Início: 20/01/2027Término: 31/10/2028Aceite: 09/04/2026
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Projeto de Digitalização do Acervo Hemerográfico do Correio BrazilienseContextualização histórica e panorama do acervoFundado em 21 de abril de 1960, no mesmo dia da inauguração de Brasília, o Correio Braziliense nasce como parte constitutiva do projeto político, urbano e simbólico da nova capital federal. Desde sua primeira edição, o jornal acompanhou de forma contínua o desenvolvimento da cidade, registrando seus processos de construção, consolidação institucional e transformação social ao longo de mais de seis décadas.Diferentemente de outros periódicos brasileiros, cuja trajetória se vincula a cidades já consolidadas, o Correio Braziliense constrói sua história em paralelo à própria história de Brasília. Nesse sentido, seu acervo hemerográfico ultrapassa o valor de memória institucional de um veículo de imprensa, constituindo-se como uma das mais completas e contínuas fontes documentais sobre a formação e evolução da capital do país.Ao longo de sua existência, o jornal acumulou um acervo expressivo, atualmente sob a guarda do Centro de Documentação (CEDOC), setor responsável pela preservação da memória institucional, organização da informação e apoio às atividades editoriais e de pesquisa. O CEDOC mantém encadernações das edições do jornal desde sua fundação, formando uma coleção praticamente ininterrupta que cobre décadas de produção jornalística .Este acervo hemerográfico compreende aproximadamente 1.328 volumes encadernados, correspondendo a cerca de 79,7 metros lineares de documentação . Em termos de conteúdo, estima-se um total superior a 1,2 milhão de páginas, considerando o conjunto completo das edições . Apenas no recorte entre 1960 e 1991, são aproximadamente 338 mil folhas, equivalentes a mais de 677 mil páginas .Além do valor quantitativo, destaca-se o valor qualitativo deste conjunto documental. O acervo registra acontecimentos políticos, econômicos, culturais e sociais de relevância local e nacional, incluindo a instalação dos poderes da República em Brasília, o regime militar, a redemocratização, a promulgação da Constituição de 1988 e os ciclos de expansão urbana da capital. Trata-se, portanto, de uma fonte primária essencial para pesquisadores, historiadores, jornalistas e instituições interessadas na história contemporânea do Brasil.Atualmente, o acervo encontra-se parcialmente preservado em diferentes suportes. Além das encadernações físicas, existem microfilmes — aproximadamente 956 rolos — e arquivos digitais em formato PDF que correspondem à documentação nato digital e à parte das edições já digitalizadas . Há também uma cópia de segurança das edições armazenada externamente, o que contribui para a mitigação de riscos relacionados à preservação física .No entanto, as digitalizações existentes apresentam limitações significativas. Os arquivos referentes às edições anteriores ao ano 2000 possuem qualidade reduzida e, em muitos casos, não são pesquisáveis, o que compromete o acesso e a exploração do conteúdo . A ausência de padronização técnica ao longo do processo de digitalização também resulta em heterogeneidade nos materiais disponíveis, dificultando a utilização sistemática do acervo.Adicionalmente, embora exista uma parceria com a Biblioteca Nacional para disponibilização de parte do conteúdo digital, esta cobre um recorte específico do acervo digitalizado a partir de microfilmes e não substitui a necessidade de uma política estruturada de digitalização e gestão interna.Diante desse cenário, evidencia-se a necessidade de um projeto abrangente de digitalização em alta resolução, que permita não apenas preservar adequadamente o acervo físico — sujeito à degradação natural —, mas também ampliar seu acesso e potencial de uso. A adoção de tecnologias mais avançadas, incluindo processamento de imagem e reconhecimento óptico de caracteres (OCR), é fundamental para transformar o acervo em uma base pesquisável, estruturada e interoperável.Mais do que uma ação técnica, este projeto representa um investimento estratégico na preservação da memória de Brasília e do Brasil. O acervo do Correio Braziliense não é apenas um repositório documental, mas um testemunho contínuo da história da capital federal, refletindo as dinâmicas políticas, sociais e culturais que moldaram o país desde a segunda metade do século XX.Sua preservação e qualificação digital garantem que esse patrimônio permaneça acessível às futuras gerações, consolidando o papel do jornal como guardião da memória da cidade e referência para a pesquisa histórica e jornalística no Brasil.