Início: 01/07/2027Término: 31/10/2027Aceite: 29/04/2026
O I Festival Lua Branca configura-se como uma jornada de três dias dedicada à celebração, difusão e salvaguarda do patrimônio imaterial afro-brasileiro, com foco especial na ritualística do Candomblé de Caboclo e na figura do Boiadeiro. Tendo a difusão da cultura Bantu-Kassange em imersão cultural, com a demonstração da culinária, vestimentas, cantigas e criação de acervos. A dimensão sagrada e acadêmica do festival se entrelaça em atividades que vão desde a ritualística de Candomblé de Caboclo enquanto valorização das brasilidades até rodas de conversa aprofundadas sobre o patrimônio imaterial, a museologia africana e a importância da fotografia de terreiro como instrumento de memória e salvaguarda.
17/09 (Sexta-feira): Abertura e Memória Audiovisual21h00 - Cine-Debate do Filme "Boi Lua"Descrição: Espaço de diálogo entre os realizadores do filme, detentores de saberes do terreiro e o público. O debate foca na utilização do audiovisual como ferramenta de resistência e registro das tecnologias ancestrais.Objetivo: Discutir os desafios da produção cinematográfica em contextos tradicionais e como a imagem pode auxiliar na proteção contra o apagamento histórico das comunidades de matriz africana.Metodologia: Roda de conversa aberta com mediação, incentivando a participação da plateia para reflexões sobre identidade e representação. Plestrantes: Produtores do curta, diretor e presença dos sacerdotes Ria Nkisi Ttetu Kanamburá e Tatetu Meangunzu 18/09 (Sábado): Patrimônio, Imagem e Museologia10h00 - Roda de Conversa: Candomblé de Caboclo enquanto Patrimônio ImaterialDescrição: Mesa teórica sobre a importância do Candomblé de Caboclo na formação da identidade cultural brasileira, especificamente no Distrito Federal.Objetivo: Analisar os processos de salvaguarda e o reconhecimento dos ritos rurais e tradicionais como bens imateriais que necessitam de proteção institucional e social.Palestrantes: Especialistas em patrimônio e lideranças de comunidades de matriz africana13h30 - Roda de Conversa: Fotografias de Terreiros enquanto salvaguarda e memóriaDescrição: Palestra focada na ética e na estética do registro fotográfico dentro de espaços sagrados, tomando como base a exposição "Tala Mesu".Objetivo: Debater como a fotografia transcende a arte e se torna um documento histórico de preservação da memória litúrgica, respeitando os limites do segredo e da sacralidade.Plestrantes: Fotógrafos profissonais de terreiro e lideranças de comunidades de matriz africana15h00 - Roda de Conversa: Museologia africana, traços simbólicos e Acervos históricosDescrição: Reflexão sobre novas perspectivas museológicas que fogem do padrão eurocêntrico, focando em como os terreiros funcionam como museus vivos.Objetivo: Discutir a organização de acervos comunitários, o simbolismo dos objetos rituais e a importância da devolução e proteção de acervos africanos e afro-brasileiros.Palestrantes: Profissional em Musologia e lideranças de comunidades de matriz africana 19/09 (Domingo): Musicalidade e Sincretismo13h30 - Roda de Conversa: Musicalidade e Cultura Sincrética MaracatuDescrição: Palestra dialógica sobre os cruzamentos musicais entre as tradições de terreiro e as manifestações populares como o Maracatu.Objetivo: Compreender a evolução dos ritmos, o papel do tambor na comunicação ancestral e como o sincretismo cultural permitiu a sobrevivência de estruturas musicais africanas no Brasil contemporâneo.Plestrantes: Componentes do grupo Maracatu do Boi Brilhante 15h00 - Oficina - Samba de Roda e Caboclo (Sambadeiras de Roda)Descrição: Atividade teórico-prática dedicada à transmissão dos fundamentos do Samba de Roda, com foco especial na sua intersecção com a espiritualidade do Candomblé de Caboclo. A oficina aborda desde a história dessa manifestação — reconhecida pela UNESCO como Patrimônio Oral e Imaterial da Humanidade — até a prática do "miudinho", do canto responsivo e da dinâmica das sambadeiras dentro do terreiro.Objetivo: Capacitar os participantes na compreensão dos ritmos e movimentos característicos do samba de matriz africana, fortalecendo o papel das mulheres (sambadeiras) como guardiãs dessa tradição. A atividade busca conectar a técnica da dança ao sentimento de pertencimento e à celebração das entidades de Caboclo, promovendo a continuidade geracional dessa tecnologia ancestral.Palestrantes: Componentes do Grupo Sambadeiras de Roda Eixos Transversais das AtividadesEducação e Juventude: Todas as rodas de conversa são desenhadas para serem acessíveis a jovens e estudantes, utilizando linguagem clara que conecta a teoria acadêmica (Museologia/Antropologia) à vivência prática do terreiro.Acessibilidade: As mesas contarão com intérpretes de Libras e os conteúdos serão gravados para compor o acervo digital do festival, garantindo que o conhecimento produzido circule para além do evento presencial.Soberania Narrativa: Em todas as palestras, prioriza-se o protagonismo dos detentores do saber local, garantindo que a comunidade do Manzo Kalla Muisu seja a autoridade principal na narração de sua própria história.
Objetivos EspecíficosPara alcançar o resultado esperado, o projeto propõe as seguintes ações mensuráveis: Audiovisual: Realizar 01 exibição do filme "Boi Lua" seguida de 01 cine-debate, no dia 17/09 (sexta-feira)A obra audiovisual "Boi Lua" constitui um importante documento de resistência e afirmação política da identidade negra e periférica no Distrito Federal. Produzido de forma autônoma pelo Instituto Educacional e Cultural Lua Branca (INCLUA), o filme registra a densidade ritual e os preparativos da oitava edição da festividade em honra ao Boiadeiro Lua Branca.Esta celebração, que é o coração pulsante do terreiro de tradição Congo-Angola Manzo Kalla Muisu, transcende o ato religioso para consolidar-se como um território de encontro e fortalecimento comunitário na periferia. Ao assumir o protagonismo da própria narrativa, a comunidade da Manzo reverte a lógica da invisibilidade, utilizando o cinema como uma ferramenta estratégica de salvaguarda do patrimônio imaterial e de soberania cultural. A difusão desta obra, por meio de cine-debates e rodas de conversa, propõe um diálogo necessário sobre a presença de saberes ancestrais nos espaços urbanos e a importância da memória viva como ato de liberdade. Artes Visuais: Implementar e manter a exposição fotográfica "Tala Mesu", com abertura em 18/09 (sábado), visando o registro e a salvaguarda da memória visual das celebrações litúrgicas.A exposição fotográfica "Tala Mesu" (Olhar os Olhos) propõe uma imersão na estética e na liturgia do terreiro Manzo Kalla Muisu, utilizando o registro visual como um manifesto de presença dos povos de matriz Bantu no Cerrado brasiliense. Mais do que uma simples exibição de imagens, a mostra articula uma narrativa poética e política sobre a continuidade ancestral em território candango, revelando as complexas interculturalidades que moldam o culto afro-brasileiro.Ao expor os fragmentos das festividades litúrgicas, a narrativa visual busca decolonizar o olhar do público, apresentando o terreiro como um centro de produção de saberes, resistência e beleza. A exposição funciona, portanto, como uma ferramenta de salvaguarda e memória, onde cada fotografia testemunha a força das identidades negras que reexistam e transformam a paisagem cultural do Planalto Central. Formação e Capacitação: Pensamento e Reflexão (Ciclo de Debates): Promover 04 rodas de conversa presenciais, sendo:01 sobre "Candomblé de Caboclo enquanto Patrimônio" no dia 18/09 (sábado);01 sobre "Fotografias de Terreiros enquanto salvaguarda" no dia 18/09 (sábado);01 sobre "Museologia africana e Acervo histórico" no dia 18/09 (sábado);01 sobre "Musicalidade e Cultura Sincrética Maracatu" no dia 19/09 (domingo).As oficinas propostas no I Festival Lua Branca não são apenas espaços de aprendizado técnico, mas processos de transmissão de saberes ancestrais que utilizam o corpo e o som como veículos de resistência política e cultural. Ao realizar vivências práticas de Musicalidade (Kambondos Kianzuela), Expressão Corporal (Teatro) e Samba de Roda e Caboclo, o projeto promove a pedagogia do terreiro como uma tecnologia de ensino legítima e necessária para a preservação das matrizes Bantu e sua continuidade entre as novas gerações. Economia Criativa e Afro-Empreendedorismo: Viabilizar a estrutura para a "Feira Makáia de Empreendedorismo Afro", com funcionamento iniciado em 18/09 (sábado), para a circulação de produtos e serviços de produtores locais.A Feira Makáia de Empreendedorismo Afro é uma estratégia de soberania econômica e fomento ao desenvolvimento local na periferia. Ao organizar este espaço, o festival fortalece a rede de artesãos e produtores negros, transformando o evento em um polo de circulação de recursos dentro da própria comunidade. Difusão Artística: Realizar 04 momentos de apresentações culturais integradas à programação, distribuídas entre o dia 17/09 (abertura), 18/09 (almoço e encerramento do dia) e 19/09 (almoço e encerramento final).As apresentações culturais, distribuídas estrategicamente entre a abertura e o encerramento, funcionam como um manifesto estético de ocupação do espaço público. Patrimônio Vivo e Tradicionalidade: Promover 01 "Ritualística de Candomblé de Caboclo" no dia 18/09 (sábado), assegurando o exercício dos direitos culturais e a manutenção dos ritos ancestrais no espaço público.Esta vivência é um ato político de liberdade religiosa e reconhecimento institucional de saberes que, historicamente, foram marginalizados. Ao colocar a ritualística no centro da proposta cultural, o projeto celebra a permanência das tradições de caboclo e boiadeiro, tratando a espiritualidade como uma tecnologia de resistência e um pilar fundamental da identidade nacional. Acessibilidade e Fruição Familiar: Disponibilizar o "Espaço Kafioto" (brinquedoteca) nos dias 18/09 e 19/09, garantindo as condições necessárias para a participação de mães/pais e crianças nas atividades formativas e reflexivas. O projeto também conta com a presença de intérprete de libras durante os três dias de atividades, para além a realização em local que ofereça acessibilidade motora e sensorial aos participantes.
A viabilidade do I Festival Lua Branca está intrinsecamente ligada ao pleno exercício dos direitos culturais, uma vez que o incentivo viabiliza o acesso gratuito a linguagens como cinema, fotografia e oficinas formativas, cumprindo o dever do Estado de facilitar a todos os meios de livre acesso às fontes da cultura nacional. Ao aportar recursos em um projeto sediado em um terreiro na periferia do Distrito Federal, a aplicação da lei cumpre seu papel fundamental de descentralização e regionalização, estimulando a produção cultural fora dos grandes eixos comerciais e valorizando conteúdos e talentos locais.Este mecanismo oferece o suporte necessário para a salvaguarda do patrimônio imaterial, permitindo que conhecimentos ancestrais de matriz Bantu — que exigem metodologias específicas de preservação e transmissão — sejam devidamente documentados e protegidos contra o apagamento histórico. Sob esta ótica, a lei de incentivo assegura a soberania de narrativa, permitindo que a própria comunidade atue como proponente e gestora de sua memória; essa autonomia garante que o investimento chegue diretamente à ponta e fortaleça a rede de economia criativa e o afro-empreendedorismo do território.Abaixo, detalho o enquadramento legal da proposta:Enquadramento no Art. 1º (Diretrizes da Política Nacional de Cultura)O projeto atende aos propósitos da Lei Federal de Incentivo à Cultura nos seguintes incisos:Inciso I - Contribuir para facilitar, a todos, os meios de livre acesso às fontes da cultura e o pleno exercício dos direitos culturais: O festival oferece uma programação inteiramente gratuita, incluindo cinema, oficinas e rituais, garantindo que a comunidade da periferia do DF e o público em geral exerçam seu direito constitucional à cultura.Inciso II - Promover e estimular a regionalização da produção cultural e artística brasileira, com valorização de recursos humanos e conteúdos locais: Ao centralizar as atividades no terreiro Manzo Kalla Muisu, o projeto valoriza a produção cultural fora dos eixos centrais, utilizando o potencial artístico e intelectual de agentes locais.Inciso IV - Apoiar, preservar e salvaguardar o patrimônio cultural e histórico, de natureza material e imaterial: A proposta é integralmente voltada à salvaguarda do Candomblé de Caboclo e das tradições Bantu, documentando-as através de audiovisual e fotografia. Objetivos do Art. 3º (Objetivos Específicos do PRONAC)A execução do festival alcançará os seguintes objetivos previstos na norma:Inciso I - Incentivo à formação artística e cultural: Através das oficinas de musicalidade, expressão corporal e samba de roda realizadas no dia 19/09, o projeto atua diretamente na transmissão de técnicas e saberes ancestrais.Inciso II - Fomento à produção cultural e artística: O projeto viabiliza a difusão do filme "Boi Lua" e a realização de apresentações culturais inéditas, fomentando a criação artística independente no DF.Inciso III - Preservação e difusão do patrimônio material e imaterial: O ciclo de rodas de conversa sobre museologia africana e patrimônio imaterial (18/09) cumpre o papel de difundir o conhecimento sobre bens culturais protegidos.Inciso IV - Estímulo ao conhecimento dos bens e valores culturais: A exposição fotográfica "Tala Mesu" e a feira de empreendedorismo afro promovem o reconhecimento público dos valores estéticos e sociais das comunidades de terreiro.A natureza deste projeto exige o fomento via incentivo fiscal para assegurar a gratuidade total das atividades formativas e reflexivas, eliminando barreiras econômicas para o público e garantindo a sustentabilidade de uma rede de economia criativa voltada à identidade negra.
Etapas de trabalho - I Festival Lua BrancaMês 01: Planejamento, Curadoria e Gestão - Julho/2027Objetivo Geral: Estabelecer as bases jurídicas, financeiras e curatoriais para a viabilidade do festival. Atividade: Instalação da Governança e Alinhamento - 01/07 a 08/07Objetivo: Garantir a harmonia entre o cronograma técnico do projeto e o calendário de possíveis centros culturais públicos para receber o festival.Meta: 01 Plano de Trabalho e Técnico assinado e consolidado.Comprovação: Ata de reunião de abertura e cronograma interno detalhado.Atividade: Gestão Financeira e Contratação de Equipe - 15/07 a 29/07Objetivo: Formalizar a estrutura administrativa e técnica necessária para a execução.Meta: 100% da equipe de gestão, coordenação e assessoria contábil contratada.Comprovação: Contratos de prestação de serviços e notas fiscais emitidas.Atividade: Seleção e Curadoria da Feira Makáia - 29/07Objetivo: Mapear e convidar empreendedores locais focados em produtos de matriz africana.Meta: 10 Expositores selecionados, confirmados e orientados.Comprovação: Lista oficial de expositores e termos de compromisso assinados.Mês 02: Produção, Mobilização e Comunicação - Agosto/2027Objetivo Geral: Preparar a infraestrutura física e digital, além de garantir o engajamento do público-alvo.Atividade: Campanha de Comunicação e Mobilização - 04/08 a 11/08Objetivo: Difundir o festival nas periferias do Distrito Federal e em redes de comunidades tradicionais.Meta: Criação de 10 peças gráficas digitais e execução de 01 campanha ativa em redes sociais.Comprovação: Clipping das redes sociais e arquivos dos materiais gráficos produzidos.Atividade: Produção de Acessibilidade e Infraestrutura - 18/08 a 25/08Objetivo: Adaptar o espaço se necessário para receber todos os públicos com dignidade e segurança.Meta: Contratação de intérpretes de Libras e instalação de recursos de acessibilidade física (rampas/sinalização).Comprovação: Fotos das adaptações no território e contratos dos profissionais de acessibilidade.Atividade: Articulação com Coletivos e Inscrições - 31/08Objetivo: Mobilizar jovens de terreiro e estudantes para as atividades formativas do festival.Meta: Estabelecimento de parcerias com 05 coletivos culturais e abertura de inscrições para as oficinas.Comprovação: Relatório de mobilização e listagem parcial de inscritos.Mês 03: Execução (Realização do Festival) - Setembro/2027Objetivo Geral: Entrega dos produtos culturais e vivências formativas conforme o cronograma oficial.Atividade: Abertura e Ciclo Audiovisual (Dia 17/09)Objetivo: Exibir a produção "Boi Lua" e debater a importância do audiovisual na preservação da memória.Meta: 01 Sessão de cinema seguida de 01 cine-debate com os realizadores.Comprovação: Lista de presença assinada e registros fotográficos do evento.Atividade: Patrimônio, Ritual e Economia Criativa (Dia 18/09)Objetivo: Celebrar a ancestralidade e fomentar a autonomia financeira da comunidade.Meta: Realização de 01 Ritualística de Caboclo, inauguração da exposição "Tala Mesu" e 01 edição da Feira Makáia.Comprovação: Catálogo da exposição, fotos da feira e relatório fotográfico do ritual.Atividade: Pensamento e Transmissão de Saberes (Dias 18 e 19/09)Objetivo: Promover debates teóricos e capacitação prática em artes e musicalidade de matriz Bantu.Meta: Realização de 04 Rodas de Conversa e 03 Oficinas Práticas Presenciais.Comprovação: Gravação das falas, listas de presença das oficinas e fotos das atividades formativas.Atividade: Acessibilidade e Fruição Familiar (Dias 18 e 19/09)Objetivo: Garantir a inclusão de famílias e pessoas com necessidades específicas.Meta: Funcionamento do Espaço Kafioto e suporte de Libras em todas as mesas de debate.Comprovação: Fotos do espaço infantil em uso e registros dos intérpretes em atuação.Mês 04: Pós-Produção, Difusão e Prestação de Contas - Outubro/2017Objetivo Geral: Sistematizar o legado cultural do projeto e encerrar o ciclo administrativo.Atividade: Difusão Digital Acessível (On-demand) - 08/10 a 15/10Objetivo: Disponibilizar o conhecimento gerado para o público que não pôde comparecer presencialmente.Meta: 100% do conteúdo teórico (debates) editado com Libras e publicado online.Comprovação: Links das plataformas de vídeo (YouTube/Vimeo) com conteúdos acessíveis.Atividade: Sistematização de Dados e Relatório de Impacto - 08/10 a 22/10Objetivo: Avaliar o alcance social do projeto e o cumprimento das metas de democratização.Meta: Elaboração de 01 Relatório de Impacto Sociocultural detalhado.Comprovação: Documento de sistematização contendo dados quantitativos e qualitativos.Atividade: Encerramento Administrativo e Prestação de Contas - 22/10 a 29/10Objetivo: Finalizar os pagamentos e cumprir as exigências de prestação de contas do PRONAC.Meta: Emissão de 100% dos certificados e protocolo da prestação de contas final.Comprovação: Cópias dos certificados enviados e comprovante de protocolo no sistema ministerial.
Neste campo de informações complementares, consolidamos a fundamentação estratégica que posiciona o I Festival Lua Branca não apenas como um evento isolado, mas como uma política de reparação e fomento à continuidade dos saberes de matriz africana no Distrito Federal e na RIDE. É imperativo destacar que o Instituto INCLUA emerge da autodeterminação de uma comunidade tradicional vinculada à ancestralidade Bantu. Mais do que uma estrutura administrativa, o INCLUA consolida-se como uma plataforma institucional "guarda-chuva" que abriga e salvaguarda potências coletivas como o Maracatu do Boiadeiro Boi Brilhante, o Grupo Sambadeiras de Roda e o Coletivo AFUANA - Vivências LGBTI+ de Matriz Africana. Nossa atuação é fundamentada na democratização do acesso aos Direitos Humanos e Culturais, operando a partir de uma cosmovisão que não separa a arte da vida, nem a educação da espiritualidade. Compreendemos o território do terreiro como um espaço de produção de tecnologia social e intelectual, dotado de uma capacidade intrínseca de emancipação e fortalecimento do Bem-Viver coletivo.O diferencial desta proposta reside na sua estrutura pedagógica, que subverte a lógica colonial de ensino ao colocar os Mestres e Detentores de Saberes Tradicionais na centralidade docente. O terreiro é compreendido como uma "sala de aula aberta", onde a oralidade, a circularidade e a vivência corporal são as metodologias legítimas de transmissão do patrimônio imaterial. Este Plano Político Pedagógico foca na formação de novas gerações, garantindo que a musicalidade (Kambondos), a expressão corporal e o Samba de Roda sejam partilhados com a precisão técnica e o fundamento que apenas a autoridade do mestre permite. A inclusão do Espaço Kafioto (brinquedoteca pedagógica) assegura que o festival seja um território de acolhimento para famílias, permitindo que o acesso à cultura seja pleno e multigeracional.Ressaltamos a inclusão de uma Premiação de Reconhecimento de Salvaguarda do Patrimônio Imaterial, de caráter estritamente honorífico e simbólico. Esta ação visa outorgar o Selo de Notório Saber aos mestres e comunidades da RIDE que dedicam suas trajetórias à preservação das memórias de terreiro. Esta premiação não envolve repasses financeiros ou valores monetários; trata-se de uma ferramenta de justiça simbólica e diplomacia cultural, validando institucionalmente o papel desses guardiões perante o Estado. O objetivo é fortalecer a autoestima coletiva e criar uma rede de proteção mútua entre as casas de matriz africana, reconhecendo publicamente o mérito cultural daqueles que sustentam a diversidade brasileira nas periferias.Para assegurar a eficácia da proposta, estabelecemos um sistema de avaliação qualitativa baseado na escuta comunitária e no feedback dos mestres de saber. A medição do impacto será realizada através da análise das intervenções nas rodas de conversa, da emissão de certificados que validam o aprendizado dos jovens e do registro audiovisual acessível (Libras e Audiodescrição) que comporá o acervo digital do festival. Assim, o projeto garante um legado que ultrapassa o período de execução, servindo como material de referência para pesquisas futuras e como modelo de gestão cultural que concilia o rigor administrativo do PRONAC com a sensibilidade e o respeito aos territórios sagrados.
O I Festival Lua Branca apresenta-se como um marco na salvaguarda e difusão do patrimônio imaterial de matriz africana no Distrito Federal, estruturando-se não apenas como um evento de fruição cultural, mas como um centro de irradiação de tecnologias ancestrais e sociais. Situado no coração do terreiro Manzo Kalla Muisu, o projeto nasce da urgência de conferir visibilidade e fomento às comunidades tradicionais que, embora localizadas nas periferias geográficas e sociais de Brasília, operam como verdadeiros guardiões do Bem-Viver e da memória coletiva. A proposta é fundamentada no reconhecimento de que o terreiro é um território político e educativo, onde a ciência do encantamento propõe novos diálogos transversais com a comunidade e o poder público, subvertendo a lógica de apagamento histórico que ainda recai sobre as tradições Bantu e o Candomblé de Caboclo no Cerrado.O escopo do festival é desenhado para percorrer um ciclo completo de valorização cultural em três dias intensos de atividades. A abertura, dedicada à memória audiovisual, utiliza a exibição do filme Boi Lua para disparar discussões sobre como a imagem e o cinema podem servir de ferramentas de resistência contra o racismo religioso e o esquecimento. Ao longo da programação, o festival desdobra-se em frentes que integram a economia criativa, por meio da Feira Makáia de Empreendedorismo Afro, e a preservação documental, com a exposição fotográfica Tala Mesu. O diferencial pedagógico desta proposta reside na compreensão de que a autoridade acadêmica deste saber reside no corpo e na voz dos Mestres e Detentores de Saberes Tradicionais. Ao colocar os mestres na posição de docentes das oficinas de musicalidade (Kambondos), expressão corporal e samba de roda, o projeto reafirma a oralidade e a circularidade como metodologias legítimas de produção de conhecimento, garantindo que a transmissão do fundamento ocorra com a precisão técnica e espiritual que apenas a vivência no rito permite.A dimensão pedagógica do festival é indissociável da sua responsabilidade social. Através de rodas de conversa que abordam desde a Museologia Africana até o Candomblé de Caboclo como patrimônio imaterial, o projeto constrói pontes entre o saber tradicional e o debate contemporâneo sobre direitos culturais. Essas atividades são sustentadas por uma base epistemológica robusta, que encontra eco nas obras de intelectuais como Muniz Sodré, Luiz Rufino e Kazadi wa Mukuna, articulando o conceito de terreiro como uma forma social negro-brasileira capaz de oferecer soluções para o convívio democrático e o cuidado comunitário. O Espaço Kafioto, voltado para o acolhimento infantil com atividades pedagógicas afro-brasileiras, materializa essa visão ao assegurar que a cultura seja um direito multigeracional, permitindo que cuidadores e crianças participem plenamente do ciclo formativo, fortalecendo os laços familiares e comunitários em um ambiente de segurança e pertencimento.Como ferramenta de consolidação deste Plano Político Pedagógico, o projeto estabelece um sistema de Avaliação e Monitoramento focado na eficácia da transmissão dos saberes. A medição do impacto e do aprendizado será realizada através de múltiplos canais: a análise qualitativa das intervenções e dúvidas surgidas durante as rodas de conversa e cine-debates; a emissão de certificados que validam a carga horária e o conteúdo técnico absorvido pelos jovens nas oficinas; e, primordialmente, o feedback dos mestres de saber. Este último elemento é o termômetro central da pedagogia do terreiro, onde os detentores avaliam, a partir da observação direta, o desenvolvimento da rítmica, da postura corporal e do respeito à tradição demonstrado pelos participantes. Assim, a avaliação deixa de ser um ato meramente burocrático para se tornar um processo de escuta comunitária, assegurando que os conhecimentos partilhados sigam pulsantes nas mãos e vozes da juventude de terreiro do Distrito Federal.
Equipe de Coordenação EstratégicaDiretor Executivo: Ronaldo Adriano Fiúza - Gestor de projetos culturais. Graduado em Gestão Pública, atua enquanto gestor de projetos voltados para povos e comunidades tradicionais. Responsável pelo planejamento estratégico global do projeto, definindo metas, cronogramas e fluxos de trabalho.- Lidera e supervisiona toda a equipe, garantindo a comunicação eficaz e a colaboração entre os membros.- Gerencia o orçamento, acompanha as despesas e assegura a conformidade com as diretrizes financeiras.- Estabelece e mantém parcerias com terreiros, instituições culturais e outros colaboradores.- Representa o projeto perante órgãos públicos, financiadores e a comunidade.- Monitora o progresso das atividades, avalia o alcance dos objetivos e elabora relatórios de acompanhamento e final. Coordenador Administrativo e Financeiro: Jorge Gaia dos Santos Ferreira - Responsável pela gestão burocrática e financeira do projeto. Exerce o controle do orçamento, a interface com o banco, o acompanhamento do fluxo de caixa, o pagamento de fornecedores e a organização documental necessária para a prestação de contas final junto ao Ministério da Cultura.Coordenadora Artística: Luna Monsueth da Silva - Responsável pela curadoria e pela harmonia estética do festival. Exerce a interlocução com os oficineiros, grupos culturais e detentores de saberes, garantindo que a programação (cinema, música, rituais e oficinas) esteja alinhada à cosmologia Bantu e aos objetivos conceituais do projeto. Graduanda em Direito, atua enquanto assistente admistrativa em projetos culturais.Coordenadora de Comunicação: Ana Cordeiro - Responsável pela visibilidade e pelo diálogo com o público. Exerce o planejamento da identidade visual, a gestão da assessoria de imprensa e a estratégia de mobilização comunitária, garantindo que o festival alcance as periferias e as comunidades de matriz africana. Publicitária e comunicóloga negra com 6 anos de experiência em comunicação, com foco em educação, cultura e políticas.Equipe de Produção e Logística EspecíficaCoordenador de Alimentação: Felipe Mendes da Silva (presidente do INCLUA) - Responsável pela logística de nutrição do evento. Exerce a gestão da cozinha comunitária do terreiro, cuidando do cardápio (focado em culinária de terreiro), da compra de insumos e da distribuição de refeições para a equipe, palestrantes e público das oficinas, respeitando as premissas de acolhimento. Graduado em Gestão Pública, atua enquanto gestor d eprojetos voltados para povos e comunidades tradicionais, liderando projetos que estão noescopo do Isntituto Educacional e Cultural Lua Branca - INCLUACoordenador de Feira de Exposição (Feira Makáia) - Victor Aurélio - Responsável pela articulação com os empreendedores. Exerce a seleção, o credenciamento e a organização logística dos expositores da Feira Makáia, garantindo que o espaço de economia criativa funcione de forma integrada ao fluxo do festival.Coordenador de Exposição (Tala Mesu) - Mukaíla Manika Pereira Braga - Responsável pela execução da mostra fotográfica. Exerce a supervisão da montagem da exposição "Tala Mesu", cuidando da expografia (disposição das fotos no terreiro), da sinalização acessível e da conservação do material expositivo durante os dias de evento. Graduada em Teoria, Crítica e História da Arte - Artes Visuais - UnB, realiza consultorias em políticas públicas.Coordenadora das Medidas de Acessibilidade: Janaína Corrêa - Responsável pelo planejamento, implementação e monitoramento de todas as medidas de acessibilidade do projeto (física, comunicacional, metodológica). Licenciada em Letras - Licenciatura em Língua de Sinais Brasileira/Português como Segunda Língua - LSB/PSL pela Universidade de Brasília - UnBEquipe de Apoio e AssistênciaAssistentes de Produção Executiva - Luiz Macedo e Julia Rodrigues - Responsáveis pelo suporte operacional direto. Exercem a "linha de frente" da logística: desde o acompanhamento da montagem de estruturas físicas e apoio aos palestrantes até o controle de listas de presença e recepção do público. São o braço operacional que garante a execução do cronograma no dia a dia. Educadores popular em Audiovisual, atuoam enquanto professores no Jovem de expressão, realizam tutorias em fotografia, vídeo e edição e monitoria.Assistente de Mídias Sociais: Sarah Reis - Responsável pela presença digital em tempo real. Exerce a criação de conteúdo para redes sociais (stories, posts, vídeos curtos), a interação com o público online e a cobertura fotográfica/audiovisual rápida das atividades para manter o engajamento digital durante o período de pré e pós-produção. Trabalha realizando cobertura de eventos junto aos coletivos culturais da cidade, bem como presta serviõs para eventos políticos e de formação cidadã.
Plano de Acessibilidade: I Festival Lua Branca - Aplicado nas atividades dos dias 1709 à 19/09Este plano visa garantir a plena participação e o acesso de todas as pessoas nas atividades do festival, respeitando as especificidades do território e a complexidade do patrimônio imaterial afro-brasileiro.1. Acessibilidade Física e TerritorialConsiderando que o festival ocorre em espaço cultural localizado em periferia, as adaptações serão feitas para acolher a comunidade com todos os mecanismo de acessibilidade que possamos adotar.Adaptações Espaciais: Instalação de rampas portáteis para superar desníveis entre as áreas de cinedebate, oficinas e feira, além da reserva de assentos preferenciais para pessoas com mobilidade reduzida e idosos.Equipe de Apoio: Sensibilização da equipe do festival e da comunidade do terreiro para oferecer suporte individualizado, orientando fluxos de circulação e auxiliando pessoas com deficiência.Localidade: Mapear os recursos de acessibilidade disponíveis nos arredores dos locais de realização (transporte público acessível, estacionamentos com vagas reservadas).Comunicação Prévia: Inclusão de informações sobre as condições de acesso ao espaço nos materiais de divulgação e no formulário de inscrição, permitindo que participantes informem necessidades específicas com antecedência.2. Inclusão Sensorial e Neurodiversidade (Pessoas Autistas)Para garantir um ambiente acolhedor durante os três dias de programação, especialmente durante as apresentações musicais:Espaço Kafioto e Break-out Space: Além da brinquedoteca, o Espaço Kafioto servirá como uma zona de descompressão, com baixo estímulo sensorial, fones de redução de ruído e materiais de acolhimento para participantes que se sintam sobrecarregados.Previsibilidade: Divulgação detalhada da sequência das oficinas e demais atividades (como a ritualística de Caboclo e oficinas de Kambondos) por meio de apoios visuais e quadros de horários espalhados pelo local.3. Acessibilidade de Conteúdo e LinguagemGarantir que os saberes tradicionais e as discussões sobre patrimônio sejam compreendidos por todos:Recursos Audiovisuais: O filme "Boi Lua" e a exposição "Tala Mesu" contarão com descrição alternativa (texto alt) em materiais digitais e legendas para o audiovisual, tendo também audiodescrição das imagens exibidas na exposição com link QRCode para acesso.Libras e Audiodescrição: Disponibilização de intérpretes de Libras nas Rodas de Conversa e oficinas, além de guias para audiodescrição da exposição fotográfica e dos ambientes musicais.Linguagem Simples: Mediação das Rodas de Conversa com linguagem clara, evitando jargões acadêmicos e explicando conceitos da cosmologia Bantu de forma gradual e exemplificada.4. Acessibilidade para Deficiências SensoriaisVisual: Oferta de planos táteis simplificados e materiais essenciais da exposição em braile ou tipos ampliados (sob demanda).Auditiva: Uso de sistemas de amplificação sonora (microfones de alta qualidade) durante os debates e oficinas para facilitar a compreensão de participantes com baixa audição.5. Diversidade de Gênero e IdentidadeEm consonância com os valores de acolhimento do Instituto INCLUA, o festival garante:Respeito à Identidade: Uso obrigatório do nome social em todos os formulários de inscrição, credenciamento e listas de presença das oficinas.Inclusão Trans e Não-Binária: Campos específicos para identidade de gênero e tratamento respeitoso às identidades dissidentes em todas as atividades formativas e rituais.Inclusão de nome iniciático: Campos para adicionar nome inicático, respeitando as tradições afro-brasileiras Ao implementar este plano, o I Festival Lua Branca reafirma seu compromisso com a democratização do acesso à cultura de terreiro, garantindo que a memória dos povos de matriz africana seja partilhada de forma equitativa e segura para toda a juventude e comunidade do DF.
Justificativa de Enquadramento Legal (Lei 8.313/91)O I Festival Lua Branca fundamenta sua execução nos preceitos da Lei Federal de Incentivo à Cultura, articulando-se em conformidade com as seguintes diretrizes:1. Conformidade com o Artigo 1º (Diretrizes da Política Nacional de Cultura): O projeto atua como agente facilitador do pleno exercício dos direitos culturais (Inciso I) ao garantir acesso gratuito a fontes de memória ancestral. Promove a regionalização e valorização de conteúdos locais (Inciso II) ao situar as atividades em território periférico e tradicional do Distrito Federal, empenhando-se diretamente na salvaguarda do patrimônio cultural imaterial (Inciso IV) das matrizes Bantu.2. Objetivos do PRONAC (Artigo 3º): A proposta cumpre integralmente as finalidades do Programa Nacional de Apoio à Cultura ao prever o incentivo à formação (Inciso I) por meio de suas oficinas práticas; o fomento à produção artística (Inciso II) com a exibição do filme "Boi Lua" e apresentações culturais; e a preservação e estímulo ao conhecimento (Incisos III e IV) através da exposição fotográfica "Tala Mesu", da Feira Makáia e das vivências rituais do Candomblé de Caboclo.3. Enquadramento de Custeio (Artigo 18): Considerando a natureza do objeto, o projeto enquadra-se no Artigo 18, possibilitando aos incentivadores a dedução de 100% do valor do aporte. As ações estão amparadas pelas alíneas:'e' (Patrimônio Cultural): Ações de preservação e difusão de saberes tradicionais;'h' (Artes Cênicas): Oficinas e apresentações de expressão corporal e teatro;'i' (Música): Atividades de musicalidade ancestral e percussiva (Kambondos). Democratização do Acesso: Distribuição e Comercialização (Art. 47, IN nº 29/2026)Em estrita observância ao Art. 47 da IN nº 29/2026, a estratégia de distribuição e oferta dos produtos deste projeto prioriza a gratuidade integral e a ampla disseminação. O modelo de gestão visa maximizar o impacto sociocultural em conformidade com os objetivos do Pronac, conforme as modalidades abaixo:I. Materiais Educativos e de Apoio (§1º, inciso I): Todos os recursos didáticos desenvolvidos — incluindo guias de estudo, cartilhas informativas e materiais digitais acessíveis — serão ofertados gratuitamente. A distribuição digital ocorrerá via plataformas de compartilhamento facilitado, enquanto materiais impressos serão entregues durante as atividades presenciais e para instituições parceiras voltadas à juventude de terreiro e comunidades afro-brasileiras.II. Compartilhamento de Conteúdo Digital (§1º, inciso II): Os registros audiovisuais de oficinas, entrevistas e os documentários produzidos serão disponibilizados sem custos em plataformas de vídeo (YouTube/Vimeo) e redes sociais. O projeto adotará licenças de uso que assegurem o compartilhamento e a utilização não comercial para fins educativos e de difusão cultural por terceiros.III. Eventos e Ações Presenciais com Entrada Franca (§1º, inciso IV): Todas as etapas de culminância, exibições audiovisuais, apresentações culturais e exposições fotográficas terão entrada franca. A ampla divulgação das atividades garantirá o acesso democrático e a participação da comunidade interessada, eliminando barreiras financeiras à fruição dos bens culturais oferecidos.