Início: 01/02/2027Término: 29/02/2028Aceite: 27/04/2026
O QUILOMBO CRIATIVO - Residência Artística Rum Black é um programa de formação cultural continuada com duração de 12 meses no exercício de 2027, que ofertará oficinas gratuitas nas áreas de dança afro, percussão (tocar e confecciona), teatro, canto, moda afro, produção técnica, comunicação, gastronomia e gestão de projetos no Ponto de Cultura, Estudo e Memória Afro - Rum Black, localizado no município de Cidade Ocidental, interior do estado de Goiás. A proposta culminará na realização do Circuito de Carnaval do Bloco Afro Rum Black - 2028, estruturando uma cadeia produtiva cultural e fortalecendo a economia criativa e a valorização dos saberes tradicionais.
OBJETIVO GERALConsolidar o Ponto de Cultura, Estudo e Memória Afro - Rum Black como polo estruturante de formação, produção, difusão e empreendedorismo cultural afrocentrado no Estado de Goiás, por meio da implementação de uma residência artística e formativa de 12 meses que promova qualificação profissional, fortalecimento identitário, geração de renda, autonomia criativa e desenvolvimento territorial sustentável, contribuindo para o fortalecimento da economia criativa da população negra, indígena, tradicional e periférica. OBJETIVOS ESPECÍFICOS- Ofertar formação continuada e gratuita a 200 participantes ao longo de 12 meses, totalizando 960 horas de atividades formativas integradas, abrangendo linguagens artísticas, técnicas e de gestão cultural.- Conceder bolsa incentivo mensal no valor de R$ 300,00 (trezentos reais) aos participantes selecionados da Residência Afro Rum Black, durante o período de 12 meses, como estratégia de permanência, estímulo à participação contínua, valorização do processo formativo e apoio às condições de acesso e desenvolvimento dos estudantes no campo da cultura e da economia criativa.- Qualificar artisticamente crianças, adolescentes, jovens e adultos da Cidade Ocidental, com foco prioritário na população do Quilombo Mesquita, ampliando o acesso a processos formativos estruturados e profissionalizantes.- Fortalecer saberes tradicionais e ancestrais, promovendo o diálogo entre matrizes africanas, afro-brasileiras e indígenas e tecnologias contemporâneas de produção cultural.- Estruturar competências técnicas e produtivas nas áreas de dança, música, teatro, moda afro, cenografia, produção técnica, comunicação, design, fotografia, gastronomia e gestão de projetos, ampliando possibilidades concretas de inserção no mercado cultural. - Estimular o empreendedorismo cultural e a geração de renda, capacitando participantes para elaboração e gestão de projetos, circulação de produtos culturais e criação de serviços vinculados à cadeia produtiva do carnaval e da cultura afro-brasileira.- Promover inclusão, acessibilidade e sustentabilidade, incorporando práticas de acessibilidade cultural e sustentabilidade agroecológica como eixos transversais do processo formativo.- Fortalecer a economia local, priorizando a contratação de profissionais afro-indínegas, mestres e mestras da cultura tradicional e fornecedores do próprio território, promovendo circulação de renda na Cidade Ocidental, município que está localizado o Quilombo Mesquita. - Estimular o protagonismo juvenil e a formação de lideranças culturais comunitárias, contribuindo para a continuidade intergeracional das tradições e para a inovação social no território.- Consolidar o Bloco Afro Rum Black como referência regional, estruturando técnica e artisticamente o Circuito de Carnaval 2028 como culminância do processo formativo e como plataforma de visibilidade, fruição artística e ativação econômica.- Contribuir para o fortalecimento da efetivação territorial do Ponto de Cultura Rum Black, ocupando o espaço com atividades formativas, produtivas e culturais permanentes, fortalecendo a identidade coletiva e a reprodução cultural da comunidade.- Promover descentralização e interiorização das políticas culturais, ampliando o acesso a investimentos e oportunidades fora dos grandes centros urbanos.- Gerar impacto social mensurável, por meio de indicadores de participação, permanência, qualificação técnica, geração de renda e ativação econômica territorial.
A realização do QUILOMBO CRIATIVO _ Residência Afro Rum Black justifica-se pela necessidade de fortalecer e garantir a continuidade do Ponto de Cultura Rum Black como território de produção cultural viva, geração de renda e fortalecimento identitário. Ao longo de sua trajetória, o Ponto de Cultura consolidou-se como espaço de referência na promoção da cultura afro-brasileira, da educação popular e da valorização dos saberes tradicionais, contribuindo para o desenvolvimento social e cultural de comunidades negras, indígenas, periféricas e de matriz africana no Estado de Goiás.Apesar de sua relevância cultural e comunitária, iniciativas culturais de base comunitária ainda enfrentam desafios estruturais relacionados à sustentabilidade financeira, à continuidade das ações formativas e ao acesso a investimentos públicos e privados. Nesse contexto, a implementação de um programa formativo continuado fortalece a permanência e a expansão das atividades culturais, criando oportunidades concretas para crianças, adolescentes, jovens e adultos por meio da qualificação artística, técnica e cidadã. A cultura, nesse sentido, constitui-se como instrumento estratégico de inclusão social e desenvolvimento local.O projeto responde à demanda por descentralização das políticas culturais no Estado de Goiás, ampliando o acesso a formações estruturadas e qualificadas fora dos grandes centros urbanos. A interiorização de ações culturais fortalece territórios culturais comunitários e contribui para reduzir desigualdades regionais, democratizando oportunidades para populações negras, periféricas, indígenas e de matriz africana que historicamente enfrentam barreiras de acesso a políticas públicas culturais.A proposta também se justifica pela potência simbólica e social do Bloco Afro Rum Black como instrumento de mobilização cultural, formação cidadã e afirmação identitária. Inspirado nas matrizes africanas, afro-brasileiras e indígenas, o bloco atua como plataforma de educação cultural, fortalecimento comunitário e inovação social. Estruturar essa iniciativa por meio de uma residência formativa amplia sua capacidade de atuação e contribui para a consolidação de uma cadeia produtiva cultural sustentável.A oferta de 960 horas anuais de formação gratuita representa investimento direto na qualificação artística, técnica e em gestão cultural, ampliando oportunidades de inserção produtiva no campo da economia criativa. Ao integrar linguagens como dança, música, teatro, moda afro, cenografia, produção técnica, comunicação, gastronomia e elaboração de projetos, a residência estrutura um ecossistema formativo completo, capaz de promover autonomia criativa, geração de renda e profissionalização cultural.Outro elemento central da justificativa é o fortalecimento dos saberes tradicionais e da transmissão intergeracional de conhecimentos. A valorização de mestres e mestras da cultura popular como formadores reconhece os saberes comunitários como patrimônio cultural imaterial, promovendo autoestima coletiva, pertencimento cultural e continuidade das tradições afro-brasileiras.A inserção de eixos como sustentabilidade e acessibilidade cultural amplia o impacto social da proposta. Ao integrar responsabilidade social, inclusão e diversidade como dimensões estruturais do projeto, a residência dialoga com agendas contemporâneas de desenvolvimento sustentável, equidade e justiça social, alinhando tradição e inovação.O projeto dialoga diretamente com marcos legais e políticas públicas estruturantes, como a Constituição Federal de 1988 (arts. 215 e 216), que garantem o direito à cultura e à proteção das manifestações culturais; a Lei nº 12.288/2010 (Estatuto da Igualdade Racial); a Lei nº 14.399/2022 (Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura); a Lei nº 13.018/2014 (Política Nacional de Cultura Viva); e a Lei nº 8.313/1991 (Lei Rouanet), no âmbito do incentivo à cultura. A proposta também se alinha à Agenda 2030 da ONU, especialmente aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável _ ODS 4 (Educação de Qualidade), ODS 8 (Trabalho Decente e Crescimento Econômico), ODS 10 (Redução das Desigualdades), ODS 11 (Cidades e Comunidades Sustentáveis), ODS 12 (Consumo e Produção Responsáveis), ODS 16 (Paz, Justiça e Instituições Eficazes) e ODS 18 (Igualdade Étnico-Racial), ao promover inclusão, formação cidadã e desenvolvimento cultural comunitário.Do ponto de vista econômico, o projeto promove circulação de renda por meio da contratação de profissionais que atuam no Estado de Goiás, da aquisição de serviços e da mobilização de trabalhadores da cultura vinculados à cadeia produtiva do carnaval e das artes afro-brasileiras. Essa dinâmica fortalece redes culturais regionais, estimula o empreendedorismo cultural e contribui para consolidar o Ponto de Cultura Rum Black como referência em economia criativa, formação cultural e relações étnico-raciais no estado.A culminância no Circuito de Carnaval do Bloco Afro Rum Black - 2028 amplia a visibilidade das ações formativas e transforma o processo educativo em resultado concreto de fruição artística, participação comunitária e dinamização econômica. O circuito ultrapassa a dimensão festiva e se consolida como plataforma estratégica de projeção cultural, fortalecimento identitário e geração de oportunidades para artistas e trabalhadores da cultura.Realizar o QUILOMBO CRIATIVO _ Residência Afro Rum Black é, portanto, investir na continuidade e no fortalecimento do Ponto de Cultura Rum Black como território de educação cultural permanente, produção artística e desenvolvimento comunitário. Trata-se de uma iniciativa que transforma cultura em oportunidade, conhecimento em autonomia e tradição em futuro, consolidando um legado de inclusão, pertencimento e desenvolvimento territorial sustentável.
O projeto adotará medidas concretas para assegurar a participação plena de pessoas com deficiência e pessoas idosas, tanto nas atividades formativas quanto nas ações de culminância, incluindo o Circuito de Carnaval 2028.No que se refere à acessibilidade arquitetônica, a sede contará com espaços térreos com acesso por rampas, corrimãos e banheiros adaptados, garantindo mobilidade segura para pessoas com deficiência física ou mobilidade reduzida. A organização do ambiente priorizará circulação ampla, sinalização visível e disposição adequada de mobiliário, assegurando conforto e autonomia.Quanto à acessibilidade comunicacional, serão disponibilizados recursos como intérprete de Libras em atividades de maior porte e eventos públicos, além de materiais informativos em linguagem simples e objetiva em braille. Sempre que necessário, conteúdos digitais e impressos seguirão padrões de legibilidade ampliada, favorecendo pessoas com baixa visão e idosos.No campo da acessibilidade metodológica e pedagógica, as oficinas adotarão estratégias inclusivas, com adequação de linguagem, ritmo e abordagem didática. As atividades serão planejadas para permitir diferentes formas de participação, respeitando limites físicos, sensoriais e cognitivos, garantindo que pessoas idosas e pessoas com deficiência possam integrar os processos criativos de maneira ativa.Através de uma equipe especializada, será promovida formação interna da equipe para atendimento inclusivo e humanizado, assegurando que educadores, monitores e equipe técnica estejam preparados para lidar com especificidades de acessibilidade, acolhimento e mediação adequada.Nos eventos de culminância e apresentações públicas, serão reservados espaços preferenciais e seguros para pessoas com deficiência e idosos, com apoio de equipe de recepção orientada para garantir conforto, prioridade de acesso e segurança.
A democratização de acesso constitui princípio estruturante do QUILOMBO CRIATIVO – Residência Artística Rum Black, assegurando que os produtos culturais e formativos da proposta sejam amplamente acessíveis à população, com prioridade para públicos historicamente excluídos. Todas as atividades formativas ofertadas no âmbito do projeto serão gratuitas, garantindo igualdade de oportunidades para crianças, adolescentes, jovens, adultos e pessoas idosas, especialmente moradores de comunidades periféricas e territórios culturais comunitários.A forma de distribuição dos produtos culturais gerados pelo projeto ocorrerá prioritariamente por meio de acesso livre e gratuito ao público, incluindo apresentações artísticas, ensaios abertos, exposições, mostras culturais no Ponto de Cultura Rum Black e o Circuito de Carnaval do Bloco Afro Rum Black – 2028. Não haverá cobrança de ingressos para participação nas atividades, assegurando ampla fruição cultural e participação comunitária. Caso haja produção de materiais físicos, como figurinos, peças de artesanato, produtos gastronômicos ou registros audiovisuais, estes poderão ser apresentados em feiras culturais, mostras comunitárias ou eventos públicos, priorizando a valorização do trabalho dos participantes e a circulação cultural local.Como estratégia de ampliação de acesso, o projeto realizará ensaios abertos periódicos na orla do Lago Jacob, permitindo que a comunidade acompanhe o processo formativo e artístico ao longo do ano. Esses ensaios funcionarão como espaços de integração cultural, fortalecimento de vínculos comunitários e estímulo à participação social, além de promover transparência e visibilidade às ações desenvolvidas.Serão ofertadas também oficinas paralelas e atividades abertas à comunidade, especialmente em momentos estratégicos do calendário cultural, como datas comemorativas, eventos comunitários e períodos de mobilização cultural. Essas atividades terão caráter introdutório e formativo, permitindo que novos públicos conheçam as linguagens artísticas trabalhadas no projeto e ampliando o alcance das ações educativas e culturais.A proposta prevê ainda a utilização de plataformas digitais e redes sociais como instrumentos de democratização do acesso à informação e aos conteúdos culturais produzidos. Serão realizadas transmissões ao vivo de apresentações, ensaios e atividades formativas, além da publicação de registros audiovisuais, conteúdos educativos e materiais de divulgação em ambiente virtual. Essa estratégia amplia o alcance territorial do projeto, permitindo que pessoas que não possam participar presencialmente acompanhem e se beneficiem das ações culturais.Como medida complementar, o projeto adotará práticas de acessibilidade cultural, garantindo que pessoas com deficiência e pessoas idosas possam participar plenamente das atividades. Serão disponibilizados recursos de comunicação acessível, organização de espaços adequados e priorização de atendimento a públicos com mobilidade reduzida, contribuindo para uma participação mais inclusiva e equitativa.Dessa forma, a democratização de acesso no âmbito do QUILOMBO CRIATIVO não se limita à gratuidade das atividades, mas se materializa na ampliação das oportunidades de participação cultural, na circulação aberta dos produtos gerados e na utilização de estratégias presenciais e digitais que asseguram acesso amplo, contínuo e diversificado aos bens culturais produzidos pelo projeto.