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PRONAC 261457Autorizada a captação total dos recursosMecenato

Entre o Som do Pé e o Canto da Alma: diálogos entre o Fandango Caiçara e o Flamenco Andaluz

ALESSANDRA DIAS ZABOT
Solicitado
R$ 167,5 mil
Aprovado
R$ 167,5 mil
Captado
R$ 0,00
Outras fontes
R$ 0,00

Análise IA

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Eficiência de captação

0.0%

Classificação

Área
—
Segmento
Apresentação ou Performance de Dança
Enquadramento
Artigo 18
Tipologia
Projetos normais
Ano
26

Localização e período

UF principal
PR
Município
Curitiba
Início
2026-08-17
Término
2027-10-31
Locais de realização (2)
Curitiba ParanáParanaguá Paraná

Resumo

"Entre o Som do Pé e o Canto da Alma: diálogos entre o Fandango Caiçara e o Flamenco Andaluz" propõe uma pesquisa artística e etnográfica que investiga o Fandango de Paranaguá, patrimônio vivo do litoral do Paraná, em diálogo com o Flamenco Andaluz, com tanta presença e força no Brasil. O projeto une imersão de campo, resultando como produto principal uma apresentação de dança das duas linguagens na mesma cena: Fandango do Mestre Zeca, de Paranaguá, e Cia Aire Flamenco, de Curitiba. Um produto secundário tb: catálogo poético-visual para registro da pesquisa. A investigação será centrada em Paranaguá, berço histórico do fandango.

Sinopse

Descrevo aqui os pontos que serão trabalhados na pesquisa e darão elementos para a apresentação e o catálogo:Pontos de Convergência: Flamenco e Fandango Caiçara O Flamenco e o Fandango Caiçara, embora distantes geograficamente, partilham estruturas históricas e artísticas que revelam uma profunda ligação rítmica e social de matriz ibérica. A convergência entre estas duas linguagens se manifesta nos seguintes pilares:1. A Raiz Ibérica e a Dança de ParesA origem de ambos remonta à Península Ibérica. O nome "Fandango" é uma herança direta da Espanha e Portugal, trazida para o Brasil pelas levas migratórias, notadamente a dos açorianos, que o enraizaram nas comunidades litorâneas.O elo mais visível é a dança de cortejo e pares. Tanto o Flamenco quanto o Fandango, em sua essência, são celebrações onde pares se apresentam em um ambiente de roda. No Flamenco, o casal expressa o drama e a paixão. No Fandango, os pares se revezam na roda, utilizando a dança como manifestação da sociabilidade e do compadrio da comunidade, mantendo a estrutura de um baile antigo. 2. O Papel dos Gêneros e a Tradição do SaberAmbos os folguedos apresentam uma divisão de funções que reflete estruturas sociais históricas, ligando o masculino à criação estrutural e o feminino à beleza da continuidade.O Homem: É o detentor do saber central e da percussão. No Flamenco, ocupa o lugar do Cantaor (a voz dramática) e o percussionista do Zapateado (batida dos pés), exibindo força e austeridade. No Fandango Caiçara, é o Mestre (músico principal) e o Fandangueiro que bate o tamanco, além de ser o responsável pelo Verseio (a improvisação poética).A Mulher: No Flamenco, a Bailaora é notável pela elegância, fluidez do corpo e o uso expressivo do braceo (movimento de braços). No Fandango, as Fandangueiras desempenham um papel crucial no bailado (a dança da roda) e na organização da festa. Embora dominem a dança e os toques, historicamente, o reconhecimento formal de "Mestra" ficava reservado aos homens, ressaltando a subordinação social, mesmo que a arte dependa da participação feminina para existir. 3. A Percussão Corporal e o Ruído OrganizadoA percussão não é mero acompanhamento, mas a base rítmica e a comunicação em ambas as artes. O chão é transformado em um instrumento:Palmas: No Flamenco, as palmas são uma arte complexa, sustentando o ritmo (compás) com diferentes timbres: as Palmas Sordas (graves, palma contra palma) e as Palmas Vivas (agudas, dedos contra palma), gerando o essencial soniquete (balanço). No Fandango, embora as palmas não sejam codificadas, elas estão inseridas no contexto festivo como um elemento de apoio rítmico e entusiasmo do público.A Batida dos Pés: A técnica de usar os pés é a maior semelhança percussiva. O Zapateado flamengo e o Batido Caiçara (com tamancos) transformam o assoalho em instrumento de sustentação rítmica, onde o corpo do dançarino é o gerador do compás. 4. Lendas e o Fio entre o Sagrado e o ProfanoAmbos os folguedos possuem uma dimensão mística e narrativa, ligada ao cotidiano e ao sobrenatural.Misticismo e Lendas: O Flamenco é cercado pelo mito do Duende, uma força quase mística que toma o artista e a audiência em momentos de intensa emoção. O Fandango, por sua vez, está ligado a lendas folclóricas, como a do Saci Fandangueiro, que toca rabeca ou viola e dança nas noites caiçaras, unindo o imaginário popular à performance.Função Social e Ritual: O Fandango, além de lazer, era a paga do mutirão (trabalho coletivo) e ocorria em festas de santos, ligando o esforço físico à celebração da fé (o sagrado). O Flamenco, muitas vezes expressando a pena (o sofrimento), é uma forma ritualizada de catarse emocional (o profano). Em ambos, a arte é indissociável da vida em comunidade.

Objetivos

Objetivo GeralInvestigar as relações estéticas, simbólicas e históricas entre o Fandango Caiçara e o Flamenco Andaluz, compreendendo-as como manifestações populares de mestiçagem cultural, resistência e identidade, produzindo como resultado final uma apresentação de dança e um catálogo poético-visual.Específicos- Realizar uma única apresentação do espetáculo inédito "Entre o Som do Pé e o Canto da Alma: diálogos entre o Fandango Caiçara e o Flamenco Andaluz" na cidade de Paranaguá/PR, garantindo a acessibilidade e a gratuidade para o público, no Palco Tutóia, no Centro Histórico de Paranaguá- Garantir a contratação de um mínimo de artistas e profissionais da arte do cenário cultural paranaense, em especial de Paranaguá, promovendo a geração de renda no setor e fomentando a cena do litoral do estado- Promover o intercâmbio e a valorização das tradições do Flamenco e do Fandango Caiçara, expondo as convergências rítmicas e expressivas destas linguagens.- Desenvolver e produzir um catálogo poético de 8 páginas e tiragem de 500 exemplares, focado na pesquisa de pontos de congruência entre o Flamenco e o Fandango, para distribuição gratuita ao público-alvo.

Justificativa

"Entre a Andaluzia e o litoral do Paraná, há um mesmo compasso: o coração que pulsa no chão.Quando o pé do flamenco pisa a terra, ecoa o mesmo ritmo dos tamancos caiçaras.São danças irmãs, separadas pelo oceano, mas unidas pela memória de um povo que canta e resiste.O duende encontra o encantado, e a pesquisa se faz dança, corpo e maré."Entre o compasso do sapateado e o canto que ecoa do mar, o Flamenco e o Fandango Caiçara se encontram. Ambas as expressões nasceram em territórios mestiços — Andaluzia e Litoral do Paraná — onde o corpo, a voz e o ritmo tornaram-se instrumentos de resistência e celebração da vida. O Flamenco, declarado Patrimônio Imaterial da Humanidade pela UNESCO, carrega em si a herança de povos ciganos, mouros e ibéricos. O Fandango Caiçara, reconhecido pelo IPHAN, é o elo vivo entre indígenas, africanos e europeus que moldaram o imaginário caiçara. Ambos nascem de margens, de cruzamentos culturais, de vozes que dançam. Esta pesquisa propõe um encontro sensível entre essas duas linguagens, aproximando corpo e território, canto e memória, tradição e contemporaneidade. Trata-se de uma investigação cênica, poética e etnográfica que busca reconhecer o diálogo entre o sapateado flamenco e o bater de tamancos do fandango, entre o cante jondo e o verso caiçara, entre o feminino que pulsa em ambas as expressões e tantas outras linguagens que conversam. Mais do que comparar, o projeto pretende costurar sentidos — fazer da pesquisa um ato de escuta e criação, uma experiência de corpo, som e chão compartilhado. Por que Flamenco e Fandango Caiçara podem se unir?A raiz comum ibérica une essas duas expressões. Antes do Flamenco se consolidar como linguagem própria, o "fandango" já existia na Península Ibérica, especialmente na Andaluzia e em Portugal, entre os séculos XVII e XVIII. Ele era um gênero popular de dança e canto — rítmico, sapateado, marcado pelo compasso binário e pelo improviso. Esse fandango ibérico viajou junto com as caravelas, chegando às Américas como parte das tradições coloniais. Assim, o Fandango Caiçara pode ser visto como uma ramificação tropicalizada desse tronco ibérico — transformado pela presença africana e indígena, pelos materiais locais, pelos sons das violas e rabecas, pelos corpos que habitam o litoral. E essa conexão: Flamenco Andaluz → Fandango Caiçara?Ambos descendem de um mesmo núcleo ibérico de danças populares, mas tomaram rumos distintos conforme os contextos culturais. A mestiçagem como estética e ética Flamenco e Fandango são arte de mestiços, nascidas nas bordas do poder. Ambos se constituem como linguagens de resistência e identidade, onde o corpo é território político. Elemento Flamenco Fandango Caiçara Matriz cultural Andaluz, cigano, mouro, sefardita Ibérica, africana, indígena Território Andaluzia (sul da Espanha) Litoral paranaense e paulista Expressão central Cante, toque e baile Toque, canto e dança Ritmo e corpo Sapateado, palmas, percussão corporal Batido dos tamancos, palmas, marcação de pés Função social Comunhão, lamento, festa e resistência Celebração comunitária, ritual, memória Ambos materializam o som da terra e o compasso do povo, numa relação direta entre corpo e chão. O Flamenco pisa a areia andaluza; o Fandango pisa a terra batida caiçara — o som do pé é o mesmo grito ancestral que diz: "estamos aqui, seguimos vivos". Dimensões simbólicas e espirituais; há uma espiritualidade rítmica nas duas manifestaçõesNo Flamenco, o duende — aquela força inominável que atravessa o artista e o público. No Fandango, o encantamento caiçara — a energia das marés, do sagrado natural, da ancestralidade viva. Ambas falam de transe, presença e pertencimento, onde o corpo é o altar da memória. Essa é uma das chaves poéticas da tua pesquisa: o encontro do duende com o encantado Desse aprofundado estudo, teremos o produto prinicipal do projeto: uma apresentação gratuita em local público desse diálogo que une as duas linguagens. Como atividade secundária, vamos produzir um catálogo em que será registrada a pesquisa feita com os mestres fandangos e flamencos e serão distribuídos catálogos para o público presente na apresentação e para o público-alvo. A apresentação de dança proposta pelo projeto consiste em uma criação cênica que promove o diálogo entre o Fandango Caiçara e o Flamenco Andaluz, respeitando as especificidades estéticas, rítmicas e simbólicas de cada manifestação. A obra não propõe fusão ou descaracterização, mas um encontro sensível entre tradições, evidenciando aproximações possíveis entre o som do pé, o ritmo marcado no chão, a musicalidade corporal e a expressividade do gesto.A cena será construída a partir de matrizes rítmicas e movimentos inspirados nas duas linguagens, alternando momentos de destaque individual e passagens de diálogo coreográfico. O sapateado, a percussão corporal, o canto e a presença cênica serão utilizados como elementos estruturantes, criando uma narrativa poética que valoriza o corpo como território de memória, identidade e resistência cultural. A apresentação reforça o caráter intercultural do projeto e amplia o acesso do público a expressões do patrimônio imaterial, promovendo reflexão, fruição estética e reconhecimento da diversidade cultural.Já o catálogo resultante da pesquisa "Entre o Som do Pé e o Canto da Alma: diálogos entre o Fandango Caiçara e o Flamenco Andaluz" será concebido como produto cultural de difusão gratuita, sem finalidade comercial, voltado à preservação da memória, à valorização de saberes tradicionais e à democratização do acesso ao conhecimento. Sua distribuição foi planejada de forma estratégica, considerando impacto cultural, alcance territorial e devolutiva social da pesquisa realizada.Parte da tiragem será destinada a bibliotecas públicas municipais e estaduais, bibliotecas universitárias, centros culturais, museus, arquivos e instituições de memória, contribuindo para o fortalecimento de acervos especializados e para o acesso público a conteúdos relacionados ao patrimônio imaterial, às artes do corpo e aos estudos interculturais. Outra parcela fundamental da distribuição será direcionada às comunidades e grupos detentores dos saberes abordados no projeto, especialmente mestres, mestras, coletivos e associações vinculadas ao Fandango Caiçara. Essa devolutiva social reconhece o papel central dessas comunidades na construção do conhecimento, fortalecendo vínculos éticos entre pesquisa, território e tradição, além de promover o compartilhamento dos resultados produzidos. O catálogo também será distribuído à rede educacional, contemplando escolas públicas, professores, educadores e agentes culturais, com potencial de utilização como material de apoio pedagógico em ações de formação nas áreas de artes, cultura, história e educação patrimonial. Complementarmente à versão impressa, será disponibilizada versão digital gratuita do catálogo, ampliando o acesso ao conteúdo e assegurando maior abrangência territorial. A difusão será fortalecida por ações públicas, como lançamentos, rodas de conversa e encontros culturais, promovendo o diálogo entre artistas, pesquisadores, comunidades tradicionais e público em geral. Com essa estratégia integrada, o projeto reafirma seu compromisso com a democratização do acesso à cultura e a circulação qualificada do conhecimento.Complementando as informações, acreditamos que o projeto "Entre o Som do Pé e o Canto da Alma: diálogos entre o Fandango Caiçara e o Flamenco Andaluz" atende ao exigido no artigo 1º e 3º da Lei 8313/91, nos seguintes aspectos:Art 1º:I - contribuir para facilitar, a todos, os meios para o livre acesso às fontes da cultura e o pleno exercício dos direitos culturais;II - promover e estimular a regionalização da produção cultural e artística brasileira, com valorização de recursos humanos e conteúdos locais;VI - preservar os bens materiais e imateriais do patrimônio cultural e histórico brasileiro;IX - priorizar o produto cultural originário do País.

Estratégia de execução

INFORMAÇÕES QUE FAZEM PARTE DO REPERTÓRIO PARA O DESENVOLVIMENTO DO PROJETO:Paranaguá como território-matriz da pesquisaParanaguá é a cidade-mãe do Paraná, porto de chegada e de partida, lugar onde as águas encontram a terra e onde o tempo parece pulsar em outra frequência. É também um dos principais redutos do Fandango Caiçara, berço de mestres, guardiões e tocadores que mantêm viva uma tradição ancestral.Nessa paisagem de manguezais, ilhas e vielas coloridas, o som dos tamancos ainda ecoa — um compasso de resistência e alegria. É nesse chão que o projeto se ancora: Paranaguá como lugar de escuta, encontro e criação.O Fandango, aqui, não é apenas objeto de estudo — é fonte viva, é o corpo do território. A pesquisa se propõe a caminhar por suas ruas, atravessar de barco até a Ilha dos Valadares, partilhar rodas de fandango, ouvir os mestres e mestresas que fazem da dança uma forma de contar o mundo. Por que Paranaguá é o ponto de convergência com o FlamencoHistoricamente, Paranaguá foi um dos primeiros portos coloniais — espaço de chegada de influências ibéricas (portuguesas e espanholas), africanas e indígenas. A partir desse caldeirão, nasce a expressão caiçara que, como o Flamenco, traduz o encontro e o conflito de culturas.Ambas as tradições — Flamenco e Fandango — crescem nas bordas, nas periferias culturais e sociais, e se fazem em ambientes de oralidade, festa e memória coletiva. O mar de Paranaguá pode ser lido como o espelho simbólico do Mediterrâneo andaluz — ambos são fronteiras líquidas que testemunham trânsitos, trocas e exílios.Assim, o projeto não propõe apenas um paralelo formal, mas um reencontro poético entre dois portos irmãos:Andaluzia, porto de partida.Paranaguá, porto de chegada.Ambos guardam o som do pé que bate o compasso da sobrevivência.Aprofundamento metodológico em ParanaguáResidência de pesquisa: imersão de campo em Paranaguá, especialmente na Ilha dos Valadares, com acompanhamento das atividades do dos grupos e mestres locais.Entrevistas e vivências: encontros com mestres fandangueiros (Zeca, Eugênio, Romão, entre outros) e mulheres da comunidade, com registro em vídeo, áudio e diário de campo.Mapeamento sonoro: gravações dos sons da cidade — passos, violas, marés, vozes — como matéria-prima artística.Laboratório de criação: realização de encontros entre artistas locais e pesquisadores de Flamenco, buscando criar pontes rítmicas e gestuais.Apresentação final: performance híbrida em Paranaguá, como devolutiva pública, realizada em espaço aberto e público*****Pontos de congruência entre o Flamenco Andaluz e o Fandango CaiçaraFlamenco e Fandango Caiçara dialogam em profundidade, ainda que tenham nascido em territórios e tempos distintos. Ambos são expressões de resistência, de corpo e chão, de ritmo e comunidade. No cerne dessas danças está o gesto ancestral de afirmar presença no mundo através do som do pé — o corpo transformado em instrumento, a terra como caixa de ressonância da alma.Na estrutura rítmica, os dois compartilham o mesmo princípio de pulsação viva. O Flamenco se organiza a partir do compás, medida rítmica cíclica sustentada por palmas, sapateado e instrumentos de corda. O Fandango Caiçara, por sua vez, pulsa ao som da rabeca, da viola e do bater ritmado dos pés no chão de madeira. Em ambos, o corpo e o som são inseparáveis: o pé que bate é tambor, é voz, é marca de pertencimento. São danças de chão, onde o ritmo nasce do contato direto entre corpo e terra.A improvisação é outra convergência fundamental. Tanto no Flamenco quanto no Fandango, o dançarino — ou o casal — cria variações espontâneas, responde à música, dialoga com o coletivo. O movimento é livre, não coreografado, mas profundamente enraizado na tradição. É uma improvisação que expressa identidade, liberdade e emoção.Em ambos os casos, a música e a dança estão em constante conversa. No Flamenco, o cante, o toque e o baile formam uma unidade inseparável. No Fandango, a rabeca “puxa” o corpo, e a roda se move em resposta ao som. É a mesma lógica do diálogo vivo entre gesto e melodia, onde o corpo responde à música com alma.No campo simbólico e emocional, Flamenco e Fandango compartilham uma intensidade semelhante. O Flamenco é marcado pelo duende, essa força interior, quase espiritual, que faz o corpo vibrar de dentro para fora. O Fandango traz o mesmo sentimento, mas traduzido em alegria, pertencimento e memória coletiva. Em ambos, há emoção, ancestralidade e uma profunda ligação entre canto e identidade. São danças que nascem da mistura de povos — o Flamenco da confluência cigana, moura e espanhola; o Fandango, da fusão entre indígenas, africanos e portugueses nas comunidades litorâneas do sul do Brasil.Socialmente, as duas tradições têm origem popular e comunitária. O Flamenco emergiu como linguagem das classes marginalizadas andaluzas, e o Fandango Caiçara nasceu das festas e celebrações dos pescadores e agricultores do litoral do Paraná. Em ambos, a dança é encontro, celebração e afirmação cultural. A transmissão acontece de forma oral e corporal, no convívio entre mestres e aprendizes, pela repetição, pela roda, pelo olhar e pela escuta.O chão é símbolo central nessas duas linguagens. É o território, a base, a força da gravidade que conecta corpo e memória. O som do pé é o eco do pertencimento — no Fandango, o chão de madeira vibra como o mar; no Flamenco, o bater do pé é o coração pulsando. Ambos transformam o espaço físico em campo de energia e expressão.O duende flamenco e o encantamento caiçara são expressões irmãs: estados de alma em que o corpo se torna canal do invisível. Tanto em uma quanto em outra dança, o gesto ultrapassa o técnico e se torna espiritual, uma forma de comunicação entre mundos. O mar do Fandango e o deserto andaluz são, cada um à sua maneira, paisagens de solidão e beleza, espaços onde o humano se encontra com o sagrado através do ritmo.Por fim, há uma harmonia profunda entre o feminino e o masculino em ambas as linguagens. O Flamenco equilibra a força e a delicadeza, a presença e o recolhimento, assim como o Fandango expressa a complementaridade dos pares, a dança como diálogo de corpos e ritmos.Flamenco e Fandango Caiçara são, portanto, danças de chão, de alma e de comunidade. Ambas nascem da mistura, da dor e da alegria. O pé que bate é o mesmo gesto de afirmação — um chamado à terra, ao ritmo e à presença. O canto que ecoa é a memória dos povos que resistem e celebram. No encontro entre o som do pé e o canto da alma, o corpo se torna ponte entre mundos.

Especificação técnica

CATÁLOGOSerá uma forma de agregar valor ao projeto, transformando o público em espectadores mais engajados e informados sobre o diálogo entre as duas culturas. Formato A5 (14,8 cm x 21 cm) Número de Páginas 8 páginas (incluindo capa e contracapa) Tipo de Papel (Miolo) Couche Fosco ou Brilho 150g/m² Tipo de Papel (Capa) Couche Fosco ou Brilho 250g/m² Acabamento Dobra e 2 grampos (revista) Tiragem (Quantidade) 500 exemplares Distribuição: público presente na apresentação, comunidades do fandango e flamenco (escolas), faculdades, bibliotecas do Litoral e Ctba, imprensa, patrocinadores, Iphan, Minc, Secretaria de Cultura de Paranaguá, Fundação Cultural de Curitiba, Secretaria de Cultura do PR, etc.O objetivo é que seja construído dessa forma:-Capa: Título do Espetáculo e logomarcas (Rouanet, Patrocinadores)-Página 2 Conceito - Introdução sobre a pesquisa e a união das linguagens.-Página 3-4 Flamenco: Raízes e ElementosContextualização da dança, cante e toque (Palmas, Cajón).O Uso dos Pés e do Corpo: A força percussiva, o contato com o chão, o ritmo como base da expressão.-Página 5-6 Fandango Caiçara: Festa e ComunidadeInstrumentos (viola, rabeca, adufe), marcação de pé (tamanco), e o caráter social/ritualístico.A Improvisação e a Roda: O Improviso (no Fandango com o verseio e no Flamenco no Jaleo) e a estrutura de Roda/Comunidade na execução.-Página 7A Equipe: Breve currículo da Coreógrafa, Direção Artística e nomes dos Bailarinos e Músicos.- Contracapa Agradecimentos, Contatos, Apoio Institucional, Redes Sociais.Iremos gravar as entrevistas com os mestres de fandango e flamenco e disponibilizar um QRCode para que as pessoas possam assistir no YouTube

Acessibilidade

1. Pessoas com Deficiência Física e/ou Mobilidade ReduzidaAs atividades presenciais do projeto, incluindo a apresentação artística e ações públicas vinculadas, serão realizadas em espaços culturais que disponham de condições adequadas de acessibilidade física. Serão priorizados locais com rampas de acesso, banheiros adaptados para pessoas com deficiência e circulação facilitada para pessoas com mobilidade reduzida. Quando existente, será considerada a presença de sinalização acessível e organização do espaço que favoreça a autonomia e segurança do público.2. Pessoas com Deficiência AuditivaIntérprete de Libras nas apresentaçõesDisponibilização de resumos ou sinopses do espetáculo em Libras ou texto acessível nas redes sociais do projeto.3. Pessoas com Deficiência Visual (Cegos e Baixa Visão)Audiodescrição (AD): Narração extra, feita por um profissional treinado e transmitida via fones de ouvido individuais.Permissão e espaço adequado para a permanência de cães-guia junto ao espectador durante a apresentação.As apresentações de dança contarão com audiodescrição ao vivo ou gravada, realizada por profissional especializado, descrevendo movimentos corporais, deslocamentos espaciais, figurinos, número de intérpretes, relações cênicas e aspectos expressivos da coreografia.A obra será estruturada com trilha sonora e elementos sonoros ampliados, como sons corporais, respiração, pisadas e variações rítmicas, favorecendo a percepção sensorial do espetáculo. Antes da apresentação, será realizada mediação cultural acessível, com contextualização verbal da obra e possibilidade de experiência tátil, permitindo o contato com figurinos, objetos cênicos ou elementos de cena. Ao final, haverá bate-papo acessível entre artistas e público.2. Acessibilidade no CatálogoO catálogo do projeto será disponibilizado em formato acessível, incluindo:Versão digital compatível com leitores de tela;Textos descritivos detalhados sobre o espetáculo, conceitos artísticos, coreografias, figurinos e processo criativo;Descrição de imagens (audiodescrição ou texto alternativo), garantindo compreensão integral do conteúdo visual.Sempre que possível, será disponibilizada também versão em áudio do conteúdo textual, ampliando o acesso e a autonomia do público com deficiência visual.

Democratização do acesso

Contrapartidas culturais-Apresentação pública gratuita da performance em Paranaguá, aberta à comunidade.-Entrega gratuita de exemplares impressos do catálogo para um público de 500 pessoas, além da versão digital.-Para fins de cumprir o previsto na legislação, onde versa sobre a democratização do produto cultural de nosso projeto, como reza o Art. 28, em que o proponente deverá prever a adoção de, pelo menos, uma das seguintes medidas de ampliação do acesso, essas são as que iremos trabalhar:IV – disponibilizar, na Internet, registros audiovisuais dos espetáculos, das exposições, das atividades de ensino, e de outros eventos referente ao produto principal;V - garantir a captação e veiculação de imagens das atividades e de espetáculos por redespúblicas de televisão e outros meios de comunicação gratuitos;

Ficha técnica

MESTRE ZECA – DIRETOR MUSICAL/LIDER DO GRUPO “VIOLA AFINADA”DE FANDANGOMestre Zeca, cujo nome civil é José Martins Filho, nasceu em 1951 no município de Guaraqueçaba, no litoral do Paraná, e tem uma ligação profunda com a cultura caiçara e o fandango da região de Paranaguá. Desde menino, ele vivenciou a tradição do fandango, tanto como músico como dançarino, tendo iniciado aos 11 anos dançando nos antigos bailes da Ilha dos Valadares, onde sua família se estabeleceu. Mestre Zeca também é um renomado construtor de rabecas, instrumento musical fundamental para o fandango, e desenvolveu um estilo próprio e inovador na construção dessas rabecas, usando a técnica de escavar o tampo ao invés de usar uma forma tradicional. Além de músico e luthier, Mestre Zeca é reconhecido como um preservador vivo da cultura do litoral e tem uma presença marcante nos grupos de fandango em Paranaguá. Ele participou de diversos grupos e hoje lidera o grupo "Viola Afinada". Sua dedicação é fundamental para manter viva essa manifestação cultural, que mistura dança, música e tradições populares dos caiçaras. Mestre Zeca é considerado uma referência no fandango, sendo comparado ao "Jimi Hendrix da rabeca", e é um dos poucos construtores deste instrumento ainda vivos na cultura caiçara. Ele também se dedica a ensinar e transmitir seu conhecimento às novas gerações, contribuindo para a continuidade da tradição do fandango em Paranaguá. Portanto, a biografia de Mestre Zeca não se limita apenas à sua música e construção de rabecas, mas está profundamente entrelaçada com o grupo de dança de fandango em Paranaguá, onde é tanto um líder cultural quanto um mestre que mantém e renova a tradição do fandango caiçara há mais de 50 anosVIOLA AFINADA – GRUPO DE DANÇA - FANDANGOO grupo "Viola Afinada", fundado e liderado por Mestre Zeca, é um dos mais notórios grupos de fandango na região de Paranaguá. Ele é formado por mestres do fandango e da cultura caiçara, reunindo tanto gerações antigas quanto novas da comunidade, incluindo familiares e alunos, o que permite uma rica transmissão de saberes musicais e culturais do fandango caiçara. O grupo realiza apresentações onde a música tradicional, com instrumentos como rabecas, violas, adufos e machetes, se alia à dança típica do fandango, especialmente a batida dos tamancos no tablado. Essas apresentações acontecem em eventos culturais locais e festivais, como o Festival de Inverno da UFPR, e também em bailes voltados ao fandango, que funcionam como importantes momentos de intercâmbio cultural e diversão comunitária. Historicamente, o "Viola Afinada" tem papel fundamental na preservação e celebração do fandango caiçara, sendo uma ponte entre o passado e o futuro dessa tradição. A dança e a música do grupo não são apenas formas de expressão artística, mas também espaços de educação cultural e identidade para as comunidades caiçaras de Paranaguá. A atuação do grupo é valorizada como parte do patrimônio imaterial brasileiro, e as suas apresentações atraem tanto moradores quanto turistas interessados em experimentar e conhecer a cultura tradicional caiçara de perto. Assim, o "Viola Afinada" se destaca não só como um grupo musical, mas também como um grupo de dança que mantém viva a tradição do fandango, integrando o aspecto musical e coreográfico com o compromisso de transmitir e renovar a cultura caiçaraCRISTIANE MACEDO — COREÓGRAFA/DIRETORA ARTÍSTICABailaora, coreógrafa e diretora artística, Cristiane Macedo é uma das principais referências do flamenco no sul do Brasil. Graduada em Dança pela Faculdade de Artes do Paraná, iniciou sua trajetória no ballet e no jazz, aprofundando-se no flamenco sob orientação de mestres como Esther Ponce, Antonio Reyes, Rafaela Carrasco e Manuel Liñán. À frente do Estúdio y Companhia Aire Flamenco, Cristiane desenvolve um trabalho de excelência artística e pedagógica, unindo rigor técnico, emoção e criação coletiva.Como coreógrafa, suas obras revelam a musicalidade, o vigor e a poesia do corpo flamenco em diálogo com o contemporâneo. Como diretora artística, conduz processos criativos que valorizam a formação e a experimentação, dirigindo tanto montagens profissionais quanto os espetáculos anuais do Estúdio Aire Flamenco — como Airear, Alma Flamenca, El Árbol e Pasión — apresentados em palcos como o Teatro da Reitoria, Teatro Paiol e Teatro Regina Vogue. Entre seus principais trabalhos estão Jondo (Memorial de Curitiba, 2023), Idas e Vindas (2015) e Arte Flamenca (2011). Sua trajetória une criação, ensino e difusão, consolidando-a como artista-educadora e referência na cena flamenca brasileira.AIRE FLAMENCO — COMPANHIA FLAMENCAO Aire Flamenco é uma companhia e estúdio de dança criado e dirigido por Cristiane Macedo, com mais de duas décadas dedicadas à difusão e à formação em flamenco em Curitiba (PR). Reconhecido pela qualidade técnica, poética e formativa de seu trabalho, o grupo atua como um espaço de criação, ensino e intercâmbio, valorizando o diálogo entre tradição e contemporaneidade.Com espetáculos apresentados em palcos como o Teatro Paiol, Teatro da Reitoria, Teatro Regina Vogue e Memorial de Curitiba, o Aire Flamenco consolidou um repertório autoral com obras como Airear, El Árbol, Alma Flamenca e Pasión, sempre com música ao vivo e criação coletiva. A companhia também realiza espetáculos anuais do Estúdio Aire Flamenco, que reúnem alunos, professores e músicos convidados, tornando-se referência no calendário cultural de Curitiba. Com uma trajetória marcada por sensibilidade e excelência, o Aire Flamenco reafirma o compromisso com a arte, a educação e a valorização da cultura flamenca no Brasil.OZIR PADILHA - DIRETOR MUSICALcantaor, guitarrista e diretor musical, com trajetória dedicada à pesquisa, interpretação e difusão do flamenco em diálogo com outras tradições musicais. Atua de forma consistente na cena artística brasileira, desenvolvendo um trabalho que valoriza a musicalidade flamenca em seus aspectos rítmicos, poéticos e expressivos, com atenção especial ao cante, à guitarra e à construção sonora da cena.Como diretor musical, é responsável pela concepção, arranjo e condução de espetáculos, integrando música, dança e dramaturgia com rigor técnico e sensibilidade artística. Seu trabalho se caracteriza pela escuta atenta do corpo dançante, pela adaptação musical às necessidades cênicas e pela criação de ambientes sonoros que potencializam a expressividade do flamenco.Além da atuação artística, Ozir Padilha participa de processos formativos, colaborações interdisciplinares e projetos de pesquisa cultural, contribuindo para o aprofundamento do flamenco como linguagem viva, em diálogo com contextos contemporâneos e com outras manifestações tradicionais. Sua trajetória reflete o compromisso com a excelência artística, a transmissão de saberes e a valorização da música como eixo estruturante da experiência cênica.CLAUDIA ORTIZ - REDAÇÃO E REVISÃOClaudia Ortiz é formada em Letras, com mestrado em Literatura pela UFPR. Tem romanceS publicadoS (escreve desde criança - prosa, poesia e dramaturgia), é revisora de textos, tradutora, professora de português e espanhol, e estudiosa de práticas corporais, sobretudo yôga e flamenco. Paralelamente às atividades relacionadas à sua formação (aulas de português, para brasileiros e estrangeiros, revisão e tradução de textos), dedica-se há mais de vinte anos à música e à dança dentro dos estudos da arte flamenca.ALESSANDRA DIAS ZABOTProponente, responsável pela gestão financeira, coordenação geral e pesquisa. É jornalista e bailaora há 25 anos, já realizou pesquisa de campo voltada ao Flamenco em Sevilla. Currículo anexado no Salic

Providência

Abertura de conta bancária de livre movimentação em 30/03/2026. Solicitamos ao proponente que compareça a sua agência de relacionamento e faça a regularidade do cadastro com a apresentação de documentos e assinaturas (conformidade das contas). Para que seja possível prosseguir com o recebimento de aporte e a transferência de recursos.