Início: 15/01/2027Término: 15/12/2027Aceite: 20/10/2025
INFILTRAÇÃO é uma exposição itinerante da artista visual Mari Queiroz, que transforma a vivência de uma violência sexual em um manifesto artístico e coletivo. O projeto reúne seis obras que articulam fotografia, vídeo, texto, gravura e performance, a partir de um processo de escuta sensível do corpo, da memória e do trauma. Com itinerância por cinco cidades brasileiras e ampla acessibilidade física e de conteúdo, o projeto propõe uma experiência estética, política e afetiva, em que o testemunho se torna linguagem artística e a dor silenciada se infiltra, como possibilidade de transformação e partilha, para transmutar sentimentos, por meio da arte e da cultura. A exposição é ativada por 10 oficinas com rodas de conversa, abertas ao público, sendo 2 em cada cidade por onde o projeto vai circular, prioritariamente, em instituições que atendam vítimas de violência; Em cada cidade, haverá também uma abertura da exposição com visita guiada com presença da artista. Tudo gratuito e acessível.
Uma exposição da artista visual que emerge de uma experiência real de violência sexual sofrida na juventude e do gesto de retorno ao local do crime. Durante um ano, a artista refaz o caminho até a casa onde tudo aconteceu, em um processo de escuta profunda do corpo, coleta de musgos, mofos e bolores, cultivo do que crescia à margem e elaboração simbólica do trauma.Transformando o percurso em prática artística, Mari cria um corpo de obras que entrelaça fotografia, gravura, vídeo e performance. Ao recolher o que infiltra e sobrevive, como os musgos, a artista constrói um campo de sensações que não busca explicar, mas tocar, transbordar e partilhar. A exposição propõe uma travessia sensorial e afetiva, onde o testemunho se converte em poética e arte.Além da experiência estética, INFILTRAÇÃO propõe um processo de escuta coletiva. Em cada cidade de itinerância, serão realizadas duas oficinas de bordado em footografia com rodas de conversa: uma no espaço expositivo, e outra em instituições de acolhimento a vítimas de violência, com presença da artista, mediadoras, de uma artista convidada e um profissional da saúde mental. Haverá ainda visitas guiadas na abertura das exposições e oficinas de artes visuais. INFILTRAÇÃO transforma a dor em gesto compartilhado, e a memória silenciada em paisagem sensível. Reivindica o corpo como lugar de escuta, a arte como lugar de sobrevivência, e a presença como resposta à tentativa de apagamento. Trata-se de um manifesto sobre o que vaza, sobrevive, infiltra e, finalmente, floresce.
Objetivo Geral Promover, por meio da instalação e da oficina cultural, uma experiência sensorial e crítica sobre a persistência da violência de gênero na vida e na memória de tantas mulheres e difundir a manifestação artística como ferramenta de transmutação de episódios traumáticos.Objetivo específico- Exibir a instalação composta por seis obras que envolvem fotografia, performance, vídeo e texto;- Estimular o debate sobre a violência de gênero, utilizando o corpo e a arte contemporânea como ferramenta de elaboração, resistência e convívio; - Democratizar o acesso à arte por meio de oficinas de bordado em fotografia, com artistas. - Dar visibilidade à produção de uma artista mulher que atua com rigor técnico e poético, para inspirar outras artistas;- Colocar a violência de gênero e suas consequências subjetivas no centro do debate social e cultural, por meio da arte;- Provocar reflexão crítica sobre o silenciamento das diversas formas de violência de gênero;- Disponibilizar o registro dos bastidores do projeto em plataformas digitais para ampliar o acesso aos conteúdos;
O projeto INFILTRAÇÃO nasce da urgência de dar visibilidade a uma pauta ainda marcada por silenciamento e estigmas: a violência sexual. No Brasil, em 2024, foram registrados mais de 78 mil casos de estupro, o que equivale a uma média de nove ocorrências por hora, de acordo com dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública do Ministério da Justiça e Segurança Pública (Sinesp). Dentre as vítimas, a grande maioria é de mulheres, com 67.883 registros.A violência sexual, além de uma grave violação de direitos humanos, é um trauma que frequentemente se prolonga por toda a vida, em ciclos de silenciamento, revitimização e apagamento social. A arte, nesse contexto, pode se tornar ferramenta de elaboração, sensibilização e partilha. É nesse território que atuamos, ao transformar a dor pessoal da artista Mari Queiroz em linguagem sensível, coletiva e política, articulando um processo de escuta que atravessa corpo, espaço e comunidade.Por meio de uma exposição composta por seis obras interligadas e ações públicas de mediação e intervenção, o projeto oferece uma experiência estética e social rara na qual a memória traumática pode ser partilhada sem espetacularização, e onde o público é convidado à escuta e à presença. A cada cidade da itinerância, o projeto se articula com instituições que acolhem vítimas de violência, promovendo oficinas e rodas de conversa que integram arte, saúde mental e cuidado.O projeto dialoga diretamente com políticas públicas como o Pacto Nacional pelo Enfrentamento à Violência contra as Mulheres (Ministério das Mulheres) e com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ONU), especialmente os ODS 5 (Igualdade de Gênero), ODS 10 (Redução das Desigualdades) e ODS 16 (Paz, Justiça e Instituições Eficazes).Além disso, INFILTRAÇÃO contribui para a democratização do acesso à cultura ao propor uma exposição acessível, com versões legendadas e audiodescrição.Ao trazer à cena uma narrativa sensível sobre a violência e sua persistência no corpo e na memória, o projeto amplia a compreensão sobre a arte como espaço de escuta, cuidado e resistência. INFILTRAÇÃO propõe uma travessia poética e política que borra os limites entre o íntimo e o coletivo, o visível e o silenciado.A violência sexual é um problema estrutural no Brasil, atravessado por silenciamentos, culpas impostas e falta de escuta. Neste contexto, o projeto INFILTRAÇÃO surge como resposta artística a essa realidade, elaborando o trauma a partir do corpo, da repetição e da matéria orgânica. O projeto ainda contribui para a democratização da arte contemporânea, com itinerância nacional, acessibilidade ampla e materiais pensados para circulação em ambientes institucionais. O projeto se enquadra no Art. 1º da Lei 8813/91 por:I - contribuir para facilitar, a todos, os meios para o livre acesso às fontes da cultura e o pleno exercício dos direitos culturais; II - promover e estimular a regionalização da produção cultural e artística brasileira, com valorização de recursos humanos e conteúdos locais;III - apoiar, valorizar e difundir o conjunto das manifestações culturais e seus respectivos criadores;V - salvaguardar a sobrevivência e o florescimento dos modos de criar, fazer e viver da sociedade brasileira;Além disso, o projeto tem por finalidade, dentre as elencadas no Art. 3º da Lei 8313/91, o fomento à produção cultural e artística, mediante a realização da exposição e das oficinas culturais;
O projeto INFILTRAÇÃO será realizado ao longo de 12 meses e está dividido em três grandes fases: PRÉ-PRODUÇÃO Duração: 3 meses Ações principais:Reunião de alinhamento da equipe técnica e artística;Definição dos e espaços expositivos e da parceria com centros culturais e instituições;Elaboração dos cronogramas locais e logística de transporte e montagem;Contratação de equipe de produção, acessibilidade, comunicação e mediação;Desenvolvimento e finalização de materiais gráficos e digitais;Pré-Produção da exposição, catálogos e materiais online acessíveis;Testes de acessibilidade e ajustes técnicos das obras interativas;Atualização do site do projeto e das novidades e bastidores em plataformas de acesso digital.EXECUÇÃODuração: 8 meses Ações principais:Transporte da instalação e da equipe entre as cidades participantes;Montagem da exposição em cada espaço, com adequações específicas por cidade;Realização de visitas guiadas com a artista e equipe de mediação;Ativação da obra "Mas o branco não é vazio" com performance de costura ao vivo;Realização das oficinas com rodas de conversa (duas por cidade);Cobertura fotográfica e audiovisual de cada ação;Divulgação local e nacional, com foco em redes sociais, imprensa e mídias alternativas;Monitoramento de acessibilidade e atendimento ao público.Edição e finalização dos registros fotográficos e audiovisuais;Elaboração do catálogo digital com registros e textos curatoriais;Divulgação do catálogo em plataformas online gratuitas; PÓS-PRODUÇÃO Duração: 1 mêsAções principais:Compilação de resultados e elaboração de relatório final;Prestação de contas financeira e técnica junto à Secretaria Especial da Cultura;Reunião de avaliação com equipe e parceiros locais;Divulgação dos resultados do projeto nas redes sociais e site institucional.
A atividade principal do projeto INFILTRAÇÃO é a realização de uma exposição, itinerante e acessível, composta por seis obras interligadas que se desdobram em oficinas de bordado em fotografia e rodas de bate papo sobre o poder da arte na ressignificaçãod e episódios traumáticos. A instalação é ativada pela presença da artista, por performances e mediações.A programação do projeto contempla:1. EXPOSIÇÃO DAS SEIS OBRAS PRINCIPAISAs SEIS obras — Mas o branco não é vazio, Áreas permeáveis evitam enchentes, A água que cai do céu, é absorvida pelo solo, Em breve, um jardim florescerá aqui, Na verdade, não importa muito e Mas por que você entrou lá? — são montadas simultaneamente nos espaços expositivos, em diálogo entre si e com o público. A montagem é adaptável, respeitando as dimensões e estrutura de cada local.2. OFICINAS COM RODA DE CONVERSA (2 por cidade)A cada cidade da itinerância, serão realizadas duas oficinas de bordadoo em fotografia com roda de conversa:As oficinas e bate-papos serão compostas por Mari Queiroz, uma mediadora, uma artista convidada e uma profissional da saúde mental.As ações são pensadas como espaço de escuta sensível, reflexão coletiva e diálogo entre arte, corpo e trauma, com interpretação em LIBRAS e materiais de apoio acessíveis.3. PERFORMANCE DE COSTURADurante a exposição, a artista realiza performance de bordado ao vivo na obra “Mas o branco não é vazio”, com duração aproximada de 1 hora, em data previamente agendada. O público é convidado a assistir e a acompanhar o processo, que acontece em silêncio, em ambiente intimista.4. VISITA GUIADA COM A ARTISTAA abertura de cada exposição será marcada por uma visita guiada conduzida por Mari Queiroz, com duração de 40 minutos. A atividade será acessível, com intérprete de LIBRAS, e aberta ao público, mediante agendamento.5. COLAGEM COLETIVA DE LAMBESA instalação Áreas permeáveis evitam enchentes se desdobra em uma outra ação: colagem de lambe-lambes realizadas em parceria com uma instituição de acolhimento a vítimas de violência em cada cidade. Essa ativação aparece como forma de infiltração simbólica da escuta e da partilha, voltada para o público atendido.6. DOCUMENTAÇÃO E REGISTROTodas as etapas serão registradas em foto e vídeo para posterior divulgação e memória. A equipe de registro atuará em cada cidade para captar as ações, rodas, colagens e reações do público.OFICINA CONTRAPARTIDA: O avesso da linhaOficina de bordado em fotografia – 12 pessoas (duração 2h30)PROPOSTAO avesso da linhaO tema da oficina O avesso da linha tem como objetivo relacionar a história pessoal dos participantes, do presente e/ou passado, mediadas por fotografias e intervenções bordadas, oferecendo dispositivos para que possam narrar suas histórias de vida e se manifestarem politicamente.O desafio para cada participante é selecionar fotografias que acionem suas memórias, transitando entre os territórios privado e político, registrando as marcas sofridas pelo corpo ao percorrer e interagir entrelaçando esses espaços. A proposta é pensar o avesso como parte fundamental do bordado, como meio de dizer aquilo que não pode ser dito, trabalhando o ritmo da feitura dos pontos não somente através da repetição, mas principalmente pelo seu encadeamento. A reescrita da memória acontece na reconstrução, na recostura, na sutura e no bordado das perdas e dores, proporcionando consciência política aos participantes ao criar espaços coletivos de partilha e cuidado.O bordado se apresenta como atividade coletiva, lugar de conversa e espaço de escuta. Serão apresentados trabalhos de artistas que utilizam essa técnica para tensionar e ampliar os sentidos visuais e simbólicos das fotografias, promovendo discussões sobre imagem, memória, silêncio e gesto.Os participantes serão convidados a explorar o bordado como linguagem expressiva aplicada a imagens fotográficas. Cada participante desenvolverá um trabalho autoral bordado sobre uma fotografia de sua escolha, criando uma narrativa própria atravessada por aspectos práticos e plásticos dos materiais. Não há necessidade de conhecimento prévio de bordado.
A exposição é composta por seis obras de diferentes naturezas e suportes, além de ações formativas e de mediação. Todas as peças exigem estrutura de montagem adaptável ao espaço expositivo, e os materiais são pensados para acessibilidade, circulação e preservação da integridade poética da obra. A Visita Guiada com a artista terá duração de 40 minutos. Será realziada na abertura da exposição em cada cidade1. Mas o branco não é vazioTipo: Instalação-performanceTécnica: Impressão jato de tinta sobre papel + bordado manualDimensão final: aproximadamente 2m x 10mQuantidade: 452 fotografias costuradas manualmente pela artistaApresentação: Performance ao vivo de 1h, com costura progressiva das imagens, realizada em datas agendadasNecessidades técnicas: parede para suporte da obra, mesa e cadeira para performance, iluminação suave, estrutura de som ambiente. 2. Áreas permeáveis evitam enchentesTipo: Instalação com intervenção urbana opcionalTécnica: fotografias digitais de musgos impressas em lambe-lambe (papel offset 90g)Dimensão: 20cm x 20cm cada (formação orgânica expansiva, adaptável ao espaço disponível)Montagem: colagem lado a lado a partir de um ponto central em parede expositiva (ou muros públicos, com autorização)Complemento: adesivos com QR code colados sobre os lambe-lambesRecursos: Instruções de colagem, estrutura de participação coletiva. 3. A água que cai do céu, é absorvida pelo soloTipo: Vídeo-arte com acesso digitalDuração:7’30” Formato: filme transmitido em telão que também pode ser acessado por QR codeConteúdo: sobreposição de vídeos com áudios de relatos da artistaAcessibilidade: versão com audiodescrição e legendas descritivasRecursos necessários: impressão de QR code em adesivo; hospedagem do vídeo em site responsivo. 4. Em breve, um jardim florescerá aquiTipo: Políptico de gravurasTécnica: litografia, monotipia com musgo entintadoQuantidade: 13 obras (12 meses + 1 epílogo)Dimensão: 60 x 42 cm cadaMontagem: disposição sequencial na parede, com iluminação difusaRecursos: molduras ou sistema de fixação invisível; ficha técnica acessível com audiodescrição. 5. Na verdade, não importa muitoTipo: Livro de artista;Técnica: datilografia sobre papéis jornal e resíduos de impressão das obras anteriores, envelopes de conservação contendo musgo coletado;Paginação: aproximadamente 60 páginas;Material: impressão artesanal sobre resíduos gráficos;Apresentação: sobre mesa de leitura, com audiodescrição;Recursos: luvas para manuseio,mesa, cadeira com iluminação focada e espaço silencioso para leitura. 6. Mas por que você entrou lá?Tipo: PolípticoTécnica: Aquarela sobre impressão em jato de tintaQuantidade: 16 obras (32cm x 25 cm cada)Dimensão do políptico:1,30m x 1,0cm Apresentação:16 obras, pilha de posters take one, bloco de notas, espetos de papelariaRecursos: Moldura, totem, caneta, pino para espetar os registros. AÇÕES FORMATIVAS E PEDAGÓGICASOficina com Rodas de Conversa: duas por cidade (1 no local expositivo e 1 em instituição de acolhimento a vítimas de violência)Duração: 2h30 cadaParticipantes: artista, convidada, mediadora, profissional de saúde mentalAcessibilidade: LIBRAS, espaço com acessibilidade física
Proponente e Artista: Mari Queiroz (São Paulo, 1967) é artista visual, fotógrafa e escritora, com trajetória marcada pela investigação das relações entre imagem, corpo, silenciamento e memória. Licenciada em Educação Artística pela ECA/USP e pós-graduada em Práticas Artísticas Contemporâneas pela FAAP, Mari desenvolve uma produção que articula fotografia, instalação, texto, gravura e performance, com forte caráter experimental e autobiográfico. Após atuar como fotógrafa e assistente na Editora Abril entre os anos 1990 e 2000, migrou para uma prática autoral voltada à criação de obras que tensionam os limites entre documento e ficção, imagem e palavra. Seus trabalhos exploram a sobreposição de materiais, a apropriação de arquivos pessoais e a criação de autoficções, subvertendo a ideia da memória como algo neutro e estático. Foi premiada internacionalmente, com destaque para o Latin American Fotografía 4 (Nova York) e menções honrosas no Prix de la Photographie (Paris) e no Fine Art Photography Awards (Londres). Também atuou como professora, pesquisadora e participante de residências artísticas e grupos de estudos dedicados à poética da imagem, à escrita de si e à arte feita por mulheres. Vive e trabalha em São Paulo, onde desenvolve o projeto INFILTRAÇÃO, uma instalação imersiva que transforma a experiência da violência em narrativa visual, expandindo os limites entre arte, escuta e elaboração coletiva do trauma. Participou de importantes mostras coletivas e individuais, como:Todo Corpo em Deslocamento tem Trajetória (13º Diário Contemporâneo de Fotografia, Belém, 2024);Áreas Permeáveis Evitam Enchentes (MAR – Museu de Arte de Rua, SP, 2023 / MUDDA, Goiânia, 2024);A Água que Cai do Céu, É Absorvida pelo Solo (Festival de Audiovisualidades, Museu Oscar Niemeyer, Curitiba, 2024);Um Retrato para o Novo Mundo (Casa da Luz, SP, 2021);A Menina Mais Feia da Turma (Ateliê 397, SP, 2019);Desalinho (Fotonostrum, Barcelona, 2019 / Fotofever, Paris, 2017). Curadoria e Coordenadora Geral: Ana Vasconcellos - Ana Vasconcellos é jornalista (Faculdades Integradas Alcântara Machado) e especialista em Gestão de Projetos Culturais (USP), com formação em Arquitetura e Urbanismo (Senac, 2016) e enfoque em arquitetura cenográfica e produção expositiva. É sócia-diretora da Staff Co Workers e coordenadora de quatro exposições atualmente em cartaz no Museu Afro — Emanoel Araújo, em São Paulo. Com sólida atuação como gestora cultural, participou da organização de eventos de grande impacto, como a FLIP (Festa Literária Internacional de Paraty), e produziu exposições no CCBB (Keith Haring and Andy Warhol), no MASP (Albert Watson) e na Pinacoteca (500 anos de Design). Em Paraty, coordenou a mostra “Museu do Território” e integrou a equipe do projeto “Brasil 500 Anos”. Recentemente, atuou como conselheira e produtora do Museu Itamar Assumpção e produziu o Memorial Chico Xavier, ambos com forte articulação cultural e memória histórica. Durante seis anos, foi responsável por toda a produção da Escola São Paulo, incluindo curso de Arte e Moda em Paris e exposição em Florença (Itália). Também coordenou a comunicação e parcerias do Projeto Quixote e do Pró Saber SP durante quatro anos. Na área audiovisual, trabalhou na produção de programas de educação à distância (como o Telecurso 2000) e coordenou projetos no estúdio de desenho animado PinGuim Content, incluindo o Show da Luna! e o longa-metragem Tarsilinha. Sua trajetória evidencia um perfil profissional marcado pela capacidade de conectar diferentes setores culturais — literatura, arte, educação, audiovisual e animação — com sensibilidade à memória, ao espaço e à colaboração. Multidisciplinar e experiente, Ana contribui significativamente para o desenvolvimento e execução de projetos culturais complexos, que integram pesquisa, produção técnica e diálogo comunitário. Texto curatorial: Lívia Aquino (Fortaleza, 1971) é artista visual, pesquisadora e professora com formação em Psicologia (UFPR), mestrado em Multimeios (UNICAMP, 2005) e doutorado em Artes Visuais (UNICAMP, 2014). Atua como docente nos cursos de graduação em Artes Visuais e Produção Cultural, e no mestrado em Práticas Artísticas Contemporâneas da FAAP, em São Paulo. Sua prática cruza imagem, escrita e espaço, explorando o potencial da fotografia e do texto como dispositivos de memória, afetividade e documentação. Autora do livro Picture Ahead: a Kodak e a construção do turista-fotógrafo — vencedor do Prêmio Funarte Marc Ferrez em 2015 —, Livia também foi editora do blog Dobras Visuais entre 2009 e 2017. Participou de exposições e mostras em instituições renomadas como o Parque Lage, Pinacoteca de São Paulo, Museu de Arte Moderna de São Paulo, Centro Cultural da Diversidade e Fundação Joaquim Nabuco, além de espaços internacionais como HilbertRaum Gallery (Berlim). Entre suas obras expressivas está Reparo (2019), apresentada na Arte Londrina 8 — onde articula memória íntima e violência histórica. Desde 2017, coordena oficinas de costura colaborativa relacionadas à história da arte política brasileira, destacando-se o projeto 2720 Viva Maria (exposição na Casa da Imagem, SP, de outubro de 2021 a junho de 2022), que revisitava o ícone de Waldemar Cordeiro reinterpretado como bandeira coletiva. Com uma abordagem que integra a imagem poética à educação emancipatória, Livia trabalha com questões de memória, corpo e coletividade. Sua trajetória une produção, ensino e pesquisa, consolidando uma prática atenta tanto ao contexto institucional quanto aos espaços de criação independente — entre os afetos e os vestígios da história.Expografia: Amanda Konig é produtora cultural e projetista com atuação transdisciplinar entre cenografia, design e arquitetura. Com uma escuta atenta ao espaço e ao corpo, sua prática articula técnica e sensibilidade, explorando formas de construir atmosferas que acolham narrativas, encontros e experiências imersivas. Participou como voluntária na produção cenográfica de uma casa de shows itinerante, onde integrou equipes de montagem, design de palco e ambientação — experiência que a aproximou da linguagem da performance, da efemeridade e do espaço como elemento vivo e mutável. A cenografia, para Amanda, é entendida como dispositivo de afetação e escuta. Entre 2018 e 2020, viveu em Sydney, Austrália, onde atuou como projetista freelancer em escritórios de arquitetura, desenvolvendo projetos técnicos em escalas residencial e comercial. Essa vivência internacional ampliou seu repertório estético e sua fluência em diferentes linguagens visuais e culturais, fortalecendo sua atuação em ambientes colaborativos e multiculturais. Seus projetos são marcados por um pensamento visual atento à materialidade, à luz e ao gesto, dialogando com referências da arquitetura afetiva, da arte relacional e da cenografia contemporânea. Amanda valoriza processos compartilhados e o atravessamento entre arte e cotidiano, atuando na mediação entre conceito e forma. Com fluência em inglês, alia precisão técnica e empatia criativa — competências essenciais em projetos que envolvem curadoria espacial, produção cultural e expressão poética do espaço.
O projeto INFILTRAÇÃO está comprometido com os princípios da Lei de Acessibilidade e da Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, e vai adotar práticas que garantam acessibilidade física e de conteúdo na concepção, execução e circulação da instalação.A proposta foi estruturada para que pessoas, com ou sem deficiência, possam fruir integralmente da experiência artística, participar das ações de mediação e acessar o conteúdo proposto de forma autônoma e inclusiva.ACESSIBILIDADE FÍSICATodas as atividades do projeto acontecerão em espaços culturais que atendam às exigências de acessibilidade física, contemplando:Rampas de acesso e corrimãos: garantindo autonomia a pessoas com mobilidade reduzida;Banheiros adaptados: equipados e devidamente sinalizados;Pisos táteis ou guias táteis: para orientação de pessoas com deficiência visual, sempre que a estrutura física do local permitir;Portas e corredores com largura adequada: compatíveis com cadeiras de rodas e andadores;Espaços reservados para cadeirantes e acompanhantes: nas rodas de conversa e visita guiada;Sinalização visual, tátil e monitores especializados para acompanhamento e orientação dentro da exposição;Equipe de apoio treinada: para acompanhar pessoas neuroatípicas durante as atividades.Além disso, a montagem da instalação será pensada para permitir circulação fluida, com espaçamento entre obras e visibilidade para pessoas de diferentes estaturas e condições físicas.ACESSIBILIDADE DE CONTEÚDOO projeto prevê recursos acessíveis que garantam compreensão e fruição do conteúdo da obra para pessoas com deficiência sensorial, intelectual ou neurodivergência.As exposições, oficinas e visitas guiadas contarão com intérprete de LIBRAS, audiodescrição e monitores treinados;Vídeos institucionais e de divulgação terão versão com legendagem e textos alternativos descritivos para pessoas com deficiência visual. Os vídeos e materiais audiovisuais da instalação, como "A água que cai do céu, é absorvida pelo solo", contarão com versões legendadas.Todos os vídeos com falas ou efeitos sonoros relevantes serão acompanhados de legendas descritivas, que indicam diálogos, sons do ambiente e trilha sonora.Textos curatoriais, títulos das obras e ficha técnica estarão disponíveis em fonte ampliada e também em versão digital compatível com leitores de tela; Haverá disponibilização de materiais informativos online em formato acessível em PDF. Serão oferecidas visitas sensoriais mediadas para pessoas com deficiência intelectual, pessoas autistas ou com baixa visão, com foco em estímulos táteis, auditivos e descritivos; Essas visitas deverão ser agendadas previamente em diálogo com instituições locais, escolas e coletivos específicos. A instalação incluirá QR codes nos lambe-lambes e nos materiais expositivos, levando a conteúdos digitais acessíveis: Vídeos e textos explicativos; Material didático e institucional adaptado; A equipe envolvida nas ações de mediação e acolhimento passará por orientação específica sobre acessibilidade cultural, linguagem inclusiva e acolhimento sensível a públicos diversos. A acessibilidade está presente desde a concepção da obra até suas ações de circulação e registro, refletindo o próprio conceito do projeto: infiltrar sensibilidade, escuta e cuidado nos espaços onde historicamente predominou o silêncio e o apagamento.
O projeto INFILTRAÇÃO estabelece estratégias concretas de democratização de acesso em todos os seus eixos: concepção artística, circulação, participação pública, acessibilidade e compartilhamento dos conteúdos. A seguir, destacamos as ações que garantem esse compromisso:1. Entrada gratuita em todos os espaços de exposição: todas as atividades presenciais da instalação – exposições, rodas de conversa, oficinas e visitas guiadas – serão oferecidas gratuitamente ao público, sem cobrança de ingresso, reforçando o caráter inclusivo do projeto.2. Acessibilidade física e de conteúdo: todas as ações seguem os parâmetros da Lei de Acessibilidade e da Lei Brasileira de Inclusão, conforme detalhado na seção anterior, garantindo pleno acesso para pessoas com deficiência.3. Realização em diferentes regiões do país: a instalação será apresentada em cinco cidades brasileiras, com atenção à diversidade geográfica e à circulação em espaços acessíveis e públicos, garantindo amplitude territorial e descentralização.4. Oficinas com Rodas de conversa abertas ao público: em cada cidade, ocorrerão duas oficinas de bordado em fotografia com rodas de conversa, uma em centro cultural e outra em instituição de acolhimento a mulheres em situação de violência. As rodas serão gratuitas, com intérprete em LIBRAS e distribuição de materiais de apoio.5. Acesso online gratuito aos conteúdos expandidos da obra: vídeos e textos.6. Será produzido um catálogo digital da exposição com textos curatoriais, registros e depoimentos. A publicação será disponibilizada online gratuitamente em PDF acessível, com versão em fonte ampliada e compatível com leitores de tela.7. A abertura de cada exposição contará com visita guiada da artista, gratuita e com recursos de acessibilidade. Haverá ainda visitas mediadas para grupos de escolas públicas, coletivos e organizações sociais.8. Oficinas formativas voltadas para artes visuais e a escuta sensível, narrativas visuais e processos de elaboração do trauma, priorizando mulheres, pessoas LGBTQIAPN+, vítimas de violência e jovens em situação de vulnerabilidade.Adotamos essas medidas voltadas à ampliação do acesso, à participação ativa e ao compartilhamento de sentidos, para possibilitar que o projeto seja, de fato, coletivo e transformador.