Início: 21/07/2027Término: 25/07/2027Aceite: 22/04/2026
O 2º Circuito Tamboreira Percussiva de mulheres negras e indígenas do nordeste e de outras regiões do Brasil é um conjunto de atividades que promoverá um encontro de fortalecimento, difusão e construção de rede percussiva entre mulheres do Nordeste e de outras regiões do Brasil, estabelecendo também pontes internacionais. Nessa edição, o circuito de oficinas acontecerá em formato presencial, com oficinas, masterclasses, workshops, exibição de filmes, lives e performances artísticas. O circuito nasce de uma cosmopercepção pluriversal que integra as experiências femininas, baseado na pluriversalidade, tendo como princípio fundamental as raízes culturais percussivas africanas e dos povos originários. Acontecerá de 21 a 25 de julho de 2027, em espaços culturais da cidade de São Paulo.
Objetivo geralRealizar 2º Circuito Tamboreira Percussiva com intuito de fortalecer, formar, difundir e ramificar as edificações percussivas entre mulheres negras e indígenas e público em geral do nordeste e de outras regiões do Brasil, promovendo uma espaço de pertencimento e trocas.Objetivos específicosPromover um espaço de formação com conteúdos sobre os tambores e a percussão priorizando mulheres negras e indígenas e aberta para demais público de pessoas não negras e não indígena, incluindo homens, do nordeste e de outras regiões do Brasil;Incentivar mulheres negras e indígenas do nordeste e de outras regiões do Brasil a se relacionar com os tambores;Fortalecer e dar visibilidade a rede de Mulheres negras e indígenas tamboreiras e percussivas do nordeste e de outras regiões do Brasil;Criar um espaço de aprendizados mútuos acerca da percussividade corpórea do tambor;Fomentar o desenvolvimento criativo através da imersão no circuito tamboreira percussiva;Abrir espaço para a circulação econômica entre mulheres negras e indígenas da música percussiva do nordeste e de outras regiões do Brasil;Desmistificar a ideia de que mulher tem que tocar como homem;Contribuir para que as atividades da programação do circuito tamboreiras percussivas seja uma ponte de encontro em que as participantes possam se conectar com a sua maneira própria de comunicar através dos tambores;Desmistificar a ideia de que as mulheres só podem tocar instrumentos leves;Estabelecer um encontro com o sagrado feminino através dos tambores;Proporcionar um espaço de diversão e cura para mulheres negras e indígenas do nordeste e de outras regiões do Brasil;Proporcionar um espaço de segurança, poder, força e invencibilidade feminina diante dos números elevados de feminicídios;
A "Tamboreira Percussiva", programa desenvolvido especialmente para mulheres negras e indígenas do nordeste e de outras regiões do Brasil, trabalha a conexão ancestral e o autoconhecimento através das batidas dos tambores. Sua abordagem envolve mais do que técnica, envolve tempo de reconexão artístico-ancestral. Os procedimentos metodológicos da Tamboreira estão ancorados em cosmo percepções Matrilineares, em que as mulheres são a origem do movimento que concebe o ritmo vital feminino na tradição africana, mas especificamente na tradição nagô. Este trabalho se justifica pela história de vida da artista multidimensional, Loiá Fernandes, mulher preta, nordestina, sapatão, de periferia, em que atravessada pelas estruturas raciais e de gênero, adquiriu experiências durante o trânsito em espaços e grupos musicais majoritariamente masculinos e embranquecidos, na cidade de Salvador, Bahia. Dessa forma a Tamboreira Percussiva se desenvolve enquanto um campo de força a contribuir com a trajetória de mulheres que também são atravessadas de modo interseccional através da raça, do gênero, da regionalidade, da sexualidade e que, muitas vezes, abdicam dos seus sonhos por não encontrar pontos de apoio, espaços de inteireza e liberdade. A Tamboreira propõe encontros de tessituras e religamento ao movimento motriz da cultura dos tambores, em que o público em geral participa e segue semeando este movimento por todas as regiões, fortalecendo a rede de mulheres Tamboreiras.Por um lado há uma necessidade abundante de ferramentalizar mulheres e firmar uma rede alinhada à perspectiva de comunicação transcultural proposta pelo autor Muniz Sodré em seu livro "Pensar Nagô", o qual nos direciona a perspectiva filosófica da troca, do "dar-receber-devolver, aberta ao encontro e a luta na diversidade", tomada por atravessamentos pluriculturais. Por outro lado, há uma demanda de monetização e estruturação sustentável da Tamboreira Percussiva no bojo da cultura artística brasileira.Outro ponto que justifica precisamente este trabalho é a necessidade de aproximar a relação com os tambores para instrumentalizar e empoderar as mulheres diante dos números alarmantes de feminicídio no Brasil, causado principalmente pelos próprios parceiros, com vítimas, na sua maioria, de mulheres negras. "Em 2025, foram registradas 1.568 vítimas de feminicídio, um aumento de 4,7% em relação ao ano anterior. Os dados revelam também um recorte racial preocupante: 62,6% das vítimas são mulheres negras, o que escancara a desigualdade estrutural e a maior vulnerabilidade socioeconômica enfrentada por essa parcela da população, muitas vezes com menor acesso a redes de proteção e políticas públicas eficazes." (Fonte: Fórum Brasileiro de Segurança Pública)Diante de dessa realidade, entendemos que, reunir mulheres entorno dos tambores promove um espaço de cura coletiva em que os tambores sincronizam as existências femininas através da vibração, e essa sincronia é o que nos conecta e proporciona um espaço de segurança, poder, força e invencibilidade, estimulando a produção e difusão de bens culturais de valor universal, formadores e informadores de conhecimento, cultura e memória, contribuindo tanto na prevenção da violência quanto no pós trauma de mulheres violentadas. Dessa forma, aganriar este incentivo a Projetos Culturais, baseado no inciso VIII da Lei nº 8.313 | Lei Rouanet, de 23 de dezembro de 1991, amplia o trabalho da tamboreira percussiva, ao termos como meta ultrapassar os números da nossa primeira edição ao alcançar em maior dimensão o nosso público alvo.
A execução do projeto , oficinas, workshop, masterclass, performances, rodas de conversas, acontecerão em espaços culturais com estrutura para acessibilidade física, como rampas, elevadores e banheiros. Contaremos com uma equipe de mediadores de inclusão para recepecionar e acompanhar as atividades. Nas rodas de conversas e nas performances teremos interpretes de libas e audio descrição. Durante a realização do projeto faremos uma imersão sensorial ao universo dos tambores,