociedade civil e o setor privado compartilham a responsabilidade pelo fortalecimento das culturas afro-brasileiras.Com base nos Arts. 1º e 3º da Lei Rouanet e na IN MinC nº 23/2025, o projeto PAWÓ propõe-se a afirmar a cultura afro-brasileira como campo de conhecimento e de criação. É um espetáculo que caminha entre o rito e a cena, entre o corpo e a lei, entre a ciência e a arte, convertendo o mecanismo fiscal em via de travessia: um rio que financia a arte como direito e devolve à cultura o seu papel originário — o de manter viva a memória e o movimento dos povos que nos constituem na resistência para existência.Assim, o uso da Lei de Incentivo à Cultura se justifica não apenas pela viabilidade econômica que oferece, mas por sua dimensão simbólica e reparadora. Ao permitir que o gesto de criar se encontre com o gesto de patrocinar, o mecenato transforma-se em terreiro de partilha, onde Estado, artista e sociedade dançam juntos uma mesma coreografia: a da liberdade cultural, da equidade e da dignidade.
Com a força da gira que o mundo dá, Com a transcendência do bailado do santo quando está pra chegar, Com a delicadeza do pé ao pousar no solo sagrado, Com a imponência do Guerreiro e seus ares de luta, Com a beleza de Òsún mãe que cuida dos rios, Com a sonoridade contagiante dos atabaques, Com toda paz e sapiência presente na mitologia Do meu pai Oxalá! Klecio Mukammo O Movimento de Cultura Afro em Natal (MOCAN) é um evento de caráter formativo e artístico com tema religioso afrocentrado. Ele se desenvolve, principalmente, através de oficinas abertas ao público e a produção de um espetáculo de dança contemporânea, nesta 2ª edição, denominado PAWÓ (1). A primeira edição do MOCAN foi realizada em 2012, desenvolvida pelo proponente, Gleydson Dantas e parcerias, durante os eventos do Circuito Cultural Ribeira, no espaço Gira Dança. Se tratava de um meio para difundir a prática artística para além dos limites das instituições religiosas, possibilitando a democratização do acesso ao público e aos artistas, às obras e práticas relacionadas à cultura de movimento do Candomblé. Uma forma de contribuir com o cenário artístico e religioso da Cidade do Natal, incentivando a tolerância, a formação de público e a integração da sociedade com a diversidade cultural religiosa, na prática das suas expressões artísticas que envolvem as crenças e os ritos de matrizes africanas. Dentro destes ritos, o canto e a percussão compõem a liturgia das matrizes africanas, assim como a dança. Ou seja, o candomblé, exemplo dessa africanidade ancestral, nos ensina que a religiosidade não está fora da arte, e sim, interligada a ela. Trata-se de uma dimensão artístico-religiosa comprometida com o ser no mundo, o ser-mundo. Por tanto, a dança, essa cultura de movimento, é um dos traços que também remonta essa ancestralidade, uma expressão de existência e resistência. O proponente é artista, pesquisador e Mestre em Artes Cênicas. Ele busca uma visão comprometida com o “ser-mundo” e iniciou seus estudos nessa cultura de movimento em 2008 com a Cia Gira Dança, apresentando o trabalho coreográfico Ancestrais, que gerou posteriormente a iniciativa para o projeto MOCAN. Após um breve hiato os estudos foram retomados em 2018, com a Sismos Cia de Dança (2). A Companhia – anteriormente nominada de Cia de Dança Edição Limitada – existe desde 2018, tendo por inspiração a vontade de dançar de seus intérpretes, sendo ela um núcleo de atuação da Sismos Produções, que será contratada para realizar a produção do evento. Atualmente sediada no Espaço A3, a Companhia encontra-se em atividade permanente, excetuando-se uma pausa profunda durante a pandemia, que impediam as atividades presenciais. O proponente, empreende esse terceiro (3) momento de promoção à tolerância religiosa e integração da sociedade com a diversidade cultural, que envolvem crenças e ritos dentro dos estudos da cultura de movimento da nação Ketu. O espetáculo PAWÓ, produto final do evento, se propõe a dialogar, através da dança contemporânea, com temas que envolvem a relação entre a fé e o cotidiano religioso, não penas nos atos dos Orixás, como é o caso do pawó. O termo Pawó (4) (Paó), pode ser traduzido por “bater palmas” ou a forma abreviada de Ìpatéwo: aplauso, bater palmas com a mão. Mas o pawó, não é simplesmente um bater de palmas ou aplausos nas religiões de matrizes africanas, e sim, um rito compassado e de grande profundidade entre seus adeptos. O pawó na comunicação com os Orixás, representa o respeito, reverência e submissão do iniciado perante o mistério do Orixá, despertando suas energias e o evocando; uma maneira de dizer “Aqui estou para reverenciá-lo!”. Alguns estudiosos da língua dizem que esta expressão Iorubá é a junção de duas palavras, reforçando a ideia de que esta é uma saudação que desperta na Terra, as energias dos Orixás: “pa” = juntar uma coisa com outra / “ó” = cumprimentar. Este gesto milenar remete ao som da chuva caindo sobre o solo e batendo no barro, fazendo com que a natureza dê frutos, germine, fertilize e crie vida. Sendo assim, ao idealizarmos este evento, estamos desejosos que o respeito seja manifesto como uma semente que germine, dê frutos e seja reverenciado no combate à intolerância religiosa que aflige essa singularidade. Essa reverência é o ponto de partida, é a premissa do estudo do movimento que há no cotidiano dos adoradores de Orixá (5). Esse cotidiano expõe a interface entre a ancestralidade presente no culto Orixá e permite a transcendência do espaço do terreiro para os palcos, como ambiente profícuo para fomentar o diálogo e a resistência a qualquer silenciamento ou invisibilidade. Nesta resistência, a filigrana para a composição do espetáculo, sai da vivência de terreiro que tem o Proponente, que é Diretor e Coreógrafo-residente, da SISMOS Cia de Dança, que a mais de 15 anos é praticante do Candomblé, tendo sido iniciado para o Orixá Oxalá em 2015, e isso marca seu lugar de fala dentro da religião. A inspiração, segundo ele, vem da imponência dos Guerreiros e seus ares de luta; da beleza das Mães que cuidam das águas; da contagiante sonoridade dos atabaques e da sapiência presente na mitologia dos Orixás, a ser descrita pela leitura dos corpos dos intérpretes nas cenas. Ainda sobre a relação entre a inspiração e os intérpretes, o Dr. Edson Claro (saudosa memória), disse que as sociedades se formam pela multiplicidade de corpos e é justamente essa pluralidade que se traduz em alicerces de muitas maneiras de ser, de agir e de conviver, de modo que a realidade cotidiana de cada sociedade é complexa, abrangendo o diálogo entre múltiplas expressividades, múltiplos saberes e múltiplos hábitos. Por essa multiplicidade, a SISMOS Cia de Dança e seus futuros contratados pretende se dispor a ser aprendiz das tradições religiosas da nação Ketu, apreendendo do universo simbólico-gestual-religioso, uma educação no corpo dessa cultura afrodescendente. Buscamos que as pessoas que forem se envolver neste projeto sejam desejosas de aprender a como ressignificar o rito e a cena; a refletir sobre a dor da diáspora e das senzalas; e, sobre a sabedoria dos mais velhos que guardam as tradições orais dos ritos e mitos dos Orixás. Não há pretensão de mimetizar os ritos, nem os mitos, mas se inspirar na essência e no impacto visual que cada Orixá imprime em dançar, “na transcendência do bailado quando o Santo está para chegar, na delicadeza do pé ao pousar no solo sagrado”, como traz a epígrafe. NOTAS: 1. Em 2012, havia a pretensão de um espetáculo chamado MÓKAN, tanto que foram feitos estudos de movimento para tal. Entretanto, em 2022, optamos por mudar o nome para PAWÓ para diferenciar o nome do movimento e por trazer uma atualização do sentido do espetáculo que queremos na contemporaneidade. 2. Destaca-se a premiação para a coreografia “Ancestral” no Tanz Festival de Dança de Parnamirim/RN, com o Primeiro Lugar na categoria Danças Étnicas - Solo Senior. 3. O primeiro foi a apresentação da coreografia “Ancestrais”; o segundo, a iniciativa MOCAN em 2012 e o terceiro a iniciativa MOCAN 2022/2023. 4. Disponível em: https://www.facebook.com/ReligioesDeMatrizAfricana/posts/1402045099942389 Acessado em: 06 ago. 2021. 5. O termo candomblecista não será usado para mencionar a quem cultua os Orixás, mas a tradução do termo melhor aplicado: Lessé Orixá (Adoradores do Orixá).
PLANO ARTÍSTICO PEDAGÓGICO O presente Plano integra o projeto PAWÓ – Um Espetáculo Antirracista, articulando pesquisa, formação e criação. Estruturado em módulos formativos, oficinas, imersões e ações de mediação, o plano visa assegurar a coerência entre os princípios artísticos, educativos e sociais do projeto. 1. APRESENTAÇÃO E FUNDAMENTAÇÃO PEDAGÓGICAO plano se fundamenta na metodologia da Pedagogira, em desenvolvimento por Gleydson Dantas no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Educação da UFRN (CAAE nº 78803924.5.0000.5292), sob a orientação do Prof. Dr. Marcílio Vieira. A Pedagogira entende a arte como espaço de aprendizagem antirracista, ancestral e acessível, em diálogo com epistemologias afro-brasileiras e pedagogias da corporeidade. As ações formativas são realizadas em parceria de cooperação técnico-pedagógica com a UFRN, por meio do Grupo de Pesquisa CIRANDAR/CNPq, garantindo certificação como Ação de Extensão Cultural. 2. OBJETIVOS • Promover a formação artística e pedagógica de participantes e público; • Valorizar culturas afro-brasileiras e saberes tradicionais; • Desenvolver oficinas, ateliês e mediações inclusivas; • Garantir participação gratuita e equitativa; • Produzir material pedagógico acessível. 3. PÚBLICO-ALVO Artistas, educadores, estudantes, comunidades tradicionais e grupos periféricos. Prioriza-se a inclusão de pessoas negras, indígenas, quilombolas, LGBTQIAPN+ e pessoas com deficiência. 4. ESTRUTURA PEDAGÓGICA Módulos principais: • Ritmos e Percussão Afro-brasileira (8h) – André Albiérgio e pessoas convidadas • Teatro Ritual (8h) – A convidar • Dramaturgia da Cena (8h) – A convidar • Dramaturgia da Dança (8h) – A convidar • Ateliê de Imersão em Cultura de Movimento (16h) – A convidar • Ateliê de Imersão em Cultura Religiosa e Filosofia Ancestral (16h) Dr. Leonardo Mendes Álvares Módulos complementares: • Ensaio Aberto (mediação e acessibilidade) – 90min • Sessão Educativa (rede pública de ensino) – 2h • Livreto Digital (e-book, 45 páginas) 5. METODOLOGIABaseada em três eixos: corpo-interseccional; aprendizagem pelo humbê artístico; processo colaborativo quilombista. As práticas combinam educação freiriana, pedagogias encruzilhadas (Luiz Rufino, Barbara Carine, Carla Akotirene, Alan da Rosa, Tássio Ferreira), epistemologias quilombistas (Abdias Nascimento, Antonio Bispo do Rosário) e saberes de terreiro construídos nas lutas por emancipação (Nilma Nino Gomes). O aprendizado se desenvolve em coreo-vivências, ritos-laboratórios e rodas de saberes. 6. EQUIPE PEDAGÓGICA • Coordenação Pedagógica: Gleydson Dantas (UFRN/CIRANDAR) • Supervisão Acadêmica: Prof. Dr. Marcílio de Souza Vieira (UFRN/CNPq) • Direção de Movimento e Mediação: Rozeane Oliveira • Produção: Anthony Rodrigues (Piató Produções Culturais) • Consultoria e Direção Musical: André Albiérgio • Consultoria Religiosa e Cultural: Babalorixá Dr. Leonardo de Oxalá, Ogan Me. Ademar Júnior de Iymanjá • Técnica e Acessibilidade: Anderson Galdino (Iluminação), Pierre Keyth (Figurino), equipe Gira Dança • Apoio Administrativo e Educacional: bolsista técnico para registros e documentação pedagógica 7. ACESSIBILIDADE EDUCACIONAL Espaços acessíveis (Gira Dança e Teatro Alberto Maranhão) com Libras, audiodescrição e legendas descritivas. Materiais digitais. Haverá monitoria inclusiva durante todas as atividades. 8. AVALIAÇÃO DO PROCESSO FORMATIVO A avaliação será participativa e processual, considerando presença, engajamento, evolução técnica, autoavaliação e observações de formadores. Instrumentos: fichas de frequência, diários de bordo e questionários qualitativos. 9. RESULTADOS ESPERADOS • Formação direta de 200 participantes; • Ampliação da acessibilidade artística; • Produção de material pedagógico acessível; • Consolidação da Pedagogira como metodologia de formação; • Integração contínua entre arte, educação e cidadania.
O projeto PAWÓ compreende a acessibilidade como parte de sua própria dramaturgia social: um gesto de acolhimento e direito, não um adendo técnico. A estrutura de execução e apresentação foi planejada para garantir pleno acesso físico e simbólico às pessoas com deficiência e mobilidade reduzida, assegurando condições dignas de fruição artística e participação cidadã, conforme os princípios da Lei Brasileira de Inclusão (Lei nº 13.146/2015) e da IN MinC nº 23/2025.Acessibilidade Física:O projeto PAWÓ aproveita a potência simbólica e prática do Espaço Gira Dança — companhia contemporânea sediada em Natal e composta por bailarinos com e sem deficiência, conhecida por desenvolver uma linguagem que coloca o corpo como ferramenta de experiência e acolhimento corporificado. Ao sublocar esse espaço como polo de ensaio, imersão e residência, contribui-se também como incentivo financeiro para sua manutenção, reconhecendo-o como um locus de criação já adaptado às demandas da acessibilidade.Para as atividades no Gira Dança, a acessibilidade física será garantida por: Rampas acessíveis e piso tátil integrados às circulações, para garantir locomoção inclusiva entre salas de ensaio e áreas comuns; Banheiros adaptados disponíveis dentro ou no entorno imediato, com dimensões adequadas e equipamentos de apoio (corrimãos, barras de apoio, lavatórios acessíveis); Sinalização visual/tátil nas superfícies de piso e nas rotas de circulação; Acompanhamento por monitores capacitados no suporte à mobilidade de pessoas com deficiência; Postos de apoio provisórios, caso o espaço original demande ajustes menores (ramplas portáteis, elevação de degraus etc.).Durante a etapa de apresentação principal no Teatro Alberto Maranhão, será observado que o teatro passou por restaurações recentes que contemplaram melhorias de acessibilidade em suas instalações. Para essa fase, as medidas de acessibilidade física incluirão: Verificação prévia do checklist de acessibilidade do Teatro, considerando rampas, elevadores (se existentes), assentos reservados para cadeirantes e acompanhantes, banheiros adaptados e sinalização tátil. Coordenação com a administração do Teatro para garantir que as rotas internas (camarins, bastidores, vias de saída de emergência) estejam desimpedidas e seguras para todos os públicos. Indicadores visuais e táteis nas áreas de circulação principal (corredores, foyer, plateia) para orientar e facilitar a locomoção de pessoas com baixa visão ou mobilidade reduzida.Acessibilidade de Conteúdo:O projeto reconhece que a acessibilidade é também um exercício de linguagem. A experiência estética será ampliada com recursos que assegurem a compreensão, sensibilidade e fruição artística de todos os públicos, incluindo: Tradução simultânea em Libras nas apresentações e nas oficinas formativas; Legendas descritivas nas gravações audiovisuais e exibições online; Audiodescrição nas versões digitais e nas apresentações presenciais, descrevendo gestos, expressões e ambientações cênicas; Visita sensorial mediada, para permitir que pessoas cegas ou com baixa visão conheçam os figurinos, adereços e texturas da instalação cênica antes do espetáculo; Materiais digitais acessíveis, com linguagem inclusiva, contraste adequado e leitura por softwares de voz.Essas ações fazem parte do eixo “Acesso e Democratização da Cultura” do projeto, integrando a acessibilidade ao conceito curatorial de PAWÓ — um espetáculo que nasce da encruzilhada entre arte e direito, corpo e linguagem, gesto e acolhimento.
O projeto entende a democratização do acesso enquanto coerência com a parte do próprio sentido de sua existência. Mais do que ampliar o público, busca-se redefinir quem tem o direito de estar presente, reconhecendo que o acesso é uma ação política e reparadora. As medidas propostas contemplam acesso físico, simbólico e econômico, assegurando a participação de públicos diversos, em especial de grupos historicamente marginalizados das políticas culturais e da fruição artística.1. Distribuição e Comercialização dos ProdutosA distribuição dos produtos será feita de forma pública, gratuita e acessível. Não haverá comercialização direta de ingressos, uma vez que o projeto será integralmente gratuito e executado via Mecanismo de Incentivo Fiscal (Lei nº 8.313/91). O acesso será garantido mediante distribuição de ingressos físicos e digitais gratuitos, com reservas e convites controlados pela produção executiva, em parceria com órgãos públicos, movimentos sociais e instituições educacionais.a) O espetáculo terá duas temporadas — uma presencial, no Teatro Alberto Maranhão, e uma digital, com transmissão no YouTube com tradução em Libras e audiodescrição. b) O livreto digital com partituras e textos curatoriais será disponibilizado gratuitamente em formato acessível, publicado nas redes sociais que serão criadas como estratégia de registro digital do processo e da obra, além das pessoas do elenco que quiserem dispor suas redes sociais para difundir.2. Política de Reserva de IngressosPara garantir diversidade de público e equidade de acesso, serão adotadas políticas afirmativas de reserva de ingressos:a) Reserva de 25% (acesso exclusivo): Pessoas assistidas pelos Centros de Referência em Direitos Humanos e Assistência Social; Pessoas vinculadas ao Movimento Nacional da População em Situação de Rua (Seção Natal); Trabalhadores da Segurança Pública – via parcerias com as Secretarias Estadual e Municipal de Segurança Pública e Defesa Social, assegurando participação gratuita como ação de formação cidadã e sensibilização intercultural.b) Reserva de 50% (acesso prioritário): Pessoas autodeclaradas negras, pardas, indígenas ou pertencentes a religiões de matriz africana ou ameríndia;Grupos culturais afro-brasileiros (afoxés, blocos afro, maracatus e coletivos de representatividade negra da região metropolitana de Natal). Esses grupos também terão transporte garantido por meio de vans locadas, assegurando o deslocamento digno para as apresentações. 3. Sessão Educacional e Ensaio AbertoSerá realizada uma sessão exclusiva no turno diurno destinada à rede pública de ensino, com foco em turmas a partir do 9º ano de escolas que aderirem ao espetáculo. Essa sessão incluirá um diálogo pós-espetáculo entre público e artistas, mediado pela direção do espetáculo, a fim de aproximar estudantes das discussões sobre arte, ancestralidade, cidadania e combate ao racismo. Além disso, haverá dois ensaios abertos durante o processo de criação, com visita guiada ao Espaço Gira Dança, possibilitando o contato do público com o processo de montagem e os dispositivos de acessibilidade incorporados à obra.4. Oficinas Gratuitas e Formação de PúblicoSerão promovidas quatro oficinas abertas e gratuitas, e se buscará certificação através da UFRN pelo Grupo Cirandar. Além da inscrição pública, realizada através da rede social que se criará para o projeto. São elas: Ritmos e percussão afro-brasileira; Teatro ritual; Dramaturgia da cena; e Dramaturgia da dança.Essas ações formativas são estratégias concretas de democratização da cultura, permitindo o acesso de novos artistas, estudantes e pessoas da comunidade a saberes tradicionais e contemporâneos.5. Acessibilidade Digital e LinguísticaA versão audiovisual do espetáculo será disponibilizada gratuitamente no YouTube, com: Audiodescrição profissional; Tradução integral em Libras; Legendas descritivas; Materiais em linguagem simples e acessível para difusão em escolas e redes sociais.Assim, a democratização do acesso em PAWÓ não é apenas uma exigência legal, mas um princípio ético e estético: cada gesto, cada oficina, cada cadeira ocupada se converte em parte de um grande rito público de reparação e partilha, onde a arte dança junto com o direito à dignidade e à presença.
O projeto PAWÓ, proposto e dirigido por Gleydson Dantas, doutorando em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), pesquisador do Grupo CIRANDAR/CNPq, artista da cena, educador e gestor cultural com ampla atuação na interface entre arte, educação e direitos humanos. Que exercerá funções de direção geral, concepção artística e coordenação executiva do projeto, acumulando também a supervisão pedagógica e curatorial das ações formativas. É o autor da pesquisa artística que fundamenta o espetáculo PAWÓ, registrada e aprovada no Comitê de Ética da UFRN sob o CAAE nº 78803924.5.0000.5292.Sua atuação envolverá: • Direção e dramaturgia da obra cênica, acompanhando todas as etapas de criação, ensaio e montagem do espetáculo; • Articulação institucional com parceiros (UFRN, CIRANDAR/CNPq, Gira Dança, Teatro Alberto Maranhão e Secretaria de Cultura do RN); • Coordenação das ações educativas e formativas; • Supervisão das políticas de democratização e acessibilidade; • Elaboração e validação dos relatórios técnicos, memoriais descritivos e prestação de contas junto ao Ministério da Cultura. Currículo Resumido – Gleydson DantasArtista da cena, educador e pesquisador. Doutorando em Educação pela UFRN, mestre em Artes Cênicas (UFRN) e licenciado em história. Integra o Grupo de Pesquisa CIRANDAR/CNPq, coordenado pelo Prof. Dr. Marcílio Vieira, voltado à pesquisa em arte. Atua há mais de 15 anos como criador, diretor e intérprete, com trajetória voltada à arte negra e às poéticas decoloniais. É pesquisador do conceito de “pedagogira”, metodologia que une performance, educação e ancestralidade afro-brasileira. Tumbeiro, como professor-estagiário na UFRN. Dirigiu um espetáculo musical feito apenas com pessoas de terreiro (projeto apoiado pela Lei Aldir Blanc). E busca experiência na gestão técnica e execução financeira de projetos culturais.Currículos Resumidos dos Principais Participantes:Prof. Dr. Marcílio de Souza Vieira – Coordenação Acadêmica e Orientação Científica (UFRN/CNPq) (https://sigaa.ufrn.br/sigaa/public/docente/portal.jsf?siape=1958705)Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq - Nível 2, Artista da Cena. Pós-Doutor em Artes e em Educação, Doutor em Educação, Professor do Curso de Dança e dos Programas de Pós-Graduação PPGArC e PROFARTES da UFRN. Membro pesquisador do Grupo de Pesquisa em Corpo, Dança e Processos de Criação (CIRANDAR) e do Grupo de Pesquisa Corpo, Fenomenologia e Movimento (Grupo Estesia/UFRN).Rozeane Oliveira – Coconcepção e Dramaturgia (https://www.coletivocida.com.br/rozeaneoliveira)Artista da cena, mulher preta e pesquisadora da corporalidade afro-brasileira. Cocriadora da dramaturgia de PAWÓ, atua como orientadora de processos de criação e performance afrocentrada. Sua pesquisa dialoga com ancestralidade, feminilidade e pedagogias da oralidade no corpo.Pierre Keyth – Figurino e Visualidade Cênica Mestre em Artes Cênicas (UFRN) Artista visual e figurinista. Desenvolve criações híbridas entre moda, arte e performance, com destaque para figurinos de caráter ritual e simbólico. Responsável pela concepção e execução dos figurinos e adereços do espetáculo.André Albiérgio – Cocriador e Diretor de Trilha Sonora Mestre em Música (UFRN) Violinista, bacharel e mestre em Violino pela UFRN, com ampla atuação em orquestras como a Filarmônica da UFRN, Orquestra Sinfônica do RN e Parnamirim Jazz Sinfônica. Atua como spalla e chefe de naipe, com experiência em arranjos e direção de cordas para formações sinfônicas e populares. Traz para o PAWÓ sua expertise em execução, composição e direção musical, colaborando na criação da trilha sonora original ao lado de outros músicos de terreiro, unindo técnicas da música de concerto à sonoridade ritual afro-brasileira que sustenta o eixo poético do espetáculo.Anthony Rodrigues – Produção ExecutivaProdutor, designer e diretor de arte da Piató Produções Culturais. Responsável pelo planejamento gráfico, campanhas de divulgação, acessibilidade comunicacional e materiais digitais.Anderson Galdino – Design de Luz e Execução de Iluminação Técnico de luz com ampla experiência em espetáculos cênicos e exposições de arte. Responsável pela criação do desenho de luz e operação técnica durante as apresentações no Teatro Alberto Maranhão.Espaço Gira Dança – Espaço de Ensaios e Inclusão Instituição parceira que abriga a fase de ensaios e oficinas. Reconhecida nacionalmente por sua atuação com artistas com e sem deficiência, o Gira Dança oferece infraestrutura adaptada, equipe técnica qualificada e um ambiente de formação artística inclusiva. A parceria fortalece o compromisso do projeto com a acessibilidade e o incentivo à manutenção de espaços culturais inclusivos em Natal/RN.Elenco:Será realizado um processo seletivo público, fundamental para assegurar a democracia de acesso às oportunidades oferecidas pelo projeto PAWÓ. O procedimento procura garantir transparência, equidade e diversidade, permitindo que artistas da cena sejam escolhidos com base em critérios objetivos de mérito, experiência e representatividade social. Além de cumprir as diretrizes da Lei nº 8.313/1991 (Lei Rouanet) e da IN MinC nº 23/2025, o processo seletivo reafirma o compromisso ético do projeto com a inclusão de grupos historicamente subrepresentados, assegurando a participação de pessoas negras, indígenas, quilombolas, LGBTQIAPN+, pessoas com deficiência e profissionais de diferentes territórios. Dessa forma, o processo seletivo é entendido como etapa formativa e democrática, em que o acesso à criação artística se torna um direito coletivo e o projeto se consolida como espaço de escuta, equidade e valorização da diversidade cultural brasileira.
PRORROGAÇÃO APROVADA E PUBLICADA NO DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO.