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Desvira-Casaca

Início: 01/02/2027Término: 30/11/2027Aceite: 26/10/2025

Resumo

O projeto Desvira-Casaca propõe uma exposição multilinguagem dedicada à valorização da cultura tradicional capixaba, com foco no Congo, patrimônio imaterial do Espírito Santo. A iniciativa busca "desvirar" narrativas coloniais que reduziram a identidade local à herança europeia, recolocando no centro a ancestralidade negra, caiçara e afro-brasileira. A exposição principal será realizada em Vitória/ES, no Mercado da Capixaba ou no Mucane, e será acompanhada por um ciclo de oficinas formativas em diferentes territórios: nos CRJs de Serra, Vila Velha, Vitória e Guarapari, conduzidas pelo Mestre Domingos; uma edição especial com o grupo Madalenas do Jucu, voltada a mulheres negras, em Jabaeté; e uma oficina no Centro Cultural Casa Sinestésica, em Guarapari, com comunidades caiçaras. As oficinas promoverão vivências práticas de ritmos, cantos e danças do Congo, cujos registros integrarão a exposição, ao lado das obras do Mestre Domingos.

Objetivos

Objetivo GeralPromover a valorização, difusão e educação patrimonial sobre o Congo capixaba, integrando formação, criação artística e exposição pública, fortalecendo a identidade afro-brasileira e caiçara do Espírito Santo.Objetivos Específicos - Realizar uma exposição multilinguagem com obras de artistas capixabas e peças do Mestre Domingos;- Oferecer oficinas formativas em CRJs (Serra, Vila Velha, Vitória e Guarapari), no projeto Tons de Amora (Jabaeté/Vila Velha) e na Casa Sinestésica (Guarapari);- Incentivar a criação artística durante as oficinas, com seleção de obras dos participantes para compor a exposição final;- Produzir o livro ilustrado "Desvira-Casaca: Ilustrações e Memórias do Congo Capixaba", com 30 páginas e tiragem de 500 exemplares (100% distribuídos gratuitamente);- Produzir um mini documentário de até 10 minutos sobre o Congo e o processo formativo;- Promover o acesso gratuito, inclusivo e territorializado, valorizando mestres, mulheres e comunidades tradicionais;- Fortalecer políticas de educação patrimonial, diversidade e cultura popular no Espírito Santo.

Justificativa

O Congo capixaba é uma das mais potentes expressões culturais do Espírito Santo — uma manifestação de origem africana que entrelaça música, dança, fé, oralidade e ancestralidade. Nascido nos quilombos, terreiros e comunidades pesqueiras, o Congo é, ao mesmo tempo, resistência e celebração, arte e espiritualidade. Apesar de seu valor imensurável, essa expressão segue marginalizada por uma narrativa histórica eurocêntrica que, ao longo dos séculos, reduziu a identidade capixaba à herança colonial portuguesa. O projeto Desvira-Casaca nasce como um gesto simbólico e político de reparação cultural: propõe "desvirar" essas narrativas, recolocando no centro a contribuição negra, caiçara e afro-brasileira na formação do território e da cultura capixaba.A exposição multilinguagem Desvira-Casaca propõe uma experiência sensorial e educativa que valoriza mestres, grupos e comunidades guardiãs da tradição do Congo, especialmente figuras como Mestre Domingos, que há décadas mantêm viva essa herança. Ao reconhecer o Congo como arte viva — e não como folclore ou resquício do passado — o projeto reafirma o papel das culturas populares como pilares da identidade nacional e como práticas de resistência frente à homogeneização cultural imposta pela modernidade colonial.O uso do Mecanismo de Incentivo a Projetos Culturais (Lei nº 8.313/1991) é indispensável para a realização deste projeto. O Desvira-Casaca se enquadra diretamente nos incisos I, II, IV e VI do Art. 1º da referida lei, por:- estimular a difusão da cultura e das artes;- apoiar a formação artística e cultural;- preservar o patrimônio histórico e artístico (material e imaterial);- e estimular a produção cultural local.Além disso, alcança diversos objetivos do Art. 3º, ao:- garantir o direito de todos ao acesso à cultura;- promover a valorização da diversidade étnica e regional;- contribuir para a formação de público e de novos agentes culturais;- e fortalecer a descentralização das ações culturais, ampliando o acesso a territórios periféricos e populares.O incentivo fiscal é o único instrumento capaz de viabilizar um projeto dessa natureza com acesso gratuito e universal, garantindo remuneração justa a mestres e artistas populares, produção editorial e audiovisual de qualidade e condições técnicas e de acessibilidade adequadas à realização da exposição e das oficinas. O Congo, como expressão essencialmente comunitária, depende da transmissão oral e da prática coletiva — e é nesse sentido que as oficinas territoriais do Desvira-Casaca se tornam fundamentais: elas possibilitam o encontro entre gerações, a troca de saberes e a formação de novos guardiões dessa tradição.As atividades serão realizadas em Centros de Referência de Juventude (CRJs) e espaços culturais parceiros em Vitória, Vila Velha, Serra e Guarapari, priorizando públicos historicamente excluídos das políticas culturais — juventudes periféricas, mulheres negras e comunidades caiçaras. Assim, o projeto atua na fronteira entre arte, educação e cidadania, fortalecendo o sentimento de pertencimento e reconstruindo pontes entre as populações urbanas e suas raízes afro-brasileiras.O Desvira-Casaca também se propõe a gerar produtos de memória e difusão — registros fotográficos, audiovisuais e editoriais — que assegurem a circulação do conteúdo em escolas, museus e redes digitais. Essa estratégia amplia o alcance da ação, democratizando o acesso ao patrimônio cultural e contribuindo para o reconhecimento do Congo como símbolo de identidade e resistência capixaba.Em um cenário de desmonte das políticas públicas de cultura popular, o projeto reafirma a urgência de políticas de fomento estruturantes e contínuas. O uso da Lei de Incentivo à Cultura não é apenas um meio de financiamento, mas um instrumento de equidade, que garante que mestres populares, muitas vezes sem acesso a editais ou estrutura institucional, possam ter suas obras e saberes valorizados em pé de igualdade com outras expressões artísticas.Ao reunir artistas visuais, comunicadores, produtores e mestres da tradição em um mesmo gesto curatorial, o Desvira-Casaca constrói uma rede colaborativa que amplia o diálogo entre arte contemporânea e cultura popular. A exposição é, assim, mais que uma mostra — é um espaço de encontro entre linguagens e temporalidades, uma pedagogia da memória que ressignifica o olhar sobre o Espírito Santo e sobre o Brasil.Alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, especialmente os ODS 4 (Educação de Qualidade), 5 (Igualdade de Gênero), 10 (Redução das Desigualdades) e 11 (Cidades e Comunidades Sustentáveis), o projeto contribui para a construção de uma cultura cidadã e diversa, que reconhece a arte e o conhecimento popular como forças de transformação social.Portanto, o Desvira-Casaca justifica-se plenamente no escopo da Lei nº 8.313/1991: é uma iniciativa de caráter formativo, educativo e patrimonial, que promove inclusão, diversidade e acesso, ao mesmo tempo em que fortalece a economia criativa e a valorização das expressões afro-brasileiras. Em síntese, é um projeto que repara, celebra e reconecta — uma convocação coletiva para desvirar as casacas da história e reconhecer, no Congo, a batida viva do Espírito Santo.